quarta-feira, julho 22, 2026

Política & Agro

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Padronizar umidade reduz perdas no café


A padronização da umidade dos grãos é uma das etapas mais importantes da pós-colheita do café e influencia diretamente a qualidade, a segurança e a estabilidade do produto até a comercialização. O processo começa na colheita e se estende até o armazenamento dos grãos beneficiados, passando por operações como recepção, lavagem, separação por maturação e densidade, despolpa ou descascamento, fermentação controlada, secagem, descanso e beneficiamento.

Entre maio e novembro, período em que a maior parte das lavouras brasileiras está em colheita e secagem, as variações climáticas aumentam o risco de erros no manejo da umidade. Chuvas fora de época, frentes frias e mudanças na umidade relativa do ar podem comprometer a uniformidade da secagem. Independentemente da região produtora, o objetivo permanece o mesmo: alcançar um teor de umidade seguro para armazenamento e comercialização sem comprometer a qualidade sensorial dos grãos.

Segundo o conteúdo técnico, compreender a dinâmica da água nos grãos é essencial para reduzir perdas. O material explica como ocorre o comportamento da umidade durante a secagem, apresenta os riscos da falta de padronização, orienta sobre a medição correta do teor de água e reúne estratégias para secagem em terreiros e secadores mecânicos, além dos cuidados necessários antes do armazenamento e da comercialização.

O texto ressalta que as informações têm caráter informativo e não substituem a avaliação de um engenheiro agrônomo. Também reforça que as operações de secagem e armazenamento devem seguir recomendações técnicas específicas, normas vigentes e orientação de profissionais habilitados.

Padronizar a umidade significa ajustar e uniformizar o teor de água presente nos grãos até atingir níveis considerados seguros para armazenamento e comercialização. O processo envolve a retirada da água dos frutos recém-colhidos, a redistribuição uniforme da umidade remanescente entre os grãos e a manutenção dessas condições durante o armazenamento. Quando essa uniformização não ocorre, é comum haver grãos aparentemente secos por fora, mas ainda úmidos internamente, situação que favorece fungos, fermentações indesejadas e perda da qualidade da bebida.

O período entre maio e novembro concentra grande parte da colheita, da secagem e do armazenamento inicial do café, exigindo atenção constante às condições climáticas. O material destaca que a transição entre o período seco e o chuvoso, as oscilações de temperatura e o aumento do volume de café nas estruturas de secagem tornam mais desafiador manter a uniformidade da umidade. Nesse contexto, recomenda-se trabalhar com níveis seguros para armazenamento prolongado, evitar secagens excessivamente rápidas ou lentas e assegurar que todo o lote apresente umidade homogênea antes de ser armazenado.

Durante a secagem, a água presente no café se comporta de forma diferente conforme o estágio do processo. Nos primeiros momentos após a colheita, a maior parte da água está concentrada na casca, polpa ou mucilagem e é eliminada com relativa facilidade. À medida que a secagem avança, a retirada de água torna-se mais lenta e sensível às condições ambientais. Próximo da umidade final, o processo exige ainda mais cuidado para evitar trincas e outros danos causados pelo excesso de calor. O texto ressalta que a redistribuição da água continua mesmo após a saída do secador ou do terreiro, tornando a etapa de equalização indispensável.

A falta de padronização da umidade pode provocar diversos prejuízos ao produtor. O conteúdo aponta que grãos ou partes do lote com excesso de água favorecem o desenvolvimento de fungos e bolores, podem resultar em fermentações indesejadas, aumentar a ocorrência de danos físicos durante a secagem, reduzir o valor comercial do café e comprometer a estabilidade do armazenamento, elevando inclusive o risco de infestação por insetos.

A medição correta da umidade é apontada como um dos pilares da pós-colheita. Para isso, recomenda-se utilizar equipamentos calibrados, coletar amostras representativas de diferentes pontos do lote, evitar medições imediatamente após a saída dos secadores e complementar as leituras com avaliações visuais e olfativas dos grãos. O material lembra que os valores de referência variam conforme o tipo de café e o período previsto de armazenamento.

