sábado, março 14, 2026

Política & Agro

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Menos chuva e mais calor? Saiba como o La Niña vai atuar no RS



Produtor precisa evitar concentrar todo o plantio em uma única janela



Foto: USDA

Os efeitos do fenômeno La Niña no verão de 2025 devem ser sentidos no início da estação no Rio Grande do Sul, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (6/11) por especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Embrapa. O alerta foi feito durante apresentação do prognóstico climático do trimestre, realizada na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA/RS), em Porto Alegre.

A previsão aponta para temperaturas entre 0,5°C e 1°C acima da média histórica, com redução das chuvas em cerca de 50 milímetros mensais, cenário típico de uma La Niña de curta duração e intensidade moderada. “É um momento que exige cautela. Não há previsão de frustração, mas tampouco expectativa de supersafra”, ponderou o superintendente do MAPA/RS, José Cleber de Souza.

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As áreas mais vulneráveis aos efeitos da estiagem, como a Campanha, Fronteira Oeste, Sul e Missões, devem adotar estratégias específicas para mitigar perdas. O agrometeorologista Gilberto Cunha, da Embrapa trigo, recomenda ampliar o calendário de semeadura e utilizar cultivares de ciclos distintos, respeitando as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por tipo de solo.

“O produtor precisa evitar concentrar todo o plantio em uma única janela. Essa é uma forma de distribuir o risco climático ao longo da safra”, explica Cunha.

A compactação do solo, frequentemente ignorada, pode intensificar os efeitos da estiagem ao impedir a infiltração de água. “O problema agronômico vem antes do econômico. E as boas práticas de manejo já são de conhecimento público”, reforçou Jorge Lemainski, chefe-geral da Embrapa Trigo.

 

 





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Telemetria reduz perdas e custos no transporte de ovos



“Mostramos que tecnologia não é apenas rastrear veículos”


 “Mostramos que tecnologia não é apenas rastrear veículos"
“Mostramos que tecnologia não é apenas rastrear veículos” – Foto: Divulgação

A tecnologia tem transformado a eficiência logística do agronegócio. Segundo dados da Corpvs, uma das maiores empresas de segurança privada do Brasil, a parceria com a produtora de ovos Avine resultou na preservação de 1,3 milhão de ovos e na economia de quase R$ 1 milhão em combustível. A informação foi divulgada em novembro de 2025, durante a apresentação do case de telemetria que tem se tornado referência no setor avícola.

Com monitoramento em tempo real, o sistema implantado pela Corpvs permite acompanhar o desempenho dos motoristas, corrigir rotas e controlar a temperatura das cargas. A iniciativa reduziu as perdas em 31,6%, poupou 148 mil litros de diesel e evitou o corte de 2.343 árvores. Além de garantir a integridade dos ovos transportados, a tecnologia assegura maior eficiência operacional e sustentabilidade.

“Identificamos que parte do desperdício estava ligada ao alto tempo de motor ligado durante as paradas e às manobras bruscas, que causavam avarias. A partir da telemetria, passamos a monitorar e corrigir cada etapa da operação”, explica Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs. “Mostramos que tecnologia não é apenas rastrear veículos, mas gerir inteligentemente toda a cadeia logística, reduzindo desperdícios e promovendo eficiência sustentável”, reforça Buriti.

Fundada há 50 anos, a Corpvs tem presença nos 27 Estados brasileiros e cresceu 18% em faturamento em 2024. A empresa prevê investir R$ 20 milhões em 2025 na modernização de suas operações e no fortalecimento de seus serviços digitais, consolidando a combinação entre segurança, inovação e compromisso ambiental.

 





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Brasil tem déficit de 8 milhões de análises de solo por ano, indica IBRA megalab


O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, enfrenta um gargalo silencioso que ameaça sua competitividade, a falta de diagnóstico adequado dos solos cultivados. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Análises Agronômicas (IBRA megalab), baseada em percepções técnicas da Embrapa Solos, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), o país apresenta um déficit anual de cerca de 8 milhões de análises de solo — o equivalente a R$ 1 bilhão em potencial econômico não aproveitado somente entre os laboratórios de solo do país.

