domingo, maio 17, 2026

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AgroNewsPolítica & Agro

Milho mais barato pressiona rentabilidade em Mato Grosso



Safra cheia derruba preço do milho




Foto: Canva

O mercado do milho em Mato Grosso segue sob pressão com a intensificação da colheita da segunda safra. Segundo informações do boletim informativo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), entre os dias 23 e 27 de junho, o preço médio da saca no estado fechou em R$ 39,84, o que representa uma queda de 0,79% em relação à semana anterior.

Esse valor tem se aproximado perigosamente do preço mínimo estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2025, fixado em R$ 35,91 por saca. O Imea destaca que esse encurtamento entre os dois patamares é reflexo direto da expectativa de maior produção da safra 2024/25 em comparação ao ciclo anterior. Com o aumento da oferta, a pressão sobre os preços tende a se intensificar nas próximas semanas.

Historicamente, quando o valor médio de mercado fica abaixo da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o governo pode adotar medidas de apoio ao produtor rural, como a realização de leilões para a formação de estoques públicos. Essas ações visam assegurar uma remuneração mínima ao agricultor, como já ocorreu em safras anteriores, como as de 2016/17 e 2022/23.

Entretanto, a efetivação dessas políticas depende de uma série de fatores, como decisão política, disponibilidade orçamentária e uma solicitação formal por parte dos produtores ou entidades representativas. Ainda segundo o Imea, mesmo quando implementadas, essas ações nem sempre conseguem absorver todo o volume excedente do mercado.

 





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Caminhoneiros gaúchos ficam seis dias isolados em nevasca no Atacama



Os irmãos Alexandre e Adriano Rosa Wentz, caminhoneiros de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, viveram momentos dramáticos na região de Paso de Jama, um dos pontos de travessia da Cordilheira dos Andes, entre o Chile e a Argentina.

Eles ficaram seis dias isolados no alto da montanha, em meio a um forte temporal de neve que atingiu a região do deserto do Atacama.

O bloqueio foi causado por uma nevasca intensa que atingiu a cordilheira, deixando dezenas de veículos retidos em diferentes pontos da estrada. Alexandre e Adriano estavam em dois caminhões carregados com geomenbranas, mantas especiais utilizadas na construção de lagoas para irrigação, e conseguiram manter contato com o restante do grupo apenas por meio do rádio PX — único canal de comunicação disponível durante o isolamento.

Segundo Alexandre, mais de 30 caminhões ficaram presos ainda mais adiante do ponto onde eles estavam, completamente cercados pela neve. Na última segunda-feira (30), as máquinas de resgate finalmente conseguiram alcançar os dois no local, abrindo passagem e iniciando o atendimento aos motoristas retidos.

Mesmo com o avanço no resgate, os irmãos ainda não sabem quando conseguirão retornar ao Brasil. A previsão mais recente indica que a abertura completa da cordilheira pode ocorrer apenas na próxima segunda (7), a depender das condições climáticas.

As imagens gravadas por eles mostram o acúmulo de neve, os caminhões encobertos e as dificuldades enfrentadas em um dos pontos mais extremos da travessia andina. Uma realidade frequente nesta época do ano, mas que pegou muitos motoristas de surpresa pela intensidade do fenômeno.





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Sequestro de bezerros é a melhor suplementação para o gado na seca


Durante o período seco, quando a pastagem desaparece e o desafio de manter o desempenho do rebanho aumenta, o sequestro de bezerros surge como uma das estratégias mais práticas e rentáveis para a suplementação do gado. Assista ao vídeo e saiba como tirar maior proveito da pecuária.

No quadro Dicas do Scoton, exibido no programa Giro do Boi, o zootecnista Maurício Scoton detalhou como essa técnica pode garantir mais arrobas produzidas por hectare mesmo em tempos de escassez.

A ideia do sequestro é simples: colocar os bezerros recém-desmamados em um sistema de confinamento com dieta baseada principalmente em volumoso de qualidade, como a silagem de milho.

