O mercado físico do boi gordo teve uma terça-feira (9) de firmeza nos preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, houve negociações acima da referência média em grande parte do Centro-Norte brasileiro.
Ele afirma que as indústrias atuantes nesses estados ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate.
“Já no mercado paulista, os frigoríficos passam a testar patamares de preços mais baixos e começam a reduzir as bonificações envolvendo animais padrão China“, ressalta.
Segundo Iglesias, esse movimento é consequência da progressão da cota chinesa, sendo que a expectativa é de que, nos próximos dias, seja divulgado o alerta pelas autoridades do gigante asiático de que 80% da cota brasileira já foi preenchida.
“A partir desse anúncio, os frigoríficos tendem a interromper a produção destinada ao mercado chinês”, diz.
O analista pontua que o mercado também sofre sobressaltos, considerando a movimentação da União Europeia, que mantém o Brasil ausente da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro.
Média da arroba do boi gordo
São Paulo: R$ 353,67 — ontem: R$ 358,50
Goiás: R$ 338,75 — ontem: R$ 336,96
Minas Gerais: R$ 333,53 — ontem: R$ 335,29
Mato Grosso do Sul: R$ 354,20 — ontem: R$ 354,89
Mato Grosso: R$ 359,46 — ontem: R$ 359,26
Mercado atacadista
O mercado atacadista, por sua vez, apresentou preços acomodados durante esta terça-feira. Segundo Iglesias, este movimento está lastreado na boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês.
“Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável em função dos jogos da Copa do Mundo, em especial às vésperas de partidas da seleção brasileira. A carne bovina ainda perde em competitividade em relação às proteínas concorrentes, principalmente na comparação com a carne de frango”, frisa.
Quarto dianteiro: R$ 21,70 por quilo
Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo
Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,04%, sendo negociado a R$ 5,1784 para venda e a R$ 5,1764 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1503 e a máxima de R$ 5,1933.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (9), o acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Singapura. O texto, formalizado no Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 571/26, segue agora para análise do Senado. Segundo o conteúdo aprovado, o acordo só entrará em vigor após a ratificação de todos os países-membros do bloco.
O acordo foi assinado no Rio de Janeiro em 2023 e, segundo o texto aprovado, Singapura concederá isenção tarifária imediata e integral para a totalidade dos produtos exportados pelo Mercosul. Em contrapartida, o bloco se compromete a eliminar, de forma progressiva e em até 15 anos, as tarifas incidentes sobre 95,8% das linhas tarifárias de Singapura, o equivalente a 90,8% do valor atualmente importado do país asiático.
Produtos considerados sensíveis pelo Mercosul ficaram fora desse compromisso, entre eles máquinas, aparelhos elétricos, plásticos e instrumentos óticos, fotográficos e cinematográficos. O material legislativo não detalha, neste trecho, quais segmentos agropecuários específicos poderão ser beneficiados primeiro.
O relator da proposta, deputado Kim Kataguiri, afirmou que este é o primeiro acordo do Mercosul com um país da região da Ásia-Pacífico. Segundo ele, a medida pode ampliar o acesso comercial do bloco a um polo estratégico para bens e serviços. No debate em Plenário, também citou expectativa de maior agilidade para exportações do agronegócio brasileiro.
O líder da Maioria, deputado Arlindo Chinaglia, informou que o intercâmbio comercial entre Brasil e Singapura supera R$ 8 bilhões, sendo cerca de R$ 7 bilhões em exportações brasileiras e aproximadamente R$ 900 milhões em importações. Ele destacou ainda o papel de Singapura como centro portuário e porta de entrada para a Ásia.
Para o setor agropecuário, a tramitação deve ser acompanhada porque o acordo trata de acesso a mercado, redução de tarifas e integração comercial, pontos que podem influenciar a competitividade de cadeias exportadoras, a depender da ratificação final e da regulamentação posterior.
No estágio atual, o principal dado técnico é a aprovação na Câmara e o envio ao Senado. Efeitos práticos sobre fluxos de exportação, produtos mais favorecidos e cronograma de aplicação dependerão da conclusão da tramitação legislativa e da ratificação pelos países do Mercosul.
