Os preços das carnes bovina e suína negociadas no mercado atacadista da Grande São Paulo recuaram na primeira quinzena de julho, enquanto a carne de frango resfriada registrou valorização no mesmo período, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com o Cepea, a queda das cotações da carne bovina e suína reflete o consumo doméstico mais moderado no início do mês, quando a reposição de estoques no atacado costuma ocorrer de forma mais cautelosa.
No mercado bovino, a desvalorização da arroba e a dificuldade de repassar preços ao varejo limitaram os negócios. Ainda assim, a oferta mais restrita de animais prontos para abate e o bom desempenho das exportações evitaram quedas mais acentuadas. Já na carne suína, apesar dos embarques aquecidos, a demanda interna enfraquecida manteve pressão sobre os preços.
O frango, por outro lado, seguiu em trajetória de alta. Segundo o Cepea, a proteína continua mais competitiva em relação às demais carnes, favorecendo a substituição por parte dos consumidores e sustentando a demanda.
Para a segunda quinzena de julho, o Cepea avalia que o comportamento dos preços dependerá principalmente da reação do consumo interno e da oferta de animais para abate. Se a demanda permanecer fraca, a pressão sobre os valores da carne bovina e suína deve continuar, enquanto o frango tende a seguir sustentado pela procura.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros reacenderam o debate sobre a atuação do Brasil nas negociações comerciais. Para parte da imprensa e de analistas, o governo brasileiro teria sido pouco atuante ou perdido oportunidades para evitar o agravamento das barreiras.
Essa interpretação, porém, desconsidera um fator decisivo: diferentemente de outras economias, o Brasil chegou à disputa em posição de déficit comercial e com reduzida margem de barganha.
Antes de discutir se o país negociou pouco ou muito, é preciso responder a uma pergunta anterior: havia, de fato, espaço para uma negociação capaz de alterar esse cenário?
A resposta depende menos da habilidade diplomática e mais da posição econômica ocupada pelo Brasil na relação bilateral com os Estados Unidos.
Ao contrário de União Europeia, Japão e Coreia do Sul, o Brasil entrou nessa disputa em uma condição estruturalmente menos favorável. Além disso, o conflito deixou de ser apenas comercial e passou a envolver interesses políticos, tecnológicos e geopolíticos.
O impasse começou a ganhar forma em 2025, quando o governo Donald Trump adotou uma política tarifária mais agressiva. Inicialmente, o Brasil permaneceu na menor faixa de tributação. Meses depois, porém, Washington elevou para 50% as tarifas sobre diversos produtos brasileiros e abriu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A partir desse momento, a discussão deixou de tratar apenas de tarifas. Passou a incluir temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, questões ambientais e sistema de pagamentos, ampliando significativamente a complexidade das negociações.
Representantes brasileiros participaram de reuniões técnicas e diplomáticas ao longo desse processo, mas surgiram críticas de que o país teria negociado pouco.
O déficit reduzia a margem de negociação
O problema é que essa avaliação costuma ignorar um dado central: o comércio bilateral é deficitário para o Brasil.
Enquanto países com grandes superávits comerciais podem oferecer concessões reduzindo parte desse excedente, economias deficitárias dispõem de muito menos espaço para negociar. Essa diferença ajuda a explicar por que comparar o Brasil com União Europeia, Japão ou Coreia do Sul leva a conclusões equivocadas.
Esses países chegaram às negociações em posição muito mais confortável. A União Europeia utilizou seu superávit para ampliar compras de gás natural americano, aumentar investimentos e flexibilizar regras regulatórias. Japão e Coreia do Sul seguiram caminho semelhante, oferecendo novos investimentos e abertura de mercados em setores estratégicos.
A China, por sua vez, possui um enorme superávit comercial, domina cadeias globais de minerais críticos e exerce influência sobre setores essenciais da economia mundial. Já o Reino Unido, embora registre déficit comercial com os Estados Unidos, dispõe de ativos estratégicos nas áreas financeira, tecnológica e de defesa que ampliam seu poder de negociação.
O Brasil negociava em outra realidade. Sua pauta exportadora permanece concentrada em produtos agropecuários, minerais e bens industriais de média intensidade tecnológica. Além disso, o país já apresentava déficit crescente na balança bilateral, reduzindo ainda mais sua margem para oferecer concessões sem ampliar esse desequilíbrio.
