quinta-feira, março 26, 2026

Política & Agro

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estratégias integradas são chave para controle eficaz da planta daninha


A presença do caruru (Amaranthus spp.) nas lavouras de soja brasileiras tem se consolidado como um dos maiores desafios fitossanitários enfrentados pelos produtores. Com alto potencial competitivo, rápida capacidade de disseminação e resistência crescente a diversos mecanismos de ação de herbicidas, a planta daninha pode causar perdas superiores a 50% na produtividade se não for controlada de forma adequada.

O controle efetivo do caruru exige a adoção de um manejo integrado, que envolva práticas preventivas, culturais, mecânicas e químicas. Essa abordagem é fundamental para reduzir a pressão de seleção por resistência e manter a sustentabilidade da produção agrícola.

Rotação de culturas e plantas de cobertura no combate ao caruru

A rotação de culturas é uma das estratégias mais eficazes no controle do caruru. A alternância da soja com culturas como milho, trigo ou pastagens interrompe o ciclo de vida da planta daninha, reduzindo sua presença no solo. Além disso, o uso de plantas de cobertura, como o azevém durante o inverno, promove o sombreamento do solo e inibe a emergência de novas plantas.

O plantio consorciado, como milho com braquiária, e a antecipação da semeadura para períodos com menor emergência do caruru também são práticas que complementam o controle cultural da espécie.

Herbicidas: uso criterioso e atenção à resistência

O controle químico ainda é uma das principais ferramentas no manejo do caruru, sendo recomendado o uso combinado de herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes. O sucesso da aplicação depende do estádio de desenvolvimento da planta daninha — com maior eficácia em aplicações realizadas entre 2 e 4 folhas.

Entretanto, o uso contínuo de ingredientes ativos com o mesmo mecanismo de ação tem levado ao surgimento de populações resistentes. No Brasil, já há registro de resistência ao glifosato, inibidores da ALS, Protox e Fotossistema II em diferentes espécies de caruru. Por isso, a rotação e associação de mecanismos de ação são práticas indispensáveis para prolongar a vida útil dos herbicidas disponíveis no mercado.

Boas práticas agrícolas complementam o controle

Além do manejo químico e cultural, práticas como a limpeza de máquinas e implementos agrícolas são essenciais para evitar a introdução e disseminação de sementes de caruru entre talhões e propriedades. A utilização de sementes certificadas, a eliminação de plantas sobreviventes e o cuidado com a entrada de animais em áreas produtivas também integram o conjunto de medidas preventivas.

Manejo antecipado é fundamental para conter o avanço

A estratégia mais eficaz contra o caruru começa antes mesmo do plantio. A adoção de herbicidas residuais, associada a boas práticas agrícolas e culturais, oferece um controle mais duradouro e reduz a emergência de novas plantas durante o ciclo da cultura.

 





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Prestação de serviço em pulverização localizada gera oportunidade para pequenos produtores



Smart Sensing diversifica modelo de negócios para atingir outros públicos


Foto: Divulgação

A Smart Sensing, que comercializa no Brasi a tecnologia WEED-IT, de sensores que detectam as plantas daninhas e acionam válvulas para aplicação localizada de herbicidas, está ampliando a prestação de serviço para viabilizar também aos pequenos produtores uma pulverização de precisão e baixo custo. Somente com essa nova modalidade de negócios, a empresa espera faturar R$ 5 milhões ao ano.

A prestação de serviço atualmente conta com quatro máquinas em operação, duas em Mato Grosso, uma em Goiás e outra na Bahia. Segundo Marcos Ferraz, diretor comercial da Smart Sensing, o movimento de “servitização” da agricultura, onde ao invés de simplesmente vender os insumos as empresas oferecem o controle e a estratégia de manejo completa, está crescendo. “Dessa forma, o cliente ganha ao pagar pelo resultado e não pelo produto e ainda conta com profissionais mais capacitados, garantia de eficiência, menor investimento inicial, sendo que o próprio benefício gerado paga o investimento.”

Os clientes que utilizam a prestação de serviço para aplicação localizada de herbicidas com a tecnologia WEED-IT tiveram até abril deste ano uma economia média de R$115,40 por hectare ou 63,7% em relação à pulverização convencional.

