sexta-feira, março 27, 2026

Política & Agro

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Brasil consolida acesso ao mercado chileno


No dia 28 de maio, a Embaixada do Brasil em Santiago promoveu um evento estratégico voltado à promoção do abacate hass brasileiro no Chile, reunindo importadores, operadores logísticos e autoridades chilenas com o objetivo de ampliar o comércio bilateral e destacar o potencial do produto nacional.

Organizada em parceria com a Abrafrutas, por meio do projeto setorial “Frutas do Brasil”, e com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a ação contou com a presença de 72 convidados, entre representantes do setor agroexportador, do Ministério da Agricultura do Chile (SAG), imprensa e sociedade civil. A iniciativa também teve o apoio do Setor de Promoção Comercial e do adido agrícola brasileiro no país, Rodrigo Padovani.

Durante o encontro, o embaixador do Brasil, Paulo Roberto Soares Pacheco, destacou o grande potencial de expansão do comércio bilateral, lembrando que o Brasil é o 3º maior produtor mundial de frutas.

Embora as exportações brasileiras de frutas para o Chile tenham sido modestas, com pouco mais de US$ 12 milhões em 2024, o evento demonstrou o grande potencial de crescimento do setor, impulsionado pela crescente demanda por frutas tropicais. Esse aumento na demanda é, em parte, devido à presença de comunidades colombianas e venezuelanas no Chile.

O gerente da Abrafrutas, Jorge Souza, apresentou dados que mostram que, embora o Brasil seja um dos maiores produtores de frutas do mundo, exporta apenas 2,3% de sua produção. Em 2024, o Brasil conquistou quatro novos mercados para o abacate, incluindo o Chile, Costa Rica, Japão e Índia.

O produto brasileiro foi elogiado por sua qualidade, sabor e textura, além da vantagem de estar disponível justamente durante a entressafra chilena, de fevereiro a setembro. A logística eficiente e a rastreabilidade também reforçam a competitividade do abacate brasileiro, que já chega a mais de dez destinos internacionais.

Além de promover o abacate, o evento despertou interesse chileno por outras frutas brasileiras, como manga, goiaba, abacaxi e mamão papaia, ampliando as possibilidades de diversificação da pauta exportadora.

A expectativa, após o encontro, é de que ações fitossanitárias e comerciais sejam coordenadas para aproveitar ao máximo as oportunidades comerciais identificadas. O Brasil está cada vez mais preparado para consolidar sua posição como fornecedor confiável e competitivo de frutas tropicais de alta qualidade, não só no Chile, mas em outros mercados internacionais.





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USDA indica melhora na qualidade do trigo de inverno nos EUA



Kansas tem 51% do trigo em bom estado




Foto: Canva

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou nesta terça-feira (3) o Weekly Weather and Crop Bulletin com dados atualizados sobre o trigo de inverno no país. Até 1º de junho, 83% da safra estava semeada, número um ponto percentual superior ao do mesmo período de 2024 e quatro pontos acima da média dos últimos cinco anos.

A colheita alcançou 3% da área plantada, o que representa um atraso de dois pontos percentuais em relação ao ano passado, embora esteja em linha com a média quinquenal. Segundo o USDA, “52% da safra de trigo de inverno de 2025 foi relatada em condições boas a excelentes”, resultado dois pontos acima da semana anterior e três pontos acima do mesmo período do ano passado.

No Kansas, maior produtor de trigo de inverno dos Estados Unidos, 51% das lavouras foram classificadas em boas a excelentes condições, conforme o levantamento divulgado nesta semana.





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Custo da alimentação pressiona confinadores em Mato Grosso



Farelo de soja cai, mas DDG e caroço disparam




Foto: Sheila Flores

Com a aproximação do período seco em Mato Grosso, produtores de bovinos em regime de confinamento iniciam o planejamento da aquisição de insumos, diante da pressão nos custos de alimentação. Segundo análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) na segunda-feira (2), o DDG (Dried Distillers Grains ou Grãos Secos de Destilaria com 32% de proteína bruta) foi cotado, em média, a R$ 1.127,08 por tonelada na parcial de maio, alta de 43,12% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

“O DDG se destaca como alternativa competitiva frente a outras fontes proteicas”, informou o instituto. No entanto, o relatório aponta que, mesmo com essa vantagem relativa, o custo da diária no confinamento deve aumentar, refletindo os reajustes nos insumos.

O farelo de soja (46% de proteína bruta) registrou queda de 8,86% no comparativo anual, sendo cotado a R$ 1.674,17 por tonelada. Já o caroço de algodão (26% de proteína bruta) apresentou valorização de 140,14%, alcançando R$ 1.603,68 por tonelada na parcial do mês.

O Imea ressalta que o cenário reforça a necessidade de planejamento estratégico por parte dos confinadores para mitigar os efeitos da alta nos custos alimentares.





