Os custos de produção de suínos e de frangos de corte subiram em novembro, em relação a outubro, mostra levantamento da Embrapa Suínos e Aves por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias).
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 1,68% na comparação com outubro, passando a R$ 4,63. O ICPFrango foi de 358,40 pontos. Apesar disso, destaca a Embrapa em nota, no acumulado de 2025 a variação é negativa de -3,30%.
No comparativo de 12 meses o índice também registra queda: -2,17%. “A ração, que representou 62,41% do custo total em outubro, subiu 0,58% no mês. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,60% do total) aumentaram 7,66% no período”, informa.
Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,42 em novembro, alta de 1,12% em relação ao mês anterior. O ICPSuíno foi de 367,06 pontos. No acumulado de 2025, o índice também registra aumento (3,37%).
Em 12 meses, a variação é de 2,92%. Conforme a Embrapa, a ração, responsável por 71,76% do custo total de produção na modalidade de ciclo completo, subiu 1,74% no mês.
Santa Catarina e Paraná, maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente, são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da Cias.
A chamada “guerra comercial 2.0”, iniciada em abril pelo governo dos Estados Unidos, provocou fortes impactos nos mercados globais ao longo de 2025, especialmente no setor agrícola. Segundo a empresa Hedgepoint, a imposição de tarifas a diversos países ampliou o alcance do conflito comercial em relação à disputa anterior, mas, assim como no passado, a China voltou a ser o principal foco das medidas norte-americanas.
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Em resposta, Pequim adotou tarifas recíprocas sobre produtos dos Estados Unidos, incluindo a soja, principal item agrícola exportado pelos norte-americanos ao país asiático. A medida praticamente inviabilizou as compras chinesas, derrubando as exportações dos EUA e aumentando a pressão sobre os preços na Bolsa de Chicago.
“A guerra comercial trouxe volatilidade significativa para os preços agrícolas, especialmente para a soja. A interrupção das compras chinesas pressionou as cotações e gerou incertezas sobre o equilíbrio global de oferta e demanda”, afirma Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Novo cenário
O cenário começou a mudar no fim de outubro, quando os presidentes dos Estados Unidos e da China se reuniram na Coreia do Sul e anunciaram uma trégua comercial, com redução de tarifas de ambos os lados. Segundo o governo norte-americano, o entendimento prevê compras chinesas de soja dos EUA até fevereiro, além de volumes anuais expressivos nos anos seguintes. A partir disso, as vendas voltaram a ser registradas, com novos anúncios feitos pelo USDA após semanas de ausência de negócios.
Apesar da reação inicial positiva, o mercado segue cauteloso. “As metas de compra são ambiciosas, mas ainda existem dúvidas sobre a capacidade da China de cumprir esses volumes no curto prazo”, avalia Roque. Mesmo assim, o retorno da demanda chinesa ajudou a dar suporte às cotações em Chicago, ainda que novas especulações tenham surgido nas últimas semanas sobre o real alcance desses compromissos.
USDA
Dados do USDA mostram que, até o fim de novembro, as compras chinesas de soja norte-americana estavam bem abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior. Quando somadas às vendas destinadas a “destinos desconhecidos”, que frequentemente acabam tendo a China como destino final, o volume ainda permanece distante do padrão histórico. Considerando também os anúncios diários de vendas feitos nas semanas seguintes, o total acumulado indica avanço, mas ainda reforça a necessidade de acompanhamento próximo do mercado.
“Esse volume já representa uma parcela relevante do que foi anunciado como meta até fevereiro, o que torna possível o cumprimento do acordo. No entanto, não há clareza sobre os termos, já que apenas o lado norte-americano se manifestou oficialmente”, explica Roque. Ele destaca ainda que a entrada da nova safra brasileira, com maior oferta e preços mais competitivos a partir de fevereiro, pode limitar o ritmo das compras dos EUA. “A principal dúvida do mercado segue sendo quanto a China irá, de fato, comprar de soja norte-americana nos próximos anos”, conclui.
A importação de fertilizantes ocorrida no período de janeiro a novembro deste ano chega a 41,73 milhões de toneladas. O volume registrado alcança um novo recorde e supera o obtido no mesmo período de 2024, quando foram internalizadas 40,84 milhões de toneladas.