Essa modalidade serve também para aumentar as vendas do sistema, a taxa de conversão para compra dos equipamentos, que atualmente é o foco principal da empresa, naqueles clientes que fizeram o serviço é de aproximadamente 50%. “Isso mostra a satisfação relacionada aos resultados obtidos. A prestação de serviços acaba funcionado como mais uma ferramenta de divulgação, mas o número de clientes a ser atendido neste modelo tende a aumentar conforme conseguimos ampliar nossa frota disponível, além da realização de parcerias com empresas locais. O serviço é muito mais fácil de vender já que o cliente não precisa desembolsar um valor alto e a própria economia gerada muitas vezes já paga o valor do serviço. Além de eliminar a desconfiança, pois ele só paga a partir da comprovação do resultado”, explica Ferraz.





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Bioestímulo e controle de pragas e doenças em maçã e uva são temas do Seminário Nacional de Fruticultura


Um dos principais encontros técnicos e científicos do setor frutícola, o Seminário Nacional de Fruticultura (Senafrut) terá sua 16ª edição entre os dias 10 e 12 de junho, na catarinense São Joaquim. O evento reúne produtores, consultores, pesquisadores e fornecedores de tecnologias. Na ocasião, a companhia Sipcam Nichino Brasil, com histórico de forte presença no mercado brasileiro de agroquímicos para HF, apresenta um portfólio robusto voltado à nutrição e ao controle de pragas e doenças das culturas de maçã e uva.

Recentemente, a Sipcam Nichino introduziu no país uma plataforma de bioestimulantes, formada pelas soluções Abyss®, Blackjak®, Nutex® Premium e Stilo® Verde. Para a companhia, o ‘bioestímulo’ entrega aumento significativo em produtividade e sanidade da maçã e da uva.

“Comprovamos a potencialização do desenvolvimento das culturas, resultante de alterações em processos fisiológicos, como por exemplo maior capacidade fotossintética”, resume José de Freitas, engenheiro agrônomo, da área de desenvolvimento de mercado. “O uso correto dessas tecnologias de última geração traz melhor desenvolvimento vegetativo e reprodutivo às culturas de maçã e uva, com plantas e frutos mais sadios e produtivos, mesmo diante de entraves climáticos aos sistemas de produção.”

O controle de pragas e doenças também terá espaço destacado pela Sipcam Nichino no Senafrut. A companhia difundirá informações sobre resultados entregues aos produtores pelos fungicidas Academic®, Dodex®, Metiltiofan® e Zetanil® e o inseticida Trebon®.

De acordo com Freitas, as culturas de maçã e uva são estratégicas para o negócio da Sipcam Nichino Brasil. “A fruticultura da região Sul do país tem sido alvo de investimentos da companhia em pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas. O objetivo é auxiliar o produtor a enfrentar desafios fitossanitários e climáticos, assim produzir mais e melhor”, conclui José de Freitas.

Criada em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam, fundada em 1946, especialista em agroquímicos pós-patentes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.





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Inmet prevê chuvas intensas no Norte e frio extremo no Sul


A previsão do tempo para a semana de 9 a 16 de junho indica um cenário climático contrastante no Brasil, com destaque para chuvas volumosas na Região Norte e queda acentuada nas temperaturas no centro-sul do país. Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os acumulados de chuva podem ultrapassar os 60 mm em estados como Amazonas, Roraima, Amapá e noroeste do Pará.

O boletim meteorológico aponta que, além do Norte, há previsão de chuvas entre 20 e 40 mm em áreas do leste do Nordeste, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, no sudoeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul. Essas chuvas, no entanto, devem ser mais isoladas, com destaque para áreas específicas, segundo o Inmet.

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Na Região Nordeste, o tempo deve permanecer predominantemente seco no interior. As exceções ficam para áreas litorâneas da Bahia, Sergipe e Alagoas, onde os volumes podem ultrapassar os 20 mm. Já no interior nordestino, a tendência é de tempo aberto, com poucas chances de precipitação significativa.

As regiões Sudeste e Centro-Oeste também terão influência de instabilidades pontuais. A previsão indica chuvas em áreas do sul de Goiás, leste e sul de Mato Grosso do Sul, norte e leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e no estado do Rio de Janeiro. Nesses locais, os volumes podem superar os 20 mm, especialmente no início da semana.