O dólar à vista encerrou esta terça-feira (9) em leve baixa no mercado brasileiro, depois de oscilar entre ganhos e perdas ao longo do dia em meio a notícias sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã. A moeda fechou cotada a R$ 5,1775, com recuo de 0,05%, após atingir máxima de R$ 5,1935 e mínima de R$ 5,1508. O movimento acompanhou a redução do estresse geopolítico e a perda de força da divisa americana no exterior.
A volatilidade aumentou no início da tarde, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país responderia ao ataque do Irã que derrubou um helicóptero americano no Estreito de Ormuz. Após a declaração, o dólar à vista alcançou o maior nível intradia desde 30 de março. Com o passar das horas, sem confirmação de retaliação imediata, o mercado reduziu parte da aversão ao risco.
No fechamento, o contrato futuro do dólar para julho cedia 0,36%, a R$ 5,2050. No exterior, o índice do dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda americana frente a seis divisas fortes, recuava 0,08% por volta das 17h.
Segundo Rodrigo Franchini, especialista em soluções de investimentos da Monte Bravo, as notícias sobre o Oriente Médio vêm ampliando a volatilidade nas últimas semanas. Para ele, as mudanças de sinalização sobre o conflito têm produzido reações rápidas nos ativos, mas sem direção única ao longo do pregão.
Rafael Passos, analista da Ajax Asset, afirmou que a volta do dólar ao terreno negativo também refletiu recuperação do real após a alta acumulada nos últimos dias. Ele acrescentou que a queda dos rendimentos dos Treasuries e o enfraquecimento do DXY ajudaram moedas de países emergentes.
No mercado de energia, o contrato do petróleo Brent para agosto caiu 2,97%, a US$ 91,45 por barril. Para o setor agropecuário, oscilações cambiais como as desta sessão seguem no radar porque influenciam a formação de preços de commodities exportadas e o custo de insumos dolarizados. Ainda assim, o alcance desse efeito depende da duração do movimento externo e da reação dos demais mercados.
O comportamento do câmbio seguirá condicionado ao noticiário geopolítico, aos juros dos Estados Unidos e ao desempenho global do dólar. Sem uma definição mais clara sobre o conflito e sem novos dados econômicos adicionais no conteúdo disponível, não há base suficiente para projetar uma tendência firme de curto prazo.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) o regime de urgência para 12 propostas legislativas. Com isso, os projetos podem ser votados diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões temáticas da Casa. Entre os textos listados, há matérias com possível repercussão sobre logística, financiamento e exportações, áreas acompanhadas por cadeias produtivas do agronegócio.
Um dos projetos com urgência aprovada é o Projeto de Lei Complementar (PLP) 80/26, que prorroga até 8 de janeiro de 2032 a não incidência do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) nas navegações de cabotagem, interior fluvial e lacustre com origem ou destino em portos das regiões Norte e Nordeste. A medida envolve o custo do transporte aquaviário, componente relevante para o escoamento de cargas.
Também passou a tramitar com urgência o PL 2427/26, que autoriza fundos constitucionais de financiamento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), a oferecer garantias para operações de crédito destinadas a projetos estruturantes de infraestrutura econômica. O texto tem relação com obras e investimentos em áreas como transporte e logística, mas o conteúdo divulgado não detalha valores, critérios operacionais ou setores prioritários.
Outro projeto da lista é o PL 5961/25, do Senado, que autoriza a criação de um fundo para ampliar o crédito a empresas exportadoras brasileiras, com financiamento para capital de giro, compra de máquinas e investimentos produtivos. A proposta pode alcançar segmentos exportadores, incluindo cadeias do agro, a depender da redação final e da regulamentação.
Os demais projetos tratam de temas como crimes cibernéticos, saúde, violência política de gênero, relações de trabalho no setor público, atenção à saúde da mulher, desastres climáticos em terras indígenas, políticas para idosos e premiação esportiva. Até a publicação do material de origem, a Câmara não havia informado a data de votação em Plenário de cada proposta.