Esse “gap analítico” indica que milhões de hectares são manejados sem base científica sobre a fertilidade do solo, resultando em ineficiência no uso de insumos, perdas de produtividade e aumento de impactos ambientais. Apesar do avanço da agricultura de precisão, o diagnóstico agronômico ainda não acompanha a expansão da área cultivada. “Sem análise de solo, não há agricultura de precisão possível. O manejo torna-se impreciso e a eficiência agronômica cai drasticamente. Trata-se de um desafio nacional, que precisa ser enfrentado com ciência, dados e estrutura”, afirma Armando Parducci, diretor do IBRA megalab. 

O impacto econômico do déficit é expressivo. Estima-se que a ausência de análises adequadas, por exemplo, represente cerca de R$ 7 bilhões em perdas somente na safra de soja, decorrentes de aplicações incorretas de fertilizantes, desequilíbrios nutricionais e menor eficiência do uso da terra. Além disso, a falta de dados de solo limita o avanço de programas de sustentabilidade, rastreabilidade e de agricultura de baixo carbono. “Conhecer o solo é o primeiro passo para produzir de forma eficiente e sustentável. Ampliar a base analítica do país é essencial para transformar conhecimento agronômico em vantagem competitiva”, reforça Parducci.

Entre as causas do problema estão o custo logístico da coleta de amostras, a baixa capilaridade dos laboratórios, o tempo de processamento das análises e a ausência de integração digital entre campo e laboratório. A consequência é uma lacuna técnica que compromete a tomada de decisão de produtores e consultores em todo o país. Com o uso de inteligência artificial e mapeamento digital do solo, o IBRA Megalab projeta escala, precisão e sustentabilidade para expandir o diagnóstico agronômico nacional.

Digital Soil Mapping (DSM)

A resposta do IBRA Megalab para ampliar a escala do diagnóstico de solo está no Digital Soil Mapping (DSM), tecnologia que combina dados laboratoriais, geoespaciais e algoritmos de inteligência artificial para gerar mapas digitais preditivos de alta resolução.

Com o DSM, é possível ampliar a cobertura de informações do solo sem depender exclusivamente do número físico de coletas, o que permite chegar a áreas historicamente pouco monitoradas e acelerar o ritmo de diagnóstico nacional. “O sistema integra variáveis como carbono total, teor de argila, pH, textura e matéria orgânica, gerando modelos digitais contínuos que representam com alta fidelidade a variabilidade do solo.”

Além disso, o IBRA Megalab utiliza infraestrutura de laboratórios regionais, plataformas digitais integradas e sistemas de IA para processar e atualizar os dados em tempo real. “O Digital Soil Mapping não substitui a análise de solo tradicional, mas a expande. Combinando dados laboratoriais com modelagem digital, conseguimos aumentar a escala de diagnóstico e reduzir o custo por hectare analisado”, destaca Parducci.

 





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Mercado do boi gordo mantém estabilidade após alta



Arroba permanece estável em vários estados



Foto: Divulgação

De acordo com a análise desta quinta-feira (6) do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo em São Paulo permaneceu estável. Segundo o levantamento, “as cotações permaneceram firmes, sem mudanças” após a alta registrada no dia 5 de novembro. A oferta de boiadas continuou enxuta, embora com sinais de melhora em relação à semana anterior, e as escalas de abate atenderam, em média, a oito dias.

No Mato Grosso do Sul, o informativo registrou diminuição na oferta de boiadas e escoamento fraco da carne no varejo. As escalas de abate apresentaram comportamentos distintos: frigoríficos de grande porte operaram com escalas longas, enquanto os de menor porte mantiveram escalas curtas, negociando maior volume de fêmeas.

No Espírito Santo, a Scot Consultoria informou que “a cotação da arroba não mudou na comparação diária”, mantendo o quadro de estabilidade.

