segunda-feira, junho 29, 2026

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Mercado avalia impactos da produção de arroz


A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul está praticamente encerrada e o mercado passa agora a avaliar com mais clareza o tamanho da safra e seus efeitos sobre a comercialização. As informações são de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, com base em números divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).

A safra 2025/26 atingiu 98,68% da área colhida no Estado, com produtividade média de 8.818 quilos por hectare. Na prática, esse desempenho projeta uma produção próxima de 7,76 milhões de toneladas de arroz em casca apenas no Rio Grande do Sul, volume considerado extremamente relevante para a formação do mercado nacional.

Os dados indicam avanços expressivos nas principais regiões produtoras. A Fronteira Oeste aparece com 98,41% da área colhida e produtividade média de 9.068 quilos por hectare, mantendo a liderança estadual em rendimento. A Zona Sul também apresenta desempenho forte, com 99,69% da colheita concluída e média de 9.033 quilos por hectare, consolidando uma safra tecnicamente excelente.

A Campanha alcançou 99,43% da área colhida, com produtividade média de 8.743 quilos por hectare. A Região Central registra 96,74% de avanço e média de 8.473 quilos por hectare. Na Planície Costeira Externa, a colheita chegou a 98,68%, com rendimento médio de 8.262 quilos por hectare, enquanto a Planície Costeira Interna atingiu 98,99%, com média de 8.890 quilos por hectare.

Com a colheita praticamente concluída, a atenção do setor se desloca para a capacidade de escoamento interno, o ritmo das exportações e o poder financeiro da indústria e dos produtores para retenção de estoques. O desafio deixa de ser produzir bem e passa a ser comercializar bem.

Apesar do resultado técnico positivo no campo, o setor enfrenta crédito caro, custos elevados de carregamento e necessidade de maior fluidez comercial. Também será importante acompanhar o comportamento do Mercosul e da Ásia nos próximos meses, diante do aumento global dos custos de diesel, fertilizantes e financiamento agrícola. Em uma safra cheia, a falta de estratégia comercial pode ampliar a pressão sobre as margens da cadeia.

 





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Exigência europeia reacende debate sanitário



A análise também aponta a existência de um componente político


A análise também aponta a existência de um componente político
A análise também aponta a existência de um componente político – Foto: Divulgação

A decisão europeia sobre a conformidade para exportação de proteínas animais colocou em debate a relação entre exigências regulatórias, rastreabilidade e competitividade no comércio internacional de alimentos. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, a exclusão do Brasil da lista da União Europeia de países com conformidade reconhecida não deve ser interpretada como um embargo imediato às carnes brasileiras.

A avaliação é que a medida está mais ligada à cobrança por comprovação documental do sistema produtivo do que à identificação de um risco sanitário comprovado. A União Europeia passou a exigir equivalência regulatória completa sobre o uso de antimicrobianos, incluindo controle veterinário, monitoramento e registros ao longo de toda a vida produtiva dos animais.

Nesse contexto, a rastreabilidade ganha peso central. O bloco europeu quer garantias de que os processos adotados nos países exportadores sejam equivalentes aos aplicados internamente, especialmente no controle de substâncias utilizadas na produção animal. O caso da monensina e de outros ionóforos passou a receber maior atenção justamente porque há questionamentos sobre a diferença entre o que a Europa permite em seu mercado interno e o nível de comprovação exigido de fornecedores externos.

A análise também aponta a existência de um componente político e comercial relevante. Produtores rurais europeus, especialmente franceses, têm pressionado por regras mais rígidas, em meio à preocupação com a competitividade das proteínas do Mercosul no mercado europeu. A discussão ocorre em paralelo ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia, em um cenário no qual exigências sanitárias podem funcionar, na prática, como barreiras não tarifárias.

Apesar da preocupação, o impacto econômico imediato tende a ser limitado para o Brasil. A União Europeia representa hoje uma fatia menor das exportações brasileiras de proteína animal na comparação com mercados como China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático. Assim, não há indicação de colapso comercial no curto prazo, embora o país precise contornar a restrição iminente, prevista para começar em setembro.

