segunda-feira, março 23, 2026

Política & Agro

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Cobertura viva evita agroquímicos na soja



Já a área com azevém apresenta competição natural



Já a área com azevém apresenta competição natural
Já a área com azevém apresenta competição natural – Foto: Agrolink

Duas áreas de terras baixas avaliadas no litoral Sul de Santa Catarina, ambas com o mesmo histórico agrícola, soja na safra 2023/24 e arroz em semeadura direta na 2024/25, demonstram diferenças significativas no controle de plantas daninhas durante a entressafra. A análise é do engenheiro agrônomo Júlio Catoni. Segundo ele, após a colheita da atual safra, ambas as áreas foram dessecadas com glifosato para controle do rebrote do arroz. No entanto, apenas uma delas contou com a semeadura de azevém durante os últimos três invernos.

Mesmo com a aplicação de herbicidas hormonais para o controle da buva, a presença dessa invasora é mais evidente na área sem azevém. As plantas, originadas de áreas marginais e disseminadas pelo vento, encontram ambiente mais favorável para germinação onde há ausência de cobertura vegetal viva. Já a área com azevém apresenta competição natural mais eficiente, dificultando o estabelecimento da buva e reduzindo a necessidade de novos manejos químicos. 

Catoni ressalta quatro pontos importantes: a presença de água no verão não impede a germinação de sementes de buva; a cobertura viva no inverno cria um ambiente menos propício a invasoras; áreas de arroz bem conduzidas podem sim ser aproveitadas no inverno com semeadura direta; e cada oportunidade de manejar sem herbicidas deve ser valorizada. Por fim, o agrônomo propõe uma reflexão aos produtores: o investimento feito na pós-colheita de terras baixas deve ser contabilizado como custo da safra de verão ou transformado em renda produtiva durante o inverno? As informações foram divulgadas no seu perfil na rede social LinkedIn.

   





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Microrganismos melhoram sabor e saúde do café



Além disso, o uso dessas soluções biológicas permite reduzir a aplicação de químicos



Além disso, o uso dessas soluções biológicas permite reduzir a aplicação de agroquímicos
Além disso, o uso dessas soluções biológicas permite reduzir a aplicação de agroquímicos – Foto: Sheila Flores

O cultivo de café está passando por uma revolução impulsionada pelo uso de microrganismos benéficos, que vêm transformando a produção dessa bebida tão apreciada mundialmente. O emprego de bactérias e fungos, como Trichoderma e Bacillus, tem se mostrado eficiente no controle natural de doenças, além de estimular o crescimento das raízes e otimizar a absorção de nutrientes essenciais, como Fósforo e Potássio.

Segundo Mário Emilio, empreendedor e desenvolvedor de produtos, é possível dizer que esses microrganismos desempenham um papel crucial não apenas na saúde das plantas, mas também na fermentação controlada dos grãos. Esse processo contribui para o desenvolvimento de cafés com aromas e sabores mais complexos, elevando a qualidade da bebida. Além disso, o uso dessas soluções biológicas permite reduzir a aplicação de agroquímicos, protegendo o solo, a saúde dos agricultores e preservando o sabor autêntico do café.

De acordo com ele, essa abordagem alia sustentabilidade e tecnologia natural, respeitando o meio ambiente e promovendo uma produção mais responsável. Ao mesmo tempo, os consumidores podem desfrutar de cafés com perfis sensoriais aprimorados, resultado do equilíbrio entre práticas agrícolas inovadoras e respeito ao ecossistema.

O uso de microrganismos no cultivo do café representa, assim, um avanço significativo na agricultura moderna, trazendo benefícios econômicos, ambientais e sensoriais para toda a cadeia produtiva e para quem aprecia essa tradicional bebida. As informações foram divulgadas no perfil de Emilio na rede social LinkedIn.

