terça-feira, junho 16, 2026

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Pesquisadora premiada lança desafio à soja brasileira



A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria


A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria
A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria – Foto: Pixabay

A redução da densidade de plantas na soja voltou a ganhar espaço no debate sobre custos de produção. A ideia é testar, em condições reais de lavoura, se populações menores podem manter a produtividade e, ao mesmo tempo, diminuir gastos com sementes e insumos usados na semeadura.

A proposta foi lançada pela pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, que defende a realização de um grande ensaio nacional com a participação de produtores. Reconhecida internacionalmente, premiada em nível mundial e apontada pela Times como uma das pessoas mais influentes do mundo, ela afirma que os resultados desse trabalho não tiveram a visibilidade esperada quando os insumos eram mais abundantes e baratos.

O estudo citado por Mariangela avaliou soja inoculada com Bradyrhizobium elkanii em diferentes densidades de plantas. O material mostra que, em densidades menores, há menos competição por luz e maior disponibilidade por planta. Essa condição favorece a fotossíntese, aumenta a oferta de carbono para os nódulos e estimula a fixação biológica de nitrogênio.

Nos ensaios, a redução da densidade não significou, na maior parte dos casos, perda de produtividade. A produção de grãos foi semelhante entre as densidades avaliadas, com exceção da menor população, de 40 mil plantas por hectare, que apresentou redução de produtividade e alterações no teor de proteína e óleo dos grãos.

A leitura do estudo é que a soja consegue ajustar a fotossíntese e a fixação biológica de nitrogênio para compensar reduções moderadas na densidade de plantas. Para Mariangela, o cenário atual de preços e escassez de insumos torna o tema mais urgente. O desafio aos produtores é separar parcelas nas fazendas, comparar áreas, registrar as observações e enviar os resultados. Se a resposta for confirmada em larga escala, a prática pode representar uma mudança importante nos custos da semeadura.

 





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Ourofino Agrociência anuncia Alessandro Flamini como novo CEO


Marcelo Abdo passa a integrar o Conselho e a representar a companhia institucionalmente

A Ourofino Agrociência anuncia uma evolução em sua estrutura de liderança dentro de um processo planejado de sucessão, alinhado às melhores práticas de governança corporativa e aos planos de crescimento sustentável da organização. A partir de 1º de junho de 2026, Alessandro Flamini assume oficialmente o cargo de CEO da empresa, enquanto Marcelo Abdo passa a atuar como Conselheiro Administrativo e Diretor Institucional.

A mudança reforça a continuidade da estratégia construída ao longo dos anos e representa mais um passo na consolidação institucional da Ourofino Agrociência, uma das mais tradicionais marcas do agronegócio brasileiro, que mantém o capital nacional em sua base de operação.

Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Ourofino Agrociência conta atualmente com mais de 640 colaboradores, além de escritórios na Índia e China. Seu portfólio contempla soluções voltadas à proteção de cultivos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citrus.

Em Uberaba (MG), a empresa mantém uma fábrica considerada uma das mais modernas do setor, com 50 mil metros quadrados, equipamentos automatizados e capacidade produtiva de 200 milhões de quilos/litros por ano. Também possui estações experimentais, a maior delas em Guatapará (SP), voltada à pesquisa e desenvolvimento de novas soluções agrícolas, com áreas credenciadas pelo Ministério da Agricultura (MAPA) para testes de eficácia, resíduo e fitotoxicidade.

A transição acontece em um cenário de expansão do portfólio e avanço da Ourofino Agrociência em inovação. Nos últimos anos, intensificou investimentos em tecnologias desenvolvidas para as condições da agricultura tropical, ampliando sua presença em culturas prioritárias do agronegócio brasileiro. 

Desde 2011, Alessandro Flamini participa diretamente da construção da trajetória da companhia, tendo atuado nos últimos anos como diretor financeiro e, posteriormente, como CFO. Agora, após contribuir para o direcionamento estratégico do negócio, o até então vice-presidente assume o novo cargo, passando a ser o principal executivo da operação, responsável pela estratégia e pelo posicionamento da companhia junto a clientes, mercado, investidores e entidades de classe.

