domingo, julho 5, 2026

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Câmbio e custos desafiam o agro



O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos


O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos
O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos – Foto: Divulgação

O agronegócio brasileiro entra em 2026 sob pressão externa e interna, com efeitos sobre câmbio, custos e commodities. Segundo o relatório Brazil agribusiness quarterly Q1 2026, do Rabobank, o câmbio deve chegar a R$ 5,55 por dólar ao fim do ano, influenciado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais e eleitorais.

Mesmo com o início de cortes nos juros, o banco avalia que as taxas locais elevadas devem oferecer algum suporte ao real. Ainda assim, a volatilidade segue no radar do setor.

O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos. A região responde por 7% das exportações agrícolas brasileiras, com destaque para frango, carne bovina, açúcar, milho e soja. A instabilidade já elevou combustíveis e fertilizantes, pressionando custos.

Nos insumos, o impacto é mais visível nos fertilizantes nitrogenados, segundo o que informou o relatório do Rabobak. O fósforo também começa a mostrar sinais de pressão e pode afetar compras dos produtores. O clima preocupa. Chuvas acima da média prejudicaram a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho. Para o segundo semestre, as condições devem favorecer um El Niño.

No setor sucroenergético, a tensão impulsionou os preços do açúcar em Nova York e criou oportunidade de hedge para usinas. Até agora, a gasolina local subiu de forma modesta ante os movimentos internacionais.

Na soja, os preços em Chicago são sustentados por fatores geopolíticos, mas fundamentos globais mais fracos, oferta brasileira recorde e alta dos custos logísticos indicam que a alta pode perder força. As informações foram divulgadas nesta semana.

 





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Novo método com uso de luz promete revolucionar análise de solos e reduzir custos no agro


Amostras dos ciclos de umedecimento e secagem sendo preparadas para o equilíbrio hídrico e ensaio de resistência à penetração
Foto: Ana Maria Vieira da Silva / Embrapa

Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, resultou em patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A tecnologia utiliza espectroscopia de reflectância, técnica baseada na interação da luz com o solo, combinada a ciclos de umedecimento e secagem, permitindo diagnósticos mais rápidos e com menor custo.

O método foi desenvolvido no âmbito de pesquisa liderada pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, com orientação do professor Raul Shiso Toma e participação do pesquisador Luiz Eduardo Vicente.

A inovação está na forma de preparação das amostras. Diferentemente dos métodos tradicionais, que utilizam solo seco e peneirado, a nova abordagem simula condições naturais ao submeter o material a ciclos de umedecimento e secagem antes da análise espectral.

Esse procedimento permite gerar dados mais representativos sobre a composição físico-química do solo, especialmente em relação a componentes como argilas e substâncias amorfas, associados ao caráter coeso.

Além disso, o uso da luz como principal insumo dispensa parte das análises químicas convencionais, que costumam ser mais lentas, caras e geradoras de resíduos laboratoriais.

Aplicação pode avançar do laboratório para o campo

Inicialmente voltado à pesquisa científica, o método tem potencial para ser aplicado em condições de campo e em estufas, permitindo análises mais rápidas e acessíveis para experimentos agrícolas.

A tecnologia também pode contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas ao manejo de solos, como condicionadores, biochars e hidrogéis, que ajudam a reduzir a resistência do solo e melhorar seu desempenho produtivo.

Solos coesos limitam produtividade agrícola

O caráter coeso do solo é definido pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e está associado a camadas endurecidas abaixo da superfície. Essas condições dificultam o crescimento das raízes, reduzem a infiltração de água e limitam a circulação de oxigênio.

Esse tipo de solo é comum em diversas regiões do país, com maior concentração nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro e que possui relevância para a produção agrícola e logística.

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, a análise e o manejo adequado desses solos são fundamentais para melhorar a produtividade e garantir sistemas agrícolas mais sustentáveis.

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a história da primeira semente comercial de soja desenvolvida para o Brasil


Há histórias que começam pequenas e terminam imensuráveis. A da cultivar Santa Rosa é uma delas. Lançada em 1966 durante a 1ª Fenasoja, em Santa Rosa (RS), a variedade foi a primeira soja genuinamente brasileira de importância comercial — o ponto de partida científico de uma cadeia produtiva que hoje responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e coloca o Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja. Em 2026, a cultivar e a feira que a apresentou ao mundo chegam juntas ao seu 60º aniversário.

