sexta-feira, março 20, 2026

Política & Agro

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O uso da tecnologia blockchain na rastreabilidade do algodão brasileiro


O algodão é a fibra têxtil vegetal mais comercializada no mundo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor global, exportando essa matéria-prima para mais de 150 países. No cenário internacional, há uma crescente exigência por práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade social e ambiental.

Nesse contexto, a BCI – Better Cotton Initiative surge como referência mundial de sustentabilidade no setor algodoeiro, com o objetivo de melhorar o algodão tanto para os agricultores quanto para todos os interessados em seu futuro. A iniciativa também promove o cultivo sustentável e busca padronizar os processos por meio da criação de normas, princípios e critérios.

No Brasil, o setor é liderado pela ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, que, entre seus pilares de atuação, destaca-se pela ênfase na rastreabilidade, permitindo traçar um mapa fiel da produção do algodão nacional, por meio de duas iniciativas: o SAI – Sistema Abrapa de Identificação e a SouABR – Algodão Brasileiro Responsável.

Desse modo, o presente artigo discute como a tecnologia blockchain se consolida como instrumento jurídico e tecnológico fundamental para garantir a rastreabilidade segura da cadeia do algodão, respondendo às demandas globais por sustentabilidade e governança.

A iniciativa SAI desenvolveu um sistema que, por meio de uma etiqueta de identificação semelhante ao “CPF”, permite rastrear com exatidão o fardo: da fazenda onde foi colhido, à usina de beneficiamento, passando pelo laboratório responsável pela análise da qualidade da fibra. Entre suas vantagens, destacam-se o sistema único e confiável de identificação dos fardos, a agilidade na obtenção dos resultados de classificação pelos laboratórios e facilidade da comercialização nos mercados interno e externo.

Já a iniciativa SouABR é a pioneira na rastreabilidade em larga escala da indústria têxtil brasileira por meio da tecnologia blockchain. A partir de um QR Code na etiqueta da peça de roupa, o consumidor consegue acompanhar toda a trajetória da peça, desde o plantio do algodão certificado até o produto final.

Nesse ínterim, cabe esclarecer o conceito de blockchain; entretanto, é imprescindível explicar, antes mesmo, o que é o Bitcoin. O conceito de Bitcoin está apoiado em três grandes pilares: hardware, software e criptoativo. O hardware compreende o conjunto de dispositivos físicos que formam uma rede de computadores descentralizada que servem como mineradores ou validadores, enquanto o software refere-se à blockchain, ao gerador de pares de chave e às regras do protocolo. Por fim, o criptoativo é o pagamento do software para o hardware e desempenha a função de moeda em um sistema de pagamentos.

Portanto, quando nos referimos a blockchain, tratamos de um componente do Bitcoin enquanto software. A blockchain é uma rede descentralizada e distribuída por computadores, que registram de forma imutável, transparente e segura dados, informações e operações. Sendo assim, uma tecnologia de registro distribuído, público, pseudônimo e auditável, que funciona como livro razão. O principal diferencial da blockchain é que não existe autoridade central ou intermediário, portanto, a confiança está exclusivamente na tecnologia.

A partir da blockchain do Bitcoin, surgiram diversas redes blockchain que funcionam de maneiras diferentes. A iniciativa SouABR utiliza a blockchain da Polygon para fazer o registro da cadeia de suprimentos, essa rede é uma sidechain da blockchain Ethereum, ou seja, funciona de forma paralela à rede principal.

A blockchain da Ethereum inovou implementando na sua estrutura a possibilidade de criar um código computacional executável, que seriam os smart contracts. O conceito de smart contracts, embora a expressão possa ser traduzida literalmente como “contratos inteligentes”, esse não se enquadra como categoria contratual nos moldes do ordenamento jurídico brasileiro, em síntese, são cláusulas de execução automática.

No caso da SouABR, utiliza-se um smart contract para registrar, na blockchain, todas as etapas da cadeia produtiva do algodão, desde o plantio até a chegada da peça de vestuário no varejista. A blockchain funciona como livro-razão, cuja versão original está em todos os nós da rede. As regras de funcionamento do protocolo garantem a execução, validando a ordem de inserção dos dados e operações com transparência. Dessa forma, qualquer interessado pode acessar essas informações de forma segura. Além disso, a própria estrutura descentralizada da rede torna praticamente inviável e extremamente onerosa qualquer tentativa de violação, o que garante elevados níveis de segurança e confiabilidade. Por fim, a integridade dos registros é preservada por meio do mecanismo de consenso entre os validadores, que atestam a autenticidade de cada bloco incluído na cadeia.

Assim, a iniciativa utiliza a tecnologia fazendo o registro dos dados em blocos que juntos formam uma rede, cada bloco é autenticado, validado e colocado em sequência, de forma imutável e inviolável. Cada bloco na rede contém uma lista de transações com timestamp, indicando a data e hora exatas. Portanto, o registro se torna uma prova concreta e cabal resistente a adulteração.

