segunda-feira, março 9, 2026

Política & Agro

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Brasil exporta US$ 348,7 bilhões e alcança novo recorde


As exportações brasileiras atingiram um recorde histórico em 2025, mesmo em um cenário internacional adverso. Dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que as vendas externas somaram US$ 348,7 bilhões no ano passado, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023. Com isso, os últimos três anos passaram a concentrar os melhores resultados da série histórica da balança comercial brasileira.

Em comparação com 2024, o valor exportado em 2025 cresceu 3,5%. Em volume, o avanço foi de 5,7%, percentual superior ao dobro da projeção da Organização Mundial do Comércio para o crescimento do comércio global em 2025, estimado em 2,4%. O desempenho também foi marcado pela ampliação da presença internacional dos produtos brasileiros, com mais de 40 mercados registrando recorde de compras ao longo do ano, entre eles Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.

Segundo o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, o resultado foi alcançado apesar do ambiente externo desafiador. “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou. De acordo com ele, o desempenho reflete “o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior, sobretudo com a Nova Indústria Brasil e com o Plano Brasil Soberano”.

As importações também registraram recorde em 2025, ao totalizarem US$ 280,4 bilhões, valor 6,7% superior ao de 2024 e quase US$ 8 bilhões acima do maior patamar anterior, de 2022. Com isso, a corrente de comércio alcançou US$ 629,1 bilhões, o maior nível já registrado, com crescimento de 4,9% em relação ao ano anterior. O superávit comercial ficou em US$ 68,3 bilhões, o terceiro maior da série histórica, atrás apenas dos resultados de 2023 e 2024.

Os dados de dezembro de 2025 também indicam resultados expressivos. No mês, as exportações somaram US$ 31 bilhões, alta de 24,7% e recorde para dezembro. As importações alcançaram US$ 21,4 bilhões, com crescimento de 5,7%, enquanto o saldo comercial atingiu US$ 9,6 bilhões, aumento de 107,8% e o maior já registrado para o mês. A corrente de comércio fechou dezembro em US$ 52,4 bilhões, avanço de 16,2% e novo recorde mensal.

Ao longo de 2025, as exportações da indústria de transformação cresceram 3,8% em valor, impulsionadas por aumento de 6% no volume, e alcançaram o montante recorde de US$ 189 bilhões. Contribuíram para esse resultado embarques históricos de produtos como carne bovina, carne suína, alumina, veículos automotores de carga, caminhões, café torrado, máquinas e aparelhos elétricos, máquinas e ferramentas mecânicas, produtos de perfumaria, cacau em pó, instrumentos de medição e defensivos agrícolas. A indústria extrativa também apresentou avanço, com aumento de 8% no volume exportado, e recordes de embarque de minério de Ferro, com 416 milhões de toneladas, e de petróleo, com 98 milhões de toneladas.

Os bens agropecuários registraram crescimento de 3,4% em volume e de 7,1% em valor. O café verde atingiu valor recorde de US$ 14,9 bilhões, enquanto a soja alcançou volume recorde de 108 milhões de toneladas, assim como o algodão em bruto, com 3 milhões de toneladas exportadas.

Em relação aos destinos, as exportações para a China cresceram 6% e somaram US$ 100 bilhões, impulsionadas principalmente por soja, carne bovina, açúcar, celulose e Ferro-gusa. Para a União Europeia, houve crescimento de 3,2%, com destaque para café, carne bovina, minério de Cobre, milho e aeronaves. As vendas para a Argentina avançaram 31,4%, puxadas pelo setor automotivo. Já as exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6% no ano, queda concentrada entre agosto e dezembro, atribuída ao aumento de tarifas imposto pelo governo norte-americano sobre parte dos produtos brasileiros. Em dezembro, no entanto, houve melhora, com redução de 7,2% e embarques acima de US$ 3 bilhões.

Do lado das importações, os bens de capital lideraram o crescimento, com alta de 23,7%, seguidos pelos bens intermediários, que avançaram 5,9%, e pelos bens de consumo, com aumento de 5,7%. As importações de combustíveis, por outro lado, recuaram 8,6%. Houve crescimento das compras originárias da China, dos Estados Unidos e da União Europeia, enquanto as importações de produtos argentinos apresentaram queda de 4,7%.





