sábado, março 14, 2026

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Saiba os impactos do ciclone na agricultura


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

O avanço de um ciclone extratropical e a intensa instabilidade atmosférica associada prometem um cenário crítico para as lavouras brasileiras entre os dias 7 e 10 de novembro de 2025. De acordo com Gabriel Rodrigues, meteorologista do Portal Agrolink, a sequência de ventos superiores a 100 km/h, chuvas volumosas, granizo, tornados, queda brusca de temperatura e alta umidade representa uma ameaça severa ao desenvolvimento de culturas como soja, milho e feijão em diversos estágios fenológicos. A seguir, o boletim técnico detalha os principais impactos esperados no campo.

Impactos

Considerando toda a dinâmica meteorológica descrita – a formação e amadurecimento do ciclone extratropical, a sequência de ventos extremos, chuvas volumosas, granizo, tornados/microexplosões e a subsequente queda de temperatura – os impactos nas lavouras em desenvolvimento durante os dias 7 a 10 de novembro de 2025 estruturam-se em múltiplas dimensões que se potencializam mutuamente.

Acamamento generalizado e perdas estruturais

O impacto mais imediato e visível diz respeito ao acamamento de plantas, particularmente em soja, milho e feijão em estádios vegetativos precoces a intermediários. Nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul, onde os ventos são previstos para superar consistentemente 100 km/h, o acamamento será generalizado. Plantas em desenvolvimento vegetativo – que caracterizam a maioria da soja plantada em outubro no RS – registrarão inclinação severa ou tombamento total, danificando o sistema radicular e interrompendo o transporte de nutrientes. As perdas de produtividade resultantes podem atingir 30% a 60%, dependendo da altura e resistência das plantas no momento do impacto.

O milho em fases precoces (V4 a V6, com 4 a 6 folhas expandidas) apresentará acamamento que dificultará a colheita posterior e comprometerá de 10% a 20% da produtividade final, mesmo em plantas que não sofrerem tombamento completo. O feijão, por sua fragilidade estrutural, pode registrar perdas ainda maiores, com plantas inteiras arrancadas do solo em áreas expostas aos ventos mais extremos.

Encharcamento do solo e morte de plantas por asfixia radicular

Os volumes de chuva extraordinários previstos – 122 mm em Ijuí/RS, 109 mm em Lages/SC, 115 mm na região central goiana e até 176 mm em Juína/MT – criam cenários de saturação severa do solo. Para culturas como feijão e milho em fases iniciais, o encharcamento prolongado resulta em apodrecimento radicular e morte de plantas inteiras por falta de oxigenação do solo. Áreas com drenagem inadequada registrarão perdas totais de 20% a 40% em feijão e de 5% a 15% em milho.

A soja, embora mais tolerante ao encharcamento do que o feijão, sofre deficiências nutricionais induzidas pela má aeração, particularmente deficiências de ferro e manganês, que se manifestam como cloroses foliares. A recuperação dessa condição leva semanas, durante as quais a planta permanece em estado de estresse fisiológico que reduz a produção final.

Incidência crítica de doenças fúngicas

A combinação de umidade elevada (molhamento foliar contínuo durante 72 horas ou mais), temperaturas amenas (mínimas entre 10°C e 15°C, mas com máximas ainda moderadas durante o dia) e presença de inóculo já estabelecido cria ambiente quase perfeito para epidemias de doenças fúngicas. A ferrugem asiática, enfermidade mais custosa em soja, requer apenas 6 horas de molhamento contínuo para iniciar infecção em folhas. Sob as condições previstas, a disseminação de ferrugem será rápida e abrangente.

O mofo-branco, particularmente importante no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, terá condições ideais de desenvolvimento, afetando soja em floração com potencial para reduzir significativamente a produção de vagens. Doenças como a mancha-alvo e a septoriose em milho também avançarão, prejudicando a fotossíntese em momento crítico de enchimento de grãos.

