terça-feira, março 31, 2026

Política & Agro

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Chuvas se intensificam na Região Sudeste neste final de semana


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas significativas em várias partes do país neste final de semana, com destaque para a Região Sudeste. O volume expressivo é fruto da passagem de uma frente fria e deverá atingir áreas do leste de São Paulo e do Rio de Janeiro, estendendo-se até o sul do Espírito Santo, como indica o aviso vermelho (grande perigo), vigente até as 10h de amanhã (5).

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Alertas do Inmet para este final de semana. Fonte: Inmet

No domingo (6), as chuvas diminuem em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas a condição de severidade persiste sobre áreas do Espírito Santo e do extremo sul da Bahia, com chuvas intensas que podem ultrapassar 100 mm em 24 horas.

É necessária atenção especial para as seguintes áreas: Baixada Santista, Litoral Norte, Serra da Mantiqueira, Vale do Paraíba Paulista e Fluminense, Costa Verde, Região Metropolitana do Rio, Baixada Litorânea, Norte Fluminense e sul do Espírito Santo.

A costa norte do país entra em alerta para instabilidades que devem persistir até às 10h de amanhã (5), conforme indica o aviso laranja (perigo) do Inmet, que prevê chuvas intensas, com volumes de até 100 mm, e ventos de até 100 km/h em áreas que vão do Amapá até o Rio Grande do Norte.

O Inmet chama a atenção para volumes significativos nas capitais da faixa norte da região Nordeste, que têm registrado muita chuva nos últimos dias. A persistência das chuvas tem sido ocasionada, principalmente, pela atuação da Zona de Convergência Intertropical.

A Região Norte também segue em alerta para muitas chuvas neste período, que se estende do noroeste do Pará, passando pelo norte de Roraima até o sudoeste do Amazonas, áreas que estão sob aviso laranja (perigo) emitido pelo Inmet, vigente até as 10h de amanhã (5).





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Produtores de citros intensificam manejo de pragas



Colheita de bergamota e laranja seguem em andamento




Foto: Seane Lennon

A colheita da bergamota Satsuma Okitsu e de algumas variedades de laranja de umbigo está em andamento na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (3), o retorno das chuvas ajudou na recuperação das folhas, mas frutos e parte da vegetação exposta ao sol sofreram queimaduras, principalmente na bergamota Murcott.

Na região de Erechim, a precipitação reduziu a queda prematura dos frutos, e a expectativa é de que, com a estabilização do clima, o calibre aumente. O preço inicial da laranja destinada à indústria de suco, especialmente das variedades precoces, é de R$ 1,40/kg.

Em Soledade, a colheita da bergamota Okitsu ocorre no Baixo Vale do Rio Pardo. A umidade adequada do solo favoreceu a formação dos frutos, enquanto os produtores intensificam o manejo da mosca-das-frutas, uma das principais pragas da citricultura. Até o momento, a pressão de doenças e outras pragas está baixa.





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Setor agro reage às medidas de Trump e alerta para riscos globais



Associação vê tarifas dos EUA como ameaça à segurança alimentar




Foto: Pixabay

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) divulgou nota oficial manifestando preocupação com as tarifas adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil e a outros países. Segundo a entidade, a medida anunciada pelo presidente Donald Trump representa um risco à estabilidade do comércio global e à segurança alimentar de bilhões de pessoas.

De acordo com a nota da ABAG, as tarifas, que começam com alíquota mínima de 10% sobre os produtos brasileiros destinados ao mercado americano, violam as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e tendem a alimentar pressões inflacionárias, além de provocar desaceleração econômica não só nos EUA, mas em diversas regiões do mundo.

“Apenas com cadeias globais facilitadas, canais de comércio desimpedidos e com a flexibilidade necessária é possível garantir o adequado suprimento de alimentos a preços justos”, destaca o comunicado. A associação também lembra que o agronegócio brasileiro é peça-chave na oferta de alimentos com qualidade, segurança e sustentabilidade, abastecendo tanto o Brasil quanto mercados internacionais.

