quinta-feira, março 12, 2026

Política & Agro

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Brasil reforça alerta após PSA em javalis na Espanha



Trata-se do primeiro episódio da doença na Espanha desde 1994.



Foto: Pixabay

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunicou que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi informada sobre a detecção de peste suína africana (PSA) em javalis na província de Barcelona, na Catalunha, em 26 de novembro. Segundo o órgão, “até 2 de dezembro, nove casos foram confirmados, todos restritos a javalis”, sem registros da enfermidade em suínos domésticos. Trata-se do primeiro episódio da doença na Espanha desde 1994.

A PSA é uma infecção viral que atinge suínos domésticos, asselvajados e javalis. O Mapa destacou que, embora não represente risco à saúde humana, “é de notificação obrigatória devido ao seu alto poder de disseminação e ao impacto potencial para os sistemas de produção”. A presença de carrapatos do gênero Ornithodoros, que podem atuar como vetores, amplia a dificuldade de controle da doença em ambientes silvestres.

O vírus possui elevada resistência no ambiente e pode permanecer ativo por longos períodos em roupas, calçados, veículos, equipamentos e produtos de origem suína que não passam por tratamento térmico. Conforme o Mapa, as formas mais comuns de introdução do vírus em áreas livres incluem o contato de animais suscetíveis com materiais contaminados ou a ingestão de produtos suínos infectados.

O Brasil mantém o status de país livre de PSA desde 1984. O ministério afirmou que a preservação dessa condição depende do cumprimento das normas sanitárias e da atenção a pessoas, produtos e materiais provenientes de locais afetados. Para o órgão, a entrada da doença no país “traria impactos significativos para a cadeia suinícola”, motivo pelo qual a vigilância e os protocolos de prevenção continuam reforçados.





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Irrigação estratégica do trigo no Cerrado reduz pela metade a emissão de gases de efeito estufa


Estudo inédito da Embrapa Cerrados (DF) revelou que usar a água de forma estratégica na irrigação do trigo pode reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) sem perda de produtividade. O ponto de equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental encontrado pela pesquisa melhora o manejo do cereal em regiões tropicais em um cenário de mudanças climáticas.

Pense no solo como uma esponja gigante que guarda água para as plantas. Os cientistas descobriram que o momento perfeito para irrigar o trigo é quando essa esponja já usou 40% da água que tinha guardada.

Os pesquisadores testaram quatro estratégias de controle da irrigação, equivalentes a deixar o solo esgotar 20%, 40%, 60% e 80% da água disponível antes de irrigar novamente. O objetivo era encontrar o ponto de equilíbrio entre produtividade da lavoura, economia de água e impacto ambiental.

Os resultados da pesquisa foram divulgados no artigo Sustainable irrigation management of winter wheat and effects on soil gas emissions (N2O and CH4) and enzymatic activity in the Brazilian savannah, publicado na revista Sustainability MDPI.

Após dois anos de experimentos, a equipe da Embrapa Cerrados concluiu que o momento ideal para irrigação do trigo ocorre quando as plantas utilizaram 40% da reserva da água do solo. “Esse é o ponto ideal, com resultado favorável entre produtividade e intensidade de emissão de gases de efeito estufa, alcançando o melhor índice de Potencial de Aquecimento Global”, revela a pesquisadora Alexsandra Oliveira, uma das responsáveis pelo estudo. Esse potencial se refere às emissões de óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).

Com a reposição da água após o uso de 40% da capacidade da água disponível (CAD) do solo, o trigo alcançou a maior produtividade – 6,8 toneladas por hectare, com o menor índice de emissão de óxido nitroso (em média, inferior a 3,0 kg por hectare), gás quase 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2).

Já o pico de emissão de óxido nitroso foi atingido quando a reposição de água foi feita após o uso de 60% da CAD (5,69 toneladas por hectare), resultando no maior Potencial de Aquecimento Global (PAG) —1.185,8 quilos de CO2 equivalente, (ver tabela abaixo). Em comparação, o tratamento de 40% emitiu quase metade GEEs (-41,3%), ao mesmo tempo em que registrou quase 20% a mais de produtividade.

“O que comprovamos com esse estudo é que um simples ajuste no momento da irrigação pode alterar radicalmente a emissão de gases de efeito estufa e seus efeitos sobre as mudanças climáticas”, justifica Oliveira.

