segunda-feira, março 16, 2026

Política & Agro

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Distribuidores de insumos: peça-chave do agro


No complexo tabuleiro do agronegócio, os distribuidores de insumos se consolidam como elo estratégico entre indústria e produtores. Segundo Renato Cesar Seraphim, estrategista de Agronegócio, a 10ª Pesquisa Nacional da Distribuição, realizada pela Andav em parceria com o Cepea/Esalq/USP, revela a força e os desafios desse segmento, projetando um faturamento de R$ 167 bilhões para 2024.

Com quase 40% dos insumos chegando ao campo por meio de distribuidores e cooperativas, o setor não se limita à comercialização: constrói relacionamentos duradouros com produtores. A pesquisa mostra que o WhatsApp é a principal ferramenta de contato (97%), mas visitas personalizadas e suporte técnico especializado continuam essenciais (69% e 65%). O setor é maduro, com 74% das empresas atuando há mais de 11 anos e equipes compostas majoritariamente por engenheiros agrônomos (56%). Além disso, 40% dos produtores recebem crédito diretamente dos distribuidores, evidenciando a profundidade da parceria.

Apesar da força, os desafios são grandes. O esmagamento das margens (70%), a inadimplência (62%), a concessão de crédito (61%), a busca por mão de obra qualificada (51%) e o aumento do custo operacional (43%) exigem gestão eficiente e profissionalizada. A governança interna ainda precisa evoluir: embora 88% tenham diretoria formal, apenas 34% possuem plano de sucessão estruturado.

O futuro do setor aponta para digitalização, sustentabilidade e gestão de excelência. A Inteligência Artificial já demonstra impacto positivo entre os que a adotaram (89%), enquanto práticas ESG são realidade para 80% das empresas. Para prosperar, os distribuidores devem investir em tecnologia e dados, profissionalização da gestão e foco em serviços e soluções completas para o produtor.

“A pesquisa da Andav nos oferece mais do que números; ela nos entrega um mapa. O caminho à frente é desafiador, mas as oportunidades são imensas. Cabe a cada um de nós, líderes da distribuição, usar essa visão para navegar pela encruzilhada atual e construir um futuro mais forte, rentável e sustentável para o nosso setor e para o agronegócio brasileiro”, conclui.

 





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Manejo fitossanitário eficiente é essencial na soja



É fundamental adotar estratégias


É fundamental adotar estratégias
É fundamental adotar estratégias – Foto: USDA

Um manejo fitossanitário eficiente e bem planejado é essencial para alcançar altas produtividades na cultura da soja. Segundo informações da Mais soja, as doenças fúngicas estão entre os principais fatores que comprometem o rendimento das lavouras, com destaque para a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o oídio (Erysiphe diffusa), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), a podridão dos grãos (Diaporthe spp. e Fusarium spp.) e as doenças de final de ciclo (Cercospora spp. e Septoria glycines). Em casos extremos, essas enfermidades podem causar perdas de até 90%, inviabilizando a produção.

Além de reduzir o potencial produtivo, essas doenças afetam diretamente a qualidade das sementes, diminuindo sua viabilidade e valor de mercado. Diante desse cenário, é fundamental adotar estratégias de manejo integradas que reduzam os danos e garantam a sustentabilidade econômica da atividade.

Embora existam diversas práticas disponíveis, o controle químico com fungicidas ainda é o método mais utilizado em escala comercial. Contudo, o posicionamento correto dos produtos exige conhecimento técnico e atenção ao desempenho de cada ingrediente ativo frente às condições climáticas e fitossanitárias de cada região.

Para orientar o uso eficiente de fungicidas, a Rede Fitossanidade Tropical e a Embrapa conduzem ensaios cooperativos desde a safra 2003/2004, avaliando a eficácia dos principais produtos disponíveis no país. Os resultados indicam diferentes níveis de controle das doenças e reforçam a importância de rotacionar fungicidas com distintos modos de ação, reduzindo o risco de resistência dos fungos e assegurando o equilíbrio produtivo das lavouras.

