segunda-feira, março 9, 2026

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Bioinsumos e fertilizantes são alternativas viáveis para o déficit hídrico na safra de soja de 2026


Os bioinsumos são altamente eficazes contra déficit hídrico na soja, complementando fertilizantes com mecanismos biológicos que aumentam raízes em 20-30% e regulam hormônios de estresse. Microrganismos como Azospirillum, Bacillus e micorrizas melhoram absorção de água e nutrientes sob seca, recuperando 10-20% da produtividade perdida em florescimento 

Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a força da safra está diretamente ligada à qualidade dos insumos utilizados: “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura.”

Os fertilizantes foliares são uma das principais alternativas viáveis para a safra de soja 2026/27 no Brasil, especialmente sob chuvas irregulares no Centro-Oeste. A adoção já atinge 46,7% da área cultivada (soja 62% do total), com crescimento anual de 20%, comprovando eficácia prática em cenários climáticos adversos.

A previsão climática para 2026 no Rio Grande do Sul, por exemplo, indica um ano de transição: começa sob influência da La Niña, passa para neutralidade entre o fim do verão e o outono e pode evoluir para um episódio de El Niño entre o inverno e a primavera. Além disso, a meteorologista ressalta que fenômenos de curto prazo, menos previsíveis, podem ocorrer ao longo do ano e alterar temporariamente o padrão climático esperado, mesmo dentro desse cenário geral. 

Apesar de ser um momento em que há muita adversidade climática, este não é um fator que irá determinar tanto o desempenho da safra de soja para o ano de 2026, que deve ser recorde no Brasil, superando 2025/26 apesar de chuvas irregulares localizadas. Abiove projeta 177,7 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 3,4%  (172,1 milhões de toneladas) em relação a  2025.





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Paraná registra 88 casos de ferrugem-asiática da soja


De acordo com o Consórcio Antiferrugem,  a safra de soja 2025/2026 conta com 144 registros de ferrugem-asiática da soja, uma das doenças mais severas para a cultura da soja: sendo 88 casos no Paraná, 44 no Mato Grosso do Sul, 5 no Rio Grande do Sul, 4 em São Paulo, 2 em Santa Catarina e 1 registro em Minas Gerais. Ao se comparar o mesmo período do ano passado, observa-se que o Paraná havia registrado 41 no início de janeiro. Portanto, o Paraná tem o dobro das ocorrências da safra passada. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar Fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem.”, destaca a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa soja.

Na avaliação da pesquisadora, a maior ocorrência de relatos de ferrugem-asiática da soja na região Sul do Brasil está relacionada a maior sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura, na região, e ao monitoramento da doença. A pesquisadora afirma que o clima mais úmido durante o inverno, no Sul, favorece a sobrevivência da soja voluntária — plantas que nascem espontaneamente após a colheita — e, consequentemente, do fungo causador da ferrugem. “Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo”, explica. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, diz a pesquisadora.

O vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja –  determina a eliminação das plantas de soja. “Mesmo assim, há presença significativa dessas plantas em meio a outras lavouras na região Sul, o que contribui para a manutenção da doença”, diz. Outro fator apontado pela pesquisadora é a janela de semeadura. “Estados como o Paraná iniciam o plantio já no dia 1º de setembro, assim como regiões do Paraguai. Quanto mais cedo se semeia, mais cedo a ferrugem começa a aparecer, principalmente quando há proximidade com fontes de inóculo”, afirma Godoy.

Além disso, o número elevado de relatos no Sul também está ligado à metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município, e o Paraná, por exemplo, possui um número maior de municípios em comparação a outros estados. “Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. E as regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, explica Cláudia.

No Centro-Oeste brasileiro, por outro lado, a colheita se aproxima e a ferrugem tende a causar menos impacto. “Os produtores estão conseguindo maior “escape” da doença. Porém, nessa região, outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica”, ressalta Cláudia.

Orientações ao produtor

Com o avanço da resistência do fungo causador de ferrugem-asiática aos fungicidas há a necessidade do uso de produtos multissítios em associação. Esses fungicidas atacam o fungo em múltiplos pontos do seu metabolismo simultaneamente, por isso, o risco de o fungo desenvolver resistência a eles é mais baixo. “Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma.

Os produtores podem baixar o aplicativo do Consórcio Antiferrugem na Google Play e Apple Store e acompanhar os dados do Consórcio Antiferrugem.  A eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado pode ser consultada no aplicativo “Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja” no site da rede de fitossanidade tropical (RFT), com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras. As circulares técnicas com ensaios detalhados para ferrugem-asiática são disponibilizadas no site da RFT.





