segunda-feira, julho 6, 2026

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Biodiesel ganha força com crise do petróleo e pode evitar falta de diesel no Brasil


biodiesel
Foto: Abiove

O aumento da tensão no Oriente Médio e a alta do petróleo ampliaram o debate sobre o uso de biodiesel no Brasil. O tema inclui a elevação da mistura obrigatória ao diesel e o papel dos biocombustíveis no abastecimento.

Em entrevista ao Rural Notícias, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou que o biodiesel reduz a dependência externa, já que o país utiliza o B15, uma mistura de 15% do biocombustível no diesel fóssil.

“O Brasil hoje importa 25% do diesel [que consome]. Se não tivesse o biodiesel, a gente teria que importar mais os 15% [que entram na mistura de diesel]. A gente estaria numa situação crítica, já haveria falta de diesel no país”, disse.

Confira:

Capacidade de produção

Segundo Nassar, o setor possui capacidade para ampliar a mistura. Ele informou que há margem na produção e nas matérias-primas. “O setor hoje ele tem mais ou menos 40% de capacidade ociosa do lado da produção de biodiesel e do lado das matérias primas”, afirmou.

De acordo com ele, aumentos na mistura não impactariam o preço no cenário atual. “Subir para B16 ou B17 não gera nenhum impacto do ponto de vista de preço, porque tem disponibilidade e o setor está preparado para responder na mesma hora”, disse.

Regulação e testes

A ampliação da mistura depende de testes previstos na lei do combustível do futuro, que autoriza percentual de até 25%.

“É preciso fazer estudos de viabilidade, que na verdade são testes em laboratório em alguns motores”, afirmou. Os testes devem começar em maio e seguir até o próximo ano, disse Nassar.

Matérias-primas

O biodiesel é produzido, em sua maior parte, a partir da soja. Nassar também citou o uso de resíduos e outras fontes. “O biodiesel ele é muito importante no reaproveitamento de resíduos”, disse.

Entre os insumos estão sebo bovino, gorduras animais e óleo de cozinha usado, além de oleaginosas como algodão e palma.

Previsibilidade

O presidente da Abiove afirmou que a definição de regras para a mistura é um ponto para o setor. Ele citou impactos de mudanças no percentual de mistura sobre investimentos e oferta de insumos. “Define uma estratégia, coloca lá como vai aumentar o percentual e segue”, afirmou.

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De funcionários a donos de 250 mil aves: a virada da família de produtores do Paraná


Família de produtores de aves deixa de ser empregados para se tornar dona do próprio negócio
Foto: Canal Rural/Interligados

A história da família Grosso é um exemplo de ascensão social e econômica através da avicultura. Na década de 80, o pai de Éder Grosso trabalhava como funcionário em aviários alheios, cuidando de lotes que não eram seus. O sonho da terra própria levou décadas para amadurecer, passando pelo sistema de parceria por porcentagem até a conquista definitiva: em 2007, a família conseguiu adquirir a propriedade onde já trabalhava. O que era um emprego virou um patrimônio que hoje caminha para atingir a marca de 250 mil aves por ciclo.

A evolução não parou na posse da terra. A família quitou os primeiros financiamentos e iniciou uma modernização agressiva em 2018, substituindo os antigos galpões convencionais por estruturas climatizadas de última geração. Atualmente, a capacidade está em 195 mil aves, mas novos projetos já estão em andamento para elevar a escala e consolidar a família como uma das referências de produtividade em Astorga, cidade do norte do Paraná.

Sucessão familiar une tecnologia e tradição

A gestão da granja é um esforço coletivo onde cada membro da família assume a responsabilidade por um aviário. Éder e seus irmãos lideram a parte tecnológica, operando painéis de controle e sistemas automatizados que garantem a ambiência perfeita para os lotes. No entanto, o coração da propriedade ainda guarda espaço para a tradição: o patriarca, hoje com 80 anos, faz questão de manter um aviário convencional sob seus cuidados, onde seu manejo manual frequentemente entrega resultados que desafiam a performance dos galpões modernos.