Segundo a ABAG, o setor agrícola nacional estará preparado para enfrentar os desafios impostos pelas tarifas e buscará novas oportunidades no cenário global. A entidade defende a diversificação de mercados e a abertura de novas rotas comerciais como prioridades para o governo brasileiro.

A nota ainda ressalta a importância de uma estratégia diplomática firme por parte do Executivo federal. “Evitar imediatismos e preservar os interesses de longo prazo do país são fundamentais neste momento”, afirma a ABAG, que também vê com bons olhos o avanço do Projeto de Lei 2.088/2023, em tramitação no Congresso Nacional, por oferecer respaldo legal para possíveis medidas de resposta contra ações consideradas abusivas por parte de governos estrangeiros.

Por fim, a associação reforça o papel do agronegócio como base sólida da economia brasileira e agente essencial para garantir segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, geração de empregos e avanço tecnológico no país.





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Produção de arroz avança globalmente, mas enfrenta desafios



Clima e conflitos afetam arroz na África




Foto: Pixabay

Segundo análise divulgada na edição de março do Global Crop Monitor (GEOGLAM), a semeadura do arroz de dupla safra precoce avança na China, enquanto o plantio do arroz de estação única tem início. Na Ásia Central e do Sul, o transplante das safras Rabi e de verão na Índia está próximo do fim em condições favoráveis. Em Bangladesh, a safra Boro se desenvolve de forma satisfatória, e a semeadura da safra Aus já começou. No Sri Lanka, a colheita das safras da estação Maha está sendo finalizada.

No Sudeste Asiático, a colheita das safras semeadas mais cedo na Indonésia avança com rendimentos positivos, enquanto a semeadura do arroz da estação chuvosa foi concluída. Na Malásia e em Brunei, a colheita do arroz da estação chuvosa continua, mas em Brunei, as condições excessivamente úmidas resultaram em atrasos. No Vietnã, a semeadura da estação seca segue no norte, enquanto a colheita ocorre no sul. Na Tailândia, a safra da estação seca está na fase de enchimento de grãos, e a colheita já começou em algumas regiões. As Filipinas apresentam condições favoráveis no geral, com a colheita da estação seca iniciada. Em Mianmar, a semeadura do arroz da estação seca avança e a colheita das safras mais precoces já começou na região do delta. Um terremoto de grande magnitude atingiu o centro do país em 28 de março, causando danos generalizados e com impactos na agricultura ainda a serem avaliados. No Camboja, a colheita do arroz da estação seca segue em boas condições.

Nas Américas, o Brasil e o Uruguai mantêm a colheita sob boas condições, enquanto na Argentina o processo está em andamento. Nos Estados Unidos, a semeadura começou no sul. Em Cuba, a safra da segunda estação avança do estágio vegetativo para o reprodutivo. No Haiti, a colheita da segunda safra está próxima da conclusão, enquanto em Honduras segue em curso.

Na África Subsaariana, Moçambique apresenta condições mistas devido aos impactos do Ciclone Jude. Na Tanzânia, as condições secas persistem na região costeira do norte. No Mali, o conflito em andamento continua sendo um fator de preocupação para a produção agrícola.





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emprego no agronegócio atinge 28 milhões em 2024



Mulheres ampliam participação no mercado de trabalho agro




Foto: Pixabay

O agronegócio brasileiro empregou mais de 28 milhões de pessoas em 2024, representando 26,02% das ocupações no país. De acordo com o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), houve um crescimento de 1% em relação a 2023, o que corresponde a aproximadamente 278 mil novos trabalhadores. O número é o maior registrado desde o início da série histórica em 2012, conforme o dados divulgados pela Segundo dados do divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Segundo o levantamento, os agrosserviços registraram a maior alta na criação de empregos, com um acréscimo de 337 mil pessoas, o que representa um crescimento de 3,4% em comparação ao ano anterior. A agroindústria também teve um aumento significativo de 5,2%, com a geração de 231,76 mil novos postos de trabalho. No setor de insumos, o crescimento foi de 3,6%, o que equivale a mais de 10 mil novas contratações.