 





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como prevenir as principais doenças



Enfermidades podem causar perdas significativas


Enfermidades podem causar perdas significativas
Enfermidades podem causar perdas significativas – Foto: Emater MG

As doenças fúngicas Cercosporiose e Mancha-de-Phoma estão entre os principais desafios fitossanitários enfrentados pelos cafeicultores. Segundo o consultor de campo Marcos Antônio Rosa, essas enfermidades podem causar perdas significativas de produtividade e qualidade dos grãos, sendo fundamental adotar estratégias de manejo preventivo e atenção constante às condições climáticas da lavoura.

A Cercosporiose, causada pelo fungo Cercospora coffeicola, provoca manchas marrons com halo amarelado em folhas e frutos. Seu desenvolvimento é favorecido por altas temperaturas, radiação solar intensa e deficiência nutricional, podendo levar à desfolha, queda na qualidade dos grãos e redução da produtividade. Já a Mancha-de-Phoma, causada por Phoma sp., caracteriza-se por lesões escuras e irregulares nas bordas das folhas, curvaturas foliares e secamento de ramos, ocorrendo com maior intensidade em condições de alta umidade, ventos constantes e temperaturas mais baixas, em torno de 20 °C, resultando em perdas produtivas importantes.

Para o manejo dessas doenças, Rosa destaca a importância de práticas culturais, como adubação equilibrada, poda adequada e espaçamento correto entre plantas, além do uso de fungicidas preventivos antes e depois da florada, sempre com rotação de ingredientes ativos para reduzir o risco de resistência. O monitoramento constante da lavoura permite identificar sintomas precocemente e ajustar as estratégias de controle conforme as condições climáticas.

O consultor reforça que o controle eficiente da Cercosporiose e da Mancha-de-Phoma depende da prevenção, do equilíbrio nutricional e do acompanhamento técnico contínuo, garantindo plantas mais saudáveis, grãos de qualidade e produtividade estável ao longo do ciclo.

 





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China amplia compras e consolida liderança nas importações globais de soja


As exportações brasileiras de soja seguem em ritmo acelerado, puxadas principalmente pela demanda chinesa. Em setembro, a China importou 6,5 milhões de toneladas da oleaginosa brasileira, representando 93% do total embarcado pelo Brasil no mês, segundo dados da Secex. Essa concentração reforça o protagonismo do país asiático no comércio global da commodity.

Com esse desempenho, o Brasil exportou 6,99 milhões de toneladas de soja em setembro, superando em 6,6% o volume de igual período de 2024. No acumulado do ano, o país já enviou ao exterior 93 milhões de toneladas, o maior volume registrado entre janeiro e setembro.

Para outubro, a expectativa é ainda mais otimista: a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta 7,12 milhões de toneladas exportadas, superando em quase 60% o volume do mesmo mês do ano anterior. “A ausência dos Estados Unidos no mercado, devido à guerra tarifária com a China, abriu ainda mais espaço para o Brasil”, analisa Argemiro Brum, da CEEMA.

O recuo das exportações de farelo de soja — estimadas em 1,92 milhão de toneladas para outubro — indica mudança no perfil da demanda global, com maior foco no grão in natura. Mesmo assim, os embarques acumulados de farelo em 2025 já ultrapassam 19 milhões de toneladas.

Com a participação chinesa nas importações brasileiras de soja saltando para 79,9% neste ano, contra média de 74% entre 2021 e 2024, especialistas apontam risco de excesso de dependência. “A concentração pode aumentar a vulnerabilidade comercial do Brasil frente a oscilações na política externa chinesa”, alerta Brum.

Apesar dos números expressivos, a atenção do mercado internacional se volta para a nova safra sul-americana, que enfrenta alta nos custos de produção e incertezas climáticas. Esse cenário poderá redefinir o equilíbrio global de oferta e preços nas próximas safras.





