O mercado global de fertilizantes atravessa um momento de reprecificação marcado por incertezas logísticas, energéticas e geopolíticas, que afetam diretamente a formação de preços e a disponibilidade dos insumos. As informações são de Alê Delara, especialista em Inteligência Estratégica para o Agronegócio.
Nas últimas semanas, o ambiente internacional passou a refletir maior sensibilidade ao risco de entrega, sem que haja necessariamente escassez física de produto. O Oriente Médio voltou ao centro das atenções, com pressões logísticas que reduzem a flexibilidade global e tornam o fluxo de mercadorias mais irregular.
Ao mesmo tempo, a China mantém restrições nas exportações, sobretudo em fosfatados e alguns blends, alterando o equilíbrio entre oferta e demanda. Esse movimento força importadores a buscarem alternativas mais caras e com prazos menos previsíveis, reduzindo a elasticidade do mercado.
A Rússia também contribui para o cenário de incerteza ao adicionar volatilidade nos nitrogenados, justamente em um período importante para o calendário agrícola do Hemisfério Norte. Nesse contexto, cresce o pagamento de prêmios não para ampliar compras, mas para garantir volume, rota e entrega.
Nos nitrogenados, a percepção é de aperto persistente, já refletido no custo ao Brasil, ainda que a liquidez interna siga limitada pela entressafra. Na amônia, a firmeza dos preços acompanha a retomada europeia na produção de nitratos, pressionando toda a cadeia.
Os fosfatados seguem em patamar elevado, sustentados por oferta ajustada e custos logísticos relevantes, com o enxofre contribuindo para manter esse piso. O potássio, embora mais estável, começa a absorver o impacto do frete e da reposição.
Na próxima quarta-feira (1º), entram em vigor as novas regras para concessão de crédito rural estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A partir desta data, critérios socioambientais passam a ser considerados pelas instituições financeiras na liberação de financiamentos.
A principal mudança é para propriedades com área superior a quatro módulos fiscais. Nesses casos, antes de conceder o crédito, os bancos deverão verificar, por meio de sistemas geoespaciais, a legalidade de eventuais supressões de vegetação nativa realizadas após 31 de julho de 2019.
Para propriedades com até quatro módulos fiscais, a exigência passa a valer a partir de 4 de janeiro de 2027.
Entidades do agro questionam medida
Entidades do agronegócio têm criticado o método para a adoção dos novos critérios. Segundo a Associação de Produtores e Empresários Rurais, o Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes) não deveria ser utilizado como base para decisões individuais de crédito.
“A vinculação de operações individuais de crédito rural a dados desse sistema […] extrapola a finalidade originária do Prodes e impõe consequências jurídicas individualizadas a partir de dados agregados, generalizados e tecnicamente inadequados para tal fim”, diz a entidade, em nota.
Em outro trecho, a associação afirma que a medida pode comprometer o direito à ampla defesa.
“A restrição automática ao crédito rural com base em alertas do Prodes, sem notificação prévia, prazo para apresentação de documentação ou análise técnica individualizada, configura supressão do direito ao contraditório e à ampla defesa.”
A Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) também manifesta preocupação com o modelo adotado.
Para a gerente de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Mariana Ramos, a nova regra reforça a exigência de regularidade ambiental como condição permanente para acesso ao crédito, mas pode gerar insegurança.
“As mudanças geram preocupação diante de possíveis inconsistências nas bases de dados utilizadas pelo sistema financeiro, o que pode resultar em insegurança jurídica, custos adicionais e atrasos na contratação do crédito”, afirma.
O sistema de monitoramento também é questionado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). A entidade alega que o Prodes tem “baixa precisão”.
“O Sistema Faep não questiona a pertinência de verificar supressão de vegetação nativa, o que já é vedado pelo Código Florestal e, portanto, prática ilegal. O nosso questionamento está relacionado ao sistema utilizado para este fim, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que não analisa a legalidade da supressão e possui baixa precisão dos limites dos polígonos indicados como tendo vegetação degradada”, destaca o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Canal Rural entrou em contato com o Ministério da Fazenda, pasta responsável pela CMN, mas não obteve retorno.
A terça-feira (31) será marcada por chuva em grande parte do país, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, onde as instabilidades devem se intensificar ao longo do dia e elevar o risco de temporais em diferentes áreas. A combinação entre influência marítima, umidade na atmosfera, atuação de uma baixa pressão próxima à costa e o deslocamento de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) favorece a formação de nuvens carregadas.
