segunda-feira, março 16, 2026

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Não se iluda com o milho



No Brasil, o cenário externo também pressiona


No Brasil, o cenário externo também pressiona
No Brasil, o cenário externo também pressiona – Foto: Pixabay

O mercado de milho segue em movimento de recuperação no Brasil neste segundo semestre, ainda que de forma bastante lenta, influenciado pelos baixos preços de exportação. Segundo informações da TF Agroeconômica, a expectativa é de que os produtores consigam realizar vendas a preços melhores do que os registrados no primeiro semestre. 

No entanto, o alerta é para não se iludir: após a colheita, o custo do carregamento das posições pode comprometer a lucratividade. A consultoria destaca que, caso os preços oferecidos estejam abaixo dos valores projetados para outubro em diante, o produtor já deveria ter aproveitado oportunidades anteriores, evitando perdas.

Entre os fatores de alta, chama atenção a relutância dos agricultores norte-americanos em aceitar os preços atuais, o que limitou parte da oferta e sustentou leve valorização em Chicago. Além disso, o bom ritmo das exportações ajuda a manter suporte ao mercado, embora a paralisação do governo dos EUA reduza a transparência dos relatórios do USDA. Por outro lado, os fatores de baixa continuam pesando: a colheita acelerada e abundante nos Estados Unidos, com condições climáticas favoráveis, reforça projeções de safra próximas a 420 milhões de toneladas, acima de estimativas anteriores.

No Brasil, o cenário externo também pressiona. Os embarques de milho foram 12% menores em volume e 10% em receita no acumulado do ano, segundo dados do Ministério da Economia. Apesar da melhora em setembro, a exportação do primeiro semestre foi considerada fraca. Hoje, os preços brasileiros estão em média US$ 10/t acima dos americanos nos principais destinos, reflexo da queda acentuada na CBOT diante da safra recorde norte-americana.





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Milho encerra semana em queda em Chicago e com ajustes na B3


O mercado de milho encerrou a semana com resultados distintos entre Brasil e Estados Unidos. Segundo informações da TF Agroeconômica, a B3 registrou fechamento misto nesta sexta-feira (3), refletindo os movimentos do mercado físico, enquanto em Chicago o cereal acumulou perdas diante da cautela dos investidores.

Na B3, as cotações da safra atual recuaram, mas os contratos da próxima safra conseguiram leves ganhos. O vencimento de novembro/25 fechou em R$ 65,98, alta de R$ 0,27 no dia e queda de R$ 0,24 na semana. Já o contrato de janeiro/26 subiu R$ 0,20 no dia, para R$ 68,48, mas caiu R$ 0,61 na semana. O março/26 encerrou a R$ 70,94, com leve baixa de R$ 0,06 no dia e recuo semanal de R$ 0,91. Apesar da maior competitividade dos preços brasileiros nos últimos dias, o milho nacional ainda segue caro em relação ao produto americano.

No mercado físico, o indicador Cepea apontou alta de 0,31% no dia e de 0,67% na semana, sustentada pela demanda das fábricas de etanol. Parte dos produtores, no entanto, segue retendo seus lotes à espera de preços mais atrativos.

Em Chicago, o milho fechou o dia e a semana em baixa, pressionado pelo avanço da colheita e pela perspectiva da maior safra americana da história. O contrato de dezembro caiu 0,65% no dia, a US$ 419,00/bushel, acumulando queda semanal de 0,71% (-US$ 3,00). O março recuou 0,51%, a US$ 435,75/bushel. A indefinição sobre a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, devido à paralisação do governo americano, reforçou a cautela dos investidores. As informações foram divulgadas nesta manhã de segunda-feira.

 





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É possível identificar bebidas adulteradas com metanol?


O consumo de bebidas adulteradas com metanol já causou pelo menos duas mortes confirmadas no Brasil, além de outros 223 casos em investigação. Os dados são do Ministério da Saúde e acenderam um alerta entre autoridades sanitárias, especialistas e consumidores. O estado de São Paulo concentra 85% das ocorrências nacionais, incluindo sete mortes ainda sob análise.

O que está por trás desse crescimento de intoxicações é o uso criminoso do metanol na produção clandestina de bebidas, especialmente destilados. “O metanol não tem dose segura para ingestão humana. Mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira irreversível e levar à morte”, alerta a bióloga Rosana Martins dos Santos, consultora da Sapientia Consultoria em Alimentos.