O destaque na Região Sul será a queda nas temperaturas. A chegada de uma massa de ar frio provocará declínio acentuado nos termômetros. Conforme o Inmet, as mínimas devem se aproximar de 0°C em áreas do Sul, com possibilidade de formação de geadas, especialmente em regiões serranas e de maior altitude.

O restante da Região Sul terá tempo mais estável até o fim da semana, com chuvas isoladas apenas no leste de Santa Catarina e do Paraná. A combinação de frio intenso e baixa umidade aumenta o risco de impactos na agricultura, o que exige atenção redobrada dos produtores rurais quanto às condições meteorológicas e medidas de proteção às lavouras sensíveis ao frio.





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Tecnologia e inovação ganham destaque no pavilhão coberto da Bahia Farm Show 2025



Evento reúne mais de mil marcas que apresentam soluções voltadas à modernização


Foto: Divulgação

A 19ª edição da Bahia Farm Show confirma mais uma vez seu protagonismo como vitrine de inovação no agronegócio. Já consolidada como a maior feira tecnológica do Norte e Nordeste do Brasil, o evento reúne mais de mil marcas que apresentam soluções voltadas à modernização e à eficiência do trabalho no campo. Entre os destaques, o pavilhão coberto se tornou um verdadeiro centro de convergência entre tecnologia, segurança e praticidade para o homem do campo.

De São Paulo, o casal Munisia e Kleber Veloso, do Grupo Elétrica, apostou na apresentação de um sistema preventivo inovador que detecta tempestades e descargas elétricas a longa distância. O “previstorm”, como é chamado, utiliza um software desenvolvido na Espanha que emite alertas com até 50 quilômetros de antecedência. “Essa é a nossa terceira participação na Bahia Farm Show e, este ano, viemos com essa solução que permite ao produtor rural antecipar medidas de segurança e proteger sua propriedade. A precisão é total”, afirma Kleber.

Outro exemplo de como a tecnologia está cada vez mais presente na rotina rural é o inversor de frequência apresentado pela empresa Deel. Segundo o engenheiro elétrico Antônio Lima, o equipamento é capaz de controlar a velocidade de motores, otimizando o uso de energia em diversas máquinas utilizadas na agricultura. “A proposta é facilitar a operação no campo, oferecendo mais controle, economia e durabilidade aos equipamentos. A eletricidade é uma aliada fundamental na mecanização rural”, pontua.

O espaço do pavilhão abriga uma diversidade que reflete as múltiplas dimensões da vida e do trabalho no campo. Além das inovações tecnológicas, o público encontra também doces artesanais, botas e acessórios até soluções de grande porte, como fábricas de adubo, equipamentos para produção agrícola e sistemas de pavimentação, como a venda da massa asfáltica estocável. Nos dois primeiros dias de Bahia Farm Show, cerca de 40 mil pessoas já passaram pelo complexo em Luís Eduardo Magalhães. A expectativa é que mais de 100 visitantes passem pela feira agrícola até sábado (14).





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Canola se destaca no inverno gaúcho



Contudo, a canola exige maior atenção em nutrição e manejo



Contudo, a canola exige maior atenção em nutrição e manejo
Contudo, a canola exige maior atenção em nutrição e manejo – Foto: Pixabay

A canola vem ganhando espaço no Rio Grande do Sul como uma alternativa promissora às culturas tradicionais de inverno. Com mais de 151 mil hectares cultivados e produção estimada em 226 mil toneladas na safra de 2024, segundo a Emater/RS, a oleaginosa se consolida especialmente na região Noroeste do Estado, onde produtores já acumulam experiência significativa com a cultura.

Entre os principais atrativos da canola estão seu alto teor de óleo — até 45%, superando em até 30% o da soja — e a crescente demanda da indústria. O baixo custo de produção, a menor incidência de doenças e a tolerância a graminicidas favorecem o manejo e o controle de plantas daninhas resistentes, como o azevém. Embora a média de produtividade ainda seja de 25 sacas por hectare, há registros de lavouras que alcançaram até 50 sacas/ha.

Contudo, a canola exige maior atenção em nutrição e manejo, principalmente em relação ao fornecimento de enxofre e nitrogênio, fundamentais para a formação de óleo e proteína. A cultura também é vulnerável ao mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum), sendo necessário o uso de biofungicidas à base de *Trichoderma*, como o Tribalance, que atua no controle biológico do patógeno.

