A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (9), a Operação Terra Falsa, com o objetivo de apurar um suposto esquema de fraudes na obtenção de financiamentos rurais junto a uma instituição financeira privada.
Policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Tocantins, em Palmas.
As investigações apontam que um ex-funcionário do banco teria inserido informações falsas nos sistemas internos da instituição, possibilitando a concessão irregular de créditos milionários.
Além das buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens de oito investigados, incluindo imóveis, fazendas, veículos, ativos financeiros, aplicações e outros bens sujeitos a registro, até os montantes aproximados de R$ 141,7 milhões e US$ 400 mil.
Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude, de lavagem de dinheiro e de associação criminosa.
A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) manifestou, nesta terça-feira (9), apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentada como alternativa ao projeto que prevê o fim da escala 6×1.
Segundo o documento, a nova proposta permitiria ao trabalhador ajustar a jornada de acordo com necessidades pessoais e profissionais, mantendo direitos da CLT, como 13º salário, férias, FGTS e aviso prévio.
De acordo com vídeo gravado pelo vice-presidente de secretaria da CNA, Marcelo Bertoni, o texto moderniza as relações de trabalho e impede que temas estruturais, como a mudança no modelo de jornada, seja discutida em ano eleitoral sem que todas as partes envolvidas sejam ouvidas.
“O país precisa de uma legislação que acompanhe a realidade do trabalho contemporâneo, que é diversa, dinâmica e não cabe em um modelo único e rígido. A PEC 12/2026, em discussão no Senado, permite mais flexibilidade na organização da jornada e também amplia a possibilidade de escolha do trabalhador sobre como melhorar, organizar o seu tempo e a sua rotina, respeitando as diferentes realidades de cada atividade”, declara.
A manifestação vem inclusa no âmbito de carta aberta assinada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em conjunto com a CNA, Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional do Transporte (CNT), como outras associações, federações, sindicatos patronais e entidades empresariais.
Confiraa carta na íntegra
“Uma carta para o Brasil que acorda cedo“
A vida não bate ponto do mesmo jeito todos os dias. Tem mês que o movimento bomba e o trabalhador consegue tirar uma boa comissão. Tem mês que a coisa aperta e é preciso correr atrás de um extra para fechar as contas.
Tem dia que o filho fica doente, que é necessário sair mais cedo para levar o pai ao médico ou para ver a apresentação da filha na escola. Quem está na luta sabe: a vida real não cabe numa caixinha fechada.
Hoje, o Senado Federal analisa a PEC 12, do Trabalho Flexível. Mais que uma alteração na Constituição, ela é a chance de finalmente colocar a decisão na mão de quem move este país: você, trabalhador brasileiro.
Quer trabalhar menos horas por dia para conseguir estudar ou cuidar dos filhos? Você pode. Quer trabalhar mais em dezembro, quando o movimento está lá em cima, para entrar o ano sem dívida? Também dá.
E tudo isso com os direitos da CLT garantidos, como 13º salário, férias, 1/3 de férias, FGTS, aviso prévio e etc. É o melhor dos dois mundos: a proteção da CLT com o benefício de decidir sobre a própria vida.
Mas existe outra proposta em votação que quer fazer exatamente o contrário: impor a mesma escala engessada para todo mundo, como se o Brasil real funcionasse em “tamanho único”.
O garçom, que vive da taxa adicional de serviço, não quer uma lei que tire seus melhores dias de trabalho. O vendedor, que conta com a comissão, precisa de tempo para vender, não de uma folga obrigatória. O Microempreendedor Individual (MEI), que tem apenas um empregado, ficará sem ele mais um dia na semana.