Diversos países já reconheceram a validade jurídica da tecnologia blockchain e regularam a matéria, contudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido. No Brasil, a matéria ainda está em processo de regulação, sendo tema de diversas consultas públicas do BACEN – Banco Central e de resoluções da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, além da sanção da lei 14.478/22 que dispõe sobre a regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

De acordo com Freire (2021), a natureza jurídica da blockchain, considerando apenas o aspecto da tecnologia distribuída e descentralizada de registro eletrônico de dados deve ser definida juridicamente como “obra”, pois trata-se de uma criação intelectual do domínio científico expressa por meio de código e da internet, nos termos do art. 1º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

Quanto a natureza jurídica do smart contract, essa não é cristalina, segundo Leandro Gobbo (2023, v.22, p.25): “smart contracts são instrumentos cujo objetivo é viabilizar a realização de negócios diferidos no tempo, formalizados por meio de código de computador, escritos em linguagem formal e de exequibilidade automática.”

Além disso, o registro em blockchain consolida-se como prova digital dos atos jurídicos ao longo da cadeia de suprimentos, preservando as posições jurídicas envolvidas. Não obstante, o próprio CPC, no art. 369, permite o emprego de qualquer meio de prova para corroborar a verdade dos fatos. Por sua vez, a blockchain também garante a cadeia de custódia da prova, por conta das características intrínsecas da própria tecnologia que geram uma lista de transações por ordem cronológica, que são auditáveis, transparentes e seguras, atendendo aos critérios de cronologia, integridade, autenticidade e idoneidade da prova, previstos do art. 158-A e seguintes do CPP.

A aplicação da tecnologia blockchain no rastreio do algodão brasileiro representa um marco na modernização da produção têxtil. As iniciativas SAI e SouABR demonstram como a inovação pode atender às crescentes demandas por sustentabilidade, confiabilidade e governança no mercado global. O uso da tecnologia blockchain como instrumento de registro da cadeia de suprimentos tem potencial para transformar as relações comerciais, fortalecendo os vínculos entre todos os agentes da atividade produtiva.

A regulação ainda é uma incógnita, mas o potencial transformador dessa tecnologia em todas as áreas é imensurável, uma vez que o presente artigo tratou da tecnologia somente no viés do registro, cuja viabilidade jurídica foi demonstrada ao longo do texto. Portanto, é inevitável o uso da blockchain nas atividades produtivas, não sendo possível ignorá-la em detrimento do crescimento econômico. Assim, no futuro próximo, espera-se a integração entre a tecnologia e a regulação.

Rafaela Montanari Aguiar Rey Lima

Advogada, formada em Direito pelo UniCEUB, pós-graduada pela Residência Jurídica do Programa de Carreiras da OAB/DF e, atualmente, cursando MBA em Blockchain e Criptoativos pela Trevisan.





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Brasil e União Europeia reforçam parceria estratégica em encontro com a sociedade civil na IX Mesa Redonda em Brasília


Em meio a discussões sobre democracia, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) marcou presença na IX Mesa Redonda da Sociedade Civil UE-Brasil, realizada no Palácio Itamaraty nesta terça-feira (29). Representando a pasta, o Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, defendeu a importância do Acordo Mercosul-União Europeia como uma resposta concreta aos desafios globais, destacando o papel do agro brasileiro como elo de confiança entre os dois blocos.

“A União Europeia representa 14% das exportações brasileiras do agro. Mais do que os 23 bilhões de dólares exportados anualmente, são os laços históricos e os valores compartilhados que nos aproximam”, afirmou Luís Rua durante painel.

O evento, organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) em parceria com o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), reuniu representantes da sociedade civil, setor produtivo e autoridades dos dois blocos para discutir temas como transição energética, combate à desinformação e desenvolvimento sustentável.

Durante o encontro, o secretário buscou esclarecer pontos sensíveis do Acordo Mercosul-UE, argumentando que os produtos agropecuários exportados pelo Brasil como soja, café e carne de frango não competem diretamente com a produção europeia, mas a complementam.

O secretário também destacou aspectos sobre questões sanitárias e ambientais. Segundo ele, o país cumpre rigorosamente os padrões sanitários exigidos pela União Europeia há mais de quatro décadas, e continua comprometido com uma agenda ambiental robusta. “Nos últimos dois anos, o desmatamento na Amazônia caiu 46%. Estamos recuperando 40 milhões de hectares de pastagens degradadas e incentivando o uso de bioinsumos. É uma agricultura que alia produção e sustentabilidade”.

Ainda segundo Luís Rua, a ratificação do acordo entre os blocos representa mais do que um avanço econômico. “Em um cenário internacional marcado por tensões e conflitos, selar esse acordo é enviar uma mensagem clara de que o comércio, o diálogo e a cooperação seguem sendo caminhos possíveis para o desenvolvimento”, disse.

A IX Mesa Redonda sociedade civil UE-Brasil segue até o dia 30 de julho e deve ser encerrada com a assinatura de uma declaração conjunta entre o CDESS e o CESE, reafirmando o compromisso com o fortalecimento da democracia, da participação social e do desenvolvimento sustentável nas relações entre Brasil e União Europeia.





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Manejo preventivo para controle de doenças fúngicas


Ayrton Berger Neto*

O sojicultor brasileiro é hoje um dos mais eficientes do mundo — e os números comprovam. Na última safra, o país produziu quase 170 milhões de toneladas, 15% acima da anterior, em mais de 47 milhões de hectares cultivados. Esse resultado não foi acaso: reflete clima favorável, tecnologia de ponta e, sobretudo, planejamento antecipado — ponto que merece destaque neste momento de preparação para a safra 2025/2026.

O manejo estratégico contra as doenças fúngicas é decisivo para garantir produtividade e rentabilidade. Por isso, os produtores precisam alinhar agora suas decisões preventivas, considerando as condições climáticas e patológicas de cada região.