Essa convivência entre o novo e o antigo fortalece a sucessão. A terceira geração já acompanha a rotina de alojamento e retirada, aprendendo que a avicultura exige presença constante e atenção aos detalhes. Para os Grosso, a transição do trabalho manual para o automatizado exigiu suporte técnico da integração e muita resiliência, mas o resultado é uma operação eficiente que garante a permanência de todos na mesma propriedade.

Dedicação total sustenta o orgulho de produzir 

A rotina começa na madrugada e não termina antes de o último painel ser conferido. Para a família, a avicultura não é apenas um negócio, mas a fonte de tudo o que conquistaram nos últimos 40 anos. A satisfação de ver o frango produzido na granja ganhando o mercado interno e exportações para o mundo é o que motiva os turnos ininterruptos e o cuidado rigoroso com cada pintinho que chega.

Olhando para o futuro, os planos de expansão para 250 mil aves mostram que a família não teme o crescimento. Com a base sólida de quem conhece o setor desde o tempo em que não havia ventilação ou aquecimento, os Grosso seguem investindo em inovação sem abrir mão da união familiar. A trajetória que começou com o trabalho assalariado hoje é um legado de prosperidade e orgulho no campo paranaense.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Cotação do trigo atinge maior nível em meses


A cotação do trigo voltou a subir no mercado internacional na última semana, impulsionada por fatores geopolíticos e climáticos. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago atingiu US$ 6,49 por bushel no dia 28, o maior nível desde 4 de junho de 2024. No encerramento de quinta-feira (30), a cotação recuou para US$ 6,23, ainda acima dos US$ 6,10 registrados uma semana antes.

De acordo com a entidade, a alta está ligada à continuidade da crise no Oriente Médio e às dificuldades para uma solução do conflito, além das preocupações com o clima nas regiões produtoras do Hemisfério Norte. A atuação dos fundos de investimento, que voltaram a ampliar posições compradas, também contribuiu para sustentar os preços.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras indicam cenário misto. Até 26 de abril, 35% das áreas de trigo de inverno eram classificadas entre ruins e muito ruins, enquanto 30% estavam entre boas e muito boas. Já o plantio do trigo de primavera alcançava 19% da área prevista, abaixo da média histórica de 22%, com 5% das lavouras já germinadas.

As exportações norte-americanas somaram 365.156 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total embarcado no atual ano comercial para 21,8 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

No Brasil, a valorização externa começa a influenciar o mercado interno em um momento de entressafra e de redução da área prevista para o próximo plantio. Ao mesmo tempo, moinhos buscam recompor estoques, o que sustenta a demanda. Ainda assim, o cenário é de volatilidade, com aumento expressivo nos custos de produção, especialmente de fertilizantes, que acumulam alta superior a 60% desde o início da guerra no Oriente Médio.

Segundo analista da StoneX, o avanço desses custos tem impacto direto sobre a rentabilidade do produtor. “o aumento dos custos com fertilizantes nitrogenados reduz de forma direta a margem de lucro da produção de trigo. Com isso, muitos agricultores começam a reavaliar suas estratégias e, em alguns casos, optam por migrar parte da área para culturas que exigem menos insumos ou oferecem melhor retorno financeiro”.

As dificuldades logísticas e restrições de exportação de insumos em alguns países também afetam o abastecimento global, ampliando as incertezas. Diante desse cenário, estimativas apontam para uma possível queda de 16% na produção brasileira de trigo, que pode chegar a 6,6 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sejam favoráveis.

Com menor oferta interna, a tendência é de aumento nas importações. Projeções indicam que o Brasil poderá importar até 8,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando o recorde anterior. A demanda nacional é estimada em 13,3 milhões de toneladas, conforme dados de Conab e consultorias do setor.