No Acre, o levantamento reiterou que “a cotação não mudou na comparação feita dia a dia”. A escala de abate no estado esteve, em média, em 13 dias, mantendo o ritmo observado na semana.





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Meteorologista alerta para possibilidade de tornados com a chegada de ciclone


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

O risco de microexplosões e de tornados não estão descartados durante a ocorrência do ciclone extratropical, principalmente entre os dias 07 e 09 de novembro de 2025, com passagem pelo Sul e avanço ao Sudeste do país. A ameaça é reforçada não somente pelas condições atmosféricas previstas—com baixa pressão intensa, grandes volumes de chuva, formação de nuvens do tipo cumulonimbus e contraste térmico acentuado—mas também pelo histórico recente de fenômenos severos na região.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alertas para o risco de tornados nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do estado nesta sexta-feira (07). As tempestades associadas ao ciclone podem causar ventos acima de 100 km/h, granizo e destruição localizada.

No Paraná, o Simepar reforçou a importância do monitoramento constante para diferenciar rajadas lineares, micro/macroexplosões e tornados. Esses fenômenos são característicos da primavera e tendem a ser potencializados sob influência de sistemas como o atual. Santa Catarina já registrou 12 tornados apenas em 2025. Um dos episódios mais recentes foi o tornado confirmado em Itaiópolis, no Planalto Norte catarinense, no último dia 3 de novembro. O evento provocou queda de árvores, danos a propriedades e deixou um rastro de destruição.

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Segundo Gabriel Rodrigues, meteorologista do Portal Agrolink, a ameaça se justifica não apenas pelas condições atmosféricas projetadas, mas também pelo histórico recente de eventos extremos. “Estamos diante de um cenário de baixa pressão intensa, com volumes expressivos de chuva, nuvens do tipo cumulonimbus e contrastes térmicos acentuados. Esse ambiente é propício à formação de tornados e microexplosões, especialmente nesta época do ano”, pontuou.

O meteorologista ainda salienta que, de acordo com os eventos recentes, como o tornado que foi confirmado em Itaiópolis, no Planalto Norte catarinense em 3 de novembro de 2025, provocou destruição significativa, quedas de árvores e danos em propriedades. Santa Catarina, registrou pelo menos 12 tornados só em 2025, ilustrando uma tendência de maior frequência desses fenômenos extremos na região Sul. Além disso, durante episódios ciclônicos recentes, a Defesa Civil identificou sinais de microexplosões, com ventos intensos, granizo e danos concentrados típicos desse tipo de evento convectivo.

Com base nos modelos meteorológicos e nos registros recentes, a recomendação é de máxima atenção aos alertas. “É fundamental que os produtores acompanhem as informações oficiais, busquem abrigo seguro em caso de tempestades e adotem medidas de proteção preventiva, como o reforço em estruturas e o isolamento de áreas vulneráveis”, orienta o meteorologista.





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Milho tem 3ª feira negativa na Bolsa de Chicago e na B3; preços permanecem…


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O milho acompanhou as baixas da soja e fechou a terça-feira (4) no vermelho na Bolsa de Chicago. Os preços do cereal concluíram o dia com baixas que ficaram entre 1,75 e 2,75 pontos nos principais contratos, levando o dezembro a US$ 4,31 e o março a US$ 4,44 por por bushel. 

O mercado sentiu o recuo da oleaginosa, mas também as estimativas da colheita norte-americana que, de acordo com uma projeção da safra da agência internacional Reuters, já estaria concluída em 83%. Há, porém, ainda a ausência dos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sendo sentida pelos traders. 

No entanto, o novo boletim mensal de oferta e demanda do departamento norte-americano foi agendado para o próximo dia 14 e já causa alguma ansiedade entre o mercado. “As expectativas apontam para ajustes negativos nas projeções de produtividade e produção da safra americana, refletindo os impactos do clima e de doenças nas lavouras, o que ajuda a limitar o movimento de queda”, explicam os analistas da Agrinvest Commodities. 

