sábado, março 14, 2026

Política & Agro

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Autocontrole impulsiona inspeção oficial, aponta setor


A modernização da defesa agropecuária avança no país com a consolidação do modelo de autocontrole aplicado ao setor produtivo. A Frente Parlamentar da Agropecuária conduziu as negociações desde o início da tramitação, em alinhamento com o Ministério da Agricultura e com representantes do agro, a partir das primeiras minutas elaboradas ainda em 2020.

Na Câmara, o projeto recebeu relatórios que apontaram a necessidade de superar normas antigas e ampliar a eficiência da fiscalização, em um cenário de maior demanda e estrutura limitada do serviço público. A votação na Comissão de Constituição e Justiça assegurou apoio político e consolidou o texto encaminhado ao Senado.

“É um processo que, infelizmente, por falta de capital humano, o Estado não tem como manter sozinho. O agro cresceu, a demanda aumentou, e precisávamos de um modelo capaz de dar agilidade, segurança e previsibilidade à fiscalização”, explicou o deputado Pedro Lupion (PR), presidente da FPA.

No Senado, a relatoria manteve o foco na modernização do modelo de inspeção e rejeitou mudanças que poderiam fragilizar a proposta. Houve defesa de avanços na segurança jurídica e na capacidade técnica do serviço oficial. A condução do tema também contou com articulações do Ministério da Agricultura, que destacou o caráter coletivo da construção e o potencial de redução de entraves operacionais.

Em 2024, a derrubada de vetos restabeleceu a permissão para produção on farm de bioinsumos para uso próprio, retomando um dos pilares da legislação de autocontrole. A etapa final chegou com a Portaria 861, que regulamenta o credenciamento de empresas aptas a apoiar a inspeção ante mortem e post mortem no Serviço de Inspeção Federal. A norma define requisitos, responsabilidades, auditorias e punições, veda conflitos de interesse e mantém o auditor fiscal como autoridade plena nas plantas.

“Não existe privatização da fiscalização. O poder de polícia continua 100% com o Estado. O que muda é que as empresas passam a ter obrigações técnicas adicionais, enquanto o auditor fiscal agropecuário segue como autoridade responsável”, concluiu Lupion.

 





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Moscas afetam qualidade e produtividade do leite



“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos”


“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos"
“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos” – Foto: Divulgação

A presença de moscas domésticas nas propriedades leiteiras tornou-se um desafio crescente para a rotina de produção, com impactos diretos no desempenho dos rebanhos. Consultorias do setor alertam que o inseto, comum também em áreas urbanas, age como vetor de dezenas de patógenos capazes de afetar a saúde animal e a qualidade do leite.

A zootecnista Margareth Dellatorre aponta que o estresse provocado pela infestação reduz o consumo de alimento e interfere no tempo de descanso das vacas, fatores ligados à queda na produtividade. Há ainda risco de comprometimento da saúde do úbere, o que pode elevar a contagem de células somáticas e prejudicar a qualidade final do produto.

“O controle ineficiente desses insetos resulta em aumento dos custos da fazenda, seja pelo tratamento de doenças ou pela queda na produção leiteira”, alerta a zootecnista da Vetoquinol Saúde Animal.

Os prejuízos incluem maior incidência de enfermidades como mastite, diarreia, salmonelose, ceratoconjuntivite, verminoses, tuberculose e inflamações umbilicais. A especialista destaca, em seu contexto, que falhas no controle elevam custos com tratamentos e ampliam perdas produtivas.

Para melhorar o manejo, a orientação é adotar estratégias integradas, envolvendo cuidados com esterqueiras, silos e resíduos orgânicos, além do uso direcionado de inseticidas específicos. Nesse cenário, a Vetoquinol Saúde Animal oferece uma opção formulada com atrativo sexual e ingredientes voltados ao controle da mosca doméstica, aplicada em pontos de maior concentração do inseto. 