A pesquisadora completa: “Quando o solo era irrigado tardiamente, com o esgotamento de 60% ou 80% da água do solo, as emissões aumentaram consideravelmente. No geral, manter uma umidade intermediária no solo, em torno de 40%, proporcionou o melhor equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Essa é uma estratégia climaticamente inteligente e eficiente em relação ao uso dos recursos naturais para a produção de trigo irrigado em sistemas tropicais”.

Segundo a pesquisa, os ciclos de reumidificação do solo são promotores de emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, deixar o solo secar demais e depois irrigá-lo, causando grandes alterações em sua umidade, estimula a ação de microrganismos produtores desses gases.

Para entender o experimento, imagine que o solo é como uma caixa d’água subterrânea. Quando os cientistas falam em “depleção de 60%”, significa que essa caixa foi esvaziada em 60%. Irrigar demais desperdiça água; irrigar de menos causa estresse nas plantas. Portanto, o segredo está em saber a hora certa de reabastecer.

“Quando a caixa d’água do solo fica muito vazia, as plantas sofrem. Quando enchemos demais, perdemos água e aumentamos as emissões de gases”, explica Jorge Antonini, pesquisador da Embrapa Cerrados e participante do estudo. Isso porque o reabastecimento intermitente estimula reações microbianas no solo, que geram especialmente óxido nitroso.

Os dados consolidados mostraram que é possível produzir a mesma quantidade de alimento com maior eficiência, considerando-se a relação emissão/produto. “Não se trata apenas de irrigar mais ou menos — e sim de irrigar com precisão. Esses achados mostram que é possível produzir trigo no Cerrado com alto rendimento e baixo impacto climático. Basta respeitar o limite do solo e saber o momento certo de irrigar. A agricultura tropical precisa trabalhar com precisão hídrica para ser produtiva e sustentável”, resume o pesquisador Jorge Antonini.

Portanto, manter a irrigação com o índice de uso da CAD em 40% é uma estratégia eficiente para os produtores do Cerrado: “Assim a produtividade se mantém alta, com quase 7 toneladas por hectare, e o impacto ambiental é o menor possível”, enfatiza.

Com as informações geradas pelo estudo, os produtores rurais podem aproveitar melhor a água da irrigação sem comprometer a rentabilidade da lavoura e com o mínimo impacto na condição climática do planeta.

Outra constatação importante foi quanto ao comportamento do metano (CH4). “Em vez de liberar esse gás, em condições ideais de irrigação, o solo do Cerrado atuou como um dreno, absorvendo metano da atmosfera, um achado em sistemas agrícolas irrigados”, ressalta Oliveira.

A explicação está nas características do solo tropical: boa drenagem, aeração e ausência de encharcamento. Essas condições favorecem a atuação de microrganismos que consomem metano, transformando um vilão climático em aliado.

O experimento foi realizado entre 2022 e 2024, na área da Embrapa Cerrados, em Planaltina, Distrito Federal. As parcelas foram plantadas em sistema de plantio direto, com sucessão soja-trigo. As cultivares usadas foram as BRS 4782 RR e BRS 264, respectivamente. O trigo plantado no inverno, após a colheita da soja, é uma combinação bastante adotada pelos produtores rurais da região.

“Para monitorar a umidade do solo em tempo real, foram instaladas sondas a 70 centímetros de profundidade, altura onde estão concentradas as raízes do trigo”, explica Artur Müller, também pesquisador e integrante da equipe.

Já para as emissões de gases de efeito estufa, foram usadas câmaras estáticas fechadas. Esse método é aceito pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Além da produtividade e do óxido nitroso e metano, os cientistas analisaram a atividade enzimática do solo, como indicativo de sua saúde biológica. Os resultados não mostraram variações significativas em relação à atividade das enzimas, o que indica que pode não existir uma relação direta entre elas e o momento da irrigação do trigo em sucessão à soja.

Uma explicação possível, segundo Oliveira, pode ser a ausência de umidade em excesso, já que, no estudo, a irrigação apenas repôs a água até a capacidade de campo, sem excesso. Outro fator pode estar relacionado ao plantio direto, que mantém, na sucessão de cultivos, a palhada na lavoura, reduzindo a perda de umidade do solo.