Analistas de Bunge e da Abitrigo destacam que o aumento dos custos pode afetar tanto o volume quanto a qualidade da produção nacional. “o aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, tende a pressionar as margens do produtor, o que pode levar à redução de área plantada e menor investimento em tecnologia. Isso pode impactar tanto o volume quanto a qualidade do trigo produzido no Brasil, reforçando a dependência estrutural de importações. Soma-se a isso o fato de que a capacidade das empresas moageiras de estocar trigo também é historicamente limitada, fato que as obriga a importar continuamente”.

A qualidade do trigo importado também preocupa o mercado. O produto argentino, principal fornecedor ao Brasil, tem apresentado teor de proteína inferior ao necessário para panificação, o que pode limitar sua utilização. Diante desse quadro, o mercado brasileiro deve enfrentar desafios nos próximos meses, relacionados a custos, qualidade e regularidade no fornecimento.





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AgroNewsPolítica & Agro

Milho fecha abril em alta no mercado global


A cotação do milho registrou alta na última semana de abril no mercado internacional. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago encerrou o dia 30 em US$ 4,64 por bushel, ante US$ 4,55 uma semana antes.

De acordo com a entidade, o movimento foi influenciado por fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, além do reposicionamento dos fundos de investimento, que voltaram à ponta compradora. Apesar da alta, os fundamentos de oferta seguem pressionados pelo bom andamento do plantio nos Estados Unidos.

Até 26 de abril, o plantio da nova safra norte-americana alcançava 25% da área prevista, acima da média histórica de 19%. No mesmo período, 7% das lavouras já haviam germinado, superando os 4% registrados na média para a data.

No comércio exterior, os embarques dos Estados Unidos também contribuíram para sustentar as cotações. Na semana encerrada em 23 de abril, as exportações somaram 1,6 milhão de toneladas, elevando o volume acumulado no atual ano comercial para 53,4 milhões de toneladas, acima das pouco mais de 40 milhões embarcadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Outro fator de suporte aos preços vem da Europa. A perspectiva de redução da área cultivada com milho em países da União Europeia, diante do aumento dos custos de fertilizantes e energia, limita a oferta global. Estimativas indicam que a área semeada pode ficar abaixo de 8 milhões de hectares em 2026, o que seria o menor nível neste século.

O cenário de custos elevados e maior risco climático tem reduzido as margens dos produtores europeus. Na França, a área destinada ao milho pode recuar entre 10% e 15%, enquanto na Polônia a expectativa é de leve redução, para cerca de 1,25 milhão de hectares. Na Alemanha, a projeção aponta crescimento de 3,5%, embora sobre uma base menor, com área total próxima de 507 mil hectares.





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Compostos da copaíba-vermelha mostram eficácia contra vírus da Covid-19, revela estudo


árvore
Foto: reprodução/redes sociais

Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil encontrada especialmente em áreas de Mata Atlântica, têm ação contra o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, revelou estudo conduzido por uma equipe internacional de cientistas.

A escolha da espécie ocorreu porque o farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), possui ampla experiência em fitoquímica e farmacologia de espécies de Copaifera.

Investigações anteriores já tinham relatado diversos benefícios biológicos e farmacológicos dos chamados “ácidos galoilquínicos”, retirados das folhas da copaíba-vermelha, entre eles atividades antifúngicas e anticancerígenas in vitro e in vivo, além de propriedades antivirais de amplo espectro.

Segundo os pesquisadores, derivados da substância mostraram até mesmo inibição significativa contra o HIV-1 em ensaios bioquímicos e cultura de células, com menor toxicidade do que outras moléculas testadas para esse fim.

Etapas

Para iniciar o trabalho, os cientistas prepararam e caracterizaram frações ricas em ácidos galoilquínicos derivados das folhas da espécie. Em seguida, foram realizados ensaios de citotoxicidade para determinar a segurança da sua introdução nas células dos hospedeiros.

A avaliação da atividade antiviral foi feita por meio de ensaios de redução de placas, método usado para quantificar a capacidade de anticorpos ou compostos antivirais neutralizarem vírus. Os resultados indicam forte ação contra o SARS-CoV-2.