A soja chegou ao noroeste gaúcho pelas mãos do pastor norte-americano Albert Lehenbauer, em 1914, num momento em que a região vivia em condições de extrema pobreza. Os colonos descendentes de imigrantes europeus que ali se estabeleceram não tinham recursos, não tinham mercado e mal tinham o que colocar na mesa. O grão que Lehenbauer trouxe não chegou como commodity — chegou como resposta a uma necessidade urgente.

Os colonos o plantavam para comer e para alimentar os animais que sustentavam a família, especialmente os suínos. Não havia indústria processadora, não havia logística, não havia garantia de nada. Havia fome, terra e uma semente desconhecida. Dessa combinação improvável nasceu o maior polo produtor de suínos do Brasil — e o berço do agronegócio nacional.

Em 1941, Santa Rosa recebeu a primeira indústria processadora de soja do país. Não foi coincidência — foi consequência de décadas de pioneirismo forjado na adversidade. A soja que entrou pela porta dos fundos, como alimento de subsistência e ração de porco, saiu pela porta da frente como o grão que alimentaria o mundo.

O dia em que o Brasil parou de depender da semente estrangeira

Até os anos 1960, cultivar soja no Brasil significava depender de variedades norte-americanas desenvolvidas para condições climáticas distintas das brasileiras. A adaptação era parcial e a produtividade, irregular. Foi no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) que a história começou a mudar.

Em 1952, com a orientação do melhorista norte-americano Dr. Leonard F. Williams, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, e do pesquisador Dr. Shiro Miyasaka, foi estruturado um novo programa de melhoramento de soja no IAC. Um ano depois, em 1953, os dois realizaram o cruzamento entre as linhagens D 49-772 e La 41-1219 — ambas de origem americana — dando origem ao material genético que se tornaria a cultivar Santa Rosa.

A linhagem resultante, identificada como L-326, foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Secretaria de Agricultura do Estado e passou por testes em área experimental em Júlio de Castilhos. Em 1964/65, foi iniciada a multiplicação, com apenas 2 quilos de semente plantados. Foi Juarez Guterres, técnico agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, que reconheceu o potencial daquele material, trouxe-o para os campos experimentais de Santa Rosa e conduziu os ensaios que confirmaram o que o campo já sinalizava.

Em 1966, a cultivar foi lançada oficialmente na 1ª Fenasoja — batizada com o nome da cidade que havia apostado na soja antes de qualquer outro lugar no Brasil. Em 1967, após treinamento nos Estados Unidos, o Dr. Romeu Kiihl reestruturou o programa de melhoramento de soja do IAC com foco na adaptação a baixas latitudes — e os primeiros melhoristas da Embrapa Soja, criada em 1975, saíram diretamente desse mesmo programa.

Uma cultivar que conhecia a terra em que pisava

A Santa Rosa não era apenas uma variedade nova. Era uma declaração. De ciclo tardio e altura de planta de 91 centímetros — contra os 65 centímetros da Bragg, cultivar americana mais utilizada na época —, combinava rusticidade com boa produtividade. Suas características a tornaram a cultivar mais adotada por agricultores de pequenas propriedades, inclusive em consórcio com milho — modalidade fundamental para a agricultura familiar da época.

Foi amplamente cultivada em todo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais desde o final dos anos 1960. No Rio Grande do Sul, foi a cultivar mais plantada nos últimos anos da década de 1960 e nos primeiros da de 1970, representando 39,3% de toda a semente fiscalizada produzida no estado em 1972/73.

Entre 1969 e 2001, foram produzidos no Rio Grande do Sul 9.381.424 sacos de 50 kg de semente fiscalizada da Santa Rosa. Figurou entre as cultivares recomendadas até 1993/94. Para os produtores gaúchos que a plantaram pela primeira vez, a diferença era visível a olho nu: a lavoura respondia, crescia no tempo certo e entregava o que prometia. Indubitavelmente, a Santa Rosa integra, ao lado das cultivares Amarela Comum, Bragg, IAS 5, BR-4 e BR-16, o grupo das cultivares mais importantes de todos os tempos para a soja no Rio Grande do Sul.

A mãe de todas as cultivares que vieram depois

O impacto foi imediato na lavoura e definitivo na ciência. A Santa Rosa tornou-se a matriz genética do melhoramento brasileiro — material parental para as cultivares que vieram depois. A Embrapa, criada em 1975, herdou essa base e a multiplicou: em 25 anos de pesquisa, desenvolveu 159 cultivares que possibilitaram o plantio da soja em 13 estados brasileiros.