O cenário atual traz novidades em relação às últimas safras. No Sul, o inverno mais rigoroso pode reduzir o inóculo da ferrugem asiática — doença de maior impacto, capaz de comprometer mais de 50% da produtividade em casos severos. Já no Cerrado, a ocorrência de chuvas prolongadas altera a dinâmica dos patógenos, exigindo atenção redobrada.

Não é apenas a ferrugem que preocupa. Outras doenças foliares, como mancha-alvo, cercospora e oídio, têm ganhado relevância e podem causar perdas superiores a 15%. Nesse contexto, a regionalização das estratégias se torna indispensável: práticas eficazes no Cerrado podem não resultar em bons resultados na Região Sul ou na Região de MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Outro desafio é a resistência dos patógenos a grupos químicos já amplamente utilizados. Por isso, ganham força os fungicidas multissítios — protetores, atualmente indispensáveis em programas de manejo de doenças foliares, pois atuam em diferentes processos metabólicos do fungo — e novas moléculas em desenvolvimento, peças-chave para o manejo integrado.

A colaboração entre a ciência e a indústria agrícola desempenha um papel cada vez mais central. Observa-se que empresas do setor, como a Sumitomo Chemical, têm direcionado investimentos para o desenvolvimento de soluções regionalizadas. Tais iniciativas visam otimizar a aplicação no campo e potencializar a produtividade. Essa abordagem frequentemente envolve a integração de novas técnicas e inovações em manejos estratégicos, com o propósito de fornecer informações e pesquisas aplicadas de maneira acessível aos produtores, sem adicionar complexidade excessiva às operações.

A soja é pilar do agronegócio brasileiro, fundamental para exportações e geração de empregos. Por isso, o controle eficiente das doenças fúngicas vai além do campo: trata-se de segurança alimentar e econômica. Com informação de qualidade e manejo preventivo bem estruturado, o produtor assegura a produtividade e protege o futuro sustentável da sojicultura no país.

*Ayrton Berger Neto é fitopatologista e pesquisador da BW Agro Serviços.





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Em edição histórica, Dia do Algodão celebra 25 anos da Abapa e conecta tradição e inovação


Quarta edição do evento, e momento alto da programação de celebrações ao aniversário de 25 anos da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), o Dia do Algodão 2025 já entra para a série histórica não apenas como o maior em público – cerca de 1,7 mil pessoas este ano, contra aproximadamente 1,4 mil em 2024 – como também o mais inovador e emocionante dentre todos já realizados. 

Com novo formato, mais dinâmico e interativo, o Dia do Algodão teve a programação estendida ao longo de todo o dia, e os participantes puderam circular entre estações temáticas simultâneas, em uma estrutura que integrou tecnologia, sustentabilidade, gestão, educação, moda, inovação e mercado. O evento ocorreu na fazenda Santana do Grupo Franciosi, em Riachão das Neves (BA), reunindo entre produtores rurais, pesquisadores, estudantes, empresários e autoridades. 

Entre as autoridades presentes, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Agricultura (Seagri), Pablo Barrozo; a secretária estadual de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira; o diretor da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Vinícius Videira; o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt; o prefeito de Riachão das Neves, Moab Santana; o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli; o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Dawid Wajs; e o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos.

“Esse Dia de Campo representa o que somos: uma cadeia conectada, que se apoia na ciência, na cooperação e na busca constante por excelência. Ao celebrarmos 25 anos da Abapa, reconhecemos o trabalho de quem construiu essa história e renovamos o compromisso com o futuro da cotonicultura baiana e brasileira”, afirmou Alessandra Zanotto Costa, presidente da entidade.

Na noite anterior, em uma cerimônia para convidados, a Abapa celebrou a passagem do seu Jubileu de Prata. O evento homenageou os pioneiros do algodão na Bahia, relembrando a trajetória dos que, com coragem, ousaram transformar uma região sem tradição para a cotonicultura no segundo maior estado produtor do Brasil, no último quarto de século.

Num ato simbólico, os ex-presidentes da Abapa receberam uma placa comemorativa, enquanto um novelo de linha representativo do legado e do futuro da entidade era passado de mão em mão, entre antecessores e sucessores, desde o primeiro presidente, João Carlos Jacobsen Rodrigues, até a atual, Alessandra Zanotto Costa. 

Além deles, receberam a deferência, em ordem cronológica de gestão, Walter Horita, Isabel da Cunha, Celestino Zanella, Júlio Cézar Busato (representado pelo filho Cézar Busato), e Luiz Carlos Bergamaschi, que também não pôde estar presente. O encontro também marcou a inauguração oficial do novo auditório da sede da Abapa, localizado ao lado da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães.

Na ocasião, o presidente da Anea, Dawid Wajs, prestou uma homenagem à associação. “O Oeste baiano, hoje é um polo de produção moderna, sustentável e tecnológica. E isso só foi possível porque houve visão. Porque houve investimento. Porque houve coragem. A cotonicultura se transformou em vetor de desenvolvimento para a Bahia e para o Brasil. A história que vocês e a Abapa estão escrevendo nesta região é um orgulho para o Brasil inteiro.”

Um dos primeiros entusiastas da cotonicultura no Oeste da Bahia, Luiz Antônio Cansanção, falecido em 2019, recebeu in memoriam, uma homenagem através da família, durante o evento. O pioneiro também foi enfaticamente celebrado no discurso de João Carlos Jacobsen, que leu uma carta assinada em grupo por amigos do homenageado.

