quarta-feira, março 25, 2026

Política & Agro

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Pastagens de inverno ganham força com tempo seco


O Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (10) pela Emater/RS-Ascar aponta que as condições climáticas no Rio Grande do Sul continuam afetando o desenvolvimento das pastagens. O predomínio de dias ensolarados e clima seco favoreceu o crescimento das forrageiras anuais de inverno e a realização das adubações nitrogenadas. Em algumas áreas, o pastejo foi liberado devido à umidade remanescente no solo, mas a suplementação alimentar dos rebanhos ainda é necessária, especialmente diante da redução da produção e da qualidade dos campos nativos.

Na região de Bagé, a qualidade das pastagens é considerada satisfatória, embora o excesso de umidade das semanas anteriores, somado às geadas, tenha comprometido o crescimento de forrageiras como aveia e azevém. O campo nativo também foi afetado, com queda significativa na oferta e qualidade do alimento disponível. Em Hulha Negra, os produtores iniciaram o uso das pastagens de azevém, enquanto em São Gabriel as pastagens perenes de verão foram queimadas pelas geadas.

Em Itaqui, forrageiras que ficaram submersas anteriormente tiveram o rebrote prejudicado devido ao acúmulo de lama nas folhas. Na região de Caxias do Sul, o pastejo tem ocorrido apenas em áreas de aveia, uma vez que o azevém ainda não atingiu o desenvolvimento ideal. As áreas com trigo de pastoreio e campo nativo melhorado apresentam baixo crescimento, e parte dos produtores não conseguiu concluir ou terá de refazer a semeadura.

Em Erechim, as geadas e o frio comprometeram a massa verde disponível nas pastagens nativas e de verão. Já as espécies de inverno foram favorecidas pelas condições de solo e luminosidade. Em Frederico Westphalen, a implantação de cereais de inverno avançou, mas a aplicação de fertilizantes ficou comprometida pela umidade excessiva. As pastagens perenes estão no final do ciclo e com menor valor nutricional.

Na região de Ijuí, o frio causou queimaduras nas folhas, mas sem impacto significativo. As áreas com trigo para pastoreio apresentaram bom rebrote e perfilhamento. Em Passo Fundo, a diminuição da umidade permitiu a retomada dos pastoreios, com trigo, cevada e triticale em fase inicial de desenvolvimento.

Nas regiões de Pelotas e Porto Alegre, o frio intenso paralisou o crescimento das forrageiras. Em Santa Maria e Soledade, embora o tempo ensolarado tenha favorecido a retomada do crescimento das pastagens de inverno, o ritmo permanece lento devido às geadas. Nos campos nativos, os danos foram mais severos. Em Santa Rosa, a recuperação das pastagens é visível, mas o atraso no plantio e germinação ainda limita a disponibilidade de forragem.





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Suco, café e carne bovina podem perder espaço nos EUA


As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros preocupam o setor agropecuário nacional e podem redefinir o destino de importantes commodities exportadas. Segundo dados divulgados pelo Radar Agro, relatório produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os impactos mais imediatos devem recair sobre as cadeias do café, suco de laranja, carne bovina, celulose e sebo bovino — produtos que têm forte presença no mercado americano e cujas margens podem ser drasticamente reduzidas com o novo tributo de 50%.

Para o café, maior produto do agro brasileiro exportado aos EUA, as novas tarifas podem elevar o imposto de importação de 10% para até 60%, comprometendo a viabilidade dos embarques. O Brasil é responsável por 42% da produção mundial de café arábica, e os EUA são o maior consumidor global. A substituição por outros fornecedores é limitada e, segundo o Radar Agro, um repasse de preços ao consumidor americano é quase inevitável.

Na carne bovina, os embarques brasileiros, que cresceram 132% no primeiro semestre de 2025, podem ser inviabilizados. A tarifa total, somando os 26,4% atuais com os novos 50%, chegaria a 76,4%. O relatório aponta que, mesmo com a escassez interna nos EUA, que têm déficit estimado em 1 milhão de toneladas, a competitividade brasileira se tornaria impraticável.