Nos terreiros, a padronização da umidade depende da correta distribuição dos frutos, do revolvimento frequente das camadas, da proteção contra chuva e orvalho e da condução da secagem em etapas. Inicialmente, busca-se reduzir rapidamente a umidade mais elevada. Em seguida, a secagem passa a ser conduzida de forma mais lenta para favorecer a redistribuição uniforme da água antes do armazenamento.

Quando a secagem ocorre em secadores mecânicos, o texto recomenda evitar temperaturas muito elevadas nas fases iniciais, controlar a velocidade de retirada da água, alternar ciclos de aquecimento com períodos de repouso e monitorar continuamente a umidade dos grãos. Em muitas propriedades, a combinação entre terreiro e secador mecânico é utilizada justamente para melhorar a uniformidade da secagem.

Mesmo após a secagem, a estabilização da umidade continua durante o período de descanso em tulhas e armazéns. O conteúdo orienta utilizar estruturas limpas e bem ventiladas, evitar a mistura de lotes com diferentes níveis de umidade, controlar a altura das camadas armazenadas e realizar medições periódicas até confirmar que a umidade permaneça uniforme em todo o lote antes do beneficiamento final.

Como medida preventiva, o material recomenda verificar a umidade inicial logo após a colheita, iniciar rapidamente a secagem, controlar a espessura das camadas no terreiro, ajustar corretamente os secadores mecânicos, proteger os lotes contra reumidificação, utilizar tulhas adequadas, evitar misturar cafés em diferentes estágios de secagem e manter registros das medições realizadas. O texto conclui ressaltando que a definição do teor de umidade adequado, da estratégia de secagem e das condições de armazenamento deve sempre considerar as características da propriedade, do tipo de café produzido e do mercado de destino, com acompanhamento de profissional habilitado.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Controle de daninhas fortalece lavoura de feijão


O controle de plantas daninhas antes da semeadura do feijão é uma etapa decisiva para reduzir perdas provocadas pela matocompetição nos primeiros estádios da cultura. O manejo realizado sobre e sob a palhada deve considerar o histórico da área, a cultura anterior, a qualidade da cobertura vegetal, a escolha de herbicidas para dessecação e efeito residual, além da integração com práticas mecânicas e da avaliação dos riscos de efeito residual de produtos utilizados anteriormente. O planejamento influencia diretamente a emergência das plantas, a formação do estande e o potencial produtivo da lavoura.

O material destaca que, em sistemas de plantio direto, o manejo pré-plantio reúne diferentes práticas voltadas à redução da infestação de plantas daninhas antes da implantação da cultura. Entre elas estão a dessecação da vegetação existente, a utilização de herbicidas registrados para o feijão, quando tecnicamente recomendados, e ajustes operacionais na semeadora para favorecer a emergência da cultura e dificultar o desenvolvimento das invasoras.

Segundo o conteúdo técnico, o controle antecipado é especialmente importante porque o feijoeiro apresenta baixo porte, ciclo curto e elevada sensibilidade à competição por luz, água e nutrientes logo após a emergência. A presença de plantas daninhas nesse período pode reduzir a produtividade, comprometer o estande, elevar os custos com aplicações posteriores de herbicidas ou capinas e dificultar a colheita.

As espécies encontradas na palhada variam conforme o histórico da área e a sucessão de culturas. Entre as mais frequentes estão gramíneas anuais, gramíneas perenes, folhas largas e plantas voluntárias remanescentes de culturas anteriores, como soja e milho. O material ressalta que algumas espécies apresentam histórico de resistência a determinados grupos de herbicidas, exigindo planejamento antecipado e integração de diferentes métodos de controle.

O planejamento do pré-plantio começa ainda na definição da sucessão de culturas e da espécie utilizada para formação da palhada. Coberturas como milho, milheto, sorgo e braquiárias tendem a formar maior quantidade de resíduos sobre o solo, reduzindo naturalmente a emergência de plantas daninhas. O documento também destaca a importância da distribuição uniforme da palhada, da realização da dessecação com antecedência suficiente e da sincronização entre esse manejo e a janela de plantio do feijão.

