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Sinop acompanha os reflexos de uma safra estadual de soja marcada por produtividade elevada em Mato Grosso. O levantamento da Aprosoja MT e do Imea confirmou produção estimada em 51,56 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.
Como cidade-polo do norte mato-grossense, Sinop está diretamente ligada à dinâmica da oleaginosa. A região concentra produtores, revendas, armazéns, transportadoras e empresas de apoio técnico.
O levantamento de campo percorreu todas as regiões do estado, com mais de 34 mil quilômetros vistoriados. A metodologia buscou reunir informações diretamente nas lavouras para reduzir incertezas sobre produtividade e qualidade.
O bom desempenho produtivo não elimina pontos de atenção. O Imea identificou desafios climáticos ao longo do ciclo, incluindo déficit hídrico no início do plantio e chuvas em excesso na fase final.
A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) desenvolveu uma tecnologia que pode promover uma economia de até 7% no custo de alimentação das tilápias cultivadas em tanques-rede. Esse é o principal resultado da pesquisa que está sendo divulgada por meio do novo Comunicado Técnico, já disponível gratuitamente. O estudo valida, para o Tocantins, uma tabela de alimentação específica para a tilápia-do-nilo criada em tanques-rede — condição predominante na piscicultura do estado. O lançamento oficial da tecnologia será na Agrotins, próxima quinta-feira (14), 10h, durante a VII Reunião Técnica – Produção de Peixes em Tanques-Rede nos Reservatórios do Tocantins. O evento acontecerá no Pavilhão da Pesca e Aquicultura.
“É uma tecnologia que valida, pela primeira vez para as condições do Tocantins, uma tabela de alimentação específica para a engorda da tilápia em tanques-rede. Até então, os produtores utilizavam tabelas desenvolvidas para outras regiões, como os reservatórios de Serra da Mesa e Cana Brava, em Goiás”, destaca a pesquisadora Ana Paula Oeda, líder da pesquisa.
A validação demonstrou que é possível reduzir em 10% a quantidade de ração fornecida, sem comprometer o crescimento, a sobrevivência e o rendimento de carcaça dos peixes. Além do aumento na eficiência de utilização de ração (insumo mais caro em uma piscicultura), há redução do impacto ambiental e aumento da rentabilidade da atividade. O documento também fortalece a cadeia produtiva da tilápia no Tocantins, oferecendo orientações práticas aos piscicultores sobre boas práticas de alimentação.
A ração representa até 80% dos custos na engorda de tilápias, e pequenos ajustes podem reduzir significativamente o gasto do produtor, sem comprometer o desempenho dos peixes.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que a tabela ainda precisa ser validada em outros estados. “A tecnologia pode ser aplicada em regiões com condições ambientais e sistemas produtivos semelhantes aos do Tocantins. No entanto, recomenda-se que a tabela seja ajustada e validada localmente, pois fatores como qualidade da água, manejo e densidade de estocagem podem influenciar o consumo e utilização da ração e o crescimento dos peixes”, ressalta.
Pesquisadores testaram, no reservatório de Lajeado, uma adaptação da tabela tradicionalmente usada na região de Serra da Mesa, comparando o manejo usual com outro que reduziu em 10% a taxa de alimentação semanal. Os resultados comprovaram que a redução não comprometeu o crescimento nem a conversão alimentar dos peixes. Mantendo-se o desempenho zootécnico, o manejo otimizado diminuiu o custo final de produção: um peixe que sairia por R$ 7,00/kg, com o novo protocolo, pode chegar a R$ 6,51/kg.
A tabela validada apresenta, semana a semana, as recomendações para produtores que trabalham com peixes entre 190 g e acima de 1 kg. O documento define número de refeições diárias (quatro), taxa de alimentação (baseada no percentual da biomassa), nível de proteína das rações (32%) e granulometria dos pellets (de 4–6 mm, passando para 6–8 mm conforme o crescimento). A publicação também traz exemplos práticos de cálculo da quantidade diária de ração a partir da biomassa do viveiro — facilitando a adoção do manejo proposto.