Os temas em jogo iam além das tarifas
Outro fator pouco observado é que a investigação da Seção 301 extrapolou a discussão sobre tarifas. Os Estados Unidos passaram a questionar temas ligados ao ambiente digital, ao Pix, à propriedade intelectual, ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, ao combate ao desmatamento ilegal e às investigações sobre trabalho forçado.
Cada um desses temas envolve decisões permanentes de política pública e soberania regulatória. Não se tratava apenas de reduzir impostos de importação, mas de discutir regras que afetam o sistema financeiro, a política ambiental, a legislação de propriedade intelectual e setores estratégicos da economia brasileira.
Nesse contexto, qualquer concessão deixava de ser exclusivamente comercial e passava a produzir efeitos internos de longo prazo, tornando a negociação muito mais complexa.
Retaliar resolveria o problema?
Também houve quem defendesse uma retaliação brasileira às medidas americanas. Politicamente, essa posição encontra apoiadores. Economicamente, porém, seus resultados seriam limitados.
As tarifas passaram a ser fundamentadas na Seção 301, instrumento jurídico consolidado na legislação americana. Uma resposta brasileira dificilmente encerraria o conflito e poderia ampliar uma escalada em uma relação comercial na qual Washington dispõe de instrumentos significativamente mais fortes.
Além disso, os Estados Unidos preservaram diversos produtos considerados estratégicos para sua própria economia, demonstrando que o objetivo não era interromper completamente o comércio bilateral, mas aumentar a pressão sobre setores específicos.
Negociar é diferente de ter poder de negociação
Todo esse episódio evidencia uma diferença importante entre negociar e possuir poder de negociação.
A diplomacia continua sendo essencial, mas seus resultados dependem, antes de tudo, da posição econômica de cada país. Nações que acumulam grandes superávits, lideram setores tecnológicos estratégicos ou exercem influência sobre cadeias globais de produção chegam às negociações em condições muito diferentes das enfrentadas por economias deficitárias.
Por isso, a principal questão talvez não seja se o Brasil negociou pouco ou muito, mas se o país vem construindo, ao longo das últimas décadas, uma economia suficientemente competitiva, inovadora e estratégica para negociar em condições de maior equilíbrio com as grandes potências.
O comércio internacional tornou-se cada vez mais um instrumento de política externa, segurança econômica e competição tecnológica. Tarifas passaram a ser apenas uma das ferramentas desse processo.
A diplomacia continuará sendo indispensável. Mas ela produz resultados mais consistentes quando é sustentada por produtividade, competitividade, inovação e relevância econômica.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Do café blindado ao etanol penalizado: Estados Unidos confirmam taxação de 25% sobre produtos brasileiros
A aplicação da sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos a cerca de 3.000 produtos brasileiros, oficializada nesta quinta-feira (16) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sob a Seção 301, redesenhou o mapa das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.
Embora a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) estime que a medida impacte duramente US$ 11 bilhões em exportações, a publicação dos anexos oficiais de exceções (HTSUS) trouxe um alívio parcial.
Graças a uma forte pressão de indústrias de ambos os lados, o governo dos EUA poupou matérias-primas e alimentos essenciais para evitar desabastecimento interno e inflação ao consumidor americano, mas puniu severamente setores industriais e o etanol brasileiro.
Quem ficou de fora da taxação
Para mitigar o impacto econômico e evitar o encarecimento de insumos industriais vitais, a Casa Branca e o USTR definiram uma lista robusta de produtos brasileiros isentos das tarifas de 25%:
Café (Verde, Torrado e Solúvel sem Sabor): O setor cafeeiro garantiu a maior vitória na negociação. Além da isenção dos grãos verdes e torrados, o USTR adicionou à lista de exclusão o café solúvel sem sabor (unflavored instant coffee). Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, a articulação conjunta com a National Coffee Association (NCA) e a Associação Brasileira do Café Solúvel (ABICS) protegeu um mercado que gera de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano para o Brasil.
Aeronaves e Peças (Embraer): Toda a cadeia de aviação civil — incluindo aeronaves, motores, turbinas de jato, peças de reposição e simuladores de voo — está totalmente isenta de tarifas (segundo as regras da nota 50(a)(iv)).