No manejo químico, a dessecação tem como objetivo eliminar toda a vegetação presente antes da semeadura. A eficiência da operação depende do estádio de desenvolvimento das plantas daninhas, das condições climáticas e da qualidade da pulverização. Após a aplicação, deve ser respeitado o intervalo indicado em bula entre a dessecação e o plantio para reduzir riscos de fitotoxicidade.

O conteúdo também aborda o uso de herbicidas residuais em áreas com elevado banco de sementes de plantas daninhas. Nesses casos, é necessário verificar se o produto possui registro para a cultura do feijão, considerar as características do solo e avaliar o risco de persistência de herbicidas aplicados em culturas anteriores. O texto ressalta que a definição dos produtos, doses e momentos de aplicação deve ser feita por engenheiro agrônomo, respeitando bulas e registros oficiais.

Embora o plantio direto reduza a necessidade de operações mecânicas, algumas práticas podem complementar o manejo, como roçadas localizadas antes da dessecação, ajustes na regulagem da semeadora para melhorar o corte da palhada e capinas pontuais em áreas com plantas daninhas de difícil controle ou com resistência múltipla. O material alerta que operações intensas de preparo do solo tendem a ser evitadas, pois comprometem a estrutura do solo e favorecem novas infestações.

A integração entre o controle de plantas daninhas e a manutenção da cobertura do solo é apontada como um dos principais desafios do sistema. O objetivo é preservar a palhada para conservar a umidade, reduzir a erosão e regular a temperatura do solo, ao mesmo tempo em que se limita a emergência das plantas invasoras por meio da rotação de culturas, do uso racional de herbicidas e do monitoramento contínuo das áreas.

O documento também reforça que o uso de herbicidas deve seguir a legislação vigente, com receituário agronômico, utilização de equipamentos de proteção individual e respeito às orientações de rótulo e bula. Além disso, recomenda que os produtores acompanhem possíveis alterações nos registros de produtos e mantenham registros detalhados das operações realizadas, utilizando essas informações para aperfeiçoar o manejo nas safras seguintes. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Agricultura familiar recebe R$ 97,3 bilhões, mas desafio é transformar crédito em comida mais barata


O novo Plano Safra da Agricultura Familiar chega ao campo com uma promessa econômica clara: ampliar o crédito para pequenos produtores e tentar aproximar esse dinheiro da mesa do consumidor. O pacote anunciado pelo governo para 2026/2027 soma R$ 97,3 bilhões em crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural. Desse total, R$ 85,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, volume quase 9% superior ao da safra anterior.

O tamanho do pacote importa porque a agricultura familiar não é uma parte pequena do agro brasileiro. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, o país tinha 3.897.408 estabelecimentos classificados como agricultura familiar em 2017, o equivalente a cerca de 77% dos estabelecimentos agropecuários. Esses produtores ocupavam 80,9 milhões de hectares, ou 23% da área total, respondiam por 23% do valor da produção e concentravam 10,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 67% da mão de obra no campo.

O crédito mais barato para o pequeno produtor pode ajudar a segurar o preço dos alimentos? A resposta é mais simples do que parece. Dinheiro disponível melhora o capital de giro, permite compra de insumos, reduz dependência de crédito informal e pode destravar investimento em irrigação, máquinas pequenas, armazenagem e assistência técnica. Mas o efeito sobre a inflação dos alimentos depende de execução, clima, logística, escala e capacidade de comercialização.

É aí que mora a pauta. O Plano Safra não deve ser tratado apenas como anúncio de governo, mas como política de oferta. Quando o pequeno produtor consegue plantar mais, perder menos e vender melhor, o impacto potencial aparece em produtos sensíveis no orçamento das famílias, como feijão, arroz, mandioca, leite, ovos, frutas e hortaliças. São alimentos menos ligados ao mercado financeiro internacional do que soja e milho, mas muito expostos a clima, transporte e margem de intermediação.