Também foram estudadas as expressões de proteínas virais e as interações com alvos-chave, como o domínio de ligação ao receptor da proteína Spike, que permite a entrada do vírus nas células humanas, a protease tipo papaína (PLpro) – enzima importante para a evasão viral – e a RNA polimerase – enzima essencial para a replicação do vírus.

Resultados

Os resultados revelaram que ácidos galoilquínicos apresentaram forte ação contra a variante do coronavírus, inibindo a entrada viral nas células, a replicação do patógeno e a expressão das proteínas virais.

Além disso, as atividades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da substância podem contribuir para a regulação da resposta imune do indivíduo infectado, o que é particularmente relevante em casos mais graves da doença.

“Um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito”, diz Bastos.

“A abordagem integrada nos permitiu compreender não apenas como os compostos funcionam, mas também como atuam em nível molecular”, conta Mohamed Abd El-Salam, professor da Delta University for Science and Technology (Gamasa, Egito).

Próximos passos

Ainda existem alguns passos para que a substância seja transformada em medicamento contra a COVID-19, como ensaios in vivo e clínicos, mas, segundo os autores, a pesquisa reforça a importância da biodiversidade e da pesquisa com produtos naturais como fontes de candidatos terapêuticos inovadores, além de reforçar que a flora brasileira continua sendo um reservatório rico e estratégico para a descoberta de novos fármacos.

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Nova frente fria avança, derruba temperaturas e chuva pode chegar a 150 mm em algumas regiões


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Foto: Freepik

A atuação de uma nova frente fria deve intensificar as chuvas na região Sul do Brasil nos próximos dias, com volumes elevados e risco de impactos no campo e nas áreas urbanas.

De acordo com o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, o sistema deve avançar principalmente sobre o Rio Grande do Sul, onde os acumulados podem superar 100 mm em apenas cinco dias.

As áreas mais afetadas incluem a Grande Porto Alegre e a faixa litorânea do estado. Em regiões do sul gaúcho, como Uruguaiana, Dom Pedrito e Alegrete, os volumes podem alcançar até 150 mm no mesmo período.

A previsão indica que a chuva não será pontual. Entre os dias 6 e 10 de maio, o tempo segue instável, com precipitações frequentes e volumosas.

Na sequência, entre 11 e 15 de maio, a frente fria ganha força e avança para outros estados da região, atingindo também Santa Catarina e Paraná.

Esse avanço amplia a área de instabilidade e mantém o padrão de chuva acima da média, especialmente em regiões produtoras.

O volume elevado de chuva pode prejudicar os trabalhos no campo, principalmente em áreas agrícolas do interior gaúcho, como Cruz Alta.

A persistência das precipitações dificulta operações como colheita e manejo, além de aumentar o risco de encharcamento do solo.

Sudeste segue com tempo seco e quente

Enquanto isso, o Sudeste mantém um cenário oposto. No São Paulo, o tempo segue firme e com temperaturas elevadas por até 15 dias.

A chuva permanece restrita ao litoral do Rio de Janeiro e ao sul do Espírito Santo, sem volumes expressivos.

Além da chuva, o Sul também deve enfrentar variações térmicas. Há previsão de mínimas próximas de 5°C, com leve risco de geada em alguns pontos.

Na sequência, as temperaturas voltam a subir e depois caem novamente, formando um cenário de forte amplitude térmica em poucos dias, o que pode impactar lavouras e o manejo agrícola.

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El Niño pode afetar produção global de café


O avanço das condições para formação do fenômeno El Niño já influencia as projeções para o mercado de commodities agrícolas. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration, há cerca de 60% de probabilidade de ocorrência entre maio e julho. Modelos do International Research Institute for Climate and Society indicam cenário semelhante no curto prazo e apontam para a continuidade do evento até o fim de 2026 e início de 2027.

As projeções sugerem aquecimento das águas do Oceano Pacífico, sem indicação de elevação direta da temperatura global, mas com potencial de intensificar o fenômeno. Esse padrão pode alterar condições climáticas em regiões produtoras e elevar riscos para a agricultura, especialmente em culturas como o café.