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São Paulo amplia combate ao greening na citricultura


O governo de São Paulo anunciou a abertura do Edital Público SAA nº 03/2025 para a contratação de 28 profissionais que irão atuar, em conjunto com servidores da Defesa Agropecuária, no enfrentamento ao HLB/Greening, doença que ameaça a citricultura mundial. A iniciativa é conduzida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento e prevê investimento anual estimado em R$ 3,6 milhões.

A contratação será realizada por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil, com vigência inicial de um ano e possibilidade de prorrogação. Os profissionais serão distribuídos em seis equipes e atuarão em regiões estratégicas da produção citrícola paulista, que ainda serão definidas. Segundo a Secretaria, o objetivo é regionalizar as ações e ampliar a cobertura nas áreas produtivas do Estado. As propostas das OSCs interessadas poderão ser apresentadas até 26 de janeiro de 2026.

A Defesa Agropecuária segue responsável pelas ações sanitárias, de fiscalização e de orientação técnica em todo o território paulista e permanece na linha de frente no combate a doenças como o HLB/Greening e o cancro cítrico. De acordo com a Secretaria, a legislação estadual estabelece medidas rigorosas de defesa sanitária vegetal, incluindo a proibição do comércio ambulante de mudas cítricas, prática considerada de alto risco para a sanidade dos pomares comerciais.

Em 2025, a Defesa Agropecuária fiscalizou 17.549 propriedades para o controle do HLB, o que resultou na retirada de circulação de 60.316 mudas. No mesmo período, foram realizadas 26 palestras educativas voltadas ao público externo. A Secretaria informou ainda que mantém um canal direto para o recebimento de denúncias sobre pomares abandonados ou com manejo inadequado.

As ações foram reforçadas em maio de 2025, com a publicação de duas resoluções pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A Resolução nº 23/2025 passou a proibir o plantio e a manutenção de plantas hospedeiras da bactéria em todos os imóveis mantidos ou gerenciados pela pasta. Já a Resolução nº 24/2025 proibiu a produção, o plantio, o comércio, o transporte e o uso da murta no paisagismo urbano, em áreas públicas e privadas do Estado, com exceção das plantas destinadas à pesquisa científica e devidamente cadastradas na Defesa Agropecuária.

Dados do Levantamento de Greening 2025, do Fundo de Defesa da Citricultura, indicam que a incidência da doença no cinturão citrícola paulista permanece elevada. O índice passou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, acompanhado de aumento da severidade média das plantas afetadas, o que mantém o setor em estado de atenção.

Apesar do avanço, o levantamento aponta que, pelo segundo ano consecutivo, houve redução na taxa de crescimento da doença. O avanço registrado em 2025 foi menor do que em anos anteriores e houve queda expressiva da incidência em pomares mais jovens. Segundo a Secretaria, o resultado indica maior eficiência das estratégias de controle, erradicação de plantas doentes e manejo preventivo adotadas pelos citricultores paulistas.





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Empresas já estão autorizadas a montar estandes ao Show Rural


Para evitar atropelos e dar ainda mais atenção à segurança dos trabalhadores, a direção do Show Rural Coopavel decidiu antecipar a autorização de início da montagem dos estandes da 38ª edição. Em vez de no começo de janeiro, como em anos anteriores, elas puderam optar por aproveitar o mês de dezembro.

“Conversamos sobre essa medida e entendemos que essa mudança seria bem-vinda, porque permite às empresas trabalhar sem tanta pressão de prazo, dando ainda mais atenção aos detalhes e à segurança”, diz o coordenador-geral Rogério Rizzardi. Algumas empresas, principalmente as que têm por responsabilidade a montagem de estandes maiores, estão aproveitando essa janela, comenta Rizzardi.

A montagem, em dezembro, seguirá até a próxima terça-feira, 23. O retorno será no dia 2 de janeiro. Todos os estandes deverão estar prontos até as 19h do dia 4 de fevereiro. Inúmeras reuniões foram realizadas com os representantes das 97 montadoras credenciadas para trabalhar no parque, e um dos pedidos mais importantes é o da utilização, por todos os colaboradores, de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

Estandes maiores

O Show Rural acontece, desde 1989, em uma área rural de 72 hectares, a dez quilômetros do centro de Cascavel. Para atender a solicitação de alguns dos mais tradicionais de seus expositores, a direção do evento fez mudanças, como a troca de local do estacionamento de expositores e imprensa. Assim, a área desse antigo estacionamento foi toda gramada e, com ganho de metragem no parque, algumas empresas terão a chance de mostrar as suas novidades em estandes maiores.

