terça-feira, julho 21, 2026

Política & Agro

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Chances do El Niño ser “muito forte” no final de 2026 chegam a 81%



El Niño pode se tornar muito forte até o fim de 2026, segundo NOAA


Foto: NOAA

O El Niño se intensificou e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro próximos, segundo estimativa publicada nesta quinta-feira (9) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos, uma das mais importantes do mundo.

Segundo a NOAA, se a previsão se confirmar, esse pode ser o maior El Niño desde 1950, ano em que começaram a ser feitas as medições.

Havia uma previsão de que o fenômeno pudesse se intensificar ao longo de 2026, mas não se sabia exatamente a intensidade a que poderia chegar. Esse novo boletim do instituto marca, portanto, uma mudança importante.

O fortalecimento do fenômeno climático tem ainda 97% de chance de perdurar até os meses de março a junho de 2027, quando é primavera no Hemisfério Norte e outono no Hemisfério Sul.

De acordo com o instituto norte-americano, o El Niño ganhou força no mês de junho, causando uma série de alterações na temperatura de uma grande área da superfície do Oceano Pacífico central e leste, provocando aumento superior a 1ºC nessas regiões.

Ainda segundo a NOAA, um El Niño mais forte não significa necessariamente que haverá eventos climáticos graves, mas que há uma probabilidade maior de que aconteçam mais tempestades e forte calor em diferentes regiões do planeta.

O El Niño é o fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento acima da média da superfície do Pacífico equatorial. Essa elevação da temperatura causa alterações no ritmo das chuvas e também na circulação dos ventos.





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como corrigir o solo ainda no pré-plantio do arroz


A correção da acidez do solo por meio da calagem continua sendo uma das principais práticas para garantir o bom desenvolvimento do arroz irrigado. Entre maio e agosto, período em que muitas áreas de várzea estão em entressafra ou em preparação para a próxima safra, produtores têm uma janela considerada favorável para aplicar o corretivo e permitir que ele reaja antes da semeadura.

A prática consiste na aplicação de corretivos, geralmente à base de carbonatos de cálcio e magnésio, com o objetivo de elevar o pH do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes e reduzir a presença de alumínio trocável, que limita o crescimento das raízes.

Mesmo que o alagamento característico do cultivo de arroz irrigado eleve temporariamente o pH do solo durante o ciclo da cultura, a condição química do terreno antes da inundação influencia diretamente o estabelecimento inicial das plantas e o aproveitamento da adubação. Por isso, a calagem realizada ainda no pré-plantio permanece indicada para áreas com acidez elevada e baixa saturação por bases.

Além de favorecer o desenvolvimento radicular, a prática amplia a eficiência da adubação e contribui para maior estabilidade da produtividade. O corretivo reduz a toxidez causada pelo alumínio e melhora a disponibilidade de fósforo e de outros nutrientes essenciais ao desenvolvimento da lavoura.

O período entre maio e agosto é apontado como o mais adequado porque, em grande parte das regiões produtoras, o solo apresenta melhores condições para o tráfego de máquinas. Outro fator importante é que o calcário reage lentamente, exigindo alguns meses para que seus efeitos sejam plenamente observados. Aplicações muito próximas ao plantio reduzem esse tempo de reação e podem limitar os benefícios esperados.

A necessidade de calagem deve ser definida a partir de análise de solo atualizada, realizada preferencialmente nas camadas de 0 a 10 centímetros e, quando necessário, entre 10 e 20 centímetros de profundidade. A interpretação deve considerar indicadores como pH, alumínio trocável, saturação por bases e os teores de cálcio e magnésio.

O planejamento também envolve a escolha do tipo de calcário, levando em conta o Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT), os teores de cálcio e magnésio e a granulometria do produto. A distribuição uniforme e, quando possível, a incorporação superficial aumentam a eficiência da correção.

A prática deve ser integrada a outras estratégias de manejo, como o planejamento da adubação, o preparo da área, o sistema de irrigação e o uso de plantas de cobertura durante a entressafra. Um solo com acidez corrigida e equilíbrio nutricional tende a favorecer o estabelecimento inicial das plantas, melhorar a absorção de nutrientes e reduzir a suscetibilidade a estresses ao longo do ciclo.

