O tratamento de sementes é uma prática amplamente utilizada no manejo inicial das lavouras, contribuindo para proteger as plantas contra doenças e pragas logo nas primeiras fases de desenvolvimento. A adoção de tecnologias voltadas a essa etapa tem ganhado relevância por favorecer o estabelecimento das culturas e reduzir perdas produtivas no campo.
Uma solução voltada a esse manejo teve recentemente sua bula ampliada para novas culturas e alvos biológicos. O fungicida Torino®, da Sipcam Nichino Brasil, passou a contemplar mais 11 cultivos e dois nematoides de importância agrícola. Entre eles estão o nematoide-das-lesões Pratylenchus zeae, no milho, e o nematoide-das-galhas Meloidogyne incógnita, na soja. A ampliação também inclui algodão, amendoim, aveia, canola, centeio, cevada, ervilha, girassol, pastagem, sorgo e triticale.
De acordo com o engenheiro agrônomo Iago Carraschi, da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Sipcam Nichino, o produto já vinha sendo utilizado por produtores de soja, arroz irrigado, feijão, milho e sorgo desde seu lançamento, há cerca de três anos. A empresa também avalia a possibilidade de obter novos registros para a tecnologia nos próximos meses.
Segundo o especialista, a solução apresenta recomendações para doenças relevantes em diferentes culturas. Na soja, o produto é indicado para controle de podridão-da-semente, phomopsis, mancha-púrpura, antracnose, podridão aquosa e mofo-branco. No milho e no trigo, atua contra bolor-azul, podridão-do-colmo, helmintosporiose e brusone. Já no algodão, a bula ampliada inclui doenças como tombamento, mofo-branco e ramulose.
O agronegócio brasileiro conquistou, ao longo das últimas três décadas, um papel central na economia mundial. O crescimento populacional, a urbanização acelerada e o aumento do consumo de alimentos transformaram o país em um dos maiores fornecedores globais de commodities.
Esse modelo funcionou. E funcionou muito bem.
Mas o mundo mudou, e talvez o maior risco seja agir como se nada tivesse mudado.
Um mundo endividado pede reflexão, não automatismos
A economia global entrou em um período de ajuste profundo. Não se trata apenas de mais um ciclo econômico, mas de um cenário marcado por endividamento extremo, crescimento mais lento e tensões geopolíticas crescentes.
Hoje, a dívida combinada de governos e empresas se aproxima de 360% do PIB global. Isso não se resolve com medidas rápidas. É um processo longo, estrutural e restritivo, sobretudo para países emergentes.
Nesse ambiente, as previsões perdem valor. Reflexão estratégica ganha centralidade.
Geopolítica pressiona preços, e custos não cedem
O uso crescente da força econômica e política como instrumento de poder aumenta a instabilidade global. Os Estados Unidos retomam uma postura mais assertiva justamente quando o mundo perde fôlego econômico.
A tentativa de Donald Trump de reforçar a liderança americana ocorre em um contexto de inflação elevada e custo de vida pressionado. Esse tipo de movimento costuma gerar mais incerteza, menos investimento e cadeias produtivas mais frágeis.
O efeito é conhecido:
preços das commodities pressionados;
custos de produção em alta;
margens cada vez mais estreitas.
O retrovisor das grandes economias deixa um alerta
Estados Unidos, Europa e China já passaram por esse estágio de maturação econômica. A resposta foi clara: subsídios amplos, permanentes e estruturais ao setor agropecuário.
Essas economias entenderam que, em ciclos de baixo crescimento, o agro não se sustenta apenas pelo mercado.
O contraste brasileiro: juros altos e pouca capacidade de socorro
O Brasil chega a essa mesma transição em condições muito mais delicadas. O Estado está altamente endividado e com espaço fiscal limitado. Não há fôlego para ampliar subsídios de forma relevante além do que já existe, concentrado na agricultura familiar.
E há um agravante decisivo: Quanto maior a dívida, mais difícil é a queda da taxa de juros.