Com isso, o produtor garante ganho de peso contínuo, reduz as perdas da desmama e prepara os animais para a recria no pasto quando as chuvas retornarem.

Volumoso barato é a base da suplementação eficiente

Compatação de silagem para o gado, um dos importantes volumosos para a alimentação do gado. Foto: Reprodução
Compatação de silagem para o gado, um dos importantes volumosos para a alimentação do gado. Foto: Reprodução
Compatação de silagem para o gado, um dos importantes volumosos para a alimentação do gado. Foto: Reprodução

Segundo Scoton, o sucesso do sequestro depende da qualidade e do custo da silagem.

Cerca de 90% a 95% da dieta é volumoso, por isso a produtividade da lavoura impacta diretamente no custo da arroba produzida”, afirmou.

Na fazenda onde atua, cada arroba produzida no sistema custa R$ 260, bem abaixo do valor do mercado, que pode passar de R$ 360.

Mesmo com margens apertadas, o sistema compensa no volume.

“O bezerro entra leve, ganha várias arrobas ao longo do tempo e entrega uma rentabilidade sólida. O segredo está na gestão eficiente do ciclo de produção”, reforça o professor da Universidade do Agro de Uberaba (Uniube).

Mais desempenho e melhor aproveitamento do pasto

Bezerros de corte em área de curral. Foto: ReproduçãoBezerros de corte em área de curral. Foto: Reprodução
Bezerros de corte em área de curral. Foto: Reprodução

Além da questão econômica, o sequestro tem vantagens zootécnicas relevantes. O bezerro não perde tempo no campo seco — começa a ganhar peso desde cedo e se adapta ao sistema intensivo, mantendo o desempenho mesmo fora da estação das águas.

Quando o pasto se recupera, o animal já está pronto para aproveitar a forragem, sem precisar de recuperação nutricional.

“É um ajuste fino no manejo: o gado sai do cocho forte e entra no pasto em ótima condição corporal”, detalha Scoton.

Simulação comprova retorno acima de aplicações financeiras

Bovinos de corte em área de alimentação no cocho. Foto: ReproduçãoBovinos de corte em área de alimentação no cocho. Foto: Reprodução
Bovinos de corte em área de alimentação no cocho. Foto: Reprodução

Para mostrar na prática como o sistema é vantajoso, o zootecnista apresentou uma simulação real usando um aplicativo gratuito criado em parceria com a UFMS. Os dados consideram:

  • Entrada do bezerro em agosto
  • Saída do sequestro em novembro
  • Ganho médio diário de 600g
  • Recria a pasto e confinamento posterior em junho de 2026

Com esse cenário, o lucro líquido por animal é de R$ 1.033 em menos de 10 meses, com uma margem de 22% e rentabilidade mensal de 2,2%, superior a muitos investimentos financeiros do mercado.

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a polarização que empurra o STF ao centro do poder


O Brasil enfrenta uma crescente polarização entre Executivo e Legislativo. Em vez de dialogarem, os dois Poderes empurram suas disputas para o Supremo Tribunal Federal (STF), que acaba assumindo um protagonismo que não lhe cabe — como no caso do IOF e das decisões sobre o teto de gastos.

Enquanto isso, nenhum dos lados quer cortar despesas. O Congresso usa emendas parlamentares como moeda de troca para manter apoio político, e o governo cede para sobreviver no cargo. O resultado é um orçamento fragmentado, dominado por interesses eleitorais.

Com a política travada e a responsabilidade fiscal em segundo plano, o STF vira mediador das omissões institucionais. Mas o Judiciário deveria julgar, não governar.

Mais do que crise entre Poderes, vivemos uma crise de responsabilidade. E quem paga a conta é o Brasil real: com juros altos, economia fraca e falta de confiança.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Aprosoja MT aponta Moratória da Soja como risco à segurança alimentar internacional



Nesta quarta-feira (02), o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, participou do XIII Fórum de Lisboa, evento que neste ano trouxe como tema central “O Mundo em Transformação – Direito, Democracia e Sustentabilidade na Era Inteligente”. O assunto em destaque foi o acordo Moratória da Soja.