O uso excessivo de calcário, no entanto, também exige atenção. A elevação exagerada do pH pode reduzir a disponibilidade de micronutrientes, como zinco, manganês e cobre, além de representar um custo adicional sem retorno proporcional para a lavoura.

Por isso, todas as decisões relacionadas à quantidade de corretivo e ao manejo da área devem ser baseadas em análises de solo recentes e ajustadas às características de cada propriedade, com acompanhamento de engenheiro agrônomo. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Crise de distribuidora acende alerta para o agro



“O momento exige mais do que otimismo”


"O momento exige mais do que otimismo"
“O momento exige mais do que otimismo” – Foto: Canva

A possível recuperação judicial de uma grande distribuidora de insumos agrícolas acende um alerta sobre os riscos de um efeito dominó em toda a cadeia do agronegócio. A análise é de Eugênio C. B. Jr., especialista em planejamento financeiro, que destaca os impactos que uma crise de liquidez pode provocar entre fornecedores, produtores rurais e parceiros logísticos.

Ele afirma que a emrpresa Lavoro se movimenta para um pedido formal de recuperação judicial após falhar no cumprimento de parcelas de seu plano de recuperação extrajudicial. Segundo a avaliação, a inadimplência de uma distribuidora desse porte pode pressionar o fluxo de caixa de fornecedores, reduzir a oferta de crédito e elevar os custos para produtores rurais que dependem de insumos para manter suas operações.

Nesse contexto, o especialista aponta que o problema pode ultrapassar os limites da própria empresa e atingir toda a rede de relações comerciais. Nesse cenário, recomenda análise contínua de crédito, menor concentração do faturamento em poucos clientes, adoção de garantias contratuais e maior atenção à proteção do caixa contra a insolvência de parceiros estratégicos.

“Se a sua empresa fornece para grandes distribuidoras ou depende delas para operar, a complacência não é mais uma opção. O momento exige mais do que otimismo; exige gestão estratégica de risco. A crise da Lavoro é um alerta estridente de que, no mercado atual, o tamanho não blinda contra a insolvência. O agro não para, mas ele pune quem não se prepara”, conclui em seu perfil oficial na rede social LinkedIn.

 





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Adubação correta melhora potencial do café


A adubação nitrogenada durante o crescimento vegetativo do cafeeiro é um dos fatores que mais influenciam o potencial produtivo das safras seguintes. O nitrogênio é responsável por estimular a formação de folhas, ramos produtivos e a recuperação das plantas após a colheita, mas o manejo inadequado pode comprometer a produtividade e elevar os custos da lavoura.

Segundo as orientações técnicas, o nutriente está diretamente ligado ao enfolhamento, à formação de novos ramos e ao desenvolvimento do sistema radicular. “A adubação nitrogenada no crescimento vegetativo do cafeeiro define boa parte do potencial produtivo dos anos seguintes”, destaca o material.

Ao mesmo tempo, o documento alerta que o uso excessivo do nutriente pode trazer efeitos contrários ao esperado. “Excesso de N aumenta o crescimento vegetativo em detrimento da frutificação, eleva risco de pragas e doenças e pode causar perdas por lixiviação, principalmente em períodos chuvosos”, informa.

O crescimento vegetativo corresponde ao período em que o cafeeiro direciona energia para a formação de folhas, raízes e ramos, reconstruindo a copa após a colheita e preparando a planta para os próximos ciclos produtivos. Durante essa fase, a disponibilidade de água no solo favorece a absorção do nitrogênio, tornando esse período estratégico para o manejo da adubação.

O texto explica que o nitrogênio participa da formação da clorofila, aminoácidos e proteínas, sendo essencial para a fotossíntese e para o desenvolvimento de novos tecidos. Esse processo contribui para o aumento da emissão de ramos produtivos, amplia a área foliar e melhora a capacidade de recuperação das plantas após períodos de seca, geadas ou anos de elevada produção.

Por outro lado, aplicações desbalanceadas favorecem plantas excessivamente vegetativas, aumentam a incidência de doenças como a ferrugem-do-cafeeiro e podem intensificar problemas com pragas, além de gerar desperdício de fertilizantes por volatilização e lixiviação.