Sul
A chuva já aparece desde cedo em pontos do litoral. No Rio Grande do Sul, a precipitação ocorre de forma mais fraca em áreas litorâneas, enquanto no Paraná e em Santa Catarina a chuva avança com intensidade moderada, especialmente na faixa costeira. Ao longo do dia, as pancadas ganham força no Paraná e também atingem o leste, o norte e o oeste de Santa Catarina, além do litoral norte gaúcho. Há risco de temporais no litoral, leste e nordeste paranaense, assim como em pontos do oeste do estado e no litoral norte catarinense. Nas demais áreas da região, a chuva tende a ser mais fraca ou o tempo segue firme.
As temperaturas continuam elevadas no Sul, mas os termômetros devem cair um pouco em áreas do centro-leste do Paraná e de Santa Catarina por causa da maior nebulosidade. No Rio Grande do Sul, as rajadas de vento podem variar entre 40 e 50 km/h em grande parte do estado.
Sudeste
O cenário também é de atenção. Desde as primeiras horas do dia, há previsão de chuva moderada no litoral de São Paulo e no sul do litoral fluminense. Com o passar das horas, as instabilidades aumentam no sul, litoral, leste e interior paulista, e depois se espalham com mais força por Minas Gerais. Também chove no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, com previsão de intensidade moderada a forte em várias áreas. O risco de temporais é maior no sul de Minas, na serra e no sul fluminense, além de grande parte do centro-leste, interior e sudoeste de São Paulo.
Mesmo com a chuva, o calor ainda persiste em parte do Sudeste. As temperaturas devem cair em áreas com mais nebulosidade, mas seguem elevadas no oeste, noroeste e norte paulista, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e em boa parte de Minas Gerais. No litoral fluminense, principalmente na Região dos Lagos e no norte do estado, as rajadas de vento também podem ficar entre 40 e 50 km/h.
Centro-Oeste
A chuva deve ocorrer de forma mais isolada, mas ainda assim há previsão de pancadas moderadas a fortes entre o fim da manhã e o início da tarde, principalmente no norte, nordeste, noroeste e leste de Mato Grosso, além da metade norte, leste e interior de Goiás e do Distrito Federal. Em Mato Grosso do Sul, a chuva ganha força em áreas do sul, sudeste e extremo leste. Já no oeste e sudoeste sul-mato-grossense, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo dos 30%, o que exige atenção.
Nordeste
A influência marítima mantém a chuva no litoral leste, enquanto a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) continua favorecendo instabilidades no litoral norte da região. Ao longo do dia, as pancadas aumentam e podem ocorrer com moderada a forte intensidade em estados como Maranhão, Piauí, Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Também há risco de temporais no litoral potiguar e entre Ilhéus e o sul da Bahia.
Norte
A umidade elevada mantém o tempo instável em grande parte dos estados. Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Tocantins já começam o dia com chuva, e as pancadas se intensificam no decorrer das horas. Há risco de temporais em grande parte do Amazonas, Acre, Roraima, sul e oeste do Amapá, além de áreas do Pará e do Tocantins. No sul de Rondônia, a chuva deve ocorrer de forma mais irregular, com possibilidade de aberturas de sol e sensação de abafamento.
As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram 2026 em ritmo acelerado, com crescimento expressivo em volume e faturamento nos principais mercados compradores. Dados compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos indicam avanço consistente nas vendas externas.
O desempenho no primeiro bimestre mostra aumento tanto na quantidade embarcada quanto na receita, com destaque para a diversificação de destinos. Além da China, principal compradora, países como Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia ampliaram suas aquisições, reforçando a demanda internacional pela proteína brasileira. Esse movimento sugere que eventuais restrições comerciais impostas pelo mercado chinês tendem a ter impacto limitado ao longo do ano.
No acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações somaram US$ 2,865 bilhões, alta de 39%, com volume de 557,24 mil toneladas, avanço de 22% frente ao mesmo período de 2025. Apenas em fevereiro, o faturamento atingiu US$ 1,449 bilhão, com crescimento próximo de 40%, acompanhado por elevação significativa nos embarques.
A China manteve a liderança, apesar de leve redução na participação total, enquanto os Estados Unidos registraram forte expansão nas compras, impulsionados por déficit interno de oferta. A União Europeia também apresentou crescimento consistente, favorecida por perspectivas comerciais positivas. Na América do Sul, o Chile seguiu com desempenho sólido, e a Rússia avançou de forma expressiva entre os maiores compradores.