Granizo: destruição potencialmente total em pontos afetados

O granizo de grande porte é um dos impactos mais catastróficos. Embora localizado, quando ocorre, provoca destruição quase completa das lavouras atingidas. Soja em floração sofrerá perdas totais em áreas atingidas por granizo acima de 2 cm de diâmetro, necessitando replantio imediato com severas penalidades agronômicas. O feijão sofre perdas superiores a 90% quando atingido por granizo, tornando frequentemente inviável a continuação do cultivo naquela área nesta safra.

O histórico recente de municípios como Canoinhas/SC (onde mais de 1.000 plantações de tabaco foram devastadas), Sarandi/RS e cidades do Paraná que já sofreram granizo nos primeiros dias de novembro reforça o risco. A vulnerabilidade acumulada em áreas já danificadas potencializa ainda mais as perdas.

Risco de tornados e microexplosões: destruição extrema localizada

Embora localizados, tornados e microexplosões representam o risco máximo de destruição em pontos afetados. A ocorrência de 12 tornados já em 2025 em Santa Catarina, incluindo o evento de 3 de novembro em Itaiópolis com ventos de 80 km/h, demonstra a frequência desses fenômenos. Um tornado que passe sobre uma lavoura em desenvolvimento causa destruição total e praticamente irreversível daquela área, com perdas de 100%.

As microexplosões (downbursts), fenômenos descendentes violentos associados a nuvens cumulonimbus severas, causam devastação similar em áreas da ordem de algumas centenas de metros a alguns quilômetros. O Paraná, em particular, teve incidência crescente desses fenômenos na primavera de 2025, com o Simepar alertando continuamente para sua ocorrência.

Queda de temperatura pós-ciclone: paralisação do crescimento

A passagem da massa de ar frio na retaguarda do ciclone, com mínimas entre 3,7°C (Lages/SC, Pelotas/RS) e de 10°C a 15°C em muitas áreas do Sudeste, cria ambiente de estresse fisiológico prolongado. Soja em floração exposta a temperaturas entre 8°C e 10°C por 24 horas ou mais sofre esterilidade de flores e abortamento de vagens, resultando em perdas de produtividade de 20% a 40% em áreas afetadas.

Todas as culturas em desenvolvimento registram paralisia do crescimento quando expostas ao frio, particularmente se essa paralisia se estender por períodos superiores a 5-7 dias. Essa interrupção do acúmulo de biomassa em momento crítico reduz a capacidade competitiva das plantas contra plantas daninhas, reduzindo a produção final mesmo que não haja morte de plantas.

Atrasos na recuperação pós-evento e janelas críticas de replantio

Um impacto secundário, mas crítico, é o atraso no replantio de áreas destruídas. Para a soja no Rio Grande do Sul, a janela de replantio encurta progressivamente conforme avança novembro, com redução de produtividade esperada de 5% a 10% por semana de atraso após meados de novembro. Áreas que precisarem de replantio enfrentarão custos adicionais, redução de produção esperada, e possível impossibilidade de plantio do milho safrinha subsequente em sistemas de rotação.

Danos à infraestrutura rural que impactam a colheita

A queda de árvores, danificação de cercas, interrupção de energia elétrica em áreas rurais (com possibilidade de danos a sistemas de irrigação em pivôs) e destruição de estruturas de armazenamento prejudicam não apenas o campo no momento imediato, mas comprometem a capacidade operacional de colheita nas semanas seguintes. Silos danificados, máquinas imobilizadas e estruturas de drenagem destruídas reduzem a eficiência das operações agrícolas subsequentes.

Síntese dos impactos por cultura e estado

Região Noroeste do RS: soja com acamamento generalizado (perdas de 30% a 60%) e risco de granizo destrutivo localizado (perdas até 100% em pontos). O milho sofrerá acamamento moderado (perdas de 10% a 20%), encharcamento e risco de doenças. Feijão enfrentará encharcamento crítico e possível necessidade de replantio.

Santa Catarina: o oeste enfrentará vendavais, encharcamento e granizo (risco alto), enquanto o litoral será atingido principalmente por ventos extremos (acima de 100 km/h). Lavouras de soja em desenvolvimento apresentarão acamamento, e cultivos já danificados por eventos de início de novembro sofrerão novo impacto.