Com um endividamento elevado, o país convive, e tende a conviver por mais tempo, com uma das taxas de juros mais altas do planeta. Juros estruturalmente elevados encarecem o crédito, dificultam renegociações, pressionam o caixa do produtor e turbinam a fragilidade financeira do campo.
Esse fator age como um multiplicador de risco em um ambiente já adverso.
Um setor pressionado por todos os lados
O produtor brasileiro já enfrenta:
alto endividamento;
aumento das recuperações judiciais;
ausência de um seguro rural eficaz;
deficiência grave de infraestrutura, especialmente de armazenagem, hoje limitada .
Em outros países, esse conjunto de problemas levou a grandes aportes do Estado. No Brasil, essa alternativa simplesmente não existe.
Diversificar passa a ser proteção, não escolha
Nesse contexto, diversificação, integração de atividades, agregação de valor e gestão rigorosa deixam de ser estratégia opcional. Tornam-se instrumentos de defesa econômica.
Não se trata de abandonar commodities, mas de reduzir exposição em um país que entra em um ciclo difícil sem rede de proteção pública e com juros elevados.
Um convite à reflexão, antes que o cenário fique ainda mais duro
Este texto não faz previsões. Faz um chamado à reflexão.
Refletir sobre um mundo mais instável. Refletir sobre um Estado sem capacidade de amparo amplo. Refletir sobre juros altos que vieram para ficar por mais tempo.
Relatórios do Banco de Compensações Internacionais mostram um mundo com pouco espaço para erros. E o Brasil, nesse tabuleiro, precisa pensar antes de agir.
Em um cenário global endividado, geopoliticamente tensionado e com crédito caro, seguir no piloto automático pode custar muito caro ao agro brasileiro.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A conclusão da primeira fase do Programa Ação Integrada de Solo e Água (AISA) destaca os resultados
obtidos pelos 17 projetos realizados no PR e MS desde 2021, uma iniciativa da Itaipu Binacional em
parceria com a Embrapa, IDR-Paraná (Iapar-Emater), FAPED e USP/Esalq.
O Programa Ação Integrada de Solo e Água (AISA), realizado entre 2021 e 2025 pela Itaipu Binacional, consolidou uma das mais abrangentes iniciativas brasileiras de integração entre ciência, agricultura e segurança hídrica. Atuando na Área de Contribuição Hídrica Incremental do Reservatório de Itaipu (Área Incremental) – que é de aproximadamente 147.000 km² e abrange 228 municípios no Paraná e no Mato Grosso do Sul – Itaipu articulou uma rede nacional de instituições científico-tecnológicas e de ensino com mais de 390 pessoas trabalhando em torno de uma agenda comum: produzir mais, com mais rentabilidade econômica, conservar melhor e garantir água de qualidade e segurança hídrica, essencial não apenas para a continuidade da agricultura e da produção de alimentos, fibras e bioenergia, mas também para a geração de energia hidrelétrica que abastecerá Brasil e Paraguai nas próximas décadas.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, explica que o AISA representa um novo patamar de integração entre produção e conservação. “A matéria-prima da produção de energia em Itaipu é a água, que precisa se infiltrar pelo solo por dezenas de milhões de hectares entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, até chegar ao reservatório de Itaipu. Um caminho que encontra diferentes desafios para os pesquisadores, mas uma feliz convergência: o que é bom para a produção de energia também beneficia a agropecuária, um motor de desenvolvimento tecnológico e social. Quando garantimos solo saudável, água limpa e manejo sustentável, fortalecemos o agricultor, protegemos o território e asseguramos a longevidade energética da Itaipu”, afirma. “Um programa robusto como o AISA é decisivo porque une ciência de ponta, inovação e apoio direto a quem produz no campo, e isso gera benefícios para toda a sociedade”, complementa. A primeira fase do AISA, concluída agora em dezembro, teve a duração de quase cinco anos e contou com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (antigo Iapar–Emater, agora IDR-Paraná, Iapar-Emater), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (USP/Esalq), e da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (FAPED).
