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O texto propõe restringir mudanças abruptas nas alíquotas
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– Leonardo Gottems

O texto propõe restringir mudanças abruptas nas alíquotas – Foto: Agencia Brasil
A definição de regras mais claras para tributos que impactam o crédito e os investimentos voltou ao centro do debate econômico. Uma proposta apresentada na Câmara busca limitar mudanças frequentes e reforçar a previsibilidade no uso de um imposto que afeta diretamente diversos setores produtivos.
O deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, protocolou projeto que estabelece critérios para alterações nas alíquotas do IOF. A iniciativa surge como reação ao uso recente do tributo pelo governo federal com finalidade arrecadatória, afastando-se da função regulatória original.
O texto propõe restringir mudanças abruptas nas alíquotas, com o objetivo de evitar impactos sobre contratos em andamento e sobre a precificação de ativos. A medida também busca dar maior segurança a investidores e setores como agronegócio, infraestrutura e mercado imobiliário, que dependem de crédito e planejamento de longo prazo.
Segundo o parlamentar, o uso recorrente do IOF como instrumento de ajuste fiscal de curto prazo compromete o ambiente de negócios. Ele avalia que alterações frequentes geram insegurança jurídica e afastam investimentos.
A proposta também prevê isenção do imposto sobre instrumentos financeiros utilizados no financiamento produtivo, como LCA, CRA, CPR, CDCA, LCI e CRI, além de fundos ligados à infraestrutura, inovação e agroindústria.
O projeto foi apresentado após tentativas do governo, em 2025, de elevar o IOF por decreto para reforçar a arrecadação, medida que gerou reação no Congresso e no mercado e acabou parcialmente revertida. Nesse cenário, a iniciativa se soma à agenda da FPA por maior estabilidade regulatória e redução de custos de financiamento.
O cenário reúne fatores que afetam diretamente o abastecimento
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O cenário reúne fatores que afetam diretamente o abastecimento – Foto: Divulgação
A pressão sobre o mercado global de fertilizantes já começa a impactar o planejamento da próxima safra brasileira, em meio a restrições simultâneas de oferta e incertezas geopolíticas. A avaliação é de Isan Rezende, presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso e do Instituto do Agronegócio.
O cenário reúne fatores que afetam diretamente o abastecimento. A Rússia, responsável por praticamente todo o fornecimento de nitrato de amônio ao Brasil, suspendeu temporariamente os embarques. Ao mesmo tempo, a China interrompeu exportações de fosfatados e nitrogenados, sem previsão clara de retomada. Soma-se a isso o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de fertilizantes, afetada por tensões envolvendo o Irã.
Os reflexos já aparecem nos custos de produção. Insumos como MAP, DAP e cloreto de potássio acumulam altas ao longo de 2026, pressionando as margens de culturas como soja e milho. O Ministério da Agricultura classifica o momento como de elevado risco de desabastecimento, com estimativa de déficit entre 1 e 3 milhões de toneladas de fosfatados.
A preocupação se intensifica diante do calendário agrícola. A demanda do Hemisfério Norte entra em fase de pico, enquanto o Brasil mantém forte dependência externa, com cerca de 85% do consumo de fertilizantes vindo de importações. Esse desequilíbrio estrutural, aliado à instabilidade internacional, reforça a tendência de preços elevados no curto prazo.
Para a safra 2026/2027, o ambiente é de incerteza. Produtores, cooperativas e investidores enfrentam um mercado mais caro e volátil, com risco concreto de escassez. Nesse contexto, decisões antecipadas de compra e diversificação de fornecedores passam a ser determinantes não apenas para controlar custos, mas para garantir produtividade.
Nesse contexto, a eficiência no uso de combustível passa a ser um fator decisivo
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Nesse contexto, a eficiência no uso de combustível passa a ser um fator decisivo – Foto: Canva
O aumento do custo do diesel em 2026 já provoca efeitos diretos nas operações agrícolas, pressionando margens e exigindo maior controle sobre os gastos no campo. Em um ambiente de instabilidade no mercado internacional de petróleo, produtores intensificam a busca por soluções que preservem a rentabilidade ao longo da safra.