Formado em Administração de Empresas, Alessandro Flamini possui mais de 24 anos de experiência no agronegócio, com trajetória construída em companhias nacionais e multinacionais. Ao longo da carreira, atuou nas áreas financeira, administrativa e operacional, com experiência em planejamento estratégico, gestão de risco, controladoria, supply chain, inovação e tecnologia da informação. O executivo também cursou programas voltados à gestão de negócios e finanças.

“Recebo com grande responsabilidade o desafio de acelerar a nossa evolução e conduzir a Ourofino Agrociência para o futuro. Sempre preservando a nossa essência de uma empresa de origem brasileira, com entendimento real das necessidades do agricultor e foco na resolução desses desafios. Inovação, excelência operacional e proximidade com clientes e parceiros seguirão como pilares da nossa atuação, sempre com responsabilidade e visão de longo prazo”, afirma Alessandro Flamini.

Por sua vez, Marcelo Abdo passa a atuar de forma mais próxima ao Conselho de Administração, contribuindo estrategicamente em sua dinâmica e na representação institucional junto a órgãos governamentais e demais entidades ligadas ao setor agro, fortalecendo a credibilidade corporativa da companhia. “Essa transição é resultado de um processo sólido, estruturado e alinhado à maturidade que a Ourofino Agrociência alcançou ao longo de sua trajetória. Sinto-me honrado por fazer parte dessa história desde o início das operações da companhia e muito feliz em seguir contribuindo para o seu desenvolvimento como Conselheiro e Diretor Institucional, apoiando o avanço consistente e sustentável da empresa no setor”, destaca Marcelo Abdo.

A nova estrutura acompanha também os novos ciclos, sustentados pela robustez do portfólio, pelo fortalecimento do market share em culturas-chave e pelas metas estabelecidas para os próximos anos. 

Fundada pelos empresários Norival Bonamichi e Jardel Massari, a Ourofino Agrociência consolidou, ao longo dos anos, parcerias internacionais de alto nível e participação relevante no mercado nacional de defensivos agrícolas. Com o propósito institucional “reimaginar a agricultura brasileira”, investe no desenvolvimento de tecnologias adaptadas às necessidades do produtor rural e aos desafios climáticos e agronômicos do país, priorizando aspectos como maior adesividade, tolerância às chuvas, fotoproteção, absorção e compatibilidade dos produtos no campo. 





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RS projeta redução expressiva no cultivo de cevada



El Niño pressiona cultivo de cevada no Rio Grande do Sul



Foto: Canva

A cultura da cevada deve registrar uma redução superior a 30% na área cultivada no Rio Grande do Sul na safra 2026. A informação consta no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (28), que atribui a retração principalmente ao aumento da percepção de risco climático associado à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

Segundo a entidade, a diminuição da área ocorre mesmo com a manutenção da oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira, tradicional destino da produção gaúcha. A expectativa é de que parte dos produtores opte por reduzir investimentos na cultura diante das incertezas climáticas para o próximo ciclo.

Apesar da perspectiva de retração no plantio, as áreas já implantadas apresentam bom desempenho. Conforme o levantamento da Emater/RS-Ascar, o estabelecimento inicial das lavouras e o desenvolvimento vegetativo ocorrem dentro da normalidade, sem registros de problemas significativos até o momento.

A área total destinada à cultura em 2026 ainda está em fase de levantamento. Na safra de 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 32.010 hectares de cevada, alcançando produtividade média de 3.622 quilos por hectare.

No mercado, o produto destinado à indústria de malte apresentou preço médio de R$ 80 por saca de 60 quilos na região de Erechim, de acordo com os dados de comercialização acompanhados pela Emater/RS-Ascar.

A combinação entre cautela dos produtores e incertezas climáticas deve seguir influenciando as decisões de plantio nas próximas semanas, enquanto o setor aguarda a consolidação das estimativas para a safra 2026.





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Mercados agrícolas iniciam semana sem direção única


Os mercados agrícolas iniciam a semana com movimentos mistos, em um ambiente marcado por fatores climáticos, geopolíticos e ajustes técnicos nas bolsas internacionais. Segundo a TF Agro Econômica, na abertura dos mercados desta segunda-feira, trigo e soja operavam em alta em Chicago, enquanto o milho registrava leve queda.