Nos estudos conduzidos pela Embrapa, os peixes passaram de 210 g para 936 g em 119 dias, com conversão alimentar média de 1,7 e taxa de sobrevivência de 97%. Esses indicadores reforçam a segurança técnica da tabela para as condições ambientais do Tocantins.
Segundo Oeda, não basta o produtor apenas adotar os dados da tabela para obter economia nas despesas com ração na criação de tilápias. “É fundamental também evitar sobras de ração nos tanques-rede; utilizar comedouros; fixar horários de alimentação; realizar biometrias periódicas para acompanhar o crescimento dos peixes e, por fim, armazenar a ração em condições adequadas”, ressalta a pesquisadora. Todas essas recomendações estão descritas no Comunicado Técnico.
Apesar de ter produzido apenas 700 toneladas de tilápia em 2024 — reflexo da recente regulamentação dos tanques-rede no estado — o Tocantins possui um enorme potencial: a capacidade de suporte estimada é de 290 mil toneladas por ano. A validação de uma tabela alimentar regionalizada representa um passo importante para impulsionar o setor, reduzindo custos e aumentando a competitividade dos produtores locais.
A segunda edição do Café com Negócios reuniu, na quarta-feira (6), pesquisadores, técnicos, gestores e estudantes para discutir a aplicação prática da Lei de Inovação nas Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs). O debate foi realizado no auditório da Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE), com participação do procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU), Tarcísio Bessa.
O encontro tratou dos mecanismos legais que permitem às ICTs ampliar a cooperação com empresas e gerar receitas com inovação. Entre os instrumentos citados estão contratos de licenciamento, cessão de direitos sobre criações e contratação com exclusividade, desde que observadas as regras previstas na legislação.
A Lei de Inovação foi instituída pela Lei nº 10.973/2004. Depois, o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio da Lei nº 13.243/2016 e do Decreto nº 9.283/2018, alterou regras para reduzir entraves administrativos e dar mais segurança jurídica às parcerias entre instituições públicas de pesquisa e o setor privado.
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Segundo Bessa, ainda há barreiras para que essas possibilidades sejam usadas de forma mais ampla. De acordo com o procurador federal da AGU, o desafio não é apenas jurídico, mas também institucional. “Ainda há desafios a serem vencidos, principalmente a questão cultural, traduzida no modo como muitas instituições públicas conduzem os processos de inovação”, afirmou.
Durante a palestra, ele também destacou a distância entre a produção científica e a chegada de produtos ao mercado. Nesse contexto, os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) foram apontados como estruturas centrais para gerir propriedade intelectual, coordenar parcerias, acompanhar contratos e administrar receitas de royalties.
A avaliação apresentada no evento é que NITs bem estruturados tendem a aumentar a eficiência da transferência de tecnologia, ao conectar pesquisadores, demandas produtivas e exigências legais. Na Embrapa Agroindústria Tropical, o núcleo está em processo de estruturação.
A discussão reforçou que o avanço da inovação nas ICTs depende da combinação entre instrumentos legais, organização institucional e interação com o setor privado. Sem essa base, a legislação tende a ter alcance limitado na transformação de pesquisa em tecnologia aplicada.
Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados apresentaram, na última quinta-feira (7), estratégias de manejo integrado da paisagem no Cerrado e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) a cerca de 60 participantes do Folur Livestock Sector Dialogue, em Brasília. O encontro ocorreu entre segunda-feira (5) e quinta-feira (8) e reuniu representantes de governos, instituições financeiras, setor privado e equipes técnicas de projetos internacionais.
O evento faz parte do Programa de Impacto nos Sistemas Alimentares, Uso da Terra e Restauração (Folur), plataforma global liderada pelo Banco Mundial e financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês). A iniciativa atua em 27 países e busca acelerar ações em cadeias de valor de oito commodities, entre elas pecuária, soja, milho, café e trigo.
Na apresentação sobre o Cerrado, o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados, detalhou ações de recuperação de áreas degradadas, recomposição de vegetação nativa e uso da plataforma WebAmbiente para diagnóstico, planejamento e monitoramento. Segundo ele, a proposta é integrar ciências de plantas, animais e recursos naturais para restaurar a funcionalidade do ecossistema agrícola e ampliar serviços ecossistêmicos, como regulação da água, conservação da biodiversidade e sequestro de carbono.
