sexta-feira, abril 24, 2026

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‘Não dá para contar com alta nos preços da soja. É preciso estar sempre atento ao timing de venda’, alerta analista


O mercado de soja vive um momento de contraste. Enquanto a produção brasileira avança para mais um recorde, o ambiente de preços segue desafiador para o produtor. No mais recente episódio do podcast Soja Brasil, o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, traçou um panorama detalhado da safra, do mercado internacional e das perspectivas para comercialização.

Segundo ele, o Brasil caminha para uma produção robusta, mesmo diante de adversidades climáticas em algumas regiões. A estimativa atual gira em torno de 177,7 milhões de toneladas. “Temos uma safra maior do que a de 2025”, afirmou. O desempenho positivo no Centro-Oeste e no Nordeste compensa perdas pontuais, como no Rio Grande do Sul.

No cenário internacional, o principal fator de volatilidade tem sido a geopolítica. As tensões no Oriente Médio impactaram diretamente o petróleo, o que, por consequência, impulsionou os contratos de óleo de soja e trouxe reflexos positivos para a Bolsa de Chicago. Ainda assim, esse movimento não se traduz automaticamente em melhores preços no mercado físico brasileiro.

Isso porque outros fatores entram na conta, como prêmios negativos e excesso de oferta. O Brasil vive um pico de colheita, com grande volume disponível, o que pressiona as cotações internas mesmo diante de momentos de alta na bolsa. “Não apenas o preço em Chicago vai refletir no físico aqui”, destacou.

Rafael chama atenção para um ponto crucial: o produtor precisa avaliar com cautela o custo de segurar a soja. Com juros elevados, armazenar o produto significa abrir mão de rentabilidade e assumir custos adicionais. “É um ano de abundância de oferta. Nesse contexto, esperar por altas expressivas pode ser uma aposta arriscada”, disse.

O câmbio também entra na equação, mas com impacto limitado no cenário atual. Mesmo com oscilações recentes do dólar, o efeito positivo tem sido neutralizado por ajustes nos prêmios e pela grande oferta disponível. “O mercado acaba se ajustando em outras variáveis”, explicou.

No campo da demanda, o crescimento dos biocombustíveis surge como tendência relevante, podendo ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos. Ainda assim, a China segue como principal destino da soja brasileira e deve continuar liderando a demanda global.

Para a próxima safra, o maior desafio apontado é o crédito. O custo de produção segue elevado, e o acesso a financiamento se torna cada vez mais complexo. Isso pode influenciar decisões sobre área plantada e investimentos, além de exigir ainda mais precisão no momento de comercialização. “O produtor não pode errar o timing de venda”, concluiu.

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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo emperra e custo do frete dispara alerta



No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais


No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais
No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com movimentações limitadas e preços sustentados por fatores logísticos e sazonais. De acordo com a TF Agroeconômica, o ritmo de negociações permanece lento, refletindo o foco dos produtores em outras culturas e o impacto dos custos de frete.

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, em meio à colheita da soja e à baixa disposição de venda. Moinhos evitam aquisições neste momento, pressionados por fretes elevados, que variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 no interior, conforme qualidade e local de armazenagem. Há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para maio, com pagamento antecipado em abril, enquanto vendedores pedem até R$ 1.350 no interior. O volume segue reduzido. No mercado externo, o trigo argentino deixou de ser ofertado recentemente, embora haja previsão de chegada de carga uruguaia em Porto Alegre. Já o preço ao produtor teve alta de 3,51% em Panambi, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da oferta local, ambos na faixa de R$ 1.300 CIF, ainda que com menor disponibilidade. Os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis na maior parte das praças, com variações pontuais e leve alta em algumas regiões.

No Paraná, as cotações se mantêm firmes, com negócios ao redor de R$ 1.350 CIF moinho. Compradores relatam dificuldade em repassar custos, enquanto vendedores elevam as pedidas para R$ 1.400, sem negócios confirmados nesse patamar. A colheita de soja e milho segue como prioridade dos produtores. A presença de trigo gaúcho e paraguaio, este último com preços ligeiramente inferiores, contribui para limitar avanços mais expressivos. Nesta semana, não houve oferta de trigo argentino, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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Ceagesp: Preços dos alimentos sobem 5,16% em março


Ceagesp
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O índice de preços Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) subiu 5,16% em março em comparação com uma queda de 2,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de 3,95%.