Nesse contexto, a eficiência no uso de combustível passa a ser um fator decisivo. Avaliações em campo indicam que máquinas com maior nível tecnológico conseguem reduzir significativamente o consumo por hora trabalhada, segundo Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson. Considerando ciclos operacionais que podem alcançar cerca de 2.000 horas por safra, a economia pode ultrapassar 20 mil litros de diesel por equipamento, ampliando a área atendida com o mesmo volume de combustível .
A modernização da frota se consolida como uma estratégia técnica e econômica. Equipamentos com transmissões continuamente variáveis e motores mais eficientes apresentam menor consumo específico, além de melhorar o rendimento operacional e a previsibilidade dos custos. Outro efeito relevante é a redução do desgaste interno dos componentes, o que impacta positivamente a manutenção e a vida útil das máquinas .
Resultados de testes em diferentes culturas e sistemas produtivos reforçam esse cenário. Em operações de plantio, preparo de solo e subsolagem, o uso de tecnologias mais avançadas proporcionou reduções expressivas no consumo de combustível e ganhos de eficiência operacional. Em alguns casos, também houve diminuição no tempo de execução das atividades, antecipando etapas importantes do calendário agrícola .
“Isso significa que grandes propriedades conseguem finalizar suas janelas de operação com dias de antecedência, reduzindo o número de máquinas necessárias na lavoura, a necessidade de horas extras e, novamente, a exposição da frota ao consumo de diesel”, finaliza Zanetti.
O contrato de maio subiu 0,17%
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O contrato de maio subiu 0,17% – Foto: Nadia Borges
O mercado da soja apresentou leve recuperação nas cotações internacionais, impulsionado principalmente pelo desempenho dos subprodutos e pelo avanço da demanda externa. As informações são da TF Agroeconômica e indicam que os contratos em Chicago encerraram o dia em alta, com destaque para o óleo de soja, que liderou os ganhos diante da expectativa de mudanças nas regras de biocombustíveis nos Estados Unidos.
O contrato de maio subiu 0,17%, enquanto julho avançou 0,15%. Entre os derivados, o farelo registrou valorização após interrupção de uma sequência de quedas, sustentado por vendas relevantes reportadas pelo USDA. Já o óleo de soja teve alta mais expressiva, refletindo o ambiente de expectativa regulatória. As exportações semanais de soja em grão também superaram projeções, com forte presença chinesa nas compras.
No Brasil, o avanço da colheita e fatores logísticos seguem moldando o ritmo de comercialização. No Rio Grande do Sul, a colheita atinge 10% da área, ainda com grande variabilidade produtiva. O porto opera estável, enquanto o interior enfrenta negociações travadas devido ao custo elevado do frete, influenciado pelo diesel mais caro.
Em Santa Catarina, a demanda das agroindústrias mantém o mercado mais aquecido, garantindo liquidez e sustentação de preços mesmo diante da pressão externa. No Paraná, a colheita já alcança 82%, mas entraves fitossanitários com a China e custos logísticos elevados geram insatisfação entre produtores e dificultam o escoamento.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul também chega a 82% de colheita, com tradings oferecendo prêmios para estimular vendas, enquanto produtores ainda retêm grande parte da produção. Já no Mato Grosso, o cenário é marcado por fretes elevados e forte demanda por transporte, ao mesmo tempo em que a indústria de biodiesel amplia sua atuação para absorver parte da oferta.
O mercado de milho apresentou comportamento misto ao longo do dia, refletindo um ambiente de incerteza tanto no cenário interno quanto externo. Segundo análise da TF Agroeconômica , os contratos na B3 oscilaram levemente, acompanhando a estabilidade observada no mercado internacional, mas ainda sem direção clara de preços.
Na bolsa brasileira, os vencimentos registraram pequenas variações, com o contrato de maio/26 cotado a R$ 72,05, julho/26 a R$ 71,05 e setembro/26 a R$ 71,50. A leve alta em Chicago e o comportamento do dólar deram algum suporte às cotações, mas o mercado físico travado segue limitando movimentos mais consistentes.