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Produtor do PRONAMP pode prorrogar dívidas



A resolução permite a prorrogação de até 100% do saldo devedor



A resolução permite a prorrogação de até 100% do saldo devedor
A resolução permite a prorrogação de até 100% do saldo devedor – Foto: Divulgação

Uma nova medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) traz alívio aos médios produtores rurais brasileiros. A Resolução nº 5.220, publicada em 29 de maio de 2025, permite a prorrogação de operações de crédito rural de custeio do PRONAMP. Segundo o advogado Fábio Lamonica Pereira, especialista em direito bancário e do agronegócio, a regra atende produtores que enfrentam dificuldades temporárias, especialmente por eventos climáticos como secas, enchentes e geadas.

A resolução permite a prorrogação de até 100% do saldo devedor, com prazo de até 36 meses, mantendo as mesmas taxas de juros e garantias contratadas. Para acessar o benefício, é necessário que a operação não esteja vencida e que o produtor comprove perda temporária da capacidade de pagamento, além de demonstrar viabilidade econômica para quitar o débito futuramente. Um laudo técnico, além de decretos de emergência — como o vigente no Paraná (Decreto nº 10.047/2025, por estiagem) — podem ser utilizados para embasar o pedido.

Se a dívida já estiver vencida, ainda é possível buscar renegociação, mas por meio de recursos livres da instituição financeira. Nesse caso, é fundamental observar que os encargos não podem ultrapassar 12% ao ano, conforme entendimento consolidado do judiciário. Atenção também para exigências de novas garantias, como hipoteca extrajudicial ou alienação fiduciária de imóveis.

Embora a resolução trate a prorrogação como uma faculdade dos bancos, a Justiça brasileira entende que, quando cumpridos os requisitos legais, ela se torna um direito do produtor rural. Portanto, a orientação é que o produtor formalize o pedido junto ao credor, com toda a documentação exigida, antes do vencimento da operação. Caso haja recusa, é possível buscar a via judicial, que historicamente tem se posicionado em favor do produtor.

 





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Paraná deve receber planta de combustível sustentável para aviação



Norte-americana Satarem deve investir cerca de R$ 2,3 bilhões na unidade


Foto: Pixabay

O vice-governador do Paraná, Darci Piana, recebeu na terça-feira (3) representantes da Satarem America Inc., empresa norte-americana de engenharia industrial especializada em soluções para os setores de cimento, energia e sustentabilidade. No encontro, foi apresentado o projeto da companhia de construir uma fábrica de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) na cidade de Maringá, em um investimento na casa dos US$ 425 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões). Inicialmente, o local vai usar como matéria-prima o etanol. A companhia deve trazer 800 empregos diretos e outros 2 mil a 3 mil indiretos ao Paraná.

O combustível de aviação é um produto que tende a crescer na medida em que as companhias aéreas têm obrigação mundial de chegar em 2050 zerando as emissões de gases de efeito estufa. Essa obrigação faz parte do conceito Net Zero, definido no Acordo de Paris, que visa zerar a emissão de gases de efeito estufa até meados deste século. De acordo com a apresentação da Satarem, as empresas aéreas vão precisar usar 71% de SAF em seus aviões para alcançarem a meta internacional. Segundo o CEO da Satarem America Inc., Jerome Friler, já foram realizados parte dos estudos técnicos e o objetivo agora é finalizar a compra do terreno, que fica na divisa entre Maringá e Sarandi. O processo de financiamento e emissão da documentação necessária deve seguir até meados de 2026. A partir daí, a construção da fábrica será imediata. Pela programação da empresa, o primeiro litro de SAF deve ser produzido em dezembro de 2028.

“Esse projeto é muito importante para nós. É o maior investimento feito pela nossa companhia, nesse momento, na América Latina. Maringá é um ótimo lugar para a produção da SAF, por causa da disponibilidade de etanol, estrutura e um bom acesso a meios de exportação, por rodovia e ferrovia até o porto de Paranaguá”, afirmou Friler. O norte-americano fez questão de ressaltar que toda planta da empresa tem 50% de homens e 50% de mulheres, e que 30% são jovens. Boa parte do que for produzido nesse primeiro momento será destinado à exportação, mas a intenção da Satarem é que uma parcela seja utilizada pela aviação local. Uma segunda planta está nos planos, ampliando a capacidade de produção e, consequentemente, também o consumo de matérias-primas da região, como biogás oriundo da atividade pecuária, por exemplo.





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Liderança exportadora do agro brasileiro desperta interesse global


Em entrevista, o Prof. Dr. Marcos Fava Neves detalha a importância do IFAMA para o agronegócio global

1 – Professor, o senhor terá participação no World Conference da International Food and Agribusiness Management Association (IFAMA) neste ano. O que representa esse evento para o agronegócio global e qual será o foco da sua contribuição?