Minério de Ferro e Pelotas: Matérias-primas fundamentais para a siderurgia norte-americana não sofrerão nenhum acréscimo tarifário.
Ferro Gusa (Pig Iron): Isento após pressão direta de fundições e indústrias de aço dos EUA, que alertaram sobre a escassez global do insumo agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Celulose Química de Madeira: O principal produto de exportação das gigantes brasileiras de papel e celulose permaneceu intocado na lista de isentos.
Carne Bovina e Proteínas: Carnes bovinas frescas, congeladas, preservadas e miudezas comestíveis mantiveram a isenção tributária.
Frutas Tropicais, Nozes e Mel: Laranjas, limões, limas, suco de laranja (congelado ou concentrado), açaí (polpa e preparações alimentares), abacate, manga, mamão, água de coco, castanha-do-Pará, castanha de caju e mel orgânico certificado estão livres da taxa de 25%.
Metais sob a Seção 232: Aço, alumínio e cobre que já pagam tarifas sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA ficaram isentos desta nova cobrança para evitar dupla tributação.
Quem continua taxado em 25%
O USTR utilizou a tarifa aduaneira para mirar cirurgicamente em setores onde buscava maior poder de barganha político ou onde havia forte concorrência com produtores norte-americanos:
Etanol (Biocombustível): O álcool combustível brasileiro segue taxado em 25%. O produto foi utilizado como retaliação direta às taxas aplicadas pelo Brasil ao etanol de milho americano. Conforme alerta da Amcham, investigações adicionais da Seção 301 sobre trabalho forçado podem fazer com que a sobretaxa acumulada sobre o etanol brasileiro chegue a até 37,5% nos próximos meses.
Polpa de Dissolução de Alta Pureza: Foi retirada de última hora da lista de isentos propostos. O USTR atendeu a pressões que alegavam que produtores brasileiros desse insumo se beneficiavam de custos reduzidos associados ao desmatamento ilegal.
Aplicações Industriais de Compostos Químicos: Produtos de grande peso comercial como celulose industrial, preparações comerciais de açaí para fins não alimentares e fosfoaminolipídios comerciais seguem taxados. A isenção só foi mantida quando esses produtos forem importados estritamente para a fabricação de medicamentos (Pharma applications).
Setor Calçadista e de Vestuário Novo: Calçados novos de couro, partes de sapatos e vestuário novo em geral tiveram seus pedidos de isenção negados e enfrentarão a barreira de 25%.
Maquinários e Equipamentos: Tratores agrícolas, colheitadeiras, compressores de ar, ferramentas de jardinagem e máquinas voltadas à construção civil sofrerão a taxação integral.
Açúcar Orgânico: Segue taxado devido à produção concorrente nos EUA.
Pedras Ornamentais: O mercado de mármores, ardósias e granitos brasileiros (brutos ou trabalhados) continuará sofrendo o impacto da barreira tarifária de 25%.
A busca por canais de diálogo
A Amcham Brasil classificou a medida do governo dos Estados Unidos como um “resultado muito negativo” para a relação bilateral, com potencial para encarecer processos industriais na própria economia norte-americana.
A entidade alertou ainda que a sobretaxa vai elevar os custos de indústrias dos EUA que dependem de insumos brasileiros, ampliando a dependência do país norte-americano em relação a fornecedores da Ásia e limitando parcerias em minerais críticos e energia digital.
De acordo com o presidente-executivo da Amcham Brasil, Abrão Neto, as negociações bilaterais de bastidores que se intensificaram nos últimos meses seguem sendo o caminho mais eficaz para reverter as taxas.
Ele destacou, contudo, que o cenário exige pressa dos dois governos para evitar novos aumentos tarifários decorrentes de investigações em andamento da Seção 301 sobre trabalho forçado, sob o risco de a taxação acumulada sobre produtos brasileiros chegar a 37,5%.
Por outro lado, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) celebrou a vitória conquistada com a isenção de 100% dos tipos de café exportados do Brasil para o mercado americano.
Para o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, o sucesso é fruto de uma intensa articulação que envolveu mais de 100 reuniões coordenadas com departamentos americanos de Estado, Tesouro e Agricultura desde julho do ano passado, além de uma sólida parceria de atuação com a National Coffee Association (NCA).