Cada geração de variedades carregou no código genético a herança da Santa Rosa — mais produtividade, mais resistência, mais adaptação. As cultivares de hoje combinam alta produtividade, estabilidade e alcance regional que seria impossível imaginar sem a base que 1966 estabeleceu.

A família que voltava para buscar a semente

A família Daltrozo ilustra em movimento o que a variedade Santa Rosa representou em escala nacional. Nos anos 1970, os irmãos Osvaldo, Wilson, Luiz Carlos e Darci saíram de Cruz Alta — a 141 quilômetros de Santa Rosa — levando consigo sementes e determinação. Foram pioneiros na produção de soja em Primavera do Leste, no Mato Grosso, hoje um dos principais municípios produtores do país.

Assim como a família Daltrozo levou a semente para o centro-oeste diversas famílias de produtores percorriam centenas de quilômetros de volta a Santa Rosa para buscar as sementes que plantariam na safra seguinte. Santa Rosa não era apenas o ponto de partida — era o abastecedor, a referência, o elo que conectava o Cerrado ao berço da soja brasileira. Cinco décadas depois, Lucas Daltrozo, neto de Wilson, segue cultivando soja na mesma terra que a família desbravou — e carrega na memória o peso daquele gesto.

“A família seguiu o legado de resiliência que levou a cultivar Santa Rosa àquela região, e de outras pessoas que abriram fronteiras agrícolas e contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior produtor de soja do mundo”, lembra Lucas Daltrozo, neto de Wilson Daltrozo, produtor rural em Primavera do Leste (MT).

A feira que nasceu junto com a semente e cresceu com ela

A Fenasoja nasceu no mesmo ano e pelo mesmo motivo: dar à soja um espaço formal onde ciência, mercado e produtor pudessem se encontrar. Era pequena, regional, cabia em um único pavilhão. Sessenta anos depois, é um dos maiores eventos do agronegócio nacional — centenas de expositores, público de todo o

Brasil e de países vizinhos, lançamentos de genética, maquinário e insumos, e bilhões de reais em negócios a cada edição.

A trajetória da feira e a da cultivar são a mesma história contada em dois formatos: a de um estado que acreditou no grão antes de qualquer outro lugar no país e que, por isso, tornou-se o ponto de partida de tudo que viria depois. “O Rio Grande do Sul foi o único estado no Brasil que teve coragem de plantar soja quando ninguém sabia o que ela poderia se tornar. A Santa Rosa é o símbolo disso. Ela nasceu aqui, cresceu aqui e foi daqui que o Brasil aprendeu a cultivar o grão que hoje alimenta o mundo. Sessenta anos depois, comemorar a Santa Rosa na Fenasoja é reconhecer que essa história não começou nos cerrados, não começou nas grandes fazendas — começou no noroeste gaúcho, nas mãos de colonos que plantaram com fome e colheram com esperança.” Comemora Marcos Servat, presidente da Fenasoja.

“A Santa Rosa é uma das cultivares mais importantes para o desenvolvimento da soja como cultura nacional. Ela foi desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas a partir do cruzamento de duas variedades norte-americanas, mas foi no Rio Grande do Sul que encontrou sua vocação — e foi de lá que ajudou a construir o legado que o Brasil carrega até hoje como maior produtor mundial de soja. Quando você olha para a história do melhoramento genético no Brasil, os primeiros melhoristas da Embrapa saíram do IAC. O fio que conecta a Santa Rosa ao que o Brasil é hoje no agronegócio é direto, e ele passa por Santa Rosa”, avalia Mônica Zavaglia, pesquisadora da Embrapa Soja.

De 206 mil para 179 milhões de toneladas: o tamanho do que foi plantado em 1966

O Brasil produzia 206 mil toneladas de soja em 1960. Na safra 2025/26, a projeção da Conab é de 179,2 milhões de toneladas. Com os avanços genéticos que a Santa Rosa inaugurou, a produtividade média das lavouras brasileiras saltou de mil para quatro mil quilos por hectare. O complexo soja — grão, farelo e óleo — responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e é o principal produto de exportação do agronegócio nacional.

Santa Rosa, a cidade que registrou o primeiro cultivo comercial em 1914, que recebeu a primeira indústria processadora do país em 1941, que batizou a primeira cultivar genuinamente brasileira em 1966 e que sedia a Fenasoja há seis décadas, é o ponto de partida de toda essa história. A soja que começou como ração de suíno no noroeste gaúcho hoje alimenta bilhões de pessoas em quatro continentes. O grão que era administrado nos cochos dos colonos virou o maior ativo do agronegócio brasileiro. E tem endereço de origem. Chama-se Santa Rosa.