Além do crédito rural, o pacote inclui 10 editais que somam R$ 832,5 milhões e devem beneficiar mais de 93 mil famílias. Entre as medidas, o Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido prevê R$ 413,4 milhões para atender 63,6 mil famílias, com ações de assistência técnica, cooperativismo, agroecologia, agricultura urbana, sociobioeconomia e autonomia de mulheres rurais.

O ponto de tensão é que a agricultura familiar tem peso social maior do que poder de mercado. Ela emprega muito, ocupa menos área e responde por parcela relevante da comida consumida no país, mas costuma vender com pouca capacidade de armazenagem e baixo poder de barganha. Na prática, isso significa que uma alta no crédito pode melhorar a renda do produtor sem necessariamente reduzir o preço final se os gargalos estiverem no frete, no atacado, no varejo ou nas perdas pós-colheita.

A reportagem deve acompanhar o caminho do dinheiro. Quanto chega de fato ao produtor? Em que prazo? Com que juro? Para quais culturas? E, principalmente, quem consegue acessar? A agricultura familiar é grande no Censo, mas fragmentada no mercado. Se o Plano Safra conseguir reduzir essa distância entre política pública e produção real, o impacto econômico será mais forte do que o número de lançamento. Se não conseguir, o pacote corre o risco de virar crédito anunciado, mas pouco sentido no preço dos alimentos.





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Fábio Chaves é eleito presidente e garante continuidade à frente do CREA-RS


O Rio Grande do Sul já conhece o nome que vai comandar o CREA-RS a partir de 2027: o engenheiro Fábio Roberto Chaves, eleito nesta sexta-feira (3/7) em pleito totalmente virtual promovido pelo Sistema Confea/Crea e Mútua. A votação confirmou a permanência do grupo que já ocupa o comando da entidade sob a presidência de Nanci Walter.

O engenheiro gaúcho recebeu 3.178 votos. Mais do que uma troca de comando, o resultado sinaliza a manutenção do formato de gestão adotado nos últimos anos — voltado, entre outros pontos, ao fortalecimento institucional do Conselho e à ampliação do diálogo com a sociedade sobre temas ligados à engenharia, à agronomia e às geociências.

Segundo dados divulgados pelo Confea/Crea, de um universo de 748.594 profissionais aptos a votar em todo o país, apenas 141.151 efetivamente participaram — um índice de 18,86%. No recorte gaúcho, de acordo com levantamento do CREA-RS, 7.723 dos 46.026 eleitores habilitados compareceram à votação online.

Antes de chegar à presidência, Chaves acumulou uma trajetória de mais de duas décadas ligada ao setor produtivo. Formado em Engenharia de Produção e de Segurança do Trabalho pela Unisinos, em 2015, e pós-graduado na mesma área dois anos depois, ele soma 22 anos de atuação na indústria metalúrgica, período em que passou por cargos de gestão de processos industriais. Atualmente cursa o mestrado pelo PPMEC e também atua como perito judicial e assistente técnico, com experiência na elaboração de laudos. É certificado pelo Corpo de Bombeiros para conduzir treinamentos de prevenção e combate a incêndio e já lecionou em cursos de extensão voltados à segurança do trabalho.

No universo empresarial, Chaves fundou a Casa de Projeto, espaço que reúne profissionais de engenharia e arquitetura, e é sócio-fundador da Grando Metais, empresa especializada na fabricação de postes metálicos para iluminação pública. Sua relação com o Sistema Confea/Crea começou em 2017, quando integrou a Comissão da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica na Inspetoria de Esteio — experiência que abriu caminho para sua eleição como inspetor-secretário da Inspetoria de São Leopoldo. Ele também mantém vínculo com entidades como AEA Sinos, Sease e Ares, e foi um dos responsáveis por consolidar o Programa Capacita+, iniciativa que, segundo dados divulgados pelo CREA-RS, já capacitou mais de dez mil profissionais no estado desde sua criação, em 2022.

O resultado também repetiu a lógica da continuidade na Mútua-RS, braço de assistência do Sistema no estado. Os três cargos em disputa ficaram com nomes alinhados à gestão atual: Marco Aurélio Caminha Júnior foi eleito diretor-geral, com 3.774 votos; Fábio Fanfa venceu a corrida para diretor-administrativo, somando 2.755 votos; e Franciele Fridhein assumirá a diretoria financeira, com 3.382 votos.