No Rio Grande do Sul, a colheita avança de forma irregular e o mercado permanece com baixa liquidez. As negociações são pontuais, com preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca. A colheita atinge 73% da área, com variações regionais importantes e produtividade impactada pela irregularidade das chuvas, incluindo perdas pontuais em algumas localidades.
Em Santa Catarina, o principal entrave continua sendo o desalinhamento entre compradores e vendedores. Enquanto produtores pedem cerca de R$ 75,00 por saca, a demanda se posiciona próxima de R$ 65,00, mantendo o mercado com pouca fluidez.
No Paraná, o cenário também é de negociações limitadas, com indicações próximas de R$ 70,00 por saca e demanda ao redor de R$ 60,00. O plantio da segunda safra alcança cerca de 90% da área, mas fora da janela ideal em muitos casos, elevando a cautela quanto ao potencial produtivo.
Já em Mato Grosso do Sul, os preços ensaiam recuperação após quedas recentes, com referências entre R$ 55,00 e R$ 57,00 por saca. O setor de bioenergia segue como importante fator de sustentação, embora o mercado ainda opere com baixa liquidez e compradores seletivos.
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por ton
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No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF – Foto: Paulo kurtz/ Embrapa
O mercado de trigo na Região Sul apresenta movimentos de reação nos preços, com negociações ainda pontuais e foco dos compradores em garantir abastecimento futuro. De acordo com a TF Agroeconômica, há sinais de firmeza nas cotações, sustentados principalmente pela oferta restrita de produto de melhor qualidade.
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, com indicações mais elevadas para entregas a partir de maio. A avaliação predominante é de que os níveis mais baixos dificilmente retornarão, diante da escassez de trigo de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, lotes superiores disponíveis no estado tendem a alcançar maior valorização. O preço ao produtor também avançou, chegando a R$ 57,00 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, o mercado segue dependente do trigo gaúcho, com aumento recente nos preços impulsionado principalmente pelo custo do frete, que elevou os valores CIF para a faixa de R$ 1.310 a R$ 1.315 por tonelada. Também há oferta de produto local em níveis semelhantes. O encarecimento logístico levou moinhos a reajustarem os preços da farinha em cerca de 3%, movimento que encontrou pouca resistência. Apesar da boa qualidade geral, há limitações técnicas em parte dos lotes, enquanto o trigo branqueador segue escasso e com prêmios elevados.
No Paraná, o mercado permanece firme, porém com negociações lentas e disputa entre compradores e vendedores. As cotações variam entre R$ 1.300 e R$ 1.380 CIF, com maior interesse por contratos de entrega futura. A menor movimentação também reflete a prioridade dos produtores na colheita de outras culturas. No segmento importado, a demanda segue voltada a produtos de maior qualidade, com trigo argentino e paraguaio mantendo presença nas ofertas.
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes
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Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes – Foto: Divulgação
A dependência de insumos externos segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, mesmo diante do avanço da produção e da competitividade no cenário global. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, que aponta riscos estruturais associados ao fornecimento de fertilizantes.
Em 2025, o Brasil consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 43,3 milhões foram importadas, o que representa uma dependência externa de 88% e um desembolso anual de cerca de US$ 25 bilhões. Esses insumos têm peso significativo nos custos de produção, chegando a representar até 40% no cultivo da soja e 50% no milho. A produção doméstica ainda é limitada, com participação de 8% no caso do nitrogênio, 44% no fósforo e apenas 3% no potássio.
Segundo a análise, a combinação entre dependência externa, fatores geopolíticos e variações cambiais amplia o risco sistêmico. O mercado global de fertilizantes é concentrado e influenciado por decisões políticas, com cerca de 45% das importações brasileiras originadas de regiões com maior instabilidade. Movimentos recentes ilustram esse cenário, como a alta superior a 100% da ureia em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, e novas elevações em 2025 diante de tensões no Oriente Médio.