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Boi gordo fecha a semana sem mudanças em SP



Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo



Foto: Divulgação

O mercado do boi gordo manteve estabilidade em São Paulo nesta sexta-feira (9), segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. O levantamento aponta que, como é comum para o último dia útil da semana, o volume de negócios foi reduzido.

De acordo com a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas de abate mais confortáveis apresentaram menor participação no mercado, atuando apenas em oportunidades pontuais. Já as unidades que permaneceram ativas negociaram nos preços vigentes. O informativo registra que “havia relatos de negócios acima da referência, mas ainda insuficientes para estabelecer um padrão de preços”.

A análise indica que a oferta de boiadas foi suficiente para atender à demanda, enquanto o escoamento da carne seguiu em ritmo considerado adequado, o que contribuiu para o equilíbrio do mercado. Conforme o relatório, “na comparação feita dia a dia, os preços permaneceram estáveis para todas as categorias”. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias.

Para a próxima segunda-feira, a Scot Consultoria projeta a manutenção do cenário observado. Segundo o informativo, “o bom desempenho do escoamento da carne deverá dar sustentação ao mercado”.

Em Mato Grosso, o cenário foi semelhante. A análise aponta que a oferta vigente atendeu à demanda, sem formação de sobras, com a maior parte dos frigoríficos operando com escalas confortáveis. De acordo com a Scot Consultoria, as vendas de carne mantiveram o mercado equilibrado, resultando em estabilidade de preços na comparação diária em todas as categorias nas quatro praças do estado.

Ainda conforme o informativo “Tem Boi na Linha”, as escalas de abate em Mato Grosso atendiam, em média, entre sete e dez dias.





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Janela de plantio de soja sequeiro termina no dia 15 de janeiro



Produtores rurais têm até cinco dias úteis para fazer o cadastro obrigatório


Foto: Majuh Souza / Governo do Tocantins

O Governo do Tocantins, por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), orienta os produtores rurais a ficarem atentos ao fim do prazo da janela do plantio de soja sequeiro da safra 2025/2026, que encerra na próxima quinta-feira, 15 de janeiro. Na última safra foram cadastradas junto à Adapec, uma área cultivada de mais de 1,46 milhão de hectares de soja no Tocantins, com 2,7 mil propriedades cadastradas.

O responsável técnico pelo Programa Estadual de Controle da Ferrugem Asiática da Soja no Tocantins, Cleovan Barbosa destacou que a calendarização do plantio de soja é uma das medidas adotadas pelo Tocantins para fazer o controle da ferrugem asiática, principal praga que ataca a cultura da oleaginosa.

Ele também ressaltou a importância do cadastro das áreas cultivadas para as ações de defesa realizadas pela Adapec no controle de pragas. “O cadastro das áreas cultivadas de soja é obrigatório e o produtor tem até cinco dias úteis após o fechamento da janela de plantio para fazer este cadastro na Adapec. É importante que o produtor faça este cadastro, pois é por meio dele que realizamos o monitoramento de pragas como a ferrugem asiática entre outras,” alertou Cleovan Barbosa.

Cadastro

Para realizar o cadastramento, o produtor rural deve apresentar a documentação exigida disponível no endereço eletrônico www.to.gov.br/adapec efetuar o pagamento e entregar a documentação na unidade da Agência do seu município, até cinco dias úteis, após o fim da janela de plantio, ou seja, até o dia 22 de janeiro. O sojicultor que descumprir as normas poderá sofrer as sanções previstas na legislação.





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Perspectivas distintas marcam o mercado de milho



Na B3, o milho encerrou a quarta-feira em baixa


Na B3, o milho encerrou a quarta-feira em baixa
Na B3, o milho encerrou a quarta-feira em baixa – Foto: Pixabay

O mercado de milho apresentou movimentos distintos nos principais referenciais de preços, refletindo um início de ano marcado por negociações mais lentas e ajustes de posicionamento. No Brasil, as cotações futuras recuaram, enquanto no mercado internacional o cereal encontrou sustentação em fatores ligados à demanda, resultando em altas moderadas ao longo do dia. De acordo com a TF Agroeconômica, esse comportamento oposto evidencia dinâmicas específicas de oferta e procura em cada praça.