O dado está na edição de dezembro do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“Esse maior volume de entrada de fertilizantes já registrado vem da percepção do agricultor brasileiro de um cenário de oportunidades, a partir das negociações tarifárias envolvendo os Estados Unidos e a China. Mudanças regulatórias, sanitárias ou econômicas mostram que há espaço para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.
O Porto de Paranaguá, no Paraná, continua sendo o principal eixo de entrada de fertilizantes no país, com a internalização de 10,16 milhões de toneladas do produto. O Arco Norte vem se consolidando como uma importante rota de entrada e saída dos produtos agropecuários.
Pelos portos da região norte do país, foram desembarcadas cerca de 7,56 milhões de toneladas de fertilizantes, tornando-se a segunda maior porta de entrada de insumos do país, passando levemente o volume registrado no porto de Santos pela primeira vez. Pelo estado de São Paulo, foram internalizadas cerca de 7,52 milhões de toneladas.
A AGCO passou a utilizar um sistema de inteligência artificial (IA) em sua linha de produção para apoiar a auditoria das regras de configuração de tratores. A iniciativa da empresa, que tem em seu portfólio as marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, está em fase de testes e é aplicada na unidade industrial localizada em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.
O projeto integra a área de engenharia de produto e tem como foco a validação técnica antes do início da fabricação das máquinas.
A auditoria das regras de configuração é uma etapa necessária no processo produtivo, pois cada trator pode ser montado em diferentes versões, de acordo com as escolhas feitas pelo produtor no momento da compra.
Essas variações consideram fatores como tipo de cultivo, características do terreno e porte da operação agrícola. A partir dessas demandas, um mesmo modelo pode receber itens como rodagem dupla, piloto automático ou sistemas de telemetria.
Complexidade na configuração das máquinas
Cada modificação feita no projeto de um trator impacta diretamente outros componentes do conjunto. Quando uma peça é alterada ou adicionada, é necessário garantir que todos os sistemas relacionados estejam compatíveis. Um exemplo citado pela empresa é a configuração de rodagem dupla, que exige a instalação de um comando específico no painel da cabine para o acionamento da embreagem correspondente.
Esse conjunto de interdependências é definido por regras técnicas que precisam ser verificadas antes da produção. Até então, essa validação era feita de forma manual por especialistas, a partir do cruzamento de diferentes documentos técnicos que reúnem todas as possibilidades de configuração do produto.
IA apoia validação das regras técnicas
Segundo Fabrício Natal, vice-presidente global de Engenharia da AGCO, a identificação do potencial da inteligência artificial ocorreu justamente nessa etapa do processo. “Existe um conjunto de regras técnicas que precisa ser validado antes do início da produção para garantir o funcionamento do trator. Foi nesse ponto que identificamos o uso da inteligência artificial para apoiar o processo”, afirma.
A IA foi treinada para analisar e cruzar automaticamente as informações presentes nos documentos de engenharia, verificando se as combinações de componentes estão de acordo com as regras estabelecidas. O sistema atua como apoio aos técnicos, que continuam responsáveis pela análise final e pela tomada de decisão.
Ganho de tempo no processo de engenharia
De acordo com a AGCO, a primeira versão da ferramenta, ainda em fase de prototipação, demonstrou potencial para gerar uma economia estimada em cerca de 240 horas de trabalho por mês. O tempo anteriormente dedicado à conferência manual das regras passou a ser direcionado para atividades técnicas e estratégicas dentro da engenharia de produto.
Paulo Vilela, diretor de Engenharia de Sistemas da AGCO, explica que a automação permite realocar esforços para tarefas que exigem análise humana. “Estamos testando essa automação e prevendo ganhos que poderão ser revertidos em atividades que não podem ser automatizadas e demandam conhecimento técnico especializado”, diz.
Redução de falhas e impacto na produção
A auditoria das regras de configuração é considerada uma etapa crítica para evitar falhas que possam gerar retrabalho ou atrasos na entrega dos tratores. A expectativa da empresa é que o uso da inteligência artificial reduza a ocorrência de inconsistências entre os componentes e assegure que o produto final corresponda exatamente às especificações definidas no pedido.
“A atividade é essencial para garantir que o trator atenda ao que foi solicitado. A IA já demonstra capacidade de realizar essa verificação com precisão”, afirma Vilela. Segundo ele, a tecnologia atua como uma ferramenta de apoio à qualidade do processo produtivo.
