quinta-feira, abril 2, 2026

Política & Agro

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Coinoculação eleva produtividade da soja


A prática da coinoculação na cultura da soja, que combina bactérias do gênero Bradyrhizobium com Azospirillum, tem ganhado espaço no manejo agrícola por seu potencial de aumentar a produtividade e promover benefícios nutricionais e fisiológicos às plantas. A engenheira agrônoma Tatiza Barcellos explicou os fundamentos e vantagens da técnica em artigo publicado no blog da Aegro.

De acordo com Barcellos, a inoculação tradicional com bactérias fixadoras de nitrogênio, como o Bradyrhizobium japonicum e o Bradyrhizobium elkanii, é uma prática consolidada na agricultura brasileira. “Essas bactérias captam o nitrogênio atmosférico e o transformam em compostos orgânicos assimiláveis pelas plantas”, afirmou.

O avanço da coinoculação ocorre com a introdução de bactérias do gênero Azospirillum, em especial a espécie Azospirillum brasilense, que atua na produção de fitormônios, estimula o crescimento radicular e solubiliza fosfatos minerais, elevando a disponibilidade de fósforo no solo. “A associação entre esses microrganismos visa, sobretudo, melhorar o fornecimento de nutrientes, fortalecer o sistema radicular e aumentar a tolerância a estresses ambientais”, destacou a agrônoma.

Entre os resultados observados com o uso da coinoculação estão o aumento da nodulação e da fixação biológica de Nitrogênio, maior absorção de água e fertilizantes, e incremento no vigor e produtividade das plantas. Além disso, a técnica é considerada ambientalmente segura e contribui para a redução do uso de adubos nitrogenados.

Por envolver microrganismos vivos, Barcellos alerta para a necessidade de cuidados durante o transporte, armazenamento e aplicação dos inoculantes. “É essencial seguir as orientações do fabricante, utilizar produtos registrados pelo Ministério da Agricultura e realizar a semeadura no mesmo dia da coinoculação”, explicou.

A engenheira reforça que, se bem aplicada, a técnica representa um investimento de baixo custo com alto retorno. “A coinoculação é uma tecnologia eficiente e sustentável que deve ser incorporada ao planejamento produtivo das lavouras de soja”, concluiu.





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Panorama do mercado de arroz deve mudar nas próximas semanas



Boas produtividades na safra e fatores externos podem favorecer o grão


Foto: Paulo Rossi/Divulgação

Apesar da preocupação com relação ao atual momento dos preços pagos pela saca de 50 quilos de arroz, a safra 2024/2025 do grão tem se mostrado com níveis bons de produtividade, que são necessários para poder enfrentar o alto custo de produção. A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho.

Segundo o dirigente, apesar da questão dos preços, alguns fatores com relação à diminuição da safra americana de arroz, entre 10% e 15% podem ajudar a trazer uma competitividade melhor para o arroz gaúcho. “Além disso, a baixa qualidade observada no produto colhido no norte do Brasil é outro fator que pode fazer aumentar a procura por produto oriundo do sul do Brasil”, pondera.

No mercado externo, conforme Velho, há demanda confirmada de países como Nicarágua, Panamá, México e Costa Rica, que devem garantir um bom volume de comercialização no porto. “Como destaque a Costa Rica, que deve confirmar uma compra acima de 200 mil toneladas entre os meses de abril e junho de produto brasileiro”, salienta.

O presidente da Federarroz reforça também que um volume melhor de soja colhida este ano em áreas de arroz deve ajudar para que o produtor tenha uma alternativa de comercialização e possa regrar melhor a oferta de arroz no mercado. “O produtor tem que ter consciência que se vende arroz quando o mercado está comprador ou quando o mercado está comprando, ao invés de ofertar quantidades grandes quando o mercado está sem liquidez. É preciso muita cautela nessa hora”, adverte.

Por fim, de acordo com o dirigente, com a entrada da safra da soja em áreas de arroz e a confirmação dos negócios para o Porto de Rio Grande, a expectativa dos arrozeiros gaúchos é que em breve se tenha um outro panorama no mercado.





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Colheita da primeira safra de grãos se encerra no Paraná


O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou nesta terça-feira (8) que a colheita de grãos da primeira safra está praticamente encerrada no estado. Segundo o boletim Condições de Tempo e Cultivo, os resultados foram positivos nas regiões de colheita mais tardia. Com o término das atividades, muitos produtores iniciaram a correção do solo com aplicação de calcário e adubação orgânica, visando o próximo ciclo.