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Colheita de milho nos EUA avança, mas impasse fiscal paralisa dados e gera incerteza global


A colheita de milho nos Estados Unidos avança e já alcança cerca de 40% da área plantada, mas o mercado global opera em meio à incerteza. A crise fiscal que paralisou parte do governo norte-americano impediu a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, ferramenta fundamental para o equilíbrio internacional da commodity.

Em Chicago, os contratos futuros recuaram levemente, fechando o dia 9 de outubro a US$ 4,18 por bushel. A ausência de informações oficiais gerou volatilidade e ampliou o espaço para especulações. “Sem as estatísticas do USDA, o mercado fica no escuro, e isso afeta decisões comerciais em todo o mundo”, observa Argemiro Brum, da CEEMA.

Apesar disso, a demanda interna dos EUA segue firme, especialmente puxada pela indústria de etanol, o que contribui para limitar quedas mais acentuadas nos preços. Contudo, com a entrada da safra recorde americana no mercado, os principais concorrentes, como Brasil e Ucrânia, devem enfrentar desafios para manter seus volumes exportados.

No Brasil, as exportações acumuladas entre fevereiro e setembro somam 18,8 milhões de toneladas — 4% abaixo do mesmo período de 2024. Especialistas apontam que o ritmo deve cair ainda mais, diante da concorrência agressiva dos Estados Unidos, que volta com força ao mercado internacional.

Outro fator relevante é a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade brasileira. Segundo analistas, a conjuntura atual favorece a hegemonia dos EUA nas vendas internacionais, ao menos no curto prazo.

Enquanto isso, a China se mantém atenta às oportunidades de compra, avaliando fornecedores com base em preço, volume e previsibilidade logística — aspectos que poderão ser redefinidos conforme se desenrola a crise fiscal norte-americana e avança a colheita nos demais países produtores.





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Custos da nova safra de soja sobem e preocupam produtores


A análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de outubro e publicada nesta quinta-feira (9), apontou estabilidade nos preços da soja no Brasil, com leve tendência de alta em algumas regiões. O câmbio variou entre R$ 5,30 e R$ 5,35 por dólar, e os prêmios permaneceram estáveis. No Rio Grande do Sul, a média estadual foi de R$ 122,77 por saca, enquanto as principais praças registraram R$ 120,00. Nas demais regiões do país, os preços oscilaram entre R$ 113,00 e R$ 122,00 por saca.

As exportações brasileiras de soja atingiram volume recorde para o mês de setembro, impulsionadas pela demanda internacional, especialmente da China, e pela menor presença dos Estados Unidos no mercado, devido à guerra tarifária. O Brasil embarcou 6,99 milhões de toneladas, um aumento de 6,6% em relação a setembro de 2024, embora tenha ocorrido queda de 30,3% em comparação a agosto, conforme dados da Secex. O Ceema destacou que “a Argentina tem atuado de forma mais agressiva nas vendas externas, o que limita os embarques brasileiros no momento”. Entre janeiro e setembro, o país exportou 93 milhões de toneladas, recorde para o período.

Para outubro, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de 7,12 milhões de toneladas, superando em quase 2,7 milhões o volume do mesmo mês do ano passado. Em relação ao farelo de soja, as exportações devem totalizar 1,92 milhão de toneladas, abaixo das 2,46 milhões registradas em outubro de 2024. A entidade estima que, entre janeiro e outubro, o Brasil alcance 102,2 milhões de toneladas exportadas, superando os totais de 2023 e 2024, que foram de 101,3 milhões e 97,3 milhões de toneladas, respectivamente, segundo a Secex.

A China manteve-se como o principal destino da soja brasileira, respondendo por 93% das exportações de setembro, o equivalente a 6,5 milhões de toneladas. “A participação chinesa nas exportações totais de soja do Brasil atingiu 79,9%, acima da média de 74% observada entre 2021 e 2024”, destacou a Anec. A projeção é de que o país exporte até 110 milhões de toneladas de soja em 2025. No caso do farelo, o volume acumulado até outubro deve ultrapassar 19 milhões de toneladas.