 





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Brasil impulsiona empreendedorismo no Paraguai



A localização estratégica e a familiaridade cultural também favorecem



A localização estratégica e a familiaridade cultural também favorecem
A localização estratégica e a familiaridade cultural também favorecem – Foto: Divulgação

O Paraguai vem se consolidando como um polo atrativo para o empreendedorismo brasileiro. Segundo estimativas de entidades empresariais e câmaras binacionais, cerca de 70% das novas empresas abertas no país vizinho têm origem brasileira. A informação é de Eduardo Ponticelli, cofundador da Illec International Limited, que acompanha de perto esse movimento de internacionalização empresarial na região.

Entre os principais atrativos está a carga tributária simplificada: o Paraguai adota alíquota unificada de aproximadamente 10% tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, contrastando fortemente com o sistema tributário brasileiro, marcado pela complexidade e altos custos. Além disso, os custos operacionais são significativamente menores — energia elétrica subsidiada pela Usina de Itaipu, aluguéis acessíveis e mão de obra com encargos reduzidos tornam o ambiente mais competitivo.

Outro diferencial é o Regime de Maquila, que permite a instalação de indústrias estrangeiras com isenção de impostos sobre importações e exportações. Sob esse regime, paga-se apenas 1% sobre o valor agregado local, fator que tem atraído diversos segmentos da indústria brasileira, como o têxtil, metalúrgico, eletrônico e alimentício.

A localização estratégica e a familiaridade cultural também favorecem a migração de empresas. Cidades paraguaias como Ciudad del Este e Assunção estão próximas à fronteira com o Brasil e mantêm forte presença do idioma português. Além disso, o processo de abertura de empresas no país é menos burocrático e mais ágil — em alguns casos, é possível operar legalmente em menos de 30 dias, tornando o Paraguai uma alternativa viável e eficiente para o empresário brasileiro.

 





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Distribuição de insumos enfrenta reestruturação



Empresas tradicionais estão reduzindo operações



Empresas tradicionais estão reduzindo operações
Empresas tradicionais estão reduzindo operações – Foto: inpEV

A cadeia de distribuição de insumos agrícolas passa por uma transformação sem precedentes, marcada por rupturas profundas e desafios sistêmicos que colocam em xeque modelos antes considerados inabaláveis. Segundo Jorge Dias, diretor da Agrofito Insumos Agrícolas, o setor vive uma reviravolta agressiva, rápida e imprevisível, em que os antigos mapas estratégicos já não oferecem mais orientação válida.

Empresas tradicionais estão reduzindo operações, mudando radicalmente seus modelos ou deixando o mercado. Os produtores, por sua vez, enfrentam um ambiente de crescente desconfiança e crédito cada vez mais escasso, caro e lento. A inadimplência disparou, e muitos distribuidores lidam com passivos acumulados de safras anteriores. Além disso, o mercado de capitais tem fechado portas para investimentos, enquanto exportações são sufocadas por taxações externas e barreiras impostas pelos Estados Unidos. Os conflitos geopolíticos ainda elevam custos logísticos e dificultam o planejamento estratégico.

Mesmo diante desse cenário caótico, as metas continuam sendo exigidas, as margens estão cada vez mais comprimidas e a confiança do setor foi severamente abalada. “Não se trata de mais um ciclo de baixa, mas de uma reorganização estrutural”, afirma Dias. O diretor alerta que quem insiste em operar com as mesmas regras de 2018 está condenado a ser atropelado pela nova realidade.

O caminho, segundo ele, não passa por soluções prontas ou promessas tecnológicas ilusórias, mas sim por inteligência estratégica, escuta ativa do campo e coragem para romper com práticas que já não fazem sentido. É um momento de reconstrução coerente — não de improviso —, sob o risco de ver grandes histórias empresariais se tornarem apenas rodapés nos livros do agronegócio.

 





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Soja fecha em leve alta em Chicago com prêmio climático


Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram a quinta-feira (24) com leve valorização, impulsionados principalmente por fatores climáticos nos Estados Unidos. Segundo análise da TF Agroeconômica, o contrato de setembro, referência para a nova safra, subiu 0,07%, ou US$ 0,50 cent/bushel, sendo cotado a US$ 1005,75. Já o contrato de agosto caiu 0,15%, ou US$ 1,25 cent/bushel, para US$ 1004,25, refletindo sua proximidade de vencimento.