O suco de laranja também enfrenta cenário crítico. O produto já sofre com uma tarifa de USD 415 por tonelada, e o novo tributo elevaria esse valor para quase USD 2.600 por tonelada, conforme simulações do Itaú BBA. Os EUA dependem majoritariamente do suco brasileiro, sobretudo após perdas severas na produção da Flórida, mas a elevação nos preços pode estimular substituições por outras bebidas ou o crescimento do concorrente México, que permanece isento.

Outro produto ameaçado é o sebo bovino, cujas exportações brasileiras são quase integralmente destinadas aos EUA. Caso a tarifa se mantenha, a indústria nacional poderá absorver o excedente, mas os embarques seriam praticamente paralisados. O mesmo vale para a celulose, que gerou USD 1,7 bilhão em receitas com exportações aos americanos em 2024. Com o Canadá ganhando competitividade, o Brasil pode perder espaço em um mercado estratégico.

Apesar do cenário desafiador, o relatório destaca que uma possível desvalorização do real diante das incertezas pode favorecer as exportações brasileiras em geral, impulsionando as vendas de grãos como soja e milho. No entanto, o dólar mais caro também aumenta os custos dos insumos importados, pressionando margens dos produtores, especialmente no caso de fertilizantes, que já estão em alta.





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Produtores avançam no preparo da safra de tabaco 2024/25



Mudas de tabaco sofrem com clima e doenças




Foto: Pixabay

O Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (10), aponta que os produtores de tabaco do Rio Grande do Sul seguem com os preparativos para a próxima safra. Na região de Pelotas, as atividades se concentram na elaboração de canteiros e na semeadura de plantas de cobertura, como aveia preta, aveia ucraniana e centeio, práticas que antecedem o plantio direto das mudas. A produção tem ocorrido, em sua maioria, por meio do sistema floating.

Segundo o boletim, os produtores que ainda mantêm tabaco seco em galpões intensificaram a comercialização diante da recente valorização dos preços. As empresas devem encerrar as compras ainda neste mês. Os valores pagos variam entre R$ 300 e R$ 350 por arroba, abaixo dos registrados na safra anterior.

Na região de Santa Rosa, os técnicos registram o início do primeiro repique nas bandejas. Entretanto, foram relatadas perdas em lavouras já implantadas, em decorrência das geadas. Também foram identificadas ocorrências de fungos nas mudas, o que levou à intensificação dos tratamentos fitossanitários.

Em Soledade, a maior parte da produção já foi comercializada. No momento, os produtores realizam o preparo do solo, a construção de camalhões e a semeadura de plantas de cobertura, especialmente em regiões mais elevadas. No Vale do Rio Pardo, essas etapas já foram concluídas, e as plantas apresentam bom desenvolvimento. Nas poucas lavouras que já têm mudas de tabaco implantadas no campo — o que ainda é atípico para o período —, as geadas causaram impactos limitados. Observa-se ainda, segundo o informativo, uma tendência de antecipação no plantio a campo, principalmente em regiões de menor altitude.





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Mercado do boi registra queda em vários estados



Preço da vaca cai R$ 2 em Alagoas e no Acre




Foto: Sheila Flores

A análise “Tem Boi na Linha”, divulgada nesta sexta-feira (11) pela Scot Consultoria, aponta que a cotação do boi gordo se manteve estável em São Paulo, com frigoríficos fora das compras e escalas de abate atendendo, em média, nove dias. Em Santa Catarina, o preço das fêmeas recuou R$ 5,00 por arroba em relação ao dia anterior, enquanto o valor do boi gordo permaneceu inalterado.

No Acre, foi registrada uma queda de R$ 2,00 por arroba nas cotações das fêmeas. Para os machos, não houve variação. As escalas de abate estão programadas para até duas semanas.

O mercado no Rio de Janeiro abriu com queda nas cotações para todas as categorias. O boi gordo recuou R$ 5,00 por arroba, enquanto a vaca e a novilha apresentaram queda de R$ 2,00 por arroba. As escalas de abate atendem, em média, sete dias.