O trigo irrigado do Cerrado ocupa mais de 30 mil hectares e é uma das apostas na expansão das lavouras para reduzir a dependência brasileira de importações. Esse estudo avaliou de forma inédita o sistema de trigo irrigado em sucessão, cultura estratégica para o Bioma e para uma intensificação agrícola sustentável nos trópicos. Seus resultados mostram que é possível alcançar o equilíbrio entre produtividade da cultura e a mitigação dos gases de efeito estufa, em especial do óxido nitroso.

“O estudo mostrou que a emissão de gases de efeito estufa é reduzida quando ajustamos o momento da irrigação, indicando um sistema de produção otimizado, que equilibra uso racional da água, ótimo rendimento da lavoura e baixo impacto ambiental. Com o nível de depleção de água no solo a 40%, o sistema converteu eficientemente insumos, como água e nitrogênio, em grãos de trigo, apontando para um manejo eficiente da irrigação”, esclarece Oliveira.

A partir desses resultados, a equipe planeja continuar os estudos com outros sistemas agrícolas que incluam milho, soja e café, para avaliar os efeitos de longo prazo da influência da irrigação na emissão de gases de efeito estufa. Com o avanço da mudança climática, os pesquisadores apostam no uso eficiente dos recursos naturais para tornar o País referência em agricultura de baixo carbono, conciliando segurança alimentar e conservação ambiental.

 





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Mercados ajustam ritmo com oferta global



A soja registrou recuperação em Chicago


A soja registrou recuperação em Chicago
A soja registrou recuperação em Chicago – Foto: Canva

Os mercados agrícolas iniciaram a terça-feira com variações moderadas, acompanhando ajustes derivados do comportamento recente das cotações internacionais, de acordo com a TF Agroeconômica. No trigo, os preços recuaram em Chicago após a valorização da semana anterior, influenciados pelo baixo volume adquirido pela China nos Estados Unidos e pelo avanço das estimativas de produção na Argentina e na Austrália. 

A revisão da ABARES elevou as previsões australianas para trigo, cevada e canola, enquanto análises privadas projetaram redução da oferta russa até 2026 e ligeiro crescimento na Ucrânia. No mercado brasileiro, os valores físicos apresentaram pequenas quedas no Paraná e no Rio Grande do Sul.

A soja registrou recuperação em Chicago, acompanhando a alta do óleo e reagindo às mínimas da sessão anterior. O mercado segue volátil, pressionado pela necessidade de avaliar dados divulgados no início do mês e pelas incertezas nos equilíbrios globais, em que fatores geopolíticos mantêm relevância. As exportações dos Estados Unidos avançaram, mas ainda dependem da confirmação pelos embarques, enquanto persistem dúvidas sobre o volume efetivo prometido pela China. A consultoria StoneX reduziu a estimativa para a safra brasileira e fontes do setor apontaram possibilidade de estoques globais recordes em 2026.

O milho teve leve alta em Chicago, sustentado pelo ritmo firme das exportações e dos embarques dos EUA, mesmo diante da oferta americana considerada sem precedentes. No Brasil, a Conab informou que o plantio da primeira safra atingiu 65,9% da área estimada, superando a semana anterior e a média recente.

 





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Por que os preços da maçã continuam altos?


Apesar da tradicional desaceleração nas compras no fim de mês, o mercado de maçãs manteve preços em alta na última semana de novembro. Segundo dados do Cepea (Hortifrúti/Cepea), a menor oferta nacional compensou a retração típica do consumo, sustentando as cotações nas principais regiões produtoras.

Oferta curta sustenta cotações da maçã gala

Entre 24 e 28 de novembro, a maçã gala graúda Cat 1 foi comercializada, em média, a R$ 141,20 por caixa de 18 kg, alta de 0,97% em relação à semana anterior. Já a gala graúda Cat 3 registrou média de R$ 114,20/cx de 18 kg, avanço de 1,8% no mesmo comparativo, de acordo com os levantamentos da equipe Hortifrúti/Cepea.

No acumulado de novembro, a gala graúda Cat 3 apresentou valorização de 3,3% na média das regiões classificadoras. Esse aumento reflete, sobretudo, os reajustes observados nas duas últimas semanas do mês, período em que a oferta seguiu mais enxuta e ajudou a manter o mercado firme.