No trigo, os contratos futuros avançavam após perdas relevantes na semana anterior. O vencimento julho de 2026 era cotado a US$ 614,00, com alta de 3,50 pontos, enquanto dezembro de 2026 subia para US$ 646,00. A recuperação tem apoio em movimentos de proteção técnica dos fundos e nas chuvas previstas para regiões produtoras de trigo de inverno nos Estados Unidos, cenário que pode atrasar a colheita. Ao mesmo tempo, as perspectivas favoráveis para a safra russa de 2026/2027, estimada por analistas privados em cerca de 90 milhões de toneladas, limitam ganhos mais fortes. No Brasil, os preços físicos no Paraná e no Rio Grande do Sul se aproximam, com diferença reduzida a R$ 26,37, favorecendo o trigo gaúcho.

Na soja, o mercado começou a semana em alta, com o contrato julho de 2026 em Chicago a US$ 1.192,00, avanço de 5,25 pontos. A reação acompanha o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e a valorização do petróleo, que voltou a influenciar o complexo de oleaginosas por meio da relação entre energia, biocombustíveis e óleo de soja. O óleo de soja julho subia para US$ 78,02, enquanto o farelo também avançava. Apesar disso, as condições climáticas nos Estados Unidos seguem majoritariamente favoráveis, sem ameaças relevantes às lavouras no curto prazo. A China permanece como ponto de atenção, diante da possibilidade de novas compras de soja norte-americana.

O milho, por sua vez, operava em leve baixa em Chicago, com julho de 2026 a US$ 446,00. As chuvas previstas para as Grandes Planícies Centrais dos Estados Unidos, a falta de novidades sobre compras chinesas e a incerteza sobre a aprovação do E-15 durante todo o ano pressionam as cotações. No Brasil, a consultoria avalia que os preços ainda podem recuar até julho.

 





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Brasil tende a ser o maior mercado de irrigação do mundo, mas ainda enfrenta 3 desafios


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Foto: Wenderson Araujo/CNA

A agricultura brasileira possui cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas o potencial é de quintuplicar essa área, chegando a 55 milhões de hectares, conforme análise da Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai).

Os números atualizam o último levantamento do Atlas de Irrigação da Agência Nacional de Águas (ANA), publicado em 2021 e que projetava que o país atingiria 10 milhões de hectares apenas em 2030.

Tal expansão antecipada tende a transformar o país em líder global de mercado nos próximos dez anos. A aposta é do CEO da Lindsay no Brasil, Claudio Lima. A empresa que comercializa em todos os continentes já enxerga o país como o seu principal polo de vendas do mundo em um futuro não tão distante por conta da ainda pequena quantidade de propriedades com pivôs e demais sistemas de irrigação de Norte a Sul.

“No estado do Paraná, por exemplo, grande produtor de soja, apenas 0,2% das lavouras são irrigadas. Já em Mato Grosso, líder do agronegócio nacional, esse percentual é de somente 2%, então existem possibilidades de enorme crescimento. A irrigação no Brasil ainda está engatinhando, mas certamente será a maior do mundo, algo que também ouvimos dos nossos concorrentes”, destaca.

Segundo ele, estudos da empresa mostram que o Brasil conta com, aproximadamente, 35 mil pivôs instalados, sendo que apenas no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, berço da Lindsay e o terceiro maior produtor de milho daquele país, existem em torno de 75 mil.

Lima ressalta que, por enquanto, a principal operação da empresa é justamente o mercado norte-americano, responsável por cerca de 50% das receitas da companhia no globo. “Mas logo após os Estados Unidos, o Brasil já é a nossa operação internacional mais relevante.”

Já o conselheiro da Renai e pesquisador da Embrapa Cerrados, Lineu Neiva Rodrigues, ressalta que o motivo da disparidade entre o Brasil e as demais potências agrícolas quando o assunto é índice de irrigação reside no fato de, historicamente, a necessidade nunca ter sido tão premente quanto agora.

“Nossa produção em sistema de sequeiro costumava produzir bem em comparação com outros países, mas agora os sinais mostram que o clima está ficando mais incerto e a produção, mais instável. Diante desse contexto, a irrigação se torna o melhor ansiolítico para o produtor”, considera.