Já em Alagoas, a queda foi registrada apenas para a vaca, com recuo de R$ 2,00 por arroba. As demais categorias mantiveram os preços do dia anterior.





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IPCA 2025 deve ficar em 4,9%, aponta GEP Brasil



Apesar da política de juros elevados, o PIB manteve crescimento



Apesar da política de juros elevados, o PIB manteve crescimento
Apesar da política de juros elevados, o PIB manteve crescimento – Foto: Pixabay

A GEP Brasil projeta que o IPCA para 2025 será de 4,9%, acima do teto da meta de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Esse cenário é impulsionado principalmente pela alta contínua nos preços dos alimentos, com destaque para o grupo das carnes, que acumulou inflação de 23,5% até maio. A carne bovina teve aumento médio de 24%, seguida pela suína (21%) e de frango (11%).

Apesar da política de juros elevados, o PIB manteve crescimento de 3,5% nos últimos quatro trimestres até março, o que mantém o consumo aquecido e dificulta a queda da inflação no curto prazo. Por outro lado, é possível afirmar que a queda nos preços internacionais das commodities e a melhora do câmbio têm pressionado menos os preços em reais, levando o mercado a revisar para baixo a inflação esperada para 2026, que pode chegar a 4,5%.

De acordo com as informações, o setor de proteínas segue sendo monitorado com cautela, pois o aumento dos custos com grãos para ração e o preço elevado do boi gordo no mercado internacional podem manter a pressão sobre os preços das carnes durante o ano. Segundo Tânia Gofredo, economista-chefe da GEP Brasil, a inflação permanece sensível a choques de oferta, especialmente em alimentos, enquanto o consumo forte limita o efeito da política monetária.

“A inflação segue sensível a choques de oferta, especialmente em alimentos, enquanto a atividade aquecida limita os efeitos da política monetária. Mesmo com alguma descompressão cambial e queda nas commodities, ainda há fatores de pressão relevantes no curto prazo”, afirma Tânia.

 





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Queda nos preços dos combustíveis


Cinco dos seis combustíveis monitorados nacionalmente apresentaram queda nos preços médios em junho, segundo dados atualizados do Panorama Veloe de Indicadores de Mobilidade, desenvolvido pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O destaque ficou com o etanol, que teve redução de 1,6% no mês. O diesel comum recuou 1,5%, seguido pelo diesel S-10 (-1,4%), gasolina comum (-0,8%) e gasolina aditivada (-0,6%). O único combustível que teve alta foi o Gás Natural Veicular (GNV), com leve aumento de 0,1%.

A pesquisa traz um panorama nacional e mostra que, apesar da queda pontual registrada em junho, o primeiro semestre de 2025 fechou com aumento de preços para quatro dos seis combustíveis. O etanol lidera esse movimento, com alta de 3,4%, seguido pela gasolina comum (+1,6%), gasolina aditivada (+1,5%) e o GNV (+1,3%). Já o diesel foi na contramão: o tipo comum teve retração de 1,5%, enquanto o S-10 caiu 1,3%.

No comparativo dos últimos 12 meses, os preços médios dos combustíveis subiram em todos os casos. O etanol teve a maior variação, com aumento de 11%, consolidando-se como o combustível com a maior pressão inflacionária no período. Em seguida, aparecem a gasolina comum e aditivada, ambas com elevação de 6,6%, além do diesel S-10 (+2,0%), diesel comum (+1,8%) e GNV (+1,1%).





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Produtor rural deve ficar atento às taxas de juros e encargos de inadimplência do Crédito Rural


Recentemente o governo federal realizou o lançamento do Plano Safra 2025/2026 com significativo aumento das taxas de juros controlados. No Pronamp, por exemplo, os juros passaram de 8% (safra 2024/2025) para 10% (safra 2025/2026), e no custeio empresarial de 12% para 14%. A partir desta observação, é importante destacar que o crédito rural, entretanto, não se trata de contrato comum de empréstimo entre a instituição financeira e o financiado. Ele tem previsão constitucional e característica de direito especial.