O cenário externo segue favorável, embora fatores como custos logísticos e tensões geopolíticas possam influenciar o ritmo das exportações. Ao mesmo tempo, a oferta interna tende a ser mais restrita devido à mudança no ciclo pecuário, com menor abate de fêmeas. Ainda assim, a abertura e consolidação de novos mercados indicam continuidade da demanda aquecida ao longo do ano.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta a piora do risco global com a escalada no Oriente Médio e o forte avanço do petróleo. O Brent chegou a US$ 107, elevando temores de pressão inflacionária e desaceleração econômica. Bolsas de NY caíram, juros americanos recuaram e o dólar se fortaleceu. No Brasil, o Ibovespa subiu 0,53% aos 182 mil pontos, sustentado por Petrobras, enquanto o dólar fechou a R$ 5,24.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
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O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila – Foto: Pixabay
A busca por maior transparência e precisão nas negociações de terras agrícolas tem impulsionado o uso de novas ferramentas técnicas no Brasil. Em um mercado historicamente marcado pela informalidade, iniciativas voltadas à padronização da avaliação ganham espaço ao integrar ciência e práticas imobiliárias.
Durante treinamento realizado em Ribeirão Preto (SP), foi apresentada uma metodologia baseada na tipologia de argila como suporte à análise técnica e à precificação de imóveis rurais . A proposta busca aprimorar o entendimento do Valor da Terra Nua, indicador que reflete a aptidão agrícola natural do solo e serve de base para tributos e negociações.
O método incorpora o Índice de Tipologia de Argila, que considera características não captadas por análises tradicionais, permitindo uma leitura mais precisa do potencial produtivo. A iniciativa reúne diferentes frentes, conectando inteligência territorial e mercado imobiliário rural, com foco na qualificação das decisões.
Dados levantados com participantes indicam desafios recorrentes, como dificuldade na justificativa técnica de preços e divergências entre valor real e percebido das propriedades. Ao mesmo tempo, há reconhecimento crescente da importância de diagnósticos mais detalhados do solo como diferencial competitivo.
Como destacou o professor da UNESP, Marcílio Vieira Martins Filho, especialista em erosão e perito em laudos de terras, que participou como convidado do treinamento, “quando a tipologia de argila entra na equação do VTN, deixamos de olhar apenas a superfície e passamos a compreender o comportamento do solo frente à água, ao manejo e ao risco produtivo”.
A expectativa é que a aplicação dessa abordagem contribua para negociações mais seguras, além de apoiar análises de crédito e seguros rurais. A proposta também reforça o movimento de profissionalização do setor, ao transformar informações técnicas em base para maior confiança e eficiência no mercado de terras.
Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas, presentes naturalmente no interior das plantas, com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino.
O estudo mostrou que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 são capazes de estimular o crescimento da planta e o enraizamento de estacas utilizadas na propagação da pimenteira-do-reino.
A estaquia é uma técnica de reprodução a partir da retirada de pequenos galhos das plantas, chamados estacas. Uma vez enraizadas, as estacas se tornam novas mudas de pimenteira-do-reino.
Um dos gargalos da agricultura familiar, de acordo com os especialistas, é o baixo índice de “pegamento” dessas raízes, ou seja, elas não crescem o suficiente para promover o desenvolvimento da planta.
Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino foram submetidas a soluções com as bactérias. A Priestia sp. T2.2 se destacou ao promover um aumento de até 75% na altura das plantas e de 136% em sua massa seca (parte aérea) em comparação às plantas de controle.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Já a Lysinibacillus sp. C5.11 foi responsável por um salto ainda mais impressionante: 333% de crescimento da massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também apresentou efeitos positivos na parte aérea, mas em menor escala.
Os efeitos positivos das bactérias nas estacas foram atribuídos à capacidade dos microrganismos de produzir ácido indolacético (AIA) — um hormônio natural da planta que regula processos de crescimento vegetal — e sideróforos, compostos que capturam ferro no ambiente e tornam o nutriente mais disponível para as plantas.
Testes
Os testes foram realizados em laboratório e em casas de vegetação, que simulam o ambiente natural. O próximo passo é realizar os testes em áreas de produtores e com outras variedades clonais de pimenteira-do-reino.
“Essa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais segurança aos pequenos produtores para a implantação ou ampliação de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas”, afirma a pesquisadora da Embrapa Florestas, Alessandra Nakasone.
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
A descoberta é estratégica para pequenos agricultores, principais responsáveis pela produção no país. Além disso, o uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva.
“Isso ocorre porque as bactérias promovem a solubilização dos nutrientes que estão no solo, ou seja, tornam as substâncias mais disponíveis para a absorção pelas raízes”, explica a pesquisadora.