“O controle das moscas deve ser estratégico e eficiente, evitando desperdício com medicamentos inadequados. Um bom plano envolve o manejo correto de esterqueiras, silos, resíduos orgânicos e a aplicação direcionada de inseticidas específicos para moscas”, orienta Margareth.

 





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Gasolina e etanol recuam no início de novembro


O início de novembro trouxe leve alívio nos preços dos combustíveis no País, com recuos registrados na comparação com a primeira quinzena de outubro. Segundo levantamento do IPTL, a gasolina caiu 0,47% e atingiu média de R$ 6,33, menor patamar desde setembro. O etanol também recuou, com redução de 0,45%, custando em média R$ 4,42. A análise indica que o movimento reflete, ainda que de forma limitada, o ajuste anunciado no fim do mês passado.

“A redução anunciada pela Petrobras em outubro começa a refletir no bolso do consumidor, embora o repasse ainda seja tímido. O preço médio da gasolina registrou queda na primeira quinzena de novembro, movimento que também se observa, de forma mais sutil, no etanol”, comenta Renato Mascarenhas, Diretor de Rede de Abastecimento da Edenred Mobilidade.

As regiões acompanharam a tendência de queda na gasolina, com destaque para o Nordeste, onde o preço recuou 0,93% e ficou em R$ 6,39. No Sudeste, o combustível foi o mais competitivo, a R$ 6,19, enquanto o Norte manteve a média mais alta, de R$ 6,82. Para o etanol, o cenário foi de estabilidade na maior parte do País, exceto no Nordeste, onde o biocombustível caiu 2,83% e chegou a R$ 4,80. O preço mais baixo foi registrado no Sudeste, a R$ 4,32, e o mais alto no Norte, a R$ 5,21.

Entre os estados, a gasolina teve a maior alta no Rio Grande do Norte, com avanço de 1,62%, chegando a R$ 6,29. A maior queda ocorreu na Bahia, onde o combustível recuou 2,33% e foi vendido a R$ 6,28. O menor preço foi encontrado na Paraíba, a R$ 6,08, enquanto o maior ficou em Roraima, a R$ 7,41. No etanol, o aumento mais expressivo foi no Tocantins, de 0,61%, e a maior retração novamente na Bahia, de 4,93%, levando a média a R$ 4,63. O valor mais alto foi registrado no Amazonas, a R$ 5,47, e o mais baixo em São Paulo, a R$ 4,21.

 





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Efeito dominó pressiona crédito rural, aponta especialista



A análise destaca que o atual ambiente não se resume a problemas pontuais


A análise destaca que o atual ambiente não se resume a problemas pontuais
A análise destaca que o atual ambiente não se resume a problemas pontuais – Foto: Pixabay

A crise no crédito rural expõe um movimento estrutural que se aprofundou ao longo dos últimos anos no agronegócio brasileiro. O consultor José Carlos de Lima Júnior analisa que a alta inadimplência, os juros acima de 15% e a falta de recursos na safra 2025/26 são efeitos de um processo mais amplo, com raízes econômicas, financeiras e institucionais.

A análise destaca que o atual ambiente não se resume a problemas pontuais de clima ou oscilação das taxas. Segundo o autor, trata-se de um fenômeno gradual, marcado por um “efeito dominó” ao longo da cadeia do agro, tema detalhado no Sumário Executivo citado no material base. Duas partes ganham relevância: a evolução da crise entre 2017 e novembro de 2025 e os impactos interligados na rede de valor do setor.

Nos últimos meses, aprofundei a investigação sobre as raízes e mecanismos da crise em curso no agro. E o que emerge é muito maior do que um problema pontual de clima ou taxa de juros. O contexto atual é apenas a face mais visível de um fenômeno gradual e sistêmico, com origens econômicas, financeiras e institucionais.

