quinta-feira, março 19, 2026

Política & Agro

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Média sobe pela 8ª semana consecutiva



Demanda permanece aquecida


Foto: Canva

Mesmo com as chuvas recentes – que foram isoladas e pouco volumosas –, a baixa umidade continua predominando na maioria das regiões produtoras de mandioca, indicam levantamentos do Cepea. Ao mesmo tempo, o interesse de produtores pela comercialização segue limitado, especialmente no caso das raízes mais novas, em razão da menor produtividade e do teor de amido reduzido. Assim, em muitas praças, a oferta permanece abaixo da demanda industrial, impulsionando os preços pela oitava semana consecutiva, conforme o Centro de Pesquisas.

O valor médio nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 563,83 (R$ 0,9806/grama de amido), alta semanal de 2% e de 7,5% em quatro semanas. Já em termos reais – com base no IGP-DI –, a média está 10,7% abaixo da registrada em igual período do ano anterior. Com a oferta de mandioca abaixo das expectativas e o menor rendimento industrial, a produção de fécula segue limitada em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea.

A demanda, por outro lado, permanece aquecida, e muitas empresas têm enfrentado dificuldades para recompor estoques, que caíram pela décima semana consecutiva, ao menor patamar desde maio. 





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Brasil exporta mais feijão, mas mercado interno mantém estabilidade


As exportações brasileiras de feijão alcançaram níveis históricos em setembro de 2025, tanto no volume mensal quanto no acumulado de 12 meses. Segundo o Cepea, a liderança do Mato Grosso nesse mercado se consolida, impulsionada por variedades voltadas principalmente ao consumo internacional, o que mantém estável a oferta dos tipos mais consumidos no Brasil, como o feijão carioca e o preto.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 85,4 mil toneladas de feijões apenas em setembro — maior volume já registrado para um único mês. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o total exportado soma 361,9 mil toneladas, ultrapassando o montante de todo o ano de 2024, que foi de 343,6 mil toneladas. No recorte de 12 meses, as exportações atingem 488,4 mil toneladas, outro recorde.

Variedades exportadas são diferentes das consumidas internamente

Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço das exportações tem como base o aumento da demanda por variedades específicas de feijão, distintas daquelas com maior saída no mercado brasileiro. Isso explica por que o crescimento das exportações não pressiona os preços internos nem reduz a oferta dos tipos mais populares entre os consumidores nacionais.

Mercado interno recua com baixa liquidez e demanda

No mercado doméstico, o feijão carioca apresentou baixa liquidez na semana passada, com enfraquecimento dos preços. O Cepea aponta que a redução na demanda e a qualidade inferior dos lotes ofertados contribuíram para a pressão negativa sobre os valores praticados.

Já o feijão preto tipo 1, após uma forte valorização em setembro, teve leve ajuste negativo nos preços na última semana. A reposição de estoques foi mais lenta, e a demanda, mais estável, refletindo um cenário de moderação nos negócios.

Impacto e perspectivas 

A expectativa para os próximos meses é de manutenção da tendência positiva nas exportações, especialmente com o fortalecimento da presença brasileira em novos mercados, sem comprometer o abastecimento interno.

 





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Resolução do CMN cria barreira geográfica ilegal e exclui produtores das novas oportunidades de renegociação das dívidas rurais


A Medida Provisória nº 1.314/2025 foi recebida pelo setor produtivo rural como um importante alívio em meio à crise climática e econômica que atingiu diversas regiões do país nos últimos anos. Seu objetivo declarado é viabilizar a liquidação e amortização de dívidas rurais contraídas por produtores afetados por eventos climáticos adversos, utilizando recursos do superávit financeiro da União e linhas especiais de crédito.

A proposta, em seu texto, é simples e direta: permitir que produtores que tiveram duas ou mais safras prejudicadas entre julho de 2020 e junho de 2025 possam acessar crédito para recompor seu equilíbrio financeiro.

Neste texto quero chamar atenção para algo de extrema importância e que afeta muitos produtores rurais: A MP não impõe qualquer limitação territorial. Ela fala em “produtores que tenham sofrido perdas”, sem exigir que o município tenha decretado estado de calamidade ou situação de emergência.

MP 1314/25 – Artigo 2º, parágrafo 2º: São beneficiários desta linha de crédito produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária, na qualidade de produtor rural, que tenham tido perda em duas ou mais safras no período de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2024, em decorrência de eventos climáticos adversos.

Observe que a redação dessa norma não faz qualquer restrição quanto a localização geográfica da área afetada.