Matos explicou que a força-tarefa conseguiu comprovar o papel do Brasil como parceiro técnico “insubstituível” na segurança do abastecimento e na estabilização dos preços ao consumidor final norte-americano.
“São parceiros insubstituíveis, é uma relação de ganha-ganha, uma relação de via de mão dupla”, afirmou o executivo, assegurando a manutenção de um comércio anual de café estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões.
Reação do governo brasileiro
Em nota oficial, o governo brasileiro reagiu duramente, classificando o anúncio de Washington como um “marco lastimável” e repudiando a falta de justificativa para medidas unilaterais.
O texto destaca que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil, demonstrando que as trocas bilaterais não impõem déficit aos americanos. Além disso, o Palácio do Planalto rebateu as acusações contra o PIX e a regulação de redes sociais, afirmando que não abdicará de proteger a população contra “tecno-oligarcas” e lembrando a redução drástica do desmatamento desde 2023.
Como resposta, Brasília anunciou que acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC), ativará os trâmites da Lei de Reciprocidade e usará o Plano Brasil Soberano para blindar as indústrias nacionais afetadas.
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A escolha das espécies deve considerar clima, solo, janela de cultivo e objetivos – Foto: Canva
O manejo das plantas de cobertura durante a entressafra pode influenciar diretamente o desempenho da lavoura no ciclo seguinte. Mais do que produzir grande volume de biomassa, é necessário acompanhar o desenvolvimento da vegetação e realizar intervenções estratégicas para evitar excesso de palhada, dificuldades na semeadura e irregularidade na implantação da cultura comercial.
Quando a cobertura cresce sem planejamento, podem surgir touceiras, acúmulo de material senescente e distribuição desigual da biomassa. Segundo Lara Gabriely Silva Moura, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da SBS Green Seeds, o manejo antes da dessecação ajuda a equilibrar o crescimento e estimula a emissão de novos perfilhos e a renovação das raízes.
Esse processo favorece a formação de bioporos, a incorporação de matéria orgânica em profundidade, a atividade biológica do solo e a infiltração e o armazenamento de água. Na superfície, uma palhada uniforme também reduz a erosão, diminui a evaporação e auxilia na supressão de plantas daninhas.
A escolha das espécies deve considerar clima, solo, janela de cultivo e objetivos da propriedade. Conforme a pesquisadora, genética, planejamento e manejo precisam atuar de forma integrada para melhorar a eficiência operacional, favorecer a emergência uniforme da lavoura e preparar o solo para os próximos ciclos produtivos.
“É essa integração que transforma a cobertura vegetal em uma ferramenta estratégica para construir solos mais saudáveis, aumentar a eficiência operacional e preparar a lavoura para produzir com mais sustentabilidade e segurança nas próximas safras”, finaliza Lara Gabriely Silva Moura, zootecnista e coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da SBS Green Seeds.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para 0,20% na segunda quadrissemana de julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (16). Na leitura anterior, a alta havia sido de 0,31%, após avanço de 0,36% no fim de junho. Em 12 meses, o indicador acumula elevação de 4,14%.
A desaceleração do IPC-S ocorreu com moderação em seis dos oito grupos que compõem o índice. Em Despesas Diversas, a taxa passou de 0,79% para 0,38%. Em Habitação, saiu de 0,44% para 0,36%. Saúde e Cuidados Pessoais recuou de 0,46% para 0,28%, enquanto Transportes foi de 0,16% para 0,14%.
No grupo Alimentação, o movimento foi de 0,01% para -0,33%, contribuindo para reduzir o ritmo do índice. Vestuário também aprofundou a queda, de -0,53% para -0,80%.
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Entre os itens que mais puxaram o IPC-S para baixo, a FGV destacou tomate, cuja variação passou de -1,89% para -10,14%, batata-inglesa, de 0,41% para -6,51%, mamão papaya, de -3,64% para -8,33%, café em pó, de -2,06% para -2,60%, e etanol, de -2,80% para -2,33%.
Na direção oposta, dois grupos ganharam força na segunda quadrissemana. Comunicação acelerou de 0,84% para 1,73%, e Educação, Leitura e Recreação foi de 0,58% para 0,69%.