Baianidade e brasilidade

Na noite do jantar comemorativo e no próprio Dia do Algodão, dois vídeos deram o tom de emoção às celebrações: o primeiro um documentário resgatando a história do algodão no Oeste da Bahia, e o outro, o jingle “Nosso Algodão”, interpretado pela cantora Ana Mammeto, com participação da Banda Didá e do músico Yacoce Simões. Mais do que peças audiovisuais, eles expressaram a baianidade, conectando o Oeste às tradições culturais da Bahia, e a brasilidade, reafirmando a identidade do algodão como símbolo de origem e de expressão cultural do país.

Mais que um dia de campo

No dia seguinte, na abertura do 4º Dia do Algodão, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, reiterou o compromisso com o desenvolvimento do setor e defendeu a atuação conjunta entre governo e produtores. “O papel do governo é não atrapalhar quem produz. Estamos aqui para apoiar, ouvir e construir soluções junto com o setor. A Bahia precisa industrializar, agregar valor, gerar renda e empregos com base em tudo que já produz com excelência. Essa é uma pauta que não pode mais ser adiada”, afirmou.

Durante o evento, o chefe do executivo recebeu um documento com as principais demandas do setor, entregue pela Abapa em conjunto com a Aiba, contendo pautas como infraestrutura logística, energia, licenciamento ambiental e segurança jurídica.

“O agronegócio é, sim, aliado do meio ambiente. Crescemos com sustentabilidade, inovação e tecnologia, e o Oeste dá aula disso. Todos os pedidos apresentados são legítimos e serão analisados com responsabilidade e dentro da legalidade. Tenho plena convicção de que podemos ampliar a produção com uso cada vez mais eficiente da água, gerando mais empregos, renda e desenvolvimento para a região. Essa carta entregue ao governador expressa exatamente isso: um compromisso firme com o futuro do agro baiano”, disse Pablo Barrozo, secretário da Seagri. 

O prefeito de Riachão das Neves, Moab Santana, destacou a relevância do agronegócio para o desenvolvimento regional. “O crescimento do município tem a marca do agro em todos os cantos do nosso território. Temos, atualmente, uma cidade que se desenvolve com o apoio direto de famílias e empresas que acreditaram nessa terra.” Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, reforçou a importância da conexão entre agro e indústria, lembrando que a valorização do algodão passa também pelo avanço na cadeia de transformação. “O que vimos no Dia do Algodão é a força de um setor organizado, que valoriza a tecnologia, o capital humano e o associativismo. O futuro passa pela agregação de valor à produção, e a indústria é um elo essencial nesse processo.”

Reconhecimento aos anfitriões

A família Franciosi, do Grupo Franciosi, também pioneiros no Oeste da Bahia e já com novas gerações assumido posições de comando nos negócios, foi especialmente reverenciada na solenidade de abertura do evento, por ceder a área da fazenda que sediou o Dia do Algodão em 2025.  “Temos muito orgulho de abrir as portas da nossa casa para esse encontro. O sucesso do Dia do Algodão é resultado do esforço coletivo, e nossos colaboradores são parte essencial dessa trajetória”, disse, Valentina Franciosi, responsável por planejar e gerenciar os investimentos estruturais e de longo prazo da empresa em nome da família (Capital Expenditure).

Conhecimento aplicado 

O Dia do Algodão da Abapa vai além do formato de um dia de campo técnico. Em estações temáticas simultâneas, reúne um amplo leque de assuntos — que incluem tecnologia, sustentabilidade, gestão, educação, moda e mercado — promovendo um espaço de troca de conhecimento entre todos os elos da cadeia do algodão. Pela manhã, os participantes tiveram acesso a três Estações do Conhecimento, estruturadas para abordar temas dedicados à evolução da cotonicultura: mercado, inovação e agricultura regenerativa. Com dinâmicas simultâneas, o formato permitiu aos visitantes personalizar sua jornada, escolhendo os assuntos de maior relevância para sua atuação no campo ou na indústria.

Entre os destaques, a Estação 1 contou com a participação de Rodrigo Iafelice dos Santos, ex-CEO da Solinftec e cofundador da AgTrace, que tratou dos modelos de exportação ancorados em tecnologia e novos padrões de consumo. “O consumidor está mais exigente e veloz em suas escolhas, e o algodão produzido no Oeste da Bahia tem tudo para atender essa demanda, com qualidade, rastreabilidade e inteligência. O Dia do Algodão mostra que o agro brasileiro está pronto para esse novo ciclo”, destacou.

A Estação 2, dedicada às “Soluções efetivas para a Agricultura Regenerativa”, foi conduzida por Rodrigo Buffon, da SPD Soil Diagnostic, que apresentou práticas de manejo baseadas em diagnósticos de solo, uso de plantas de cobertura e estratégias de resiliência agronômica.  “É um privilégio poder aprender e compartilhar com produtores e técnicos de altíssimo nível. A agricultura regenerativa conversa diretamente com produtividade e bem-estar. E isso se reflete na ousadia dos produtores do Oeste baiano, que buscam inovação com responsabilidade ambiental. Com diagnósticos adequados, conseguimos regenerar solos em pouco tempo, promovendo equilíbrio químico, físico e biológico”, explicou.