Tenho o privilégio de participar desta associação desde 1994 e por meio dela, conheci muitos países levando nossas pesquisas e casos de empresas para serem apresentados. A IFAMA é a mais importante organização do agronegócio mundial, fundada em 1990, simplesmente por Ray Goldberg, de Harvard, que é o pai do conceito de agronegócio. Já foram cerca de 35 eventos anuais em todo o planeta. Sua função é a de ser um centro de discussão sobre o futuro do agro, reunindo executivos, especialistas, tomadores de decisão, empresas e acadêmicos para debater as tendências e pensar em soluções inovadoras e criadoras de valor. Neste ano, contribuirei como presidente da conferência na posição de Chanceler da Harven Agribusiness School, instituição de Ribeirão Preto que fez a proposta no último evento, realizado em Almeria (Espanha) em 2024, para trazer uma edição ao nosso país. Temos, junto com o Roberto Fava Scare, meu parceiro nesta empreitada e o nosso time, o importante apoio da FB Group, especialista em planejamento e gerenciamento de eventos, que também aceitou o desafio de nos apoiar nessa jornada.

2 – O que o senhor destaca como as principais tendências discutidas na IFAMA que devem moldar o futuro do agronegócio nos próximos anos?

Hoje, a produção de alimentos, bioenergia e outros agro-produtos enfrenta uma situação muito complexa, que costumo chamar de ambiente dos 3 V’s: “variáveis variando violentamente”. Temos toda a questão de tarifas, clima, guerras, pragas, doenças, movimentos dos consumidores, situação da economia, impactos das novas tecnologias, regulações, segurança, logística; enfim, muita coisa. Temos avenidas de discussões na questão da sustentabilidade, o avanço da biotecnologia e da transformação digital; a inteligência artificial, a ascensão de modelos cooperativos e associativos de negócios e a urgência de preparar novas lideranças para lidar com um mundo interconectado e complexo; as novas mídias e a força… o empoderamento do consumidor. Eu sempre coloco uma frase nas apresentações e oriento os profissionais do setor:  “quem manda é a demanda”.

O tema central da conferência neste ano é “Impulsionando alimentos e bioenergia com inovação e sustentabilidade”, para estimular discussões do desenvolvimento sustentável da produção, visando o crescimento e fortalecimento do setor, a fim de atender a demanda futura por alimentos, bioenergia e outros agro-produtos.
 

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3 – Muitos apontam que a IFAMA é uma vitrine para novos modelos de negócios e inovações no setor agro. O senhor poderia citar exemplos de iniciativas ou tecnologias que chamaram sua atenção nesta edição?

As inovações que as empresas e universidades estão trabalhando no mundo todo são trazidas para serem apresentadas no IFAMA. Veremos iniciativas promissoras, como o uso de biotecnologia para tornar as lavouras mais resilientes às mudanças climáticas, com menos dependência de defensivos, tecnologias de geração de bioenergia com captura de carbono e plataformas digitais que promovem maior transparência entre produtores e consumidores. Também merece destaque o redesenho de produtos alimentares para torná-los mais saudáveis e sustentáveis, reduzindo perdas. Vale destacar também que muitos casos de empresas inovadoras em cada país são, ao longo do ano, preparados e são apresentados e debatidos na conferência, para, depois, serem publicados em revistas científicas. Nosso grupo de trabalho aqui no Brasil levou cinco casos para a conferência de 2024 (Nutribras Alimentos, Biosul Bioenergia, Ouro Fino Agrociência, Associação Socicana e Sementes Oilema). E para orgulho nosso, o caso da Ouro Fino Agrociência, justamente uma empresa de Ribeirão Preto, venceu como o melhor de 2024, competindo com outros 50, do mundo todo.

E nos casos deste ano, apresentaremos a Cooperativa Coplana, Cachaça SôZé, Sebrae Polo Agro, Veroo Cafés, Cooperativa Agrária, Fertbem Fertilizantes e o da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) que, para nossa alegria, está entre os três finalistas selecionados pelo comitê científico internacional como melhor caso do evento. Aprende-se muito com o uso de estudos de casos.

4 – Como o Brasil tem se posicionado dentro dos debates globais que também são tema do evento? Somos apenas fornecedores ou já ocupamos espaço como líderes em inovação e governança no agro?

O Brasil tem mostrado protagonismo crescente. Na primeira vez que estive no evento, nosso país ainda era importador de alimentos. Para virar, 35 anos depois, a potência produtora e exportadora mundial, ganhando imenso respeito.

Não há como deixar de respeitar e não admirar um país que hoje detém 80% do comércio mundial de suco de laranja, 58% da soja, 52% no açúcar, 35% na carne de frango, 30% no café, 30% no milho, 30% no algodão, 25% na carne bovina, quase 20% na carne suína; além de liderar no fumo, no papel e celulose e ainda grandes trabalhos nas frutas, castanhas, etanol, entre outros produtos. Somos protagonistas em iniciativas inovadoras que visam a sustentabilidade, como a “Carne Carbono Neutro”, o programa “Renovabio”; e na governança tivemos grandes avanços.