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Custo do leite sobe com alta dos insumos



Leite perde poder de compra frente ao milho no Paraná



Foto: Divulgação

O Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, apontou no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (30) aumento na pressão dos custos de produção sobre a atividade leiteira no Paraná. Segundo o relatório, a nutrição do rebanho segue como principal componente de custo, e a relação de troca entre litros de leite e saca de milho é utilizada como referência para medir essa variação.

De acordo com o Deral, em março de 2025, com o litro do leite a R$ 2,81, eram necessários 27,7 litros para adquirir uma saca de milho ao valor de R$ 77,90. Na média do mês mais recente, essa relação passou para 29,4 litros por saca, indicando elevação no custo. O impacto se torna mais evidente quando comparado ao farelo de soja, outro insumo relevante na alimentação animal. Nesse caso, a relação passou de 697 litros por tonelada, em março de 2025, para 868 litros por tonelada no período atual.

O boletim também destaca o avanço das importações de lácteos como fator que influencia o mercado interno. Conforme o Deral, o volume importado cresceu cerca de 26% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com os queijos respondendo por aproximadamente 40% do total.

Em relação ao leite em pó, o documento aponta aumento nas compras externas, mesmo após medidas adotadas para restringir a entrada do produto. Segundo o Deral, em março deste ano a importação do item registrou crescimento de 71% na comparação com o mesmo mês de 2025.





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Itália traz para o Brasil, a partir do dia 12 de maio, 32 empresas e mais de 62 milhões de garrafas em portfólio


Começa na próxima terça-feira, 12 de maio, a Wine South America 2026, que receberá uma das mais expressivas representações italianas já organizadas no Brasil. Reunidas em um Pavilhão, 32 empresas provenientes de 14 regiões da Itália desembarcam em Bento Gonçalves (RS) para apresentar um destacado panorama da produção enológica do país, com uma produção de mais de 62 milhões de garrafas anuais. A participação do país europeu é organizada pela ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil | Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália.

O grupo — composto por vinícolas, consórcios de tutela e estruturas comerciais especializadas em exportação — abrange desde realidades artesanais, com produções a partir de 35 mil garrafas, até grandes grupos industriais e cooperativos que ultrapassam 20 milhões de unidades por ano, oferecendo aos importadores, distribuidores e formadores de opinião brasileiros um retrato fiel da diversidade que caracteriza o vinho italiano contemporâneo.

A delegação contempla algumas das principais áreas vitivinícolas da península, com destaque para Vêneto, Toscana, Campânia, Piemonte, Lombardia, Úmbria e Friuli Venezia Giulia, além de presenças relevantes de Marche, Sicília, Emília-Romagna, Abruzzo, Trentino-Alto Ádige e Puglia.

As empresas trabalham com as reconhecidos denominações DOC e DOCG do país — de Chianti Classico, Valpolicella e Bardolino a Franciacorta, Prosecco, Verdicchio di Matelica, Marsala, Montefalco Sagrantino e Alto Adige — e oferecem um portfólio que combina castas autóctones (Sangiovese, Aglianico, Nero d’Avola, Glera, Corvina, Lambrusco, Grechetto, Pinot Noir e Gewürztraminer, entre outras) e variedades internacionais. A oferta cobre integralmente o espectro de tipologias, dos tintos estruturados aos brancos minerais, passando por rosés, espumantes Método Clássico e Charmat, passitos e vinhos doces, em uma faixa de preços que se estende do segmento de entrada ao ultra-premium.

De forte vocação exportadora, o grupo já mantém presença consolidada nos principais mercados internacionais — Estados Unidos, Japão, Reino Unido, China, Suíça, Alemanha, Canadá, Bélgica, Holanda e países escandinavos — e enxerga o Brasil como destino estratégico para os próximos anos.

Tradição familiar centenária, conduzida em muitos casos por dinastias com diversas gerações no setor, convive com projetos contemporâneos, certificações orgânicas e protocolos de sustentabilidade como o SQNPI. Integram ainda o grupo o Consorzio Vini Mantovani, entidade de tutela que reúne mais de 1.700 hectares e 22 produtores associados, e estruturas comerciais especializadas em importação e distribuição, configurando um ecossistema plural e altamente complementar, pronto para ampliar parcerias com o trade brasileiro.