No entanto, ao regulamentar a medida, o Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução nº 5.247/2025, inseriu um filtro que não consta da MP e que vem excluindo milhares de produtores de forma automática: a exigência de que o município do empreendimento tenha decretado estado de emergência ou calamidade pública em pelo menos dois anos do período entre 2020 e 2024, com reconhecimento formal pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Eis o trecho exato dessa ilegal extrapolação feita pela Resolução 5247:

Resolução CMN 5247, artigo 1º, parágrafo 2º, inciso I, alínea “a” – tenham decretado estado de calamidade pública ou situação de emergência em pelo menos dois anos no período de 01 de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2024, em decorrência de enxurradas, alagamentos, inundações, chuva de granizo, chuvas intensas, tornados, onda de frio, geada, vendaval, seca ou estiagem, com reconhecimento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O problema é que essa barreira não foi criada por lei, mas sim por esse ato infralegal, o que fere diretamente o princípio da legalidade, previsto no artigo 5º, inciso II, e no artigo 37 da Constituição Federal.

Em outras palavras, a Resolução inovou no ordenamento jurídico, criando uma condição nova para o acesso ao benefício, sem qualquer respaldo no texto da MP. E isso tem consequências práticas graves.

Diversos municípios tiveram perdas significativas, mas não chegaram a decretar formalmente situação de emergência — seja por falta de estrutura administrativa, seja porque o evento climático não atingiu o limiar técnico exigido pelo MIDR, embora tenha causado prejuízo concreto ao produtor. Em muitos casos, a decretação ocorreu apenas uma vez, ou em anos diferentes daqueles exigidos pela Resolução. O resultado é que o produtor fica de fora, ainda que tenha experimentado as mesmas perdas que outros vizinhos em municípios “reconhecidos”.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná publicou ofício expressando exatamente isso: que apenas 129 municípios do Estado (cerca de 32%) se enquadrariam nessas restrições impostas pela Resolução CMN 5247. Já o Ministério da Agricultura publicou uma lista dos municípios elegíveis, um total de 1363, isto é 24,5%. Evidente que há muita injustiça nessa barreira geográfica criada ilegalmente pela Resolução CMN 5247.

Insisto, esse filtro geográfico é juridicamente questionável. A jurisprudência é firme no sentido de que atos administrativos normativos não podem restringir direitos ou criar obrigações sem autorização legal expressa.

O Supremo Tribunal Federal, guardião das normas constitucionais em nosso país, já asseverou sobre a função regulamentar das legislações infralegais não pode ser utilizada como “carta branca” para inovar no ordenamento jurídico, criando barreiras ou direitos não previstos em lei, sob pena de se configurar ilegalidade. Vejamos:

“… a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é, na verdade, no sentido de que decreto regulamentar que vai além da lei, que extrapola a lei, não é inconstitucional, é ilegal.” (Ministro Carlos Velloso, ADI 673-8 – DF).


“… até porque as normas de um decreto regulamentar que extravassem a regulamentação da lei são normas ilegais…” (Ministro Moreira Alves, ADI 673-8 – DF).


“Tem, aliás, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal afirmado que, se o decreto, ao regulamentar uma lei, excede seus limites, incide em ilegalidade, que pode ser reconhecida por qualquer juiz ou tribunal… (Ministro Sidney Sanches, ADI 673-8 – DF).

Diógenes Gasparini, na sua obra Poder Regulamentar, p. 64/65, 2ª ed., 1982, RT, ensinou: “outra faceta dos regulamentos subordinados é a de não poder o Executivo, a pretexto de regulamentar uma dada lei, impor a sua interpretação. Essa regulamentação disfarçada da lei iria muito além da atribuição que vimos examinando.”

O Superior Tribunal de Justiça, como não poderia ser diferente, também já decidiu que “o ordenamento jurídico pátrio não permite que atos normativos infralegais inovem originalmente o sistema jurídico” (REsp 1.969.812/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi).

No caso concreto, a MP 1.314/2025 delegou ao CMN apenas o poder de definir condições operacionais e financeiras — juros, prazos, encargos e critérios de execução. Não há delegação para limitar o público-alvo com base em critérios geográficos. O CMN, portanto, extrapolou seu poder regulamentar, usurpando função legislativa.

Sob a ótica constitucional, o vício é duplo. Primeiro, porque o ato administrativo não pode contrariar nem restringir o alcance de uma medida provisória com força de lei. Segundo, porque o filtro territorial viola a isonomia entre produtores que sofreram prejuízos equivalentes, mas residem em municípios distintos.

Imagine dois produtores rurais vizinhos, separados apenas por uma estrada. Ambos perderam 50% da produção em 2022 e 2023. Um deles, por estar em município que declarou emergência, é elegível. O outro, em município que não declarou, fica excluído. É uma situação absurda do ponto de vista jurídico e social, incompatível com a função reparatória da política pública.

Além disso, a exigência de dupla decretação municipal transfere para o produtor uma responsabilidade que não é dele — afinal, o ato de decretar emergência é uma decisão política e administrativa da prefeitura, alheia à sua vontade. O produtor não tem qualquer controle sobre isso.

