terça-feira, março 24, 2026

Política & Agro

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Cevada: cultivares visam qualidade cervejeira



Semeadura da cevada é finalizada no Rio Grande do Sul




Foto: Canva

A semeadura da cevada foi encerrada no Rio Grande do Sul, e as lavouras se encontram atualmente em fase de desenvolvimento vegetativo. As informações são do Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (17) pela Emater/RS-Ascar. De acordo com a entidade, o estabelecimento inicial das plantas foi considerado adequado.

A Emater/RS-Ascar informou que foram utilizadas, majoritariamente, cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas da região, com ciclos precoce a médio, bom perfilhamento e resistência moderada a doenças foliares, como mancha-marrom e oídio. A escolha das cultivares também considerou critérios tecnológicos voltados à produção cervejeira, como baixo teor proteico, peso hectolitro reduzido e elevado rendimento de malte.

Na região administrativa de Erechim, o cultivo da cevada segue contratos previamente firmados com a indústria de malte. A Emater/RS-Ascar informou que “o valor médio pago é de R$ 85,00 por saca de 60 quilos, desde que os lotes atendam aos padrões de qualidade exigidos”.

Na região de Ijuí, o desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório. No entanto, os técnicos registraram aumento de manchas foliares, o que exige atenção no manejo fitossanitário durante esta fase do ciclo.





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Crédito limitado trava avanço do mercado de insumos



O atual ambiente exige cautela e uma nova abordagem na concessão de crédito



Atualmente, estima-se que entre 20% e 25% das compras de fertilizantes ainda estão em aberto para a soja
Atualmente, estima-se que entre 20% e 25% das compras de fertilizantes ainda estão em aberto para a soja – Foto: inpEV

O mercado de insumos agrícolas no Brasil enfrenta um dos seus maiores desafios em 2025: a dificuldade no acesso ao crédito. Segundo análise de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o tema tem sido recorrente em conversas com profissionais do setor, incluindo empresas de defensivos, sementes, revendas e misturadores de fertilizantes. Essa limitação tem impactado diretamente o ritmo das negociações para a safra 2025/26.

Atualmente, estima-se que entre 20% e 25% das compras de fertilizantes ainda estão em aberto para a soja, reflexo claro das restrições de crédito. No milho, a expectativa é de um cenário semelhante. A combinação de juros elevados e insegurança financeira ao longo da cadeia produtiva tem dificultado o avanço das vendas e compromissos de fornecimento.

Nos últimos anos, o agronegócio passou por mudanças significativas. Um dos indicativos mais preocupantes é o crescimento expressivo dos pedidos de recuperação judicial, tanto por empresas quanto por produtores rurais, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Enquanto em 2021 esses casos eram isolados, em 2024 houve uma explosão nos registros, tendência que segue firme no primeiro trimestre de 2025.

O atual ambiente exige cautela e uma nova abordagem na concessão de crédito. O setor enfrenta um período de incertezas, exigindo maior rigor na gestão de risco e uma postura realista diante das condições do mercado. As informações foram publicadas por Jeferson Souza no LinkedIn.

“Não tenho dúvidas de que a forma de conceder crédito muda completamente diante desses indicadores. Os desafios do agronegócio são enormes para esse segundo semestre deste ano. E o mais importante: precisamos sempre pensar com os pés no chão e manter uma boa gestão de risco”, conclui.

 





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Mercado do boi registra recuo na cotação do “boi China”



Tarifa dos EUA pressiona mercado do boi gordo




Foto: Kadijah Suleiman

O mercado do boi gordo iniciou a semana com menor volume de negociações em São Paulo. A análise “Tem Boi na Linha”, divulgada pela Scot Consultoria, aponta que o ritmo de escoamento da carne bovina está lento, e o anúncio da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos impactou negativamente o setor. Segundo a consultoria, “quem estava na ativa comprava volumes menores”.

De acordo com o levantamento, a cotação do boi gordo, da vaca e da novilha não apresentou variações em relação ao dia anterior. No entanto, o chamado “boi China” registrou queda de R$ 2,00 por arroba. As escalas de abate permanecem, em média, para sete dias.