O indicador acumula alta de 0,43% no primeiro trimestre de 2026 e de 3,80% nos últimos 12 meses, considerando a cotação de Frutas, Legumes, Verduras, Pescado e Diversos no atacado do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP).

O destaque, conforme a Ceagesp, ficou com o setor de Legumes, que subiu 22,87% ante uma queda de 1,75% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 16,36% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 51,13% no ano e de 5,35% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 66% apresentaram alta de preço.

Em contrapartida, o setor de Pescados, pelo segundo mês consecutivo, apresentou variação negativa de preços.

“O fim do período de defeso para várias espécies nas mais diferentes regiões do País favoreceu o aumento no volume mensal de oferta dos produtos, causando impacto direto no resultado obtido pelo setor nos meses de fevereiro e março”, disse a companhia em comunicado.

O setor de Frutas subiu 3,07% em março ante uma queda de 3,05% no mês anterior. No mesmo mês do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,49% no ano e de -3,84% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 51% apresentaram alta de preço.

O segmento de Verduras subiu 4,29% ante uma alta de 11,09% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,03% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 37,38% no ano e de menos 6,25% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 74% apresentaram alta de preço.

Já o setor de Diversos subiu 12,77% ante uma alta de 5,98% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,93% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +14,48% no ano e de -12,65% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.

Por outro lado, o setor de Pescados caiu 0,97% em março ante uma queda de 8,60% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 1,90% e, com o resultado, encerrou o mês com um acumulado de +1,50% no ano e de -0,29% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.

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Sem estratégia de comunicação, agro brasileiro fica vulnerável


Foto mostra o agro brasileiro na mira
Foto gerada por IA para o Canal Rural

Estamos sob investigação dos Estados Unidos por meio do USTR, agência de representação comercial americana, com acusações de práticas comerciais consideradas prejudiciais ao país.

Itens como o “Pix” estão na mira, incluindo comércio digital, entre outros. Porém, dois deles envolvem diretamente o agro brasileiro: o etanol e, de forma mais grave, o tema do “desmatamento ilegal”, que pode ser usado para prejudicar a imagem da agropecuária nacional.

A investigação do governo Trump, se utilizada de forma manipulada em favor da competitividade do agro dos Estados Unidos frente ao brasileiro, pode gerar a percepção de que os produtos nacionais são produzidos à custa da devastação irresponsável das florestas.

Isso levaria ao entendimento de que, ao comprar grãos, carne, frutas, algodão, biocombustíveis, celulose ou café do Brasil, outros países estariam incentivando o desmatamento e contribuindo para danos ambientais e mudanças climáticas globais.

Sabemos que isso não é verdade. O agro brasileiro atende aos mais exigentes padrões internacionais, como demonstram estudos com dados da Serasa Agro, apresentados ao lado de exportadores brasileiros em fóruns globais.

O crime ambiental, no entanto, existe. E, sendo o Brasil hoje o maior concorrente mundial dos Estados Unidos no agro — e vice-versa —, essa investigação ocorre em um momento sensível. Agricultores norte-americanos reclamam dos custos de produção e da preferência da China, principal cliente global, pelos produtos brasileiros. Soma-se a isso o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Diante desse cenário, há grande risco de que o tema “desmatamento”, associado à Amazônia — um termo de forte impacto nas discussões ambientais globais —, seja utilizado de forma estratégica para atingir a imagem do agro tropical brasileiro.

A ausência de um planejamento estratégico de comunicação do Brasil com outras nações — que vá além da diplomacia e das tradings, ultrapassando o ambiente business to business — nos deixa vulneráveis. É preciso comunicar diretamente com as sociedades e os consumidores finais, que muitas vezes consomem produtos brasileiros já processados por indústrias locais.

Sem isso, ficamos expostos à desinformação, à má informação e às fake news.

O agro brasileiro é líder global em diversas categorias, tendo os Estados Unidos como principal concorrente. E podemos, sim, ser alvo de ataques. Hoje, esse concorrente é comandado por um perfil agressivo de vendas, que domina como poucos o uso das mídias — inclusive para defender seus próprios interesses.

Sem uma estratégia global, apoiada por mídias sérias e de reputação sólida, permanecemos vulneráveis. O desmatamento ilegal deve ser combatido com tolerância zero. Mas a comunicação do agro legal brasileiro precisa ser feita com urgência, em escala global.