Alguns terão, para 2026, área na casa dos 3,5 mil metros quadrados, os maiores da história do Show Rural – terão cerca de até mil metros a mais em comparação com os maiores das edições anteriores. É o caso da Jacto e da John Deere. “Nosso objetivo não é aumentar o número de expositores, e sim melhorar ainda mais o que já temos. Com isso, investimos no conforto e comodidade dos visitantes, que então terão a oportunidade de potencializar o resultado de sua jornada pelo parque”, enfatiza Rogério Rizzardi. A 38ª edição será realizada de 9 a 13 de fevereiro de 2026. O tema será A força que vem de dentro.





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Eficiência na limpeza eleva valor dos grãos pós-colheita



A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis


A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis
A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis – Foto: USDA

A eficiência na etapa pós-colheita tem papel decisivo na rentabilidade das principais culturas agrícolas, ao influenciar custos, qualidade e segurança do produto armazenado. Segundo Anderson Cesar Ferreira Gonçalves, especialista em gestão de projetos, a otimização dos processos de pré-limpeza e limpeza é uma operação de engenharia essencial para preservar o valor do grão e atender às exigências do mercado.

A limpeza vai além da simples retirada de resíduos visíveis e está diretamente relacionada à redução do teor de impurezas e de matéria estranha. Esses componentes interferem no consumo energético durante a secagem, já que palhas, pó e fragmentos retêm umidade que precisa ser eliminada antes do armazenamento. Quando esse material é removido antecipadamente, há economia de combustível ou eletricidade e maior eficiência operacional. Além disso, a presença de impurezas e grãos danificados favorece o desenvolvimento de fungos, pragas e micotoxinas, comprometendo a qualidade sanitária e a durabilidade do produto estocado.

O desempenho adequado das máquinas de limpeza depende do correto domínio dos princípios de separação por aspiração e por classificação. A aspiração utiliza o controle da velocidade e do volume de ar para retirar materiais mais leves, explorando diferenças de densidade e área superficial. Ajustes imprecisos podem resultar tanto na permanência de impurezas quanto na perda de grãos sadios, o que exige uniformidade no fluxo de alimentação para que a corrente de ar atue de forma eficaz. Já a classificação por peneiras requer a escolha adequada das aberturas, com retenção dos materiais grosseiros na peneira superior e separação do material miúdo na inferior. A inclinação das peneiras e a taxa de alimentação determinam o tempo de permanência do grão e o equilíbrio entre qualidade da limpeza e capacidade operacional.





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Dados impulsionam a liderança do agro brasileiro



A execução no campo aparece como etapa complementar


A execução no campo aparece como etapa complementar
A execução no campo aparece como etapa complementar – Foto: Divulgação

A liderança do Brasil no agronegócio mundial está associada a um conjunto de decisões estratégicas que vão além de fatores naturais e de escala produtiva. De acordo com análise de Fábio Morais, especialista em gestão de agronegócio, o protagonismo brasileiro na soja é resultado direto do uso consistente de dados na condução do negócio.

O país responde por cerca de 40% da produção global de soja, desempenho que reflete um modelo baseado em planejamento comercial estruturado e na leitura contínua de mercado. A organização entre oferta, demanda e janelas de comercialização permite maior previsibilidade e reduz riscos em um ambiente marcado por volatilidade de preços e competição internacional. Nesse contexto, a gestão estratégica ganha centralidade ao direcionar decisões com base em indicadores de margem, eficiência e participação de mercado.

A execução no campo aparece como etapa complementar e indissociável da estratégia. A integração entre tecnologia, insumos, logística e gestão de pessoas sustenta a capacidade de transformar planos em resultados concretos. O uso de dados ao longo de toda a operação permite ajustes rápidos, melhora a alocação de recursos e amplia o controle sobre custos e produtividade, elementos decisivos para manter competitividade.

Em mercados cada vez mais disputados, o desempenho não está apenas no volume produzido, mas na eficiência comercial e na capacidade de interpretar cenários. A visão de longo prazo, apoiada por informações confiáveis, contribui para equilibrar produtividade, sustentabilidade e posicionamento estratégico. O principal desafio para lideranças comerciais está em conectar inteligência de mercado, planejamento e gestão de equipes para capturar valor em todos os elos da cadeia agroindustrial.

 





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Geopolítica muda o jogo das margens no agro



O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal


O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal
O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal – Foto: Divulgação

O agronegócio entrou em uma fase em que fatores externos, antes tratados como pano de fundo, passaram a mexer diretamente com custo, margem e timing de venda. Segundo análise de Alê Delara, fundador da Pine Agronegócio e estrategista do agro, 2025 consolidou a geopolítica como variável operacional, visível em fretes mais longos, seguros mais caros e prazos que deixaram de fechar, até virar parte da rotina de quem opera o mercado.