O consultor reforça que o clima apenas acelerou um quadro já crítico, sem papel central na formação da crise. A avaliação sugere atenção à interação entre mercados e instituições que sustentam o crédito rural no país, apontando para um diagnóstico que busca compreender a origem dos desequilíbrios hoje visíveis. “Ressalto que o clima não foi o grande responsável. No máximo, serviu como catalisador de um quadro já crítico”, conclui ele, em seu perfil na rede social LinkedIn.

 





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Relatório aponta domínio chinês em ingredientes essenciais



O relatório foi divulgado em meio a tensões comerciais


O relatório foi divulgado em meio a tensões comerciais
O relatório foi divulgado em meio a tensões comerciais – Foto: Pixabay

Um levantamento recente expôs a concentração global da produção de vitaminas e aminoácidos essenciais na China, acendendo um alerta sobre a segurança do abastecimento dos Estados Unidos. A análise, conduzida pelo Instituto de Educação e Pesquisa em Alimentação Animal, aponta que o país asiático domina parcela expressiva da capacidade fabril desses insumos usados em dietas animais e humanas.

A partir dos dados, a Associação Americana da Indústria de Alimentos para Animais afirmou que busca mobilizar autoridades e o setor agroalimentar para reduzir o risco de uma eventual interrupção de fornecimento. A entidade citou a preocupação de sua direção com o impacto desse domínio produtivo e com o alerta reforçado pelo estudo.

O relatório foi divulgado em meio a tensões comerciais e examinou fluxos globais de vitaminas e aminoácidos, além de consultar nutricionistas sobre os efeitos de reduções no uso desses ingredientes. A conclusão é que pequenas quedas na oferta podem afetar rapidamente a saúde animal e a produtividade nas fazendas. O material avaliou itens como vitaminas A, B1, B2, B3, B7, B12, D3 e E, além de lisina, treonina, triptofano e metionina.

Entre 2020 e 2024, os Estados Unidos dependeram da China para a maior parte das importações de vitaminas e de grande parte da produção global de aminoácidos. Em itens como biotina, a oferta mundial é totalmente chinesa, o que deixa poucas alternativas em caso de ruptura.

Diante desse cenário, a associação informou que atuará na definição de prioridades e em caminhos para diversificar as cadeias de suprimentos. A entidade destacou a relevância nutricional das vitaminas e dos aminoácidos para desempenho de gado e aves, lembrando que a oferta desses insumos influencia diretamente a produção de carne, leite e ovos.

 





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Consultoria vê soja firme antes de atualizações oficiais



O farelo sustentou ganhos acima de dois por cento no dia


O farelo sustentou ganhos acima de dois por cento no dia
O farelo sustentou ganhos acima de dois por cento no dia – Foto: Leonardo Gottems

A movimentação da soja em Chicago ganhou força ao longo desta quinta-feira em meio à expectativa pelos próximos dados oficiais do setor. Segundo a TF Agroeconômica, o mercado reagiu à retomada das atividades do governo dos Estados Unidos e ao retorno das publicações que estavam suspensas durante a paralisação federal. As cotações avançaram nos contratos de novembro e janeiro, acompanhadas pela firmeza do farelo e por ajustes no óleo, que voltou a oscilar após as altas recentes observadas na bolsa.

O impulso para o grão veio da possibilidade de que o USDA reduza sua estimativa de safra americana para 116,10 milhões de toneladas. A reabertura do governo também permitiu a volta do relatório WASDE nesta sexta e das vendas relâmpago, que podem indicar o ritmo das exportações no curto prazo. As atualizações completas, no entanto, só estarão totalmente alinhadas em 2 de janeiro, quando o fluxo de informações deverá retornar ao padrão usual.

O farelo sustentou ganhos acima de dois por cento no dia e segue acumulando valorização no mês, enquanto o óleo apresentou leve baixa, mas ainda mantém movimento positivo no período recente. Esse desempenho dos subprodutos ofereceu suporte adicional ao grão, reforçando o sentimento de recuperação após semanas marcadas por incertezas administrativas nos Estados Unidos.