Ao ilegal, a lei. Ao legal, comunicação urgente.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Diesel e gasolina puxam alta da inflação em março


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,88%. Resultado foi 0,18 ponto percentual (p.p) mais alto que em fevereiro, quando foi registrado 0,70%. O avanço foi puxado pelos preços dos grupos transportes e alimentação e bebidas. Juntos responderam por 76% do IPCA do mês.

No ano, o IPCA acumula avanço de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%. O percentual está acima dos 3,81% atingidos nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março do ano passado, o IPCA registrou 0,56%.

Os dados do indicador foram divulgados nesta sexta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento de 4,59% na gasolina foi o fator mais relevante para o desempenho dos preços dos transportes, o que provocou impacto de 0,23 p.p. na inflação do mês. A passagem aérea (6,08%) e o diesel (13,90%), também pesaram apesar de menor influência no índice geral.

As maiores altas em alimentação e bebidas, ficaram com os subitens Leite longa vida (11,74%) e Tomate (20,31%), que representam respectivamente impactos de 0,07 e 0,05 p.p. sobre o IPCA do mês. Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais do IPCA de março (0,88%).

Conforme o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços do IPCA apresentaram elevações em março. O mais significativo (1,64%) foi o de transportes, tendo na sequência o de alimentação e bebidas (1,56%). Os outros avanços “oscilaram entre 0,02%, em educação e 0,65%, em despesas pessoais”.

Para o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível verificar o efeito das incertezas no cenário internacional em alguns subitens, principalmente nos combustíveis. O gerente destacou ainda que “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”

O IPCA aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos.

INPC
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) alcançou 0,91% em março. Com isso, ficou 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%. O percentual ultrapassa os 3,36% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC havia chegado a 0,51%.

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Exportações de ovos despencam em março e atingem menor volume desde 2024


Exportações de ovos crescem 39,7% em setembro e acumulam mais de 34 mil toneladas no ano, diz ABPA. Foto: Pixabay.
Exportações de ovos crescem 39,7% em setembro e acumulam mais de 34 mil toneladas no ano, diz ABPA. Foto: Pixabay.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, pressionadas pela menor demanda dos principais parceiros comerciais.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, o Brasil embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês. O volume é o menor desde dezembro de 2024.

Na comparação mensal, houve queda de 36% em relação a fevereiro. Já frente a março do ano passado, o recuo é ainda mais expressivo, com o volume atual representando cerca da metade das 3,77 mil toneladas exportadas naquele período.

O enfraquecimento das vendas externas também impactou a receita. Em março, o faturamento somou US$ 4,53 milhões, queda de 27% na comparação com fevereiro e de 48% frente ao mesmo mês de 2025.

Segundo o Cepea, a redução da demanda internacional tem sido o principal fator por trás do desempenho mais fraco das exportações, limitando o ritmo dos embarques brasileiros.

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Apesar de exportações recordes, preços do frango caem no mercado interno


carne de frango
Foto: Motion Array

As exportações brasileiras de carne de frango atingiram nível recorde no primeiro trimestre de 2026, mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas.

Entre janeiro e março, o Brasil embarcou 1,45 milhão de toneladas da proteína, maior volume já registrado para o período. O resultado supera em 0,7% o recorde anterior, de 1,44 milhão de toneladas, alcançado no mesmo intervalo de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea.

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O desempenho chama atenção do setor, já que o início do ano costuma apresentar demanda internacional mais fraca. Tradicionalmente, as exportações ganham ritmo principalmente no segundo semestre.

Em março, o mercado também operou sob cautela, com agentes atentos aos possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre o comércio global. Ainda assim, os embarques se mantiveram elevados.

Apesar do avanço nas exportações, os preços da carne de frango no mercado interno recuaram ao longo de março. De acordo com o Cepea, o bom desempenho das vendas externas não foi suficiente para sustentar as cotações no período.

Em abril, no entanto, o cenário começou a mudar. O Cepea já identifica aumento nos preços de negociação, impulsionado principalmente pelo reajuste dos fretes, influenciado pela alta dos combustíveis, e pelo aquecimento típico da demanda no início do mês.

Com isso, os valores voltaram a se aproximar dos níveis observados em fevereiro, indicando recuperação no mercado interno.

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AgroNewsPolítica & Agro

O que está por trás da virada nos preços do açúcar



O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio


O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio
O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio – Foto: Pixabay

A evolução recente das vendas no setor açucareiro indica uma mudança no equilíbrio de mercado e pode influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses. O avanço nas fixações contribui para reduzir pressões que vinham limitando movimentos mais consistentes de valorização.