De acordo com a analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, o cenário exige atenção. “As commodities agrícolas poderão enfrentar riscos climáticos mais elevados”, afirma.

Os modelos climáticos indicam aumento das anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, com possibilidade de superar 1,5°C entre outubro e novembro de 2026. Caso esse patamar se confirme por períodos consecutivos acima de +0,5°C, haverá caracterização oficial do fenômeno, com indicativos de maior intensidade.

No mercado agrícola, os impactos potenciais já são considerados. “No caso do café, isso poderia representar um desafio potencial para o desenvolvimento da safra 26/27 em áreas produtoras importantes, como a América Central e do Sul, o Sudeste Asiático e a África Oriental”, afirma Laleska Moda. “Períodos prolongados de calor também podem prejudicar o desenvolvimento da planta”, completa.

Na América Central, o fenômeno tende a provocar temperaturas mais altas e redução das chuvas, especialmente entre julho e agosto, período relevante para o desenvolvimento dos frutos. Na Colômbia, há risco de alterações no regime de precipitação, com impacto tanto na safra principal quanto na intermediária.

Na África Oriental, os efeitos variam conforme a região. Na Etiópia, há possibilidade de redução das chuvas em parte do ciclo, seguida por excesso hídrico na colheita. Em Uganda, o padrão costuma ser de precipitações acima da média, elevando o risco de eventos extremos. Já no Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno pode provocar condições mais quentes e secas, com impacto sobre as safras futuras.

No Brasil, a expectativa inicial é de redução do risco de geadas no inverno de 2026. Por outro lado, aumentam as preocupações com o desenvolvimento da safra 2027/28, diante de temperaturas mais elevadas durante fases como floração e enchimento dos grãos, além de possíveis mudanças no regime de chuvas.

Apesar da previsão de uma safra elevada no ciclo 2026/27, o cenário climático pode influenciar o comportamento dos preços. “Os possíveis impactos do El Niño poderiam limitar correções mais profundas do mercado no final do ano”, afirma Laleska Moda.





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Diesel do agro acumula alta de mais de 21% no ano, aponta Fipe


diesel combustivel - icms
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os preços médios dos combustíveis voltaram a subir em abril nos postos de todo o país, segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O destaque ficou com o diesel, que manteve a liderança nas maiores altas do mês.

O aumento ocorre após a forte escalada observada em março e reflete tanto a instabilidade no mercado internacional de petróleo, em meio ao conflito no Oriente Médio, quanto ajustes de oferta no mercado interno.

Diesel puxa alta mensal

Na comparação com março, o diesel comum subiu 6,2%, a maior variação entre os combustíveis monitorados, seguido pelo diesel S-10, com avanço de 5,3%. Também registraram elevação:

  • Gasolina comum: +3,0%
  • Gasolina aditivada: +2,8%
  • GNV: +1,2%
  • Etanol hidratado: +0,4%

Os preços médios nacionais em abril ficaram em:

  • Diesel S-10: R$ 7,504
  • Diesel comum: R$ 7,428
  • Gasolina aditivada: R$ 6,979
  • Gasolina comum: R$ 6,836
  • Etanol hidratado: R$ 4,768
  • GNV: R$ 4,572

Alta perde força, mas diesel segue pressionado

Apesar da elevação no fechamento mensal, os dados semanais mostram perda de fôlego nos preços ao longo de abril. O diesel S-10 atingiu o pico em R$ 7,62 por litro na última semana de março, enquanto o etanol chegou a R$ 4,80 e a gasolina comum atingiu o máximo de R$ 6,70 na primeira semana de abril. Depois desses picos, os três combustíveis mais consumidos do país apresentaram leve acomodação.