Perspectivas para dezembro: volume segue baixo no início do mês

Para dezembro, pesquisadores do Cepea indicam que o volume de fruta disponível no mercado interno deve permanecer reduzido, principalmente até a segunda quinzena do mês. A expectativa é de que a colheita das variedades precoces tenha início no Paraná a partir desse período, o que tende a aumentar gradualmente a disponibilidade de maçãs no país.

Além da colheita inicial no Sul, o Cepea aponta que a entrada de maçãs importadas e a maior presença de frutas de caroço nas gôndolas — como pêssego, nectarina e ameixa — devem ampliar a concorrência no varejo e no atacado.

Concorrência com importadas e frutas de caroço pode limitar novas altas

Com esse cenário, a análise da equipe do Cepea é que a maior oferta doméstica, somada às importações e à competição com outras frutas de verão, pode conter movimentos mais fortes de alta nos preços da maçã ao longo de dezembro.

Ou seja, embora o mercado tenha mostrado firmeza no fim de novembro graças à oferta limitada, a tendência é de que novas valorizações significativas fiquem limitadas à medida que o consumidor passa a ter mais opções de frutas e o volume de maçãs aumenta no mercado brasileiro.





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Oferta elevada e demanda fraca mantiveram preços dos ovos sob pressão em outubro


Apesar da expectativa de melhora com o início do mês, o volume de oferta disponível pode limitar a recuperação dos preços

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O mercado de ovos segue sob pressão, com vendas retraídas e oferta ainda elevada. Nas granjas de São Paulo, a caixa com 30 dúzias é comercializada, em média, a R$ 114,50, queda de 0,9% ou R$ 1,00 por caixa em sete dias. No atacado, o recuo no mesmo período foi de 0,8%, com o produto cotado, em média, a R$ 119,00.

Apesar da expectativa de melhora com o início do mês, o volume de oferta disponível pode limitar a recuperação dos preços. Na comparação mensal, outubro encerrou praticamente estável em relação a setembro, com leve alta de 0,3% nas granjas e de 0,2% no atacado.

As cotações dos ovos encerram outubro com fortes quedas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo levantamento do Centro de Pesquisas, em Bastos, principal município produtor do estado de São Paulo, as médias mensais dos ovos brancos e vermelhos foram as menores desde novembro/24, ou seja, as mais baixas do ano, em termos reais – deflacionado pelo IGP-DI de agosto/25.

Pesquisadores explicam que o movimento de queda se intensificou na segunda quinzena de outubro, refletindo a maior disponibilidade da proteína no mercado interno, aliada à demanda enfraquecida, típica do período.

Com relação os preços reportados pelo Cepea nesta segunda-feira (03), as referências para os ovos brancos em Bastos/SP registraram valorização de 4,16%, em que estavam precificados em R$ 133,50 por caixa no dia 27 de outubro, e agora, está precificado em R$ 139,06 por caixa.

Já para os ovos vermelhos, as cotações registraram ganhos de 3,69% na região de Bastos/SP e passaram de R$ 147,71 por caixa visto no dia 27 de outubro para R$ 153,16 por caixa no fechamento desta segunda-feira (03).  

De acordo o levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a cotação do ovo tipo extra branco na região de Tupã/SP está em torno de R$ 140,00 a caixa com 30 dúzias. Já para o preço para o ovo tipo grande branco está cotado em R$ 137,00 a caixa com 30 dúzias em Tupã/SP.

No Ceasa Campinas, a referência para o ovo branco grande seguiu estável e está cotado em R$ 170,00 a caixa de 30 dúzias, enquanto os preços dos ovos vermelho extra estão sendo negociados em R$ 185,00 a caixa com 30 dúzias e também seguiu com estabilidade.

Já no Ceasa Minas Gerais, os preços dos ovos brancos grandes seguiram com estabilidade e está precificado em R$ 147,00 a caixa de 30 dúzias. Já os valores dos ovos vermelhos extra também estão estáveis e precificados em R$ 180,00 a caixa de 30 dúzias.

Para o Ceagesp, a cotação dos ovos brancos grandes tiveram ganho de 2,95% e estão sendo negociados em R$ 170,18 a caixa com 30 dúzias. No caso dos preços do ovos vermelhos extra apresentaram um avanço de 1,06% e está cotado em R$ 194,97 a caixa de 30 dúzias.