No setor hortícola, lavouras de tomate afetadas por viroses foram eliminadas, com início do plantio de variedades mais resistentes. No Noroeste do estado, seguem as colheitas de frutas como banana, goiaba e maracujá.

A colheita do arroz irrigado ocorre conforme o cronograma, embora deva se estender por mais algumas semanas. Já a mandioca de dois ciclos está sendo colhida com antecedência, enquanto o cultivo de um ciclo permanece em fase de tratos culturais.

Desde o início de abril, está autorizada a colheita, o transporte e a comercialização do pinhão, desde que os frutos estejam maduros. Contudo, a produção desta safra deve ser inferior à do ano passado, reflexo da natureza bianual da planta e da sua sazonalidade.

Os preparativos para a colheita do café começaram, com previsão de início para o próximo mês. Já a colheita do feijão da segunda safra foi iniciada, mas produtores demonstram preocupação com os preços, sobretudo do feijão preto, que apresentou forte desvalorização. Técnicos de campo indicam que, mesmo com as chuvas, já há perdas confirmadas nessa cultura.

Parte dos produtores plantou milho da segunda safra fora do zoneamento agrícola, assumindo os riscos. Enquanto algumas lavouras em floração apresentam bom desenvolvimento devido às precipitações recentes, outras em fase de frutificação já registram perdas irreversíveis. A produtividade varia de acordo com a data de plantio, e a irregularidade das chuvas tem dificultado a uniformidade das lavouras. Após os episódios de chuva, foi intensificado o controle de pragas como pulgões e cigarrinhas.

Os agricultores também iniciaram o plantio de pastagens e plantas de cobertura de inverno, como as aveias. Em relação ao trigo, o preparo do solo avança nas regiões que semeiam a cultura em abril, mas a redução da área plantada deve ser mantida. “A diminuição quase irreversível na área de trigo ocorre devido aos altos custos com seguros e à menor cobertura para perdas causadas por intempéries”, apontou o boletim. Parte dessas áreas deve ser destinada à produção de forrageiras.

Na cultura da batata de segunda safra, a maioria das lavouras está em fase de formação de tubérculos. Em paralelo, há produtores iniciando os primeiros preparativos para o plantio. O boletim destaca que houve inovação nos tratos culturais com a adoção de VANTs (Drones agrícolas) para tratamento fitossanitário.

Para a próxima safra de soja, é esperada uma redução da área cultivada nas regiões de arenito, devido às baixas produtividades registradas nos últimos anos. Produtores têm adotado estratégias de rotação de culturas com o plantio de milheto, braquiária e outras espécies para produção de massa verde, favorecendo a cobertura do solo.

As pastagens demonstram recuperação, com aumento na oferta de massa verde, o que facilita o manejo do gado. O preço do leite pago aos produtores também apresentou acréscimo no início de abril, referente à produção de março.





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Boi China e boi gordo valorizam nas praças paulistas



No Mato Grosso do Sul, o mercado também registrou avanços




Foto: Canva

A cotação do boi gordo e do chamado “boi China” apresentou alta nas praças paulistas, de acordo com o informativo Tem Boi na Linha, divulgado pela Scot Consultoria. A valorização foi de R$ 2,00 por arroba, impulsionada por uma oferta mais restrita de animais prontos para abate. As cotações das fêmeas, no entanto, permaneceram estáveis. As escalas de abate no estado giraram em torno de seis dias.

No Mato Grosso do Sul, o mercado também registrou avanços. Em Dourados, o preço do boi comum subiu R$ 4,00 por arroba, enquanto os valores das fêmeas seguiram inalterados. Em Campo Grande, a oferta limitada elevou o preço dos machos em R$ 5,00 por arroba. Ambas as regiões mantiveram escalas de abate médias de cinco a seis dias. Já em Três Lagoas, os preços de todas as categorias permaneceram estáveis, com escalas também em torno de cinco dias.

No cenário externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 37,4 mil toneladas na primeira semana de abril, o que corresponde a uma média diária de 9,3 mil toneladas. Segundo dados preliminares, o volume representa uma leve retração de 0,9% em relação à média diária registrada em abril de 2024.

Apesar da queda no volume, o preço médio da tonelada exportada subiu 9,2% na comparação anual, alcançando US$ 4,9 mil. A elevação nos preços pode indicar uma demanda mais aquecida por parte do mercado internacional, ainda que o ritmo de embarques tenha diminuído.