O que é metanol e por que ele é tão perigoso?

Visualmente, o metanol é quase idêntico ao etanol — o álcool comum usado em bebidas. É transparente, possui a mesma viscosidade e até um odor semelhante. Mas no organismo, o efeito é devastador. “No fígado, o metanol é convertido em formaldeído e ácido fórmico, substâncias altamente tóxicas que afetam o sistema nervoso, o nervo óptico e o pH do sangue”, explica Rosana.

Essas alterações químicas comprometem o metabolismo celular e podem causar falência múltipla de órgãos. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, náuseas e tontura, mas evoluem rapidamente para alterações visuais, convulsões, coma e óbito. “O risco aumenta quando o metanol é consumido junto com etanol, pois os sintomas podem demorar a aparecer e dificultam o diagnóstico precoce”, acrescenta a especialista.

Destilados são os principais alvos da adulteração

As bebidas mais frequentemente associadas aos casos de metanol são os destilados: cachaça, vodka, gin e aguardentes. Isso ocorre porque o metanol aparece na fração inicial da destilação — parte que deve ser descartada nos processos industriais. No entanto, em produções clandestinas, essa porção é mantida para aumentar o volume da bebida.

Já cervejas e vinhos industrializados apresentam risco muito menor. “Essas bebidas fermentadas têm processos que não favorecem a formação de metanol e, além disso, passam por uma fiscalização mais rigorosa do Ministério da Agricultura”, explica Rosana.

Falsificações sofisticadas dificultam a identificação

A presença do metanol em bebidas decorre de um esquema de falsificação cada vez mais complexo. Criminosos reaproveitam garrafas originais, replicam rótulos com perfeição e até simulam lacres autênticos. “Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem esconder líquidos adulterados. Há um comércio livre online de rótulos e garrafas falsas”, alerta a consultora.

Em setembro, a polícia desmantelou uma fábrica clandestina em Americana (SP), que distribuía bebidas destiladas para o interior e a capital. O caso evidenciou a fragilidade da fiscalização e a sofisticação das fraudes.

Como o consumidor pode se proteger

Rosana reforça que não é possível identificar a presença de metanol apenas com o paladar ou olfato. “Sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração incomum são sinais de alerta, mas não comprovam a presença do metanol. A única forma segura é por meio de análises laboratoriais, como a cromatografia gasosa.”

Cuidados na compra e consumo são essenciais:

– Prefira sempre canais confiáveis: supermercados, distribuidoras e lojas formais;

– Exija nota fiscal;

– Desconfie de preços muito abaixo do mercado;

– Observe rótulos, número de lote, lacre e qualidade da impressão;

– Em festas e bares, opte por bebidas fechadas e de marcas conhecidas;

– Nunca aceite bebidas a granel ou de procedência desconhecida.

Avanços na detecção e tratamento

Existem estudos promissores sobre formas rápidas de detectar metanol, como sensores colorimétricos e canudos detectores — alguns em fase experimental no Brasil. Em outros países, tiras reagentes estão disponíveis, mas com sensibilidade limitada.

Caso ocorra a ingestão, o tratamento precisa ser imediato. “O antídoto ideal é o fomepizol, mas o etanol hospitalar também pode ser utilizado, pois inibe a formação dos metabólitos tóxicos. Em casos graves, a hemodiálise é necessária”, afirma Rosana. A janela crítica para atendimento é de poucas horas após os primeiros sintomas.

Informação é a melhor prevenção

Especialistas apontam que a falta de informação é um dos principais fatores que agravam a crise. “Muitas mortes poderiam ser evitadas com mais fiscalização e uma comunicação clara à população sobre os riscos e formas de identificar bebidas suspeitas”, conclui Rosana Martins dos Santos.

Veja a entrevista na íntegra

Portal Agrolink: O que é o metanol? E por que ele é tão perigoso para o consumo humano, mesmo em pequenas quantidades?

Rosana Martins dos Santos: O metanol, também chamado de álcool metílico, é um produto químico semelhante ao etanol. É utilizado na indústria como solvente industrial e combustível aeronáutico. O problema é que, quando ingerido, o fígado converte o metanol em formaldeído e ácido fórmico, duas substâncias altamente tóxicas para o nosso organismo. Isso pode causar desde uma forte intoxicação até cegueira irreversível e, em casos mais extremos, a morte.