O movimento de continuidade não ficou restrito ao Rio Grande do Sul. No âmbito nacional, Vinicius Marchese garantiu sua reeleição à frente do Confea, com apoio de Chaves e de Nanci Walter — reforçando o alinhamento entre as lideranças federal e estadual do Sistema. A posse da nova diretoria do CREA-RS está marcada para janeiro de 2027, quando Chaves assume o desafio de dar sequência aos projetos em andamento e ampliar a presença institucional das profissões representadas pelo Conselho no estado.





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Cacau recua dos picos, mas ainda segura alívio no preço do chocolate


O mercado do cacau entrou em uma fase menos explosiva do que a vista nos últimos meses, mas isso ainda não significa alívio imediato para o chocolate. Depois de uma sequência de forte volatilidade internacional, a commodity voltou a operar acima de US$5,1 mil por tonelada no início de julho, patamar que segue elevado para a indústria e mantém o custo da matéria-prima no centro da formação de preços.

Segundo a Organização Internacional do Cacau, o preço diário ICCO ficou em US$5.169,23/t em 1º de julho de 2026 e passou para US$5.116,52/t em 2 de julho de 2026. No mesmo período, os contratos futuros em Nova York ficaram em US$5.178,33/t e US$5.141,67/t, respectivamente. Em Londres, as referências foram de £ 3.883,00/t e £ 3.811,33/t.

A leitura econômica é que o cacau saiu do momento mais agudo de estresse, mas não voltou a ser barato. Para a indústria, o problema não é apenas a oscilação diária, e sim o novo patamar de custo. Mesmo quando há queda em relação aos picos, os preços continuam altos o suficiente para limitar promoções, reduzir margens e pressionar produtos derivados, como barras, bombons, achocolatados, coberturas e itens de confeitaria.

No mercado brasileiro, as referências também seguem firmes. Em 3 de julho de 2026, o cacau estava cotado a R$ 305,00 por arroba na Bahia, R$ 1.220,00 por saca no Espírito Santo e R$ 19,00 por quilo no Pará. As cotações ficaram estáveis em relação aos dias anteriores, mas ainda refletem um mercado sensível ao comportamento externo e ao câmbio.

Na conversão por quilo, a arroba baiana de 15 kg a R$ 305,00 equivale a cerca de R$ 20,33/kg. A saca capixaba de 60 kg a R$ 1.220,00 também aponta para aproximadamente R$ 20,33/kg. No Pará, a referência direta era de R$ 19,00/kg. A diferença entre as praças mostra que o preço interno não acompanha apenas a bolsa internacional; ele também carrega logística, qualidade, liquidez regional e relação entre comprador e produtor.

Houve algum recuo no mercado nacional em relação ao fim de junho. Em 26 de junho de 2026, a Bahia tinha referência de R$ 320,00/@, o Espírito Santo de R$ 1.280,00/sc e o Pará de R$ 21,00/kg. Comparando com 3 de julho, a queda foi de cerca de 4,7% na Bahia e no Espírito Santo, e de aproximadamente 9,5% no Pará. Ainda assim, a correção não muda o quadro principal: o cacau continua caro para a indústria.

O impacto no consumidor costuma chegar com atraso. Indústrias trabalham com estoques, contratos, repasses parcelados e estratégias de embalagem. Em alguns casos, o reajuste aparece no preço final; em outros, vem por redução de gramatura, mudança de formulação ou corte de margem. Por isso, uma baixa pontual na commodity não derruba automaticamente o preço do chocolate no supermercado.

A cadeia também convive com um desequilíbrio de expectativa. Para o produtor, o preço elevado melhora receita e pode estimular investimento em manejo, renovação de lavouras e controle sanitário. Para a indústria, encarece a compra da amêndoa e aumenta a necessidade de caixa. Para o consumidor, o efeito aparece em uma categoria que já deixou de ser compra puramente sazonal e passou a pesar mais no orçamento de alimentos industrializados.