O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal, com desvios pelo Cabo da Boa Esperança se tornando estruturais e alterando competitividade entre origens, prêmios e janelas de arbitragem. A guerra na Ucrânia manteve o grão disponível, mas com risco embutido, muitas vezes percebido mais no prêmio e na cautela do comprador do que na tela. Já a retomada da guerra comercial entre Estados Unidos e China travou por meses o fluxo de soja norte-americana e, quando houve reabertura parcial, a China já vinha abastecida via América do Sul, com estoques mais confortáveis e margens apertadas.

No Brasil, a supersafra e a melhora logística não se traduziram automaticamente em super rentabilidade. O câmbio acima de R$ 5,40 sustentou a receita em reais e os prêmios ficaram firmes por boa parte do ano, mas juros globais ainda altos encareceram o capital e ampliaram o peso do carrego. Com fertilizantes voláteis, a conta puniu quem segurou decisão demais. Para 2026, a leitura aponta um ano mais político do que climático, com volatilidade como padrão e maior exigência de gestão de risco e sofisticação comercial.

“Se esses movimentos globais fazem parte da sua rotina de decisão — comprar, vender, travar margem, planejar risco — minhas palestras e consultorias levam esse debate para dentro do seu time, com leituras práticas e cenários aplicados ao agro brasileiro”, conclui.

 





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Queda nos embarques de soja marca início da safra nos EUA


Os embarques de soja dos Estados Unidos começaram o ano comercial 2025-26 de forma atipicamente lenta, marcando o pior desempenho para o período inicial em mais de uma década. Entre setembro e novembro, primeiro trimestre da temporada, o volume inspecionado para exportação ficou bem abaixo do padrão histórico, refletindo dificuldades comerciais e mudanças no fluxo logístico.

No total, foram embarcadas 12,3 milhões de toneladas de soja, queda de 46% em relação à média dos últimos cinco anos e o menor nível desde 2011-12. Parte desse volume, 1,4 milhão de toneladas, foi transportada em contêineres, participação superior à média recente. Tradicionalmente, as exportações norte-americanas atingem o pico entre outubro e novembro, quando os preços se tornam mais competitivos frente à soja sul-americana, o que não se confirmou nesta temporada.

A China, principal compradora histórica, retardou as aquisições em meio a uma disputa comercial. O primeiro carregamento da nova safra foi comprado apenas no fim de outubro, e o primeiro embarque ocorreu no final de novembro. No trimestre, o país recebeu somente um navio, com cerca de 49 mil toneladas. A distribuição regional dos embarques também mostrou forte retração. O Golfo do Mississippi respondeu por 7,6 milhões de toneladas, enquanto o Noroeste do Pacífico registrou apenas 700 mil toneladas, o menor volume para um primeiro trimestre desde o final da década de 1990.

Em contraste, o México assumiu a liderança como principal destino da soja norte-americana no período, com volumes acima da média, impulsionados principalmente pelo transporte ferroviário. O Golfo do Texas também ganhou relevância, beneficiado por fretes marítimos mais competitivos, alcançando o maior volume para o período desde 2020-21.

Enquanto a soja perdeu espaço, o milho apresentou desempenho oposto. Com oferta elevada e maior disponibilidade logística, os embarques atingiram 19,9 milhões de toneladas no primeiro trimestre, mais que o dobro da média histórica e um recorde para o período. O avanço foi puxado tanto pelo Golfo do Mississippi quanto pelo Noroeste do Pacífico, que compensou parte da queda nos embarques de soja.

 





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Soja avança, mas excesso de chuva afeta ritmo no RS



Emater projeta 6,7 milhões de hectares de soja no Rio Grande do Sul



Foto: Canva

A semeadura da soja no Rio Grande do Sul atingiu 93% da área projetada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (1). O avanço dos trabalhos foi desacelerado nas últimas semanas em razão da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos períodos de tempo seco, que dificultaram a redução adequada da umidade do solo para a operação das semeadoras. Conforme o levantamento, “houve uma desaceleração significativa no período em função da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos intervalos de tempo seco”.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a maior parte das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo, correspondendo a 93% das áreas cultivadas, enquanto 7% dos cultivos mais precoces já iniciaram o florescimento. As áreas implantadas no início da janela de plantio apresentam bom desenvolvimento em função da disponibilidade hídrica, das temperaturas elevadas e da radiação solar registrada no período. O informativo aponta que “as melhores lavouras estão implantadas em solos bem estruturados, com maior teor de matéria orgânica e cobertura vegetal adequada”.