Nesta semana, pelo décimo ano, recebi cerca de 30 norte-americanos que fazem pós-graduação na Purdue University, uma das melhores do mundo, para conhecerem o agro do Brasil. Visitamos empresas como a São Martinho, a Cutrale, a Cooxupé, a Campanelli, a Coopercitrus, a Coplana, entre outras que abrem suas portas para recebê-los, com o carinho brasileiro. Eles voltaram absolutamente emocionados e encantados, e se tornam multiplicadores do bom trabalho feito no Brasil. Já foram 300 executivos nestes 10 anos. Imaginem para quantas pessoas eles contaram da experiência, ajudando a difundir nossa imagem.

5 – Existe alguma crítica recorrente à forma como o Brasil participa ou é percebido nesses fóruns internacionais? O que ainda precisamos aprimorar para ocupar um papel mais estratégico no cenário agro global?

A crítica mais comum ao Brasil é na questão ambiental, principalmente devido à excrescência do desmatamento ilegal, que, como o próprio nome diz, é crime e feito muitas vezes em terras distantes e sem titulação. Este deve ser o principal foco de ataque do Governo do Brasil, pois o nosso país é manchado em seu belo trabalho de sustentabilidade ambiental por este problema. Essa situação oculta nossos indicadores ambientais, que são excelentes, tais como: 66% do território totalmente preservado; elevado índice de energias renováveis na matriz; presença de um dos códigos florestais mais bem estruturados no mundo; baixas emissões de CO2 per capita; tecnologias inovadoras na agricultura de baixo carbono; agricultura regenerativa; remoção de carbono e tecnologias limpas; e muitas outras inovações. Outra crítica é a dificuldade que temos de comunicar, de forma eficaz, os avanços que o país já realizou. Precisamos investir mais na capacitação de nossos representantes e na nossa capacidade de articulação em temas como biodiversidade, clima e inovação. Levar dados concretos e resultados comprovados ajuda a reforçar nossa imagem como liderança global. 

6 – Na sua avaliação, o que as lideranças empresariais e políticas brasileiras ainda não compreenderam sobre o potencial transformador de debates e fóruns para a competitividade do agro nacional?

Muitos ainda não enxergam esses espaços como oportunidade de parar um pouco, prestar atenção e voltar ao Brasil com um repertório de inovações, boas práticas, exemplos de empresas e de políticas públicas.Além de ser um momento de formação de opiniões e desenvolvimento de novas relações pessoais e empresariais. Estar ausente é perder visibilidade e poder de influência. Neste ano, por exemplo, será elaborada uma carta do agro mundial durante a conferência, com sua mensagem à COP 30, que será em novembro em Belém (PA), mostrando ser o agro parte da solução para os problemas ambientais globais. Esta carta será entregue ao Embaixador André Correa do Lago, ao final da conferência, pelo Presidente da IFAMA, o irlandês Aidan Conolly, e autoridades brasileiras como o Ministro Roberto Rodrigues, o Presidente de Honra da Agrishow Maurilio Biagi Filho, entre outros; e tendo como signatários autoridades do agro de mais de 40 países.

7 – O senhor defende há tempos uma maior profissionalização e melhoria da mão de obra no agro. O que ainda falta para essa virada de chave acontecer em larga escala no Brasil?

Um dos grandes desafios que o país tem, por mais incrível que possa parecer, é o da mão-de-obra. Para continuarmos crescendo, visando atingir o posicionamento de fornecedor mundial sustentável de alimentos, biocombustíveis e outros agro produtos, teremos que investir pesado. Está faltando gente em todas as áreas, desde colheita até trabalho em frigoríficos, em usinas; enfim, a reclamação é geral.

O grande desafio é adotar uma mentalidade estratégica de longo prazo, enxergando a questão como uma ferramenta essencial de sustentabilidade e crescimento. Isso exige mudança nas normas das políticas assistencialistas, capacitação contínua, fortalecimento das escolas técnicas, envolvimento total do setor privado e mudança da mentalidade da educação básica, intermediária e superior no Brasil, em direção à inovação, empreendedorismo e mérito.

Costumo sempre dizer esta frase: “sem inovação, produção e venda, não tem geração de renda e não tem distribuição de merenda”. A educação no Brasil se direcionou muito para a terceira parte da frase. Precisa voltar para a primeira. O foco é inovar, produzir e vender.

8 – Como a formação de jovens líderes no agronegócio é tratada em fóruns internacionais? O senhor acredita que o Brasil está formando sucessores à altura dos desafios globais?