Acumulado do ano mostra diesel em alta

No acumulado de 2026 até abril, o diesel mantém as maiores altas:

  • Diesel S-10: +21,4%
  • Diesel comum: +21,3%
  • Gasolina comum: +8,9%
  • Gasolina aditivada: +8,6%
  • Etanol hidratado: +6,5%
  • GNV: -1,6%

Segundo o Monitor, abril foi marcado por uma combinação de alívio parcial na oferta e pressões acumuladas ao consumidor. O reforço da Petrobras na oferta de diesel S-10 e gasolina, além de medidas federais de subvenção e alívio tributário, ajudou a conter novos aumentos, mas repasses anteriores ainda influenciaram as médias mensais.

Alta se espalha entre os combustíveis

A pressão de custos não ficou restrita ao diesel. As gasolinas comum e aditivada também subiram, indicando uma disseminação da alta entre derivados do petróleo. O etanol teve variação mais moderada, ganhando competitividade em alguns mercados, enquanto o GNV registrou comportamento misto: alta no mês, mas queda no acumulado do ano e nos últimos 12 meses.

Estados com maiores preços

Gasolina comum (R$/litro)

  1. Roraima – R$ 8,075
  2. Acre – R$ 7,671
  3. Rondônia – R$ 7,455
  4. Bahia – R$ 7,436
  5. Sergipe – R$ 7,397

Etanol hidratado (R$/litro)

  1. Rondônia – R$ 5,694
  2. Pernambuco – R$ 5,668
  3. Rio Grande do Norte – R$ 5,658
  4. Ceará – R$ 5,599
  5. Sergipe – R$ 5,582

Diesel S-10 (R$/litro)

  1. Acre – R$ 8,645
  2. Bahia – R$ 8,119
  3. Roraima – R$ 7,880
  4. Piauí – R$ 7,780
  5. Pará – R$ 7,771

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Semiconfinamento: dieta simples pode elevar ganho e poupar pasto; entenda


Foto: Reprodução.
Foto: Reprodução.

O programa Giro do Boi desta semana trouxe orientações valiosas para o produtor Carlos Alberto Nascimento, de Conceição do Coité (BA), que está iniciando seu projeto de semiconfinamento com trinta cabeças de gado Nelore.

O zootecnista Josmar Almeida, da Gerente de Pasto, destaca que a estratégia é ideal para este momento de transição, onde o pasto começa a perder qualidade nutricional. A grande vantagem é que uma formulação simples no cocho não serve apenas para engordar o animal, mas funciona como uma ferramenta de gestão para esticar a vida útil das pastagens de Capim Buffel e Urochloa durante a seca.

Confira:

Dieta simples e eficiente

Para quem está começando, Josmar Almeida sugere que a “dieta simples” seja baseada na disponibilidade regional de insumos, garantindo o aporte necessário para o rúmen não parar. Como as gramíneas perdem valor proteico no outono, a ração deve ter entre dezoito por cento e vinte por cento de Proteína Bruta (PB). Isso mantém os microrganismos do rúmen ativos para digerir a fibra do pasto seco.

A combinação de milho (energia) com DDG ou farelo de soja (proteína) e um núcleo mineral de qualidade é o arroz com feijão que funciona. Com trinta animais, muitas vezes é mais vantajoso adquirir a ração pronta de fábricas idôneas para garantir a mistura homogênea dos micronutrientes do que tentar bater o trato na fazenda.

Efeito substituição e manejo

Um dos segredos do semiconfinamento que poucos produtores dominam é o efeito substituição. Quanto mais concentrado o animal ingere, menos capim ele consome. Josmar alerta que o termo “semiconfinamento” não significa que o pasto é secundário. Pelo contrário, pelo menos cinquenta por cento da dieta (em matéria seca) ainda deve vir da gramínea.