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Crescimento do agro marca novo ciclo nacional


O avanço do agronegócio brasileiro em 2025 reforça a posição do país entre os maiores produtores de alimentos do mundo, com crescimento distribuído entre lavouras, pecuária e exportações. Os dados revelam um setor em expansão contínua e apoiado por ganhos de produtividade em diferentes cadeias. Após essa abertura geral, Ricardo leite, superintendente do Banco Safra, destaca que o Valor Bruto da Produção atinge R$ 1,409 trilhão, alta de 11,1% sobre 2024 segundo ABN e MAPA. As lavouras crescem 10,6% e a pecuária 12,3%, impulsionadas por avanços expressivos em milho, café, algodão e cacau. Mato Grosso lidera o VBP estadual com R$ 221,1 bilhões, seguido por Minas Gerais e São Paulo.

O segmento pecuário mantém trajetória de estabilidade e modernização, com rebanho bovino de 238,1 milhões de cabeças e expansão em bubalinos, suínos, galinhas, ovos e piscicultura. Nos grãos, a Conab projeta área recorde de 84,4 milhões de hectares e produção de 354,7 milhões de toneladas, com destaque para soja e sorgo. O Centro-Sul responde pela maior parte do volume, enquanto Norte e Nordeste ampliam participação.

O café registra uma das melhores safras da década, com 55,2 milhões de sacas e ganhos relevantes na Bahia e no Espírito Santo. A cana-de-açúcar mantém estabilidade, com 668,8 milhões de toneladas e desempenho positivo no Nordeste e no Sul. O etanol de milho cresce 14,5%, liderado pelo Centro-Oeste. As exportações somam R$ 126,5 bilhões até setembro, com China, União Europeia e Estados Unidos como principais destinos. O PIB do agro alcança 23,5% da economia brasileira, consolidando a força do setor.

 





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Farinha à base de castanha-do-brasil apresenta teor de proteína 60% superior à do trigo


Pesquisas da Embrapa mostram que a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico de castanha-do-brasil apresentam alto teor de proteínas e têm potencial promissor para o mercado de produtos de origem vegetal. No caso da farinha, o teor proteico é cerca de 60% superior ao da feita com trigo. Os ingredientes foram aplicados na formulação de hambúrgueres, quibes e proteína texturizada, que tiveram boa avaliação de sabor, textura e aparência. A tecnologia está pronta para ser testada em escala comercial.

“A busca por maior diversidade de fontes proteicas nacionais têm estimulado pesquisas voltadas à exploração sustentável da biodiversidade brasileira. Além de contribuir para o aproveitamento de recursos naturais e a geração de emprego e renda, essas iniciativas buscam novos ingredientes para a indústria alimentícia”, afirma Ana Vânia Carvalho, pesquisadora da Embrapa. O trabalho integra o Programa Biomas do The Good Food Institute (GFI) Brasil, com financiamento do Fundo JBS pela Amazônia.

Os processos de obtenção da farinha parcialmente desengordurada, do concentrado proteico e da proteína texturizada, utilizada como substituta de produtos cárneos, foram desenvolvidos no Laboratório de Agroindústria da Embrapa Amazônia Oriental (PA).

A pesquisadora conta que a primeira etapa do trabalho, que está publicado em boletim técnico, foi entender profundamente a matéria-prima. Com aproximadamente 15% de proteína bruta, 67% gorduras, 7% carboidratos e valor energético de 751 kcal/100g, a castanha-do-brasil desponta como um produto promissor para o mercado de proteínas alternativas.

“A castanha-do-brasil é um símbolo da sociobiodiversidade amazônica e surge como alternativa nacional de alto valor agregado. Isso pode fortalecer cadeias produtivas amazônicas, gerando valor para pequenos produtores e indústrias regionais”, acredita Carvalho.

A pesquisadora explica que a remoção parcial do óleo da castanha – usado majoritariamente pela indústria cosmética – gera uma torta, que é a base para os novos ingredientes. “A torta da castanha é um resíduo do processo de extração do óleo. Um subproduto da indústria”, conta.  A pesquisa utilizou também castanhas que não tinham padrão para comercialização in natura – quebradas ou em pedaços, ampliando o aproveitamento das castanhas e reduzindo desperdícios.