Paraná: soja com acamamento e risco de granizo. Lavouras que já sofreram danos no temporal de 31/10-01/11 enfrentarão novo ciclo de estresse. O trigo em maturação final sofrerá danos qualitativos (redução de peso específico).

São Paulo: o trigo terá perdas qualitativas. Soja em regiões de plantio tardio enfrentará acamamento moderado. O Vale do Paraíba registrará ventos extremos (100 km/h) com potencial para danos em cultivos e infraestrutura.

Minas Gerais: feijão em diferentes estágios fenológicos enfrentará risco alto de encharcamento e granizo. O risco de tornados na Zona da Mata não é desprezível.

Mato Grosso do Sul: soja sofrerá impacto moderado, com acamamento pontual e possível granizo no sul do estado. Milho em desenvolvimento poderá registrar paralisação do crescimento.





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Ciclone trará frio, granizo e tempestades ao Centro-Sul


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

A configuração atmosférica prevista para o final da primeira semana de novembro de 2025 indica a atuação de um ciclone extratropical de intensidade significativa, com influência sobre uma ampla área do Centro-Sul do Brasil. O sistema se forma na quinta-feira, 6 de novembro, e seus efeitos mais marcantes devem ocorrer entre os dias 7 e 10.

Na sexta-feira, dia 7, o ciclone atinge seu pico de organização sobre o continente. As projeções apontam para um centro de baixa pressão atmosférica entre 997 e 1.000 hPa, valor considerado raro e intenso para sistemas atuando sobre terra firme. Esse padrão favorece um gradiente de pressão acentuado, resultando em ventos fortes a intensos.

O risco de tempestades severas é elevado, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. As tempestades podem ser acompanhadas de rajadas de vento entre 60 e 100 km/h, com possibilidade de registros ainda superiores em pontos isolados. Há previsão de chuva volumosa, com acumulados que podem alcançar ou superar 150 mm em curto intervalo no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Outro ponto de atenção é o potencial para queda de granizo de grande porte, de forma isolada, principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul e em áreas do Mato Grosso do Sul. A formação de tornados, embora fenômeno localizado, não está descartada nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul.

Entre a sexta e o sábado (dia 8), o centro do ciclone se desloca em direção ao litoral de Santa Catarina. Com isso, os impactos se redistribuem e os temporais mais severos avançam para estados do Sudeste. No sábado, a previsão indica intensificação dos ventos do leste de Santa Catarina ao Vale do Paraíba Paulista e Sul de Minas Gerais, com rajadas que podem superar facilmente os 100 km/h. Chuva forte também deve atingir o Nordeste Paulista e o Centro de Goiás.

No domingo, dia 9, já com o núcleo do ciclone sobre o oceano, a intensidade dos fenômenos severos sobre o continente tende a diminuir, embora a instabilidade persista em áreas como o Noroeste de Mato Grosso. Em sua retaguarda, há o avanço de uma massa de ar frio.

Essa massa de ar frio deve causar queda acentuada e persistente nas temperaturas. Ao longo do período, são esperadas mínimas atipicamente baixas para a primavera. Na sexta-feira, as temperaturas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem variar entre 12°C e 15°C, podendo ficar abaixo de 10°C em regiões serranas. O resfriamento avança para o Sudeste e Centro-Oeste no fim de semana, com anomalias negativas persistindo na semana seguinte.





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Safra de soja começa com dificuldades por falta de chuva



Expectativa é que as chuvas normalizem e o impacto seja minimizado



Foto: Showtec

A irregularidade das chuvas no mês de outubro comprometeu o início da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso. De acordo com o boletim informativo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), indicam que os volumes de precipitação oscilaram entre 75 e 95 milímetros em grande parte do estado. A distribuição desuniforme, combinada com temperaturas elevadas, gerou estresse hídrico em áreas cultivadas, especialmente nas fases iniciais da cultura.

Segundo o boletim, técnicos de campo do Imea reportaram falhas pontuais de estande em alguns talhões, situação que já levou à ressemeadura localizada. O instituto destaca que a continuidade do déficit hídrico poderá ampliar o número de áreas afetadas, o que comprometeria o calendário ideal de plantio e a produtividade das lavouras.