Toda essa rigidez aumenta o custo dos produtos e serviços e, no fim, quem paga a conta é o trabalhador brasileiro: no preço da marmita, nas compras do supermercado, na tarifa do ônibus, no valor do condomínio…
Por isso, os abaixo assinados, que representam mais de 40 milhões de empregos, quase 90% do PIB brasileiro, bilhões de reais em investimentos, exportações, e que estão presentes em todos os cantos do Brasil, pedem:
Senhoras Senadoras e Senhores Senadores, votem pela modernização do trabalho. Votem pela PEC 12, a do Trabalho Flexível, e deixem o brasileiro escolher o seu próprio caminho.”
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), o Projeto de Decreto Legislativo 1041/18, que susta o processo de demarcação da terra indígena Tekoha Guasu Guavirá, no Paraná. A área envolve os municípios de Altônia, Guaíra e Terra Roxa. A proposta ainda será analisada por outras comissões da Casa antes de eventual votação em Plenário.
O parecer favorável foi apresentado pelo relator, deputado Tião Medeiros (PP-PR), ao projeto de autoria do deputado Sergio Souza (MDB-PR). Segundo o relator, o procedimento conduzido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desrespeita a Lei 14.701/23, conhecida como Lei do Marco Temporal.
A norma condiciona a demarcação de terras indígenas à comprovação de invasão na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. No parecer, Medeiros também citou decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que, segundo o texto, apontaram falhas no laudo antropológico e determinaram a paralisação de procedimentos relacionados à área.
O tema permanece em disputa jurídica. O Congresso Nacional aprovou a Lei do Marco Temporal em setembro de 2023, poucos dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar o critério inconstitucional. Depois da derrubada de vetos presidenciais, a lei entrou em vigor, mas continua sendo questionada no STF.
Na tramitação da Câmara, o projeto ainda será examinado pelas comissões da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Só depois seguirá para análise do Plenário.
Para o setor rural, a discussão tem caráter regulatório e fundiário. Isso ocorre porque a definição sobre a área pode alterar o enquadramento jurídico de imóveis e atividades desenvolvidas na região. O texto aprovado, porém, ainda não produz efeito definitivo, já que depende das próximas etapas legislativas.
Até a conclusão da tramitação e eventual deliberação final, não há definição legislativa sobre a suspensão do processo de demarcação. O desfecho também seguirá condicionado ao andamento das ações sobre o marco temporal no STF.
A Tecnofam abriu programação nesta segunda-feira (9) com a participação de ministérios, secretarias estaduais de Mato Grosso do Sul, parlamentares, associações de produtores e entidades do setor. Em sua 6ª edição, o evento é voltado à agricultura familiar e deve receber cerca de 5 mil visitantes ao longo de três dias, segundo as informações divulgadas pela organização.
A abertura do evento reuniu representantes de diferentes frentes ligadas ao desenvolvimento rural. Entre os participantes citados estão o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), além de ministérios, secretarias estaduais, deputados, vereadores e associações de produtores.
Com expectativa de 5 mil visitantes em três dias, a Tecnofam chega à 6ª edição como espaço de articulação entre produtores, entidades de assistência, organizações de representação e agentes públicos. O foco na agricultura familiar insere o evento em uma agenda relevante para o setor, especialmente em temas como difusão de tecnologia, qualificação da produção, acesso a políticas públicas e integração com cooperativas e instituições de apoio.
A presença simultânea de órgãos públicos e entidades privadas indica um esforço de coordenação em torno de demandas típicas da agricultura familiar, como orientação técnica, gestão, comercialização e fortalecimento da produção. Esses pontos têm relação direta com a produtividade e com a permanência de pequenos e médios produtores nas cadeias agropecuárias.
As informações disponíveis não detalham, até o momento, a programação técnica, o local exato do evento nem as pautas prioritárias desta edição. Também não foram informados recortes por cadeia produtiva, volume de negócios esperado ou número de expositores presentes no primeiro dia.