As maiores pressões de alta vieram de combo de telefonia, internet e TV por assinatura, que passou de 2,33% para 4,63%, passagem aérea, de 5,21% para 7,62%, empregado(a) doméstico(a), de 0,92% para 1,04%, plano e seguro de saúde, mantido em 0,46%, e serviços bancários, de 1,33% para 0,63%.
Com a leitura da segunda quadrissemana de julho, o IPC-S mostrou desaceleração frente às prévias anteriores, em um movimento influenciado principalmente pela queda de preços em itens de alimentação e pelo recuo do etanol.
A previsão do tempo para esta quinta-feira (16), segundo a Climatempo, indica uma mudança importante nas condições atmosféricas sobre o Rio Grande do Sul, com risco de temporais, chuva intensa, granizo e rajadas de vento acima de 90 km/h.
Enquanto isso, um bloqueio atmosférico mantém o tempo firme e seco em grande parte do Sudeste e do Centro-Oeste, e as instabilidades seguem concentradas em áreas do Norte e do Nordeste do país.
Confira a previsão do tempo região por região:
Sul
Nesta quinta-feira, ocorre uma mudança significativa nas condições do tempo em áreas do Rio Grande do Sul, marcando o início de um período de instabilidades no estado.
O tempo permanece firme na maior parte da região, com predomínio de sol entre poucas nuvens, mas o fortalecimento do Jato de Baixos Níveis, que transporta ar quente e úmido da Região Norte para o Sul do Brasil, associado à aproximação de um cavado e ao avanço de uma frente fria, favorece a formação de temporais no Rio Grande do Sul.
Há risco de chuva forte, rajadas de vento que podem superar os 90 km/h, queda de granizo e tempestades severas entre a Campanha, Oeste, Sudoeste, Centro e Sul do estado, desde o fim da manhã até o fim do dia.
A situação é de perigo para acumulados elevados de chuva no extremo sudoeste, em parte da Campanha e no litoral sul do estado. Não se descarta a ocorrência de microexplosões e tornados, especialmente nas áreas sob atuação das tempestades mais intensas.
Antes da chegada das instabilidades, o vento norte favorece elevação acentuada das temperaturas, com máximas próximas dos 30°C em parte do estado, reforçadas pelo Jato de Baixos Níveis, que intensifica o transporte de ar quente e úmido em direção à região.
Em Santa Catarina e no Paraná, o tempo permanece firme e as temperaturas também aumentam, especialmente no oeste dos estados.
Sudeste
No Sudeste, a atuação de um bloqueio atmosférico sobre o Oceano Atlântico, na altura da costa da região, mantém o tempo firme nos quatro estados.
O sol predomina entre poucas nuvens e não há previsão de chuva significativa. Apenas em alguns pontos do litoral do Espírito Santo e do extremo nordeste mineiro pode haver chuva fraca e isolada, além de precipitação moderada no litoral norte capixaba.
As temperaturas entram em elevação durante a tarde, favorecendo grande amplitude térmica. Já no litoral, sul e faixa leste paulista, grande parte do Rio de Janeiro, sul e centro-leste de Minas Gerais e sul do Espírito Santo, o dia segue mais agradável.
A umidade relativa do ar diminui na faixa norte e nordeste paulista, Região Metropolitana de São Paulo, Triângulo Mineiro, oeste, norte, noroeste e parte do sul de Minas Gerais, com índices entre 20% e 30% nas horas mais quentes do dia, podendo atingir valores entre 12% e 20% no extremo norte de Minas Gerais.
Os ventos também ganham intensidade em parte do litoral paulista devido ao fortalecimento da circulação atmosférica. Na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, as rajadas podem chegar a 70 km/h.
O mar continua agitado em áreas da faixa litorânea.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o tempo também segue firme em Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, com predomínio de sol e ausência de chuva.
Em Mato Grosso, a umidade amazônica e o aquecimento diurno favorecem pancadas isoladas entre a tarde e a noite no norte, noroeste e faixa oeste do estado, com chuva de moderada a forte intensidade, além do noroeste de Goiás, na divisa com o Tocantins.