O avanço do emprego no setor foi impulsionado pelo crescimento da participação de trabalhadores com maior qualificação profissional e pela ampliação do número de empregados com e sem carteira assinada. A presença feminina no agronegócio também continua a aumentar, mantendo a tendência observada em levantamentos anteriores.

A expansão da agroindústria elevou a demanda por serviços, impactando diferentes segmentos industriais. Entre os setores que mais contrataram, destacam-se o abate de animais, que registrou um aumento de 7,2% (43.760 pessoas), e a produção de massas e outros alimentos, com um crescimento de 10,4% (40.617 pessoas). O setor de móveis de madeira teve um aumento de 6,6% (32.167 pessoas), enquanto a moagem e a produção de produtos amiláceos cresceram 14,6% (22.588 pessoas).





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Transporte de grãos encarece com demanda e diesel alto



Frete registra alta no Distrito Federal e em Goiás




Foto: Pixabay

O preço do frete com origem no Distrito Federal apresentou aumentos expressivos em fevereiro, segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta segunda-feira (30). As rotas para Araguari (MG), Santos (SP) e Imbituba (SC) registraram elevações de 15%, enquanto outros destinos tiveram reajustes entre 12% e 13%. De acordo com a Conab, o aumento na demanda por transporte, o preço elevado do diesel e a revisão da tabela de fretes são os principais fatores para a alta.

A Conab aponta que o diesel representa entre 40% e 60% do valor do frete, tornando-se o fator de maior impacto na elevação dos preços. “A expectativa para os próximos meses é de alta nas cotações de fretes, considerando a instabilidade cambial, os aumentos nos preços do combustível e a maior procura por transporte”, destaca o relatório. O avanço da colheita da soja, que já ultrapassa 70%, tem pressionado os custos. No Distrito Federal, a safra 2024/25 de soja está estimada em 327.173 toneladas, um aumento de 6,1% em relação ao ciclo anterior. Para o milho, a previsão é de 417.611 toneladas, um incremento de 21,7%.

Em Goiás, a demanda por transporte também foi alta em fevereiro, principalmente para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Segundo a Conab, transportadoras enfrentaram dificuldades na disponibilidade de caminhões em regiões como Rio Verde, Cristalina, Catalão e Bom Jesus. “Os reajustes nos fretes variaram entre 48% e 73% em relação ao mês anterior”, informa o boletim. O aumento no preço dos combustíveis e a concentração da colheita no estado intensificaram a procura por transporte. Até o final de fevereiro, aproximadamente 60% da soja goiana havia sido colhida, com cerca de 45% da produção comercializada. No período analisado, Goiás respondeu por 7,4% das exportações brasileiras de milho e 8,1% das de soja.





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UE diz que acordo comercial com o Mercosul é uma “grande oportunidade”…


Logotipo Reuters

BRUXELAS (Reuters) – Fechar um acordo comercial com o bloco Mercosul seria uma “grande oportunidade” para a União Europeia, dadas as incertezas provocadas pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adotar uma nova rodada de tarifas, disse um porta-voz da UE nesta sexta-feira.

“Vamos investir muito tempo e energia com os Estados membros para finalizar o acordo”, acrescentou.

Apesar das reservas anteriores, a França realizou na quinta-feira uma reunião com 10 países da UE para discutir um possível acordo comercial com o Mercosul, sinalizando disposição de diversificar as parcerias comerciais.

(Reportagem de Benoit Van Overstraeten)

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Combustíveis ficam mais caros no trimestre


Os preços médios dos combustíveis apresentaram variações discretas em março de 2025, segundo o Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade, desenvolvido em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A gasolina comum recuou 0,2% no mês, sendo vendida a R$ 6,422 por litro. O etanol também caiu 0,2%, com valor médio de R$ 4,427. Já o diesel, tanto na versão comum quanto na S-10, teve queda de 0,4%. O único combustível a subir foi o GNV, com alta de 0,5%.