Apesar da sequência anterior de três quedas, os preços se recuperaram levemente nesta sessão, com o mercado monitorando atentamente as previsões climáticas. A continuidade das chuvas no cinturão agrícola americano vem favorecendo as lavouras, o que tende a pressionar os preços. No entanto, a possibilidade de menos umidade nas previsões de 6 a 14 dias oferece algum suporte, somado à firmeza do óleo de soja, que subiu 0,94% no dia.

Outro fator que chamou a atenção foi a compra de 30 mil toneladas de farelo de soja da Argentina pela China — um movimento raro, já que, mesmo com o comércio liberado desde 2019, os chineses geralmente evitam esse mercado. Essa compra pontual trouxe volatilidade ao farelo, que acabou fechando em queda de 0,85%, a US\$ 269,70/ton curta.

Do lado das exportações, os dados divulgados pelo USDA foram considerados baixistas. As vendas semanais de soja dos EUA totalizaram 160,9 mil toneladas para a safra 2024/25, abaixo das 271,9 mil da semana anterior. Para a temporada 2025/26, as vendas foram de 238,8 mil toneladas — resultado também inferior às expectativas do mercado, que iam de 250 mil a 500 mil toneladas. A ausência da China e o protagonismo da Holanda, com 116,8 mil toneladas, reforçam o cenário de demanda internacional fraca.

 





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Soja segue sem muitas movimentações


O mercado da soja não tem movimentações relevantes no Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica. “Pagamento Agosto R$ 138,70 pagamento 30/08, setembro R$ 143,50 pagamento 30/09, outubro R$ 145,00 pagamento 30/10. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 131,00 Cruz Alta – Pgto. 30/08 – para exportador, R$ 131,00 Passo Fundo – Pgto. fim de agosto, R$ 131,00 Ijui´ – Pgto. 30/08 – para fábrica R$ 133,00 Santa Rosa / São Luiz – Pgto. 24/08. Preços de pedra em Panambi caíram para R$ 123,00 a saca ao produtor”, comenta.

Comercialização lenta e estrutura pressionada em Santa Catarina. “A movimentação portuária destaca que a dinâmica do mercado catarinense é impactada não apenas pela produção local, mas pelo intenso fluxo de grãos oriundos do Centro-Oeste, no entanto tem sido um desafio constante encontrar informações precisas a respeito de o que tem acontecido com os grãos oriundos do estado, sabe-se que a comercialização é lenta, quando ocorre os volumes tendem a ficar abaixo de 20 mil toneladas. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 138,16 (+0,46%)”, completa.

Excesso de oferta pressiona mercado e expõe déficit estrutural de armazenagem no Paraná. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 136,20. Em Cascavel, o preço foi 122,87. Em Maringá, o preço foi de R$ 122,98 (+0,07%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 121,47 (-0,40%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 138,16 (+0,04%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00”, indica.

Safra recorde, vendas lentas e fretes em oscilação no Mato Grosso do Sul. Mato Grosso do Sul concluiu a safra 2024/25 com 14,68 milhões de toneladas, consolidando um volume recorde, mas a comercialização segue lenta. Hoje, os preços variaram entre R$ 119,54 em Chapadão do Sul e R$ 125,09 em Sidrolândia, mostrando que há uma diferença bastante expressiva entre os produtos de cada região. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 120,63, Campo Grande em R$ 120,63, Maracaju em R$ 120,63, Chapadão do Sul a R$ 119,54 (+0,45%), Sidrolândia a em R$ 125,09”, informa.

Enquanto isso, o maior produtor de soja enfrenta déficit crítico de armazenagem. “Os preços da soja em Mato Grosso, em 24 de julho, variaram entre R$ 111,38 em Sorriso e R$ 118,02 em Campo Verde. Primavera do Leste e Rondonópolis acompanharam a mesma variação. Campo Verde: R$ 118,96 (-0,79%). Lucas do Rio Verde: R$ 116,66, Nova Mutum: R$ 114,10. Primavera do Leste: R$ 118,02 (-0,79%). Rondonópolis: R$ 118,02 (-0,79%). Sorriso: R$ 111,38”, conclui.