Na prática, portanto, nessa parte aqui tratada, a Resolução nº 5.247/2025 esvazia o conteúdo material da MP nº 1.314/2025, que buscava atender todos os produtores que sofreram perdas reais, independentemente do local. Essa distorção pode e deve ser contestada judicialmente, com fundamento na ilegalidade do ato regulamentar, no desvio de finalidade e na violação à isonomia.

O setor rural precisa estar atento: a promessa de socorro feita pela MP 1.314/2025 não pode ser desfigurada por um ato infralegal que cria obstáculos onde a lei não criou. O Estado brasileiro tem o dever de agir com boa-fé, legalidade e razoabilidade, respeitando o objetivo social da norma — que é proteger quem produz alimento, emprego e renda no campo.

Quer saber mais sobre o tema? Acesse: https://henriquelimaadvogado.com.br/categoria/agronegocio/ 

Para mais informações ou orientações sobre o tema, entre em contato com o autor.


 





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Soja fecha com mais de 1% de queda em Chicago pressionada pela falta de…


Logotipo Notícias Agrícolas

A ligação entre Donald Trump e Xi Jinping aconteceu nesta sexta-feira (19) e, mais uma vez, as conversas não trouxeram qualquer novidade efetiva nas relações entre os dois países. E assim, o pouco que a soja subiu nos últimos dias na Bolsa de Chicago apoiada na esperança de que o cenário sino-americano fosse fortalecido no âmbito do agronegócio, devolveu na sessão desta sexta-feira (19) e terminou o dia com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. 

“A ausência de sinais mais claros de um acordo pressiona os preços da soja e provoca a reversão do movimento positivo observado pela manhã nas bolsas americanas, que passaram a operar em baixa”, afirmou a equipe da Agrinvest Commodities. 

Assim, o pregão terminou com os principais vencimentos da soja recuando entre 10,50 e 11,25 pontos, com o novembro voltando aos US$ 10,26; o janeiro a US$ 10,45 e o maio a US$ 10,74 por bushel. Foram perdas de mais de 1% que o mercado foi intensificando ao longo do dia. 

“Fizemos progressos em muitas questões muito importantes, incluindo comércio, fentanil, a necessidade de encerrar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a aprovação do acordo do TikTok”, escreveu Trump nas mídias sociais. “A ligação foi muito boa, voltaremos a nos falar por telefone, agradecemos a aprovação do TikTok e ambos esperamos nos encontrar na Apec!”, complementou. 

A agência de notícias estatal da China Xinhua informou que “sobre o TikTok, Xi disse que a posição da China é clara: o governo chinês respeita a vontade das empresas e dá as boas-vindas às empresas para que conduzam negociações comerciais com base nas regras de mercado para chegar a uma solução consistente com as leis e regulamentações chinesas, ao mesmo tempo em que equilibra os interesses”.

E assim, o agronegócio segue às margens da discussão entre as duas maiores economias do mundo, com não só o mercado sentindo a pressão em Chicago, como os produtores rurais norte-americanos vivendo uma calamidade financeira diante da ausência das compras de soja americana pela nação asiática. 

O mercado segue confinado em um intervalo já conhecido de preços diante de notícias que já conhece. No radar estão a conclusão da safra dos EUA, o início da safra do Brasil, a demanda da China e o mandato dos combustíveis norte-americanos, o que deixou o óleo de soja também bastante volátil na CBOT nos últimos dias. Nesta sexta, o derivado terminou o dia com mais de 1% de baixa, contribuindo para as baixas do grão. 

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, os produtores estão dividindo suas atenções entre os trabalhos de campo e de comercialização. A soja disponível segue com volume recorde de exportação, mais de 124 milhões de toneladas já negociadas, enquanto na safra 2025/26 os negócios ainda estão atrasados. 

“A grande questão é que a safra nova está lenta (nas vendas). Temos perto de 19% negociado da safra nacional e o normal seria mais de 27% para esta época, em estados como o Mato Grosso, o normal seria mais de 25% para esta época, e está tudo atrasado. E isso é importante o produtor se posicionar para o produtor não correr o risco e chegar na colheita e ter que vender em cima da colheitadeira, em cima da máquina, e pegar um mercado muito ofertado. E isso não é nada favorável para o produtor”, explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.





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Semeadura do feijão sofre impacto das chuvas



Feijão 1ª safra tem ritmo lento em parte do Estado



Foto: Pixabay

O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS na quinta-feira (9) indica que as chuvas no período dificultaram o preparo das áreas e atrasaram o avanço da semeadura do feijão 1ª safra. Assim como na semana anterior, os índices de plantio continuam desuniformes entre as regiões produtoras. No Planalto Médio, praticamente todas as áreas foram semeadas, enquanto na Região Sul o processo está mais atrasado. Nos Campos de Cima da Serra, a semeadura deve iniciar em dezembro. Segundo a Emater/RS, as lavouras encontram-se em estágio vegetativo e apresentam desenvolvimento considerado adequado.