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Importações de lácteos batem recorde no 1º trimestre de 2025



As importações brasileiras de lácteos somaram 590,83 milhões de litros




Foto: Pixabay

As importações brasileiras de lácteos somaram 590,83 milhões de litros em equivalente leite no primeiro trimestre de 2025, volume 5,38% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A informação consta na análise semanal divulgada nesta segunda-feira (7) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Segundo o Imea, o volume é o maior já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. “Além da quantidade recorde, o valor gasto com essas aquisições também foi o mais alto para o período, alcançando US$ 279,87 milhões”, aponta a análise.

Apesar do crescimento acumulado no trimestre, as compras externas recuaram em março. O Brasil importou 178,85 milhões de litros em equivalente leite no mês, queda de 14,78% em relação a fevereiro.

O recuo mensal está associado, segundo o instituto, ao período de menor produção de leite nos principais países fornecedores, o que reduziu a disponibilidade de produto no mercado internacional. “As compras oriundas da Argentina e do Uruguai apresentaram retrações de 5,72% e 23,52%, respectivamente”, destaca o boletim. Os volumes totalizaram 106,32 milhões de litros e 54,64 milhões de litros em equivalente leite.





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Batata e mandioca lideram descontos do PGPAF em abril


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta segunda-feira (7) a lista de produtos que terão direito ao bônus de desconto do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). A medida, publicada no Diário Oficial da União, passa a valer entre os dias 10 de abril e 9 de maio.

De acordo com a Conab, os agricultores da malva (juta), no estado do Amazonas, estão entre os beneficiados neste mês. Ao todo, 16 produtos em diferentes regiões do país foram contemplados com o bônus, que é concedido quando o valor de mercado de um item agrícola fica abaixo do preço de garantia estabelecido pelo governo.

Segundo a estatal, os maiores percentuais de desconto foram registrados para a batata no Rio Grande do Sul, com 65,88%; a raiz de mandioca no Rio de Janeiro, com 61,69%; e a castanha-de-caju no Piauí, com 53,31%. O feijão caupi no Amapá também teve variação significativa, com 47,38%, além da raiz de mandioca no Espírito Santo, com 45,63%, e da castanha-de-caju na Paraíba, com 41,48%.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) é o responsável por divulgar mensalmente a portaria com os valores do bônus. Os cálculos têm como base os custos de produção elaborados pela Conab. O objetivo do PGPAF é oferecer suporte aos agricultores familiares, promovendo o acesso ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para implantação, modernização ou expansão das atividades produtivas.

O benefício poderá ser acessado por produtores de diversas culturas, como açaí, banana, batata, batata-doce, cará/inhame, castanha-de-caju, cebola, erva-mate, feijão, feijão-caupi, manga, maracujá, mel, mandioca e trigo, em vários estados.

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Wall Street despenca conforme guerra comercial piora


Logotipo Reuters

Por David French

(Reuters) – Wall Street despencou pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira, enquanto o índice de tecnologia Nasdaq confirmou estar em um mercado em baixa e o índice Dow Jones entrou em correção, conforme a escalada da guerra comercial global provocou as maiores perdas desde a pandemia.

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 desabou 5,95%, para 5.073,80 pontos. O Nasdaq tombou 5,80%, para 15.587,79 pontos. O Dow Jones mergulhou 5,52%, para 38.314,49 pontos.  

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Avocado brasileiro ganha espaço no mercado internacional



Fruta está conquistando novos paladares mundo afora




Foto: Divulgação

O avocado brasileiro está conquistando novos paladares mundo afora. Segundo informações da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), o setor comemora a abertura de quatro novos mercados estratégicos em 2024: Japão, Chile, Costa Rica e Índia.

A conquista foi discutida durante o workshop “Avocado – Exportação Chile e Japão: Novos mercados para o avocado”, promovido pela Associação Abacates do Brasil em parceria com a Abrafrutas e apoio da Assenag (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Bauru). Especialistas e produtores debateram os desafios logísticos e as oportunidades comerciais para o envio da fruta a esses novos destinos.

Com textura cremosa e alto valor nutricional, o avocado tem ganhado destaque nas prateleiras internacionais. Em 2024, o Brasil exportou mais de 24 mil toneladas da fruta, com receita superior a US$ 36 milhões.

“Essas aberturas de mercado representam um avanço enorme para o setor, especialmente para os produtores que vêm investindo em qualidade e rastreabilidade. Agora, o desafio é garantir que toda a cadeia esteja preparada para atender às exigências desses países”, afirma Victor Mendes, auxiliar técnico da Abrafrutas.