Na B3, o milho encerrou a quarta-feira em baixa, em um cenário de menor ritmo de negócios típico do começo do ano. O avanço ainda tímido da colheita da primeira safra contribui para maior tranquilidade na formação de estoques e reduz a urgência por compras, tornando a cobertura mais organizada. Ao mesmo tempo, produtores passam a buscar preços mais atrativos antes de intensificar a colheita da soja, o que também influencia a formação das cotações.

Nesse contexto, os contratos futuros apresentaram perdas ao longo do dia e da semana. O vencimento janeiro de 2026 fechou a R$ 69,00, com recuo diário de R$ 0,47 e queda semanal de R$ 1,28. O contrato março de 2026 encerrou a R$ 73,07, registrando baixa de R$ 0,83 no dia e de R$ 1,40 na semana. Já o vencimento maio de 2026 foi cotado a R$ 72,51, com desvalorização diária de R$ 0,74 e semanal de R$ 1,34.

Em Chicago, o milho seguiu direção oposta e fechou em alta, sustentado por uma demanda considerada aquecida. O contrato março avançou 0,62%, para 446,75 centavos de dólar por bushel, enquanto o vencimento maio teve alta de 0,61%, encerrando a 454,00 centavos de dólar por bushel.

 





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Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul



O protesto foi convocado pela Coordenação Rural


O protesto foi convocado pela Coordenação Rural
O protesto foi convocado pela Coordenação Rural – Foto: Reprodução

A mobilização de agricultores em grandes centros urbanos voltou a expor tensões entre o setor agropecuário e as políticas comerciais e sanitárias adotadas na Europa. Em meio a discussões sobre acordos internacionais e medidas de controle de doenças animais, manifestações recentes evidenciam o descontentamento de produtores com decisões que consideram prejudiciais à atividade rural.

Cerca de uma centena de tratores entrou em Paris na madrugada de quarta para quinta-feira, bloqueando ruas e avenidas centrais próximas a pontos turísticos e sedes institucionais. Apesar de um decreto que proibia manifestações não autorizadas em áreas sensíveis, parte dos agricultores conseguiu avançar até regiões como o entorno da Torre Eiffel, a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, enquanto outros veículos foram contidos nas entradas da capital. A mobilização causou congestionamentos significativos em rodovias de acesso à cidade.

O protesto foi convocado pela Coordenação Rural, sindicato que se opõe ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul e critica a condução do governo francês no enfrentamento da dermatose nodular contagiosa, doença viral que afeta bovinos. Os manifestantes pedem mudanças na política sanitária, especialmente no que se refere ao abate sistemático de animais infectados e às restrições de movimentação impostas aos rebanhos.

No debate interno do setor, há divergências entre sindicatos. Enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola defende as medidas adotadas pelo governo como necessárias para conter a doença, outras entidades argumentam que apenas os animais doentes deveriam ser abatidos, com vacinação em escala nacional para o restante do gado.

O contexto político amplia a tensão. A França mantém oposição ao acordo entre a UE e o Mercosul e tenta articular uma minoria de bloqueio no bloco europeu, mesmo diante de posições mais favoráveis de países como a Itália. Paralelamente, o governo anunciou medidas para restringir importações agrícolas que não atendam aos padrões sanitários e ambientais europeus, buscando responder às pressões do campo.

 





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Negócios de milho seguem pontuais


No Rio Grande do Sul, as negociações de milho seguem pontuais, concentradas entre cooperativas e pequenas indústrias, mantendo a liquidez limitada no mercado spot, segundo informações da TF Agroeconômica. “As referências continuam bastante amplas, variando entre R$ 58,00 e R$ 72,00/saca, enquanto o preço médio estadual recuou 1,52%, para R$ 62,18/saca, refletindo ajustes localizados e a baixa participação dos compradores”, comenta.

O mercado catarinense de milho começou 2026 sem sinais de reação, refletindo a ampla distância entre pedidas e ofertas e o ritmo mais lento típico deste período do ano. “Produtores seguem indicando valores próximos de R$ 80,00/saca, enquanto as indústrias permanecem ao redor de R$ 70,00/saca, cenário que continua impedindo avanços nas negociações”, completa.

O mercado paranaense de milho iniciou o ano em ritmo lento. “Produtores seguem indicando valores próximos de R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias trabalham ao redor de R$ 70,00/saca CIF, cenário que preserva o impasse e limita a liquidez no mercado spot, com negócios pontuais e sem força para alterar o quadro geral”, indica.

O mercado de milho em Mato Grosso do Sul iniciou 2026 com negociações limitadas. “As referências seguem concentradas entre R$ 53,00 e R$ 58,00/saca, com Campo Grande e Sidrolândia nos níveis mais baixos, enquanto Maracaju e Chapadão do Sul registraram leves avanços, sem alterar de forma significativa o cenário geral”, informa.