BRASIL: B3 E MERCADO DISPONÍVEL

Na B3, as cotações também fecharam o dia no vermelho, com as posições mais alongadas sentindo uma pressão mais agressiva, com perdas de mais d de 1%. Enquanto o novembro terminou o dia com R$ 68,13 por saca, o maio/26 concluiu os negócios com R$ 72,27 e perda de 1,3%.

Além da pressão vinda de Chicago, o mercado também sente o avanço do plantio da safra de verão, e monitora o clima para o seu desenvolvimento no Brasil. Ainda segundo a Agrinvest, a semeadura do milho verão chega a 42,8% da área, contra 42,1% de 2024 e frente aos 44,5% da média dos últimos cinco anos. 

“E os investidores também aguardam a avaliação dos impactos das fortes chuvas no Paraná”, complementa a consultoria. 

No mercado físico, os preços do milho permaneceram estáveis no interior do Brasil e ainda variam de R$ 46,00 a R$ 62,00 por saca, a depender da praça. Nos portos, o movimento foi semelhante, terminando o dia com R$ 67,00 no disponível em Paranaguá e R$ 68,00 em Santos. 





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Carne suína sobe 27,5% em um ano no Paraná


O Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, apontou que os preços médios de varejo dos principais cortes de carne suína no Paraná permaneceram estáveis entre janeiro e outubro de 2025. Segundo o relatório, “os valores oscilaram entre R$ 21,78/kg, em fevereiro, e R$ 22,93/kg, em setembro, com média anual de R$ 22,36/kg”, após a forte valorização registrada em 2024.

O levantamento indicou que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve um crescimento de 27,5%, equivalente a R$ 4,77/kg. O documento destacou ainda que, “em outubro de 2025, a diferença em relação ao mesmo mês do ano anterior foi de 13,1% (R$ 2,63/kg), a menor variação observada no ano”.

Entre os cortes analisados — lombo sem osso, paleta com osso e pernil com osso — a paleta apresentou a maior variação média, com alta de 28,5%, ou R$ 4,04/kg. O Deral informou que o preço passou de R$ 14,16/kg nos primeiros dez meses de 2024 para R$ 18,20/kg em 2025. O lombo sem osso registrou aumento médio de 27,5% (R$ 6,62/kg), enquanto o pernil com osso subiu 25,2% (R$ 3,66/kg).

Para o fechamento deste ano, o boletim projeta continuidade da elevação nos preços de varejo, “impulsionada pela maior demanda externa e interna dessa época do ano”, ainda que em intensidade inferior à observada em 2024.





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Saiba os impactos do ciclone na agricultura


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

O avanço de um ciclone extratropical e a intensa instabilidade atmosférica associada prometem um cenário crítico para as lavouras brasileiras entre os dias 7 e 10 de novembro de 2025. De acordo com Gabriel Rodrigues, meteorologista do Portal Agrolink, a sequência de ventos superiores a 100 km/h, chuvas volumosas, granizo, tornados, queda brusca de temperatura e alta umidade representa uma ameaça severa ao desenvolvimento de culturas como soja, milho e feijão em diversos estágios fenológicos. A seguir, o boletim técnico detalha os principais impactos esperados no campo.

Impactos

Considerando toda a dinâmica meteorológica descrita – a formação e amadurecimento do ciclone extratropical, a sequência de ventos extremos, chuvas volumosas, granizo, tornados/microexplosões e a subsequente queda de temperatura – os impactos nas lavouras em desenvolvimento durante os dias 7 a 10 de novembro de 2025 estruturam-se em múltiplas dimensões que se potencializam mutuamente.

Acamamento generalizado e perdas estruturais

O impacto mais imediato e visível diz respeito ao acamamento de plantas, particularmente em soja, milho e feijão em estádios vegetativos precoces a intermediários. Nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul, onde os ventos são previstos para superar consistentemente 100 km/h, o acamamento será generalizado. Plantas em desenvolvimento vegetativo – que caracterizam a maioria da soja plantada em outubro no RS – registrarão inclinação severa ou tombamento total, danificando o sistema radicular e interrompendo o transporte de nutrientes. As perdas de produtividade resultantes podem atingir 30% a 60%, dependendo da altura e resistência das plantas no momento do impacto.