O planejamento da adubação deve considerar análise de solo e de folhas, histórico de produtividade, idade da lavoura, sistema de manejo, condições climáticas e disponibilidade de matéria orgânica. Conforme o texto, “a decisão sobre quanto e como aplicar N deve sempre considerar um conjunto de informações”.

A recomendação também é fracionar as aplicações ao longo do período de crescimento vegetativo para reduzir perdas e melhorar a eficiência do aproveitamento do nutriente. Em regiões com estação chuvosa definida, a estratégia consiste em distribuir o nitrogênio em diferentes momentos da safra, acompanhando a retomada do crescimento das plantas e a evolução da umidade do solo.

Além da adubação mineral, o documento ressalta que fontes orgânicas, como compostos e resíduos agrícolas tratados, podem complementar o fornecimento de nitrogênio, contribuindo para elevar os teores de matéria orgânica e melhorar a estrutura física do solo.

O manejo do nitrogênio também deve ser integrado a outras práticas agrícolas, como controle de plantas espontâneas, cobertura do solo, podas e irrigação. A combinação dessas estratégias favorece maior aproveitamento dos nutrientes e contribui para reduzir a alternância de produção entre as safras.

O material reforça ainda que o uso de fertilizantes deve seguir as recomendações técnicas específicas para cada propriedade, com base em análises atualizadas e acompanhamento profissional. “Consultar sempre engenheiro(a) agrônomo(a) para recomendações específicas à realidade da propriedade”, orienta o texto.

Também são recomendados o uso de equipamentos de proteção individual durante a aplicação dos fertilizantes, o armazenamento adequado dos produtos e o cumprimento da legislação ambiental vigente para evitar riscos ao solo e aos recursos hídricos. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Soja volta a ser negociada acima de R$ 140 nos portos



Avanço no mercado spot nacional foi impulsionado pela demanda global



Foto: Pixabay

A saca de 60 quilos de soja voltou a ser negociada acima de R$ 140 nos principais portos brasileiros. O avanço no mercado spot nacional foi impulsionado pela demanda global aquecida, pela valorização dos contratos futuros e pela postura retraída dos vendedores, segundo pesquisadores do Cepea.

A distribuição irregular das chuvas no Hemisfério Norte e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio também contribuíram para a elevação das cotações. O valor nominal acima de R$ 140 por saca não era observado desde janeiro deste ano, antes da entrada da safra 2025/26. Ainda segundo o Cepea, a combinação desses fatores fortaleceu a procura por embarques imediatos e antecipou as negociações dos prêmios de exportação para cargas previstas para 2028.

Os dados do comércio exterior também evidenciam a força da demanda internacional pela soja brasileira. Segundo informações divulgadas pela Secex, o Brasil exportou 14,49 milhões de toneladas do grão em junho.

O volume foi o maior já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria, em 1997. No primeiro semestre, os embarques brasileiros somaram 69,57 milhões de toneladas, quantidade 35% superior à registrada no mesmo período de 2025. O resultado também representa um recorde para os seis primeiros meses do ano.





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Excesso de chuva dificulta manejo do trigo


A semeadura do trigo avançou lentamente no Rio Grande do Sul devido à elevada umidade do solo, alcançando, em média, 87% da área prevista para a safra 2026. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar, que destaca que a implantação das lavouras está próxima da conclusão na maior parte das regiões do Estado.

Segundo a entidade, o encerramento do plantio depende da melhora das condições de solo. Nas áreas de maior altitude, onde o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) permite semeaduras até o fim de julho, os trabalhos deverão se estender por mais tempo.

A Emater/RS-Ascar informa que as lavouras apresentam bom estabelecimento, estandes adequados e desenvolvimento compatível com o período de cultivo. A maior parte das áreas encontra-se em desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento, enquanto as lavouras implantadas mais cedo já iniciaram o alongamento do colmo.

As baixas temperaturas registradas na última semana, acompanhadas por geadas de fraca intensidade, favoreceram o perfilhamento das plantas sem causar prejuízos significativos. Em contrapartida, a elevada nebulosidade e a menor disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo.