A pergunta para os próximos meses é se o mercado internacional vai confirmar um movimento de normalização ou se a volatilidade continuará controlando o preço. Caso as cotações permaneçam acima de US$ 5 mil/t, a tendência é de pouco espaço para queda relevante ao consumidor. Para o chocolate ficar mais barato, não basta o cacau cair por alguns dias. É preciso uma combinação de oferta mais confortável, câmbio favorável, recomposição de estoques e menor pressão de custos industriais.

O cacau atualmente já não está no mesmo ambiente de pânico dos momentos mais extremos, mas ainda está longe de um cenário confortável. E, enquanto essa conta continuar apertada, o chocolate dificilmente terá alívio rápido na ponta final.





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Seguro rural cobre pouco e deixa produtor exposto ao risco climático


O Brasil ampliou o crédito rural, aumentou a produção e consolidou safras bilionárias, mas segue com uma fragilidade estrutural na gestão de risco: o seguro rural ainda cobre uma parcela pequena da área plantada. Na prática, o país financia o plantio, mas protege pouco a renda do produtor quando o clima quebra a safra.

A baixa cobertura voltou ao centro do debate porque menos de 4% da área plantada no Brasil tem seguro rural. O dado ajuda a explicar por que eventos climáticos, como seca, excesso de chuva, geada ou granizo, rapidamente deixam de ser um problema produtivo e viram um problema financeiro. Quando a lavoura quebra, o produtor perde receita, atrasa compromissos, renegocia dívidas e reduz investimento para o ciclo seguinte.

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural funciona como um mecanismo de redução de custo da apólice. Na prática, o governo paga parte do prêmio para que o produtor consiga contratar proteção por um valor menor. O objetivo é ampliar a cobertura contra riscos climáticos e reduzir a dependência de socorros posteriores, renegociações emergenciais ou alongamento de dívidas.

O problema é que o orçamento disponível para a subvenção tem oscilado. Informações citadas no debate do setor mostram que os recursos executados em 2025 ficaram em R$ 565,3 milhões, abaixo do pico de R$ 1,15 bilhão registrado em 2021. Para 2026, a previsão orçamentária era de R$ 1,01 bilhão, mas entidades do agro apontam que a necessidade real do setor seria próxima de R$ 4 bilhões.

A consequência aparece nos números de cobertura. O seguro rural subvencionado atingiu recorde de 217,9 mil apólices em 2021, com 14,0 milhões de hectares segurados. Em 2025, o programa caiu para 61,6 mil apólices e 3,2 milhões de hectares cobertos, o pior desempenho em 10 anos. Para 2026, estimativas citadas pela FGV-Agro apontam possível recuo para cerca de 2,7 milhões de hectares, menos de 3% da área agrícola nacional.

Esse quadro cria uma contradição econômica. O Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial foi anunciado com R$ 525,1 bilhões. Desse total, R$ 384,9 bilhões são para custeio e comercialização, e R$ 140,2 bilhões para investimentos. O volume de crédito é alto, mas crédito sem seguro suficiente aumenta a exposição do produtor e também do sistema financeiro.

Quando o seguro não acompanha o tamanho da produção, o risco climático fica espalhado pela cadeia. O produtor assume a primeira perda. Depois, o impacto chega a cooperativas, revendas de insumos, bancos, cerealistas, tradings e municípios dependentes da renda agrícola. Uma quebra de safra não reduz apenas a produção; ela compromete liquidez, arrecadação local, emprego e capacidade de investimento.

Do ponto de vista fiscal, o seguro rural também pode sair mais barato do que a reação posterior. Sem cobertura, perdas climáticas costumam gerar pressão por renegociação, equalização, prorrogação de crédito ou medidas emergenciais. Com cobertura maior, parte do prejuízo é absorvida pelo mercado segurador, reduzindo a necessidade de resposta pública depois da quebra.