Nos últimos anos, o país já havia conquistado o acesso aos mercados da Argentina, em 2019, e da Bolívia, em 2020. Agora, com a inclusão de nações de alta exigência como o Japão, a fruticultura brasileira fortalece sua presença global, especialmente no segmento do avocado.

A Abrafrutas tem sido protagonista nesse avanço, atuando em parceria com o Ministério da Agricultura e instituições internacionais na construção de protocolos fitossanitários, capacitações técnicas e negociações bilaterais. Para a entidade, a diversificação de mercados é essencial para a estabilidade do produtor e a sustentabilidade do setor.

 





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Balança comercial inicia abril com superávit de US$ 1,8 bi


A balança comercial brasileira iniciou o mês de abril de 2025 com superávit de US$ 1,8 bilhão, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). A corrente de comércio no período alcançou US$ 10,5 bilhões, com exportações de US$ 6,1 bilhões e importações de US$ 4,4 bilhões.

No acumulado do ano, as exportações somam US$ 83,5 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 71,7 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 11,8 bilhões. A corrente de comércio acumulada até o momento é de US$ 155,2 bilhões.

Segundo a Secex, houve aumento de 11,4% na média diária das exportações na primeira semana de abril em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho setorial indica crescimento de 3,7% nas exportações da agropecuária, com destaque para produtos como café não torrado (8%), especiarias (134,8%) e soja (2,7%). Na indústria extrativa, o avanço foi de 5,9%, impulsionado pelas vendas de fertilizantes brutos (325,8%), minérios de Cobre (129,4%) e petróleo bruto (13%).

A indústria de transformação registrou aumento de 19% nas exportações, com elevação nas vendas de farelos de soja e outros alimentos para animais (55%), produtos residuais de petróleo (1.385,6%) e aço semi-acabado (221,8%).

Por outro lado, a Secex identificou quedas nas exportações de trigo e centeio não moídos (-11,7%), milho (-46,8%) e algodão em bruto (-14%) na agropecuária. Na indústria extrativa, as retrações envolveram minério de Ferro (-24,2%) e minérios de níquel (-99,9%). Já na indústria de transformação, os recuos mais relevantes foram registrados em açúcares e melaços (-33,7%), celulose (-34,3%) e óleos combustíveis (-24,5%).

As importações também apresentaram crescimento, com destaque para a agropecuária (51,2%), a indústria extrativa (5,7%) e a indústria de transformação (9,5%). Na agropecuária, foram impulsionadas pelas compras de milho (349,8%), cacau (916,4%) e cevada (65,5%). Na indústria extrativa, aumentaram as aquisições de fertilizantes brutos (61,8%) e petróleo bruto (14,1%). Na indústria de transformação, sobressaíram medicamentos (30,9%), compostos químicos (36,3%) e veículos de passageiros (48,9%).

Apesar do crescimento geral nas importações, foram registradas quedas em produtos como trigo (-37,5%), soja (-96,9%) e pescado (-32,4%) na agropecuária; gás natural (-29,7%) e outros minerais em bruto (-38,2%) na indústria extrativa; e Cobre (-42,5%) e válvulas eletrônicas (-28,1%) na indústria de transformação.





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Embrapa realiza workshop sobre metodologias de certificação de baixo carbono no agro


Nos dias 3 e 4 de abril, a Embrapa Meio Ambiente promoveu em Jaguariúna (SP) o Workshop Contabilidade Ambiental em Protocolos de Baixo Carbono, reunindo especialistas de diversas Unidades, como Gado de Corte, Meio Ambiente, Milho e Sorgo, Pecuária Sudeste e Soja. O foco do evento foi alinhar estratégias para padronizar as métricas de emissões e remoções de carbono, integrando-as aos diferentes sistemas produtivos do agronegócio brasileiro.

Os debates foram guiados pela necessidade de desenvolver soluções sustentáveis que atendam às exigências internacionais. O formato presencial do workshop possibilitou uma troca enriquecedora entre as cadeias produtivas, permitindo que soluções para soja, milho, sorgo e trigo também beneficiassem a pecuária.

Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, destacou a importância do workshop para o desenvolvimento de ferramentas, como calculadoras de carbono, que utilizam metodologias reconhecidas, como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e o método BRLUC (Brazilian Land Use Change). Essas tecnologias são cruciais para garantir a competitividade do Brasil em mercados que valorizam práticas ambientais responsáveis.

Berndt observou que a diversidade dos sistemas produtivos no Brasil gera desafios específicos. Ele ressaltou que a Embrapa está tecnicamente preparada, mas é vital promover um diálogo entre as regiões para conectar a ciência à realidade local. Além disso, enfatizou a necessidade de comunicar claramente os benefícios econômicos e ambientais das novas tecnologias aos produtores.