Na vitrine tecnológica da unidade, os pesquisadores Roberto Guimarães Jr., Karina Pulrolnik e Júlio Reis mostraram resultados de sistemas ILPF. De acordo com a Embrapa, esses modelos já são adotados em pelo menos 17 milhões de hectares no Brasil. Os estudos apresentados indicam ganhos em produtividade animal e de grãos, melhoria das condições físicas do solo, maior ciclagem de nutrientes, redução de pragas e melhor balanço de carbono.
Reis também apresentou análises econômicas de propriedades de Mato Grosso ao longo de sete anos. Os dados mostraram que sistemas integrados tiveram produtividade superior e maior retorno econômico, especialmente pela diversificação de produtos e pela inclusão do componente florestal.
Para Peter Umunay, líder temático global para sistemas alimentares e uso da terra no GEF e gestor do Folur, a experiência brasileira pode subsidiar adaptações em outros países. Segundo ele, o intercâmbio técnico busca identificar parcerias para ampliar o uso de soluções baseadas em pesquisa, políticas públicas e inovação em paisagens produtivas.
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O algodão também entra no radar de Sinop e do norte de Mato Grosso. Segundo boletim do Imea divulgado pelo Sistema Famato, a comercialização da safra 2025/26 avançou em abril e alcançou 68,89% da produção estimada.
O avanço foi impulsionado por um cenário mais favorável no mercado internacional. As cotações da fibra na Bolsa de Nova York estimularam produtores a negociar volumes maiores da produção.
Apesar da melhora comercial, o Imea reduziu a estimativa de área destinada ao algodão em Mato Grosso para 1,38 milhão de hectares, recuo de 11,11% em relação à safra 2024/25.
A produção de algodão em caroço foi projetada em 6,14 milhões de toneladas, queda de 16,04% frente ao ciclo anterior. A redução está associada à rentabilidade mais apertada e aos elevados custos de produção.
Para regiões produtoras e polos de serviços como Sinop, o algodão exige planejamento financeiro mais seletivo. A escolha de áreas mais produtivas, a negociação antecipada e o monitoramento climático serão determinantes para preservar margens.
A MSCI anunciou, nesta terça-feira (12), os resultados da revisão de maio de 2026 de seus índices globais. Entre as mudanças, a ação ordinária do Itaú Unibanco foi incluída no MSCI Emerging Markets Index, referência acompanhada por investidores internacionais e gestores de fundos com exposição a mercados emergentes.
Segundo o comunicado da MSCI, a ação ordinária do Itaú Unibanco está entre as três maiores adições ao índice de mercados emergentes quando considerado o critério de capitalização total de mercado das companhias. Também entram na mesma revisão a Yangtze Optical Fibre and Cable Joint Stock Limited Company A (HK-C) e a Sichuan Biokin Pharmaceutical A (HK-C).
A revisão faz parte do rebalanceamento periódico promovido pela empresa americana, que fornece ferramentas de suporte a decisões de investimento, incluindo índices de ações usados como parâmetro por fundos passivos e ativos. Nesses processos, a MSCI atualiza a composição dos indicadores com base em critérios como valor de mercado, liquidez e estrutura acionária.
No conjunto dos índices MSCI Global Standard, a revisão de maio prevê 49 adições e 101 exclusões no MSCI All Country World Index (ACWI), índice que reúne ações de mercados desenvolvidos e emergentes. Todas as alterações anunciadas serão implementadas a partir do fechamento de sexta-feira (29).
Do ponto de vista operacional, inclusões em índices internacionais costumam ser acompanhadas de ajustes de carteira por fundos que replicam esses benchmarks. O efeito financeiro específico sobre o papel do Itaú Unibanco, porém, não foi detalhado no comunicado da MSCI, e não há estimativa informada no material divulgado sobre volume potencial de fluxo para a ação.