Nas demais áreas, o tempo segue seco, com temperaturas elevadas durante a tarde e baixa umidade relativa do ar, especialmente no centro-sul e faixa leste de Goiás, Distrito Federal e leste de Mato Grosso do Sul, com índices entre 20% e 30%.
Em cidades mais a leste de Goiás, incluindo Brasília, a entrada de ventos mais amenos deve deixar o dia um pouco mais agradável em comparação ao restante da região central do país.
As rajadas de vento podem chegar a 70 km/h no sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul.
Nordeste
No Nordeste, a circulação marítima mantém o tempo instável na faixa leste da região.
Há previsão de chuva entre a faixa litorânea de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, podendo ocorrer de forma moderada a forte em alguns momentos, com risco de temporais entre o litoral da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Também há chance de acumulados elevados de chuva na faixa leste e litorânea de Pernambuco, incluindo a capital, Recife.
Entre o sul da Bahia e a região de Salvador, as instabilidades também aumentam ao longo do dia, com previsão de chuva mais forte.
No oeste e na faixa norte do Maranhão, Piauí e Ceará também há previsão de chuva.
No interior da região, predomina o tempo firme, com sol entre poucas nuvens e baixos índices de umidade relativa do ar durante a tarde no centro-oeste da Bahia e interior do Piauí, principalmente em áreas do sudoeste e interior baiano, onde os valores podem ficar entre 12% e 20%.
As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h em grande parte da região e podem alcançar 70 km/h no norte da Bahia e oeste de Pernambuco.
O mar continua agitado na costa leste da região.
Norte
No Norte, o calor e a elevada disponibilidade de umidade seguem favorecendo pancadas de chuva em grande parte da região.
Há previsão de chuva entre Amazonas, Pará, oeste e sul de Roraima, norte de Rondônia e sul e leste do Amapá, com possibilidade de trovoadas.
Nessas áreas, as instabilidades ocorrem com intensidade moderada a forte, além do extremo norte e sudoeste do Tocantins, na divisa com Goiás.
Nas demais áreas de Rondônia, no Acre e no extremo oeste do Amazonas, as chuvas ocorrem de forma mais fraca.
Já no restante do Tocantins e no noroeste do Pará, o tempo permanece mais estável, com predomínio de sol, mas não se descarta a ocorrência de chuva isolada e de menor intensidade em alguns momentos.
As temperaturas aumentam durante a tarde e o tempo segue abafado.
O governo federal publicou na noite de quarta-feira (15), em edição extra do Diário Oficial da União, uma medida provisória que autoriza a renegociação de dívidas rurais. Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a norma pode alcançar mais de R$ 100 bilhões em operações, segundo estimativa do Ministério da Fazenda, e será regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A medida foi editada como resposta ao endividamento rural e cria duas linhas de crédito para renegociação: uma com recursos controlados, direcionados e equalizados e outra com recursos livres das instituições financeiras. A MP estabelece que essas linhas terão como finalidade apoiar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, enfrentar consequências sociais e econômicas de calamidades públicas e efeitos econômicos negativos de conflitos geopolíticos internacionais, além de permitir a liquidação ou amortização de débitos.
Poderão ser renegociadas operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização, além de parcelas de operações de investimento, dentro dos critérios definidos pela medida. O público-alvo inclui produtores rurais e cooperativas de produção com perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025.
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A MP divide os beneficiários em duas faixas. Para quem teve perdas em duas ou mais safras, com redução de pelo menos 30% na renda bruta, os juros serão de 6% ao ano no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), 9% no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e 12% para demais produtores e cooperativas. Para quem registrou perdas em três ou mais safras, com redução de 40% na renda, as taxas caem para 5% no Pronaf, 8% no Pronamp e 11% para os demais produtores.
O prazo de pagamento será de oito anos de forma geral e de até dez anos nos casos de maiores perdas, com carência de até dois anos com pagamento de juros e sem entrada. O prazo para contratação é de até 120 dias após a publicação da MP. A norma também autoriza a renegociação de Cédulas de Produto Rural (CPRs) com recursos livres de instituições financeiras e permite a prorrogação automática, por até 30 dias, de operações adimplentes que se enquadrem nas condições previstas.