Ao longo da execução, mais de 90 mil pessoas, entre produtores, técnicos, gestores públicos e cooperativas, foram impactadas pelos 17 projetos, sendo 16 de Pesquisa e Transferência de Tecnologias e um de Gestão da Informação e do Conhecimento, que realizaram ações de transferência, capacitação, dias de campo, materiais técnicos e monitoramentos realizados em propriedades reais. O resultado é um conjunto de tecnologias validadas que melhora a infiltração de água no solo, reduz a erosão, conserva as florestas fluviais ou matas ciliares, aumenta a estabilidade produtiva e a resiliência agrícola frente a eventos climáticos extremos, tanto estiagens, quanto excesso de chuvas. Benefícios que alcançam toda a cadeia agroindustrial e protegem o reservatório de Itaipu contra assoreamento e poluição.
Segundo Hudson C. Lissoni Leonardo, Engenheiro Sênior da Itaipu, idealizador e coordenador-geral do AISA, os resultados demonstram que ciência aplicada e governança territorial são determinantes para conciliar produtividade e sustentabilidade. “A Itaipu avança em uma agenda inédita para o setor elétrico brasileiro: integrar ciência, agricultura conservacionista e governança territorial para garantir a segurança hídrica do presente e do futuro”, afirma Leonardo.
Foram entregues mapeamentos inéditos de solos, ferramentas de diagnóstico de manejo conservacionista, dados e informações de monitoramento climático e hidrossedimentológico, tecnologias e recomendações para sistemas produtivos sustentáveis, ações de saneamento rural e alcançados resultados como novos parâmetros testados e validados, maior estabilidade produtiva ao longo dos anos, melhor rentabilidade econômica, aumento acumulado de produtividade em médio e longo prazo em cobertura permanente e manejo adequado, com efeitos sinérgicos na estabilidade de produção agropecuária, recarga de aquíferos freáticos livres e produção de água, reflexo da melhor qualidade física dos solos e melhores condições de infiltração de água. Além de ter tido influência direta na proposta de política pública nacional ZARC Níveis de Manejo, que passa a considerar níveis de manejo conservacionista na concessão do seguro rural em um projeto-piloto no Paraná na safra 2025/2026.
De acordo com Alexandre Hoffmann, gerente-adjunto de Portfólios e Programas de PD&I da Embrapa, a parceria com a Itaipu Binacional é estratégica, tanto pelos temas e resultados que se materializam ano a ano nos trabalhos executados nos estados do PR e MS quanto pelo fato de proporcionar a abordagem, por meio de duas empresas públicas, em questões cruciais para a sustentabilidade da agricultura, servindo de referência para todo o Brasil e para outros países no manejo do solo e da água. “O AISA I é um nítido exemplo de sucesso, pela sinergia entre nossas equipes e com os agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e produtores rurais em um expressivo número de municípios e também por abrir espaços para que essa parceria se mantenha ativa ainda por longo tempo, já que são ações de PD&I que requerem estudos de longo tempo para avaliação do efetivo impacto. O Workshop realizado em abril de 2025 foi um momento em que essas constatações ficaram ainda mais visíveis, com o aval da Diretoria da Embrapa e dos gestores das Unidades para que as ações em curso se fortaleçam e novas abordagens alinhadas aos interesses em comum entre Itaipu e Embrapa gerem ainda mais impactos positivos para a sociedade”, destaca Hoffmann.
As exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançaram US$ 19,8 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1997. O resultado confirma o desempenho positivo observado ao longo do ano e mantém o setor como o principal responsável pelas vendas externas do estado, segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
De acordo com a Seapa, no acumulado de janeiro a dezembro, a receita das exportações do agronegócio mineiro registrou crescimento de 15,5% em comparação com o mesmo período de 2024. Os embarques de produtos agropecuários responderam por 43,5% da pauta exportadora de Minas Gerais. Em volume, no entanto, houve recuo de cerca de 5%, com o envio de 16,2 milhões de toneladas.
A análise aponta que a pauta exportada foi composta por aproximadamente 650 produtos agropecuários, destinados a 178 países. Os principais mercados foram China, com US$ 4,6 bilhões, Estados Unidos, com US$ 1,9 bilhão, Alemanha, com US$ 1,8 bilhão, além de Itália e Japão, ambos com US$ 1 bilhão em compras de produtos mineiros.
O complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo, apresentou queda de 9,8% na receita e de 1,2% no volume exportado. Ainda assim, o segmento movimentou US$ 2 bilhões, com embarque de 4,7 milhões de toneladas. Já o complexo sucroalcooleiro registrou retração de 20% em relação ao ano anterior, alcançando receita de US$ 2 bilhões, com volume exportado de 4 milhões de toneladas.
O segmento de carnes, que engloba bovina, suína e de frango, atingiu o maior valor exportado de toda a série histórica. Segundo a Seapa, o setor somou US$ 1,85 bilhão em receitas, consolidando “o melhor desempenho já observado”, com volume de 513 mil toneladas embarcadas.
Queijos e doce de leite garantiram a liderança de Minas Gerais nas exportações desses produtos em relação a outros estados. A análise destaca que “os dados demonstram não apenas crescimento em receita, mas uma reconfiguração qualitativa do posicionamento internacional dos derivados mineiros”. As exportações de queijos totalizaram US$ 10 milhões, enquanto o doce de leite alcançou receita de US$ 838 milhões.
As pastagens apresentaram evolução favorável em grande parte do Rio Grande do Sul nas últimas semanas, impulsionadas por chuvas regulares, umidade adequada do solo e temperaturas elevadas. Segundo a Emater/RS-Ascar, esse conjunto de fatores “favoreceu o desenvolvimento das pastagens gens”, com boa resposta das plantas às adubações de cobertura, especialmente as nitrogenadas, resultando em rebrota e aumento da produção de massa verde. Áreas de campo nativo e de pastagens agensimplantadas seguem em desenvolvimento vegetativo, com melhoria na oferta e na qualidade da forragem.
Na região administrativa de Bagé, as pastagens de milheto, sorgo forrageiro e capim-sudão registraram crescimento consistente, beneficiadas pela umidade e pela radiação solar. A Emater/RS-Ascar informa que áreas implantadas de forma escalonada já estão disponíveis para pastejo, enquanto as mais recentes estão sendo preparadas para a entrada dos animais a partir da segunda quinzena de janeiro. Em Hulha Negra e Aceguá, a oferta de trevo e cornichão é considerada suficiente tanto para pastejo direto quanto para fenação ou colheita de sementes. Em Candiota, produtores relatam problemas associados a derivados de herbicidas utilizados em culturas de soja.
Na região de Caxias do Sul, a redução da umidade do solo contribuiu para o manejo das pastagens e para a execução de trabalhos nas mangueiras. De acordo com a Emater/RS-Ascar, áreas com elevada presença de trevo-branco receberam manejo preventivo “para evitar casos de timpanismo em bovinos”, tendo, em algumas propriedades, uso associado de monensina.
Em Erechim, as chuvas consecutivas limitaram o desempenho das espécies forrageiras, com redução do crescimento em função da menor fotossíntese. Ainda assim, as pastagens anuais de verão mantiveram oferta de forragem considerada suficiente para o pastel.
Nas regiões de Ijuí, Frederico Westphalen, Pelotas e Santa Maria, as forrageiras anuais e as perenes de verão apresentam elevada produção de massa verde, boa qualidade e rápida rebrota após o pastel. Segundo a Emater/RS-Ascar, esses fatores garantem “volume suficiente para o pastel”, associado ao manejo adequado das pastagens e dos piquetes.
Na região de Soledade, foram observadas altas taxas de crescimento das pastagens anuais e perenes de verão. No campo nativo, ocorre o desenvolvimento de leguminosas nativas, com destaque para o pega-pega, identificado pela Emater/RS-Ascar como espécie de “bom valor proteico” e atualmente em período de disseminação de sementes.