A principal preocupação do setor agora recai sobre a nova safra 2025/26. Segundo a Ceema, a safra “está se mostrando como uma das mais problemáticas dos últimos ano”, com alta nos custos de produção, queda nos preços internacionais e incertezas climáticas que ameaçam a rentabilidade dos produtores. No Centro-Oeste, os custos por hectare devem subir cerca de 4% em relação à safra anterior, podendo ultrapassar R$ 5.600,00 em regiões como Rio Verde (GO) e Sorriso (MT). O aumento é impulsionado, sobretudo, pela valorização dos fertilizantes, que tiveram alta próxima de 10%, reflexo de tensões comerciais entre China e Estados Unidos e da guerra no Leste Europeu.

De acordo com dados da Outofino Agrociência, a produtividade mínima necessária para cobrir os custos também aumentou. No Mato Grosso, já ultrapassa 56 sacas por hectare, enquanto em Goiás gira em torno de 51. “Será necessário um clima muito favorável para alcançar produtividade que assegure rentabilidade”, observou a Ceema. No Rio Grande do Sul, o quadro é agravado pela sequência de secas registradas nos últimos cinco anos, o que eleva ainda mais o risco para a próxima safra.





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Alface/Cepea: Clima e baixa demanda mantêm preços em queda no cinturão verde…


O mercado de alface continua em ritmo lento em Ibiúna e Mogi das Cruzes (SP). Levantamentos do Hortifrúti/Cepea mostram que, nesta semana (15 a 19/09), os preços caíram, se aproximando dos custos de produção. Em Ibiúna, a crespa foi comercializada à média de R$ 10,86/cx com 20 unidades (-4,3%), e, em Mogi das Cruzes, a R$ 14,80/cx com 20 unidades (-1,3). As quedas estão atreladas à maior oferta e à demanda retraída. As temperaturas mais altas têm acelerado o ciclo das folhosas e elevado o volume disponível; com as vendas lentas, registra-se acúmulo de produto nas roças.

Em Mogi, as chuvas insuficientes também preocupam produtores – no início desta semana, foram apenas 5 mm na região. Esse cenário e a consequente baixa disponibilidade de água nos reservatórios já vêm limitando o ritmo de plantios, além de afetar os demais elos da cadeia. Viveiristas locais relatam que parte das mudas em ponto de plantio deve ser perdida, justamente pela redução de compra dos produtores.

De acordo com a Climatempo, são previstas chuvas acima de 20 mm nas regiões paulistas a partir da próxima segunda-feira (22), o que deve trazer algum alívio ao setor, mas com investimentos ainda contidos – tanto pela questão de mão de obra escassa, quanto pelos baixos patamares de preços.

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Formação técnica impulsiona cooperação entre Itália e África



A iniciativa marca uma nova etapa na cooperação entre Itália e África


A iniciativa marca uma nova etapa na cooperação entre Itália e África
A iniciativa marca uma nova etapa na cooperação entre Itália e África – Foto: Divulgação

A conferência “The New Africa: Education, Training, and Education for Agricultural and Agro-Mechanical Technicians”, realizada em Bari durante a Agrilevante, destacou a importância da formação profissional para o desenvolvimento agrícola no continente africano. O evento, promovido pela FederUnacoma e pela editora Internationalia, apresentou um estudo sobre o sistema educacional africano e lançou um programa de cooperação com três países-piloto: Tanzânia, Tunísia e Gana.

Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), o mercado agroalimentar da África deve triplicar nos próximos cinco anos, passando de US$ 280 bilhões para US$ 1 trilhão. Com uma população que chegará a 2,5 bilhões até 2050, o continente concentra 60% das terras aráveis ainda não cultivadas do planeta — um potencial que exige investimentos em qualificação técnica e modernização produtiva. O objetivo do novo programa é justamente capacitar profissionais para atuar em áreas como mecanização, irrigação de precisão e gestão de cadeias produtivas.