Por outro lado, em áreas com solos mais compactados ou com menor cobertura, foram observadas ocorrências de erosão laminar e em sulcos, especialmente em lavouras em fase de emergência. Também houve registros de desuniformidade na emergência, falhas de estande e necessidade pontual de replantio em semeaduras realizadas sob condições menos favoráveis de umidade, sobretudo após períodos de déficit hídrico seguidos por chuvas intensas.

O documento destaca ainda que, em algumas regiões, especialmente no Noroeste do Estado, os acumulados pluviométricos de dezembro superaram a média histórica. A situação resultou em danos à infraestrutura rural, com prejuízos em estradas vicinais, alagamentos pontuais em lavouras situadas em áreas ribeirinhas e de relevo mais baixo, além de erosão mais acentuada em coxilhas mal conservadas.

Quanto ao aspecto fitossanitário, a incidência de pragas e doenças permanece baixa. No entanto, o manejo tem sido condicionado pela elevada umidade do ambiente, levando parte dos produtores à adoção de aplicações preventivas de fungicidas. Para a safra 2025/2026, a Emater/RS-Ascar projeta o cultivo de 6.742.236 hectares de soja no Rio Grande do Sul, com produtividade média estimada em 3.180 quilos por hectare.





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Florescimento da soja é etapa decisiva para uma boa colheita


O florescimento da soja marca uma das fases mais estratégicas do ciclo da cultura, pois é nesse período que se define grande parte dos componentes de produtividade. Aspectos fisiológicos, ambientais e de manejo atuam de forma integrada e podem favorecer ou limitar o pegamento de flores e a formação de vagens, refletindo no rendimento final da lavoura.

Entre os principais fatores que influenciam o florescimento estão o fotoperíodo, a temperatura, a disponibilidade hídrica e a nutrição da planta. Fotoperíodo e temperatura atuam conjuntamente sobre o desenvolvimento da soja, sendo que cada cultivar apresenta exigências específicas de soma térmica para completar seu ciclo. Já o déficit hídrico reduz a divisão e o alongamento celular, diminui a área foliar e o porte das plantas, resultando em menor formação de nós. Como consequência, ocorre redução no número de flores, vagens e grãos, afetando diretamente os componentes de produção.

A nutrição equilibrada também é determinante nessa fase. Todos os macro e micronutrientes são importantes, mas alguns se destacam durante o florescimento da soja, como fósforo, potássio, cálcio, boro, magnésio, cobalto e molibdênio. Esses nutrientes estão diretamente ligados à formação das flores, à polinização, ao transporte de carboidratos, à nodulação e ao enchimento de grãos. Deficiências nutricionais, especialmente de cálcio e boro, podem provocar baixa formação de flores e vagens.

Segundo o especialista Roni Guareschi, representante comercial da Conceito Agrícola, além dos fatores abióticos, questões de manejo também interferem no florescimento e, por isso, requerem planejamento e correta execução das práticas agrícolas neste momento. “As análises de solo e foliar permitem identificar e corrigir desequilíbrios nutricionais que comprometem o desenvolvimento da planta e aumentam o risco de abortamento. A escolha de sementes de alta qualidade, de variedades adaptadas à região, o respeito à janela de plantio e um manejo eficiente de pragas e doenças são fundamentais para garantir um florescimento uniforme e dentro do potencial de cada cultivar”, afirma.

Florescimento e o início do verão

A qualidade da semente utilizada na implantação da lavoura exerce forte influência no florescimento. Sementes com alto vigor, boa germinação e sanidade favorecem um estabelecimento mais rápido e uniforme, com sistema radicular mais desenvolvido e maior eficiência na absorção de água e nutrientes, resultando em maior número de flores, vagens e grãos.

Nesse contexto, o suporte técnico especializado contribui para decisões mais assertivas ao longo do ciclo. “Além de auxiliar na escolha da variedade mais adequada para cada região e condição climática, o time de campo da Conceito Agrícola orienta o produtor durante toda a safra com análises de solo e foliar e na seleção correta dos insumos para promover estandes mais uniformes e maior segurança na floração e formação de vagens”, destaca Guareschi.