O IFAMA é uma chance incrível de vermos o que as universidades estão fazendo no mundo todo em termos de técnicas de ensino e aprendizagem, pois nos conectamos com seus professores, ex-alunos e ficamos sabendo dos avanços, das boas iniciativas com as entidades estudantis, startups, por exemplo. Além disso, podemos fazer visitas durante os eventos. A IFAMA tem, além de seu Conselho tradicional, que participa por 18 anos representando o Brasil, um Conselho de Jovens, que são talentos que as multinacionais ficam de olho para capturarem assim que se formam. Além disso, durante o evento, acontece uma competição de estudo de casos voltada especialmente aos jovens, com premiação relevante.

No Brasil, precisamos promover maior integração desses jovens com o ambiente internacional, por meio de projetos aplicados, domínio de idiomas, visão global e capacidade de lidar com contextos diversos e interdependentes. A formação de lideranças sistêmicas e inovadoras é um desafio urgente e, por isso, criamos a Harven Agribusiness School.

9 – Com a crescente presença de multinacionais e fundos internacionais no campo brasileiro, como o vê a soberania e o protagonismo nacional nesse cenário de globalização agroindustrial? 

Eu não vejo problemas, aliás vejo como solução ter investidores internacionais no Brasil… para acelerar nosso desenvolvimento. O importante é que os produtos sejam feitos aqui, agreguem valor aqui, gerando investimento, empregos e arrecadação. É fundamental que o Brasil não apenas receba investimentos, mas lidere soluções e garanta que essas parcerias tragam benefícios sociais e tecnológicos concretos ao país. Diversas empresas aqui sediadas se apresentarão no IFAMA, e um dos exemplos é o Minerva, que tem a presença do fundo soberano árabe em seu capital; com a presença garantida do presidente do conselho, Norberto Giangrande Jr. Um dos estudos de caso que os participantes discutirão é da empresa Atvos, de bioenergia, que tem como principal acionista o fundo soberano de Abu Dhabi, mas suas unidades estão todas aqui, gerando empregos e desenvolvimento ao nosso país. No IFAMA, os participantes terão a chance de ouvir e debater com Bruno Serapião, o CEO da empresa. Da mesma forma, será debatido pelos participantes, o caso da SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo, que tem ações na bolsa e o seu CEO, Aurélio Pavinato, irá apresentar e debater com os participantes. São estrelas do agro global.

10 – A presença brasileira em fóruns internacionais pode ser uma ferramenta diplomática e econômica para ampliar mercados? Que ações o governo e as empresas deveriam priorizar nesse sentido?

Esses espaços são fundamentais para promover a imagem do país como referência na produção sustentável de alimentos e bioenergia. É preciso um estímulo maior à elaboração de pesquisas de impacto e estudos de caso inspiradores do Brasil para serem apresentadas e publicadas internacionalmente. Para as universidades públicas e privadas, seria interessante colocar prêmios para os professores e alunos que conseguirem produzir estas pesquisas e casos, pois melhoram sua avaliação. Estes prêmios ajudarão professores a alunos a irem nos eventos apresentar os trabalhos, e, com isso, melhoram estas universidades nos rankings, desenvolvem sua rede internacional com outros professores e crescem cada vez mais as possibilidades de gerar mais pesquisas e casos.  Universidades precisam orientar mais a remuneração dos seus quadros baseada no mérito, no impacto de suas pesquisas e seus trabalhos publicados para a geração de valor à sociedade.

Empresas podem replicar e apoiar este processo com seus funcionários, principalmente quem estiver nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, pois se aprende muito com estas participações e empresas inovadoras sempre estão presentes nas instituições de inovação. Fazemos isto há 30 anos e em média neste período levamos 5 trabalhos a cada IFAMA.

11 – Diante da instabilidade política e econômica mundial, como o agronegócio global e o brasileiro, em especial, pode se tornar um agente estabilizador?

O agro é peça-chave para garantir segurança alimentar, geração de empregos e desenvolvimento das regiões. O Brasil, com sua base diversificada e matriz energética limpa, lidera um modelo de desenvolvimento pautado na produtividade, sustentabilidade e na inovação com inclusão social e responsabilidade ambiental. O mundo precisa do Brasil como agente de expansão da produção visando abastecer de alimentos não apenas cerca de 800 milhões de pessoas, que é o número de hoje, mas talvez até 2 bilhões. 

E vejam que interessante, uma pessoa pode ficar sem comprar um computador, um carro, uma roupa, um móvel por alguns anos, mas comida e tem que comprar 3 vezes ao dia. Este processo tem levado o Brasil a conquistar grande respeito na comunidade internacional por ser a fábrica de comida do planeta. E não faz sentido para ninguém brigar com o cozinheiro. Por isto digo que neste mundo cheio de conflitos geopolíticos, o Brasil tem que “voar abaixo do radar”, sem entrar em conflitos, sem assumir lados, e continuar crescendo suas exportações com o posicionamento claro que se não fosse o Brasil a fome no planeta explodiria e com isto teríamos erosão maior ainda da paz. O Brasil combate a fome mundial.