Outro ponto crítico é o fornecimento de boro, nutriente essencial para o florescimento e a polinização. Produtos como o Humicbor, que combinam boro com extrato de algas e substâncias húmicas, têm mostrado bons resultados em produtividade. Com o apoio da pesquisa e da indústria, a canola tende a se firmar como uma cultura estratégica para a sustentabilidade e diversificação agrícola no Sul do Brasil.

 





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Federarroz cobra ações urgentes do governo federal para enfrentar crise no arroz


Diante do cenário de forte desvalorização do arroz e dificuldades de mercado, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) esteve novamente reunida nesta quarta-feira, 11 de junho, em Brasília (DF), com representantes do governo federal para tratar de medidas emergenciais de apoio ao setor produtivo. O encontro contou com a participação do presidente da entidade, Alexandre Velho, e do presidente eleito, Denis Dias Nunes, além de representantes da Conab, Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ministério da Fazenda.

Durante a reunião, os dirigentes da Federarroz relataram o momento crítico vivenciado pelos produtores. “Deixamos claro que a situação está insustentável. Além dos preços estarem muito baixos, o mercado enfrenta uma grave falta de liquidez. Precisamos com urgência de alguma medida de apoio aos produtores”, destacou Alexandre Velho.

Entre as possibilidades debatidas, foi sinalizada a adoção de uma ação de curto prazo ainda em 2025, como o uso de contratos de opção — ferramenta que permite compras com flexibilidade de até 20% acima do preço mínimo. Também foram mencionadas eventuais medidas no novo Plano Safra, com foco no próximo ciclo produtivo.

A Federarroz reforçou, no entanto, sua posição contrária à compra de arroz pelo preço mínimo vigente, de R$ 63,00 por saca. “Esse valor de forma alguma representa uma faixa de preço que sustente os custos reais da lavoura de arroz. O setor produtivo foi enfático: se os preços permanecerem neste patamar, haverá uma drástica diminuição na área plantada, o que certamente não interessa ao governo”, alertou o dirigente.

No encerramento da agenda, Alexandre Velho reiterou sua preocupação com a ausência de medidas imediatas. “Saio da reunião preocupado e espero sinceramente que o governo tenha compreendido a gravidade do momento”, afirmou.

Ainda nesta semana, a entidade também esteve reunida em Porto Alegre com representantes de instituições financeiras, como Banco do Brasil e Sicredi, tratando do escalonamento das dívidas de custeio como estratégia para reduzir a pressão de venda nos meses de junho e julho.





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Crédito cooperativo dos produtores fica fora dos efeitos da RJ


Empresas agropecuárias que utilizam com frequência esse tipo de crédito devem avaliar a estrutura de suas dívidas antes de optar pela recuperação judicial

O crédito cooperativo foi blindado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em decisão unânime da terceira turma, reconheceu que os créditos adquiridos em atos cooperativos, aqueles realizados entre cooperativas de crédito e seus cooperados, são extraconcursais, ou seja, não se submetem aos efeitos do da recuperação judicial. A decisão foi efetivada em julgamento conjunto dos Recursos Especiais 2.091.441 e 2.110.361, interpostos pela Sicredi Alta Noroeste e pela Cooperativa de Crédito Nosso – Sicoob Nosso, respectivamente. 

Em consonância com os recursos propostos pelas cooperativas, o relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, afirmou que a atuação das cooperativas é distinta das instituições financeiras tradicionais, pois está baseada na mutualidade e na prestação de serviços exclusivos aos cooperados. A cobrança de juros, destacou o ministro, não descaracteriza o ato cooperativo, uma vez que tem como finalidade a sustentabilidade da atividade e o benefício coletivo dos membros.

Na avaliação do advogado André Bachur, sócio do Passos e Sticca Advogados Associados (PSAA), a decisão favorece a segurança jurídica, uma vez que aplica exatamente o que diz a lei. “Na prática, significa que créditos oriundos de cooperativas não vão entrar na recuperação judicial, ou seja, mesmo que o produtor rural entre em recuperação judicial, a cooperativa poderá executar seu crédito paralelamente”, explica. 

 De acordo com Bachur, o impacto será gradual, já que produtores avaliarão se realmente é viável entrar com a recuperação judicial, tendo em vista que os créditos oriundos de cooperativas não serão abarcados pelos efeitos da recuperação judicial. “Em um cenário em que o instituto da recuperação judicial foi banalizado, a decisão é benéfica e fortalece o procedimento, já que delimita quais créditos serão atingidos pelos efeitos da recuperação judicial”, esclarece o especialista.