Nas regiões com maior volume de chuva, o excesso de água provocou encharcamento do solo, perdas localizadas e necessidade de replantio em áreas com deficiência de drenagem. Além de atrasar a conclusão da semeadura, a umidade também dificultou operações de manejo, como aplicações de herbicidas e fertilizantes nitrogenados em cobertura.

Outro reflexo das condições climáticas foi o aumento do potencial de ocorrência de doenças foliares. Conforme a Emater/RS-Ascar, a elevada umidade no dossel intensificou a necessidade de monitoramento fitossanitário nas lavouras.

Para a safra 2026, a projeção da entidade é de cultivo em 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare.

Na região administrativa de Bagé, o plantio está praticamente concluído na Fronteira Oeste. Em São Borja, 90% dos 18 mil hectares previstos já foram implantados, e cerca de 30% das lavouras semeadas no início da janela do ZARC estão em fase de alongamento do colmo. Em São Gabriel, chuvas intensas exigiram replantio em áreas de relevo plano e drenagem lenta. Já em Aceguá, na Campanha, o excesso de umidade ainda impede o início da semeadura, enquanto em Caçapava do Sul os trabalhos foram finalizados.

Na região de Caxias do Sul, o excesso de precipitações praticamente interrompeu a implantação das áreas restantes, mantendo o solo sem condições para o trânsito de máquinas.

Em Ijuí, a semeadura atingiu 95% da área prevista. O avanço ocorreu apenas em municípios próximos a Cruz Alta, onde a umidade foi menor. Nas demais localidades, a conclusão do plantio depende da melhoria da trafegabilidade. A baixa luminosidade reduziu o ritmo de crescimento das plantas, embora, segundo a Emater/RS-Ascar, não tenha comprometido seu desenvolvimento. Após as chuvas, a umidade favoreceu a aplicação de nitrogênio em cobertura nas áreas em início de perfilhamento.

Na regional de Passo Fundo, o plantio foi concluído e as lavouras estão entre os estágios de germinação e desenvolvimento vegetativo. Apesar da baixa insolação retardar o crescimento inicial, as demais condições permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Na região de Pelotas, aproximadamente 70% da área foi semeada. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos até a primeira quinzena de julho, conforme o calendário regional.

Em Santa Maria, a semeadura chegou a 85%. Em Tupanciretã, principal município produtor da regional, os 10.900 hectares projetados já foram implantados. As condições climáticas, no entanto, limitaram a aplicação de herbicidas para controle de plantas daninhas.

Na regional de Santa Rosa, o plantio alcançou 91% da área prevista. Na Região das Missões, o percentual chegou a 86%, abaixo dos 94% registrados no mesmo período da safra anterior. O atraso concentra-se nas áreas de baixada, onde o excesso de umidade dificultou a implantação. As lavouras apresentam bom estabelecimento, mas parte dos produtores ainda avalia as doses de nitrogênio em cobertura diante do alto custo dos fertilizantes e da possibilidade de chuvas durante a floração, cenário que pode comprometer o rendimento e a qualidade dos grãos.

Na região de Soledade, as precipitações impediram novos avanços, mantendo a área plantada em 90% do previsto. As lavouras apresentam estandes uniformes e bom desenvolvimento inicial, distribuídas entre germinação e emergência, que representam 15% da área, e desenvolvimento vegetativo inicial, com 85%. A elevada umidade favoreceu o surgimento de manchas foliares, exigindo monitoramento constante. Apesar da dificuldade de acesso às propriedades, a Emater/RS-Ascar ressalta que não há atraso significativo na realização dos tratos culturais e que, nas áreas mais altas, a semeadura poderá ser realizada até o fim de julho.





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Clima seco acelera colheita do milho e mantém valorização



Os vendedores estão concentrados nas atividades de campo



Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

Os preços do milho permanecem firmes em grande parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, apesar do período de colheita da segunda safra. Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Pesquisas, a baixa liquidez, a oferta momentaneamente limitada e a valorização internacional do cereal sustentam as cotações no mercado brasileiro.

Os vendedores estão concentrados nas atividades de campo e reduzem a disponibilidade do milho para negociação no mercado spot. Os compradores, por outro lado, permanecem afastados das aquisições, à espera do avanço da colheita e do consequente aumento da oferta.