A aprovação da urgência altera o rito de tramitação, mas não define o conteúdo final das medidas. O impacto para logística, infraestrutura e exportações dependerá da votação do mérito dos projetos e de eventuais mudanças no Plenário.
O Ministério da Fazenda realizou, entre domingo (25) e quinta-feira (29), em Brasília, a primeira semana de oficinas presenciais de 2026 da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB). Os encontros foram dedicados à construção da segunda edição do instrumento, com debates sobre novos objetivos, critérios técnicos e mecanismos de implementação. A agenda incluiu temas como biodiversidade, uso sustentável da terra e das florestas, economia circular e redução das desigualdades regionais.
Segundo o ministério, participaram das oficinas representantes do governo federal, instituições financeiras, setor produtivo, organismos multilaterais e especialistas técnicos. A proposta desta etapa é ampliar o alcance da taxonomia sem revisar os critérios e atividades já aprovados na primeira edição.
De acordo com o subsecretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Matias Cardomingo, o trabalho atual está voltado à seleção de novas atividades e à definição de novos critérios técnicos. Em declaração divulgada pela pasta, ele afirmou que a segunda edição não vai reabrir a discussão sobre itens já consolidados, mas incorporar rotas tecnológicas e atividades ainda não contempladas.
As oficinas também avançaram na implementação da TSB. Entre os pontos discutidos estão o desenvolvimento do Portal MRV, sigla para Monitoramento, Relato e Verificação, em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), e a estruturação de um sistema de avaliação de conformidade para títulos sustentáveis e operações de crédito, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Para o setor agropecuário, a discussão tem relação direta com critérios voltados ao uso da terra, florestas e sociobiodiversidade, além de possíveis referências futuras para financiamento e classificação de atividades econômicas alinhadas a objetivos ambientais, climáticos e sociais. O material divulgado, no entanto, não detalha ainda quais cadeias produtivas ou modalidades de crédito poderão ser enquadradas pelos novos critérios.
A programação incluiu reuniões de grupos técnicos organizados pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas, oficinas de verificação e debates sobre indicadores ligados ao Objetivo 10, voltado à redução das desigualdades regionais e territoriais.
A expectativa do Ministério da Fazenda é concluir, ainda em 2026, os critérios técnicos da segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira. Até lá, o avanço da regulamentação e dos parâmetros de conformidade será o ponto central para medir como o instrumento poderá orientar investimentos e operações financeiras em atividades produtivas, inclusive no uso sustentável da terra.
O Brasil como fonte de alimentos e energia para o futuro do planeta é o tema que o professor e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ministrará no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em 18 de junho, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Como um dos maiores especialistas brasileiros quando o assunto é agronegócio, Rodrigues tem feito questão de destacar um mantra que dá ênfase à importância do setor: “onde há fome não haverá paz”.
A declaração resume a crescente preocupação diante do avanço da insegurança alimentar em diversas partes do mundo. O ex-ministro tem defendido que a produção de alimentos deve, necessariamente, caminhar ao lado da inclusão social, da inovação tecnológica e da responsabilidade ambiental.
Segundo ele, esse conceito ganha ainda mais relevância no atual cenário global, marcado por guerras, mudanças climáticas, inflação dos alimentos e aumento da pobreza em todos os continentes.
Para Rodrigues, não é possível existir estabilidade social em países onde milhões de pessoas convivem diariamente com a fome, uma vez que justamente a escassez de alimentos gera conflitos, amplia desigualdades e compromete o desenvolvimento econômico das nações.
De acordo com ele, garantir comida na mesa das famílias é uma questão humanitária, mas também estratégica para a manutenção da democracia, da segurança e da paz mundial. Neste contexto, o Brasil tem se mostrado como o único país capaz de aumentar a produção sem, com isso, crescer em desmatamento.
Uma das alternativas é por meio da irrigação, tecnologia cuja adoção deve se expandir vertiginosamente nos próximos anos. Para se ter ideia, o país conta, atualmente, com cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas estudos da Rede Nacional de Agricultura Irrigada (Renai) dão conta que o potencial é de atingir 55 milhões de hectares.