O mercado goiano de milho segue operando com baixa fluidez, mesmo após os ajustes observados nas últimas semanas. “As referências permanecem concentradas entre R$ 57,00 e R$ 59,00/saca, porém, após atingir o topo estadual, Anápolis passou por ajuste negativo”, conclui.

 





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Mercado de trigo segue travado no Sul do país



Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado


Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado
Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado – Foto: Seane Lennon

O mercado de trigo no Sul do país segue marcado por lentidão nos negócios e pouca disposição de compra por parte da indústria, em um ambiente influenciado por fatores externos e pela postura cautelosa dos moinhos. Segundo a TF Agroeconômica, o avanço do dólar e a elevação do preço do trigo argentino provocaram alta expressiva no custo do produto importado nesta semana.

No Rio Grande do Sul, a ausência dos moinhos mantém o mercado praticamente travado, sem registros de negociações relevantes. O aumento combinado do câmbio e das cotações do trigo argentino resultou em elevação de R$ 82 por tonelada no preço final do produto importado. A estimativa é de que cerca de 1,55 milhão de toneladas da safra nova já tenham sido comercializadas, volume que representa entre 42% e 44% da produção. 

Os preços referenciais para trigo destinado à moagem variam de R$ 1.100 a R$ 1.150 por tonelada nos moinhos locais, enquanto no porto os valores chegam a R$ 1.180 para dezembro e R$ 1.190 para janeiro. O trigo para ração é indicado a R$ 1.120 em dezembro e R$ 1.130 em janeiro, com preço de pedra em R$ 54,00 por saca na região de Panambi. A avaliação é de um mercado confortável do lado da indústria, sem urgência para novas aquisições.

Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado, com moinhos entrando em período de férias e limitados a embarcar apenas os lotes já adquiridos. As negociações ocorrem de forma pontual e sem expressão, acompanhando a venda gradual de farinhas, cujos contratos começam a ser firmados lentamente.

No Paraná, a dinâmica permanece semelhante, com ausência de vendedores e moinhos concentrados em compras a partir de fevereiro. Os preços nominais no norte do estado giram em torno de R$ 1.250 por tonelada CIF moinho, enquanto vendedores pedem R$ 1.300 para janeiro. Nos Campos Gerais, há ofertas de R$ 1.170 para entrega em janeiro e pagamento em fevereiro, e de R$ 1.200 para entrega em fevereiro.

 





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Paraná será responsável pelo banco brasileiro de antígenos e vacinas contra…


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou nesta quinta-feira (18) que o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) será o responsável pela criação do primeiro banco brasileiro de antígenos e vacinas contra febre aftosa, um estoque estratégico de insumos para a formulação rápida de vacinas em eventuais casos de surto da doença. Pelo projeto inédito, o Tecpar passa a deter os insumos necessários para disponibilizar, em todo o território nacional, em 72 horas, vacinas para o ministério utilizar emergencialmente contra a doença.

O contrato assinado em Brasília entre Mapa e Tecpar prevê a criação do banco com 10 milhões de doses de antígenos de dois sorotipos do vírus de febre aftosa que mais circularam no Brasil. O contrato de 10 anos prevê ainda o fornecimento imediato de até 10 milhões de doses da vacina para o ministério, em casos de eventuais surtos.  

Desde 2021, o Paraná é reconhecido internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status concedido ao Brasil pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio de 2025. Uma das formalidades exigidas pela OMSA a um país que recebe o título de zona livre de febre aftosa sem vacinação é, justamente, deter um estoque de antígenos e vacinas para resposta rápida em casos de surto, de forma a ser feito o controle imediato da doença. 

Segundo o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a proposta da criação do banco, idealizada pelo instituto, representa uma importante contribuição do Paraná para garantir a segurança sanitária no Brasil e a manutenção do atual status sanitário brasileiro.

“Mais uma vez o Governo do Paraná e suas instituições se colocam à disposição do país, para apoiar um setor estratégico brasileiro que é o agronegócio. Há 85 anos o Tecpar atua como laboratório público com oferta de soluções na área de saúde animal e humana e agora abre uma nova frente, com o banco brasileiro de antígenos e vacinas contra febre aftosa”, disse.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, salientou que a criação do banco é um passo histórico do fortalecimento da pecuária brasileira e que faz parte do crescimento do setor manter a sanidade do rebanho, de forma a oferecer produtos seguros para toda a população brasileira e também para exportação.