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O presidente da entidade foi um dos palestrantes do painel “Agronegócio e Segurança Alimentar Global: Desafios para a Cooperação”, ao lado do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes; da deputada estadual de MT, Janaína Riva; e do professor da UERJ, Marco Marrafon; com moderação do mestre e doutor em Direito, Sidney Pereira de Souza Junior. Em sua fala, o presidente da Aprosoja MT destacou os impactos diretos da Moratória da Soja sobre o setor produtivo e a segurança alimentar global. “O tema aqui foi segurança alimentar e coloquei justamente que a moratória da soja prejudica a segurança alimentar.”

O impacto da Moratória da Soja em MT

Lucas Costa Beber apresentou dados que mostram o crescimento da produção agrícola em Mato Grosso nos últimos anos, mesmo com restrições impostas por grandes empresas compradoras. De 2019 para cá, a área de soja passou de 9,6 milhões para 13 milhões de hectares, e a de milho, de 4,5 para 7,2 milhões. A previsão para este ano é de 51 milhões de toneladas de milho e 50 milhões de soja, com expectativas de ultrapassar 80 milhões e 54 milhões, respectivamente, na próxima década.

Ele destacou o impacto da moratória da soja no estado, que afeta mais de 2,7 milhões de hectares em 85 municípios e retira cerca de R$ 20 bilhões da economia local. A medida é rejeitada por 127 câmaras de vereadores e mais de 100 prefeituras.

A Aprosoja MT atua judicialmente contra a moratória, com ações no Cade e na Justiça, já pleiteando R$ 1,1 bilhão por danos morais, além de ressarcimento por prejuízos materiais acumulados em mais de 20 anos.

Além dos prejuízos econômicos, Lucas alertou para os efeitos sociais da moratória, que aprofunda desigualdades regionais e ignora o rigoroso Código Florestal Brasileiro. Ele reforçou que produtores respeitam a legislação ambiental, sofrendo sanções quando desrespeitam.

O presidente criticou a moratória como incoerente e hipocrisia, destacando que Mato Grosso preserva 64% de seu território, contra menos de 20% dos EUA, apesar da maior área de produção americana.

O governador Mauro Mendes ressaltou a importância de Mato Grosso para a paz mundial, por garantir segurança alimentar preservando mais de 60% do estado. Segundo ele, a disputa por alimentos historicamente movimenta conflitos, e o Brasil tem papel fundamental nesse contexto.

Ao final, Lucas reforçou que o Brasil alimenta mais de um bilhão de pessoas e que a moratória é um obstáculo à segurança alimentar global. Ele sugeriu que empresas do mercado comprador adotem protocolos de segregação e rastreabilidade, em vez de restringir a produção.



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Agronegócio do Sul questiona efetividade do Plano Safra 2025/26



O anúncio do Plano Safra 2025/26, divulgado na última terça-feira (1º) pelo governo federal, gerou repercussão entre as entidades ligadas ao agronegócio nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. Representantes dos produtores rurais e cooperativas expressam preocupações com pontos do progrma que podem impactar a efetividade das medidas.

Anderson Sartorelli, do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), ressaltou que a destinação dos recursos não garante o acesso do produtor. “Um último dado desse Plano Safra 2024/25, agora de maio, [mostrou] que apenas 70% do que foi destinado foi contratado. Nós percebemos que muitas vezes o que é destinado, o que é colocado no plano safra, não chega para o produtor. Vai fazer a diferença para o agronegócio se ele chegar lá na ponta. Se não, caso contrário o objetivo do plano safra acaba não sendo cumprido.”

Sartorelli também apontou que a elevação da taxa Selic para 15% agrava o cenário fiscal, dificultando ainda mais a operacionalização do Plano Safra.

Salatiel Turra, analista técnico da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), reforçou a questão do investimento. “Com relação à parte de investimento, principalmente da agricultura empresarial no que tange a questão das cooperativas, a gente pode destacar uma redução do valor disponibilizado para investimentos, principalmente em algumas linhas que as nossas cooperativas podem utilizar recursos, então isso é um ponto de atenção que a gente tem que destacar.”