A imprevisibilidade orçamentária é uma das principais travas. Relatório do Climate Policy Initiative aponta que, em 2025, dos cerca de R$ 1 bilhão previstos para o PSR, R$ 445 milhões foram bloqueados, o equivalente a 42% do total. O estudo também destaca que cortes recorrentes reduzem a oferta de apólices pelas seguradoras e desestimulam produtores a contratar cobertura.

O desafio, portanto, não é apenas colocar mais dinheiro no programa. É dar previsibilidade. Seguro rural depende de calendário agrícola, análise de risco, seguradoras e decisão antecipada do produtor. Se o recurso aparece tarde ou sofre bloqueio no meio do caminho, a apólice não chega a tempo da safra.

O Brasil tem uma política agressiva de crédito, mas uma política ainda instável em relação a proteção. Em um cenário de clima mais irregular e margens apertadas, essa diferença pesa. Para o produtor, o seguro pode ser a linha entre uma quebra administrável e um ciclo de endividamento. 





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Mercado de títulos sustentáveis expõe falhas



A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras


A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras
A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras – Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de títulos ligados a critérios ambientais, sociais e de governança ainda apresenta falhas relevantes na análise de riscos socioambientais. Estudo da Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis mostra que instituições financeiras e empresas dos setores agropecuário e elétrico permanecem distantes das salvaguardas mínimas previstas pela Taxonomia Sustentável Brasileira.

A pesquisa avaliou 22 instituições financeiras, 37 empresas de agropecuária, alimentos, bebidas e biocombustíveis e 32 companhias do setor elétrico com emissões entre 2021 e 2025. Entre os bancos, a média foi de 4,2 das 24 diligências consideradas essenciais, o equivalente a 17,5%. Nenhuma das 18 instituições com operações aplicáveis verificava a cadeia de fornecedores das empresas beneficiárias.

A consulta ao cadastro de empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão foi a prática mais comum, presente em 83,3% das instituições. Já as verificações de desmatamento, embargos e infrações ambientais apareceram em poucos casos.

No agronegócio, as empresas realizavam, em média, três das 24 diligências recomendadas, ou 12,5%. Nenhuma consultava processos judiciais socioambientais ou investigações do Ministério Público sobre fornecedores. Auditorias, visitas presenciais e pesquisas de mídia também eram pouco utilizadas.

No setor elétrico, o levantamento apontou pouca atenção a riscos climáticos, biodiversidade e comunidades afetadas. Quase metade das companhias possuía investigações ou procedimentos no Ministério Público.

Para a SIS, o crescimento do mercado não foi acompanhado por controles capazes de reduzir o risco de greenwashing. A entidade defende critérios mais rigorosos de elegibilidade, diligência e monitoramento para alinhar as emissões à taxonomia brasileira.





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Regras europeias ampliam pressão sobre exportações



No Brasil, um dos principais desafios é a validação de ferramentas de monitoramento


No Brasil, um dos principais desafios é a validação de ferramentas de monitoramento
No Brasil, um dos principais desafios é a validação de ferramentas de monitoramento – Foto: Divulgação

As novas regras europeias contra o desmatamento terão aplicação escalonada a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores e de 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas. O adiamento de 20 meses busca reduzir a carga administrativa, mas mantém exigências de rastreabilidade e geolocalização que afetam diretamente os exportadores brasileiros.

As mudanças incluem declarações simplificadas para operadores de países de baixo risco e um regime mais leve para agentes da categoria downstream, com o objetivo de evitar checagens duplicadas. Para produtores e exportadores na origem, porém, os requisitos centrais seguem inalterados.

No Brasil, um dos principais desafios é a validação de ferramentas de monitoramento aceitas pela União Europeia. O Cadastro Ambiental Rural não atende integralmente aos critérios do bloco. Também preocupa a exigência de segregação física dos grãos, que impede a mistura de lotes em silos e portos e exige investimentos em sistemas de origem e identificação até o nível do talhão.

A norma europeia ainda impede a exportação de produtos provenientes de áreas desmatadas após sua data de corte, mesmo quando a conversão foi autorizada pela legislação brasileira. Certificações e módulos de conformidade podem apoiar a organização dos dados, mas não substituem a responsabilidade legal dos operadores pela diligência devida.