Conforme Frederico Buss, da HBS Advogados, de acordo com a legislação, dentre os objetivos do crédito rural se encontram o estímulo do incremento dos investimentos rurais, inclusive para armazenamento, beneficiamento e industrialização dos produtos agropecuários, o custeio oportuno e adequado da produção e a comercialização de produtos agropecuários, o aumento da produtividade, melhoria do padrão de vida das populações rurais e a adequada conservação do solo e preservação do meio ambiente. “Portanto, não há uma livre estipulação de vontades entre os contratantes, isto é, as normas do crédito rural não podem ser contrariadas ou relativizadas por ambas as partes: instituição financeira e mutuário”, afirma.

Anualmente, o Governo Federal apresenta o plano agrícola e pecuário com o montante de recursos (grande maioria deles provenientes exclusivamente das instituições financeiras) e as condições que deverão ser observadas para os financiamentos rurais. “As regras do chamado Plano Safra são regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) cujas normas devem ser observadas e cumpridas por todas as instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural”, enfatiza Buss, lembrando que há os financiamentos com os “recursos controlados” (operações contratadas com taxas definidas pelo Conselho Monetário Nacional) e os recursos “não controlados ou livres” cujas taxas são definidas pelo mercado.

Buss destaca, contudo, que em se tratando de crédito rural, a jurisprudência majoritária dos Tribunais: (I) veda a cobrança de juros superiores às taxas determinadas pelo Conselho Monetário Nacional; (II) na ausência de fixação pelo CMN, veda a cobrança de juros superiores a 12% ao ano; (III) no caso de atraso no pagamento ou inadimplemento, os encargos devem ser limitados aos juros moratórios de 1% ao ano, correção monetária (IGP-M) e multa de 2%. “Os Tribunais majoritariamente afastam a cobrança da comissão de permanência e outros encargos moratórios no crédito rural”, observa.

Segundo Buss, é de suma importância que os produtores rurais, ao realizarem as contratações, alongamentos ou renegociações, tenham ciência dos limites das taxas de juros que devem ser observados nas operações de crédito rural com recursos controlados e não controlados. “Por fim, a mesma cautela é recomendada para as contratações fora do sistema financeiro, junto a cooperativas e demais empresas”, conclui.





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Taxação dos EUA sobre produtos brasileiros impacta setor florestal e acende alerta na cadeia produtiva


A imposição de tarifas de até 50% por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pegou de surpresa o setor florestal e provocou forte reação entre representantes da cadeia produtiva. Fabio Brun, presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), avalia a medida como negativa e tomada em um momento inoportuno.

“O que torna essa decisão ainda mais complicada é o fator surpresa. Não se esperava que isso fosse anunciado agora, principalmente após uma tarifa semelhante já ter sido aplicada desde o dia 1º de abril”, afirmou Brun. Segundo ele, esse segundo movimento tarifário agrava ainda mais o cenário para a indústria nacional de base florestal, que já vinha lidando com custos elevados e desafios logísticos.

Decisão mais política do que econômica

De acordo com o governo dos Estados Unidos, a nova taxação foi justificada por um suposto desequilíbrio na relação comercial com o Brasil. No entanto, para o presidente da APRE, esse argumento não se sustenta. “Na verdade, o Brasil é deficitário na relação com os Estados Unidos. Então, é difícil encontrar base econômica concreta para justificar essa medida”, apontou.

Brun considera que a decisão tem uma motivação mais política do que comercial ou técnica, o que dificulta o diálogo econômico direto. “A composição para reverter essa situação terá que ser política e diplomática”, avaliou.

Corrida contra o tempo

A expectativa agora é de que o Brasil se mobilize nos próximos dias para negociar com os EUA e tentar amenizar os impactos. Segundo Brun, há uma janela de 23 dias para buscar uma solução diplomática que possa evitar ou ao menos suavizar a aplicação da tarifa. “É onde o Brasil vai ter que colocar as fichas agora”, declarou.

Nesse curto prazo, ele defende que a indústria também comece a trabalhar com planos alternativos, caso não haja avanço nas negociações. “Se essa decisão for mantida, o setor vai precisar buscar rapidamente alternativas para reduzir o impacto negativo”, alerta.