Segundo o Dr. Ramos, do Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, esse ácido é corrosivo para o nervo óptico e para a estrutura do sistema nervoso como um todo. Ele também altera o pH do sangue, o que pode comprometer o metabolismo celular e o funcionamento dos órgãos vitais, levando a complicações graves, incluindo a falência de múltiplos órgãos. O mais alarmante é que doses muito pequenas já são suficientes para provocar sérios danos à saúde. Por isso, dizemos que o metanol não tem dose segura para ingestão humana.

Portal Agrolink: Existe alguma bebida com menor risco de ser adulterada com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Sim. Em geral, as bebidas fermentadas, como cervejas e vinhos industrializados, têm um risco muito menor de serem adulteradas, pois o processo de produção não favorece a formação de grandes quantidades de metanol. Além disso, essas cadeias produtivas passam por uma fiscalização muito mais rígida do Ministério da Agricultura, o que garante controles atualizados e processos produtivos em dia. Isso não significa que estão 100% livres de risco, mas os casos mais graves ocorrem em destilados adulterados ou produzidos sem controle adequado.

Portal Agrolink: Como ocorre a falsificação de bebidas?

Rosana Martins dos Santos: Há falsificações bastante sofisticadas, com criminosos reutilizando garrafas originais ou criando rótulos falsos muito semelhantes aos originais. Em Americana (SP), no dia 30 de setembro, a polícia desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas destiladas que fornecia para o comércio da capital e do interior. Existe um comércio livre online de rótulos e garrafas idênticas aos originais, o que dificulta muito a ação das autoridades. Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem conter bebidas adulteradas. A recomendação é comprar apenas de canais confiáveis, observar atentamente o rótulo, o lacre, o número do lote e sempre exigir nota fiscal.

Portal Agrolink:  É possível identificar uma bebida adulterada sem análise laboratorial?

Rosana Martins dos Santos: Não é possível ter certeza sem exame laboratorial. Existem sinais que podem levantar suspeitas, como sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração diferente do habitual. Mas nenhum desses sinais é prova de presença de metanol. A única forma confiável de detectar a substância é por meio de análise laboratorial, como a cromatografia gasosa, considerada o padrão ouro.

Portal Agrolink:  É seguro comprar bebidas alcoólicas em supermercados e lojas formais?

Rosana Martins dos Santos: Sim. O risco é menor nesses estabelecimentos, pois há fiscalização e rastreabilidade da cadeia de distribuição. Já em bares, festas e pontos de venda informais, o risco aumenta, principalmente quando a bebida é servida sem lacre original ou comprada de fornecedores duvidosos, sem rótulo ou identificação.

Portal Agrolink: Como identificar sinais de adulteração?

Rosana Martins dos Santos:  Sinais de alerta incluem: preço muito abaixo do mercado, rótulo mal impresso ou com erros, ausência de número de lote, fabricante ou lacre mal colocado. A venda em locais sem nota fiscal, como festas ou bares, exige cuidado redobrado. Desconfie sempre de bebidas em garrafas reaproveitadas ou sem identificação.

Portal Agrolink:  Quais os sintomas após ingestão de metanol? Em quanto tempo aparecem?

Rosana Martins dos Santos: Os sintomas surgem de 6 a 24 horas após a ingestão. Inicialmente, a pessoa sente náuseas, dor abdominal, dor de cabeça e tontura — semelhantes a uma ressaca. Depois, surgem os sintomas mais graves: visão borrada, sensação de névoa nos olhos, até perda total da visão. Pode evoluir para convulsões, coma e morte. Quando ingerido com etanol, os sintomas podem demorar mais para aparecer, dificultando o diagnóstico.

Portal Agrolink:  Que cuidados o consumidor deve ter ao escolher bebidas, especialmente em festas e bares?

Rosana Martins dos Santos: Observar se a garrafa está lacrada, se o rótulo contém lote e registro, desconfiar de preços baixos e exigir nota fiscal. Em bares e festas, prefira bebidas fechadas, de marcas conhecidas e sempre atente aos lacres. Nunca aceite bebidas de origem duvidosa ou vendidas a granel.

Portal Agrolink:  Quais bebidas são mais suscetíveis à adulteração com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Principalmente os destilados: cachaça, vodka, aguardente e destilados caseiros. Isso porque, na destilação, o metanol se concentra na porção inicial, que deve ser descartada nos processos industriais. Em produções criminosas, essa parte é mantida para aumentar o volume da bebida.