Para os próximos sete dias, a previsão do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA) indica acumulados entre 35 e 45 mm em boa parte do estado. Embora abaixo do ideal para normalizar a umidade do solo, essas chuvas podem aliviar temporariamente o estresse das plantas e frear a necessidade de replantio em áreas mais sensíveis.

O Imea também destaca que, para os médios e longos prazos, o modelo Ensemble Mean aponta uma tendência de normalização das chuvas. As previsões climáticas para novembro e dezembro indicam volumes próximos à média histórica, o que representa um sinal positivo para a recuperação das lavouras e o bom andamento do ciclo da soja.

Mesmo com esse cenário mais promissor, o instituto alerta para a importância de monitoramento constante das condições climáticas e do solo nas propriedades. A variabilidade climática segue como um dos principais desafios da produção agrícola em Mato Grosso, exigindo decisões técnicas ágeis por parte dos produtores.

A expectativa é de que, caso o volume de chuvas se normalize nas próximas semanas, o impacto sobre a produtividade da soja seja minimizado. No entanto, o cenário atual reforça a necessidade de estratégias de manejo que aumentem a resiliência das lavouras às oscilações climáticas, sobretudo em regiões com histórico de estresse hídrico.





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Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo



Boi China valoriza em Rondônia e no Paraná



Foto: Divulgação

De acordo com a análise desta terça-feira (4) do informativo Tem Boi na Linha, divulgado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo apresentou estabilidade em São Paulo. Segundo a consultoria, “poucas indústrias encontravam-se fora de compras e, as que estavam ativas, possuíam ofertas dentro das referências”, embora tenham sido registrados “alguns negócios esporádicos acima delas”. A oferta de animais permaneceu reduzida, com escalas curtas, mas as cotações de todas as categorias não sofreram variações. As escalas de abate estavam, em média, previstas para sete dias.

Em Rondônia, a oferta de bovinos foi considerada enxuta, mas ainda suficiente para atender à demanda, sustentada principalmente pela exportação, apesar do mercado interno mais fraco. A Scot Consultoria informou que “a cotação do boi gordo e do ‘boi China’ subiu R$ 5,00 por arroba, enquanto para as fêmeas a alta foi de R$ 8,00”. As escalas de abate no estado atendiam, em média, a 11 dias.

No Noroeste do Paraná, a consultoria destacou que a escassez de oferta e as escalas curtas pressionaram as cotações de todas as categorias. “A arroba do boi gordo subiu R$ 3,00, a da vaca e a do ‘boi China’ R$ 5,00, e a da novilha R$ 2,00”, indicou o boletim. As escalas de abate permaneciam com média de sete dias.

No Oeste do Maranhão, o levantamento apontou que não houve alterações nos preços em relação ao dia anterior. As escalas de abate estavam, em média, programadas para oito dias.





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Preço do milho sobe 1,91% em outubro



Exportações ao Irã e Egito elevam preço do milho



Foto: Canva

Segundo a análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada na segunda-feira (3), o preço médio do milho em Mato Grosso registrou alta de 1,91% em outubro de 2025, em comparação com o mês anterior, encerrando o período com média de R$ 67,27 por saca.

De acordo com o Imea, “a valorização registrada no último mês foi sustentada pelo mercado interno, onde a demanda aquecida tem mantido as cotações firmes”. O instituto destacou ainda que o aumento dos embarques brasileiros para Irã e Egito, principais consumidores do milho nacional, contribuiu para a elevação dos preços. Entre janeiro e setembro de 2025, as exportações para esses dois destinos somaram 9,10 milhões de toneladas, o que representa 39,04% do volume total escoado pelo país no ano.

Mesmo com a recuperação observada em outubro, o preço do milho na B3 permanece 3,79% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024. Segundo o Imea, “ao longo de 2025, apenas em maio foi observada média mensal superior às atuais”.