O levantamento do Cepea indica que a expectativa para este período era de queda nos preços, diante da entrada do milho da segunda safra no mercado. No entanto, as condições climáticas restringiram temporariamente a oferta e impediram uma pressão mais intensa sobre as cotações.

Segundo pesquisadores do Cepea, a colheita apresenta ritmo semelhante ao observado no ano anterior, mas continua abaixo da média das últimas cinco safras. A comercialização também é influenciada pela valorização da soja. De acordo com o Centro de Pesquisas, parte dos produtores tem priorizado os negócios com a oleaginosa e adiado a venda do milho, na expectativa de melhores condições de negociação.

As altas registradas nas cotações internacionais do cereal também oferecem suporte aos preços domésticos, segundo dados divulgados pelo Cepea.

Para as próximas semanas, a previsão de menor volume de chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste deve favorecer o avanço da colheita. Com a intensificação dos trabalhos, os produtores poderão calcular com maior precisão a produtividade das lavouras. As estimativas devem considerar os impactos das geadas no Paraná, da seca em Goiás e das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da safra em Mato Grosso.





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Calor e chuvas intensas marcam segunda quinzena de julho


A segunda quinzena de julho deverá marcar uma mudança nas condições do tempo em grande parte do Brasil. Segundo informações divulgadas pela Meteored, o frio perde intensidade a partir da sexta-feira (17), quando o calor volta a ganhar força e cria condições para tempestades severas e volumes elevados de chuva no Rio Grande do Sul.

Conforme a previsão semanal do modelo ECMWF, a segunda metade do mês deverá registrar temperaturas acima da média em boa parte do país, confirmando a expectativa de que o frio não permanecerá constante no Centro-Sul ao longo de julho.

Os primeiros dias da segunda quinzena ainda serão influenciados por um bloqueio atmosférico. O sistema de alta pressão dificulta o avanço das frentes frias sobre o Centro-Sul, mantendo o tempo firme em diversas regiões. Ao mesmo tempo, o anticiclone associado ao bloqueio favorece a atuação de uma massa de ar frio entre o Sul e parte do Sudeste, mantendo as temperaturas mais baixas entre segunda-feira (13) e quinta-feira (16).

A partir da sexta-feira (17), no entanto, o cenário começa a mudar. De acordo com a Meteored, o enfraquecimento do bloqueio atmosférico sobre o Rio Grande do Sul permitirá o avanço de sistemas frontais. Ao mesmo tempo, a intensificação do jato de baixos níveis transportará calor e umidade da Amazônia em direção ao sul do continente.

A combinação desse fluxo de ar quente e úmido com o fortalecimento do jato subtropical cria um ambiente favorável para a formação de áreas de instabilidade. “A intensificação do jato de baixos níveis, que transporta ar quente e úmido da Amazônia em direção ao sul do continente, eleva rapidamente as temperaturas, especialmente no Rio Grande do Sul”, informa a Meteored.

O modelo europeu indica que, entre domingo (12) e quinta-feira (16), as temperaturas permanecerão abaixo da média em uma faixa que abrange o Sul, o Sudeste e parte do Nordeste. Apesar disso, o aquecimento previsto para os últimos dias da semana deverá compensar o frio registrado anteriormente.

Segundo a Meteored, como o mapa apresenta a média semanal das temperaturas, o aumento previsto entre sexta-feira (17) e o fim de semana será suficiente para gerar anomalias positivas entre 1°C e 3°C no Rio Grande do Sul e no oeste do Paraná.

Na última semana do período analisado, entre os dias 20 e 27 de julho, o calor deverá se espalhar praticamente por todo o país. O transporte contínuo de calor pela circulação atmosférica poderá elevar as temperaturas no Sul, com desvios entre 3°C e 6°C acima da média climatológica.

Além da mudança nas temperaturas, o comportamento das chuvas também deverá sofrer alterações. Entre os dias 13 e 20 de julho, o bloqueio atmosférico ainda reduzirá a ocorrência de precipitações em grande parte do Centro-Sul. O modelo prevê acumulados de até 30 milímetros abaixo da média em Santa Catarina, Paraná, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No Rio Grande do Sul, porém, a situação será diferente a partir da segunda metade da semana. Conforme a Meteored, “com o início do enfraquecimento do bloqueio, o avanço de sistemas frontais, aliado ao transporte de calor e umidade da Amazônia via jato de baixos níveis, favorece a ocorrência de tempestades intensas e volumes expressivos de chuva”.