Com a implementação no fim de maio, o mercado deve acompanhar os ajustes técnicos de portfólio ligados à nova composição dos índices da MSCI, especialmente em ativos com maior peso relativo nas revisões.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) divulgou, nesta terça-feira (12), uma nota de repúdio à decisão do governo federal de zerar o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida no mercado como “taxa das blusinhas”. Segundo a entidade, a mudança altera a concorrência entre produtos importados e nacionais no segmento de menor valor.
Na nota, a Abit afirma ter “profunda preocupação” com a decisão e diz que a medida favorece plataformas estrangeiras em um mercado em que grande parte dos itens é vendida abaixo desse teto. De acordo com a associação, cerca de 80% das peças de vestuário comercializadas no Brasil têm valor inferior a US$ 50.
A entidade sustenta que empresas brasileiras da indústria e do varejo operam sob uma estrutura de custos composta por carga tributária, juros reais elevados e exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias. Para a Abit, o fim da cobrança sobre encomendas internacionais amplia a desigualdade competitiva em relação aos importados vendidos por comércio eletrônico.
Em outro trecho da manifestação, a associação afirma que fabricantes estrangeiros já contam com subsídios em seus países de origem e que a retirada da tarifa brasileira aumenta essa vantagem no acesso ao mercado nacional. A entidade também relaciona a decisão a possíveis efeitos sobre investimento produtivo e emprego formal na cadeia têxtil e de confecção.
No campo fiscal, a Abit informa que o governo federal arrecadou R$ 1,78 bilhão com encomendas internacionais nos quatro primeiros meses de 2026. Com base nesse dado, a associação projeta impacto negativo sobre a arrecadação pública caso a desoneração seja mantida.
Até o momento, o conteúdo disponível não detalha o instrumento legal da mudança nem o prazo de vigência da medida. A partir da posição divulgada pela Abit, o tema deve seguir em debate entre indústria, varejo e governo, especialmente pelos efeitos tributários e concorrenciais sobre o setor.
A União Europeia (UE) retirou o Brasil da lista de países autorizados no bloco a cumprir as exigências ligadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A atualização foi publicada nesta terça-feira (12) e, segundo o Regulamento (UE) 2019/6, condiciona o acesso ao mercado europeu à apresentação de garantias sanitárias específicas. O embaixador do Brasil junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que o governo brasileiro ainda busca detalhes sobre a medida.
De acordo com a decisão europeia, o Brasil precisará comprovar que não utiliza determinadas substâncias antimicrobianas para fins de crescimento ou ganho de rendimento na pecuária destinada ao mercado europeu. A medida foi aprovada no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia e define quais países poderão continuar exportando animais e produtos de origem animal ao bloco a partir de quarta-feira (3 de setembro de 2026).
Em videoconferência com jornalistas, Costa e Silva disse que tomou conhecimento da exclusão no fim da manhã desta terça-feira (12) e informou que tinha reunião marcada para quarta-feira (13) com a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Sante). Segundo o embaixador, o Brasil ainda não recebeu explicação detalhada sobre os fundamentos da decisão.
O diplomata afirmou que, na avaliação brasileira, a discussão não estaria centrada no uso de antibióticos em si, mas nas provas de rastreabilidade e de segregação da produção destinada ao bloco. Ele também citou que o governo federal editou recentemente uma portaria proibindo o uso de antibióticos na produção animal. O número da norma e os detalhes operacionais não foram informados no material disponível.
Costa e Silva declarou ainda que medidas sanitárias e fitossanitárias são legítimas, desde que proporcionais e baseadas em equivalência reconhecida. Segundo ele, o Brasil busca maior diálogo técnico com as autoridades europeias sobre os critérios aplicados.
No curto prazo, o ponto central para os exportadores brasileiros é a definição das exigências formais de comprovação sanitária e de rastreabilidade. A reunião entre Brasil e DG Sante, prevista para quarta-feira (13), deve indicar se haverá ajustes operacionais ou pedido adicional de garantias para manutenção do acesso ao mercado europeu.
A Comissão Europeia oficializou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a enviar animais vivos e produtos de origem animal, como carnes e ovos, para o bloco a partir de 13 de setembro.
O motivo alegado é o não cumprimento integral do Regulamento Delegado (UE) 2023/905, que estabelece critérios rigorosos sobre o uso de antimicrobianos (antibióticos) na produção pecuária.