 





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Milho sobe na B3 com atraso na colheita


Os contratos futuros de milho fecharam em alta nesta quinta-feira (25) na B3, impulsionados pelo atraso na colheita e pela dificuldade de originação de volumes para exportação. Segundo a TF Agroeconômica, mesmo com o milho americano ainda mais competitivo no mercado global, a lentidão da colheita em algumas regiões brasileiras tem acirrado as negociações internas, sustentando os preços. Além disso, o mercado nacional acompanhou a recuperação nas cotações da Bolsa de Chicago.

Na B3, o vencimento setembro/25 encerrou o dia cotado a R$ 65,28, com alta de R$ 0,18 no dia e de R$ 1,83 na semana. O contrato novembro/25 subiu R$ 0,03, para R$ 68,21, acumulando alta de R$ 1,24 na semana. Já o janeiro/26 recuou R$ 0,07 no dia, fechando em R$ 72,04, mas ainda registra avanço de R$ 0,74 na semana. Apesar da queda no acumulado mensal, o indicador Cepea mostra sinais de recuperação na última semana.

Em Chicago, os preços também subiram após três sessões de baixa. O contrato setembro/24, referência para a safrinha brasileira, subiu 0,82% (US$ 3,25), encerrando a US$ 401,75/bushel. O dezembro/24 avançou 0,84% (US$ 3,25), fechando a US\$ 420,75/bushel. A alta foi motivada por uma demanda mais forte pelo milho americano, com destaque para vendas da safra velha, que mais que dobraram em relação à semana anterior. Vendas extras somaram 419 mil toneladas. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou que a colheita de milho atingiu 84% da área apta, com avanço de 5,1 pontos percentuais em sete dias. As informações foram divulgadas nesta manhã.

 





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Como está o mercado do milho?


Liquidez baixa e dependência do milho de fora continuam no Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica. “Mesmo com o avanço da colheita, a oferta interna continua limitada, com muitos produtores evitando negociar. Para agosto, compradores indicam valores entre R$ 66,00 e R$ 70,00/saca, enquanto os preços atuais giram em torno de R$ 64,00 em Santa Rosa e Ijuí, R$ 65,00 em Não Me Toque, R$ 67,00 em Marau, Gaurama e Seberi, e R$ 68,00 em Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro”, comenta.

Descompasso entre pedidos e ofertas segue afetando o mercado de Santa Catarina. “O descompasso entre pedidos de venda e ofertas de compra continua sendo o principal obstáculo. Em Campos Novos, produtores pedem entre R$ 83,00 e R$ 85,00/saca, enquanto as indústrias oferecem até R$ 75,00. No Planalto Norte, as pedidas giram em torno de R$ 80,00, mas as ofertas continuam limitadas a R$ 75,00”, completa.

Colheita segue avançando com boas expectativas no Paraná. “O mercado de milho no Paraná continua travado, com liquidez extremamente baixa e poucas negociações. A diferença entre os preços pedidos pelos produtores e as ofertas da indústria mantém o impasse. Enquanto os vendedores pedem em média R$ 76,00/saca FOB, com alguns casos chegando a R$ 80,00, o setor de rações segue ofertando R$ 73,00 CIF, o que impede qualquer retomada mais consistente nas vendas”, indica.

Incertezas após período de estabilidade nas cotações marcam o mercado do Mato Grosso do Sul. “O mercado de milho em Mato Grosso do Sul segue travado, com liquidez extremamente baixa, mesmo após ajustes pontuais em algumas praças. Em Dourados, por exemplo, os preços subiram levemente nos últimos dias. Apesar disso, o movimento ainda é tímido, com retração de vendedores e compradores, o que impede avanços nas negociações”, conclui.