Aquecimento do mercado

É justamente a necessidade por mais estabilidade produtiva que tem levado ao aquecimento do mercado. O executivo da Lindsay conta que a rede de 22 distribuidores da companhia no Brasil nunca experimentou volume tão grande de procura em seus 24 anos de atuação no país.

“É certamente o período com o maior número de emissão de propostas para os clientes. Estamos, inclusive, enfrentando problemas com a falta de mão de obra porque o pivô não é um produto de prateleira, é um projeto que exige levantamento topográfico, licença ambiental, outorgas de águas”, declara.

De acordo com Lima, a empresa notou durante a 31ª Agrishow, que aconteceu entre 27 de abril e 1 de maio, que haviam mais visitantes interessados em tecnologias de irrigação. “Percebemos que os produtores que nos procuraram durante a feira estavam realmente entusiasmados, fazendo cálculos e buscando opções de crédito. Os agricultores que precisam semear em setembro ou outubro e estavam aguardando por uma redução da Selic não podem esperar mais, afinal, um projeto de irrigação precisa de tempo para a elaboração e instalação.”

Os números mostram que o setor vem, realmente, tendo desempenho superior ao de outros segmentos da indústria de máquinas, ou, melhor dizendo, “menos piores”. A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq aponta que a venda de pivôs teve retração de aproximadamente 8% ao longo de 2025, enquanto outras áreas experimentaram queda de até 15%.

Na média do mercado, Lima conta que um grande pivô com cerca de 900 metros de vão e capaz de cobrir áreas de até 350 hectares, como os utilizados em Mato Grosso e na Bahia, o custo para o produtor gira em torno de R$ 22 mil reais por hectare. “Quanto maior a máquina e maior a área irrigada, menor o investimento em infraestrutura porque se dilui o custo da captação da água e da energia”, aponta.

Crescimento ano a ano

Rodrigues conta que levantamentos da Renai apontam que, atualmente, a média de incremento de área irrigada no Brasil gira entre 200 mil e 300 mil hectares ao ano.

“Uma boa margem seria de 400 mil hectares anuais, o que é possível em um futuro próximo. No entanto, acredito que a taxa de crescimento desse setor deve ser ditada não pelo mercado, mas pela sociedade porque é ela que precisa dizer o quanto de alimento precisamos”, considera.

Relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já mostrava que a produção global de alimentos precisará crescer ao menos 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar de uma população mundial projetada em cerca de 10 bilhões de habitantes.

“Hoje em dia já existem estudos que apontam que precisaremos aumentar a produção em 100%, ou seja, dobrar a quantidade de alimentos disponíveis. Apenas a irrigação nos permitirá alcançar essa marca de forma sustentável. Do contrário, só desmatando ou recuperando áreas degradadas, sendo que essa última alternativa, mesmo sendo ambientalmente correta, não garante estabilidade produtiva porque, de qualquer forma, o problema central é a falta de regularidade da chuva”, constata.

Rodrigues também salienta que cerca de 20% da área agrícola mundial é irrigada, sendo responsável por, aproximadamente, 40% dos alimentos consumidos em todo o globo.

Especificamente no Brasil, além da questão do crédito caro e dos juros altos, o especialista detalha que a estabilidade energética em regiões produtivas mais remotas e a legislação que dificulta a criação de barragens suficientes para o armazenamento de água são os principais empecilhos.

“No Brasil, temos medo de transportar água, sendo que é algo comum porque não é possível desenvolver uma região sem ela”, declara.

O pesquisador cita o caso do Vale de San Joaquin, na Califórnia, importante produtor de frutas, nozes, laticínios e vegetais dos Estados Unidos, como exemplo. Trata-se de uma extensa área plana de pântanos drenados e pradarias cultivadas no leste do estado, sendo considerada uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, mas cujos poços também enfrentam períodos de seca. “Aquela região só existe porque transportaram água para lá. No Brasil, a transposição do [Rio] São Francisco deu muito trabalho, uma burocracia que se arrastou por décadas”, pontua.

De acordo com ele, a lei 9.433/1997, a Lei das Águas, peca em não enxergar o valor econômico e fonte de melhoria de vida das pessoas. “A nossa outorga é muito restritiva, a lei nos permite usar muito pouca água, um fator que dificulta bastante o crescimento de nossa agricultura irrigada.”