12 – Olhando para o futuro, quais projeções o senhor faz para o agro, levando em conta a atual situação política global. A tendência de mais barreiras deve ser confirmada?

Em 2050, 80% dos estômagos estarão na Ásia e África. O fluxo de comida é das Américas (principalmente Brasil e o Mercosul e os EUA) para Ásia e África. As barreiras, especialmente as ligadas ao meio ambiente, aspectos sociais e à sanidade dos alimentos, devem se intensificar, impulsionadas por políticas climáticas mais rigorosas e pela pressão dos consumidores, principalmente nos países desenvolvidos, mas menor nos emergentes e dependentes de importações grandes de comida, que é onde o Brasil tem crescido mais. O Brasil precisa estar preparado, com estratégia de longo prazo, propostas e soluções concretas que agreguem valor ao planeta. É o local mais apto do planeta para expandir a produção, pois conseguimos agregar 20 milhões de novos hectares produtivos em 10 anos sem aumentar a área do agro, apenas usando mais áreas de pastos para produção de grãos e aumentando a nossa produção de segunda safra. Isto gerará grandes oportunidades de trabalho e desenvolvimento social ao país.

E do lado da bioenergia, são incríveis as possibilidades de crescimento. Já aumentamos a mistura de etanol na gasolina para 30%, feito de cana e de milho, possibilitando com isto aumentar a produção de carnes pela geração de “bagaço do milho”, chamado de DDG, excelente fonte de ração. Temos grandes oportunidades no biodiesel que deve logo chegar a 20% de mistura, e com isto impulsionar mais ainda a produção das carnes devido a presença de farelo de soja e outros produtos, e este aumento da produção gera esterco que vira biogás, eletricidade e biometano (máquinas movidas a biometano foram apresentadas na Agrishow) que diminuem as necessidades de diesel e ainda geram fertilizantes, dentro do que chamamos de agricultura circular. E ainda crescem os projetos para combustível de aviação, de navios, enfim, são muitas as oportunidades na bioenergia para produtores de pequeno, médio e grande porte no agro.

13 – E para a nova faculdade, a Harven Agribusiness School, quais serão os benefícios?

A criação da Harven Agribusiness School, por parceiros de peso como a Markestrat e o grupo SEB do empresário Chaim Zaher foi feita na direção de ter em Ribeirão Preto a melhor educação em agro. Queremos atrair alunos do mundo todo para estudarem aqui, pois quem quer ser bom no agro tem que aprender no melhor agro do mundo. E o evento será uma vitrine para mostrar que Ribeirão Preto por ter mais de 10 setores distintos do agro ao seu redor, excelente padrão de vida no comparativo do Brasil pode ser um destino.

E a Harven está sendo projetada mundialmente com o evento, pois ficaram sabendo de sua existência por estar em todos os materiais e quando aqui vierem a conhecerão. Parte importante dos professores internacionais será convidada a serem professores Harven e nossos professores ampliarão sua inserção internacional nestas universidades, bem como convênios para intercâmbio de alunos. Teremos geração de materiais, estudos de casos de empresas, vídeos das palestras todas que serão usados. Estes materiais também irão aos alunos interessados em agro da FEARP/USP onde sou professor há 30 anos, em tempo parcial. Vale ressaltar que no grupo que ajudou a organizar o evento, temos a presença da ESALQ/USP, EAESP/FGV, INSPER, ESPM, UNESP, PUC-RS e diversas outras, portanto as universidades brasileiras serão beneficiadas.

14 – E a importância para Ribeirão Preto em sediar este evento?

Tive o privilégio de ser contratado pela FEARP/USP no final de 1995 e vir para cá, adotando esta cidade, que inclusive me premiou com o título de Cidadão. Minha esposa também não é daqui, mas adorou a cidade e aqui nasceram nossas filhas e aqui pretendemos ficar. É a cidade mais associada ao agro no Brasil, inclusive o nome de “Capital Brasileira do Agronegócio” que está nas entradas da cidade, fui eu quem deu. Além de sediar a Agrishow, que neste ano teve quase 200 mil visitantes, a cidade é palco de grandes eventos e discussões do agro. Em parceria com meu primo Roberto Fava Scare em 2005 trouxemos para Ribeirão Preto o evento da Sociedade Brasileira de Economia, Sociologia e Administração Rural, que é o encontro mais tradicional do Brasil, onde vieram cerca de 1000 pessoas e foi sediado na FEARP/USP. Nesta data registramos Ribeirão Preto entre as cidades sede deste evento para sempre.