Em Mato Grosso, os frigoríficos, sobretudo os exportadores, reduziram a atuação nas compras, o que manteve o mercado com poucos negócios. Na região Norte e no Sudoeste do estado, as cotações não se alteraram. Já na região de Cuiabá, houve estabilidade no preço do boi gordo, mas quedas de R$ 3,00 por arroba nas cotações da vaca e da novilha. No Sudeste de Mato Grosso, a cotação do boi gordo recuou R$ 1,00 por arroba, enquanto a da vaca e da novilha caiu R$ 5,00 por arroba. Nessa região, o “boi China” manteve sua cotação.

No Espírito Santo, o escoamento da carne também foi considerado fraco, e parte dos frigoríficos permaneceu fora das compras. As escalas de abate estavam posicionadas e, com o baixo número de negócios, não houve alteração nas cotações do boi gordo, do “boi China”, da vaca e da novilha. A cotação do “boi China” permaneceu estável.





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Produtores de mandioca se preparam para nova safra



Geada prejudica ramas e força compra interestadual




Foto: Canva

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (17), agricultores da região administrativa de Santa Rosa já iniciaram os preparativos para o próximo ciclo produtivo de mandioca. As ramas estão sendo acondicionadas para garantir a produção de manivas, que serão utilizadas na implantação da nova safra, prevista para as primeiras semanas de agosto.

A Emater/RS-Ascar informou que parte dos produtores que não armazenou corretamente o material de propagação está à procura de mudas. Em Salvador das Missões, uma agroindústria especializada na produção de polvilho azedo está ofertando feixes com 200 mudas da variedade Bahianinha pelo valor de R$ 35,00. A mesma unidade comercializa a caixa de 25 quilos por R$ 60,00. No comércio direto ao consumidor, a mandioca com casca está sendo vendida a R$ 4,00 por quilo, enquanto o produto descascado atinge R$ 7,00 por quilo no mercado.

Na região de Soledade, os técnicos da Emater/RS-Ascar relataram que a colheita segue em andamento, mas as ramas foram prejudicadas pelas geadas recentes. Com a redução da oferta de mudas viáveis, a busca por manivas se intensificou, e muitos agricultores estão adquirindo o material de propagação em outros estados para garantir o plantio da próxima safra.





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Exportações de mel enfrentam incertezas com nova tarifa dos EUA


De acordo com o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a ser aplicada pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, gera preocupação entre exportadores, especialmente do setor de mel.

“O impacto sobre a cadeia produtiva do mel pode ser significativo”, apontou o boletim. Os Estados Unidos são atualmente o principal destino do mel brasileiro, representando 84,1% do volume exportado no primeiro semestre de 2025. Nesse período, o Brasil embarcou 16.170 toneladas do produto para o mercado norte-americano, com receita de US$ 52,2 milhões.

A medida tarifária já teve reflexos práticos. Segundo o informativo, o Grupo Sama, empresa do Piauí e uma das maiores exportadoras de mel orgânico do mundo, sofreu o cancelamento imediato de um carregamento de 585 toneladas destinado aos EUA. Parte da carga estava nos portos de Pecém e Mucuripe, no Ceará, pronta para embarque. A empresa informou que, com a nova tarifa, o custo aumentaria em aproximadamente US$ 6 milhões.

Ainda segundo o boletim, outra exportadora nordestina, a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), teve contêineres com 95 toneladas de mel liberados no dia 13 de julho, após apelo de produtores aos compradores nos Estados Unidos. A liberação ocorreu antes da vigência da nova tarifa, prevista para o início de agosto.

Além das barreiras comerciais, a Casa Apis também alertou para a estiagem prolongada no semiárido, que pode reduzir em até 40% a produção de mel em 2025. “A conjugação de fatores climáticos e comerciais coloca em risco a sustentabilidade da atividade apícola”, destacou a entidade.

Os dados da Agrostat mostram que, no primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 19.219 toneladas de mel in natura, 8,7% a mais que no mesmo período de 2024. A receita cambial foi de US$ 62,2 milhões, com preço médio de US$ 3.237,47 por tonelada, valor 27,1% superior ao registrado no ano anterior.

Minas Gerais liderou as exportações com 4.621 toneladas e receita de US$ 15,2 milhões, seguido por Piauí, com 3.796 toneladas e US$ 12 milhões. O Paraná ocupou a terceira posição com 3.814 toneladas exportadas e faturamento de US$ 12,3 milhões. Santa Catarina e São Paulo vieram na sequência.