Em Santa Rosa, tanto no campo nativo quanto nas gramíneas perenes, houve incremento rápido da área foliar, elevando a disponibilidade de forragem e gerando sobra de pasto em propriedades. Após chuvas intensas registradas em 29 de dezembro, piquetes pastejados com excesso de umidade, compactação do solo, redução de plantas e menor rebrota. Com o retorno do tempo firme e da insolação, foram intensificados os trabalhos de roçada, fenação e produção de pré-secado, embora a Emater/RS-Ascar aponte que, em diversas áreas, o atraso dessas práticas encontradas em maior proporção de talos em relação às folhas.
O verão reúne condições consideradas favoráveis ao desenvolvimento de diversas culturas agrícolas na Bahia, como soja, milho, feijão, arroz, algodão e café. De acordo com informações da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), o período se caracteriza pela alta luminosidade, temperaturas elevadas e boa distribuição de chuvas, fatores essenciais para o crescimento das plantas. A pasta destaca que a atenção às condições climáticas também é fundamental para a pecuária, uma vez que grande parte do território baiano está localizada na região do semiárido.
Segundo a Seagri, o acompanhamento constante das previsões meteorológicas é uma das principais orientações aos produtores para garantir melhores resultados no verão. Entre as ferramentas disponíveis, o órgão aponta o aplicativo ZARC – Plantio Certo, que permite o acesso às informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, indicando as melhores épocas de plantio para mais de 43 culturas e os diferentes níveis de risco associados a eventos meteorológicos.
A secretaria informa ainda que estratégias como a integração lavoura-floresta, o plantio direto com manutenção da palhada no solo e o uso de cultivares geneticamente melhoradas contribuem para a conservação da umidade e para maior tolerância das lavouras à seca.
Na pecuária, o clima segue como um dos principais fatores que influenciam a produtividade. De acordo com o assessor técnico da Seagri, Paulo Emílio Torres, “Especialmente pelo fato de que cerca de 80% do território do Estado está inserido na faixa do semiárido, realidade que historicamente moldou os sistemas produtivos e a forma de convivência com o clima. Essa característica impõe desafios, mas também consolidou um modelo de produção baseado na adaptação, resiliência e planejamento”.
Para o gestor, a convivência com o semiárido permanece como a principal estratégia para a sustentabilidade da atividade pecuária no estado. “Em anos com maior volume de chuvas, torna-se fundamental que os produtores estejam preparados para ampliar a produção e o armazenamento de alimentos, como silagens, fenos e forragens estratégicas, criando reservas capazes de sustentar os rebanhos em períodos menos favoráveis”, destaca.
Em anos de menor precipitação, conforme a avaliação da Seagri, a manutenção da produtividade depende do uso dessas reservas alimentares, aliado à adoção de espécies forrageiras adaptadas, manejo adequado dos rebanhos, tecnologias para o uso eficiente da água e práticas sustentáveis.
O mercado brasileiro de soja iniciou 2026 com ritmo lento de negócios, preços pressionados e pouca liquidez. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, janeiro segue praticamente sem janela para a exportação, o que reduz a necessidade de compra por parte das indústrias e mantém o mercado travado. Com poucas ofertas e produtores ainda retraídos, as cotações acabaram cedendo em grande parte das praças.
Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link!
Silveira destaca que as variações negativas ficaram, em geral, entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca, em um ambiente sem grandes novidades, no qual o foco começa a migrar para a colheita da nova safra. A movimentação limitada reflete a combinação de demanda fraca no curto prazo e cautela do produtor diante do atual patamar de preços.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): caiu de R$ 136,00 para R$ 134,00
Cascavel (PR): caiu de R$ 135,00 para R$ 127,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 110,00 para R$ 116,00
Porto de Paranaguá (RS): subiu de R$ 128,00 para R$ 135,00
Mercado internacional de soja
No mercado internacional, a soja negociada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) apresentou recuperação na primeira semana do ano. Os contratos com vencimento em março acumularam alta semanal de 2,03% e eram cotados a US$ 10,67 por bushel na manhã de sexta-feira (9). O movimento foi sustentado pela valorização do petróleo e, principalmente, pelo sentimento de aquecimento da demanda chinesa pela soja norte-americana.