Por fim, Rodrigues acredita que há uma questão cultural que precisa ser remediada para que o país avance no setor. “O agricultor precisa olhar os sinais trazidos pelas mudanças climáticas, mas ele costuma demorar para perceber isso, para entender que as secas estão aumentando e ele está enfrentando mais problemas de quebra de safra. Toda vez que há uma grande quebra, o interesse pela irrigação aumenta, mas nessa hora já é tarde. É preciso planejar. O produtor está sempre atento, mas é muito reativo, enquanto precisa ser preventivo”.

Entretanto, o especialista acredita que à medida que o país tenha mais segurança jurídica, a tendência é que o agricultor adote mais a irrigação por enxergar nela sua única saída para a tão sonhada estabilidade produtiva.

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Frio no centro-sul e calor acima de 30ºC na Região Norte do Brasil


O mês de junho inicia com temperaturas baixas no centro-sul do Brasil, sem risco de geadas nas áreas produtoras, enquanto a metade norte do país registra máximas acima de 30ºC. A massa de ar polar que atua na região central do Brasil mantém as temperaturas amenas, mas não traz riscos para as lavouras.

Temperaturas no centro-sul

A massa de ar polar está presente no centro-sul, resultando em temperaturas que variam entre 6ºC e 9ºC. Apesar do frio, não há risco para as lavouras de milho da segunda safra e café. A previsão indica que até o dia 6 de junho, as temperaturas permanecerão dentro da normalidade.

Calor na Região Norte

Enquanto isso, a Região Norte do Brasil enfrenta calor intenso, com temperaturas superando os 30ºC. A zona de convergência intertropical provoca chuvas significativas, com registros de até 90 mm em 24 horas em algumas cidades do Amazonas e Pará.

Previsão para os próximos dias

  • Entre 7 e 11 de junho, a previsão indica uma leve queda nas temperaturas no sul do Brasil.
  • Uma nova frente fria pode trazer chuvas para o Brasil central e uma onda de frio mais intensa.
  • As regiões de Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro devem receber entre 80 a 100 mm de chuva, benéfica para as pastagens e o desenvolvimento das lavouras.

Os meteorologistas alertam que, embora o frio continue, é importante monitorar as condições climáticas, especialmente em relação à umidade e chuvas nas próximas semanas.

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Inadimplência rural atinge 8,2% em 2025, maior patamar da série


A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 no maior patamar da série trimestral apresentada pela Serasa Experian. O índice atingiu 8,2% da população rural no quarto trimestre, uma alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, quando estava em 7,2%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, o avanço foi de 0,2 ponto percentual, indicando uma desaceleração no ritmo de piora, mas ainda sem reversão do quadro de pressão financeira no campo.

Decisão sobre espécies exóticas

A Comissão Nacional de Biodiversidade decidiu adiar por 90 dias a deliberação sobre a inclusão da tilápia e outras espécies acícolas na lista nacional de espécies exóticas invasoras. A medida foi tomada após forte reação do setor produtivo e de órgãos ligados à pesca e à aquicultura, abrindo espaço para novas discussões técnicas entre governo, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva.

Preços do milho

Os preços do milho voltaram a recuar na maior parte das regiões acompanhadas pelo CPEIA, com o início da colheita da segunda safra 2025/2026. A colheita se concentra apenas nos estados do Paraná e de Mato Grosso, e os preços estão em patamares inferiores aos do início da temporada anterior. Nas regiões de Sorriso, Mato Grosso e Norte do Paraná, as médias parciais de maio estão 11,8% inferiores às de maio de 2025.

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Ureia cai pela sexta semana seguida no Brasil



Mercado global pressiona preços da ureia



Foto: Canva

Os preços da ureia nos portos brasileiros registraram a sexta semana consecutiva de queda. A avaliação é de Tomás Pernías, que atribui o movimento a um cenário global.

Segundo o analista da StoneX, compradores seguem adotando uma postura cautelosa diante dos preços ainda considerados elevados e das relações de troca pouco atrativas para o produtor, fatores que têm reduzido o ritmo das negociações. “Os preços da ureia no Brasil acumularam queda de cerca de 25% nos portos nas últimas seis semanas, refletindo um cenário global de demanda enfraquecida”, afirma Pernías.