Projeto brasileiro com alcance global
O sistema desenvolvido pelo time da AGCO no Brasil faz parte de uma estratégia global de inovação da companhia. Atualmente, em unidades da empresa localizadas em países como Finlândia, Alemanha e Estados Unidos, a verificação das regras de configuração ainda é realizada de forma manual.
De acordo com Fabrício Natal, a solução testada na fábrica de Mogi das Cruzes pode ser adotada por outras unidades no futuro. “A proposta desenvolvida no Brasil tem potencial para ser utilizada em outras fábricas da companhia”, comenta.
Ppreços médios dos feijões conseguiram se sustentar
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Foto: Divulgação
Apesar de a liquidez ter sido menor ao longo da semana passada, levantamento do Cepea mostra que os preços médios dos feijões conseguiram se sustentar, especialmente os do feijão carioca – para o grão preto, foram verificadas variações distintas dentre as regiões.
Quanto ao carioca, as altas ainda prevalecem, com as variações mais intensas nos valores dos de notas entre 8,0 e 8,5, em comparação aos melhores tipos. Enquanto isso, agentes consultados pelo Cepea seguem atentos ao cultivo da nova temporada nas diferentes regiões e às atividades de colheita em São Paulo, que está na reta final, e no Paraná, que está se iniciando.
Especificamente no Paraná – maior produtor nacional de feijão e responsável por mais de 25% da oferta nas últimas quatro safras –, a produção deve cair na safra 2025/26. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações registradas em 2025 têm desestimulado o cultivo do grão. Dados do Deral/Seab apontam que, no agregado, a oferta paranaense de 2025/26 pode somar 744,6 mil toneladas, 11,5% abaixo da de 2024/25.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta terça-feira (23) que vai destinar até R$ 106 milhões para a compra emergencial de leite em pó. O investimento vai ter execução imediata, por meio da modalidade Compra Institucional, no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Ao todo, vão ser adquiridos mais de 2,5 mil toneladas do produto, com foco nos estados da região Sul do país, a principal produtora de leite do Brasil. Segundo a estatal, a medida tem o objetivo de mitigar o cenário de crise enfrentado pelos produtores, causada pelo excesso de produção no campo.
“Essa ajuda é fruto de uma intensa mobilização que fizemos em Brasília para o setor leiteiro seguir incentivado a produzir”, afirmou o presidente da Conab, Edegar Pretto. A declaração ocorreu após reunião em Porto Alegre (RS) com representantes do setor leiteiro. Também participaram o diretor de Política Agrícola e Informações, Silvio Porto, e o superintendente regional do estado, Glauto Lisboa.
A produção brasileira de leite em 2024 foi de 35,6 milhões de litros, de acordo com dados divulgados pelo governo federal. Para este ano, Pretto aponta que o país “teve uma produção de leite acima de outros”, o que reforça a perspectiva de produção excedente. Segundo ele, a intenção da compra é “enxugar” parte desse mercado, com a expectativa de que o preço pago aos produtores retorne a patamares mais elevados.
Para efeitos de comparação, o preço médio do leite pago ao produtor calculado pelo Cepea fechou outubro em R$ 2,2996/litro, na Média Brasil. Em estados de grande relevância, como o Rio Grande do Sul, a cotação média é de R$ 2,2170/litro. Em Santa Catarina, a situação é semelhante: o litro do leite está precificado em R$ 2,2040.
Setor reconhece ação, mas pede medidas mais amplas
Na avaliação do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, a medida anunciada pela Conab é positiva. “Os produtores de leite estão numa situação muito difícil e qualquer apoio é muito bem-vindo”, disse. Nesse sentido, a expectativa do dirigente é que a ação também ajude a impulsionar o setor leiteiro nacional.
O presidente da Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste (Coperforte) de Santana do Livramento, Elio Müller, também enxerga a medida como um alívio para as entidades do setor leiteiro. Ele enfatizou a situação problemática do mercado, com preços muito baixos aos produtores. “Saímos daqui satisfeitos com essa iniciativa, pois entendemos que a partir dela iremos voltar a escoar a nossa produção para a indústria”, afirmou.
Por outro lado, a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) alerta para a necessidade de medidas mais amplas. O presidente da entidade, Marcos Tang, disse que o anúncio da estatal, de forma isolada, é insuficiente. “Precisamos que essa ação seja somada a outras. Que os estados produtores de leite se somem a essa ação no sentido de comprarem o produto também”, ponderou ele, por meio de nota.