Apesar da estabilidade recente, o cenário inflacionário ainda pressiona o bolso do consumidor. No acumulado do primeiro trimestre, todos os combustíveis ficaram mais caros, com destaque para o etanol, que subiu 6,3%, seguido pelo diesel comum (+4,8%) e S-10 (+4,7%). A situação é ainda mais preocupante na comparação anual: o etanol disparou 21,6% em 12 meses, enquanto a gasolina comum subiu 10,3%, a aditivada 10,1%, o diesel comum 8,5% e o S-10, 8,4%.

A gasolina comum atingiu os maiores valores no Norte (R$ 6,860) e Nordeste (R$ 6,479), enquanto os menores preços foram registrados no Sudeste (R$ 6,260) e Centro-Oeste (R$ 6,468). O etanol seguiu padrão semelhante, com os preços mais altos no Norte (R$ 5,282) e Nordeste (R$ 4,924), e os mais baixos no Sudeste (R$ 4,314) e Centro-Oeste (R$ 4,427).

 





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Embrapa conta trajetória da soja no Brasil Central


Tornar o Brasil o maior produtor mundial de soja – 147,35 milhões de toneladas, na safra 2023/2024 – só foi possível com investimento em ciência para adaptar essa espécie para o cultivo em região tropical. Para demonstrar a evolução das cultivares de soja no Brasil, com foco no Centro-Oeste, a Embrapa estará demonstrando uma linha do tempo com diferentes cultivares de soja na sua Vitrine de Tecnologias no Tecnoshow Comigo, que será realizado de 08 a 12 de abril, em Rio Verde (GO). A iniciativa pretende demonstrar a evolução deste grão, cujo início do plantio comercial no Brasil foi há 100 anos e também celebrar os 50 anos da Embrapa soja, em 2025. Desde a introdução experimental da soja no Brasil, foram desenvolvidas diversas cultivares, sempre buscando incremento de produtividade, adaptabilidade e resistência a doenças. 

A Embrapa Soja teve participação ativa nessa evolução, tanto que em 50 anos a instituição desenvolveu cerca de 440 cultivares de soja.  “A soja é a alavanca do agronegócio e da economia brasileira e isso foi possível, graças aos diversos atores que compõem a cadeia produtiva da soja – cientistas, técnicos e produtores –  e que fizeram um trabalho de excelência”, destaca Nepomuceno. Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.

Para compor a Vitrine da Embrapa, foram selecionadas 15 cultivares de soja, que fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), uma coleção de aproximadamente 65 mil acessos (tipos de soja) introduzidos da coleção dos Estados Unidos e de outros países da África, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania. “O BAG, mantido pela Embrapa, é responsável por guardar a variabilidade genética da soja. Quanto mais acessos diferentes e caracterizados, melhor é a utilização nos programas de melhoramento para desenvolvimento de novas variedades,” esclarece o pesquisador e curador do BAG-Soja, Marcelo Fernandes. Marcelo Fernandes de Oliveira, curador do BAG-Soja.

Linha do tempo da soja – Logo na entrada da Vitrine da Embrapa, o visitante poderá ver a soja selvagem (que é perene), e a ancestral “mais próxima” da soja (Glycine soja), cujo ciclo é anual. Além destas, também estarão em exposição algumas cultivares de Glycine max (soja cultivada). A cultivar Pelicano, introduzida dos Estados Unidos na década de 1950, se adaptou no Brasil e foi semeada até meados de 1960. Ainda na década de 1960, a pesquisadora Mônica Zavaglia, da Embrapa Soja, cita a cultivar Davis, que devido à resistência às doenças mancha-olho-de-rã e podridão parda da haste perdurou por vários anos e deu origem a outras cultivares. “Finalmente, em 1966, temos o lançamento da primeira cultivar de soja genuinamente brasileira de importância comercial, que é a cultivar Santa Rosa. Ela é considerada uma das cultivares mais importantes de todos os tempos, destacando-se em várias décadas”, relata a pesquisadora.

Nas duas décadas seguintes, a soja passa por um processo de expansão no Centro-Norte do Brasil, graças ao desempenho das primeiras cultivares genuinamente brasileiras com adaptação para as baixas latitudes brasileiras. Na década de 1970, o destaque são as cultivares UFV-1, desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa, e a FT Cristalina, desenvolvida pela FT Sementes. Em seguida, foi lançada a primeira cultivar desenvolvida pela Embrapa para o Brasil Central, a cultivar Doko, lançada em 1980. Ainda na década de 1980, destaca-se também a cultivar BR 9 (Savana), com adaptação para BA, TO, MA e PI.