Apesar da reação, os ganhos em Chicago seguem limitados pela expectativa de ampla oferta global. Brasil e Argentina não apresentam, até o momento, problemas relevantes que comprometam seus potenciais produtivos, e o ingresso de safras cheias na América do Sul continua pesando sobre o cenário fundamental da oleaginosa.
USDA vem aí
Para o início da próxima semana, o mercado volta suas atenções ao relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na segunda-feira, às 14h. A expectativa é de revisão para baixo da produção norte-americana em 2025/26, enquanto os estoques de passagem dos Estados Unidos devem ser ajustados para cima.
Analistas consultados por agências internacionais indicam que a safra americana poderá ser reduzida de 4,253 bilhões para 4,232 bilhões de bushels. Já os estoques finais dos Estados Unidos em 2025/26 devem ser elevados para 301 milhões de bushels, ante 290 milhões estimados em dezembro.
No quadro global, o mercado projeta estoques finais mundiais de soja em 123,1 milhões de toneladas para a temporada 2025/26, acima dos 122,4 milhões apontados no relatório anterior. Os estoques trimestrais norte-americanos na posição de 1º de dezembro também devem ficar acima do volume registrado no mesmo período de 2024, com estimativa de 3,296 bilhões de bushels. O relatório trimestral do USDA será divulgado na segunda-feira, dia 12, às 14h.
Imagem gerada por Inteligência Artificial para o Canal Rural
A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, após 26 anos de negociações, pode gerar um aumento de até US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para o bloco europeu. A estimativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), que aponta impacto direto sobre a indústria, o agronegócio e as cadeias de valor do comércio exterior do país.
Segundo a Apex, o acordo cria um dos maiores mercados integrados do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado próximo de US$ 22 trilhões, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, com fluxo considerado equilibrado entre exportações e importações.
Dados da agência mostram que, mesmo antes da ratificação do acordo, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 4%, movimento atribuído à reorganização das cadeias globais e à busca por novos mercados diante de barreiras comerciais em outras regiões.
Indústria e agro entre os principais beneficiados
A Apex destaca que mais de um terço das exportações brasileiras para a União Europeia é composto por produtos da indústria de processamento, o que reforça o potencial de crescimento em segmentos de maior valor agregado.
No setor industrial, o acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, como motores, geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves, além de oportunidades para produtos como couro e peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e itens químicos.
No agronegócio, haverá redução gradual das tarifas, até a alíquota zero, para diversas commodities, dentro de cotas estabelecidas. Entre os principais produtos brasileiros exportados para o bloco europeu estão carne de aves, carne bovina e etanol.
Mercado estratégico
Para a ApexBrasil, a complementaridade entre as economias do Mercosul, com produção agrícola contínua, e a União Europeia, com elevado poder de consumo e demanda industrial, tende a ampliar o comércio bilateral e a integração das cadeias produtivas, com efeitos positivos sobre investimentos, competitividade e geração de renda no Brasil.
A atuação de uma frente fria, associada a um cavado em níveis médios e altos da atmosfera, vai manter o tempo instável em boa parte do país entre segunda-feira (12) e sexta-feira (16). O sistema provoca chuva volumosa em áreas do Sul e do Sudeste, além de temporais isolados em outras regiões, segundo a previsão do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Sul: chuva intensa e calor abafado
Na região Sul, o tempo segue instável nos três estados. As chuvas começam de forma fraca nas primeiras horas da semana no interior do Paraná e no sul e sudeste do Rio Grande do Sul, mas ganham força ao longo do dia, especialmente no Paraná e no litoral de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a precipitação tende a ser mais fraca no litoral e na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Ao longo da semana, o calor e a umidade mantêm o clima abafado, com temperaturas máximas acima dos 33°C a 34°C. O acumulado de chuva em cinco dias pode chegar a 100 mm no leste de Santa Catarina e do Paraná, com risco de alagamentos urbanos, inclusive em Curitiba e Florianópolis, além de atraso nos trabalhos de campo. Nas demais áreas, as pancadas típicas de verão devem somar entre 20 e 30 mm, favorecendo a umidade do solo.