A dimensão da Tecnofam em sua 6ª edição e a participação de instituições públicas e setoriais reforçam o papel da agricultura familiar na agenda rural de Mato Grosso do Sul. Sem detalhamento oficial adicional sobre programação e resultados esperados, a avaliação técnica dos desdobramentos do evento depende da divulgação de novos dados pela organização.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (9) que o projeto de lei complementar (PLP) dos combustíveis poderá ser analisado pelo plenário nesta quarta-feira (10), caso o governo retire a urgência constitucional do projeto sobre a escala 6×1. Segundo ele, a manutenção dessa urgência impede a liberação da pauta. Se não houver destravamento, as votações devem ser retomadas apenas na próxima semana.
O texto em discussão prevê a conversão de arrecadação extraordinária em redução proporcional de tributos federais sobre os combustíveis. De acordo com Motta, a pauta desta quarta-feira (10) ficaria concentrada nesse projeto, desde que a urgência do outro tema seja retirada a tempo.
O PLP é relatado pela deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO) e já esteve na pauta da Casa nas últimas semanas, mas ainda sem acordo para votação. No parecer, a relatora manteve o núcleo da proposta original, que autoriza compensar renúncias de receita decorrentes de atos do Poder Executivo federal, adotados para mitigar efeitos de choques no mercado internacional de energia, com receitas extras do petróleo.
Entre as mudanças incluídas no relatório, está a exigência de que a União preserve o regime fiscal favorecido aos biocombustíveis, com tributação inferior à dos combustíveis fósseis. Segundo o texto, a medida busca manter o diferencial competitivo desses produtos mesmo em cenário de subvenção aos combustíveis convencionais.
Para o setor agropecuário, o tema tem relação direta com duas frentes. A primeira é o custo dos combustíveis usados em transporte, máquinas e logística de insumos e produção. A segunda é a competitividade das cadeias de biocombustíveis, especialmente etanol e biodiesel, que têm ligação com matérias-primas agropecuárias. O conteúdo disponível, no entanto, não informa percentuais de redução tributária nem estimativa fiscal associada ao projeto.
A tramitação imediata do PLP depende de uma definição política sobre a pauta do plenário. Até a conclusão da votação, não há base técnica suficiente para detalhar o efeito final da medida sobre preços de combustíveis, arrecadação federal ou custos operacionais das cadeias do agro.
As exportações de carne bovina de Mato Grosso atingiram recordes de volume e faturamento em maio de 2026, segundo análise semanal divulgada na segunda-feira (8) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. O desempenho foi impulsionado pela demanda internacional aquecida, especialmente da China, e pela valorização do produto no mercado externo.
De acordo com o levantamento do Imea, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, os embarques de carne bovina do estado somaram 87,1 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) em maio. O volume representa crescimento de 3,55% em relação a abril deste ano e avanço de 32,27% na comparação com o mesmo mês de 2025.
O aumento das exportações também refletiu na receita obtida pelo setor. O faturamento alcançou US$ 440,72 milhões, resultado 7,83% superior ao registrado no mês anterior e 64,53% acima do observado em maio do ano passado. Segundo o Imea, tanto o volume exportado quanto a receita gerada representam os maiores resultados de 2026 até o momento e estabelecem recordes para meses de maio.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina mato-grossense, concentrando 60,43% dos embarques realizados no período. O cenário favorável também foi sustentado pela valorização do produto, com o preço médio da carne exportada alcançando US$ 5.060,12 por tonelada equivalente carcaça.
Apesar dos resultados positivos, o instituto alerta para possíveis desafios nos próximos meses. Conforme a análise, a cota da salvaguarda chinesa está praticamente preenchida, o que pode elevar os custos de acesso ao mercado asiático e reduzir a competitividade da carne bovina brasileira no segundo semestre.
“O desempenho foi sustentado pela demanda externa aquecida, especialmente da China, que respondeu por 60,43% dos embarques no mês, e pela valorização da carne bovina”, destacou o Imea em sua análise semanal. O instituto também observou que o avanço da utilização da cota chinesa “pode elevar os custos de acesso ao mercado chinês e reduzir a competitividade da carne bovina nacional no segundo semestre”.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou nesta terça-feira (9) que o Plenário poderá analisar nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei Complementar 114/26, voltado à redução de impactos da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Segundo ele, a votação depende da retirada do regime de urgência do Projeto de Lei 1838/26, que trata da jornada de trabalho e está trancando a pauta desde 30 de maio.