Com a lavoura em fase reprodutiva e sob condições típicas do início do verão, o produtor deve ter ainda mais atenção ao manejo. “Monitorar a nodulação da soja, acompanhar pragas e doenças de forma contínua e adotar estratégias para estimular o máximo potencial fisiológico da planta são cuidados essenciais para minimizar os efeitos dos estresses abióticos e preservar o desempenho da cultura”, conclui

 

 





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Brasil registra recorde de bioinsumos em 2025


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou o balanço anual dos registros de agrotóxicos e afins concedidos ao longo de 2025, com dados consolidados no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins, publicado no Diário Oficial da União. O levantamento aponta um recorde histórico na liberação de produtos biológicos e destaca avanços na modernização do marco regulatório do setor.

De acordo com o Mapa, ao longo de 2025 foram concedidos registros para um ingrediente ativo de origem química inédito, além de 101 produtos equivalentes ou genéricos e 15 produtos classificados como bioinsumos. No total, o país encerrou o ano com 912 registros concedidos, dos quais 323 correspondem a produtos técnicos destinados exclusivamente ao uso industrial, sem comercialização direta ao agricultor. O destaque ficou para os bioinsumos, que somaram 162 registros, o maior número já registrado no Brasil, incluindo produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive para uso na agricultura orgânica.

O balanço também registra a liberação de seis novos produtos técnicos inéditos e de 19 produtos formulados à base de ingredientes ativos novos, ampliando o portfólio fitossanitário disponível no país. Segundo o próprio texto, “a introdução de ingredientes ativos novos no mercado brasileiro representa um avanço estratégico para o fortalecimento da defesa fitossanitária e da competitividade agrícola”, ao ampliar os modos de ação disponíveis, fortalecer o manejo integrado de pragas e doenças e reduzir riscos de resistência.

Em 2025, foram incorporados ao mercado brasileiro os ingredientes ativos Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A inclusão dessas moléculas, conforme o documento, contribui para maior eficiência no controle fitossanitário, estimula a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e reforça a posição do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

O Mapa informa que, do total de registros concedidos, predominaram os produtos equivalentes, cujo objetivo é ampliar a concorrência, assegurar o abastecimento e reduzir custos ao produtor rural. O ministério destaca ainda que parte relevante das liberações decorre de determinações judiciais relacionadas ao não cumprimento de prazos legais, incluindo processos protocolados originalmente em 2015 e 2016.

No campo regulatório, o órgão editou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, com o objetivo de aumentar a transparência, a previsibilidade e a eficiência da análise. A norma uniformiza e centraliza o protocolo, a distribuição e a tramitação dos pedidos de registro e pós-registro. Desde 15 de setembro de 2025, todos os novos pleitos passaram a ser protocolados exclusivamente pelo Sistema Eletrônico de Informações do Mapa. O texto ressalta que “processos distribuídos antes dessa data mantêm seus fluxos originais, preservando a segurança jurídica”, e esclarece que a distribuição não substitui o pagamento das taxas de avaliação devidas a cada órgão competente.

O ministério também esclarece que o número de registros concedidos não está diretamente relacionado ao volume de defensivos aplicados no campo. Segundo o Mapa, “a demanda pelo uso desses insumos depende de fatores técnicos, como área cultivada, pressão de pragas, condições climáticas e sistemas de manejo”. Dados nacionais citados no balanço indicam que, em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não chegaram a ser comercializados.

O processo de registro de agrotóxicos no Brasil, conforme reforça o texto, é rigoroso e tripartite, envolvendo análises técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ibama e do próprio Mapa. O registro final é concedido apenas após parecer favorável dos três órgãos, em conformidade com a legislação vigente. Em 2025, o Mapa também intensificou as ações de fiscalização e controle, com chamamentos públicos para atualização documental e revisão técnica de produtos. Foram publicados avisos envolvendo ingredientes ativos como Glifosato, 2,4-D, Glufosinato, Atrazina, Clofenapir, Acefato, Metomil e Epoxiconazol. Como resultado inicial dessas ações, o Ato nº 61, de 22 de dezembro de 2025, determinou a suspensão cautelar dos registros de 34 produtos agrotóxicos. No mesmo período, ações de fiscalização executadas pelo ministério resultaram na apreensão de 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.

As iniciativas integram a agenda de aprimoramento regulatório iniciada com a Lei nº 14.785/2023. O Mapa informa que segue coordenando, em conjunto com a Anvisa e o Ibama, a implementação do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica, previsto para lançamento em 2026.





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