Apesar de contar com reservas relevantes e capacidade tecnológica, o país enfrenta entraves regulatórios, custos elevados de produção e forte dependência logística externa. A avaliação destaca que a redução dessa vulnerabilidade passa por diversificação e reequilíbrio, com avanço de bioinsumos, expansão da produção doméstica, ampliação de fornecedores e desenvolvimento de novas tecnologias. A tendência, no entanto, não é de autossuficiência, mas de construção de maior segurança estratégica no abastecimento.
No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu
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No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu – Foto: Pixabay
A participação da indústria no Produto Interno Bruto tem apresentado trajetórias distintas entre países da América do Sul nas últimas décadas, refletindo mudanças estruturais relevantes nas economias da região. As informações são de Anderson Correia, presidente do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT).
No Brasil, o peso da indústria no PIB caiu de cerca de 30,2% em 1990 para aproximadamente 21,3% em 2024, evidenciando um processo contínuo de perda de relevância do setor. Já no Paraguai, o movimento foi inverso, com a participação industrial subindo de 21,8% para cerca de 32,5% no mesmo período. A inversão das curvas ocorreu por volta de 2005, quando os dois países passaram a seguir trajetórias divergentes.
Esse cenário traz implicações amplas para a economia brasileira. A redução da densidade industrial impacta diretamente a atratividade das carreiras de engenharia, à medida que o setor produtivo perde espaço como opção profissional. Esse movimento não surge como causa isolada, mas como reflexo de um processo mais amplo de desindustrialização.
Ao mesmo tempo, empresas têm buscado alternativas fora do país, atraídas por ambientes com menor carga tributária, custos mais competitivos e maior previsibilidade regulatória, como observado no Paraguai. Esse deslocamento reforça a perda de competitividade da indústria nacional.
Caso essa trajetória se mantenha, os efeitos tendem a ultrapassar o campo econômico, atingindo a geração de empregos qualificados, a capacidade tecnológica e a soberania produtiva. A reversão desse quadro depende de ações coordenadas, incluindo reformas estruturais, melhorias no ambiente de negócios e estímulo à inovação, considerados fundamentais para recuperar a competitividade industrial.
Na primeira quinzena de março, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 1,31 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, com a entrada de 18 unidades em operação. No acumulado da safra 2025/2026 até 16 de março, a moagem atingiu 603,67 milhões de toneladas, ante 617,32 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior, queda de 2,21%.
Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na primeira quinzena de março foi de 99,29 kg por tonelada de cana. No acumulado da safra, o indicador marca 138,25 kg de ATR por tonelada, índice 2,17% inferior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.
A produção de açúcar nos primeiros quinze dias de março totalizou 6,02 mil toneladas, com direcionamento de 4,86% da cana-de-açúcar para a fabricação do produto. No acumulado desde o início da safra até 16 de março, a produção alcançou 40,25 milhões de toneladas.
Na primeira metade de março, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 459,67 milhões de litros, sendo 291,26 milhões de litros de etanol hidratado e 168,41 milhões de litros de etanol anidro. No acumulado da safra, a produção de etanol totalizou 32,96 bilhões de litros, sendo 20,31 bilhões de hidratado e 12,65 bilhões de anidro.
Do total produzido na quinzena, 84,11% foram provenientes do milho, com volume de 386,62 milhões de litros, frente a 365,46 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025. No acumulado da safra, a produção de etanol de milho atingiu 8,77 bilhões de litros, aumento de 12,31% na comparação anual.
Vendas de etanol
As vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul totalizaram 1,25 bilhão de litros na primeira quinzena de março. O volume de etanol anidro comercializado foi de 504,88 milhões de litros, aumento de 4,04%, enquanto o etanol hidratado somou 747,15 milhões de litros.
No mercado doméstico, as vendas de etanol hidratado atingiram 722,08 milhões de litros, com redução de 10,70% em relação ao mesmo período da safra anterior e aumento de 11,7% frente à segunda quinzena de fevereiro. As vendas de etanol anidro totalizaram 504,00 milhões de litros, crescimento de 5,18%.
No acumulado desde o início da safra até 16 de março, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 32,85 bilhões de litros, sendo 12,75 bilhões de litros de etanol anidro (+5,08%) e 20,10 bilhões de litros de etanol hidratado (-8,16%).
Para o relatório completo, acesse o UnicaData.