 





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Trigo: mercado segue travado



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida



No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida
No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil permanece em compasso de espera, com moinhos abastecidos e cautela nas compras. Segundo a TF Agroeconômica, os preços do trigo argentino spot em Rio Grande estão em US$ 272 por tonelada, nacionalizado, o que equivale a cerca de R$ 1.465,56 posto no porto, mais frete até o interior.

No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam com moagem reduzida e alegam margens apertadas. As compras estão focadas em atender a demanda imediata, com preços variando conforme a qualidade e a localização do produto. Negócios pontuais acontecem em torno de R$ 1.300 para trigo de boa qualidade, embarque em agosto e pagamento em setembro. Já o trigo local segue sendo oferecido a R$ 1.380 posto moinho em Porto Alegre e Serra, e R$ 1.350 no centro do estado. O preço da pedra em Panambi está estável em R$ 70,00 por saca.

Em Santa Catarina, o cenário também é de lentidão. O mercado está praticamente parado, e o trigo gaúcho ainda é amplamente ofertado entre R$ 1.330 e R$ 1.360 FOB, o que impede valorização. O trigo importado via Paranaguá segue mais competitivo do que o paranaense. Na safra nova, há relatos de queda de até 20% na venda de sementes e a Conab estima redução de 6,3% na produção catarinense. Os preços da pedra variam entre R$ 72,00 e R$ 79,00 por saca, conforme a região.

No Paraná, o mercado segue travado, com moinhos pausando operações diante da demanda fraca. O trigo tipo 1 é pedido a R$ 1.500 FOB, mas compradores ofertam R$ 1.450 CIF. Trigo importado argentino e paraguaio é ofertado entre US$ 271 e 278 a depender do porto. A média de preços pagos aos agricultores subiu levemente para R$ 77,19, com margem de lucro estimada em 4,98%, acima do custo médio de produção de R$ 73,53 segundo o Deral.

 





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Algodão brasileiro identifica novos (e grandes) mercados


algodão brasileiro vive um momento estratégico no mercado internacional. Com crescimento constante da área plantada, estabilidade de oferta e foco em rastreabilidade e sustentabilidade, o Brasil pode ocupar ainda mais os espaços deixados por grandes concorrentes globais, como Índia, Austrália e Estados Unidos.

A avaliação é de Márcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que vê oportunidades concretas para o país se consolidar ainda mais como um dos principais fornecedores mundiais da fibra — posição reforçada pelo fato de o Brasil já ser o maior exportador global de algodão em pluma. 

“O Brasil é o único país que tem crescido constantemente porque tem clima e produtor com tecnologia para continuar no algodão mesmo em época ruim”, afirma. 

Segundo Portocarrero, três grandes movimentos internacionais abriram espaço para o algodão brasileiro ganhar mercado: a retenção da produção na Índia, a limitação de área na Austrália por escassez hídrica e as quebras de safra recorrentes nos Estados Unidos.

Mercados em retração e brechas de exportação:

“A maior oportunidade que nós tivemos foi a Índia, que plantava e exportava, mas passou a consumir tudo internamente. Depois veio o problema da água na Austrália, que estagnou em 600 mil hectares. E, por fim, as quebras de safra nos Estados Unidos.” 

Ao lado dessas, ele destaca uma quarta oportunidade, que considera ainda mais promissora — embora difícil de mensurar. 

“Nós temos uma grande oportunidade que não é mensurável, que é de ser o maior produtor de algodão sustentável do mundo.”

Ataque ao sintético: nova frente da estratégia global

Para além dos gargalos dos concorrentes, a Abrapa aposta numa virada de percepção do consumidor global: convencer o público a substituir tecidos sintéticos por fibras naturais. A ideia é que, ao optar por produtos biodegradáveis e renováveis como o algodão, o consumidor também reforce uma cadeia mais limpa, rastreável e ética.

“Tem o consumidor que vai na loja e não quer contribuir para comprar um produto que tenha sido produzido com gestão ambiental irregular ou com trabalho análogo ao escravo. Isso é algo que a gente certifica aqui”, destaca. 