Nos cultivos destinados ao consumo familiar, a Emater/RS projeta rendimento menor, com comercialização do excedente em pequenos mercados próximos às áreas de produção. A área projetada para o feijão 1ª safra é de 26.096 hectares, com produtividade média estimada em 1.779 quilos por hectare.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, 50% da área total prevista já foi implantada, apesar do atraso na semeadura. A produtividade média estimada é de 2.237 quilos por hectare. Na região de Ijuí, a semeadura atingiu 90% do total previsto, com bom desenvolvimento vegetativo e sem registros relevantes de pragas, segundo o órgão.

Em Pelotas, 19% da área projetada foi semeada. Os municípios que já iniciaram o plantio incluem Amaral Ferrador, Pinheiro Machado, Herval, Canguçu, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul. Já na região de Soledade, a semeadura alcançou 60% do total, e a Emater/RS informou que as lavouras apresentam boa emergência de plantas e sanidade satisfatória, com produtividade média de 1.600 quilos por hectare.

Na região administrativa de Santa Maria, o avanço da semeadura foi menor no período, chegando a 50% do total projetado. A área de cultivo prevista é de 1.033 hectares, e a produtividade média esperada é de 1.414 quilos por hectare, conforme dados da Emater/RS.





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Diversificação impulsiona nova fase do agronegócio



O amendoim desponta como símbolo da nova fase


O amendoim desponta como símbolo da nova fase
O amendoim desponta como símbolo da nova fase – Foto: Canva

Mato Grosso do Sul vive uma transformação no agronegócio brasileiro. Antes conhecido pela força da soja, do milho e da pecuária bovina, o Estado amplia sua base produtiva com destaque para o amendoim, a carne suína, a avicultura e a citricultura. Somadas ao avanço da silvicultura e da agroindústria, essas cadeias refletem um campo mais moderno, sustentável e competitivo. Segundo o Sistema Famasul, o setor somou US$ 9,9 bilhões em exportações em 2024, com saldo comercial de US$ 7,16 bilhões, impulsionando o desenvolvimento e a inclusão produtiva no interior.

O amendoim desponta como símbolo da nova fase. Na safra 2024/2025, o Estado se tornou o segundo maior produtor do país, com 100 mil toneladas colhidas. A cultura vem se consolidando em rotação com soja e milho, elevando a produtividade e incentivando a instalação de agroindústrias que agregam valor e geram empregos. Na proteína animal, a suinocultura mantém ritmo forte, com 121 mil matrizes e previsão de abate de 3,8 milhões de cabeças em 2025, apoiada por sistemas integrados, biossegurança e geração de biogás.

A avicultura também cresce, com 175,9 milhões de frangos abatidos em 2024, garantindo ao Estado o 7º lugar nacional. O desempenho é resultado de investimentos em genética e novas plantas frigoríficas voltadas à exportação. A Rota Bioceânica, com ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), deve começar a operar em 2025, conectando o Estado ao Pacífico. Com PIB de R$ 190 bilhões e crescimento de 6,6% em 2024, Mato Grosso do Sul mantém a menor taxa de desemprego do Centro-Oeste (3,7%) e segue consolidando um agronegócio diversificado e sustentável.





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Após temporais, chuva dá trégua e volta na quinta


O domingo de Dia das Crianças (12) registrou altos volumes de chuva no Paraná devido à passagem de uma frente fria, associada a um ciclone que se formou na altura do Uruguai. A chuva segue atingindo a faixa norte do Estado na manhã desta segunda-feira (13), mas já se afasta na direção de São Paulo ao longo do dia. Após uma trégua até quarta-feira (15) – período em que poderão ocorrer no máximo algumas pancadas de chuva isoladas –, as instabilidades mais significativas retornam em todo o Estado na quinta-feira (16), com nova previsão de tempestades.

No domingo (12), os maiores volumes de chuva foram em Cruzeiro do Iguaçu (154,4 mm), Quedas do Iguaçu (106,4 mm), Altônia (102,4 mm), Mangueirinha (100,6 mm), Guarapuava (ELEJOR) (97,2 mm), Cascavel (97 mm), Nova Tebas (INMET) (94,2 mm), Francisco Beltrão (91,8 mm), Capanema (85,4 mm) e Candói (ELEJOR) (81,4 mm).

A intensidade da chuva foi diminuindo gradativamente, mas as regiões Norte e Noroeste ainda foram atingidas durante a madrugada de segunda-feira (13) por pancadas de chuva com raios. Os volumes de chuva até as 6h já ultrapassavam os 10 mm em Loanda, Cianorte, Mandaguari, Paranavaí e Umuarama.