Na Estação 3, a Abrapa promoveu o painel “Estratégia para o algodão brasileiro”, com mediação de Luciano Thomé de Castro, da Markestrat. O debate reuniu representantes de grandes grupos e entidades da cadeia da fibra, como Gustavo Piccoli (Abrapa), Dawid Wajs (Anea / Louis Dreyfus Company), Miguel Prado (Santa Colomba) e Aurélio Pavinato (SLC Agrícola), em uma discussão sobre os rumos estratégicos do algodão no Brasil, com foco em competitividade, agregação de valor, sustentabilidade e presença global.

“Iniciativas como esta são fundamentais para o fortalecimento da cotonicultura brasileira, pois proporcionam troca de conhecimento, atualização técnica e integração do setor. Tenho certeza de que os produtores saíram daqui mais preparados para aplicar novas soluções em suas propriedades”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli. 

Cultivares em destaque

Em paralelo às estações temáticas, os visitantes também puderam acompanhar as Estações de Cultivares, conduzidas pelos especialistas Luís Kasuya (Kasuya Inteligência Agronômica) e Eleusio Curvelo Freire (Embrapa). O objetivo foi oferecer uma visão aprofundada sobre novas variedades de algodão, seu desempenho em campo, resistência a pragas, qualidade da fibra e aspectos relacionados à produtividade sustentável.

Mercado Têxtil 

No período da tarde, os debates se deslocaram para o Espaço Principal, com discussões sobre os rumos do setor têxtil e de confecção, conectando a produção da fibra no campo com os desafios da moda, do consumo e da sustentabilidade no varejo. 

O painel “A visão de futuro – Setor têxtil e de confecção”, conduzido por Marcelo Ramos, gerente de Desenvolvimento Estratégico Sustentável do Senai CETIQT, trouxe reflexões sobre as transformações em curso na indústria têxtil e os novos paradigmas que moldam o comportamento do consumidor e os modelos de produção.  “Quando falamos de algodão, falamos de uma agricultura cada vez mais regenerativa, tecnológica e conectada com os anseios do consumidor moderno. É necessário mostrar de forma transparente o impacto e a origem da peça. É isso que vai diferenciar o produto e fortalecer toda a cadeia, do campo à loja”, destacou.

A diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Movimento Sou de Algodão, Silmara Ferraresi, apresentou a iniciativa que mira o posicionamento do algodão brasileiro no mercado nacional por meio da moda e do engajamento com o consumidor. “Não se trata apenas de falar sobre o nosso trabalho, mas de construir reputação a partir da atitude, da consistência e do olhar de quem nos acompanha. Engajamos todos os elos da cadeia, desde o produtor até o consumidor final, com ações concretas e presença contínua”, afirmou.

Com ativa presença institucional no evento, o estande do movimento Sou de Algodão celebrou os 25 anos da Abapa com a exposição de looks assinados por estilistas baianos e camisetas da campanha SouABR, produzidas com algodão rastreável cultivado por produtores da Bahia, sendo comercializadas para o público presente.

Legado

Um dos momentos simbólicos da programação foi o painel “A força da conexão: o legado e os próximos capítulos da Abapa”, moderado por Alessandra Zanotto Costa, com a participação dos ex-presidentes Celestino Zanella, Walter Horita e João Carlos Jacobsen. O encontro promoveu uma reflexão coletiva sobre os marcos estratégicos que consolidaram a cotonicultura na Bahia, os aprendizados acumulados ao longo de 25 anos e os caminhos que se desenham para o futuro da atividade.

Logo na abertura, Alessandra lançou aos ex-dirigentes uma provocação: qual teria sido a decisão mais estratégica da Abapa nas últimas duas décadas e meia?

Para Jacobsen, a criação do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão na Bahia (Proalba) foi o ponto de inflexão. “Foi um passo determinante no início dessa trajetória. Com apoio técnico e estrutura institucional, conseguimos colocar o algodão em posição de destaque e gerar segurança para os produtores investirem”, relembrou.

Walter Horita, por sua vez, destacou o papel do clima e da organização dos produtores na construção da reputação da fibra baiana. “Somos o segundo maior produtor do país, mas com o algodão de melhor qualidade. Isso é resultado não apenas do ambiente, mas da postura dos produtores e da conexão entre tecnologia e gestão que sempre guiou o setor. O que estamos colhendo hoje é fruto de trabalho coletivo e visão de longo prazo”, afirmou.

Já Celestino Zanella reforçou que a identidade da Abapa sempre esteve ancorada na capacidade de antecipar desafios. “A decisão mais importante da entidade foi justamente ser quem ela é. Manter o olhar voltado para o futuro, com coragem para inovar e responsabilidade com o presente”, disse. Zanella ainda fez um alerta sobre a concorrência crescente das fibras sintéticas e o papel do Brasil na construção de uma oferta estável e confiável para o mercado internacional: “Temos que mostrar ao mundo que podemos entregar algodão com qualidade, rastreabilidade e responsabilidade. Essa é a nossa vantagem competitiva.”

Alessandra Zanotto encerrou o painel com um agradecimento aos antecessores e um compromisso com os próximos ciclos da entidade. “A força da Abapa está justamente na conexão entre as gerações, na continuidade de princípios e na construção coletiva de um setor que acredita no associativismo como motor de desenvolvimento. Seguimos comprometidos com inovação, sustentabilidade e responsabilidade com cada elo dessa cadeia que ajudamos a fortalecer”, concluiu. “Celebrar os 25 anos da Abapa é reconhecer o esforço coletivo que construiu essa história. São produtores, técnicos, instituições, empresas e entidades que acreditaram no poder da organização, da representatividade e da conexão como base para o crescimento sustentável do setor”, afirmou Alessandra.