Sudeste: frente fria provoca temporais em SP e sul de MG
No Sudeste, a semana começa com tempo firme na maior parte da região, mas a situação muda ao longo do período. A frente fria que atua no Paraná avança sobre São Paulo, aumentando o risco de chuva forte e temporais, principalmente no oeste e sul paulista.
O sistema também leva chuva para o sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e sul do Rio de Janeiro, com acumulados entre 50 e 70 mm, ajudando a repor a umidade do solo e beneficiando lavouras em desenvolvimento.
Nas demais áreas de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, a semana será mais quente e seca, com máximas de 33°C a 34°C e chuvas passageiras que não devem ultrapassar 10 a 15 mm.
Centro-Oeste: temporais e impacto nas lavouras
No Centro-Oeste, a semana será marcada por chuvas frequentes e risco de temporais, principalmente na área da tríplice divisa entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do noroeste mato-grossense. Os volumes podem chegar a 70 a 80 mm, favorecendo a soja em fase de enchimento de grãos, mas atrasando o início da colheita em algumas localidades.
Em outras áreas de MS e MT, as pancadas típicas de verão devem acumular 30 a 40 mm. Já no centro-norte de Goiás, o tempo tende a ficar mais quente e seco, com máximas entre 33°C e 34°C.
Nordeste: calor predomina e chuva é mal distribuída
No Nordeste, há previsão de pancadas isoladas no interior do Maranhão e no litoral da Bahia. A chuva ganha força pontualmente no oeste baiano e na faixa norte do Ceará e do Rio Grande do Norte, enquanto o restante da região segue com tempo mais firme e calor intenso.
A semana será quente e seca na maior parte do Nordeste, com máximas em torno de 35°C, elevando o risco de focos de incêndio. Os melhores volumes de chuva ficam restritos ao Maranhão e aos extremos sudoeste e sudeste da Bahia, com acumulados entre 20 e 30 mm.
Norte: chuva volumosa e risco de temporais
Na região Norte, a chuva ocorre desde as primeiras horas do dia no Amazonas, Roraima, Acre, oeste do Pará e Tocantins. Ao longo do dia, as instabilidades se intensificam e avançam sobre Rondônia e Amapá, com risco de temporais.
Os acumulados semanais podem alcançar 100 mm no Acre e no oeste do Amazonas. Em contrapartida, o noroeste do Pará e o sudeste do Tocantins devem enfrentar tempo mais quente e seco, com máximas próximas dos 35°C. Nas demais áreas, a chuva típica de verão pode somar ao menos 40 mm nos próximos cinco dias.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Pixabay
A normatização do trânsito de animais vivos e ovos férteis em Minas Gerais está em processo de atualização e poderá receber contribuições diretas da sociedade. A revisão envolve a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de animais no país, e da Autorização de Transferência Animal (ATA), utilizada para a movimentação de animais dentro de um mesmo estabelecimento agropecuário. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
Com o objetivo de ampliar a participação de produtores rurais, pecuaristas, médicos-veterinários e demais interessados, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abriu consulta pública sobre a nova proposta normativa que trata do controle e da movimentação animal no estado. Segundo o órgão, “o prazo para envio de contribuições segue aberto até 21 de janeiro”, e a minuta da legislação, assim como o formulário para participação, estão disponíveis no site institucional.
De acordo com a proposta em consulta, a norma prevê a exigência de regularidade cadastral dos estabelecimentos e dos rebanhos junto ao IMA, além da consolidação do uso de sistemas eletrônicos. O texto também estabelece alinhamento aos manuais e às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Conforme a análise, a atualização “passa a regulamentar, em ato normativo, a Autorização de Transferência Animal e a disciplinar formalmente as hipóteses e os procedimentos para o cancelamento da GTA”, com o objetivo de conferir maior clareza aos processos.
A proposta ainda inclui a exigência de apresentação de procuração quando a solicitação de emissão da GTA for realizada por terceiros. Segundo o documento, a medida busca garantir que “a movimentação dos animais ocorra com a devida autorização do produtor responsável”, reforçando os mecanismos de controle e a segurança do processo de emissão das guias.