Para os próximos meses, a expectativa é de que o mercado acompanhe o avanço da primeira safra 2025/26 e o comportamento do câmbio. A análise do instituto aponta que o cenário tende à estabilidade, mas ressalta que os preços podem sofrer ajustes conforme a relação entre oferta e demanda.





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Custo de reposição aumenta com alta do bezerro



Valorização do bezerro reduz relação de troca com boi gordo em Mato Grosso



Foto: Canva

Segundo a análise semanal divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a diferença no ritmo de valorização entre o bezerro e o boi gordo tem pressionado a relação de troca e elevado o custo de reposição no estado. O Instituto destacou que “a relação de troca entre o boi gordo e o bezerro de ano recuou para 1,88 cabeça por cabeça em outubro de 2025, ante 2,03 no mesmo período de 2024”, reflexo da maior valorização do bezerro frente ao boi gordo.

De acordo com o levantamento, o preço do bezerro passou de R$ 11,33 por quilo para R$ 13,24, um aumento de 16,85%, enquanto a arroba do boi gordo registrou avanço mais moderado, de 8,17%. Essa diferença, segundo o Imea, “elevou o custo de reposição e reduziu a relação de troca, indicando maior rentabilidade na cria e menor poder de compra para recriadores e invernistas”.

O Instituto acrescentou ainda que, no curto prazo, a menor oferta de bovinos de reposição deve sustentar a valorização do bezerro, enquanto os preços do boi gordo tendem a subir de forma mais contida devido ao “elevado volume de fêmeas terminadas”, o que deve manter a relação de troca em níveis baixos.





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BNDES cobre só 20% das dívidas rurais no Rio grande do Sul


Em reunião com instituições financeiras que operam o Crédito Rural no estado, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) avaliou que os recursos disponibilizados pela MP 1314/2025 são insuficientes para atender à demanda de endividamento dos produtores rurais gaúchos. O levantamento confirma a projeção feita pela entidade quando a medida foi anunciada, em 5 de setembro. Segundo a Federação, o excesso de regulação para acessar os recursos também tem se mostrado um entrave para aliviar a situação do setor agropecuário no estado.

O encontro ocorreu nesta terça-feira (4), na sede da Farsul, e contou com representantes do Banco do Brasil, Banrisul, Sicredi e Sicoob. As instituições analisaram o andamento das tratativas para a efetivação dos acordos, as demandas e as dificuldades enfrentadas no Rio Grande do Sul. O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, afirmou que a Federação “sempre se pontuou pelo equilíbrio e naquilo que é exequível. Estamos vendo o esforço das instituições em cooperar para que o quadro seja revertido. Esse cenário de endividamento não interessa a ninguém, nem ao sistema financeiro, nem aos produtores”, declarou.

O economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, destacou que os R$ 12 bilhões disponibilizados via BNDES não se restringem ao Rio Grande do Sul, mas são destinados a todo o país. “Fizemos um levantamento junto com as instituições financeiras e a necessidade de recursos para atender a carteira. Fazendo uma média ponderada, a linha do BNDES está atendendo 20% da demanda do que é elegível, ou seja, de cada R$ 5,00 da dívida, apenas R$ 1,00 é atendido”, descreveu.

“Além da escassez de recursos, existe um outro fator que é o formulismo. O excesso de regulação que gera uma enorme dificuldade de entender quem se enquadra, quem não se enquadra, porque existem várias normas que ora deixa uma pessoa enquadrada, mas na semana seguinte ela pode estar desenquadrada”, criticou o economista.

A Farsul defende duas medidas como fundamentais para enfrentar a situação: ampliar o volume de recursos destinados ao Rio Grande do Sul — estimado pela entidade em cinco vezes o valor atual — e simplificar as normas de enquadramento, consideradas excessivamente complexas e excludentes.





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Índice de atratividade da carne cai 11,8% no Mato Grosso



China amplia compras de carne bovina de Mato Grosso



Foto: Pixabay

Segundo análise semanal divulgada nesta segunda-feira (3) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o índice de atratividade das exportações de carne bovina de Mato Grosso atingiu 80,27 arrobas por tonelada na média de janeiro a setembro de 2025, o que representa uma redução de 11,85% em relação ao mesmo período de 2024. O indicador mede quantas arrobas de boi gordo podem ser adquiridas com o valor de uma tonelada exportada de carne.