Fortes rajadas de vento também foram registradas, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste. As maiores foram em Planalto (INMET) (88,2 km/h entre 0h e 1h), Dois Vizinhos (INMET) (68,8 km/h entre 0h e 1h), Santa Maria do Oeste (67,3km/h às 10h15), Clevelândia (INMET) (64,4 km/h entre 2h e 3h), Loanda (63 km/h às 12h15) e Cascavel (62,3 km/h às 8h30).

Nesta segunda-feira (13) a velocidade das rajadas diminuiu. A estação meteorológica do Simepar em Maringá foi a única que registrou rajada de vento acima de 50 km/h: foram 52,2 km/h às 2h30. Após a chuva, as temperaturas terão declínio.

“Gradativamente, com o afastamento do eixo da frente fria, uma massa de ar seco e frio adentra o Paraná pelo Sudoeste e até o final do dia ela terá atingido todas as regiões. Desse modo, ao final da noite, esperam-se mínimas invertidas, especialmente na metade sul do Estado, com os menores valores em municípios do Centro-Sul, em torno dos 10°C”, explica Júlia Munhoz, meteorologista do Simepar.

CHUVAS LOGO VOLTAM – Na terça-feira (14), o tempo volta a ficar estável. O amanhecer ainda será gelado, com temperaturas abaixo dos 10°C em toda a metade sul do Paraná, mas já no período da tarde as temperaturas se aproximam dos 25°C em todas as regiões, podendo chegar aos 30°C em municípios das faixas Oeste e Norte.

“A partir do anoitecer, o escoamento oceânico passa a adentrar o estado, aumentando a cobertura de nuvens baixas do Litoral até os Campos Gerais. Isso aumenta a possibilidade de garoa no Leste”, detalha Júlia.

No amanhecer de quarta-feira (15), por conta desta nebulosidade, as temperaturas entre a Região Metropolitana de Curitiba, Campos Gerais e Centro-Sul ficarão entre 8°C e 10 °C. A tarde, com predomínio de sol entre nuvens, nas faixas Oeste e Norte do Paraná as temperaturas máximas poderão superar os 30 °C em alguns municípios. Não são descartadas pancadas de chuva isoladas no Sudoeste e no Centro-Sul, e a cobertura de nuvens com chances de garoa ocasional entre o Litoral e a RMC volta a aumentar.  

O tempo fica instável em todo o estado novamente a partir de quinta-feira (16). “A formação de um cavado entre os países vizinhos e o avanço de uma frente fria pelo oceano favorecerão a ocorrência de chuvas principalmente nas faixas oeste e sul, inclusive com possibilidade de temporais isolados”, afirma.

Já na sexta-feira (17) e sábado (18), essas instabilidades acontecerão de maneira mais abrangente pelo Estado, com maior potencial para a formação de tempestades. O Simepar trará boletins atualizados ao longo da semana e as ocorrências de tempestade serão informadas para a população através dos alertas emitidos pela Defesa Civil Estadual.

78 HORAS ABAIXO DE 15ºC EM CURITIBA – A capital paranaense passou mais de 78 horas com temperaturas abaixo de 15°C em plena primavera. Às 3h45 de terça (07) Curitiba registrou 14,9°C. Na quarta (08) a temperatura máxima foi de 11,9°C. Na quinta (09) a temperatura máxima foi de 14,2°C. Às 10h45 de sexta (10) a cidade atingiu 15°C novamente. A máxima do dia 10 foi de 15,7°C e no sábado (11), com algumas aberturas de sol e sem chuva, os termômetros registraram máxima de 21,2°C.

As temperaturas máximas da semana passada em Curitiba estão entre as mais baixas já registradas no mês de outubro desde 1997, quando foi instalada a estação meteorológica do Simepar na Capital. As mais baixas para o mês foram 10,1°C em 03/10/1999, 11°C em 04/10/1999, 11,9°C em 03/10/2010 e 11,9°C em 08/10/2025.

No domingo (12), as temperaturas em Curitiba ficaram entre 15,4°C e 21,9°C. Nas estações meteorológicas da prefeitura de Curitiba os maiores volumes de chuva até as 19h40 foram de 2,6 mm no Tatuquara, 2,7 mm no Caximba e 2,4 mm na CIC, apenas. A estação meteorológica do Simepar, no Jardim das Américas, também registrou apenas 1,2 mm de acumulado de chuva.

As maiores rajadas de vento na Capital no domingo foram registradas pelas estações da prefeitura de Curitiba, pela manhã: 52 km/h às 10h no Boa Vista e às 9h no Portão. Nesta segunda-feira (13), finalmente, o sol voltou a predominar.





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Conab reforça compromisso com agricultura familiar e economia solidária na 31ª FEICOOP


Entre a sexta-feira (10) e o domingo (12) passados, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), participou da 31ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (FEICOOP), no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, em Santa Maria (RS). A abertura do evento contou com a participação do presidente da estatal, Edegar Pretto.