Os acumulados previstos entre os dias 17 e 22 deverão ser suficientes para elevar os volumes semanais acima da climatologia no estado. Entre os dias 20 e 27, as frentes frias continuarão atuando com maior frequência sobre o território gaúcho, embora encontrem dificuldade para avançar pelo restante do Centro-Sul.

Enquanto isso, o norte da Região Norte deverá encerrar a segunda quinzena com chuvas abaixo da média, cenário mais evidente entre os dias 13 e 20 de julho. A Meteored ressalta que isso não significa ausência de precipitação, mas volumes inferiores ao esperado para o período. O Brasil Central, incluindo Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, também deverá registrar precipitações abaixo da média até o fim do mês.





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Umidade prejudica qualidade dos citros gaúchos


A colheita de laranjas e bergamotas segue em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, com pomares apresentando, em geral, bom estado fitossanitário e produtividade dentro das expectativas. Apesar disso, a comercialização enfrenta dificuldades em algumas áreas, enquanto o excesso de umidade e a baixa insolação têm afetado a qualidade dos frutos. As informações constam no Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa de Caxias do Sul, a Emater/RS-Ascar informa que os pomares de laranja e bergamota apresentam condições sanitárias e produtividade adequadas. Os produtores mantiveram aplicações de produtos à base de Cobre para controle do cancro-cítrico, além do uso de iscas tóxicas nas bordas dos pomares e da retirada dos frutos caídos como medidas preventivas. Também foram realizadas adubações de cobertura, enquanto as plantas de cobertura do solo, compostas por aveia e azevém, apresentam bom desenvolvimento.

A colheita das variedades precoces continua tanto para consumo in natura quanto para processamento industrial, incluindo a cultivar Rubi e a Laranja do Céu. Já a laranja de umbigo Monte Parnaso está em fase de maturação, mas encontra dificuldades de comercialização. Segundo a Emater/RS-Ascar, a laranja de umbigo é negociada entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por quilo, a laranja para suco a R$ 1,25 por quilo, a Laranja do Céu a R$ 1,50 por quilo e a bergamota Ponkan entre R$ 1,25 e R$ 1,50 por quilo.

Na região de Erechim, está em andamento a colheita das cultivares Salustiana, Iapar e Umbigo Navelina. De acordo com a Emater/RS-Ascar, os preços pagos aos produtores permanecem baixos, em torno de R$ 0,40 por quilo. A expectativa é de que a colheita da laranja Valência, destinada principalmente ao processamento industrial, comece no fim de julho.

Na região de Lajeado, os agricultores de Montenegro finalizam a colheita da bergamota Caí e iniciam a da variedade Pareci. A Emater/RS-Ascar relata que a procura pela fruta está abaixo do esperado, reduzindo os preços pagos ao produtor. Ainda assim, o volume produzido está dentro do previsto para uma safra considerada normal, enquanto os pomares mantêm boas condições sanitárias. As cultivares Montenegrina e Murcott apresentam frutos com qualidade e potencial produtivo satisfatórios.

Em Maratá, a colheita da bergamota Caí alcança 90% da produção. As frutas destinadas à indústria de suco são comercializadas por R$ 7,50 a caixa de 25 quilos, enquanto aquelas voltadas ao consumo in natura variam entre R$ 13,00 e R$ 18,00 por caixa. A bergamota Ponkan já teve 60% da produção colhida, sendo vendida a R$ 22,00 por caixa. A Laranja do Céu gaúcha atinge 70% da colheita, com preço de R$ 7,00 por caixa destinada à indústria, enquanto a laranja Bahia de umbigo alcança 40% da colheita e é comercializada por R$ 25,00 a caixa de 25 quilos.

Na região de Passo Fundo, os pomares de laranja estão na fase final de formação dos frutos e início da maturação das variedades precoces. Conforme a Emater/RS-Ascar, a expectativa é de produção inferior à registrada na safra passada. Mesmo assim, os pomares apresentam boa sanidade e baixa incidência de pragas. Os produtores mantêm o monitoramento constante da mosca-das-frutas, ácaros e cochonilhas, utilizando inseticidas, acaricidas e caldas fitossanitárias para preservar a qualidade da produção.