No Rio Grande do Sul, entidades representativas do setor estão preocupadas com a capacidade dos produtores de acessar os recursos do Plano Safra, principalmente devido ao alto endividamento do setor. Há também apreensão em relação às mudanças no seguro rural e no Proagro.

Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), criticou o percentual de recursos equalizados. “O governo anuncia um plano agrícola fantástico, mas se olharmos bem, apenas 22% desse valor é que tem recursos equalizados.” Ele classificou o anúncio mais como “narrativa” e sem considerar a inflação, resultando em “mais do mesmo, só que piorado”, devido às taxas de juros elevadas.

Pereira também evidenciou a crise no seguro rural gaúcho: “As seguradoras praticamente se retiraram do Rio Grande do Sul. Elas levantaram o valor do prêmio e baixaram a quantidade de produto segurado. Praticamente seguro no Rio Grande do Sul não existe mais.”

Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs, enfatizou a necessidade de capacidade financeira para o acesso ao crédito. “Ele precisa ter capacidade financeira para acessar crédito. Na agricultura empresarial esse volume é ainda maior, esse percentual é maior. Precisamos resolver esse problema do endividamento. E ninguém quer perdão da dívida ou não pagar. As pessoas querem um prazo mínimo. Se a securitização não dá para 20 anos que a gente faça de 10, 12 anos para pagar a sua dívida e continuar o processo produtivo”, disse.

Já para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro-RS), Paulo Pires, o grande desafio é a rentabilidade do produtor. “Olha o trigo. Por que ele caiu a área no Rio Grande do Sul de forma expressiva? Porque não tem rentabilidade. Tu não consegue convencer o produtor a fazer uma área expressiva de investimento se todos cálculos não sinalizam rentabilidade. Essa é uma questão muito importante, porque o preço não é o produtor que faz e isso é uma perspectiva negativa. Agora, em relação ao Plano Safra o endividamento preocupa porque quantos produtores vão ter acesso ao crédito? Se o produtor não tiver direito ou acesso ele não vai plantar”.




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AgroNewsPolítica & Agro

Vazio sanitário da soja começa no RS



Proibido cultivar soja no RS até setembro: entenda o vazio sanitário




Foto: AgrolinkFito

O Rio Grande do Sul inicia nesta quinta-feira, 3 de julho, o período do vazio sanitário da soja, medida para controle da ferrugem asiática. Até 30 de setembro, está proibida a presença de plantas vivas de soja em qualquer fase de desenvolvimento nas lavouras do estado. A restrição de 90 dias segue determinação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e tem como objetivo interromper o ciclo do fungo causador da doença.

Segundo informações da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o vazio sanitário, aliado ao calendário oficial de semeadura — que será de 1º de outubro de 2025 a 28 de janeiro de 2026 —, é uma das principais estratégias de defesa fitossanitária para garantir a produtividade da soja no estado. A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e está entre as doenças mais severas enfrentadas pelos produtores brasileiros.

“O período de vazio sanitário e o calendário de semeadura adotado para a soja no Rio Grande do Sul se consolida como estratégia de enfrentamento da ferrugem asiática, para garantir o manejo da praga, a manutenção das ferramentas químicas e a produtividade da cultura para nosso estado”, destacou Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi.

O Estado mantém um programa próprio de monitoramento da ferrugem asiática, com atuação nas principais regiões produtoras. Esse sistema é baseado na detecção de esporos da doença associada a dados meteorológicos, permitindo a elaboração de mapas que indicam a probabilidade de ocorrência do fungo.





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Instituto recebe aprovação para iniciar testes de vacina contra a gripe aviária



O Instituto Butantan, em São Paulo, recebeu terça-feira (1) a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar início aos ensaios em humanos de sua candidata à vacina contra a gripe aviária A (H5N8).

Para isso, o órgão pretende recrutar 700 adultos e idosos voluntários que participarão das fases 1/2 do estudo em cinco centros de pesquisa brasileiros.