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Fertilizantes mais caros elevam cautela de produtores


Os custos dos fertilizantes registram forte alta nos meses que antecedem a safra 2025/26 no Brasil. Segundo relatório semanal da StoneX, entre janeiro e meados de agosto, o preço da Ureia nos portos brasileiros subiu cerca de 33%, enquanto o MAP avançou 19% e o Cloreto de potássio teve alta de 20%.

De acordo com o relatório, a elevação dos preços pode impor desafios aos agricultores brasileiros. O analista de Inteligência de Mercado da empresa, Tomás Pernías, afirmou que “as relações de troca entre a soja e o MAP já estão nos piores níveis dos últimos anos, situação que tende a inibir o consumo desse fertilizante e colocar os agricultores em postura de cautela para planejar novas aquisições de insumos”.

Pernías destacou que a demanda da Índia tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. “A demanda indiana tem sustentado as cotações desse nitrogenado, e isso, somado a uma queda no preço do milho, reduziu a atratividade das relações de troca no Brasil”, explicou.

Como alternativa, produtores brasileiros têm buscado outras fontes, como sulfato de amônio para nitrogenados e TSP ou SSP no caso de fosfatados. No entanto, a StoneX avalia que a própria demanda interna, com a proximidade da safra, deve reforçar a pressão sobre os preços, reduzindo as chances de recuo no curto prazo. “Esse contexto reforça a necessidade de o produtor adotar um bom gerenciamento de custos e de riscos”, acrescentou Pernías.

Além dos insumos mais caros, o setor enfrenta em 2025 um cenário de crédito mais restrito, o que amplia o desafio financeiro dos produtores rurais.

O relatório também apontou que a escalada de preços não é restrita ao mercado brasileiro. “A Índia, em plena safra Kharif, e até mesmo os Estados Unidos — fora de sua alta temporada de compras — também enfrentam preços elevados no complexo NPK”, disse Pernías.

Segundo o relatório, o movimento está ligado ao aperto entre oferta e demanda global. A China tem reduzido exportações para priorizar o abastecimento interno, enquanto a Índia, um dos maiores importadores mundiais, segue sustentando os preços internacionais.

No cenário geopolítico, incertezas podem agravar o quadro. “Em 2024, a Rússia foi a principal fornecedora de fertilizantes ao Brasil, e qualquer mudança nas dinâmicas comerciais globais pode impactar diretamente o abastecimento nacional”, concluiu Pernías, ao comentar a tarifa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos indianos, em meio a disputas comerciais relacionadas ao apoio russo.

 





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um teste de resistência para a fruticultura brasileira


A imposição da tarifa total de 50% sobre frutas frescas brasileiras nos Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto de 2025, é um dos maiores testes de resiliência já enfrentados pela fruticultura nacional. O aumento resulta da combinação da sobretaxa de 40% anunciada em julho com a tarifa de 10% já aplicada, pressionando fortemente a competitividade do setor.

Apesar da gravidade do cenário, a manutenção parcial dos embarques de manga e uva – principais frutas frescas exportadas – para o mercado norte-americano, mesmo diante do custo mais elevado e das margens comprimidas, evita, no curto prazo, um colapso na cadeia produtiva. Ainda assim, a pergunta que se impõe é urgente: como manter a rentabilidade e a capacidade de investimento das cadeias mais vulneráveis sem uma ação rápida e articulada?

O caso do suco de laranja mostra que articulação estratégica e comprovação da interdependência comercial Brasil-EUA podem abrir portas. O produto (o suco) foi excluído da sobretaxa de 40% graças à atuação conjunta do setor com clientes norte-americanos e ao trabalho de convencimento junto ao governo dos EUA, evidenciando a dependência daquele mercado do suco brasileiro e a relevância dos investimentos bilionários das nossas indústrias em território norte-americano.

Já manga e uva, assim como outras cadeias sensíveis (açaí, gengibre), permanecem sob o peso integral da tarifa, com impacto direto sobre preços, margens e planos de expansão.  O momento exige uma resposta em três frentes:

1. Mobilização internacional – Negociar com importadores e buscar isenção tarifária nos períodos em que o mercado norte-americano depende mais da fruta brasileira.

2. Ação governamental imediata – Crédito emergencial, prorrogação de financiamentos e restituição acelerada de tributos.

3. Gestão estratégica no campo e na exportação – Escalonar colheitas, otimizar logística e diversificar mercados.

A manutenção parcial das exportações aos EUA, honrando contratos já firmados, combinada com medidas emergenciais e um plano agressivo de diversificação de mercados, será decisiva para que a fruticultura brasileira não apenas sobreviva, mas saia fortalecida deste embate tarifário. Não se trata apenas de proteger a competitividade: é sobre preservar empregos, renda e valor agregado no campo e na indústria.





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Colheita de feijão avança, mas sofre perdas no noroeste de Minas Gerais



Conab vê impacto da mosca-branca na safra




Foto: Pixabay

Segundo o 11º Levantamento de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cerca de 20% da área cultivada de feijão comum em Minas Gerais já se encontra em fase de colheita. O relatório aponta que a situação é mais delicada no noroeste do estado, principal região produtora, onde a elevada incidência de mosca-branca comprometeu fortemente as lavouras.