Após a extração do óleo, o teor de proteína da castanha, originalmente de 15%, saltou para 32,4% na farinha, um aumento de cerca de 116%.  Em 100 gramas de farinha de trigo integral, por exemplo, estão cerca de 13 gramas de proteína, um pouco mais que a tradicional farinha de trigo “branca”. Já 100 gramas de farinha de castanha apresentam quase 33 gramas de proteína, valor 60% maior que a de trigo.

A partir dessa farinha, os pesquisadores produziram o concentrado proteico que obteve até 56% de proteína. O concentrado e a farinha foram testados na formulação de produtos para o consumidor final.  “Nós avaliamos hambúrguer e quibe usando tanto a farinha quanto o concentrado proteico. Já a proteína texturizada fizemos só com o concentrado, em um blend de proteína de castanha-do-brasil e proteína de soja”, complementa a cientista.

O trabalho destaca que os novos ingredientes apresentam propriedades funcionais adequadas para aplicações alimentícias e elevados teores de aminoácidos, além de serem ricos em selênio – mineral abundante na castanha.

 Na Embrapa Agroindústria de Alimentos ( RJ), foram desenvolvidos o quibe e o hambúrguer, ambos vegetais e com características sensoriais – sabor, textura e aparência – semelhantes aos feitos com produtos de origem animal. O trabalho foi publicado pela instituição e está disponível para download.

Nas receitas dos dois alimentos foram utilizados a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico obtido a partir da mesma farinha. “Conseguimos utilizar um coproduto da cadeia de produção da castanha-do-brasil e transformar em um produto para consumo direto, com foco nos públicos vegetarianos, veganos e flexitarianos”, explica a pesquisadora da Embrapa Janice Lima.

Para a formulação do quibe foi usada a farinha com composição em torno de 6% de óleo, 32% de proteínas e 10% de fibra total. Os demais ingredientes da receita podem ser encontrados em supermercados, mercearias e afins. Em caso de preparo doméstico, o produto deve ser consumido logo após ficar pronto. Já a comercialização inclui as etapas de embalagem e congelamento. O alimento pode ser comercializado congelado, cru ou pré-assado, a critério do fabricante. 

Na formulação do hambúrguer vegetal, os resultados de pesquisa propõem a utilização do concentrado proteico de castanha-do-brasil. Tipicamente, o concentrado apresenta em torno de 7% de óleo, 56% de proteínas e 13% de fibra total. Assim como para o quibe, os demais ingredientes do hambúrguer são comerciais. Depois de moldados, os produtos devem ser embalados em sacos plásticos individuais e, em seguida, congelados.

Na composição final, e de acordo com a Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o quibe é considerado um produto de alto conteúdo de fibras, com 6,8 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto, enquanto o hambúrguer pode ser considerado fonte de fibras, com 4,5 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto. 

 Além desses alimentos de origem vegetal, também foi obtido um ingrediente texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, contendo cerca de 56% de proteína, que é similar, em uso, à tradicional proteína texturizada de soja (PTS). Segundo a pesquisadora Melicia Galdeano, da Embrapa, o resultado materializa um dos principais objetivos do projeto: desenvolver ingredientes proteicos alternativos a partir de matéria-prima nacional, promovendo a diversificação das fontes proteicas vegetais no Brasil para o mercado plant-based brasileiro.

“Atualmente predominam no mercado de proteínas vegetais opções como a soja e a ervilha. Esse trabalho caminha para o aproveitamento sustentável da castanha, incentivando seu plantio e beneficiando comunidades locais”, destaca Galdeano.

 O teste de aceitação sensorial avaliou a aplicação dos coprodutos da industrialização da castanha-do-brasil em preparações alimentícias e mostrou boa aceitação pelos consumidores participantes. “Os análogos vegetais, quibe,  hambúrguer e texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, apresentaram aparência, sabor e textura característicos de suas versões convencionais, o que indica o potencial de utilização dos coprodutos do processamento da castanha-do-brasil como ingredientes alternativos em produtos desenvolvidos para o público de alimentos plant-based”, finaliza a pesquisadora Daniela Freitas de Sá.