 





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Fertilizante caro amplia desafio da safra



O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta


O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta
O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta – Foto: Canva

A relação de troca entre soja e fertilizantes fosfatados segue pressionada e amplia a preocupação sobre o poder de compra do produtor rural neste momento da temporada. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o índice que compara a soja no porto com o preço do map no porto chegou ao maior valor da série histórica para o período.

O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta para operações de barter, mas funciona como um parâmetro para medir a capacidade de compra do produtor. A avaliação mais precisa, no entanto, depende da regionalização dos custos e das condições de mercado em cada praça.

O ponto central é que a relação entre soja e MAP está em patamar mais desfavorável do que em outros momentos recentes. Há uma diferença importante em relação a 2022, período marcado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele ano, a relação de troca começou a melhorar a partir de maio. Agora, até o momento, esse movimento ainda não aparece.

Os preços do MAP seguem firmes no mercado brasileiro, com indicações entre US$ 900 e US$ 930 por tonelada CFR Brasil, sem sinais claros de queda. O SSP chegou a registrar alguns reajustes, mas de forma pontual. Esse cenário reforça as dúvidas sobre o tamanho real da demanda por fósforo no Brasil neste ano, especialmente diante de uma restrição de oferta considerada evidente no quadro global.

O ambiente é visto como desafiador também pelo encurtamento das janelas de compra e aplicação. Ao mesmo tempo, a soja não tem apresentado reação suficiente para aliviar a pressão sobre a relação de troca. Os avanços pontuais nos preços têm duração curta e não alteram de forma consistente o quadro para o produtor.

Nesta semana, a soja voltou a encerrar com queda relevante em Chicago. O encontro entre Trump e Xi frustrou o mercado, que esperava possíveis avanços ligados à oleaginosa. Como isso não ocorreu, a pressão sobre as cotações permaneceu, mantendo a relação de troca com o MAP em nível historicamente elevado para o período.

 





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Agro busca novo salto em desenvolvimento


O agronegócio brasileiro ampliou seu papel na economia e passou a ocupar uma posição estratégica também no comércio internacional e no abastecimento de alimentos. A avaliação é de Adriano Leite, diretor de relação com investidores na Xs3 Consultoria, ao analisar a relevância do setor para o país e para o mercado global.

Segundo essa leitura, o Brasil deixou de ser apenas uma força produtiva interna e passou a atuar como peça importante no equilíbrio entre oferta, demanda e segurança alimentar em diferentes regiões do mundo. A liderança brasileira nas exportações de produtos estratégicos reforça essa posição e aumenta a influência do país em momentos de crise, inflação de alimentos ou dificuldades climáticas em outras áreas produtoras.

Apesar desse avanço, a análise destaca que liderar a produção não significa, necessariamente, liderar o desenvolvimento. Dentro da porteira, o agro brasileiro é visto como altamente eficiente, com avanço em tecnologia, gestão, uso de dados, inovação, mercado financeiro e planejamento global. Em muitos casos, grandes propriedades já operam com padrões de eficiência semelhantes aos de grandes empresas internacionais.

O principal desafio segue concentrado fora da porteira. Logística, infraestrutura, armazenagem, segurança jurídica, acesso a crédito e capacidade de industrialização ainda limitam a captura de valor ao longo da cadeia. Com isso, parte importante da força produtiva do setor deixa de se transformar em renda, competitividade e desenvolvimento mais amplo para o país.

A avaliação também aponta que o debate sobre o agro no Brasil costuma ficar preso a visões opostas. De um lado, há uma tendência de romantizar o setor. De outro, de tratá-lo como vilão. A realidade, porém, é mais racional e envolve reconhecer tanto sua contribuição para empregos, divisas, investimentos e movimentação econômica quanto a necessidade de avanços em produtividade sustentável, infraestrutura e agregação de valor.

O Brasil já demonstrou capacidade de ser potência na produção agropecuária. O próximo passo é transformar essa força em mais desenvolvimento, tecnologia, renda e competitividade para toda a economia.

 





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Mudança no consumo desafia setor de alimentos


O comportamento de consumo das famílias brasileiras passa por mudanças que começam a impactar diferentes setores da economia, incluindo a indústria de alimentos e o varejo. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, que aponta o avanço das apostas online como um fator que vem alterando a destinação da renda doméstica no país.