Produção brasileira
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com uma produção de quase 125 mil toneladas em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse período, o valor da produção nacional saltou de R$ 1,65 bilhão (2023) para mais de R$ 3,67 bilhões (2024) — um aumento de aproximadamente 122% em apenas um ano, refletindo a forte valorização do produto no mercado.
A produção brasileira é caracterizada pela sustentabilidade e qualidade da pimenta-do-reino. Os estados do Espírito Santo e do Pará detêm, juntos, mais de 90% da safra nacional. Com produção anual de 41 mil toneladas em 2024, a produção paraense se destaca pela agricultura familiar e por processos sustentáveis de produção.
Microrganismos aliados da agricultura
As bactérias endofíticas vivem nos tecidos internos das plantas sem causar doenças e podem ser benéficas ou neutras. As benéficas desempenham papéis fundamentais para a saúde vegetal, como a produção de fitormônios (hormônios vegetais), a fixação de nitrogênio, a solubilização de nutrientes e o aumento da resistência a estresses ambientais.
Esse tipo de interação já fora observado em outras culturas agrícolas, inclusive cítricas, milho e cana-de-açúcar.
No caso da pimenta-do-reino, pesquisas anteriores com espécies dos gêneros Bacillus e Pseudomonas haviam demonstrado promoção do enraizamento e aumento da produtividade. O novo estudo, no entanto, detalhou os mecanismos fisiológicos de linhagens específicas e reforçou a importância de associar biotecnologia ao manejo sustentável.
A propagação da pimenta-do-reino pode ser feita por meio de sementes ou estacas enraizadas. O primeiro modo, como explica o pesquisador Oriel Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental, exige mais tempo para o desenvolvimento da planta e não garante a manutenção dos atributos da planta-mãe, como, por exemplo, a alta produtividade.
Já as estacas garantem a manutenção das características genéticas das matrizes e reduzem o tempo até a frutificação. Entretanto, a dificuldade de enraizamento compromete o pegamento e a qualidade das mudas e, por consequência, a produtividade das lavouras.
Nesse cenário, a inoculação de microrganismos benéficos surge como alternativa viável para garantir estacas mais vigorosas e uniformes, reduzindo custos de produção e aumentando o retorno financeiro aos agricultores.
“Esses resultados apontam para plantas com raízes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso é fundamental para a absorção de nutrientes do solo e consequentemente maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotossíntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. É um ciclo benéfico de desenvolvimento”, ressalta Lemos.
Regulamentação de bioinsumos
Outro ponto relevante é que a recente Lei Federal nº 15.070/2024 trouxe mais segurança jurídica ao setor de bioinsumos no Brasil. Pela nova norma, produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus não são classificados como pesticidas e estão liberados para uso agrícola, desde que comprovada a segurança.
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O controle fitossanitário também foi priorizado – Foto: Pixabay
O manejo adequado da soja nas fases reprodutivas tem papel decisivo na definição do potencial produtivo, especialmente em momentos críticos como o florescimento e o enchimento de grãos. Estratégias que favorecem a retenção de estruturas e a redistribuição de nutrientes podem resultar em ganhos expressivos de rendimento no campo.
Com foco nessas etapas, o produtor Paulo Storti adotou o uso de bioestimulantes nas fases R1 e R5 na Fazenda Santana, em Itapeva (SP). A prática contribuiu para maior retenção de vagens e incremento no peso dos grãos, fatores que ajudaram a alcançar produtividade de 126,71 sacas por hectare. O desempenho garantiu ao produtor o primeiro lugar no Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja da safra 24/25, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil.
Segundo o produtor, a antecipação de decisões e o uso de dados foram determinantes ao longo do ciclo. Mesmo diante de variações climáticas, como veranico no início da formação de vagens e excesso de chuvas na maturação, o planejamento técnico orientou os ajustes necessários. O escalonamento do plantio e o uso de tecnologias de monitoramento em tempo real permitiram preservar o potencial produtivo.
O controle fitossanitário também foi priorizado, com atenção à ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom. O manejo incluiu fungicidas protetores desde estágios iniciais e alternância de mecanismos de ação, além de monitoramento frequente e controle antecipado de pragas.
Na área, práticas como rotação de culturas, plantio direto e uso racional de insumos foram associadas ao uso crescente de biodefensivos, promovendo maior equilíbrio biológico e eficiência produtiva. A avaliação é de que o uso consistente de informações e o conhecimento detalhado da área são fatores essenciais para alcançar altos níveis de produtividade.