Além dos Estados Unidos, o Brasil exportou mel para países como Canadá, Reino Unido, Países Baixos, Austrália, Bélgica e Israel, embora em volumes significativamente menores.

O boletim conclui que os efeitos da nova tarifa devem ser acompanhados de perto, pois podem comprometer a viabilidade econômica de produtores e exportadores, especialmente nas regiões mais dependentes do mercado externo.





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Baixa oferta de pasto impacta escore corporal


A condição corporal dos rebanhos de corte no Rio Grande do Sul tem variado conforme o acesso às pastagens de inverno e aos recursos de suplementação disponíveis nas propriedades. É o que aponta o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (17) pela Emater/RS-Ascar.

De acordo com o boletim, nas regiões onde predominam campos nativos e pastagens de verão, o escore corporal dos animais registrou queda, especialmente nas propriedades que não contam com silagem ou forrageiras implantadas. “Nessas áreas, os pecuaristas lançaram mão da suplementação com feno, pré-secado, silagem e sal proteinado”, informou a Emater. Em algumas localidades, também houve redução do rebanho por meio da venda de animais, como forma de equilibrar a lotação das pastagens disponíveis.

Nas propriedades com pastagens de inverno bem estabelecidas ou em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), a manutenção e até a melhora da condição corporal dos animais permitiram o abate e o bom desempenho dos lotes em fase de recria e terminação.

Na região de Bagé, o boletim relata que o ganho de peso ficou abaixo do esperado. Na Fronteira Oeste, a alimentação dos animais tem sido complementada com fardos de palha de arroz. Já em São Gabriel, foram registradas as primeiras parições da temporada. “Em propriedades menores, observamos a tentativa de reduzir a lotação, enquanto em unidades mais tecnificadas houve reforço com silagem ensacada, feno e pré-secado”, informou a Emater/RS-Ascar.

No relatório da região de Caxias do Sul, a sanidade do rebanho foi considerada adequada, porém o estado corporal foi prejudicado em áreas sem silagem. Nessas propriedades, o fornecimento de sal proteinado foi direcionado principalmente a touros e vacas prenhes.

Em Erechim, os rebanhos apresentam condição corporal satisfatória, apesar da menor oferta de pasto nas áreas de verão e de campo nativo. Em locais com alta lotação animal, a queda de peso foi compensada com o uso de silagens e concentrados, além do manejo em pastagens de inverno já disponíveis.

A unidade de Frederico Westphalen reportou uso de suplementação alimentar como medida para conter a perda de peso dos animais. O clima seco contribuiu para a execução de manejos sanitários, como desvermifugação e vacinação.

Em Passo Fundo, a ocorrência de geadas comprometeu a oferta de pastagens, provocando queda de peso nos lotes a pasto. Nessas condições, houve necessidade de suplementação alimentar. Os animais em confinamento mantiveram a condição corporal. Em propriedades onde o pastejo foi inviabilizado, foi registrada a venda dos lotes.

A Emater ainda apontou que, na região de Pelotas, a condição corporal segue em queda, influenciada pelas baixas temperaturas e oferta limitada de forragem. “Os produtores das áreas de campo nativo têm fornecido sal mineral proteinado para preservar a reserva corporal dos animais”, destacou o informativo.

Na regional de Santa Maria, o crescimento lento das pastagens afetou o ganho de peso dos animais. O desmame e a comercialização de terneiros continuam, assim como os diagnósticos de gestação.

Na área de Santa Rosa, o manejo e o bem-estar dos animais foram favorecidos pelas condições climáticas, mas observou-se tendência de queda no escore corporal em propriedades sem forrageiras de inverno. Em contraste, nas áreas com integração lavoura-pecuária, os animais apresentaram ganho de peso e foram destinados ao abate ou alocados em pastagens cultivadas de inverno para manutenção da condição corporal.

Por fim, na região de Soledade, segue o período de parição e os terneiros continuam ganhando peso. O estado corporal dos animais foi considerado adequado devido ao pastejo nas áreas de aveia.