Tal horizonte deve tornar o país como o maior mercado de irrigação do mundo, estimam as principais companhias do setor, visto que já é consenso que apenas a água na lavoura na hora certa é capaz de garantir safra produtiva ao agricultor e comida no prato da sociedade.
O Fiap 2026 será organizado e transmitido ao vivo pelo Canal Rural (TV e YouTube) e já conta com palestrantes de China, Arábia Saudita, México, Indonésia, Chile e Argentina, além de representantes de outras nações ligadas ao comércio global de alimentos e energia. Quem fizer a inscrição neste link e acompanhar o evento pela internet receberá um certificado digital de participação.
A realização do evento é da BR IN Eventos e Canal Rural, com correalização da Famasul. Patrocinam o evento ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, com apoio de Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul, Massey Ferguson e CropLife. Linha aérea oficial: Azul.
Serviço
Evento: Fórum Internacional da Agropecuária 2026 Data: 18 de junho de 2026 Horário: 9h (horário de Brasília) Local: Campo Grande (MS) Formato: transmissão ao vivo pela TV e YouTube do Canal Rural
Confira a programação completa do evento (no horário de Mato Grosso do Sul):
A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) inaugurou nesta terça-feira (9), em Luís Eduardo Magalhães (BA), um novo centro de análise de fibras de algodão. Segundo a entidade, a unidade tem capacidade para analisar 70 mil amostras por dia. O laboratório conta com 5,2 mil metros quadrados de área construída e recebeu investimentos de cerca de R$ 120 milhões ao longo dos anos.
De acordo com a Abapa, a expectativa é de que o centro processe 5 milhões de amostras nesta safra. A estrutura foi projetada para ampliar a capacidade operacional de classificação da fibra, etapa técnica usada para identificar padrões de qualidade do algodão comercializado.
A análise de fibras é um procedimento relevante para a cadeia do algodão porque subsidia a definição de características do produto negociado entre produtores, compradores e demais agentes do mercado. A padronização dos laudos e a confiabilidade das medições são fatores considerados nas transações da pluma, especialmente em operações que exigem especificações técnicas.
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Em nota, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, afirmou que o investimento busca ampliar a precisão do processo. “Este investimento garante ainda mais precisão e confiabilidade na classificação da fibra, oferecendo segurança para produtores e compradores”, destacou.
Com capacidade diária de 70 mil amostras, o centro amplia a estrutura disponível em uma das principais regiões produtoras de algodão do país. O material divulgado pela entidade não detalha, no entanto, o cronograma operacional completo da unidade nem a tecnologia empregada nos equipamentos de análise.
A inauguração reforça a infraestrutura técnica voltada à classificação do algodão baiano em um momento de processamento intensivo da safra. O efeito prático sobre o fluxo de análises e sobre a comercialização dependerá do volume efetivamente recebido pelo laboratório ao longo do ciclo, conforme a demanda da safra e da cadeia compradora.
O Pronampe Leite BRDE Custeio alcançou R$108 milhões em movimentações em 90 dias de operações. Foi lançado pelo governo de Santa Catarina, em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para apoiar produtores de leite no estado.
Ao todo, foram aprovadas 3.721 operações de crédito, distribuídas em 203 municípios catarinenses. “O foco está no atendimento de pequenos e médios produtores de leite, numa iniciativa que disponibiliza crédito com condições especiais para apoiar produtores afetados pela queda nos preços do setor”, destaca o diretor vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani.
O Pronampe Leite BRDE/SC é operado pelo BRDE e formulado em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape). A produção de leite envolve mais de 24 mil produtores catarinenses.
“O Pronampe Leite Custeio chegou justamente para dar fôlego ao produtor, garantindo condições mais acessíveis para que ele mantenha a produção e continue investindo na propriedade”, destacou o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
Acesso e prazo
O programa oferece prazo total de 24 meses, sendo 12 meses de carência e 12 meses para pagamento. As condições incluem 6% de juros ao ano para produtores , desde que os pagamentos sejam mantidos em dia.