O Emater/RS-Ascar informou que a colheita de arroz no Rio Grande do Sul avançou para 35% da área cultivada, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (26). O progresso foi favorecido por períodos de baixa precipitação, ainda que tenham ocorrido chuvas esparsas.
Segundo o levantamento, “o cultivo de arroz registrou avanço contínuo da colheita, alcançando 35% da área, impulsionado por períodos de baixa precipitação ou acumulados pouco significativos”. A maior parte das lavouras está em maturação, com 47% da área, enquanto 18% ainda se encontram em enchimento de grãos, fase considerada sensível às condições hídricas e de radiação solar.
De acordo com o relatório, “de maneira geral, as produtividades vêm se confirmando em patamares satisfatórios a elevados nas áreas já colhidas”, embora haja redução em relação à safra anterior em parte das lavouras. O documento aponta que essa variação está associada a fatores como menor incidência solar, temperaturas fora da faixa ideal em momentos críticos e mudanças no nível tecnológico adotado. A qualidade industrial também foi destacada. “A qualidade industrial dos grãos colhidos é considerada adequada, com bom rendimento de engenho”, informa.
A colheita segue condicionada à redução da umidade dos grãos e a fatores climáticos. “Eventuais intercorrências climáticas, como ventos e precipitações, podem interferir pontualmente no ritmo das operações e na qualidade final da produção”, registra o boletim. A área cultivada no estado é de 891.908 hectares, conforme dados do IRGA, e a produtividade média está projetada em 8.744 quilos por hectare.
Nas regionais, o avanço ocorre em ritmos distintos. Em Bagé, a colheita chegou a 29% da área, mesmo com registros de chuva durante o período. Em Uruguaiana, há relatos de acamamento pontual causado por ventos, sem perdas quantificadas. Em São Gabriel, 25% da área foi colhida, com produtividades entre 10% e 20% abaixo da safra anterior.
Na regional de Pelotas, a colheita também atingiu 35% da área, com predominância de lavouras em maturação. Já em Santa Maria, os trabalhos superam 40% da área, com produtividades acima de 8.000 kg/ha, chegando a 9.000 kg/ha em algumas áreas. O cenário, segundo o boletim, indica potencial produtivo elevado, com resultados superiores aos inicialmente projetados em diversas regiões.
Em Santa Rosa, a colheita foi iniciada, mas segue limitada pelas chuvas. Na regional de Soledade, os trabalhos alcançaram 35% da área, com destaque para a qualidade dos grãos e rendimento de engenho. O relatório também aponta que “o monitoramento fitossanitário segue ativo, e a ocorrência de percevejos e brusone está sob controle”.
A nova temporada de milho no Brasil aponta para leve expansão de área, mas com expectativa de recuo na produção total, refletindo ajustes entre as safras e influência das condições climáticas ao longo do ciclo. Dados do Rally da Safra indicam mudanças relevantes na distribuição entre primeira e segunda safra, além de impactos do calendário de plantio sobre o potencial produtivo.
A área total estimada para 2025/26 é de 22,9 milhões de hectares, alta de 2,7% frente ao ciclo anterior. O avanço é puxado pela segunda safra, que cresce 2,5% e alcança 18,5 milhões de hectares, enquanto a primeira safra registra aumento de 3,6%, somando 4,4 milhões de hectares. Apesar da expansão da área, a produção total é projetada em 141,6 milhões de toneladas, queda de 6,2% em relação à temporada passada.
O recuo está concentrado na segunda safra, cuja produção é estimada em 114,5 milhões de toneladas, retração de 7,6%. Já a primeira safra apresenta leve alta de 0,3%, chegando a 27,1 milhões de toneladas. O ritmo de plantio da safrinha segue próximo ao padrão recente, com leve atraso em relação à média de cinco anos em algumas etapas, mas mantendo convergência ao longo de março.
O levantamento também destaca a dependência crescente das lavouras por chuvas em períodos mais tardios. Em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, aumenta a parcela de áreas que necessitam de precipitações em maio para sustentar o potencial produtivo, especialmente nas lavouras plantadas fora da janela ideal.
As simulações indicam que o atraso no plantio eleva o risco climático. Em Goiás e Mato Grosso, áreas semeadas em março tendem a apresentar maior sensibilidade a cortes de chuva a partir da segunda quinzena de abril, com possíveis perdas de produtividade. Por outro lado, a manutenção das chuvas até abril e maio pode sustentar bom desempenho mesmo nas áreas mais tardias.