A decisão ocorre num momento em que crescem os processos de recuperação judicial de produtores rurais e empresas do agronegócio. De acordo com dados da Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial por empresas do setor agroindustrial cresceram 38% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024 – ano que já havia registrado recorde histórico nesse indicador.

A jurisprudência firmada pelo STJ soma-se a outras exceções legais à recuperação judicial, tais como: Cédulas de Produto Rural (CPR), com antecipação de preço e operações de barter (Lei nº 8.929/94, art. 12); créditos de operações de crédito rural controlado (§7º do art. 49 da Lei nº 11.101/05) e dívidas para aquisição de imóvel rural nos três anos anteriores ao pedido (§9º do mesmo artigo).

Em relação ao crédito decorrente da CPR física, o sócio do PSAA explica que ele já não é absorvido pelos efeitos da recuperação judicial nos termos do art. 11 da Lei 8.929/94 (Lei das CPRs), alterado pela Lei 14.112/20 (reforma da Lei de Recuperação Judicial e Falência – Lei 11.101/05). “Assim, os créditos advindos das cooperativas aos produtores formalizados por CPR física serão duplamente extraconcursais”, resume.

Com essa decisão, o STJ reafirma a segurança jurídica dos contratos cooperativos e reforça a previsibilidade para os agentes financeiros do setor agropecuário. “Para os produtores rurais em situação de endividamento, o julgamento serve de alerta. Por isso, é fundamental avaliar, de forma estratégica e individualizada, a estrutura das dívidas antes de se recorrer à recuperação judicial, que pode não abranger todos os tipos de crédito”, sugere o jurista.

 





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novo programa rastreará agrotóxicos no Brasil


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa Nacional de Rastreabilidade de Agrotóxicos e Afins (PNRA), por meio da Portaria MAPA nº 805, publicada nesta terça-feira (10). A medida visa promover a rastreabilidade de produtos agrotóxicos e afins em toda a sua cadeia produtiva e logística, garantindo objetivos da defesa agropecuária e subsidiando ações de prevenção a fraudes contra a saúde pública, relações de consumo, segurança do alimento e riscos ambientais e à saúde.

Conforme a Portaria, o PNRA utilizará o Identificador de Rastreabilidade de Agrotóxicos e Afins (IRA), um código ou dispositivo aplicado às embalagens para identificação unívoca e registro de informações em sistemas de rastreabilidade. O Sistema Integrado de Rastreabilidade (SIR) será a plataforma tecnológica responsável por coletar, armazenar, processar e disponibilizar essas informações. A rastreabilidade logística, por sua vez, permitirá o acompanhamento da movimentação dos produtos.

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa será responsável por regulamentar e operacionalizar o programa, definindo requisitos técnicos e operacionais para o SIR, IRA e para um Aplicativo Público de Rastreabilidade. Isso inclui o registro de produtos e agentes, geração e aplicação de identificadores, captura de eventos, rastreamento de carga, fiscalização, consulta pública e logística reversa. A Portaria estabelece que o Mapa irá elaborar, em até 60 dias, um cronograma escalonado de adesão ao PNRA para os agentes da cadeia produtiva, com prazos de até 120 dias para implementação completa.

O PNRA abrangerá diversos participantes da cadeia, como titulares de registro, produtores, manipuladores, formuladores, importadores, exportadores, distribuidores, comerciantes, transportadores, armazenadores, usuários e centros de recolhimento de embalagens. A implementação do programa ocorrerá em fases. A Fase 1 (Estruturação) prevê o desenvolvimento ou contratação do SIR e a definição dos requisitos para integração logística. A Fase 2 (Expansão Gradual) focará na expansão da aplicação dos IRAs e do registro de informações no SIR. Por fim, a Fase 3 (Consolidação e Logística Reversa) buscará a integração completa de todos os agentes e a plena operacionalização da rastreabilidade na logística reversa de embalagens. A Portaria entra em vigor na data de sua publicação, e o descumprimento das disposições sujeitará os infratores às sanções previstas na Lei nº 14.785, de 27 de dezembro de 2023, além de outras sanções administrativas, civis e penais.