Segundo a análise, parte crescente do orçamento das famílias está sendo direcionada para plataformas de apostas esportivas e jogos online. O cenário preocupa porque, além do entretenimento, muitas pessoas passaram a enxergar as apostas como possibilidade de complemento de renda e até alternativa de investimento financeiro.

Com isso, setores tradicionais da economia começam a disputar espaço dentro do orçamento do consumidor. Na indústria alimentícia, alguns reflexos já são percebidos no dia a dia do mercado, principalmente no aumento da sensibilidade aos preços e na busca por produtos mais baratos.

Entre os efeitos observados estão a migração para marcas de menor valor agregado, redução dos volumes de compra, avanço do atacarejo e maior compressão das margens das empresas do setor. O movimento também alcança segmentos considerados mais resilientes, como o arroz, produto tradicional da cesta básica brasileira.

De acordo com Cardoso, mesmo alimentos essenciais começam a enfrentar um consumidor mais pressionado financeiramente e com a renda cada vez mais fragmentada entre diferentes despesas e formas de consumo digital.

A avaliação é de que o setor de alimentos já não disputa apenas contra fatores tradicionais, como inflação, juros elevados ou desemprego. O avanço da digitalização da economia e das plataformas de apostas cria uma nova concorrência pela atenção, tempo e dinheiro das famílias brasileiras.

Para o executivo, compreender as mudanças no comportamento de consumo será um dos principais desafios da indústria e do varejo nos próximos anos, diante de um cenário que pode redefinir estratégias comerciais e hábitos de compra em diferentes segmentos do mercado.

 





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Tecnologia amplia eficiência no manejo do solo



A transformação ocorre de forma silenciosa


A transformação ocorre de forma silenciosa
A transformação ocorre de forma silenciosa – Foto: Divulgação

A tecnologia aplicada ao solo tem ampliado o debate sobre produtividade e preservação na agropecuária brasileira, ao mostrar que ganhos econômicos podem caminhar junto com práticas mais eficientes de manejo. Segundo Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, essa mudança já aparece no campo por meio de ferramentas capazes de transformar informações biológicas em decisões práticas para o produtor.

A transformação ocorre de forma silenciosa, mas com impacto direto na gestão das lavouras. Dados recentes apontam que o plantio de precisão pode gerar ganhos de produtividade de até 3% na soja, resultado que representa retorno econômico de R$ 465 por hectare. Na prática, a adoção de tecnologia deixa de ser vista apenas como promessa futura e passa a integrar a rotina das propriedades que buscam produzir mais com maior controle sobre custos e recursos.

Nesse contexto, a agricultura regenerativa deixa de ser associada exclusivamente à pauta ambiental e passa a ser tratada também como estratégia de negócio. O foco está em compreender melhor a vida presente no solo, formada por bactérias, fungos, protozoários e outros organismos que influenciam diretamente a saúde e o desempenho das plantas.

Uma das ferramentas citadas por Jacques Dieu é o BeCrop®, da Biome Makers Inc., que mapeia a microbiota do solo e traduz esses dados em recomendações práticas. A tecnologia permite identificar precocemente patógenos antes que eles causem prejuízos, além de apoiar a redução do uso de insumos com base na biologia real de cada área.

O uso da Inteligência de Solo, com auxílio da IA, também amplia a capacidade de enxergar o solo como um organismo vivo. Com dados concretos, o produtor pode comprovar práticas regenerativas, acessar mercados de carbono e buscar mais produtividade por hectare com menor custo operacional. A proposta é substituir decisões baseadas apenas no histórico de aplicações por escolhas orientadas pelo que o solo realmente precisa.

 





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Tecnologia agrícola reforça papel do Brasil


A agricultura sustentável ganha espaço no debate global em um momento de pressão sobre custos, segurança alimentar, energia e mudanças climáticas. Segundo Luciana Gorab, especialista em Planejamento Estratégico de Vendas, esse cenário coloca o Brasil em posição de destaque por unir produtividade, inovação e capacidade de adaptação no campo.

Enquanto temas como inteligência artificial, guerras comerciais e a nova corrida energética dominam parte das discussões internacionais, uma transformação menos ruidosa vem fortalecendo o papel brasileiro na inovação agrícola. O avanço de tecnologias baseadas no uso de microrganismos nas lavouras mostra como o país pode contribuir para reduzir a dependência de fertilizantes químicos, um dos insumos mais caros e sensíveis da produção de alimentos.