Apesar de o anúncio ter surpreendido o setor exportador, o coordenador do Departamento de Análise da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, acredita que a situação deve ser resolvida com brevidade.
“Há uma perspectiva de que essa situação seja rapidamente solucionada. Ao que parece, trata-se apenas de uma questão documental porque as condições técnicas o Brasil tem. O Brasil hoje é referência global em biosseguridade, é referência global em questões fitosanitárias, é exemplo para o resto do mundo”, destaca.
Para o especialista, há suspeitas de que o anúncio tenha o caráter protecionista, uma vez que a implementação do acordo Mercosul-União Europeia já está em voga e houve muita relutância de grupos de agricultores e pecuaristas europeus sobre a falta de condições para competir com o produto que advindo América do Sul, especialmente do Brasil.
Já a porta-voz da Comissão Europeia para as áreas de Saúde e Segurança Alimentar, Eva Hrncirova, explicou a posição do bloco. Segundo ela, a medida não é um fechamento definitivo de portas, mas uma exigência de adequação técnica que o Brasil ainda não comprovou.
“A União Europeia mantém um diálogo construtivo e contínuo com as autoridades brasileiras. No entanto, a inclusão nesta lista exige garantias robustas de que os padrões sanitários relativos ao uso de antimicrobianos sejam equivalentes aos nossos. A autorização poderá ser restabelecida assim que o Brasil apresentar as evidências de conformidade exigidas pelos nossos sistemas de auditoria”, afirmou Hrncirova.
‘Brasil já cumpre requisitos’
Diante do anúncio de bloqueio temporário, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgou nota em que informa que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com apoio técnico do setor produtivo privado, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados.
“É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias”, destaca trecho.
Segundo a ABPA, cabe esclarecer que as exportações não estão suspensas, uma vez que a lista de países em não conformidade, que ainda pende de publicação oficial, somente entrará em vigor a partir de 3 de setembro.
“O Ministério da Agricultura e Pecuária já está em tratativas para demonstrar que os protocolos europeus são plenamente atendidos pelas empresas e fiscalizados pelo órgão oficial, sendo observados tanto para todos os destinos de exportação quanto para o mercado interno”, diz a nota.
Por fim, a entidade destaca que o setor brasileiro possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta terça-feira (12), na Câmara dos Deputados, a redução da jornada de trabalho no debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que trata do fim da escala 6×1. A discussão ocorreu em comissão especial e reuniu representantes do governo, economistas e parlamentares para avaliar efeitos sociais, trabalhistas e econômicos da medida.
Segundo Durigan, os setores que ainda mantêm a jornada de seis dias de trabalho para um de descanso já são minoria. Ele afirmou que entre 60% e 90% das empresas de segmentos intensivos em mão de obra, como construção civil, serviços e agronegócio, já operam com escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
No debate, o representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Felipe Vella Pateo, apresentou dados sobre o perfil dos trabalhadores submetidos à jornada de 44 horas semanais. De acordo com ele, esse grupo tem renda média mensal de R$ 2,6 mil, enquanto trabalhadores com jornada de 40 horas recebem, em média, R$ 6 mil. Segundo o pesquisador, também há maior presença de pessoas negras, com menor escolaridade e maior rotatividade no emprego entre os que atuam na escala 6×1.
Pateo afirmou ainda que a redução da jornada elevaria o custo da hora trabalhada, com efeitos distintos por setor. Na agropecuária, a estimativa apresentada por ele é de alta de 3% no custo operacional. Em setores com mais de 500 mil trabalhadores, o aumento projetado é de 5%.
Já o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, Fábio Pina, estimou impacto de R$ 160 bilhões adicionais na folha de pagamento das empresas. Segundo ele, parte dos negócios poderia repassar custos a preços, enquanto outra parte teria dificuldade de absorver a mudança.
O professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Dari Krein, afirmou que experiências internacionais indicam aumento de produtividade e redução de faltas ao trabalho após a diminuição da jornada semanal. A comissão especial da Câmara segue analisando a PEC 221/19, sem data informada no conteúdo para votação do texto.