Uma decisão incomum marcou o retorno das publicações oficiais. O USDA informou que os relatórios semanais de exportação, represados por mais de um mês, não serão divulgados de uma única vez. O calendário prevê apenas os dados das vendas semanais na próxima sexta-feira. Ainda não há explicação clara para a ausência do volume total acumulado, e o setor levanta dúvidas sobre a possibilidade de haver poucos negócios com a China nesse intervalo. Hoje foram publicados apenas os números de 19 a 25 de setembro, com 871 mil toneladas de soja negociadas.

 





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Soja tem incerteza mais ao Sul


No mercado da soja do Rio Grande do Sul, a incerteza quanto ao potencial produtivo estimula a retenção de oferta, reduzindo a liquidez no mercado interno, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em novembro, com entrega em outubro, os preços no porto foram reportados a R$ 140,500/sc (+0,36%)semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 131,00/sc (-0,76%) semanal em Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz, todos com liquidação prevista para 30/10”, comenta.

Santa Catarina enfrenta o mesmo desafio climático do restante da região Sul. “O ritmo de plantio permanece abaixo do esperado, segundo dados de início de novembro, refletindo o impacto direto das condições climáticas adversas. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 140,09 (+0,83%)”, completa a consultoria.

A manutenção da regularidade das chuvas e o controle dos custos logísticos serão determinantes para que o Paraná preserve sua vantagem competitiva e consolide os ganhos esperados da safra atual. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 139,51 (-0,35%). Em Cascavel, o preço foi R$ 128,99 (+0,23%). Em Maringá, o preço foi de R$ 130,88 (+0,29%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 132,72 (+0,16%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 140,09 (+0,83%). No balcão, preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

Comercialização lenta e gargalos logísticos em alerta no Mato Grosso do Sul. “A situação logística preocupa, com o déficit de armazenagem em Mato Grosso do Sul ultrapassando 11 milhões de toneladas, o que, combinado ao baixo ritmo de escoamento e à concentração de entregas, tende a provocar gargalos severos. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 125,76 (+0,62%), Campo Grande em R$ 125,76 (+0,62%), Maracaju em R$ 125,76 (+0,62%), Chapadão do Sul a R$ 121,59, Sidrolândia a em R$ 125,76 (+0,62%)”, informa.

No Mato Grosso, a instabilidade climática gera dúvida no mercado físico que segue trazendo preços inconsistentes e divididos. “Campo Verde: R$ 123,07 (+0,20%). Lucas do Rio Verde: R$ 118,76 (-0,52%), Nova Mutum: R$ 118,76 (-0,52%). Primavera do Leste: R$ 122,83. Rondonópolis: R$ 123,07 (+0,20%). Sorriso: R$ 118,76 (-0,52%)”, conclui.

 





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Exportação lenta impacta a compra de laranja pela indústria



Exportação de suco de laranja lenta mantém indústria cautelosa nas compras


Foto: Divulgação

As perspectivas iniciais de exportadores para a temporada de embarques 2025/26 de suco de laranja eram positivas, especialmente diante da isenção da sobretaxa dos Estados Unidos sobre as importações da commodity do Brasil e da reação na produção de laranja no estado de São Paulo. Pesquisadores do Cepea indicam que, no entanto, a limitada demanda por parte da Europa tem mantido as vendas externas de suco aquém do esperado neste começo de safra (de julho/25 a outubro/25). 

Diante desse cenário, agentes de indústrias processadoras do estado de São Paulo consultados pelo Cepea vêm adotando uma postura de extrema cautela em termos de compra de novas frutas. A estratégia tem sido a de cessar, por ora, o fechamento de novos contratos, mantendo somente contratos firmados anteriormente, e com novas aquisições exclusivamente no mercado spot, onde compradores propõem valores mais baixos. 

Do lado do citricultor, o cenário é de apreensão. De acordo com pesquisadores do Cepea, os menores preços ofertados podem comprometer a viabilidade financeira de muitos pomares, sobretudo se esse patamar continuar até o final da temporada. 