A Conab explicou que o veranico ocorrido em meados de fevereiro favoreceu a proliferação da praga, e, com o retorno das chuvas em março, houve atraso na colheita da soja. O órgão destacou que a presença de plantas vivas e de soja tiguera coincidiu com a semeadura do feijão, o que ampliou os danos. “Os produtores que semearam nesse período se depararam com danos severos em suas lavouras que, em alguns casos, foram irreversíveis, com perda total da produção”, informou a Companhia.

Ainda segundo a Conab, houve migração de parte dos produtores para culturas como trigo e plantas de cobertura. Nas demais regiões de Minas Gerais, as lavouras de feijão se desenvolveram satisfatoriamente, sem registros de impactos. O levantamento, entretanto, ressalta que essas áreas representam uma parcela reduzida em comparação ao noroeste do estado.

A Companhia também registrou redução na área total cultivada nesta safra, atribuída aos preços menos atrativos do ciclo. Em relação à produtividade, a Conab apontou um decréscimo em comparação ao levantamento anterior.





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Brasil amplia importações de trigo em 20%


A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema) informou, em análise referente à semana de 8 a 14 de agosto, publicada na última quinta-feira (14), que o preço do trigo voltou a recuar no Paraná. O produto de qualidade superior foi negociado entre R$ 76,00 e R$ 77,00 por saco nas principais praças do estado. No Rio Grande do Sul, o valor permaneceu em R$ 70,00 por saco, enquanto a média local ficou em R$ 69,93 por saco.

A Ceema destacou que “as importações nacionais de trigo continuam subindo”. Nos 12 meses encerrados em julho, o volume importado cresceu 20% em comparação ao mesmo período anterior. Apenas em julho, o Brasil importou 616.910 toneladas, alta de 26,7% frente a junho, mas queda de 4,3% em relação a julho do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De agosto de 2024 a julho de 2025, o total importado alcançou 6,83 milhões de toneladas.

O levantamento indica que, na primeira quinzena de agosto, o mercado brasileiro permaneceu travado, sob forte influência dos preços internacionais. No Rio Grande do Sul, o trigo argentino para entrega em dezembro recuou R$ 3,14 por saco. No mercado interno, compradores ofereceram R$ 1.350,00 por tonelada, posto moinho nas regiões de Porto Alegre, Canoas e Serra, e R$ 1.320,00 no centro do estado. Houve negócios pontuais a R$ 1.280,00 por tonelada (R$ 76,80 por saco) para embarque em agosto. Para o trigo destinado à ração, o deságio continuou em 20%.

Em Santa Catarina, a Ceema apontou que o mercado também segue travado. O excesso de trigo gaúcho no estado mantém os preços entre R$ 1.330,00 e R$ 1.360,00 por tonelada, em valores FOB, acrescidos de frete e ICMS. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê queda de 6,3% na produção catarinense, mesmo com aumento da área semeada.

No Paraná, o trigo importado manteve competitividade, favorecido pela valorização do real e pelo menor preço do produto de países vizinhos. No mercado à vista, a cotação recuou para R$ 1.400,00 por tonelada CIF, enquanto o futuro foi negociado a R$ 1.300,00 por tonelada CIF moinho. Também foram registrados negócios com trigo paraguaio a R$ 1.440,00 por tonelada CIF. Segundo a TF Agronômica, “o lucro do triticultor paranaense subiu para 4,32%, mas ainda muito abaixo das oportunidades do mercado futuro, que chegaram a 32,1% ao longo do ano”.





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Grupo de inseticidas age com alta efetividade no controle de ninfas e insetos adultos do ‘psilídeo-dos-citros’


Estudos realizados no Centro de Citricultura do IAC respaldaram aplicações dos ingredientes ativos fenpiroximato, buprofezina e etofenprox, que revelaram indicadores de eficácia de 75% a 100% no controle do vetor do ‘greening’

Pesquisadores do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, vinculado ao IAC – Instituto Agronômico e da companhia Sipcam Nichino, desenvolveram uma nova estratégia para controle do ‘psilídeo-dos-citros’ (Diaphorina citri). O inseto, vetor da bactéria que transmite o ‘greening’ nos pomares de laranja, mostrou-se altamente suscetível aos ingredientes ativos fenpiroximato, buprofezina e etofenprox, do portfólio da Sipcam Nichino.

Segundo explica o engenheiro agrônomo Marcelo Palazim, coordenador de marketing de especialidades, o trabalho de pesquisa, realizado na Estação do IAC em Cordeirópolis-SP, terminou em maio último e observou a eficácia de ação dos produtos Fujimite® (fenpiroximato), Fiera® (buprofezina) e Trebon® (etofenprox) sobre as fases adulto e ninfa (fases jovens) do ‘psilídeo-dos-citros’.

Conforme Palazim, aplicações isoladas ou combinadas das soluções, em intervalos de sete dias, frente a diferentes níveis populacionais do ‘psilídeo’, apresentaram indicadores de eficácia entre 75% e 100%. “São números expressivos, principalmente ante a capacidade reprodutiva e de disseminação dessa praga nos pomares”, diz o agrônomo. “A combinação dos ativos permite a quebra efetiva do ciclo de desenvolvimento da praga”, ele reforça.

De acordo com Palazim, árvores afetadas pelo ‘greening’ registram queda acentuada de frutos, que também ficam menores, deformados e, assimétricos, imprestáveis para o mercado.  “Os inseticidas devem ser aplicados via solo e na parte aérea da planta, logo que se detectar, em monitoramento, a presença dos primeiros indivíduos ‘psilídeo-dos-citros”, acrescenta Palazim.