O trabalho da microbiologista brasileira Mariangela Hungria ganhou projeção internacional após décadas dedicadas ao desenvolvimento de bactérias capazes de substituir parte dos fertilizantes industriais. Na prática, esses microrganismos capturam nitrogênio diretamente do ar e o transferem para as plantas, ampliando a eficiência produtiva e reduzindo a necessidade de insumos nitrogenados.

Esse ponto tem peso estratégico. Fertilizantes nitrogenados dependem fortemente de gás natural, recurso sujeito a oscilações de preço, tensões geopolíticas e aumento dos custos energéticos. Nesse contexto, a tecnologia brasileira passa a ser vista como uma alternativa que combina ganhos de produtividade, sustentabilidade, redução de custos e aplicação tropical em escala global.

O reconhecimento internacional veio com o World Food Prize, frequentemente chamado de Nobel da Agricultura. Mais do que uma premiação, o destaque reforça uma mudança de percepção sobre o Brasil, que deixa de ser visto apenas como exportador de commodities e passa a ocupar espaço como protagonista em tecnologia agrícola sustentável.

“Num planeta preocupado com segurança alimentar, inflação e mudanças climáticas, talvez uma das soluções mais sofisticadas do século esteja justamente onde o Brasil sempre foi forte: no campo. Porque, às vezes, o verdadeiro ouro não está no solo. Está na inteligência de quem aprende a trabalhar com ele”, conclui.

 





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Saúde do solo sustenta produtividade da cana



Outro ponto importante está relacionado à brotação


Outro ponto importante está relacionado à brotação
Outro ponto importante está relacionado à brotação – Foto: Divulgação

A produtividade sustentável da cana-de-açúcar depende de uma visão mais ampla sobre o solo, que vai além da correção química e do fornecimento de nutrientes. A avaliação é de Vitor Nunes, engenheiro agrônomo, ao destacar que a microbiota do solo exerce papel essencial na construção de ambientes produtivos mais equilibrados, resilientes e eficientes.

Na canavicultura, bactérias, fungos e outros microrganismos benéficos participam diretamente de processos fundamentais para o desempenho das lavouras. Entre eles estão a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio, a solubilização de fósforo, o desenvolvimento radicular, a melhoria da estrutura do solo e a supressão de doenças.

Esse conjunto de interações biológicas contribui para que o solo funcione como um ambiente vivo e dinâmico, capaz de sustentar sistemas produtivos mais estáveis. Solos biologicamente ativos favorecem o maior aproveitamento dos fertilizantes e ajudam a ampliar a tolerância das plantas a estresses hídricos, aspecto relevante para a manutenção da produtividade em diferentes condições de campo.

Outro ponto importante está relacionado à brotação de soqueira e à longevidade dos canaviais. Quando a atividade biológica do solo é preservada e estimulada, há melhores condições para o desenvolvimento das raízes e para a continuidade do ciclo produtivo, reduzindo perdas e fortalecendo a estabilidade da produção ao longo do tempo.

Na canavicultura moderna, o solo deve ser compreendido como um sistema integrado, no qual os aspectos físicos, químicos e biológicos atuam de forma conjunta. Essa abordagem reforça a importância de práticas voltadas à saúde biológica do solo como parte da estratégia para alcançar produtividade, sustentabilidade e estabilidade produtiva no longo prazo.

 





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Nova embalagem substitui conservantes e pode eliminar bactérias nocivas de alimentos


vitrine embalagens mercado
Foto: Pixabay

No Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, pesquisadores desenvolveram um novo tipo de embalagens para alimentos com agentes antimicrobianos naturais, capazes de eliminar bactérias nocivas à saúde humana.

Testes laboratoriais comprovaram a eficácia das embalagens, que usam uma estrutura com vírus que infectam bactérias e apresentam potencial para aumentar o tempo de conservação de produtos alimentícios.

A pesquisa aparece em artigo da revista científica Food and Bioprocess Technology.