Durante a abertura oficial, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, destacou a retomada do papel estratégico da Companhia em políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que beneficia diretamente agricultores familiares, assentados da reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas.

“Quando fui convidado para ser presidente da maior Companhia de Abastecimento da América Latina, foi me dada duas tarefas: a primeira delas é fazer a Conab forte outra vez, fazer diferença na vida das pessoas. E a segunda é que a Conab passasse novamente a ser um dos instrumentos para erradicar a fome no Brasil. O PAA voltou e nós estamos operacionalizando milhões de reais comprando comida da agricultura familiar e esses alimentos chegando simultaneamente na mesa de quem passa necessidade”, ressaltou.

O presidente da Conab também enfatizou a importância da participação feminina no programa. Segundo ele, mulheres têm papel central no combate à fome e devem ser prioridade nas políticas públicas.

“Nós estabelecemos na Conab que cada cooperativa, cada associação que apresenta um projeto para o PAA para vender comida, tem que ter no mínimo 50% de participação das mulheres. Hoje, 80% da comida que o PAA compra, que a Conab adquire são de mulheres trabalhadoras rurais. O protagonismo da erradicação da fome também passa pelas mãos das mulheres agricultoras brasileiras”, complementou.

Sob o lema “Construindo a Ecologia Integral frente às Emergências Climáticas”, o Feirão Colonial, como tradicionalmente também é conhecida a maior feira de cooperativismo e economia solidária da América Latina, debateu a possibilidade da construção de um novo mundo a partir de um novo modelo econômico colaborativo. Além disso, o público teve acesso à uma variedade de produtos, e também pôde participar de cerca de 80 atividades, entre programações culturais, seminários, rodas de conversa, oficinas, conferências e painéis sobre temas sociais e ambientais.

Em um estande no corredor principal da feira, a Conab participou divulgando, orientando e esclarecendo dúvidas sobre as principais políticas públicas operacionalizadas pela Companhia, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa de Venda em Balcão (ProVB), assim como evidenciar a atuação da Conab junto aos agricultores, cooperativas e associações do Rio Grande do Sul, estado de grande relevância para a política agrícola nacional, ampliando a efetividade da ação governamental.

Com essa iniciativa, além de reforçar o compromisso da estatal com a soberania e segurança alimentar e nutricional, o abastecimento e a promoção da agricultura familiar, a companhia também fortalece o apoio à produção sustentável e solidária, ao pequeno produtor rural e à organização social no campo.

Em um momento em que os impactos das mudanças climáticas estão no centro da discussão em todo o mundo, a FEICOOP se propõem como espaço de partilha e construção coletiva de alternativas sustentáveis, valorizando a diversidade dos povos, das culturas, dos saberes e das práticas que colocam a vida no centro.

Com a presença de feirantes, visitantes e parceiros, o evento configura-se como espaço estratégico para fortalecimento de parcerias, promoção da agricultura familiar, bem como para a divulgação de ações e programas governamentais voltados ao abastecimento alimentar, através de seminários, oficinas e palestras temáticas.

A FEICOOP é um evento internacional consolidado, referência em Economia Solidária no Brasil, que reúne delegações de empreendimentos de diversos estados e de países da América Latina. A edição de 2025 contou com aproximadamente 550 expositores das regiões Sul e Sudeste do país, além de representantes da Argentina, Uruguai e Paraguai, e atraiu cerca de 100 mil visitantes, a fim de solidificar a economia solidária, aproximar campo e cidade e contribuir para o debate e a consolidação de políticas públicas voltadas ao cooperativismo.

Desde 1994, Santa Maria sedia a Feicoop e é reconhecida como Capital Mundial da Economia Solidária e do Cooperativismo Autogestionário. O evento se consolidou como espaço internacional de articulação, integração e ação coletiva, reunindo empreendimentos de economia solidária, agroindústrias, catadores, povos indígenas, quilombolas, artesãos, floricultores e trabalhadores rurais e urbanos.

 





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estrategia do INTA contra carrapato bovino


Diante de um contexto em que a eficiência produtiva e a sanidade animal são determinantes para a competitividade do setor, os especialistas do INTA Colonia Benítez – Chaco – propõem o controle integrado, que combina o manejo sanitário, ambiental e genético. Trata-se de uma ferramenta eficaz para proteger a saúde dos rebanhos e aumentar a produção de carne no norte da Argentina.

Para reduzir perdas, aumentar a produção e fortalecer a competitividade, os especialistas do INTA sugerem integrar esses três tipos de manejo. Uma pesquisa recente do INTA Colonia Benítez (Chaco) confirmou a eficácia dessa estratégia, que permite ganhos de peso entre 18 e 42 quilos de carne por animal ao ano. Este trabalho será um dos temas apresentados na 2ª Jornada Pecuária, que acontecerá em Chaco no dia 15 de outubro.