Segundo a Sipcam Nichino, o inseticida Fiera® conta com propriedades fisiológicas reguladoras de crescimento de insetos. Atua por contato sobre as ninfas do ‘psilídeo’. O inseticida-acaricida Fujimite®, por sua vez, vem sendo empregado com sucesso nos citros para controle de pragas de relevância econômica como o ácaro-da-leprose. Já o inseticida Trebon® constitui um produto de contato com amplo espectro de ação, aplicado em mais de vinte culturas.

“Doença mais desafiadora safra após safra, o ‘greening’ se converteu na preocupação central da cadeia citrícola”, reforça Palazim. “Atualmente, do ponto de vista fitossanitário, uma das principais recomendações ao citricultor é realizar a rotação de produtos com diferentes ingredientes ativos”, ele conclui.

Criada em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam, fundada em 1946, especialista em agroquímicos pós-patentes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.





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Trator da Série S6 da Valtra é destaque na Expointer


A Valtra, referência em tecnologia agrícola no Brasil e no mundo, marcará presença na 48º edição da Expointer, maior feira da agropecuária da América Latina, com uma seleção de suas principais soluções em mecanização agrícola. A Valtra, que completa 65 anos no Brasil, apresenta como destaque a recém-lançada Série S6, linha de tratores de maior potência já produzida pela marca, que chega pela primeira vez ao público gaúcho. O evento acontece de 30 de agosto a 7 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil (PEEAB), em Esteio, no Rio Grande do Sul.

Projetada e fabricada na Finlândia, a linha é ideal para operações de alta demanda, como as da produção de grãos e do setor sucroenergético. Com potência elevada, tecnologia inteligente embarcada e foco no conforto do operador, o modelo é ideal para produtores que buscam máxima performance, inclusive em terrenos desafiadores.

“A Série S6 é ideal para atender as necessidades dos produtores do Sul, que trabalham principalmente com soja, milho e arroz, que são culturas fortes na região e que demandam máquinas potentes, eficientes e com alta capacidade de operação. Apresentar esse trator na Expointer reforça nosso compromisso em entregar soluções que realmente façam a diferença no dia a dia do campo”, afirma Claudio Esteves, diretor de vendas da Valtra.

Durante o evento, os visitantes também poderão conhecer de perto outros modelos reconhecidos da marca, como os tratores da Série Q5, máquinas de alta performance e precisão; o modelo T CVT, equipado com motor AGCO Power e transmissão continuamente variável, que garante melhor controle de potência e velocidade; os tratores da Série A4, ideais para tarefas que buscam força, agilidade, precisão e economia; a plantadora Momentum de 18 linhas, que gera economia de insumos e maior produtividade no cultivo de soja e milho; e o pulverizador BS2225H, com autonomia e desempenho para garantir a máxima eficiência nas pulverizações.

Com mais de quatro décadas de história, a Expointer reúne lançamentos, tendências e inovações que movimentam o agronegócio na região Sul do País. A presença da Valtra na feira reforça o compromisso da marca em estar próxima dos produtores, promovendo tecnologias que aumentam a produtividade no campo.

Linha completa em soluções agrícolas

Além da recém-lançada e premiada Série S6, os visitantes também poderão conhecer de perto outros modelos reconhecidos da marca durante o evento, como os Tratores da Série Q5, que se sobressaem pelo reconhecimento internacional e pela combinação de força e inteligência no campo. Com modelos que variam de 265 cv a 305 cv, os tratores da linha são equipados com motor AGCO Power de 7,4 litros e transmissão CVT da Valtra, garantindo alta performance, manobrabilidade e um nível superior de visibilidade. A tecnologia SmartTurn permite a realização automática das manobras de cabeceira, sem intervenção do operador, trazendo mais precisão e eficiência às operações.

Outro destaque também será o Trator T CVT, voltado para os produtores que demandam alta potência e precisão, já que possui transmissão contínua variável e faixas de potência de 195 cv a 250 cv. Em conjunto com a Plantadeira Valtra Momentum, o modelo entrega alto rendimento, robustez e economia.

A Plantadeira Valtra Momentum de 18 linhas destaca-se por seu conceito inovador de plantadeira dobrável, que garante muito mais flexibilidade para o agricultor. Proporcionando alta precisão na deposição de sementes, ela conta com tecnologia Weight Transfer, que redistribui a carga central do chassi para as pontas, e o sistema exclusivo SmartFrame, que nivela automaticamente as três seções de plantio, garantindo que todas as linhas permaneçam em contato com o solo, mesmo em terrenos irregulares.

A Série A4 HiTech, que também estará em exibição, é projetada para maximizar a economia de combustível e a eficiência operacional. Com motor AGCO Power e transmissão HiTech4 PowerShift, a linha entrega até 12% de economia por hectare trabalhado, devido aos modos de operação inteligentes que permitem ajustes automáticos para diferentes tipos de trabalho, proporcionando a melhor produtividade do seu segmento.

Por fim, a Valtra também destaca o Pulverizador BS2225H, que entrega maior autonomia e produtividade, graças ao motor AGCO Power. Equipado com transmissão 4×4 cruzada permanente e sistema de pulverização controlado por válvula PWM, o modelo garante eficiência mesmo em terrenos inclinados.

 





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