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Caminho Verde Brasil e Solo Vivo guiam debate sobre recuperação de áreas degradadas na COP30


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou do painel ‘Recuperação e Conversão de Áreas Degradadas com Práticas Resilientes ao Clima’, organizado pelo Diálogo Agropolítico Brasil-Alemanha (APD) na AgriZone, nesta quinta-feira (13). O encontro contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcelo Fiadeiro, e reuniu especialistas para discutir estratégias para ampliar a restauração produtiva e fortalecer sistemas agrícolas resilientes ao clima.

Durante o painel, Fiadeiro destacou que delegações estrangeiras têm mostrado surpresa positiva com os avanços alcançados pelo Brasil na recuperação de áreas degradadas. Ele lembrou que o Plano ABC (2010–2020) cumpriu todas as metas e consolidou o país como referência em técnicas sustentáveis de produção. A fase atual, o ABC+ (2021–2030), expande esse trabalho com novas tecnologias de baixa emissão e maior integração entre pesquisa científica e políticas públicas.

Segundo o secretário, os programas desenvolvidos pelo Mapa têm sido decisivos para demonstrar, na prática, como o Brasil produz em todos os biomas com eficiência e sustentabilidade. “Somos uma vitrine para o mundo. Muitos países não imaginam a dimensão da estrutura científica que temos e os resultados que entregamos”, pontuou.

CAMINHO VERDE BRASIL E SOLO VIVO FORTALECEM A RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS E A INOVAÇÃO NO CAMPO 

Fiadeiro destacou o Caminho Verde Brasil como o programa mais abrangente do Mapa para recuperação de áreas degradadas com compromisso ambiental. A iniciativa prevê recuperar até 40 milhões de hectares nos próximos 10 anos, com regras como desmatamento zero nas propriedades participantes, adoção de práticas sustentáveis e apresentação de balanço anual de carbono a partir do terceiro ano. “Estamos mostrando ao mundo que é possível ampliar a produção com base em ciência, eficiência e responsabilidade ambiental”, disse.

Outro destaque da fala do secretário foi o Programa Solo Vivo, iniciativa do Mapa, que tem como objetivo recuperar os solos, aumentar a produtividade e promover geração de renda, emprego e qualidade de vida nas comunidades rurais.

O secretário ressaltou ainda a importância das parcerias com instituições alemãs, como o KfW, e com organismos como o IICA, que contribuem para ampliar investimentos, assistência técnica e soluções para adaptação climática. Ele reforçou que a troca de experiências, e não apenas a transferência unilateral de tecnologia, tem guiado os diálogos durante a COP. “Produzimos para alimentar um bilhão de pessoas e mostramos que isso é possível com sustentabilidade. A troca de conhecimento tem sido fundamental”, disse Fiadeiro.

Ao encerrar sua participação, Fiadeiro reafirmou o compromisso do Mapa em fortalecer políticas públicas, ampliar capacitações e garantir que tecnologias sustentáveis cheguem aos produtores em todos os biomas brasileiros.

 





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Novo Acordo do Rio Doce é exemplo na COP30


Evento destaca modelo brasileiro de governança multissetorial e integração entre entes públicos e da sociedade civil para a reparação de desastres

O Novo Acordo do Rio Doce foi tema central de painel realizado nesta quinta-feira, 13/11, na COP30, em Belém (PA). Conduzido pela Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República, o evento debateu a conexão entre o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana-MG, e temas como transição energética justa, justiça climática, segurança hídrica e gestão de riscos de desastres.

Realizado no Pavilhão Brasil da Zona Azul, o painel “Rio Doce: justiça, governança e financiamento de políticas públicas sustentáveis para a recuperação de desastres” reuniu representantes de diversos entes envolvidos no Acordo, que foi homologado em novembro de 2024 e constituído como um instrumento jurídico robusto, firmado como uma repactuação do termo de 2016, objetivando superar falhas do modelo anterior e ampliar ações de reparação.