Na década de 1990, o foco dos programas de melhoramento foi direcionado para o aprimoramento da sanidade de raiz, com cultivares resistentes aos nematoides de galha e de cisto. Como destaque desta década, estarão em exposição as cultivares MG/BR 46 – Conquista (com resistência aos dois nematoides formadores de galhas, Meloidogyne incognita e M. javanica), BRSMG 68 [Vencedora] (com resistência à Meloidogyne incognita e moderada resistência à M. javanica) e BRSMT Pintado (com resistência às raças 1 e 3 e moderada resistência às raças 4, 10 e 14 do nematoide de cisto da soja). “É importante mencionar que o nematoide de cisto da soja foi identificado pela primeira vez no Brasil na safra 1991/92, progredindo rapidamente. Devido à sua resistência, a cultivar BRSMT Pintado foi uma das cultivares mais importantes no Brasil Central desde seu lançamento, sendo semeada até início dos anos 2020, explica Mônica.

A partir dos anos 2000, teve início uma nova geração de cultivares, com a introdução dos transgênicos (soja com resistência ao herbicida glifosato). De acordo com o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja, destaca-se a cultivar BRS Valiosa RR, grande contribuição para os sojicultores do Brasil Central. Segundo ele, a busca por cultivares de ciclo e porte de planta que viabilizassem a semeadura do milho 2ª safra, foi o cenário para o sucesso da cultivar BRS 284, registrada em 2007: “grande destaque e continua sendo cultivada até os dias atuais”, ressalta Zito.

Na década de 2010, depois da entrada dos transgênicos, houve grande redução das áreas com soja convencional, principalmente devido à falta de opções de cultivares. “Neste cenário, a cultivar convencional BRS 8381, de tipo de crescimento indeterminado (novidade para a época), arquitetura diferenciada de plantas, ampla adaptação (recomendada para os estados de GO, DF, MT, BA, TO e MG), ocupou grande espaço e é semeada até os dias atuais”, conta Zito. Outro destaque, nesta década, foi a cultivar transgênica BRS 7380 RR, que deu grande contribuição aos agricultores nas áreas com problemas de nematoides de cisto e formadores de galhas.

Nos anos 2020, com a chegada da plataforma de soja transgênica com a tecnologia BT para o manejo das lagartas, o pesquisador destaca duas cultivares. A primeira é a BRS 5980 IPRO, cultivar precoce e que tem ampla resistência a nematoides de cisto e formadores de galhas. A outra é a cultivar BRS 7881IPRO, o mais recente lançamento, com alta produtividade e resistente aos nematoides de cisto e galha Meloidogyne javanica.

Histórico da soja -Há quatro mil anos, a soja era uma planta selvagem, que crescia na costa leste da Ásia. Nesse período, a leguminosa foi domesticada pelos chineses, o que a torna uma das culturas agrícolas mais antigas do mundo. “A soja semeada atualmente tem a constituição genética da ancestral chinesa, mas ela é diferente tanto em aparência quanto em características morfológicas e de produção”, explica Nepomuceno.

De acordo com a publicação “A saga da soja: de 1050 a.C. a 2050 d.C”, editada pela Embrapa Soja, a soja chegou ao Brasil pela Bahia, em 1882, quando foram realizados os primeiros testes com cultivares introduzidas dos Estados Unidos, mas não houve sucesso. Somente após chegar ao RS, em 1914, para testes, e a partir de 1924, em plantios comerciais, é que a soja apresentou adaptação. Porém, a soja obteve importância econômica somente na década de 1960. Até o final da década de 1970, os plantios comerciais de soja no mundo restringiam-se a regiões de climas temperados e sub-tropicais, cujas latitudes estavam próximas ou superiores aos 30º. “O produtor brasileiro tinha que usar as cultivares importadas dos Estados Unidos que eram adaptadas apenas para a região Sul do Brasil”, explica o pesquisador Carlos Arias.