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Horticultura movimenta mais de R$ 9 bilhões no Paraná em 2024


O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná está estimado em R$ 188,3 bilhões para o ano de 2024. A projeção é da Divisão de Estatísticas Básicas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e foi divulgada nesta quinta-feira (17) no Boletim de Conjuntura Agropecuária.

Segundo o Deral, esse valor consolida a força da agropecuária paranaense, fortemente alicerçada na produção de grãos, cereais e proteínas animais. A horticultura, embora com menor participação, também contribui de maneira relevante, representando 5,1% da receita bruta total do setor.

A olericultura, segmento da horticultura que engloba o cultivo de hortaliças, responde por 3,5% do VBP estadual, com receita de R$ 6,2 bilhões. Esse valor é distribuído entre mais de 50 espécies, sendo a batata e o tomate os principais produtos. “A batata gerou R$ 1,4 bilhão em valor bruto, o que corresponde a 20,8% da receita da olericultura, enquanto o tomate alcançou R$ 1,1 bilhão, representando 16,7%”, detalhou o Deral. Os demais cultivos somaram R$ 4,1 bilhões, o equivalente a 62,5% do total do segmento.

Na fruticultura, a participação estimada no VBP estadual é de 2,1%. O levantamento do Deral considerou 37 espécies de frutas cultivadas e monitoradas no estado. A laranja lidera com R$ 1,2 bilhão em receita, representando 31,8% do valor do setor. Em seguida aparecem o morango, com 17,7% e R$ 705,3 milhões; a uva, com 8,1% e R$ 323 milhões; a banana, com 6,4% e R$ 256,5 milhões; e a tangerina, com 5,1% e R$ 204,4 milhões. Juntas, essas cinco frutas concentram 69,2% do VBP da fruticultura em 2024.

Já a floricultura, com mais de 40 espécies cultivadas no estado, movimentou R$ 271,7 milhões no período analisado, o que representa uma participação de 0,1% no VBP estadual.

Apesar de ter uma presença proporcionalmente pequena frente à força do agronegócio paranaense, o Deral destacou que a horticultura “tem importância significativa nos municípios onde está inserida, promovendo geração de empregos e renda tanto nas áreas rurais quanto urbanas, em diferentes etapas das cadeias produtivas”.





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Trigo segue pressionado no Sul


Segundo a TF Agroeconômica, o mercado do trigo no Sul do Brasil voltou a registrar queda nesta semana, com baixa de 0,38% no dia e 1,01% no mês no Rio Grande do Sul. A cotação da safra velha do trigo pão chegou a R\$ 1.380,00 FOB, mas os moinhos têm se retraído após novas compras, refletindo a fraca demanda por farinha. A grande disponibilidade de matéria-prima, combinada à moagem reduzida e estoques prolongados, impede altas e contribui para um ciclo vicioso de retração no setor.

Na safra nova gaúcha, os primeiros negócios ocorrem na faixa de R\$ 1.250 no interior, sobretudo no norte do estado, enquanto compradores tentam pagar R\$ 1.200 – valor ainda sem aceitação. No mercado externo, os preços de exportação para dezembro giram em torno de US\$ 230/t no porto de Rio Grande, o que, convertido, equivale a R\$ 1.278 no porto e R\$ 1.128 no interior, tornando inviável economicamente. O preço da pedra em Panambi permaneceu em R\$ 70/saca.

Em Santa Catarina, o mercado segue travado, com poucos negócios registrados. Um corretor local relatou apenas um lote de trigo branqueador vindo do RS negociado a R\$ 1.550 FOB. A oferta do trigo gaúcho continua elevada e freia qualquer tentativa de valorização, com preços entre R\$ 1.330 e R\$ 1.360 FOB. A safra nova ainda não tem indicações consistentes, e os sementeiros relatam queda de até 20% nas vendas de sementes. A CONAB prevê redução de 6,3% na produção estadual. Os preços da pedra seguem estáveis, com leves variações entre R\$ 73,33 e R\$ 79,00/saca.