 





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Rentabilidade será teste da próxima safra


O agronegócio brasileiro se aproxima de uma nova safra recorde, mas o avanço do volume não elimina a pressão sobre a rentabilidade no campo. A avaliação é de Ricardo Leite, superintendente executivo do Banco Safra, para quem a margem deve ser o principal desafio do produtor nos próximos ciclos.

A Conab estima a produção brasileira de grãos em 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 1,8% sobre o ciclo anterior e novo recorde nacional. A soja permanece como principal cultura, com colheita projetada em 180,3 milhões de toneladas. Apesar do cenário favorável, o desempenho financeiro dependerá de decisões mais cuidadosas sobre custos, crédito, comercialização e proteção de caixa.

A atenção já se volta para a safra 2026/27, que tende a apresentar rentabilidade mais seletiva. Um dos pontos de pressão está nos insumos. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, enquanto soja, milho e cana concentram mais de 73% do consumo nacional. No primeiro trimestre de 2026, as entregas de fertilizantes ao mercado somaram 9,76 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2025. Mato Grosso respondeu por 25,2% desse total.

Na comercialização, os embarques mantêm ritmo forte. Em maio, o país exportou 14,82 milhões de toneladas de soja, segundo dados citados pelo Cepea. O volume acumulado entre janeiro e maio alcançou nível recorde para o período.

O cenário mostra que produtividade elevada continuará importante, mas não será suficiente para garantir resultado. A próxima safra deve favorecer quem conseguir comprar melhor, estruturar o financiamento, travar margens e antecipar decisões antes do aumento da pressão sobre custos. Mais do que ampliar a produção, o teste será crescer com eficiência e preservar a rentabilidade.





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Trigo fecha semana estável após dados do USDA


As cotações internacionais do trigo encerraram a semana praticamente estáveis na Bolsa de Chicago, após um período de volatilidade influenciado pelos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). De acordo com a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 26 de junho a 2 de julho e publicada nesta quinta-feira (2), o primeiro contrato do cereal chegou a ser negociado a US$ 5,69 por bushel no dia 29 de junho, mas recuperou parte das perdas após a divulgação dos dados oficiais.

No fechamento da quinta-feira (2), o contrato encerrou cotado a US$ 5,90 por bushel, praticamente repetindo o valor registrado uma semana antes, de US$ 5,91. Apesar da estabilidade semanal, a média de junho ficou em US$ 5,89 por bushel, resultado 7,2% inferior ao observado em maio. Na comparação com junho do ano passado, porém, quando a média foi de US$ 5,40 por bushel, os preços permanecem em nível superior.

Os dados do USDA mostraram uma redução significativa da área destinada ao cultivo de trigo nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, a área efetivamente semeada caiu 6% em relação ao ciclo anterior, totalizando 17,28 milhões de hectares, abaixo dos 18,34 milhões registrados no ano passado e também inferior à expectativa média do mercado, estimada em 17,75 milhões de hectares.

O relatório também apontou aumento nos estoques trimestrais do cereal. Na posição de 1º de junho, os volumes armazenados cresceram 8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 25 milhões de toneladas. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente abaixo da projeção média dos analistas, que esperavam 25,42 milhões de toneladas.

Além do cenário norte-americano, a Ceema destaca mudanças nas perspectivas para a produção da Rússia. Analistas privados elevaram a estimativa para a safra 2026/27 do país, projetando uma colheita de 91,2 milhões de toneladas de trigo. Caso o volume se confirme, será o maior desde a safra recorde de 2022/23, quando a produção alcançou 96 milhões de toneladas.

A revisão foi motivada pela recuperação das lavouras de trigo de inverno, cuja produção está estimada em 69,1 milhões de toneladas. Em contrapartida, a expectativa é de redução na produção do trigo de primavera, que deve somar 22 milhões de toneladas, abaixo das 29,3 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior e no menor nível desde a safra 2019/20.

Segundo a análise, a área total colhida com trigo na Rússia deverá atingir 25,66 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.550 quilos por hectare, o equivalente a aproximadamente 59,2 sacas por hectare.





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