As adubações com nitrogênio e potássio também continuam para atender às necessidades nutricionais das plantas visando à próxima safra. A laranja de umbigo destinada ao mercado de mesa é vendida por cerca de R$ 1,00 por quilo, enquanto a cultivar Rubi, voltada para a indústria, é comercializada por aproximadamente R$ 0,50 por quilo. Os pomares mais novos seguem em desenvolvimento vegetativo, sem registro de problemas.

Na região de Pelotas, a colheita da bergamota Ponkan continua com boa produtividade e frutos de qualidade. A colheita da laranja de umbigo está em fase final, e os preços das duas frutas variam entre R$ 2,00 e R$ 2,50 por quilo.

Em São Vicente do Sul, na região de Santa Maria, a maioria dos pomares encontra-se entre a maturação dos frutos e a comercialização. A Emater/RS-Ascar registra apenas ocorrências pontuais de cancro-cítrico, pulgões e larva-minadora, principalmente em pomares domésticos.

Na região de Soledade, diferentes cultivares de bergamota seguem em colheita, com destaque para a Ponkan, além das variedades Caí, Pareci e Comum. A laranja de umbigo precoce entrou na fase final de maturação e já começou a ser colhida. As cultivares Rubi e Salustiana, destinadas à indústria, também iniciaram a colheita e apresentam grau Brix adequado para processamento.

Entretanto, a Emater/RS-Ascar destaca que as chuvas frequentes, a elevada umidade e a baixa incidência de sol têm comprometido a qualidade dos frutos, principalmente em relação ao sabor e à coloração. Nessas regiões, a bergamota e a laranja de umbigo são comercializadas por cerca de R$ 1,50 por quilo, enquanto a laranja destinada à indústria é negociada em torno de R$ 1,20 por quilo.





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de quem o agro brasileiro depende mais?


Na comparação China x Estados Unidos no agro brasileiro, os números apresentam um vencedor claro: a China é, com ampla vantagem, o principal mercado dos produtos agrícolas do Brasil.

Mas o tamanho das compras não conta toda a história. Os Estados Unidos também são relevantes como destino de produtos brasileiros, concorrentes em mercados internacionais e protagonistas na formação das expectativas sobre algumas das principais commodities agrícolas.

Em valor exportado, o Brasil depende muito mais da China. Em competição internacional, diversificação e influência sobre o comércio global, os norte-americanos continuam tendo papel estratégico.

As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 169,2 bilhões em 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

A China comprou US$ 55,3 bilhões, o equivalente a 32,7% de toda a receita obtida pelo agro brasileiro no exterior. Os Estados Unidos adquiriram US$ 11,4 bilhões e responderam por 6,7% do total. O mercado norte-americano foi o terceiro principal destino individual dos produtos do setor naquele ano.

Em termos financeiros, as compras chinesas foram aproximadamente 4,85 vezes maiores que as norte-americanas. A relação foi calculada com base nos valores anuais divulgados pelo Mapa.

 

Os números mostram que uma mudança expressiva na demanda chinesa possui potencial para atingir a balança comercial, o fluxo nos portos e a renda de diversas cadeias brasileiras.

A relação com a China é fortemente baseada em commodities. Em 2025, os cinco principais produtos do agro brasileiro vendidos ao país foram soja em grão, carne bovina in natura, celulose, açúcar bruto e algodão.

Somente a soja gerou aproximadamente US$ 34,51 bilhões em vendas para o mercado chinês. Na sequência apareceram a carne bovina in natura, com US$ 8,84 bilhões; a celulose, com cerca de US$ 5 bilhões; o açúcar bruto, com US$ 1,89 bilhão; e o algodão, com US$ 828 milhões.

A soja representou aproximadamente 62,4% de tudo o que o agro brasileiro faturou com a China, segundo cálculo feito sobre os dados do Mapa.

O país asiático comprou cerca de 85,4 milhões de toneladas de soja brasileira em 2025. Esse volume correspondeu a quase 80% de toda a soja exportada pelo Brasil. Na carne bovina in natura, a China respondeu por 53,2% do valor exportado pelo país.