Portal Agrolink:   Há métodos simples para detectar metanol?

Rosana Martins dos Santos: Estão sendo desenvolvidos sensores e tiras reagentes, mas ainda não há métodos validados para uso em larga escala. Um exemplo é o estudo da Universidade Estadual da Paraíba, que desenvolve canudos que mudam de cor na presença de metanol. Em outros países, existem tiras no mercado, mas com confiabilidade limitada.

Portal Agrolink:   Existe tratamento eficaz para intoxicação por metanol? Qual o tempo crítico para atendimento?

Rosana Martins dos Santos: Sim, mas o tratamento deve ser iniciado rapidamente. O antídoto mais indicado é o fomepizol, ou o etanol em ambiente hospitalar, que inibem a formação de substâncias tóxicas no fígado. Em casos graves, é necessária hemodiálise. A janela crítica é de poucas horas após o início dos sintomas — atendimento precoce aumenta as chances de recuperação.





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Clima irregular preocupa produtores de milho



Milho mantém preços com exportações em alta



Foto: Pixabay

De acordo com análise divulgada nesta segunda-feira (6) pela Grão Direto, o plantio do milho no Brasil já ultrapassa um quarto da área prevista, apresentando ritmos distintos conforme as condições climáticas regionais. No Rio Grande do Sul, as chuvas recentes favoreceram a germinação e a emergência das lavouras, que já atingem 74% da área total. No Paraná, a semeadura segue acelerada e alcança 64%, embora produtores do norte do estado enfrentem irregularidades nas precipitações. Em Santa Catarina, a umidade do solo é considerada adequada para o desenvolvimento inicial da cultura. Já em Minas Gerais e São Paulo, o cenário é mais preocupante, pois a falta de regularidade das chuvas mantém o risco de déficit hídrico.

O especialista ouvido pela Grão Direto destacou que “o avanço regionalizado do plantio reflete o impacto direto das condições de clima sobre o ritmo da semeadura, exigindo atenção redobrada nas áreas ainda secas”.

O cenário das exportações também vem ganhando impulso. O Brasil já embarcou cerca de 22 milhões de toneladas de milho neste ano e, com os 4,7 milhões programados, o total deve atingir 26,8 milhões de toneladas. O volume é inferior ao registrado no mesmo período de 2023, quando as exportações somaram 33,8 milhões de toneladas.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apenas em setembro foram exportadas 6,63 milhões de toneladas, superando em 3,27% o total embarcado no mesmo mês do ano anterior. A análise ressaltou que “esse avanço, ainda que tardio, tende a sustentar as cotações ao longo dos próximos meses”. De acordo com a Grão Direto, assim como ocorre com a soja, “as cotações em Chicago devem permanecer estáveis diante da ausência de novos relatórios, enquanto o ritmo das exportações deve seguir positivo e apoiar os preços no Brasil”.





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Embarques de milho crescem com contratos antecipados



Até o 20º dia útil de setembro, o Brasil exportou 6,6 milhões de toneladas de milho



Foto: USDA

As exportações brasileiras de milho avançaram em setembro de 2025 e já superam em 3% o volume registrado no mesmo mês de 2024, segundo o Cepea. A expectativa, porém, é de desaceleração nas próximas semanas.

Embarques de milho crescem com contratos antecipados

Dados da Secex mostram que, até o 20º dia útil de setembro, o Brasil exportou 6,6 milhões de toneladas de milho — volume superior ao do mesmo período de 2024. O resultado é reflexo de negócios realizados anteriormente, segundo o Cepea, já que a liquidez nos portos está limitada.

Os preços pagos em Paranaguá (PR) e Santos (SP) operam em patamares próximos aos do mercado interno, reduzindo o apetite de novos vendedores para exportação. Essa paridade de preços tem travado negociações de última hora.

Acumulado da safra ainda está abaixo do ano passado

Mesmo com o avanço em setembro, os números acumulados da safra 2024/25 ainda indicam queda. Entre fevereiro e a parcial de setembro, foram embarcadas 18,8 milhões de toneladas de milho, 4% a menos que no mesmo intervalo de 2024.

Risco de queda nos embarques com safra dos EUA

A tendência é que o ritmo de exportações brasileiras desacelere nas próximas semanas. A entrada da safra recorde dos Estados Unidos no mercado internacional deve acirrar a concorrência, pressionando os preços e o volume embarcado pelo Brasil.





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