De acordo com Motta, o PLP 114/26 autoriza o governo federal a utilizar o aumento extraordinário de arrecadação gerado pela elevação do petróleo no mercado internacional para compensar a redução de alíquotas de tributos federais sobre combustíveis e biocombustíveis, como Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
A proposta foi apresentada pelo líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta, e tem relatoria da deputada Marussa Boldrin, que deve apresentar um substitutivo. O texto original divulgado não informa percentuais de eventual redução tributária, prazo de vigência da compensação nem estimativa oficial de impacto fiscal.
No plano legislativo, Motta afirmou que, sem a retirada da urgência do PL 1838/26 pelo Executivo, não haverá novas votações em Plenário nesta semana. O projeto trabalhista estabelece jornada normal de 40 horas semanais na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e prevê dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas.
Para o setor agropecuário, a tramitação é acompanhada porque combustíveis e biocombustíveis influenciam custos de frete, escoamento da produção, transporte de insumos e operação de máquinas, além de afetarem cadeias dependentes de diesel e logística rodoviária. Como o texto ainda não foi votado e não há detalhamento público completo das mudanças no substitutivo, o alcance prático da medida sobre preços e custos no campo ainda depende da versão final da proposta.
O avanço da matéria dependerá da definição da pauta legislativa nesta quarta-feira (10). Até a conclusão da tramitação e a divulgação do texto consolidado, não há base suficiente para estimar o efeito fiscal e o alcance efetivo da medida sobre combustíveis, biocombustíveis e custos operacionais das cadeias produtivas.
O Sistema Faep manifestou preocupação com o novo bloqueio previsto no orçamento do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2026.
Segundo dados do Painel do Orçamento Federal divulgados nesta terça-feira (9), o contingenciamento pode chegar a R$ 461,7 milhões, o equivalente a 45,7% dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para o programa.
A entidade pede que o governo federal reverta a medida para assegurar previsibilidade e proteção financeira aos produtores rurais.
Os recentes cortes geram alerta e dificultam ainda mais a situação do campo. Em 2025, cerca de 42% dos recursos previstos para o PSR foram bloqueados. Já em 2024, a execução ficou aproximadamente 40% abaixo do valor aprovado pelo Congresso.
“Esperamos que o governo federal não efetive esse novo corte. Do contrário, será um golpe duro no produtor rural, que já enfrenta inúmeros dificuldades nas últimas temporadas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
“Especificamente no Paraná, o impacto seria enorme para a produção rural, já que somos o estado que mais contrata o seguro rural no país”, complementa.
Contratos firmados
Em 2025, o Paraná contratou 28,02 mil apólices, quase 43,7% dos contratos firmados via PSR no país (64,17 mil apólices). Segundo Meneguette, os cortes dos últimos anos, pelo governo federal, são críticos e desestimulam ainda mais o agricultor.
Informações do PSR e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que o número de apólices caiu de 82 mil em 2021 para 26 mil em 2025, queda de 68,3% em quatro anos. Ainda de acordo com dados do programa, a extensão da área assegurada, no Paraná, acompanha o declínio das apólices.
Em 2021, o estado protegia mais de 3,8 milhões de hectares, mas esse número encolheu para 1,25 milhão de hectares em 2025, queda de 63,8%.
“Essa redução drástica nas contratações coloca a atividade rural em risco no Paraná e no Brasil, em especial diante das recorrentes intempéries climáticas. Sem seguro, a produção de alimentos fica descoberta”, afirma. “Sem a subvenção, a conta não fecha e o agricultor acaba assumindo sozinho os prejuízos. Esse cenário precisa ser revisto”, reforça Meneguette.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, nesta terça-feira (9), em Boa Vista (RR), cerca de R$ 5,6 milhões para ações de segurança alimentar, compra de alimentos e apoio produtivo no estado. A agenda incluiu a formalização de propostas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a entrega de sete máquinas agrícolas e a inauguração da nova sede da superintendência regional da estatal.