Segundo explicou Victoria Rossner, pesquisadora do INTA Colonia Benítez, “o carrapato é um parasita que representa uma grande limitação à produtividade pecuária em regiões tropicais e subtropicais do mundo, causando severas perdas econômicas no país”.

Ela detalhou que essa parasitose ocorre em áreas ao norte do paralelo 31, onde as condições de clima quente e úmido são ideais para seu desenvolvimento. O impacto direto na pecuária, segundo Rossner, “se traduz em menor ganho de peso, desvalorização do couro devido a lesões e miíases, além da transmissão de doenças”.

Para enfrentar o problema, o INTA propõe um manejo integrado que combina diferentes técnicas, reduzindo a dependência exclusiva de produtos químicos e retardando a resistência dos carrapatos aos acaricidas.

O controle integrado foi avaliado com resultados promissores: “Em estudos com bovinos em crescimento, de 12 a 24 meses, a diferença de peso ao aplicar protocolos de controle dessa parasitose pode variar de 18 a 42 quilos de peso vivo por ano”, afirmou Rossner, destacando o impacto positivo da combinação simultânea de duas ou mais técnicas — sendo que pelo menos uma delas não deve ser química.

De acordo com a pesquisadora, existem três ferramentas com eficácia comprovada:

O uso estratégico de acaricidas químicos, aplicados em momentos-chave conforme o ciclo de vida do parasita;

A rotação e o descanso de pastagens, que interrompem a presença de larvas no ambiente;

E o uso de biotipos bovinos resistentes, que naturalmente limitam a infestação.

“Os esquemas de controle estratégico fazem parte de um programa de médio e longo prazo, concentrando um número mínimo de tratamentos em épocas específicas do ano — como na saída do inverno — para alcançar um efeito duradouro sobre as populações de carrapatos”, detalhou Rossner.

Ela também observou que pequenas variações climáticas afetam microorganismos, vetores, reservatórios e até seres humanos, podendo alterar a distribuição e incidência de várias doenças infecciosas, somando-se ainda às mudanças no uso do solo.

Por fim, a pesquisadora destacou que a implementação dessas práticas requer orientação técnica especializada. “Os produtores devem se manter atualizados e consultar veterinários com conhecimento tecnológico para orientá-los no manejo integrado”, recomendou.





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Sou de Algodão na SPFW 2025: moda rastreável assume protagonismo


O movimento Sou de algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, na principal semana de moda do país, reafirmando a força de uma cadeia produtiva que une sustentabilidade, inovação e design. O desfile acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Com o tema “Trajetórias”, a coleção celebra o caminho do algodão brasileiro com certificação socioambiental, desde o campo até a criação de moda autoral, com 36 looks all black, desenvolvidos no âmbito do programa de rastreabilidade SouABR (Algodão Brasileiro Responsável).

Moda rastreável: o futuro é coletivo

Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um panorama inédito da rastreabilidade da fibra no Brasil: são 82 fazendas, 61 produtores, seis estados e seis indústrias têxteis que integram a cadeia de custódia do algodão certificado ABR utilizado na coleção.

“Em nosso quarto desfile na SPFW, a rastreabilidade do algodão brasileiro com certificação socioambiental assume o protagonismo”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa. “É uma trajetória coletiva que reúne produtores, indústrias e estilistas para mostrar que o futuro da moda é responsável e transparente”.

O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, reforça: “Cada peça é fruto de uma conexão genuína entre campo e passarela. O algodão brasileiro é símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso com práticas responsáveis; valores que ganham forma e significado neste desfile”.

Seis estados, uma só fibra

O desfile reúne peças compostas por algodão cultivado na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí – estados onde o programa ABR certifica propriedades que seguem padrões sociais, ambientais e de governança.

A coleção também evidencia a atuação de seis indústrias têxteis brasileiras que integram a cadeia de custódia do algodão: Cataguases e RenauxView – que assinam os tecidos de camisaria -, Santana Textiles e Vicunha – responsáveis pelos denim -, Dalila – que trabalha com malharia -, e Fio Puro, que representa a fiação, completando o ciclo da fibra até o tecido final.

Cada novelo de fio, que virou rolo de tecido, que se transformou em cada look traz em si o percurso de uma fibra cultivada com responsabilidade, comprovada por um sistema de rastreabilidade, que conecta o produtor ao consumidor final.

Trajetórias: conceito e styling por Paulo Martinez

Para o stylist Paulo Martinez, o conceito “Trajetórias” nasce da ideia de celebrar os caminhos percorridos, do campo à criação, da fibra ao corpo.

A escolha do all black traduz essa conexão de forma simbólica: o preto absoluto é o ponto onde todas as cores se encontram, como se cada etapa do processo convergisse em uma única expressão de unidade e força.

“O conceito do all black veio de um lugar de comemoração, inspirado em uma festa black tie para celebrar os 30 anos da semana de moda paulistana”, explica Martinez. “Mais do que uma estética, é um gesto de respeito. Um agradecimento a todos que constroem a moda de forma consciente e coletiva”.