Com apoio da ApexBrasil, a Abrapa iniciou um trabalho estruturado de comunicação internacional para reposicionar o algodão brasileiro no centro das escolhas do consumidor global. 

A estratégia envolve ações de imagem, sustentabilidade e rastreabilidade, com foco em mostrar os benefícios ambientais da fibra natural em comparação aos sintéticos. Consultores europeus especializados atuam em cidades como Milão e Amsterdã, em articulação com varejistas e grandes marcas.

Além disso, a entidade tem promovido o diálogo com produtores americanos e australianos para formar uma frente unificada a favor do algodão natural.

“Estamos começando esse grande trabalho de convencer o consumidor a migrar do sintético para o algodão, voltar para o algodão. Esse é o grande desafio.”

Ofensiva robusta

ofensiva da Abrapa se apoia não apenas em diferenciais técnicos, mas em um discurso ambiental e ético robusto. Portocarrero destaca que os tecidos sintéticos, além de não permitirem economia circular, são derivados de fontes não renováveis e responsáveis por danos crescentes à saúde e ao meio ambiente. 

“Essa tendência do consumidor pelo sintético não permite a renovação da matéria-prima. E isso o algodão permite. Se estão preocupados com o meio ambiente, com o aquecimento global, com contaminação de águas, com microplásticos — que já estão até nas nossas veias —, têm que voltar a consumir produtos naturais, como algodão, cânhamo, celulose e outras fibras sustentáveis.”

Segundo ele, essa é a oportunidade imediata de crescimento: reposicionar o algodão como a alternativa natural e confiável, diante de uma sociedade cada vez mais consciente. 

“Tem mercado. O consumo de sintético no mundo é muito maior que o do algodão. Se a gente conseguir entrar com 30% nesse mercado, permite que todo mundo cresça junto.” 

Portocarrero reforça ainda que, diferentemente de países como Estados Unidos e Austrália — que apenas exportam o algodão bruto —, o Brasil reúne matéria-prima e indústria no mesmo território. 

“A Austrália não tem indústria. Os Estados Unidos também não. O único país que produz algodão e tem indústria local é o Brasil. Isso é mais uma vantagem que a gente tem.” 

Ele lembra que até mesmo países com tradição na fibra, como o Egito, complementam sua produção com o algodão brasileiro. 

“Aquele algodão fio egípcio, na verdade, é blend com o nosso algodão. Eles não produzem nem 20% do que vendem. A Índia também já consome tudo internamente. Quando falta lá, compram da gente.” 

O foco da Abrapa também se volta à Ásia, onde estão os maiores polos industriais do setor têxtil — como China, Vietnã, Coreia do Sul, Bangladesh, Turquia e Egito. 

“Qualquer movimento de crescimento do consumo nesses países muda completamente o jogo. Se o cidadão chinês resolver comprar mais roupa de algodão, a gente vai sair correndo para atender.” 

Na Europa, onde o discurso ambiental é mais presente, a Abrapa tem atuado para que o comportamento do consumidor seja coerente com os valores que defende. 

“Estamos com uma base lá justamente para tirar o sintético da vida deles. A gente quer ajudar o consumidor europeu a alinhar discurso e prática.” 

Liderança em rastreabilidade e certificações

Outro trunfo da cotonicultura nacional é a rastreabilidade completa — da semente ao guarda-roupa. O Brasil é o único país que oferece essa garantia, com certificações ambientais e sociais exigidas por grandes marcas globais.

 “Hoje, 43% do algodão certificado que circula no mundo é nosso. E só o Brasil entrega essa rastreabilidade da lavoura até a peça de roupa. Isso ninguém mais tem.” 

Portocarrero cita que empresas como Adidas, Renner, C&A e Reserva já aderiram ao modelo. Com uso de QR codes nas etiquetas, o consumidor pode acessar, em tempo real, o talhão onde o algodão foi plantado, o mapa da fazenda e até a história do produtor.

Assim, do campo ao guarda-roupa, o algodão brasileiro quer se firmar como sinônimo de qualidade, rastreabilidade e responsabilidade.





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