Use a ração para potencializar o ganho, mas não descure do manejo do seu capim. O semiconfinamento bem feito é aquele em que o cocho e o pasto trabalham juntos para entregar um animal pesado no menor tempo possível, protegendo a sua reserva de forragem para os meses mais críticos.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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descarbonização e combustíveis verdes pautam o maior debate


Na próxima quinta-feira (30/), Santa Rosa (RS) recebe o Fenasoja Soy Summit — Carbono Zero, evento que antecede a abertura da Feira Nacional da Soja e propõe, em um único dia, conectar a soja brasileira ao mundo. O Soy Summit já surge como referência em grandes debates. O evento ocorre no Centro Cívico Cultural de Santa Rosa, das 8h às 17h, e reúne autoridades, cientistas e executivos para debater os rumos da cadeia produtiva em cinco eixos: visão internacional, clima e gestão, ambiente de negócios, ciência e produção e mercados.

Entre as presenças confirmadas estão Paulo Herrmann, Luiz Carlos Molion, Erasmo Battistella (B&8), Daniel Carnio Costa, Renato Buranello, Luciano Schwerz (Emater/RS-Ascar), Júnior Rosa de Almeida (Camera), Tiago Maique (Bayer), Tiago Carpenedo (IEE — Instituto de Estudos Empresariais do Rio Grande do Sul) e Jerônimo Georgen, embaixador do Soy Summit.

O recorte “Carbono Zero” no título do evento não é apenas uma escolha temática, é um posicionamento. Em 2026, a descarbonização deixou de ser pauta ambiental para se tornar condição de acesso a mercados. Regulações como o CBAM europeu e as crescentes exigências de rastreabilidade nas cadeias globais de alimentos colocam produtores e exportadores diante de uma realidade sem retorno: quem não souber medir, reduzir e comunicar sua pegada de carbono ficará fora das melhores rotas comerciais. O Brasil chega a essa conversa com vantagens reais — e o Soy Summit é o espaço para torná-las estratégia.

A agricultura é, ao mesmo tempo, um dos setores mais vulneráveis às mudanças climáticas e um dos que mais têm a ganhar com a transição energética. Os combustíveis verdes, a exemplo do etanol de cana e de milho, biodiesel de soja, SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o biogás gerado a partir de resíduos agrícolas, representam hoje uma das fronteiras mais promissoras dessa transformação. Para a soja brasileira, esse cenário é especialmente relevante: o grão que alimenta o mundo também pode mover o mundo, e a cadeia produtiva já começa a capturar esse valor.

É nesse contexto que ganha centralidade a participação de Erasmo Battistella (B&8), que apresentará “Soja Além do Grão: Desenvolvimento, Energia e Agregação de Valor”. A proposta é direta: mostrar como a soja pode ser vetor de descarbonização do transporte, da indústria e da própria agricultura, conectando o campo brasileiro à demanda global por energia limpa. O uso de máquinas agrícolas movidas a combustíveis renováveis, a eletrificação progressiva das operações de campo e a geração de energia a partir de resíduos da produção são caminhos que deixaram de ser experimentais para se tornarem economicamente viáveis e competitivos.

A agenda inclui ainda a participação de Tiago Maique (Bayer) e Tiago Carpenedo (IEE — Instituto de Estudos Empresariais do Rio Grande do Sul), que integrarão os painéis temáticos do evento, reforçando a convergência entre inovação agrícola, tecnologia e transição energética. A presença de perfis tão diversos — do direito ambiental à meteorologia, da agronomia às finanças — reflete a complexidade do desafio: descarbonizar a produção de soja exige respostas que nenhuma área isolada consegue dar.

Na mesma data, Santa Rosa entrega o Troféu Berço Nacional da Soja a personalidades ligadas à expansão da cultura no País. “A Fenasoja é, acima de tudo, a feira que representa o grão que transformou o Rio Grande do Sul e o Brasil — símbolo de desenvolvimento e prosperidade”, disse Marcos Eduardo Servat, presidente da Fenasoja 2026.

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, com embarques superiores a 100 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo a Conab. Os mais de 350 mil visitantes esperados na Fenasoja, de 1º a 10 de maio, terão acesso a mais de 600 expositores, eventos técnicos, palestras, shows e programação cultural ao longo de 10 dias. A entrada é gratuita para pedestres, viabilizada por parceria com o Sicredi União RS/ES. A programação completa da feira acontece no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa (RS).





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