No Centro-Sul, os produtores entraram na safra 2026/27 em condição mais ajustada após intensificarem as fixações ao longo de março. Segundo a StoneX, o percentual vendido saltou de 41,8% para 59,5%, diminuindo a diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando o índice estava em 68,7%. A defasagem, que já chegou a 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.

O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio, que levaram à redução de posições vendidas por agentes especulativos. Ao mesmo tempo, produtores aproveitaram a janela de liquidez para avançar nas vendas, o que ajudou a conter uma alta mais acentuada das cotações.

Esse movimento, embora tenha limitado ganhos no curto prazo, altera a dinâmica do mercado. A recomposição das fixações reduz a pressão vendedora que atuava como barreira informal às altas, criando um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda.

“O mercado passa a operar em uma condição mais equilibrada, com menor resistência do lado produtor a movimentos de alta”, avalia a consultora em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Nathalia Bruni. “Se os fundamentos encontrarem um novo gatilho de alta, a resistência do lado produtor tende a ser menor do que foi observado anteriormente”, completa.

 





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Preço do boi gordo atinge maior valor da série histórica desde 1997, diz Cepea


pará, boi, vaca louca - protocolo
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

O preço da arroba do boi gordo atingiu um novo recorde nesta quinta-feira (9), de acordo com o Cepea. O indicador Boi Gordo Cepea/Esalq foi cotado a R$ 365,45, o maior valor da série histórica iniciada em 1997.

Esse movimento de alta está diretamente ligado ao desempenho das exportações brasileiras, que seguem em ritmo intenso no início de 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que o volume embarcado no primeiro trimestre foi o maior já registrado para o período.

Entre janeiro e março, o país exportou 701,662 mil toneladas, alta de 19,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e avanço de 36,6% frente a 2024. O resultado mantém o ritmo elevado observado ao longo do ano passado.

Além do aumento no volume, o preço da carne bovina brasileira no mercado internacional também avançou. Em março, a média foi de US$ 5.814,80 por tonelada, com alta de 3,1% frente a fevereiro e de 18,7% na comparação com março de 2025.

Segundo pesquisadores do Cepea, a combinação de maior volume exportado e valorização da proteína reforça a competitividade do produto brasileiro no exterior e sustenta o cenário favorável ao setor.

Esse movimento tem reflexo direto no mercado interno. Ao longo de março, a demanda externa aquecida contribuiu para manter firmes as cotações do boi gordo.

No início de abril, a tendência de alta segue. Os preços do boi gordo, do bezerro e da carne continuam em valorização, sustentados pela oferta mais restrita de animais prontos para abate e pela demanda internacional pela proteína brasileira.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercados agrícolas reagem a tensões externas



A soja opera em alta
A soja opera em alta – Foto: Divulgação

Os mercados agrícolas iniciam o dia com recuperação nas cotações internacionais, refletindo um ambiente de maior incerteza geopolítica e movimentações nos mercados financeiros. De acordo com a TF Agroeconômica, a abertura desta quarta-feira mostra ganhos nos principais contratos de grãos, com destaque para trigo, soja e milho.

No trigo, os contratos em Chicago avançam após a liquidação de posições por fundos de investimento no pregão anterior. O movimento de recompra ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e às restrições no Estreito de Ormuz, que voltam a impactar o comércio global. A desvalorização do dólar frente ao euro também contribui para melhorar a competitividade das exportações americanas, enquanto a previsão de chuvas nas regiões produtoras dos Estados Unidos limita altas mais expressivas. O mercado acompanha ainda a divulgação do relatório WASDE.

A soja opera em alta, puxada principalmente pela valorização do óleo, em um cenário de volatilidade no petróleo. As tensões geopolíticas seguem como fator de sustentação, enquanto no Brasil a colheita avança para 82%, acima da média histórica. Na China, há sinais de enfraquecimento da demanda industrial, com queda no processamento e aumento dos estoques. O câmbio também pesa sobre o mercado interno, com a recente desvalorização do dólar frente ao real pressionando os preços.

No milho, os contratos acompanham o movimento positivo do petróleo, apesar da cautela persistente em relação ao cenário internacional. O cessar-fogo envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel apresenta sinais de instabilidade, e a logística global segue afetada, com centenas de embarcações ainda paradas no Golfo Pérsico.

 





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