Cadeia produtiva sob pressão

A medida afeta diretamente empresas que exportam madeira processada, painéis, papel e celulose para o mercado norte-americano, produtos de alto valor agregado e que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos.

O Paraná é um dos maiores exportadores de madeira para os Estados Unidos, especialmente de compensado, madeira serrada e molduras de pinus, fundamentais para a construção civil norte-americana. Dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontam que aproximadamente 40% dessa madeira provém do estado.

Em 2025, os estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) exportaram juntos US$ 1,37 bilhão em produtos de madeira para os EUA, representando 86,5% do total exportado pelo Brasil nesse setor.

A alta nas tarifas compromete a competitividade dos exportadores brasileiros, que agora precisarão rever estratégias, redirecionar mercados e avaliar custos internos. Com um setor que movimenta bilhões de reais por ano e gera milhares de empregos diretos e indiretos, a nova política comercial dos EUA representa um obstáculo significativo à estabilidade e ao crescimento das empresas florestais no Brasil.

Com pouco tempo para reagir, o Brasil corre contra o relógio para conter os efeitos da taxação. A articulação política será determinante para preservar a posição dos produtos florestais brasileiros no mercado internacional e evitar perdas em uma cadeia que tem papel estratégico na economia nacional.





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ABAG vê risco ao agro com tarifa de Trump


A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) se manifestou com preocupação diante da tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025. Para a entidade, a medida impactará negativamente toda a cadeia produtiva exportadora do agro nacional, com efeitos diretos sobre carnes, açúcar, café, suco de laranja, papel e celulose.

O anúncio foi feito por Trump na quarta-feira (9), por meio de uma carta publicada na rede social Truth Social e enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, o republicano criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando decisões da Corte como “ataques insidiosos à liberdade de expressão”, além de chamar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “caça às bruxas” e “vergonha internacional”.

Na visão da ABAG, a decisão carece de fundamentos econômicos. A associação relembra que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil nos últimos anos e considera o país um parceiro estabelecido e confiável. Para a entidade, a medida tem viés político e precisa ser tratada com diplomacia antes de entrar em vigor. “Essa ação prejudica não só o exportador brasileiro, mas também o consumidor americano”, afirmou a associação.

O governo brasileiro reagiu com firmeza, mas sem acirrar o tom. Em publicação no X (antigo Twitter), Lula afirmou que “o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por ninguém”. O presidente ainda contestou a narrativa americana sobre desequilíbrios no comércio bilateral. “Dados do próprio governo dos EUA apontam um superávit de US$ 410 bilhões em favor dos americanos nos últimos 15 anos”, ressaltou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também criticou a taxação, considerando-a injusta e prejudicial à economia dos próprios Estados Unidos. “Há uma integração comercial. O Brasil é o terceiro maior comprador de carvão siderúrgico americano. Ao taxar, encarecem a própria cadeia”, afirmou Alckmin, que defendeu a manutenção do diálogo: “Temos 200 anos de amizade com os EUA”.

Além da nova alíquota, Trump anunciou uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que pode abrir espaço para outras medidas punitivas. O republicano também sugeriu que empresas brasileiras transfiram sua produção para território americano como alternativa à tarifa.

Com a data-limite se aproximando, a expectativa da ABAG e do governo brasileiro é por um avanço diplomático que reverta ou minimize os efeitos da medida. Por ora, o setor agroexportador se prepara para possíveis perdas em um de seus maiores mercados consumidores.





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Guerra, fertilizantes e a revolução dos bioinsumos


A dependência brasileira de fertilizantes sintéticos importados é uma bomba-relógio geopolítica. O País importa 85% dos fertilizantes que utiliza, com a Rússia respondendo por 23% desse total e o Irã por 17% das importações de ureia (1). A guerra na Ucrânia em 2022 já havia exposto essa fragilidade: os preços do cloreto de potássio (KCl) dispararam de US$ 300 para US$ 1.200 por tonelada, pressionando os custos de produção em plena safra recorde. Agora, em junho de 2025, o conflito Israel-Irã volta a expor o País ao risco de desabastecimento e ao aumento expressivo nos custos de produção.