Durante o encontro, o diretor da Internationalia, Gianfranco Belgrano, ressaltou que a educação técnica é essencial para reduzir as taxas de evasão escolar e atender à demanda por novas competências em um mercado agrícola em transformação. Já a presidente da FederUnacoma, Mariateresa Maschio, destacou que as indústrias italianas possuem o know-how necessário para colaborar com países africanos na formação de técnicos agrícolas e mecânicos, impulsionando a modernização do setor. A iniciativa marca uma nova etapa na cooperação entre Itália e África, estendendo experiências já consolidadas no ensino superior para o nível técnico e profissional.

 





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Indústria de etanol sustenta demanda pelo milho



Mercado do milho registra leve estabilidade



Foto: Pixabay

Segundo a análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de outubro e publicada nesta quinta-feira (9), o mercado brasileiro de milho manteve estabilidade nos preços. As principais praças do Rio Grande do Sul operaram em torno de R$ 60,00 por saco, enquanto nas demais regiões do país as cotações oscilaram entre R$ 47,00 e R$ 60,00 por saco.

Na B3, o mercado futuro registrou, no dia 8 de outubro, valores de R$ 66,50 para o contrato com vencimento em novembro e de R$ 71,35 para março de 2026. Conforme a Ceema, “a demanda interna segue firme, principalmente pelo lado da indústria de etanol”. O órgão acrescenta que “se não fosse a valorização do Real, o preço do milho poderia estar melhor em algumas regiões do país”.

Em relação ao comércio exterior, as exportações de milho apresentaram melhora em setembro, impulsionadas por contratos firmados antecipadamente. No entanto, o ritmo atual de embarques permanece lento nos portos brasileiros. Desde fevereiro até a parcial de setembro, dentro do novo ano comercial, os embarques somaram 18,8 milhões de toneladas, número 4% inferior ao volume exportado no mesmo período do ano anterior.

A Ceema alerta que há risco de desaceleração nas exportações devido à concorrência internacional. “O ritmo de embarques brasileiros pode voltar a diminuir com a entrada da safra recorde dos Estados Unidos”, aponta a análise.





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Rússia projeta safra robusta e pressiona cotações do trigo



O mercado internacional do trigo vive um momento de reacomodação



Foto: Canva

O mercado internacional do trigo vive um momento de reacomodação. A Rússia, principal exportadora global da commodity, projeta colher 88 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo dados oficiais do governo russo. A semeadura de inverno deve atingir 20 milhões de hectares, sinalizando forte presença no comércio internacional nos próximos meses.

Esse aumento na oferta russa ocorre em paralelo ao crescimento da capacidade de exportação de fertilizantes — que deve ultrapassar 65 milhões de toneladas este ano, com 70% destinados ao mercado externo. O avanço na autossuficiência em sementes, que deve atingir 70% em 2025, também fortalece a competitividade do país no agronegócio.

Em Chicago, os preços recuaram para US$ 5,06 por bushel, frente aos US$ 5,14 da semana anterior. A ausência do relatório do USDA, provocado pela paralisação do governo dos EUA, gerou mais um fator de instabilidade para os agentes internacionais.

A competitividade russa é reforçada por sua capacidade de manter preços baixos com logística eficiente para mercados do Oriente Médio, África do Norte e Ásia. A Rússia atua de forma estratégica, aumentando produção e assegurando presença nas principais rotas de exportação.

Ao mesmo tempo, países importadores como o Brasil sentem os efeitos da concorrência. Em setembro, o Brasil importou 568,9 mil toneladas de trigo, com 87,3% vindo da Argentina — que também busca espaço no mercado global com preços mais agressivos.

O cenário global para o trigo indica uma pressão contínua sobre os preços, especialmente se a safra russa se concretizar conforme o previsto. A tendência é de um mercado comprador mais exigente, pressionando margens e forçando ajustes em países que dependem de trigo importado ou que buscam ampliar sua participação exportadora.





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