No quadro abaixo, estão as cultivares da Embrapa que fizeram e fazem a história da soja na região Centro-Norte do Brasil.





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A evolução dos bioinsumos: qualidade faz a diferença


Por Álefe Borges*

Os insumos biológicos voltados para a produção agrícola estão em ampla expansão, com um crescimento significativo no Brasil. A área tratada com bioinsumos no Brasil deve chegar a 155,4 milhões de hectares na safra 2024/2025, o que representa um aumento de 13% em relação à safra 2023/2024, nos principais cultivos do país, refletindo o reconhecimento de sua importância na agricultura sustentável. O mercado de bioinsumos inclui inoculantes fixadores de nitrogênio, promotores de crescimento e solubilizadores de nutrientes além de produtos de controle biológico de pragas e doenças, divididos em acaricidas, fungicidas, inseticidas e nematicidas microbiológicos. Esse mercado cresceu 15% na safra 2023/2024, em comparação à safra anterior. Nesse período foram comercializados cerca de R$ 5 bilhões, considerando o preço final ao consumidor (CropLife Brasil 2024). De acordo com o FGVAgro, a área cultivada com bioinsumos no Brasil cresceu 50% entre as safras 2021/22 e 2023/24, evidenciando sua crescente relevância na agricultura.

Com a Lei de Bioinsumos (Lei 15.070/2-24), espera-se um impulso ainda maior para o desenvolvimento e a inovação em bioinsumos. O Brasil já se destaca no mercado global, mas ainda enfrenta desafios para expandir sua participação, especialmente no que se refere ao investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Portanto, empresas inovadoras que investem em P&D e lançamento de novas tecnologias nesse mercado, tendem a continuar crescendo, enquanto que empresas com ativos comuns no mercado podem enfrentar mais dificuldades no cenário de patamares mais baixos de preços dos grãos.

Embora a adoção dos bioinsumos seja uma tendência crescente, é fundamental que os produtores estejam atentos à qualidade dos produtos disponíveis no mercado. A eficácia dos bioinsumos depende de processos rigorosos de produção, pesquisa científica avançada e aplicação adequada no campo. Nem todos os produtos disponíveis apresentam os mesmos padrões de qualidade e inovação, tornando essencial a escolha criteriosa para garantir os melhores resultados na lavoura. Vale destacar que os microrganismos possuem “CPF”, ditos como cepas ou isolados nos rótulos e/ou bulas, o que significa que o código indicado após o nome da espécie diz muito sobre o que aquele microrganismo realmente pode trazer de benefícios com base nas suas características e foco do desenvolvimento da tecnologia. Ou seja, não devemos nos prender ao nome da espécie, mas considerar, além disso, a cepa ou isolado e objetivo do produto.

O desenvolvimento de biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e promotores de crescimento envolve anos de pesquisas e testes, para garantir eficiência e segurança, junto a diversas instituições públicas, como ESALQ, EMBRAPA e UFV, em parceria com o setor privado. Tecnologias avançadas têm permitido o aprimoramento dessas soluções, proporcionando maior controle de pragas e doenças, graças ao desenvolvimento em acordo com os princípios de controle biológico que devem ser obedecidos, levando em consideração concentração e doses dos produtos para cada objetivo.

Além da qualidade dos produtos, a capacitação dos agricultores também desempenha um papel crucial no sucesso dos bioinsumos. Programas de educação e treinamento são fundamentais para garantir que os produtores compreendam o funcionamento dessas soluções e escolham tecnologias que estejam de acordo com os princípios para alta performance, utilizando de maneira estratégica e eficaz os bioinsumos a partir de uma escolha correta da tecnologia.

Diante da crescente demanda por alternativas sustentáveis, a escolha consciente e informada de bioinsumos pode fazer a diferença na produtividade agrícola, na preservação ambiental e na segurança alimentar global. O mercado continua evoluindo, e o compromisso com a inovação e a sustentabilidade deve guiar o futuro da agricultura biológica.

*Álefe Borges, Gestor de Produtos da Bionat

 





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