Marília Folegatti, pesquisadora cuja equipe é responsável pelos estudos sobre a metodologia ACV na Embrapa Meio Ambiente, ressaltou a colaboração observada nos encontros entre os representantes dos Programas de Baixo Carbono da instituição. Segundo ela, as reuniões, apesar de dedicadas a técnicas para a contabilidade de carbono, também foram focadas em soluções de Tecnologia da Informação. Como resultado principal, espera-se a criação de uma plataforma com ferramentas comuns e harmonizadas, capazes de integrar um conjunto de culturas agrícolas e atividades pecuárias de baixo carbono, tanto do ponto de vista tecnológico quanto metodológico.

Henrique Debiase, da Embrapa Soja, considerou o alinhamento entre as iniciativas de certificação um marco em relação às mudanças climáticas. O evento contou com a participação de representantes dos selos de Soja, Milho, Sorgo, Trigo e Leite e Carne Baixo Carbono, visando padronizar critérios metodológicos e evitar fragmentações que possam prejudicar a credibilidade das certificações.

Ele alertou para a importância de protocolos que reflitam a realidade dos sistemas tropicais. Muitos métodos foram desenvolvidos para climas temperados e podem distorcer a realidade da produção brasileira. “Aplicar modelos estrangeiros gera distorções que penalizam injustamente nossa agricultura”, ressaltou Debiase, que também destacou a sustentabilidade de muitos sistemas brasileiros, apesar dos desafios do desmatamento ilegal.

A integração e a sintonia entre os programas de baixo carbono foram reforçadas por Arystides Resende, da Embrapa Milho e Sorgo. Ele considerou o workshop essencial para garantir que todas as iniciativas avancem de forma alinhada, respeitando a interconexão entre grãos e pecuária. Resende afirmou que a adaptação de metodologias internacionais à realidade tropical é crucial para evitar penalizações injustas.

O workshop representou um passo importante na consolidação de uma base técnica nacional robusta, crucial para o Brasil se afirmar como líder no desenvolvimento de tecnologias agropecuárias de baixo carbono, pondera Resende.

Contexto da pecuária

Para Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a decisão do governo brasileiro de ampliar e incentivar o uso de metodologias de contabilidade de carbono é fundamental diante da crescente relevância do tema. Segundo ele, essas ferramentas são essenciais para calcular a pegada de carbono — indicador que expressa o volume total de gases de efeito estufa emitidos por um produto ou processo no seu ciclo de vida —, informação cada vez mais demandada por consumidores, mercados e formuladores de políticas públicas.

“No caso da pecuária, essa é uma oportunidade ainda mais significativa”, avalia Giolo. “Trata-se de uma cadeia produtiva frequentemente criticada por suas emissões, mas que, com o uso dessas metodologias, poderá demonstrar também sua capacidade de remoção de carbono da atmosfera. E, nesse ponto, os sistemas pecuários apresentam um potencial de remoção até maior que o das lavouras.”

Embora o setor seja frequentemente apontado como um dos principais emissores, o pesquisador destaca que, ao considerar também as remoções, o balanço final de emissões pode ser bastante reduzido. “Isso representa um avanço importante para a pecuária, que passa a mostrar não apenas suas emissões, mas também sua contribuição positiva na mitigação dos gases de efeito estufa”, afirma.

Giolo ressalta ainda que, no caso da carne bovina, essas ferramentas abrem espaço para valorizar sistemas de produção sustentáveis. “A calculadora será utilizada para a certificação da marca Carne Baixo Carbono, que terá seu lançamento na COP30.

Na COP30

Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, destaca que o Brasil levará à COP30 a proposta de adoção de métodos de cálculo de carbono mais compatíveis com as particularidades dos sistemas agrícolas tropicais, sem perder a articulação com as métricas globais. As abordagens hoje dominantes, moldadas por realidades de clima temperado, negligenciam características essenciais da produção brasileira, como a possibilidade de duas ou até três safras por ano e a ampla diversidade de solos e condições climáticas nos diferentes biomas do país.

Packer também enfatiza que as práticas previstas no Plano ABC+ — ampliadas por meio da política nacional de recuperação de pastagens degradadas — têm papel estratégico tanto na mitigação quanto na adaptação às mudanças do clima. Ela destaca que o objetivo do workshop foi promover a harmonização das ferramentas de cálculo da pegada de carbono, de forma a reconhecer e valorizar as contribuições da agricultura tropical para o equilíbrio climático global.





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