Como acessar o programa
O Pronampe Leite BRDE/SC pode ser acessado por produtores de leite com rebanho registrado na Cidasc e que comercializaram leite em 2025. O valor do financiamento é calculado com base no número de animais, com limite de R$ 1.000 por matriz, e teto máximo de R$ 50 mil por produtor.
O produtor deve apresentar relatório do SIGEN + Cidasc, emitido há no máximo 30 dias, que comprove o número de vacas leiteiras e de bovinos fêmeas com 25 meses ou mais, além da nota fiscal de venda de leite em 2025.
Em caso de propriedade coletiva, é exigida uma declaração para informar que haverá apenas uma operação pelo programa. Os interessados devem procurar as cooperativas de crédito do seu município.
Os preços internacionais do açúcar seguem em nível que pressiona produtores e usinas em diferentes origens exportadoras, segundo relatório da consultoria e trading Czarnikow divulgado nesta terça-feira (9), em São Paulo. De acordo com o estudo, os contratos futuros do açúcar demerara têm preço médio de 14,50 centavos de dólar por libra-peso em 2026, valor abaixo do custo de produção até mesmo das regiões mais competitivas do mercado global.
A Czarnikow informou que esse patamar está 7% abaixo do custo de produção da origem mais competitiva entre as regiões analisadas, que representam mais de 60% da produção global de açúcar. O dado indica compressão de margem em um mercado em que os preços futuros não cobrem os custos estimados de produção.
Entre os principais exportadores, o Brasil continua com uma das estruturas mais competitivas. Segundo a consultoria, o custo de produção do açúcar bruto na safra 2025/26 foi estimado em cerca de US$ 345 por tonelada, o equivalente a 15,70 centavos de dólar por libra-peso, na base FOB. Mesmo assim, o valor permanece acima da média projetada para os contratos futuros em 2026.
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O relatório aponta ainda fatores de pressão para a nova temporada brasileira. De acordo com a consultoria, o conflito envolvendo o Irã elevou os custos de insumos usados pelo setor. Os preços do diesel estão 22% acima do registrado há um ano, enquanto os fertilizantes acumulam alta de 30%. Como referência histórica, a Czarnikow lembrou que os custos de produção do setor avançaram 12% na safra 2022/23, período marcado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Na Tailândia, segunda origem destacada pela consultoria em competitividade, o custo de produção do açúcar bruto na safra 2025/26 foi estimado em US$ 360 por tonelada, ou 16,27 centavos de dólar por libra-peso, também na base FOB. No caso do açúcar refinado, o custo chega a US$ 459 por tonelada. O recuo em relação à temporada anterior foi associado à queda de 23,5% no preço provisório da cana definido pelo governo tailandês, enquanto os rendimentos industriais ficaram próximos da média histórica.
Os dados indicam um cenário de margens pressionadas no mercado global de açúcar, inclusive para origens com maior eficiência produtiva. No caso brasileiro, a competitividade permanece elevada, mas a evolução dos custos de energia, combustíveis e fertilizantes tende a ser um fator central para a rentabilidade das usinas ao longo da safra 2025/26, segundo os números apresentados pela Czarnikow.
A reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) nesta terça-feira abordou a crescente dificuldade financeira enfrentada pelos produtores rurais, destacando a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes.
Contexto da crise financeira
Os sinais de dificuldades financeiras no campo não são recentes. Há meses, entidades do setor alertam sobre os efeitos combinados de juros elevados, adversidades climáticas e a queda de rentabilidade de diversas atividades agrícolas.
Pontos centrais discutidos
Aumento dos custos de produção.
Necessidade de renegociação de dívidas.
Falta de um seguro rural abrangente.
Importância de políticas públicas preventivas.
Dependência excessiva dos produtores em relação ao governo.
Desdobramentos e soluções propostas
Os especialistas presentes na reunião enfatizaram que é crucial implementar um seguro rural mais robusto, que atualmente cobre apenas 3,5% da área plantada no Brasil, em comparação com países como os Estados Unidos, onde a cobertura é quase total. Além disso, foi ressaltada a necessidade de um planejamento adequado para evitar que os produtores cheguem a situações críticas que exigem medidas emergenciais.