Essa concentração cria escala, liquidez e oportunidades para o produtor brasileiro, mas também aumenta a exposição a alterações regulatórias, sanitárias, econômicas e diplomáticas dentro de um único mercado.

O perfil das exportações para os Estados Unidos é diferente. O país compra menos em valor total, mas possui importância para produtos como café verde, celulose e outros itens ligados à agroindústria.

Em 2025, os norte-americanos adquiriram aproximadamente US$ 1,91 bilhão em café verde brasileiro e US$ 1,32 bilhão em celulose. Os dados mostram que a importância de um destino não deve ser medida somente pelo total da pauta, mas também pela dependência de cada cadeia específica.

Para um produtor de soja, a China tende a ter impacto comercial muito maior. Para determinados exportadores de café, sucos, produtos florestais ou alimentos processados, o mercado norte-americano pode apresentar peso proporcionalmente mais elevado.

Os Estados Unidos também são consumidores com elevada renda e exigências específicas de qualidade, rastreabilidade, sanidade e padronização. O acesso a esse mercado pode ajudar empresas brasileiras a desenvolver produtos de maior valor agregado, embora também envolva custos regulatórios e comerciais.

A relação com os Estados Unidos possui outra característica importante. Enquanto a China atua principalmente como grande compradora, os norte-americanos disputam mercados com o Brasil.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada identifica concorrência entre os dois países em segmentos como soja em grão e óleo de soja, celulose, carne de frango, algodão, fumo, carne suína e couros.

Essa concorrência significa que a safra dos Estados Unidos pode alterar a disponibilidade mundial de produtos e as decisões dos importadores. Uma produção norte-americana maior tende a ampliar a oferta global. Problemas climáticos no país, por outro lado, podem reduzir essa oferta e mudar as expectativas dos mercados.

Na soja e no milho, os Estados Unidos também possuem forte presença nas bolsas de futuros e nos relatórios internacionais acompanhados por tradings, indústrias e produtores. Isso não significa que Washington determine sozinho os preços recebidos no Brasil, mas as condições da produção norte-americana fazem parte da formação das expectativas globais.

China e Estados Unidos estão ligados ao agro brasileiro não apenas por relações bilaterais separadas. As negociações comerciais entre os dois países também podem mudar o espaço ocupado pelo Brasil.

Quando a China amplia compras agrícolas dos Estados Unidos, os exportadores brasileiros enfrentam maior concorrência pelo mesmo cliente. Quando existem restrições comerciais entre Pequim e Washington, compradores chineses podem buscar mais produtos na América do Sul.

O efeito final depende de diversos fatores:

tamanho das safras brasileira e norte-americana;

preços internacionais;

custo do frete;

câmbio;

disponibilidade nos portos;

acordos comerciais;

tarifas e barreiras sanitárias;

necessidade chinesa de recompor estoques.

A expansão da presença chinesa não ocorreu de forma repentina. O crescimento econômico do país e o aumento da demanda por alimentos, rações, fibras e energia transformaram a pauta exportadora brasileira desde o início dos anos 2000.

Análises do Ipea apontam que a China passou a representar aproximadamente um terço das receitas externas do agronegócio brasileiro, enquanto compradores tradicionais perderam participação relativa.

Os dados mais recentes disponíveis em 2026 continuaram mostrando a China como principal destino das exportações do setor. Isso indica que a relação não se limita a uma safra específica, mas se tornou estrutural.

Uma participação de 32,7% em um único destino não deve ser interpretada apenas como vulnerabilidade. O mercado chinês também proporcionou escala para o crescimento da produção, investimentos em logística e abertura de novas regiões exportadoras.

O risco aparece quando uma cadeia possui poucos compradores alternativos ou quando grande parte da receita depende de um único produto.

Na prática, a China é hoje o mercado mais importante para o agro brasileiro em valor e volume. Os Estados Unidos, embora muito menores como compradores, continuam estratégicos por três motivos: compram produtos relevantes, disputam mercados com o Brasil e influenciam as expectativas sobre a oferta agrícola mundial.

Quanto maior a diversificação de produtos e destinos, menor será o impacto de uma tarifa, embargo, crise econômica ou mudança diplomática sobre a renda do produtor brasileiro.





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