Mas faltava trazer o principal evento internacional e já estávamos tentando há uns 10 anos, mas o risco é alto, a logística para se chegar aqui envolve um passo a mais, lamentavelmente o aeroporto de Ribeirão Preto atrasou e não ficou pronto, não temos voos para Guarulhos, o que dificulta demais para estrangeiros e os custos para eles são muito elevados. Mas tomamos coragem e fomos em frente, e estamos trabalhando firme para que tudo dê certo e venham 700 a 900 pessoas de cerca de 40 países, que serão depois multiplicadores e comunicadores das boas coisas que estamos fazendo no agro e da cidade. Será uma alegria ver Ribeirão Preto para sempre imortalizada na tabela das cidades sede deste evento.

CONFIRA AS CIDADES SEDE DA CONFERÊNCIA GLOBAL DA IFAMA:

1991 – Boston (EUA)

1992 – Oxford (Inglaterra)

1993 – São Francisco (EUA)

1994 – Caracas (Venezuela)

1995 – Paris (França)

1996 – Cancun (México)

1997 – Jacarta (Indonésia)

1998 – Punta del Este (Uruguai)

1999 – Florença (Itália)

2000 – Chicago (EUA)

2001 – Sydney (Australia)

2002 – Noordwijk (Holanda)

2003 – Cancun (México)

2004 – Montreau (Suiça)

2005 – Chicago (EUA)

2006 – Buenos Aires (Argentina)

2007 – Parma (Italia)

2008 – Monterey (EUA)

2009 – Budapest (Hungria)

2010 – Boston (EUA)

2011 – Frankfurt (Alemanha)

2012 – Shanghai (China)

2013 – Atlanta (EUA)

2014 – Cidade do Cabo (Africa do Sul)

2015 – Minneapolis/Saint Paul (EUA)

2016 – Aarhus (Dinamarca)

2017 – Miami (EUA)

2018 – Buenos Aires (Argentina)

2019 – Hangzhou (China)

2020 – Virtual

2021 – Virtual

2022 – San Jose (Costa Rica)

2023 – Christchurch (Nova Zelândia)

2024 – Almeria (Espanha)

2025 – Ribeirão Preto (Brasil)

2026 – Cork (Irlanda)





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AgroNewsPolítica & Agro

São Paulo abre edital para reforçar combate ao greening



Citricultura paulista ganha reforço contra HLB




Foto: Seane Lennon

Durante a abertura da 50ª Expocitros, realizada nesta terça-feira (3) em Cordeirópolis (SP), o governo do Estado de São Paulo anunciou a abertura de edital público para contratação de 28 profissionais que atuarão no enfrentamento ao HLB, também conhecido como greening, doença que ameaça a produção de citros em todo o mundo.

A contratação será feita por meio de termo de cooperação com uma Organização da Sociedade Civil (OSC), com validade de um ano e possibilidade de prorrogação. As equipes serão formadas por técnicos agropecuários, engenheiros agrônomos e profissionais da área administrativa, que trabalharão em conjunto com servidores da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA).

“Essa é uma medida fundamental para a preservação da cadeia da citricultura em nosso estado. Mais monitoramento é sinônimo de maior produtividade e segurança para os pomares paulistas. São Paulo concentra aproximadamente 80% da produção nacional e gerou quase 50 mil empregos só em 2024”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai.

A CDA atua com ações de fiscalização, orientação técnica e controle sanitário vegetal, sendo responsável pela linha de frente no combate ao greening e ao cancro cítrico. Em 2024, foram realizadas 1.743 fiscalizações relacionadas ao HLB, com a retirada de mais de 4,5 milhões de mudas. Além disso, 37 palestras educativas foram promovidas para o público externo, e a coordenadoria mantém um canal aberto para denúncias sobre pomares abandonados ou mal manejados.

No mês de maio, a Secretaria de Agricultura publicou duas resoluções para reforçar as ações de combate ao greening. A Resolução nº 23/2025 proíbe o plantio e a manutenção de plantas hospedeiras da bactéria em imóveis sob gestão da pasta. Já a Resolução nº 24/2025 proíbe a produção, o plantio, o comércio e o transporte de mudas de murta, além do uso da planta em paisagismo urbano em todo o estado, excetuando-se casos científicos devidamente cadastrados junto à CDA.





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licitação da Índia para ureia pode afetar mercado global


A Índia lançou, na última semana, uma nova licitação para importação de Ureia, medida que já era amplamente esperada pelo mercado internacional em razão da aproximação da safra Kharif, período de alta demanda por fertilizantes no país. Segundo o relatório semanal de fertilizantes da consultoria StoneX, o anúncio não surpreendeu investidores e analistas do setor, mas pode reforçar a tendência de firmeza nos preços globais da Ureia.