A medida provisória também prevê que os financiamentos de renegociação não impeçam novas contratações de crédito rural nem motivem registro em cadastros restritivos. O governo federal deverá apresentar, em até 180 dias após o encerramento do prazo de contratação, um relatório com informações sobre as operações e os valores efetivamente contratados.
Os Estados Unidos ampliaram a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa de 25%, segundo decisão publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no início da madrugada desta quinta-feira (16). A justificativa apresentada pelo órgão é que parte dos itens é considerada matéria-prima e poderia provocar indisponibilidade de oferta doméstica e “perturbações” na economia americana caso fosse submetida à sobretaxa.
De acordo com o USTR, alguns dos produtos contemplados pela isenção não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos nem obtidos de outras fontes. O órgão também afirmou que, em outros casos, as tarifas adicionais “poderiam não contribuir substancialmente para a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil considerados passíveis de ação”.
Além de carne bovina, café, laranja e suco de laranja, que já constavam da lista divulgada em junho, quando a investigação foi aberta, a relação de exceções passou a incluir mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, produtos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos.
Por outro lado, o governo americano informou que rejeitou pedidos de isenção para outros produtos, entre eles vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais. A decisão mantém, portanto, uma diferenciação entre os itens considerados estratégicos para o abastecimento ou para a indústria dos Estados Unidos e aqueles que seguirão sujeitos à nova tarifa.
O USTR também registrou que, nas audiências públicas realizadas durante a investigação sobre práticas comerciais brasileiras, houve defesa de alternativas às tarifas, como negociações bilaterais ou multilaterais. Parte dos participantes das audiências sustentou que qualquer tarifa, mesmo em percentual inferior a 25%, seria inadequada e poderia frustrar os objetivos do governo americano.
A decisão anunciada nesta quinta-feira (16) amplia a lista de exceções à tarifa de 25% para produtos brasileiros e mantém fora da isenção itens como máquinas agrícolas e industriais, enquanto o USTR sustenta que parte dos bens preservados é necessária para evitar restrições de oferta e efeitos econômicos nos Estados Unidos.
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“A ocorrência das doenças é resultado da interação entre três fatores” – Foto: NOAA
A possível formação de um El Niño de forte intensidade deve ampliar os desafios para a safra 2026/2027, com efeitos distintos entre as regiões brasileiras e maior risco de doenças em soja, milho e trigo. O cenário exige planejamento, monitoramento e manejo adaptado às condições locais.
Segundo a NOAA, há 82% de chance de o fenômeno se formar até julho e 96% de probabilidade de permanecer ativo entre dezembro e fevereiro de 2027. No Cerrado, são esperadas chuvas irregulares e possíveis atrasos na semeadura, com reflexos sobre o milho safrinha. No Sul, a tendência é de precipitações mais intensas e frequentes.
Mário Drehmer, da Sumitomo Chemical, avalia que a irregularidade climática pode descompassar o desenvolvimento das lavouras e ampliar a exposição a doenças. Na soja, alta umidade e calor favorecem septoriose, cercosporiose e ferrugem asiática. No milho, cresce a atenção sobre doenças foliares, enquanto, no trigo, a giberela preocupa por afetar rendimento e qualidade dos grãos.
“A ocorrência das doenças é resultado da interação entre três fatores: hospedeiro, ambiente e fenômeno. Hoje, contamos com cultivares altamente produtivas e precoces, mas que, muitas vezes, apresentam maior sensibilidade a determinadas doenças. Ao mesmo tempo, as variações climáticas afetam cada região de forma distinta e podem criar condições específicas ao desenvolvimento de patógenos presentes no solo, na palhada e em áreas vizinhas. Com tantas variáveis em jogo, não existe mais espaço para resultados. Cada região, cada safra e cada condição de cultivo baseada em estratégias de manejo adaptadas à sua realidade”, reforçar Mário Drehmer.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que a indefinição sobre o tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros impediu o mercado doméstico de acompanhar o tom positivo do exterior.
O Ibovespa caiu 0,36% a 176 mil pontos, pressionado também pela PEC de aposentadoria especial e por pesquisa eleitoral que reduz expectativa de mudança fiscal. Lá fora, dados de inflação vieram benignos, mas o Fed manteve tom cauteloso. Hoje, foco nas vendas no varejo dos EUA e falas de dirigentes do Fed.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.