A secretária adjunta da SAM/CC/PR, Petula Ponciano, moderou o diálogo e destacou: “Conseguimos aqui trazer grandes pontos, como a governança multissetorial fortalecida, a justiça socioambiental com participação social efetiva e uma modelagem para o financiamento climático estruturante. É uma trajetória para que a gente não comece do zero em outras situações, como a recente, no Paraná”.

O desembargador Edilson Vitorelli, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), pontuou que, juntamente ao acordo de reparação de Brumadinho-MG, o instrumento está entre os cinco maiores acordos judiciais da história mundial em questão de valores: “É uma grande vitória do sistema processual brasileiro, fomos capazes de entregar acordos que outros países não foram capazes de entregar, mesmo tendo desastres tão graves quanto os casos brasileiros”. Ele lembrou que o modelo brasileiro prevê reparação em três esferas: danos individuais, ambientais e socioeconômicos, incluindo ações específicas voltadas a povos indígenas, quilombolas e tradicionais.

A secretária Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR), Kelli Mafort, apresentou o trabalho desenvolvido pelo órgão, que realiza a interlocução com os movimentos sociais de representação de atingidos pelo rompimento de barragens. “É um trabalho de apoio direto aos atingidos e atingidas e de articulação para que se consiga estabelecer parâmetros para que crimes como este não voltem a ocorrer”.

Ela comentou sobre o empenho do Governo do Brasil em fazer ecoar a voz dos atingidos por meio dos mecanismos de participação social previstos no Acordo, com o estabelecimento do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Capixaba e a criação de um fundo específico para o desenvolvimento de projetos comunitários, no valor de R$ 5 bilhões.

Marcus Tadeu Barbosa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), falou sobre o conceito de reparação integral, que geralmente não é levada em consideração nos processos reparatórios conduzidos pelas empresas responsáveis pelos desastres. “Ela tem que ser discutida no âmbito cultural, no âmbito econômico, no âmbito dos modos de vida das comunidades atingidas, que é totalmente alterado, tem que ser discutida nas relações de trabalho, nas relações de gênero […] Nesse sentido da formalização dos acordos e do processo da reparação, a participação social garante com mais eficiência a justiça para as famílias atingidas. E com esse acordo, o Brasil tem a oportunidade de mostrar ao mundo uma nova concepção de reparação, participativa, em que os atingidos sejam protagonistas”.

Representando o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a diretora Maria Fernanda Ramos Coelho enfatizou o papel da governança do Acordo, que envolve diferentes atores e processos. “Ela é bastante clara em relação a seus processos. Temos, sob a coordenação da Casa Civil, o Comitê do Rio Doce, do qual fazem parte a Secretaria de Relações Institucionais e a Secretaria-Geral da Presidência. O BNDES tem assento nesse comitê com direito a voz, mas sem voto. E, além disso, foram criados os subcomitês, em que os ministérios dialogam, pensando, propondo e articulando, principalmente com as organizações da sociedade civil, os principais projetos que serão trabalhados no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce. Uma governança bastante robusta”.

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues (Mariana/MG), provocou o maior desastre já registrado com rejeitos de mineração no Brasil. O colapso da estrutura da Samarco Mineração S/A, joint venture da Vale e BHP Billiton Brasil, causou 19 mortes, deixou três pessoas desaparecidas e despejou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos, contaminando a bacia do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo, até o mar territorial.

Homologado em novembro de 2024, o Novo Acordo do Rio Doce inaugurou uma etapa voltada à recuperação ambiental, ao fortalecimento de políticas públicas e ao protagonismo das comunidades atingidas. Firmado entre Governo do Brasil, estados e empresas responsáveis, o instrumento soma R$ 170 bilhões: R$ 100 bilhões destinados aos poderes públicos para ações de reparação ao longo de 20 anos (R$ 49,1 bilhões à União), R$ 32 bilhões para indenizações individuais e obrigações das empresas, além de R$ 38 bilhões já aplicados desde 2015 via Fundação Renova.





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