“O objetivo do trabalho foi desenvolver embalagens alimentares antimicrobianas usando nanotecnologia e bacteriófagos para reduzir a contaminação bacteriana em alimentos”, conta a pesquisadora de pós-doutorado do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do IFSC e primeira autora do artigo, Fernanda Coelho.

Controle de bactérias e segurança alimentar

Nesse sentido, ela destaca que o estudo focou em criar materiais capazes de aumentar a segurança alimentar e prolongar a vida útil dos produtos de maneira mais sustentável e específica do que os conservantes convencionais.

“Bacteriófagos são vírus naturais que infectam exclusivamente bactérias. Eles atuam como agentes antimicrobianos altamente específicos, eliminando bactérias indesejadas sem afetar alimentos, humanos ou microrganismos benéficos”, relata Fernanda Coelho.

“Em embalagens alimentares, podem ajudar a controlar bactérias contaminantes e deteriorantes, aumentando a segurança e conservação dos alimentos”, finaliza.

Segundo a pesquisadora Sanna Sillankorva, do Grupo de Nanomedicina (NM) do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) em Portugal, que participou da pesquisa, os bacteriófagos constituem uma estratégia inovadora no controle de microrganismos patogênicos.

“A integração de fagos com abordagens nanotecnológicas potencializa a ação antimicrobiana de forma direcionada e sustentável, reduzindo o uso de conservantes químicos e respondendo às exigências atuais da indústria alimentar”, afirma.

Biopolímeros

Dessa forma, pesquisadores desenvolveram revestimentos e materiais nanoestruturados utilizando biopolímeros, especialmente alginato de sódio, incorporados com bacteriófagos.

“Também foram produzidas nanofibras e coatings (revestimentos) antimicrobianos utilizando técnicas como ultrasonic spray coating e eletrofiação (electrospinning), que permitem formar estruturas finas, homogêneas e com alta área superficial”, descreve Fernanda, pesquisadora do IFSC.

“O alginato de sódio é um biopolímero natural extraído principalmente de algas marinhas marrons, como espécies dos gêneros LaminariaMacrocystis e Ascophyllum”, aponta.

De acordo com a pesquisadora,o material reúne características biodegradáveis, biocompatíveis e atóxicas, o que amplia seu uso nas indústrias alimentícia, farmacêutica e biomédica, além do desenvolvimento de filmes plásticos e revestimentos para embalagens sustentáveis.

“Nós aplicamos as nanoestruturas em filmes e revestimentos para embalagens de papel e plástico, incluindo superfícies de poliestireno e papel vegetal, simulando materiais utilizados na indústria alimentícia. Os materiais apresentaram atividade antimicrobiana eficiente contra bactérias como Escherichia coli e Pseudomonas fluorescens”, explica Fernanda Coelho.

Além disso, ela ressalta que os bacteriófagos permaneceram ativos após incorporação nos materiais, e os revestimentos não alteraram significativamente as propriedades mecânicas das embalagens e, também, mostraram potencial para liberação gradual e ação prolongada.

“Os bacteriófagos permaneceram ativos após incorporação nos materiais, e os revestimentos não alteraram significativamente as propriedades mecânicas das embalagens”, destaca.

De olho na indústria

De acordo com Fernanda Coelho, as embalagens desenvolvidas apresentam potencial de aplicação em diferentes tipos de alimentos suscetíveis à contaminação bacteriana, especialmente produtos frescos e minimamente processados, como carnes, vegetais, frutas, laticínios e alimentos prontos para consumo.

“Como os bacteriófagos utilizados atuam de forma específica contra bactérias contaminantes, as embalagens podem contribuir para aumentar a segurança microbiológica e prolongar a vida útil desses produtos sem alterar suas características sensoriais”, enfatiza.

Apesar disso, para as embalagens serem empregadas comercialmente, ainda são necessários estudos de escalabilidade industrial, estabilidade em longo prazo, regulamentação e validação em alimentos reais, observa a pesquisadora do IFSC.

“Também é importante avaliar custo de produção, armazenamento e aprovação pelos órgãos regulatórios para aplicação segura em embalagens comerciais”, conclui.

O Coordenador do GNano, professor Valtencir Zucolotto, destaca que a nanotecnologia é fundamental para a agricultura em geral, e em particular para a proteção de alimentos, e que ela não é apenas uma inovação científica, mas uma ferramenta estratégica para a sociedade contemporânea.