Apesar da trajetória de baixa observada nas últimas semanas, as cotações permanecem acima dos níveis registrados antes do conflito no Oriente Médio. De acordo com o especialista, a principal explicação está nas restrições logísticas provocadas pela paralisação da navegação no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do comércio global de fertilizantes.

A interrupção das operações na região continua limitando a oferta internacional de produtos nitrogenados, como ureia, amônia e enxofre, o que impede uma queda mais acentuada dos preços.

Outro fator acompanhado pelo mercado foi a nova licitação promovida pela Índia, tradicionalmente considerada um elemento de sustentação para as cotações globais. No entanto, segundo Pernías, a medida não foi suficiente para alterar o comportamento recente do mercado. “Nem mesmo a nova licitação da Índia, tradicionalmente vista como fator de suporte para o mercado, foi suficiente para reverter a tendência recente, reforçando a percepção de fragilidade da demanda global”, destaca o analista.

O cenário indica que, embora os problemas de oferta ainda sustentem parte dos preços internacionais, a demanda segue sendo o principal fator de influência sobre o mercado de ureia no curto prazo.





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CNA busca reverter suspensão de medidas antidumping no setor leiteiro


O setor leiteiro brasileiro enfrenta uma das piores crises de sua história, impulsionada por altos custos de produção e concorrência desleal das importações de leite em pó do Mercosul. Essa situação tem provocado uma drástica redução nas margens de lucro dos produtores, levando muitos pequenos agricultores a abandonarem a atividade.

Decisão do governo e reações do setor

A decisão do governo de adiar medidas contra o dumping na importação de leite em pó da Argentina e Uruguai gerou forte reação do setor produtivo. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária, a suspensão das tarifas antidumping causa insegurança e afeta diretamente a cadeia produtiva, resultando em:

  • Fechamento de propriedades
  • Aumento do abate de vacas leiteiras
  • Saída de famílias da atividade, especialmente entre pequenos e médios produtores

Impacto das importações

Argentina e Uruguai foram responsáveis por 90% dos 604 milhões de litros de leite equivalentes importados pelo Brasil. Os produtores enfrentam concorrência com preços até 60% mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor. Atualmente, muitos produtores recebem menos de R$ 2 por litro de leite, enquanto os custos de produção superam R$ 2,40.

Mobilização da CNA

As entidades ligadas ao setor prometem intensificar as pressões políticas no Congresso Nacional e dialogar com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para reverter a suspensão da medida antidumping. A próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior está prevista para o dia 25 de junho, quando a questão do leite será rediscutida.

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Área de canola no Rio Grande do Sul deve dobrar devido à crise do trigo


A área cultivada com canola no Rio Grande do Sul deve praticamente dobrar nesta safra, passando de 215.000 hectares para 380.000 hectares. A expansão da cultura se deve a diversos fatores, incluindo a baixa no plantio de trigo, a melhor precificação da canola e o menor custo de implantação.

Fatores da expansão

  • Baixa no plantio de trigo
  • Melhores preços da canola
  • Menor custo de implantação

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Brascanola), a maior parte da área cultivada está concentrada no Rio Grande do Sul, que é o maior produtor nacional da oleaginosa. Além disso, cerca de 20.000 hectares estão distribuídos entre os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Expectativas dos produtores

A expectativa dos produtores é positiva, uma vez que a canola tem se mostrado uma boa opção de rotação de culturas. O custo de implantação da canola é significativamente menor em comparação ao trigo, com uma média de 15 a 18 sacas por hectare, enquanto o trigo apresenta um custo médio de 45 sacas por hectare.

Preços e mercado

Atualmente, o preço da canola está em média R$ 130 por saca de 60 kg, enquanto o trigo é negociado a cerca de R$ 70 por saca. Essa diferença de preços tem incentivado os produtores a optarem pela canola, que oferece uma garantia de mercado mais estável.

Desafios e novas culturas

Apesar da expansão, os produtores enfrentam desafios, como o excesso de umidade no campo, que tem dificultado o avanço dos trabalhos de semeadura. Além da canola, a cultura de carinata, utilizada para a produção de combustível de aviação, também deve expandir no estado, passando de 9.000 hectares na safra passada para cerca de 20.000 hectares nesta safra.

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