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Bioinsumos: quando a inovação avança mais rápido que a regulação


bioinsumos on farm
Foto: Embrapa

Minha formação em Direito e minha trajetória como advogada me levaram a compreender, ao longo dos anos, que as demandas da sociedade frequentemente avançam em ritmo distinto — e, não raras vezes, mais acelerado — do que a legislação.

Não é incomum que a lei já nasça tensionada pela realidade que busca disciplinar, encontrando dificuldades para alcançar plena efetividade no momento de sua implementação.

Em um contexto em que a tecnologia ganha espaço de forma exponencial e a inovação segue em ritmo acelerado, quase como uma nova revolução industrial, a ausência de regulamentação de matérias longamente debatidas e já aprovadas no Congresso Nacional pode se traduzir em perda de competitividade, redução de capacidade produtiva e limitação ao acesso a novas soluções. É nesse cenário que se insere o debate sobre os bioinsumos.

Promulgada em 2024, a Lei nº 15.070, que estabelece o marco legal dos bioinsumos no Brasil, ainda depende de regulamentação pelo Poder Executivo. A expectativa é que o decreto regulamentador seja editado em breve pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Mais do que um desdobramento formal, essa etapa é condição indispensável para a efetiva aplicação da norma.

É na regulamentação que se definem critérios, procedimentos e responsabilidades, elementos que conferem operacionalidade à lei, reduzindo incertezas e proporcionando segurança jurídica. Esse ponto ganha relevância adicional porque é justamente na fase de implementação que emergem desafios práticos, lacunas e ajustes necessários.

Sem esse detalhamento, a lei tende a permanecer como mera diretriz e não como instrumento efetivo. Os bioinsumos estiveram entre as principais agendas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ao lado de temas como autocontrole, pesticidas e licenciamento ambiental. Enquanto algumas dessas pautas já avançaram em termos de regulamentação, outras ainda enfrentam um percurso mais longo até sua plena efetivação , o que reforça um padrão no ambiente regulatório brasileiro.

De forma geral, conforme previsto na Lei nº 15.070/2024, bioinsumos compreendem produtos, processos ou tecnologias de origem natural ou biotecnológica aplicados à produção agropecuária, com atuação sobre plantas, animais, microrganismos e o solo. Representam, portanto, mais uma alternativa para o produtor, ampliando o leque de ferramentas para a produção em um contexto marcado por instabilidades geopolíticas, pressões climáticas e exigências crescentes de mercado.

É justamente nesse contexto que a regulamentação se torna ainda mais necessária. A previsibilidade regulatória é elemento central para a tomada de decisão — tanto para o produtor quanto para investidores. A ausência de regras claras tende a postergar investimentos, limitar a inovação e gerar insegurança quanto ao uso dessas tecnologias.

Um exemplo emblemático é a produção “on farm”, tema que mobilizou intensos debates durante a tramitação do marco legal no Congresso Nacional. A ausência de parâmetros claros pode acarretar riscos de natureza ambiental, sanitária e até concorrencial, evidenciando a importância de uma regulamentação clara e responsável, que seja capaz de mitigar riscos sem inviabilizar avanços.

Diante desse cenário, o ponto central reside em garantir que as diferentes ferramentas disponíveis ao produtor estejam inseridas em um ambiente regulatório claro, estável e previsível. A regulamentação do marco legal dos bioinsumos, portanto, vai além de mera formalidade: trata-se de um passo fundamental para transformar potencial em realidade, com responsabilidade, segurança jurídica e coerência institucional.

Karina Tiezzi - BMJ Consultores

*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Campanha de atualização de rebanhos começa em São Paulo na próxima semana


Na próxima segunda-feira, dia 11 de maio, inicia no estado de São Paulo a campanha de atualização de rebanhos do primeiro semestre. A medida é obrigatória após a retirada da vacinação contra a febre fitose em 2023.

Os produtores rurais devem atualizar seus rebanhos junto ao sistema de gestão de defesa animal e vegetal (GEDAV) até o dia 14 de junho. A defesa agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, informa que a declaração deve incluir todas as espécies presentes nas propriedades.

Espécies a serem declaradas

  • Bovinos
  • Búfalos
  • Equinos
  • Assininos
  • Moares
  • Suínos
  • Ovinos
  • Caprinos
  • Aves
  • Peixes
  • Animais aquáticos
  • Colmeias de abelhas
  • Bicho da seda

A não declaração pode acarretar o bloqueio da movimentação dos animais e inviabilizar a emissão da guia de trânsito animal, além de possíveis sanções administrativas.