“Ao permitir o controle mais eficiente de contaminações e a preservação da qualidade dos alimentos, esta tecnologia atua diretamente na proteção da saúde coletiva, na redução do desperdício e na garantia de acesso a alimentos mais seguros”, pontua. “Estes são aspectos essenciais em um mundo marcado por desafios alimentares crescentes.”

*Com informações do Jornal da USP/Júlio Bernardes

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Joaninhas ajudam no controle de pragas e ganham espaço nas lavouras de SP


Joaninha
Foto: Pixabay

As joaninhas têm sido utilizadas como aliadas no controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas no estado de São Paulo. O inseto atua na predação de pulgões, cochonilhas, ácaros e moscas-brancas, reduzindo a presença de organismos que afetam a produção no campo.

Segundo Erica Tomé, engenheira agrônoma da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Araraquara, a atuação das joaninhas ocorre em diferentes fases do ciclo de vida. “Geralmente, a joaninha beneficia todas as culturas que podem sofrer com estas pragas. Elas podem comer, por exemplo, cerca de 50 pulgões por dia”, explica.

Além do consumo de insetos, algumas espécies também se alimentam de fungos associados a doenças em plantas, como no caso do quiabeiro.

Pesquisas acompanham atuação das joaninhas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do Instituto Biológico (IB-Apta) de Ribeirão Preto, mantém estudos sobre o comportamento das joaninhas em laboratório e no campo.

As pesquisas analisam a diversidade das espécies, o consumo de pragas e a eficiência no controle biológico nas lavouras. Também são avaliadas estratégias para preservar os insetos nas áreas de cultivo.

A pesquisadora Terezinha Monteiro acompanha o tema desde o mestrado e destaca a importância das joaninhas para diferentes sistemas de produção.

“Devido ao hábito alimentar polífago e alta voracidade, as joaninhas, tanto na fase jovem (larva) e adulta, controlam com sucesso uma variedade de pragas em hortaliças, em culturas de produção de cereais e de grãos, pomares de laranja, além de plantas ornamentais. Deste modo, este pequeno predador proporciona benefícios aos agricultores que produzem alimentos que compõem a refeição do dia a dia da população”.

Citricultura concentra espécies de joaninhas

De acordo com a pesquisadora, uma mesma planta pode reunir diferentes espécies de joaninhas, cada uma especializada em determinado tipo de praga.

“Em uma única planta podemos encontrar uma diversidade de espécies de joaninhas. Por exemplo, em pomares de laranja existem muitas espécies de joaninhas, aquelas que preferem consumir pulgões, outras que consomem cochonilhas, ácaros e também psilídeos”.

Ela afirma ainda que os pomares paulistas estão entre os ambientes beneficiados pela presença dos insetos.

“O estado de São Paulo é agraciado por ser o maior produtor de laranja do Brasil e o maior exportador de suco de laranja do mundo. Em pomares dessa fruta cítrica, destaca-se a ação de variadas espécies de joaninhas no controle de pragas dos citros, como cochonilhas, pulgões e ácaros. Um grande exemplo de controle biológico de pragas no Brasil”, ressalta Terezinha.

Manejo e flores ajudam a manter insetos nas lavouras

Segundo Erica Ybarra, chefe de Divisão da CATI Regional de Araraquara, áreas com manejo integrado de pragas (MIP) e produção orgânica costumam apresentar maior presença de joaninhas.

“Geralmente, em áreas de culturas orgânicas, com Certificação Orgânica, e naquelas onde são aplicadas as técnicas de MIP, a presença de joaninhas tende a ser maior”.

A diversidade de flores também influencia a permanência dos insetos nas áreas agrícolas. Plantas com pólen e néctar servem como fonte de alimento e abrigo para as joaninhas adultas.

“Além de conservar as joaninhas que já estão nos cultivos, é possível atraí-las ainda mais. Isso porque, na fase adulta, além de caçarem pragas, elas se alimentam de pequenas porções de pólen e néctar, o que garante sua sobrevivência em épocas de falta de alimento. Essas plantas também servem como abrigo, promovendo um ambiente adequado que favorece a reprodução e a permanência delas na área”, destaca a pesquisadora.

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