Além disso, Tang destacou a questão da tarifa antidumping para derivados lácteos dos países do Mercosul como exemplo. Apesar da crítica, ele reconheceu que a retirada de leite em pó do mercado pode fazer os preços melhorarem. “O que nós estamos reivindicando é que o produtor possa pelo menos cobrir o prejuízo”, disse.
Na mesma linha, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) pede planos com maior amplitude. Para o secretário-executivo da entidade, Darlan Palharini, o montante é insuficiente para a adoção de medidas de impacto imediato. Ele também reforçou os impactos negativos da importação de produtos do Mercosul.
“Esse leite importado está sendo utilizado na produção de biscoitos, chocolates e alimentos processados. Produtos que eram adquiridos de empresas e produtores brasileiros”, explicou.
Como as compras vão funcionar?
Segundo a Conab, os agricultores familiares de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Alagoas, Sergipe e Goiás, vão poder inscrever propostas para fornecer leite em pó para a Companhia. Isso deve ocorrer, entretanto, por meio de associações, cooperativas e demais organizações formalmente constituídas.
Em termos custeamento da operação, a Conab vai pagar cerca de R$ 41,89 por quilo do produto, um preço único calculado a partir do preço médio de referência das superintendências regionais do PR, SC e RS. O valor de referência, fixado através da Política de Garantia de preços Mínimos (PGPM), está em R$ 1,88 por litro, enquanto o preço médio pago pelo mercado está em torno de R$ 2,22 por litro.
Ainda de acordo com a Conab, a compra vai ser realizada de forma articulada, entre a matriz e as superintendências regionais.
O grupo francês Savencia Fromage & Dairy anunciou a assinatura de um acordo para a aquisição da Quatá Alimentos, uma das principais empresas brasileiras do segmento de queijos, leite e derivados. A operação envolve marcas tradicionais como Quatá e Glória, presentes há décadas na mesa dos brasileiros, e reforça a estratégia de expansão da multinacional no mercado lácteo nacional.
Com o negócio, a Savencia amplia seu portfólio no Brasil ao incorporar marcas consolidadas da Quatá, como a Glória, criada em 1960, e a própria Quatá, fundada em 1990. As duas empresas atuam de forma complementar no mercado, com forte presença em diferentes categorias de queijos e produtos lácteos.
Fundada como uma empresa familiar no interior de São Paulo, a Quatá Alimentos é reconhecida pela tradição e pela qualidade de seus produtos. A companhia possui fábricas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e é referência nacional na produção de queijos semiduros e queijos azuis, além de manter forte atuação em segmentos como queijo tipo coalho, gorgonzola, emmental e gruyère.
Segundo a Savencia, a aquisição reforça sua presença histórica no Brasil, onde o grupo atua há décadas com marcas tradicionais como Polenghi, Campo Lindo, Polenguinho e Frescatino. “Esta operação representa uma etapa importante da nossa trajetória de crescimento no Brasil, pois permitirá complementar o portfólio e consolidar ainda mais a posição da Savencia no mercado lácteo brasileiro”, afirmou Olivier Delaméa, diretor-geral do grupo.
Os fundadores da Quatá Alimentos, José Henrique Coutinho e Maurício Franco, destacaram que a união com a Savencia preserva os valores da empresa. “Damos um novo passo ao integrar a Quatá à família Savencia, guiados pelos mesmos princípios que construíram nossa história. Este movimento fortalece nosso legado e garante sua continuidade”, afirmaram em nota.
A conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento das etapas regulatórias previstas em lei. Até que o processo seja finalizado, Savencia e Quatá seguirão operando de forma independente, garantindo a continuidade das atividades e o atendimento aos clientes e consumidores.
Presença global e atuação no Brasil
A Savencia Fromage & Dairy é um grupo francês de controle familiar, com presença em cerca de 120 países e mais de 22 mil colaboradores. É o segundo maior produtor de queijos da França e o quinto maior do mundo. No Brasil, a empresa atua com marcas como Polenghi, Polenguinho, Frescatino, Campo Lindo, Ile de France, Skandia e Polenghi Profissional, além de manter unidades industriais em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Já a Quatá Alimentos foi fundada em 1990 em Teodoro Sampaio, no interior paulista, e se tornou uma das principais referências do setor lácteo no país. A empresa conta com mais de 1,9 mil colaboradores e atua nacionalmente com as marcas Quatá e Glória.