Deputado propõe sustar rastreabilidade de agrotóxicos

A medida do Mapa foi questionada pelo Deputado Federal Pedro Lupion (PP-PR) expressa discordância com a medida instituída pelo Mapa. Nesta quarta-feira (11), o parlamentar apresentou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 312/2025) que busca sustar os efeitos da Portaria.

Na justificativa do PDL, o Deputado Lupion argumenta que a Portaria Mapa nº 805/2025 foi “editada em desacordo com princípios fundamentais da boa governança regulatória, da participação social e da razoabilidade econômica”. Ele ressalta que o próprio Mapa havia instituído um Grupo de Trabalho (GT) em 2024, pela Portaria SDA/MAPA nº 1.212/2024, com o objetivo de discutir soluções para o controle e rastreamento de agrotóxicos. O GT, composto por representantes do Mapa e entidades setoriais, realizou reuniões técnicas e escutas públicas, mas a Portaria 805/2025 foi publicada “de forma totalmente surpreendente e precipitada”, antes mesmo da conclusão formal do GT e da entrega de seu relatório final, que venceria em 9 de junho de 2025. Essa atitude, segundo o deputado, “gerou uma legítima e profunda frustração nas entidades envolvidas, minando a confiança na participação do setor privado na formulação de políticas públicas”.

Outro ponto levantado é a “completa ausência de uma Avaliação de Impacto Regulatório (AIR) e de consulta pública formal”. O deputado afirma que a portaria ignorou o Decreto nº 10.411/2020, que regulamenta a AIR em âmbito federal e estabelece um rito obrigatório para atos normativos que impactam o setor regulado, além de ferir princípios constitucionais como legalidade, eficiência e participação social. Essa falha procedimental impede a análise prévia de custos, benefícios e alternativas regulatórias, e “cerceia a participação democrática e a transparência na tomada de decisões”.

O documento também aponta que a Portaria Mapa nº 805/2025 impõe “exigências técnicas e logísticas desproporcionais e excessivamente onerosas” a toda a cadeia de agrotóxicos, sem análise de impacto econômico ou viabilidade operacional. O texto da Portaria direciona a adoção de tecnologias específicas, como etiquetas com RFID (Identificação por Radiofrequência), desconsiderando outras tecnologias já utilizadas internacionalmente, como QR Codes e blockchain. Essa insistência em uma tecnologia particular é vista como uma “solução custosa e limitada”, que não assegura autenticidade nem garante rastreabilidade efetiva. O custo por embalagem pode atingir R$ 0,30 somente em custos diretos, sendo integralmente repassado ao produtor rural sem retorno efetivo em segurança ou controle.





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Expedição técnica mapeia desafios e avanços na produção de batata e tomate em 14 regiões brasileiras



Pesquisadores conduziram visitas técnicas, palestras e coletas de dados


Foto: Divulgação

Entre maio e julho de 2025, a equipe da revista hortifruti Brasil, publicação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, está com os pés no campo para ouvir quem realmente faz o hortifrúti acontecer. A matéria de capa da edição de junho é resultado de uma ampla expedição por 14 polos produtores de tomate e batata, localizados em regiões estratégicas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. A iniciativa faz parte da Rota da batata e do tomate, realizada em parceria com a Gowan do Brasil, dentro do escopo do programa Parcerias Inteligentes HFBrasil.

Durante a jornada, pesquisadores, técnicos e jornalistas da HF Brasil conduziram visitas técnicas, palestras e coletas de dados primários diretamente com produtores, resultando na análise de indicadores como produtividade, rentabilidade, custos de produção e estratégias de manejo adotadas nas lavouras.

“Cada parada foi uma troca rica de informações. Levamos dados e voltamos com histórias, desafios e soluções reais do campo. Esta edição traduz tudo isso em números, gráficos e análises que ajudam a pensar o futuro da produção nacional”, afirma João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea e coordenador da expedição.

A publicação do Cepea destaca avanços agronômicos, como o uso crescente da enxertia na cultura do tomate, e a profissionalização da bataticultura, especialmente voltada à indústria de congelados. Também são abordados os principais gargalos enfrentados pelos produtores, como incertezas climáticas, alto custo dos insumos e escassez de mão de obra qualificada.

Com uma abordagem técnico-analítica e linguagem acessível, a reportagem oferece uma leitura estratégica para produtores, técnicos, consultores e agentes da cadeia hortícola interessados em compreender as transformações em curso na produção nacional.





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