O milho em fases precoces (V4 a V6, com 4 a 6 folhas expandidas) apresentará acamamento que dificultará a colheita posterior e comprometerá de 10% a 20% da produtividade final, mesmo em plantas que não sofrerem tombamento completo. O feijão, por sua fragilidade estrutural, pode registrar perdas ainda maiores, com plantas inteiras arrancadas do solo em áreas expostas aos ventos mais extremos.

Encharcamento do solo e morte de plantas por asfixia radicular

Os volumes de chuva extraordinários previstos – 122 mm em Ijuí/RS, 109 mm em Lages/SC, 115 mm na região central goiana e até 176 mm em Juína/MT – criam cenários de saturação severa do solo. Para culturas como feijão e milho em fases iniciais, o encharcamento prolongado resulta em apodrecimento radicular e morte de plantas inteiras por falta de oxigenação do solo. Áreas com drenagem inadequada registrarão perdas totais de 20% a 40% em feijão e de 5% a 15% em milho.

A soja, embora mais tolerante ao encharcamento do que o feijão, sofre deficiências nutricionais induzidas pela má aeração, particularmente deficiências de ferro e manganês, que se manifestam como cloroses foliares. A recuperação dessa condição leva semanas, durante as quais a planta permanece em estado de estresse fisiológico que reduz a produção final.

Incidência crítica de doenças fúngicas

A combinação de umidade elevada (molhamento foliar contínuo durante 72 horas ou mais), temperaturas amenas (mínimas entre 10°C e 15°C, mas com máximas ainda moderadas durante o dia) e presença de inóculo já estabelecido cria ambiente quase perfeito para epidemias de doenças fúngicas. A ferrugem asiática, enfermidade mais custosa em soja, requer apenas 6 horas de molhamento contínuo para iniciar infecção em folhas. Sob as condições previstas, a disseminação de ferrugem será rápida e abrangente.

O mofo-branco, particularmente importante no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, terá condições ideais de desenvolvimento, afetando soja em floração com potencial para reduzir significativamente a produção de vagens. Doenças como a mancha-alvo e a septoriose em milho também avançarão, prejudicando a fotossíntese em momento crítico de enchimento de grãos.

Granizo: destruição potencialmente total em pontos afetados

O granizo de grande porte é um dos impactos mais catastróficos. Embora localizado, quando ocorre, provoca destruição quase completa das lavouras atingidas. Soja em floração sofrerá perdas totais em áreas atingidas por granizo acima de 2 cm de diâmetro, necessitando replantio imediato com severas penalidades agronômicas. O feijão sofre perdas superiores a 90% quando atingido por granizo, tornando frequentemente inviável a continuação do cultivo naquela área nesta safra.

O histórico recente de municípios como Canoinhas/SC (onde mais de 1.000 plantações de tabaco foram devastadas), Sarandi/RS e cidades do Paraná que já sofreram granizo nos primeiros dias de novembro reforça o risco. A vulnerabilidade acumulada em áreas já danificadas potencializa ainda mais as perdas.

Risco de tornados e microexplosões: destruição extrema localizada

Embora localizados, tornados e microexplosões representam o risco máximo de destruição em pontos afetados. A ocorrência de 12 tornados já em 2025 em Santa Catarina, incluindo o evento de 3 de novembro em Itaiópolis com ventos de 80 km/h, demonstra a frequência desses fenômenos. Um tornado que passe sobre uma lavoura em desenvolvimento causa destruição total e praticamente irreversível daquela área, com perdas de 100%.

As microexplosões (downbursts), fenômenos descendentes violentos associados a nuvens cumulonimbus severas, causam devastação similar em áreas da ordem de algumas centenas de metros a alguns quilômetros. O Paraná, em particular, teve incidência crescente desses fenômenos na primavera de 2025, com o Simepar alertando continuamente para sua ocorrência.

