Coesão público-privada será sagrada para o agro e para o Brasil

Não teremos mais a chance de realizar, nos próximos 40 anos, o que o Brasil conseguiu construir nas últimas quatro décadas sem uma sólida coesão entre os interesses estratégicos do setor privado e a governança do Estado brasileiro.
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O exemplo da aparente falta de timing, de orquestração ensaiada, pronta e preparada na questão dos documentos sobre antimicrobianos para a União Europeia, consegue criar um obstáculo a um acordo discutido ao longo dos últimos 25 anos, de gigantesca importância tanto para o Mercosul quanto para a União Europeia. Tudo isso em um cenário global inédito, com Trump reinando na mídia tradicional e nas redes sociais, além dos conflitos presenciais que marcam o ambiente internacional.
Esse acordo, portanto, é emblemático para o mundo inteiro.
Não poderemos mais depender de momentos em que heróis do governo surgiram e foram, sem dúvida, decisivos para o agro brasileiro. Podemos mencionar, entre todos os ministros desde 1970, ao menos quatro nomes com impacto significativo na abertura de portas para que a iniciativa privada vendesse para o mundo: Cirne Lima, Alysson Paolinelli, Roberto Rodrigues e Tereza Cristina.
Também vale enaltecer servidores e equipes do Ministério da Agricultura, das áreas sanitárias e regulatórias, da Embrapa e de tantas outras instituições, onde pessoalmente identificamos legítimos guerreiros.
Por outro lado, despontaram no empreendedorismo e no cooperativismo outros heróis que ergueram empresas competitivas, cooperativas exemplares e propriedades agrícolas únicas em inteligência agroambiental tropical. São diversos os exemplos que explicam a posição do Brasil no agro mundial.
Particularmente, tive a sorte de conviver direta e presencialmente com dois desses heróis: Shunji Nishimura, da Jacto, e Ney Bittencourt de Araújo, da Agroceres, além de toda uma rede exemplar de empresários ao longo destes últimos 40 anos. Com certeza, você se lembrará de dezenas de outros igualmente exemplares.
Mas e agora? Daqui para frente?
Não pode mais haver separação entre os interesses do Estado e da nação brasileira, fundamentados em legítimas análises geopolíticas e de competitividade. Precisamos de um plano estratégico em que governo e iniciativa privada, com ou sem fins lucrativos, compartilhem a mesma partitura para orquestrar as músicas que precisamos interpretar, fazer o país escutar e levar ao mundo, encantando corações e mentes.
A velocidade dita o ritmo. Se perdermos um único instante, deixamos de governar a orquestra.
Agora, a coesão tática, estratégica e de percepção exige maestria, foco total e atenção permanente. O jogo será decidido em um detalhe, em uma desatenção, em um acorde tardio que alguém esqueceu ou não percebeu a tempo de executar no precioso e exato momento.
A coesão das corporações empresariais com as questões de governo, em torno do imperativo maior do Estado brasileiro, passa a ser vital na guerra mundial do comércio, do crescimento do PIB e da segurança da dignidade de vida da população brasileira, das nações tropicais e do mundo.
Winston Churchill disse, durante a Segunda Guerra Mundial: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. A frase serve para a história do agro brasileiro até aqui.
Mas, daqui para frente, precisaremos de muitos fazendo a diferença. Os próximos 40 anos não serão vencidos por discussões político-ideológicas entre esquerda e direita. Ou cooperamos e ganhamos, ou brigamos e nos derrotamos.
“40 anos em 4” deveria ser o lema da coesão e da sinfonia que precisamos conduzir. Caso contrário, não será rap, funk, samba ou sertanejo. Será apenas a bagunça de uma cacofonia de perdidos na egolatria.
Coesão público-privada. Plano de Estado.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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