O setor da soja caminha para encerrar 2025 com um balanço amplamente positivo, impulsionado pela força das exportações e pela recuperação produtiva em importantes regiões do país. No último episódio do Soja Brasil, Vlamir Brandalizze, consultor em agronegócio, apontou que o Brasil fechará o ano com uma safra em torno de 171 milhões de toneladas, consolidando um bom desempenho do complexo soja no mercado internacional. “Estamos fechando um ano bom de soja, do complexo soja de exportação”, afirma.
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De acordo com Brandalizze, os embarques devem superar 108 milhões de toneladas de soja em grão, além de mais de 22 milhões de toneladas de farelo, garantindo forte entrada de divisas na economia brasileira. “Foi um ano que trouxe muita divisa”, ressalta. No Centro-Oeste, o destaque é Mato Grosso, que voltou a registrar condições climáticas mais regulares e confirma seu elevado potencial produtivo. “Mato Grosso mostra que tem potencial de 50, 52, 53 milhões de toneladas de soja”, avalia.
Logística como desafio
Apesar do cenário favorável no campo, o analista chama atenção para os gargalos logísticos que tendem a se intensificar nos próximos meses. Com a comercialização ainda atrasada, a colheita concentrada entre o fim de fevereiro e março pode pressionar armazenagem e fretes. “O grande gargalo do Mato Grosso vai ser a logística. O produtor vai colher no pico e pode sentir março como o mês mais fraco em cotações”, alerta.
Safra de soja pelo Brasil
No Matopiba, que engloba Maranhão, Bahia, Piauí e Tocantins, o quadro também é positivo. Após um período de irregularidade climática, a umidade começa a se normalizar, favorecendo o avanço da produção. “Agora que está se normalizando o quadro de umidade, há um crescimento constante da produção”, afirma Brandalizze. Ainda assim, ele destaca que os corredores de exportação seguem estrangulados, inclusive nos embarques via São Luís. “Vamos para uma safra grande, mas temos que melhorar a logística”, pondera.
O analista também vê novas oportunidades na região, especialmente com o avanço do sorgo safrinha, impulsionado pela instalação de indústrias de etanol. “O sorgo deve ser a bola da vez no Matopiba, uma oportunidade importante para o produtor”, diz.
No Sul do país, a expectativa é de uma safra mais equilibrada. O Rio Grande do Sul tende a apresentar desempenho melhor do que nos últimos anos, apesar de alguns pontos já indicarem dificuldades pontuais. “A safra gaúcha deve ficar próxima da normalidade”, projeta. No Paraná, as condições seguem dentro do esperado, com bom regime de chuvas e ausência de veranicos em dezembro. “Esperamos uma safra cheia no Sul”, conclui Brandalizze.
Os preços da soja mantiveram relativa estabilidade no mercado brasileiro ao longo da semana de 12 a 18 de dezembro, segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada na quinta-feira (18). Sustentadas por um câmbio que chegou a atingir R$ 5,52 por dólar em alguns momentos e por prêmios de exportação mais firmes, as cotações ficaram entre R$ 124,00 e R$ 125,00 por saca nas principais praças do Rio Grande do Sul. Nas demais regiões do país, os preços variaram de R$ 116,00 a R$ 123,50 por saca.
De acordo com a Ceema, em comparação com o mesmo período do ano anterior, os valores mostram retração fora do Sul. Há um ano, o mercado gaúcho trabalhava próximo de R$ 125,00 por saca, enquanto em outras regiões os preços oscilavam entre R$ 125,00 e R$ 132,00. Ainda conforme a análise, ao longo da semana diversas praças ficaram sem referência de preço, em função das incertezas cambiais e do movimento de baixa observado na Bolsa de Chicago.
A colheita da nova safra brasileira ainda não começou e deve ter início apenas no final de janeiro, pelos estados do Norte do país. Até o início da semana analisada, a área semeada alcançava 94,6% do total previsto no Brasil, percentual levemente acima da média histórica de 94,4% para o período, segundo dados da Pátria AgroNegócios.
No mercado spot, houve maior volume de negócios em razão do aumento da demanda para completar cargas nos portos brasileiros. Esse movimento ajudou a sustentar os preços internos, uma vez que valorizou os prêmios de exportação. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), citado pela Ceema, o cenário “valorizou os prêmios de exportação no Brasil e ajudou a segurar os preços internos”.