No Paraná, o câmbio mais fraco puxou para baixo os preços do trigo importado, que recuaram cerca de R\$ 20/t. No mercado interno, falta vontade de comprar e vender: vendedores pedem R\$ 1.500 FOB pelo trigo tipo 1, enquanto compradores oferecem R\$ 1.450 CIF. Para o tipo 2, moinhos indicam R\$ 1.280–1.300, sem aceitação do vendedor. A safra nova segue calma, com indicações entre R\$ 1.400–1.450 CIF. Os preços pagos ao agricultor caíram 0,36% na semana, para R\$ 77,14/saca, reduzindo o lucro médio no estado para 4,91%.

 





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Câmara aprova novas regras de licenciamento ambiental


A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quinta-feira (17), por 267 votos a favor e 116 contra, o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental no país. A proposta, que vai à sanção do presidente Lula (PT), teve forte articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representa mais uma vitória do setor agro no Congresso. Segundo os ruralistas, as novas regras trazem segurança jurídica e podem acelerar obras de infraestrutura e empreendimentos agroindustriais, inclusive no campo.

De acordo com os textos analisados, o projeto cria sete tipos de licenciamentos, com destaque para a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite ao empreendedor obter autorização por meio de autodeclaração. Também foram incluídas a Licença Ambiental Especial (LAE), sugerida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), e a Licença de Operação Corretiva (LOC), que regulariza atividades sem licença prévia. A proposta ainda autoriza licenças renováveis automaticamente e retira a exigência de anuência do Ibama em casos de desmatamento da Mata Atlântica, transferindo mais responsabilidade para órgãos estaduais e municipais.

Entre os pontos mais polêmicos, estão a liberação facilitada para projetos de mineração e exploração de petróleo na Margem Equatorial, com prazos máximos de um ano para a resposta ambiental. A oposição, liderada por ambientalistas e setores da esquerda, apelidou o projeto de “PL da Devastação”, alegando que ele enfraquece os mecanismos de proteção a florestas, rios e solos, além de limitar a participação de indígenas e quilombolas nos processos de licenciamento fora de áreas demarcadas.

Apesar da orientação contrária do governo, a proposta teve apoio de ministérios como Transportes, Agricultura, Minas e Energia e Casa Civil. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ficou isolada na tentativa de barrar o avanço da proposta. A expectativa agora é de que Lula vete parte do texto, principalmente no que diz respeito ao enfraquecimento do Conama. No entanto, a FPA já articula para derrubar os vetos no Congresso, e também se prepara para eventual judicialização do tema no STF. Para o agronegócio, trata-se de uma resposta necessária a um sistema burocrático que vinha travando empreendimentos e investimentos no campo.

 





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Pix incomoda e vira alvo dos Estados Unidos



Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares



Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares
Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares – Foto: Pixabay

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, iniciou uma investigação contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais no setor digital, tendo como foco o sistema de pagamentos instantâneos Pix. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ocorre com base na Seção 301 da Trade Act e pode levar à imposição de tarifas ou restrições contra o país.

Segundo o USTR, o Pix, por ser gratuito para pessoas físicas e desenvolvido pelo Banco Central, representa uma distorção de mercado que afeta empresas norte-americanas como PayPal, Visa, Mastercard, Apple Pay e Google Pay. A investigação também engloba temas como proteção de dados, decisões judiciais brasileiras que impactaram plataformas digitais dos EUA, além de críticas ao combate à pirataria e alegadas vantagens do agronegócio brasileiro por atuação em áreas desmatadas ilegalmente.

Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares. Em 2024, o governo americano usou o mesmo mecanismo para questionar o QRIS da Indonésia, impondo tarifas de até 32%. No caso do Brasil, o embate também tem motivações políticas. Trump mencionou o processo judicial contra Jair Bolsonaro e ameaçou aplicar tarifas de 50% a produtos brasileiros, enquanto nomes ligados ao trumpismo, como o bilionário Peter Thiel, têm interesse direto em empresas concorrentes ao Pix.

A reação do governo brasileiro veio com críticas públicas e ironia nas redes sociais. Especialistas avaliam que o ataque ao sistema estatal de pagamentos brasileiro é uma tentativa de proteger o domínio das big techs americanas, num momento em que o Banco Central do Brasil avança em planos de internacionalização do Pix por meio de acordos com outros países e participação no projeto Nexus, coordenado pelo G20 e o Banco de Compensações Internacionais. A audiência pública do caso está marcada para 3 de setembro.

 





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