Do total anunciado, R$ 500 mil serão destinados a ações emergenciais após as chuvas em Roraima. Segundo a Conab, R$ 100 mil serão usados para atender cerca de 1.000 indígenas Ingarikó, em Normandia, com a compra de 16 toneladas de mandioca produzidas pela Cooperativa Agropecuária Indígena de Pacaraima. Outros R$ 400 mil serão aplicados na aquisição de 100 toneladas de alimentos para a rede socioassistencial de municípios em situação de emergência.
A maior parcela dos recursos, de aproximadamente R$ 5,1 milhões do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), será operacionalizada pela Conab por meio de 17 projetos de Termos de Pactuação da Agricultura Familiar. A previsão é comprar 1,1 mil toneladas de alimentos, entre pescados, mandioca, abóbora, milho-verde, batata-doce, feijão-caupi e melancia, criando mercado para agricultores familiares, pescadores artesanais e povos indígenas.
Na frente de mecanização, foram entregues três mini colheitadeiras do programa Arroz da Gente para 366 famílias de 25 aldeias indígenas. De acordo com a Conab, cada equipamento tem capacidade para colher até 400 quilos de grãos com consumo de 1 litro de diesel. Também foram entregues quatro kits do programa Mecaniza+, com implementos destinados a indígenas e assentados da reforma agrária. A estatal informa que o programa, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), pode elevar a produtividade em até 30%.
Ainda no evento, a Conab informou o início do pagamento de R$ 188,6 mil em fomento para 41 famílias indígenas neste mês e mais de R$ 1,1 milhão a partir de julho para outras 246 famílias selecionadas.
Os anúncios reforçam duas frentes com efeito direto sobre o campo em Roraima: a compra pública de alimentos, que amplia o escoamento da produção local, e a mecanização, que reduz a dependência de colheita manual. O alcance produtivo das medidas dependerá da execução dos projetos, da entrega dos equipamentos previstos e da continuidade da assistência técnica e do crédito rural informados pela Conab.
O Sistema Faep divulgou nota nesta terça-feira (9) cobrando “celeridade máxima” do governo federal no encaminhamento de informações à União Europeia perante o anúncio de suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil, como carnes bovina e de aves, mel, equinos, tripas e itens de aquicultura.
A entidade afirma que a iniciativa do bloco se deu por conta da falta de envio, por parte do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), de evidências que atestem o cumprimento das exigências sanitárias, especialmente no controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
Por conta disso, o Sistema Faep encaminhou ofício, também nesta terça-feira, ao Ministério solicitando medidas para evitar a suspensão das importações a partir de 3 de setembro deste ano, prazo estipulado pelo bloco. A entidade considera que o embargo decorre da morosidade por parte do governo federal na prestação de informações.
“É inadmissível que nossos mercados sejam ameaçados por falta de agilidade e articulação diplomática. O agro brasileiro precisa de uma ação imediata do governo federal para evitar a suspensão dos negócios e, consequentemente, problemas para os pecuaristas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
De acordo com ele, é importante reforçar que o embargo imposto pela União Europeia não condiz com o real status sanitário da pecuária nacional e estadual. “O Paraná, por exemplo, é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021”, diz. O Brasil conquistou essa mesma certificação em 2025.
Mais recentemente, neste ano, a China também reconheceu todo o território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação. “Se esse embargo [da União Europeia] não for revertido, o dano vai muito além dos números da balança comercial. Estamos falando de punir diretamente o pecuarista, que fez a sua parte, investiu pesado e garantiu a qualidade que hoje destaca a carne brasileira internacionalmente”, conclui Meneguette.