Queda de temperatura pós-ciclone: paralisação do crescimento

A passagem da massa de ar frio na retaguarda do ciclone, com mínimas entre 3,7°C (Lages/SC, Pelotas/RS) e de 10°C a 15°C em muitas áreas do Sudeste, cria ambiente de estresse fisiológico prolongado. Soja em floração exposta a temperaturas entre 8°C e 10°C por 24 horas ou mais sofre esterilidade de flores e abortamento de vagens, resultando em perdas de produtividade de 20% a 40% em áreas afetadas.

Todas as culturas em desenvolvimento registram paralisia do crescimento quando expostas ao frio, particularmente se essa paralisia se estender por períodos superiores a 5-7 dias. Essa interrupção do acúmulo de biomassa em momento crítico reduz a capacidade competitiva das plantas contra plantas daninhas, reduzindo a produção final mesmo que não haja morte de plantas.

Atrasos na recuperação pós-evento e janelas críticas de replantio

Um impacto secundário, mas crítico, é o atraso no replantio de áreas destruídas. Para a soja no Rio Grande do Sul, a janela de replantio encurta progressivamente conforme avança novembro, com redução de produtividade esperada de 5% a 10% por semana de atraso após meados de novembro. Áreas que precisarem de replantio enfrentarão custos adicionais, redução de produção esperada, e possível impossibilidade de plantio do milho safrinha subsequente em sistemas de rotação.

Danos à infraestrutura rural que impactam a colheita

A queda de árvores, danificação de cercas, interrupção de energia elétrica em áreas rurais (com possibilidade de danos a sistemas de irrigação em pivôs) e destruição de estruturas de armazenamento prejudicam não apenas o campo no momento imediato, mas comprometem a capacidade operacional de colheita nas semanas seguintes. Silos danificados, máquinas imobilizadas e estruturas de drenagem destruídas reduzem a eficiência das operações agrícolas subsequentes.

Síntese dos impactos por cultura e estado

Região Noroeste do RS: soja com acamamento generalizado (perdas de 30% a 60%) e risco de granizo destrutivo localizado (perdas até 100% em pontos). O milho sofrerá acamamento moderado (perdas de 10% a 20%), encharcamento e risco de doenças. Feijão enfrentará encharcamento crítico e possível necessidade de replantio.

Santa Catarina: o oeste enfrentará vendavais, encharcamento e granizo (risco alto), enquanto o litoral será atingido principalmente por ventos extremos (acima de 100 km/h). Lavouras de soja em desenvolvimento apresentarão acamamento, e cultivos já danificados por eventos de início de novembro sofrerão novo impacto.

Paraná: soja com acamamento e risco de granizo. Lavouras que já sofreram danos no temporal de 31/10-01/11 enfrentarão novo ciclo de estresse. O trigo em maturação final sofrerá danos qualitativos (redução de peso específico).

São Paulo: o trigo terá perdas qualitativas. Soja em regiões de plantio tardio enfrentará acamamento moderado. O Vale do Paraíba registrará ventos extremos (100 km/h) com potencial para danos em cultivos e infraestrutura.

Minas Gerais: feijão em diferentes estágios fenológicos enfrentará risco alto de encharcamento e granizo. O risco de tornados na Zona da Mata não é desprezível.

Mato Grosso do Sul: soja sofrerá impacto moderado, com acamamento pontual e possível granizo no sul do estado. Milho em desenvolvimento poderá registrar paralisação do crescimento.





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Ciclone trará frio, granizo e tempestades ao Centro-Sul


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

A configuração atmosférica prevista para o final da primeira semana de novembro de 2025 indica a atuação de um ciclone extratropical de intensidade significativa, com influência sobre uma ampla área do Centro-Sul do Brasil. O sistema se forma na quinta-feira, 6 de novembro, e seus efeitos mais marcantes devem ocorrer entre os dias 7 e 10.

Na sexta-feira, dia 7, o ciclone atinge seu pico de organização sobre o continente. As projeções apontam para um centro de baixa pressão atmosférica entre 997 e 1.000 hPa, valor considerado raro e intenso para sistemas atuando sobre terra firme. Esse padrão favorece um gradiente de pressão acentuado, resultando em ventos fortes a intensos.