Apesar do comportamento dos preços, a análise chama atenção para a preocupação crescente com o uso de sementes de soja não certificadas na safra atual. A prática inclui sementes piratas e sementes salvas que estão sendo comercializadas de forma irregular, impulsionadas pela crise enfrentada pelos produtores, marcada por custos elevados, preços mais baixos e crédito restrito. Segundo a Céleres Consultoria e a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), citadas no estudo, na safra 2025/26 cerca de 27% da área cultivada no país deverá utilizar sementes não certificadas, o equivalente a aproximadamente 13 milhões de hectares.
Ainda conforme a análise, parte das sementes salvas, que deveria ser utilizada exclusivamente pelo produtor que as colheu, acaba sendo comercializada ilegalmente, caracterizando-se como semente pirata. Estudos indicam que o uso desse material reduz a produtividade média em cerca de quatro sacas por hectare. Aplicado à área estimada, o impacto pode representar uma redução de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas na próxima colheita de soja.
Esse cenário também pode afetar o desempenho comercial do país, com perda estimada de cerca de 1,9 milhão de toneladas nas exportações e 900 mil toneladas no consumo interno. Do ponto de vista econômico, a Ceema destaca que aproximadamente 16,4 milhões de sacas de sementes certificadas deixam de ser comercializadas, o que representa um prejuízo de cerca de R$ 8 bilhões para o setor sementeiro. As perdas em royalties genéticos somariam cerca de R$ 590 milhões, o que, segundo o estudo, “compromete investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas cultivares”, além de impactar a geração de empregos qualificados, com estimativa de redução de cerca de 4.500 postos diretos.
O Programa Jovem Aprendiz Rural do Senar concluiu mais um ciclo de formação profissional em 2025, certificando 124 jovens na Fazenda Modelo e 60 jovens na Fazenda Escola DNR, totalizando 184 aprendizes qualificados para ingresso no mercado de trabalho rural. A iniciativa é promovida pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras (SPRB), em parceria com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), por meio do Instituto Aiba (IAiba), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Bahia), Prefeitura de Barreiras e de Riachão das Neves e Codevasf.
O programa oferta formação teórica, aulas práticas e atividades orientadas ao desenvolvimento de competências profissionais voltadas às demandas do agronegócio regional.
Parcerias institucionais
A coordenadora do SPRB, Silvia Dayube, ressaltou o potencial de empregabilidade das turmas concluintes: “Os jovens estão preparados para atuar em diferentes áreas do setor produtivo, o que reforça a importância da formação continuada.”
O gerente do Senar Bahia, Ivanir Maia, enfatizou o impacto regional do programa: “Trata-se de uma ação conjunta que amplia o acesso à educação profissional e fortalece a inserção de jovens no mercado de trabalho.”
O gerente geral do Instituto Aiba, Sunny Aaron, destacou a relevância da articulação entre as entidades envolvidas e o setor produtivo: “O apoio dos parceiros e o empenho dos produtores rurais, principais mantenedores do curso, foram determinantes para a qualificação destes jovens.”
Entre os concluintes, a jovem aprendiz Beatriz Gomes avaliou positivamente a experiência: “O programa proporcionou conhecimento e prática fundamentais para meu início no setor.”
Marco legal e relevância para o setor rural
Instituída pela Lei 10.097/00, a Lei da Aprendizagem estabelece que empresas e propriedades de médio e grande porte devem manter um percentual entre 5% e 15% de aprendizes em funções que demandam formação profissional. No contexto rural, a norma tem contribuído para a qualificação de mão de obra, a inclusão produtiva de jovens e o fortalecimento das equipes das propriedades.
As entidades envolvidas destacam que o atendimento à legislação representa não apenas cumprimento de exigência legal, mas também investimento direto na sustentabilidade e modernização do setor agrícola.
Organização das novas turmas
Com o encerramento do ciclo atual, o Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras (SPRB) informa que já iniciou o planejamento das turmas previstas para ingressar em fevereiro de 2026.
Os produtores rurais que ainda não solicitaram sua cota de aprendizes devem procurar o sindicato para alinhamento e distribuição das vagas, conforme determina a Lei da Aprendizagem.
Histórico e resultados
Desde 2013, o Programa Jovem Aprendiz Rural já formou mais de 30 turmas e certificou mais de 1.300 jovens, consolidando-se como uma das principais iniciativas de formação profissional do Oeste da Bahia.
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