A paralisação de fábricas iranianas de ureia (que produzem 9 milhões de toneladas/ano) e a interrupção do fornecimento de gás israelense ao Egito reduziram 20% da oferta global de nitrogenados, elevando os preços da ureia de US$ 398 para US$ 435/tonelada em 4 dias (+9,3%).

Impactos imediatos: logística, custos e desabastecimento

Um agravante é que a guerra entre Israel e Irã não afeta apenas preços, mas toda a cadeia logística. O ponto crítico é o risco no Estreito de Ormuz, por onde passam 20 milhões de barris de petróleo/dia e 42% das exportações globais de ureia. Um bloqueio iraniano elevaria fretes marítimos e custos de seguros, impactando de 15 a 20% dos custos de importação brasileiros (2,3).

Cálculos ilustram que, em se mantendo a tendência atual, a relação de troca é insustentável: produtores de milho precisam de 75 sacas para comprar uma tonelada de ureia, ante 60 sacas antes do conflito – o pior patamar desde 2022.

Além disso, o timing é crítico. As compras para a safrinha 2025/26 (milho, algodão) estão em curso, e o desabastecimento pode afetar o plantio a partir de setembro 

Bioinsumos: resposta estratégica à crise

Os biofertilizantes vêm se apresentando como alternativa viável e urgente nesses contextos, com vantagens comprovadas. Vejamos:

a.         Redução de dependência: Produzidos localmente a partir de resíduos agroindustriais (vinhaça, tortas vegetais) e microrganismos endêmicos, eliminam riscos geopolíticos; 

b.         Economia de 30 a 40% nos custos: Enquanto a ureia sintética dispara, bioinsumos mantêm preços estáveis, com potencial de economizar US$ 5,1 bilhões/ano nas culturas de milho, trigo e cana.

Benefícios ambientais: Inoculantes como Azospirillum brasilense reduzem em 30% o uso de nitrogênio sintético em soja e milho e cortam emissões de N?O (gás 300x mais poluente que CO?) em 70% .

 Gargalos e soluções: o papel das políticas públicas

Apesar do potencial, a transição dos produtos sintéticos para os bioinsumos enfrenta grandes obstáculos em diferentes dimensões:

a.         Regulatório: O registro de novos produtos na Mapa/Anvisa leva até três anos, desincentivando inovações; 

b.         Escala industrial: O Brasil precisa ampliar a capacidade da oferta, sendo que utilizando as biofábricas, por exemplo, seria necessário atender 30 milhões de hectares até 2026, o que requer R$ 10 bilhões em investimentos; 

c.         Falta de métricas: Não há dados sistematizados sobre elasticidade-preço entre sintéticos e bioinsumos, dificultando políticas de subsídios eficazes. 

Medidas propostas para reduzir os impactos negativos:

. Acelerar o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF): Com metas para expandir em 25% a produção de organominerais até 2025 e triplicar a área com microrganismos até 2027; 

. Criar um “BioIndex” nacional: Um índice em tempo real para monitorar preços, demanda e estoques de bioinsumos, permitindo ajustes ágeis em subsídios e contratos. 

Conclusão: da vulnerabilidade à liderança verde

As guerras no Leste Europeu e Oriente Médio escancararam uma verdade inconveniente: o modelo de dependência de fertilizantes sintéticos é insustentável economicamente e estrategicamente.

Os bioinsumos não são mais uma alternativa marginal, mas um pilar de segurança alimentar e soberania tecnológica.

O Brasil tem 60% das terras agrícolas tropicais do planeta e potencial para liderar uma revolução bio-based. Para isso, precisa:

. Converter crise em ação: Usar o PNF para reduzir as importações de 85% para menos de 60% até 2030.

. Posicionar-se como exportador de tecnologia verde: Bioinsumos são a chave para transformar vulnerabilidade em vantagem competitiva global.

. A resposta do Brasil definirá não apenas seu futuro agrícola, mas seu papel na geopolítica da alimentação do século XXI. A hora dos bioinsumos é agora!!





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