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Brasil lidera transformação verde no campo


Uma nova geração de cafeicultores está colocando o Brasil na vanguarda da produção de alimentos com baixa pegada ambiental. Com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), produtores têm adotado práticas regenerativas e fertilizantes nitrogenados com emissão reduzida de carbono, resultando em ganhos de produtividade e valor agregado para o café nacional.

Fertilizante é responsável por dois terços das emissões do café e está sendo transformado

Estudos indicam que cerca de 67% das emissões de GEE na produção de café estão associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados. Para enfrentar esse desafio, empresas começaram a empregar fertilizantes produzidos com amônia de baixa emissão, como os da linha Climate Choice™, que reduzem até 90% da pegada de carbono do insumo. Essa mudança permitiu uma redução média de 42% nas emissões por quilo de café produzido, com registros que chegam a 58% em algumas lavouras.

“A combinação entre fertilizantes de menor impacto e uma nutrição mais equilibrada, baseada em diagnóstico de solo e ferramentas de recomendação, possibilitou ganhos relevantes de produtividade e sustentabilidade”, afirma Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil.

Ganhos em produtividade, renda e qualidade sensorial com o café regenerativo

A integração das soluções nutricionais de baixo carbono com práticas regenerativas como uso de composto orgânico, plantas de cobertura e manejo de solo resultou em aumento de 14% na produtividade (de 48 para 55 sacas/ha), incremento de 3 pontos na qualidade sensorial do café (de 81 para 84 pontos) e ganho médio de R$ 5 mil por hectare em renda do produtor.

A primeira safra de café com o uso desses fertilizantes foi colhida em parceria com a Cooxupé e foi apresentada como case de sucesso do Brasil durante a COP30. O mesmo lote está agora a caminho do Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçando o papel do país na liderança da agricultura de baixo carbono.

Mercado global pressiona por descarbonização da cadeia de alimentos

Com cerca de 50% das maiores empresas de bens de consumo impondo metas de emissão em toda sua cadeia (escopo 3), cresce a demanda por produtos com rastreabilidade ambiental. Nesse contexto, o café de baixo carbono se posiciona como resposta às exigências do mercado externo e como estratégia competitiva para o produtor.

Segundo estudo do Hydrogen Council e McKinsey, até 30% das emissões de um produto podem vir do uso de fertilizantes, e até 95% desse impacto pode ser reduzido com soluções baseadas em amônia de baixa emissão. O impacto no custo final, segundo o levantamento, é de apenas 1% a 3%.

Expansão para outras culturas e futuro promissor para a agricultura regenerativa

O modelo aplicado na cafeicultura brasileira deve agora ser replicado em outras cadeias produtivas. Além da continuidade da parceria com cooperativas cafeeiras, empresas do setor já anunciaram projetos similares com batata, citrus, milho e cevada, todos com foco em descarbonização.

“Nosso objetivo é apoiar o agricultor mesmo em anos mais desafiadores, oferecendo tecnologias que gerem retorno de até 200% sobre o investimento, como os fertilizantes regenerativos e as soluções da linha YaraVita e YaraAmplix”, explica Schmitz.

Fertilizantes sustentáveis impulsionam protagonismo brasileiro na agenda climática

De acordo com dados apresentados no relatório anual da companhia, o Brasil lidera a adoção de fertilizantes de baixa emissão entre os países do Sul Global. Projetos com foco em cafeicultura, batata e cacau, além de iniciativas com biometano e amônia verde, posicionam o país como protagonista na transição para uma agricultura regenerativa e carbono neutro.

A estimativa da empresa é quadruplicar o volume de fertilizantes lower carbon em 2026, alcançando novas culturas e consolidando o café como vitrine internacional da sustentabilidade no campo.





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Importações crescem e preços de fertilizantes caem em novembro


De acordo com o relatório da CNA, os preços médios dos principais fertilizantes caíram em novembro: ureia foi cotada a R$ 3.445/tonelada (queda de 2% no mês), o MAP a R$ 4.899/t (recuo de 1%) e o KCl a R$ 2.880/t. O cenário de baixa é sustentado pela menor demanda de grandes importadores como Índia, EUA e Brasil, além da liberação de novas cotas de exportação pela China.