Na passarela, 36 looks formam uma narrativa contínua que atravessa territórios, técnicas e linguagens. A cor única revela a essência do algodão, sua textura, peso, toque e movimento, sem distrações, permitindo que cada um dos seis estilistas traduza, à sua maneira, as infinitas possibilidades da fibra natural.

Os criadores e suas trajetórias

Alexandre Herchcovitch

Herchcovitch propõe uma leitura sofisticada e emocional do algodão, deslocando-o de seu imaginário casual. Em sua coleção, o tricoline ganha leveza, o denim aparece cru e a sarja revela sua textura original, sem lavagens ou interferências.

“O que mais me atrai no algodão é a percepção. Meu desejo é que a rastreabilidade seja algo natural, o básico da moda. Que todos saibam de onde vem o que vestem”, diz o estilista, cujo trabalho propõe uma moda honesta e essencial, em que a beleza surge do próprio material.

ALUF

A ALUF apresenta o algodão em sua forma mais inesperada: como matéria-prima de vestidos de festa e silhuetas escultóricas. São peças de volumes inusitados, alças em 3D e acabamentos delicados, que revelam a sofisticação e a versatilidade da fibra natural.

A coleção mostra que o algodão também pode ser luxo, fluidez e emoção, sem perder sua essência sustentável. “Cada look traduz o encontro entre o artesanal e o contemporâneo. A rastreabilidade é parte da beleza; saber de onde vem o tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, explica Ana Luisa Fernandes, diretora criativa da marca.

Amapô

A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, da Amapô, parte de seu próprio arquivo de 20 anos para revisitar e reconstruir peças icônicas da marca.

Cada look renasce em versão all black, como uma nova leitura sobre o passado; uma coleção que é também um gesto de memória e reinvenção.

“Foi um exercício de desapego e de desconstrução do algodão”, conta Carô. “Recondicionamos o tecido para novos usos, como um vestido de festa feito inteiramente em malha piquet. A rastreabilidade, neste contexto, é tranquilizadora. Ela nos reconecta com o que movimenta o mundo”.

David Lee

Inspirado literalmente pelo tema “Trajetórias”, David Lee transforma o percurso  do algodão em metáfora visual: costuras e texturas se entrelaçam para formar desenhos que lembram estradas, mapas e fluxos. Sua coleção carrega referências utilitárias e campesinas, que equilibram rusticidade e refinamento.

“O algodão é versátil, durável e tem uma modelagem impecável. As pessoas muitas vezes não sabem o caminho que a fibra percorre, e é esse o percurso que eu quis mostrar”, reitera. Em suas peças, cada dobra e cada costura contam uma história, representando o elo invisível entre o trabalhador do campo e o consumidor urbano.

Fernanda Yamamoto

Acostumada a experimentar técnicas artesanais e estruturas complexas, a Fernanda Yamamoto mergulha pela primeira vez em uma coleção composta inteiramente por algodão. Ela leva a fibra para lugares inesperados, com peças de arquitetura têxtil precisa, que combina listras, risca de giz e origamis.

“O algodão é muito mais do que leveza ou casualidade. É uma fibra de construção, de resistência e de sutileza. Ele pode ser tudo, de estruturado a fluido”.

Sua proposta convida à reflexão sobre a potência técnica e expressiva do algodão, e sobre como a moda pode ser simultaneamente artesanal, contemporânea e responsável.

Weider Silveiro

Weider revisita sua trajetória pessoal e propõe uma alfaiataria desconstruída em algodão, que desafia gênero e tradições. O estilista explora contrastes entre o feminino e o masculino, com cortes de precisão, volumes inesperados e tecidos de diferentes pesos.

“Desconstruir a alfaiataria é prazeroso. O algodão é cheio de possibilidades, é confortável, respirável e humano. Saber de onde vem o tecido é um gesto de afeto, é sobre pessoas e não só sobre máquinas”, afirma o criativo, que sintetiza a essência do desfile ao afirmar a moda como expressão humana, consciente e conectada à origem.

O algodão como símbolo de união

Em “Trajetórias”, cada estilista percorre seu próprio caminho criativo, mas todos partem da mesma fibra: o algodão brasileiro certificado e rastreável.

Das fazendas às passarelas, o desfile do Sou de Algodão reafirma que a moda do futuro é feita de colaboração, transparência e propósito.

“A SPFW sempre foi um espaço de expressão e de transformação coletiva. Ver o Sou de Algodão celebrar essa trajetória é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem, e projeta o futuro com consciência. Este desfile traduz a beleza do ciclo completo, da fibra à criação, e reafirma que inovação e responsabilidade caminham juntas no novo tempo da moda”, completa Paulo Borges, idealizador e diretor criativo da SPFW.

 





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