A declaração pode ser feita no sistema GEDAV ou pessoalmente em uma das unidades de defesa agropecuária. Para mais informações sobre os endereços, acesse o site da defesa agropecuária.

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Acordo Mercosul-UE pode levar até 10 anos para redução tarifária


O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado após mais de duas décadas de negociações, promete transformar a dinâmica comercial entre os dois blocos. A redução das tarifas será gradual e pode levar até 10 anos, dependendo do produto.

Impactos econômicos

A APEX Brasil estima que o acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de 7 bilhões de dólares, além de diversificar os produtos vendidos ao exterior. O tratado é considerado um marco para o Brasil, especialmente para o setor agropecuário, que é o maior exportador líquido de alimentos do mundo.

Detalhes do acordo

  • O Mercosul, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, deverá zerar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos.
  • A União Europeia prevê eliminar tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo Mercosul em até 10 anos.
  • O acordo integra um mercado de 720 milhões de pessoas, com um PIB combinado de 22 trilhões de dólares.

Desafios e adaptações

Embora o agronegócio seja um dos principais beneficiados, o acordo também pode aumentar a pressão sobre setores industriais que enfrentarão maior concorrência de produtos europeus. A próxima etapa envolve a análise do texto e eventuais questionamentos jurídicos nas instituições europeias, além da aprovação por parlamentos na Europa.

O Brasil já aprovou o acordo, que permitirá ajustes ao longo do tempo, mas exigirá adaptações do agronegócio e da indústria às novas exigências ambientais e comerciais.

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Câmara dos Deputados avança na análise da PEC sobre jornada 6×1


A Câmara dos Deputados inicia amanhã uma série de sessões deliberativas com o objetivo de acelerar o rito da comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da jornada de trabalho 6×1. Essa jornada consiste em seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga.

Reunião convocada

O presidente da Câmara, Hugo Mota, convocou uma reunião em plenário para avançar com a contagem das 10 sessões necessárias para a apresentação de emendas à proposta. Após esse prazo, o relator da PEC, deputado Léo Prates, poderá apresentar seu parecer na comissão especial e solicitar que a matéria seja pautada.

Dados sobre a jornada 6×1

  • Apenas cerca de 30% da mão de obra do Brasil trabalha na escala 6×1.
  • A média salarial de quem trabalha 40 horas semanais é de aproximadamente R$ 6.200.
  • A média salarial de quem trabalha 44 horas semanais é de cerca de R$ 2.600.

Desafios da produtividade

O relator da proposta destacou que a alta carga horária no Brasil, que é uma das mais elevadas do mundo, contrasta com a baixa produtividade. A discussão sobre a jornada de trabalho busca não apenas melhorar as condições laborais, mas também aumentar a eficiência no mercado de trabalho.

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Produtores de Mato Grosso cortam custos após perdas na safra de soja


Produtores de Mato Grosso enfrentam um cenário desafiador após perdas significativas na safra de soja, que chegam a 30% em algumas propriedades. A alta dos custos com diesel e fertilizantes, somada às adversidades climáticas, tem levado os agricultores a reduzir investimentos e a adotar medidas para equilibrar suas contas na próxima safra.

Impactos das perdas na safra

A colheita da soja já foi realizada, mas os produtores ainda lidam com a frustração de resultados abaixo do esperado. As perdas são atribuídas a:

  • Excesso de chuvas
  • Problemas fitossanitários
  • Queda na média de produção, com 9 sacas a menos por hectare

Em Boa Esperança do Norte, agricultores relatam perdas de 25% a 30% na colheita, com investimentos altos que não se refletiram em resultados satisfatórios.

Ajustes no planejamento agrícola

Com a rentabilidade em queda, os produtores estão ajustando seus planejamentos para a próxima safra. As estratégias incluem:

  • Controle do consumo de óleo diesel
  • Melhor aproveitamento dos insumos
  • Redução de investimentos em áreas menos produtivas

A expectativa é que o custo de produção aumente em cerca de 15%, o que exige uma reavaliação das práticas agrícolas e do uso de insumos.

Expectativas para o futuro

Os agricultores aguardam um posicionamento do governo sobre um novo plano safra, que deve considerar as dívidas acumuladas e oferecer subsídios para aliviar a pressão financeira sobre os produtores. A situação atual do agro é crítica, e a recuperação depende de ações efetivas para garantir a viabilidade da atividade agrícola no Brasil.

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