De acordo com o Imea, “o maior volume exportado foi destinado ao mercado asiático, especialmente à China, que respondeu por 54,30% dos embarques totais”. O instituto destacou que o preço médio da tonelada exportada para o país asiático aumentou 28,74% no comparativo anual.

A União Europeia, embora tenha registrado participação menor em volume, manteve o valor mais alto pago pela carne bovina mato-grossense, com aumento de 16,80% no preço médio e índice de atratividade de 117,9 arrobas por tonelada. “O avanço no volume das exportações e do preço médio demonstra a valorização da carne bovina de Mato Grosso no mercado externo”, avaliou o Imea.





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Iniciativa paranaense visa ampliar uso da erva-mate


De acordo com informações divulgadas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e pela Iapar-Emater, o Governo do Estado lançou na segunda-feira (3) o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Erva-Mate: Inovação e Valorização. A iniciativa reúne universidades, centros de pesquisa e representantes do setor produtivo para desenvolver sistemas de cultivo mais sustentáveis e eficientes, otimizar processos industriais e diversificar o uso da matéria-prima. O investimento é de R$ 3,9 milhões, por meio da Fundação Araucária.

O Paraná se mantém como o maior produtor nacional de erva-mate, produto de relevância econômica e cultural para o Estado. Em 2024, nove municípios paranaenses registraram as maiores produções do país, com destaque para São Mateus do Sul, responsável por 17,2% do total nacional, mantendo o mesmo volume do ano anterior. A extração de erva-mate, concentrada na Região Sul, gerou o segundo maior valor entre os produtos não madeireiros, com R$ 522,8 milhões, o que representa redução de 11,3% em relação a 2023.

Segundo a professora Vânia de Cássia Fonseca Burgardt, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e articuladora do NAPI, o projeto busca integrar toda a cadeia produtiva, da produção primária ao consumo final. “Queremos desenvolver formas de produção mais rentáveis, que permitam ao pequeno produtor obter um ganho maior. Além disso, buscamos reduzir contaminantes que dificultam a exportação, garantindo um produto de maior qualidade e valor agregado”, explica.

Há também pesquisas em andamento sobre os possíveis efeitos da erva-mate na saúde. “Podendo ser benéfica para o coração, para o metabolismo do nosso organismo. A partir desses estudos clínicos, a gente pode indicar o uso da erva-mate, por exemplo, em medicamentos, na própria indústria farmacêutica”, comenta Vânia.

Outro foco da iniciativa é o uso da erva-mate na alimentação. O projeto prevê o desenvolvimento de novas receitas e produtos alimentares com potencial de ampla aceitação, inclusive para inclusão na merenda escolar.

O NAPI Erva-Mate será estruturado em quatro eixos temáticos. No eixo da produção primária, coordenado pela Embrapa Florestas, serão validados genótipos com características químicas e sensoriais diferenciadas, além da implantação de sistemas de cultivo inovadores e estudo de viabilidade econômica.

O eixo de processamento, coordenado pela Unioeste com apoio da UTFPR e da Embrapa Florestas, tem como objetivo otimizar processos industriais e desenvolver protocolos de classificação sensorial da matéria-prima.

O terceiro eixo, voltado ao produto e consumidor, é coordenado pela UTFPR e pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em cooperação com a Sustentec e universidades internacionais. As ações incluem estudos clínicos, caracterização sensorial, pesquisa com consumidores e desenvolvimento de novos produtos.

O último eixo, sob coordenação da UTFPR e apoio técnico do IDR-Paraná, prevê treinamentos e ações de devolutiva para os segmentos da cadeia produtiva, além da elaboração de um plano de comunicação voltado à divulgação dos resultados e inovações tecnológicas.

O setor produtivo, representado pela Associação de Produtores e Industriais de Erva-Mate (Apimate), participará de forma colaborativa em todos os eixos, contribuindo para a validação das ações e a transferência de tecnologia ao mercado.





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