“É muito difícil manter esse status sem a vacina e estamos fazendo a nossa parte hoje, com investimentos na criação do banco, com essa parceria com o Tecpar, que é uma referência nesta área e com outras vacinas, além da parceria internacional com a empresa Biogenesis Bagó. Esse é um investimento na preparação de um futuro tranquilo e que vai permitir que a carne brasileira acesse os mercados mais remuneradores e mais exigentes”, afirmou.

BANCO – A partir da assinatura do contrato, o Tecpar passa a ser o único laboratório público do país a manter um banco brasileiro de antígenos e vacinas contra a febre aftosa. Para isso, o Tecpar conta com a parceria com a empresa argentina Biogenesis Bagó, com a qual, em março de 2025, firmou um acordo de cooperação tecnológica para a transferência e internalização de tecnologia.

Reconhecida internacionalmente na área de febre aftosa, sendo responsável pelo banco de antígenos da Argentina desde 2000, dos EUA e Canadá desde 2006, além de países como Taiwan e Coreia do Sul, a Biogenesis Bagó passa a ser o braço tecnológico do Tecpar para a produção das vacinas, bem como para o controle de qualidade e armazenamento dos antígenos.

A criação do banco de antígenos evita o desperdício de doses de vacinas, já que elas têm validade menor do que a dos antígenos produzidos (diferença de oito anos). Além disso, permite flexibilidade de escolha das cepas, evitando o desperdício de vacinas que poderiam ter sido produzidas antes do eventual surto da doença.

“A infraestrutura do nosso parceiro tecnológico vai garantir, por meio do Tecpar, acesso ao Brasil aos antígenos para formulação rápida das vacinas, além de transferência de conhecimento para os técnicos do instituto, que passarão a se integrar ao processo produtivo da vacina. Com isso, o Tecpar se tornará referência como laboratório público no controle da febre aftosa”, salienta Marafon.

SAÚDE ÚNICA – Com esta nova frente de trabalho o Tecpar reforça o compromisso em fortalecer a Saúde Única no Brasil, abordagem que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental. Para isso, o instituto tem investido na ampliação da sua estrutura e em novos projetos e parcerias, visando a autossuficiência do país na produção de imunizantes e insumos veterinários.

Além de seguir como o único fornecedor da vacina antirrábica veterinária ao Ministério da Saúde, com 25 milhões de doses fornecidas em 2025, o Tecpar está finalizando a construção do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), que irá produzir insumos para o diagnóstico da brucelose, tuberculose e leucose bovina.





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Brasil eleva exigência regulatória no mercado agrícola



Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia


Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia
Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia – Foto: Divulgação

O balanço anual de registros de defensivos agrícolas e bioinsumos divulgado no início de 2026 revela mudanças relevantes no funcionamento do mercado agrícola brasileiro. O documento apresenta um retrato de como o país vem ajustando regras, prioridades e instrumentos regulatórios, reposicionando-se no cenário global do setor. Com 912 registros aprovados em 2025, incluindo um número recorde de bioinsumos, a ampliação do uso de ferramentas digitais e a liberação de novos ingredientes ativos, o Brasil consolida uma transição que vai além da expansão quantitativa.

Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia de suprimento de defensivos, com 323 aprovações voltadas exclusivamente ao uso industrial. No entanto, a dinâmica competitiva desse segmento passa por mudanças. Formuladores locais e empresas multinacionais passaram a valorizar mais a previsibilidade regulatória, a consistência de qualidade e a estabilidade do fornecimento, reduzindo o peso de estratégias centradas apenas em preço. A normalização dos prazos de análise, após a redução de filas históricas de processos, também diminui vantagens obtidas por movimentos oportunistas.

Ao mesmo tempo, os bioinsumos se destacam como o vetor mais visível de crescimento estrutural. Foram 162 registros aprovados no ano, o maior volume já observado, abrangendo produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, botânicos e reguladores de crescimento. Esse avanço está associado à pressão por soluções com menor resíduo, ao aumento da resistência em grandes culturas e à priorização regulatória de tecnologias com menor risco ambiental e à saúde.

Outro ponto relevante é a aprovação de seis ingredientes ativos inéditos e de 19 produtos formulados baseados em novas moléculas. Em um contexto internacional de restrições regulatórias e redução de investimentos em pesquisa, o movimento indica um esforço para reposicionar o país como mercado inicial ou estratégico para novas tecnologias, ainda que os custos e exigências técnicas permaneçam elevados.





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