No segmento de nitrogenados, o mercado mostrou reação com o anúncio de compra da Índia, o que limitou o ritmo de queda da Ureia. Ainda assim, o uso de alternativas como o sulfato de amônio (SAM) tem crescido entre os produtores brasileiros. Já os fosfatados, como o map, seguem com pouca atratividade nas negociações, enquanto os potássicos apresentam preços mais estáveis.

A queda nos preços dos fertilizantes trouxe algum alívio, mas a relação de troca (RT) ainda limita decisões de compra em parte das lavouras. No caso do algodão, por exemplo, são necessárias 40,9 arrobas para adquirir uma tonelada de map — um cenário classificado como “muito desfavorável” pela CNA.

Para o milho, o SAM tem se mostrado uma alternativa viável à ureia. A relação de troca foi de 32,2 sacas por tonelada, enquanto a ureia exigiu 50,3 sacas. Já para o café arábica, o momento é mais favorável: a cultura foi a única a apresentar melhora consistente no poder de compra do produtor.

As entregas de fertilizantes somaram 30,5 milhões de toneladas até agosto, crescimento de 9% em relação a 2024. A expectativa é de novo recorde em 2025, apesar do ritmo mais lento em estados como o Rio Grande do Sul. A importação também cresceu: de janeiro a outubro, o país adquiriu 38,3 milhões de toneladas — alta de 4,6% no comparativo anual.

“O produtor brasileiro segue investindo nas lavouras, mesmo diante de margens apertadas e desafios no crédito. O aumento de área e a perspectiva de safra recorde devem sustentar a demanda”, afirma o boletim da CNA.

Um dos destaques do relatório é a mudança no perfil dos fornecedores. A China ultrapassou a Rússia como principal vendedora de fertilizantes ao Brasil. O país asiático lidera nas vendas de SAM e formulações NPs, embora ainda não exporte KCl — o que mantém Rússia, Canadá e Omã como fontes estratégicas deste insumo.

No entanto, o rápido aumento das importações chinesas gerou gargalos logísticos no Porto de Paranaguá, com filas de navios e tempo médio de espera próximo a 60 dias para desembarque.

 

 





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Henrique Lima é nomeado para a Comissão Nacional de Direito Agrário da OAB



A nomeação foi registrada oficialmente em 24 de novembro de 2025


Foto: Divulgação

O advogado Henrique da Silva Lima foi nomeado Membro Consultor da Comissão Especial de Direito Agrário e do Agronegócio do Conselho Federal da OAB para a gestão 2025/2028, conforme a Portaria n. 2253/2025. A indicação, assinada pelo presidente da OAB Nacional, José Alberto Simonetti, e pelo coordenador nacional de comissões, Rafael de Assis Horn, consolida Henrique como uma das vozes mais relevantes do Direito Agrário no país.

A nomeação ocorreu a pedido do presidente da OAB/MS, Dr. Luiz Cláudio Alves Pereira (Bito), cuja atuação vem fortalecendo a presença sul-mato-grossense em pautas estratégicas da advocacia. Com forte atuação nacional na defesa do produtor rural — especialmente em temas como endividamento, recuperação judicial, seguro rural e garantias — Henrique agora passa a contribuir em um dos fóruns mais importantes para o setor.

Para ele, a designação chega em um momento decisivo: “O agronegócio enfrenta instabilidade econômica, jurídica e política, além de um elevado endividamento que tem pressionado o produtor rural. É por isso que esta Comissão assume papel central,e estou muito motivado para colaborar.”

Henrique também destaca sua gratidão institucional: “Agradeço ao Dr. Luis Cláudio Bito pela confiança. Sua gestão impecável à frente da OAB-MS fortalece a advocacia e valoriza pautas essenciais para o nosso Estado. Representar a OAB-MS no Conselho Federal é uma honra e uma responsabilidade que recebo com entusiasmo.”

A nova função reforça a importância de Mato Grosso do Sul no debate agrário nacional e amplia a participação de especialistas comprometidos com segurança jurídica, competitividade e proteção patrimonial do produtor rural. Com a nomeação, Henrique passa a contribuir nos grandes temas que moldarão o futuro do setor: crédito rural,infraestrutura, tributação, inovação e estabilidade regulatória.

A nomeação foi registrada oficialmente em 24 de novembro de 2025, conforme o Certificado de Nomeação emitido pelo Conselho Federal da OAB.





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