O risco de tempestades severas é elevado, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. As tempestades podem ser acompanhadas de rajadas de vento entre 60 e 100 km/h, com possibilidade de registros ainda superiores em pontos isolados. Há previsão de chuva volumosa, com acumulados que podem alcançar ou superar 150 mm em curto intervalo no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Outro ponto de atenção é o potencial para queda de granizo de grande porte, de forma isolada, principalmente na metade norte do Rio Grande do Sul e em áreas do Mato Grosso do Sul. A formação de tornados, embora fenômeno localizado, não está descartada nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul.

Entre a sexta e o sábado (dia 8), o centro do ciclone se desloca em direção ao litoral de Santa Catarina. Com isso, os impactos se redistribuem e os temporais mais severos avançam para estados do Sudeste. No sábado, a previsão indica intensificação dos ventos do leste de Santa Catarina ao Vale do Paraíba Paulista e Sul de Minas Gerais, com rajadas que podem superar facilmente os 100 km/h. Chuva forte também deve atingir o Nordeste Paulista e o Centro de Goiás.

No domingo, dia 9, já com o núcleo do ciclone sobre o oceano, a intensidade dos fenômenos severos sobre o continente tende a diminuir, embora a instabilidade persista em áreas como o Noroeste de Mato Grosso. Em sua retaguarda, há o avanço de uma massa de ar frio.

Essa massa de ar frio deve causar queda acentuada e persistente nas temperaturas. Ao longo do período, são esperadas mínimas atipicamente baixas para a primavera. Na sexta-feira, as temperaturas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem variar entre 12°C e 15°C, podendo ficar abaixo de 10°C em regiões serranas. O resfriamento avança para o Sudeste e Centro-Oeste no fim de semana, com anomalias negativas persistindo na semana seguinte.





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Safra de soja começa com dificuldades por falta de chuva



Expectativa é que as chuvas normalizem e o impacto seja minimizado



Foto: Showtec

A irregularidade das chuvas no mês de outubro comprometeu o início da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso. De acordo com o boletim informativo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), indicam que os volumes de precipitação oscilaram entre 75 e 95 milímetros em grande parte do estado. A distribuição desuniforme, combinada com temperaturas elevadas, gerou estresse hídrico em áreas cultivadas, especialmente nas fases iniciais da cultura.

Segundo o boletim, técnicos de campo do Imea reportaram falhas pontuais de estande em alguns talhões, situação que já levou à ressemeadura localizada. O instituto destaca que a continuidade do déficit hídrico poderá ampliar o número de áreas afetadas, o que comprometeria o calendário ideal de plantio e a produtividade das lavouras.

Para os próximos sete dias, a previsão do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA) indica acumulados entre 35 e 45 mm em boa parte do estado. Embora abaixo do ideal para normalizar a umidade do solo, essas chuvas podem aliviar temporariamente o estresse das plantas e frear a necessidade de replantio em áreas mais sensíveis.

O Imea também destaca que, para os médios e longos prazos, o modelo Ensemble Mean aponta uma tendência de normalização das chuvas. As previsões climáticas para novembro e dezembro indicam volumes próximos à média histórica, o que representa um sinal positivo para a recuperação das lavouras e o bom andamento do ciclo da soja.

Mesmo com esse cenário mais promissor, o instituto alerta para a importância de monitoramento constante das condições climáticas e do solo nas propriedades. A variabilidade climática segue como um dos principais desafios da produção agrícola em Mato Grosso, exigindo decisões técnicas ágeis por parte dos produtores.

A expectativa é de que, caso o volume de chuvas se normalize nas próximas semanas, o impacto sobre a produtividade da soja seja minimizado. No entanto, o cenário atual reforça a necessidade de estratégias de manejo que aumentem a resiliência das lavouras às oscilações climáticas, sobretudo em regiões com histórico de estresse hídrico.





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