A Índia é uma das maiores compradoras de fertilizantes nitrogenados no mundo. “Historicamente, durante os períodos de licitação indiana, investidores acompanham atentamente esse evento. Isso porque a possibilidade de que a Índia adquira uma parcela relevante dos estoques disponíveis no mercado global pode gerar pressões altistas, especialmente quando a oferta global já se encontra limitada, como é o caso atualmente, em função de restrições na produção em países como o Egito, onde cortes no fornecimento de gás natural reduziram a produção de nitrogenados”, explica o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.

Enquanto isso, o mercado acompanha a situação da China, onde existe a expectativa pela retomada das exportações de ureia. A liberação chinesa poderia exercer pressão de baixa sobre os preços internacionais, dependendo do volume exportado.

As informações do setor apontam que fornecedores chineses já iniciaram o processo de inspeção aduaneira de algumas cargas. A liberação, no entanto, ainda depende de aprovação e desembaraço oficial. “No entanto, há grande incerteza quanto aos prazos e volumes envolvidos e, possivelmente, a oferta chinesa só começará a influenciar o mercado a partir de meados de junho — e, ainda assim, não se sabe com clareza qual será a quantidade efetivamente liberada para exportação”, analisa Pernías.

No Brasil, os efeitos desse cenário são acompanhados de perto por importadores e agricultores. A indefinição ocorre em um momento considerado crítico para o planejamento da safra de verão, que marca o início de decisões estratégicas quanto à aquisição de insumos agrícolas.

“Nesse contexto, a combinação da licitação indiana e das indefinições quanto às exportações chinesas pode aumentar a volatilidade e dificultar a previsibilidade dos preços — justamente quando os produtores brasileiros buscam maior clareza sobre o cenário e os custos dos insumos”, conclui Pernías.





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Novo inseticida contra greening chega ao mercado


A Albaugh, uma das dez maiores companhias globais do setor de defensivos agrícolas, será destaque na Expocitros 2025, de 3 a 6 de junho, em Cordeirópolis (SP). No principal evento da cadeia citrícola da América Latina, a empresa lança o inseticida Afiado, desenvolvido para o controle do psilídeo-dos-citros, vetor do greening, doença que mais preocupa os produtores atualmente.

Segundo Nelson Azevedo, diretor de marketing da Albaugh, o Afiado amplia o portfólio da empresa para citros, que já conta com soluções consolidadas como o acaricida Braver e o fungicida Recop. A recomendação é iniciar as aplicações do novo inseticida ao identificar os primeiros psilídeos, especialmente na vegetação nova dos pomares.

A formulação líquida do Afiado traz vantagens operacionais, como facilidade de dosagem e menor risco de incompatibilidades físico-químicas. A companhia também destaca o Braver como aliado no manejo dos pomares, oferecendo proteção prolongada e seletividade aos inimigos naturais das pragas.

“Afiado® leva conveniência ao citricultor com sua formulação líquida, mais moderna, mais fácil de dosar, manipular e aplicar, frente a produtos com a mesma composição. Evita também problemas de incompatibilidade físico-química e simplifica a logística de tratamento,” afirma Azevedo.

Com presença global e fábricas próprias em nove países, incluindo o Brasil, a Albaugh reforça sua atuação estratégica na citricultura. Na feira, a equipe técnica estará à disposição para apresentar, além do Afiado, outras soluções do portfólio, como Ariete, Ruler, Preciso xK, Azteca e Joya.

 





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Câmara aprova aumento de penas para crimes ambientais



Os agricultores estão mais protegidos



Os agricultores estão mais protegidos
Os agricultores estão mais protegidos – Foto: Agencia Brasil

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (2), o Projeto de Lei nº 3.339/2024, que altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). A proposta endurece a punição para crimes como incêndio em florestas e poluição, além de incluir novas circunstâncias agravantes, como atos que dificultem a prestação de serviços públicos ou praticados em concurso de pessoas.

O texto também prevê que condenados pelo uso irregular do fogo, em terras públicas ou privadas, fiquem proibidos, por cinco anos, de firmar contratos com o poder público ou receber recursos públicos. A medida busca coibir práticas criminosas que geram grandes prejuízos ambientais e econômicos.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanhou de perto a tramitação da proposta e defendeu alterações para garantir segurança jurídica ao setor. Segundo Lupion, após diversas rodadas de negociação, o relatório final acolheu os principais pontos defendidos pela bancada. 

“O texto inicial do relator era mais abrangente e gerava insegurança jurídica ao permitir a penalização de produtores que, muitas vezes, são vítimas dos incêndios e não seus causadores. Por isso, a FPA fechou questão em torno da necessidade de o projeto tratar exclusivamente de incêndios criminosos, com garantias legais claras. O produtor rural não é o causador dos incêndios, ele é vítima e, cada vez mais, parte essencial da solução. Punir os responsáveis é um passo importante para evitar que tragédias como as da última seca se repitam”, destacou Lupion. O projeto segue agora para análise do Senado Federal.

 





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