A vacina influenza monovalente A (H5N8) (inativada, fragmentada e adjuvada) será testada em duas doses com intervalo de 21 dias, primeiramente em adultos de 18 até 59 anos e 11 meses e depois em pessoas com 60 anos ou mais.

De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, o Instituto Butantan concluiu os estudos pré-clínicos com resultados favoráveis de segurança e imunogenicidade.

“Estamos em conversas com o Ministério da Saúde, que se mostrou sensível ao avanço dessa discussão. Com a plataforma aprovada, o Instituto pode produzir um contingente de 30 milhões de doses após os resultados iniciais. Este contingente estratégico pode ser utilizado caso o vírus comece a se disseminar entre humanos e tenha antígenos semelhantes aos representados pela vacina candidata do Instituto Butantan”, afirma o diretor do Instituto, Esper Kallás.

O Ministério da Saúde publicou em dezembro de 2024 um Plano de Contingência Nacional do Setor Saúde para Influenza Aviária no qual define as estratégias que deve adotar em caso de situação de emergência relacionada à doença. Uma delas é prover estoques estratégicos de medicamentos e insumos que possam combater a disseminação da doença.

Como será o estudo?

Inicialmente serão recrutados 70 adultos, que receberão as doses por via intramuscular, em um Centro de pesquisa no Recife (PE) e, posteriormente, em quatro centros de pesquisa localizados em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), São José do Rio Preto (SP) e em Ribeirão Preto (SP).

O estudo vai avaliar a segurança e a capacidade de gerar resposta imune contra a gripe aviária (imunogenicidade) de duas formulações da vacina, em comparação com placebo. O estudo permitirá a escolha da dose da vacina.

Um comitê independente de monitoramento de dados e segurança vai fazer a análise de segurança do estudo que inclui, entre outras ações, a avaliação preliminar dos dados de segurança dos 70 primeiros adultos recrutados, após a aplicação da primeira dose. Caso a avaliação seja positiva, abre-se uma nova etapa de recrutamento para incluir mais 280 adultos na pesquisa.

Se o perfil de segurança for favorável na população adulta testada, inicia-se a segunda fase do estudo, na qual haverá o recrutamento de 70 pessoas com 60 anos ou mais. Novamente, se a avaliação de segurança da candidata vacinal for favorável, segue com o recrutamento de voluntários com 60 anos ou mais até completar 350 voluntários.

O objetivo é terminar o acompanhamento destes participantes em 2026 e ter um pacote regulatório que contempla uma faixa etária ampla para ser submetido à Anvisa.

“Se durante o ensaio clínico for decretada uma epidemia, o Butantan fica à disposição da Anvisa para ver o que pode ser feito para encurtar prazos e adaptar a vacina para contemplar uma diferente variante do vírus da influenza aviária”, afirma a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos.

Segundo ela, caso isso não ocorra, o estudo permanece sendo referente ao desenvolvimento de uma vacina pré-pandêmica, tornando o Butantan pioneiro em seu desenvolvimento no Brasil e com capacidade de fornecer o produto em caso de necessidade.

Lote reserva já está disponível

O Instituto começou a estudar a possibilidade de fazer uma vacina contra a gripe aviária ainda em 2023. O processo está sendo desenvolvido com a cepa do vírus influenza tipo A (H5N8), fornecida ao Instituto Butantan pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Durante o desenvolvimento da vacina contra gripe aviária – incluindo os ensaios pré-clínicos – foi incluída na vacina uma cepa H5 de importância epidemiológica atual, por se tratar de uma variante altamente patogênica que mais se aproxima da cepa circulante nas Américas. Com isso, o Butantan já tem disponível um lote reserva de vacinas pronto para ser usado na pesquisa clínica.

Em 2018, o Instituto chegou a fazer estudo fase 1 com uma outra vacina pandêmica de gripe aviária A (H7N9), em parceria com Organização Mundial de Saúde (OMS), com a Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Barda), e com o Instituto de Pesquisa em Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (IDRI). Na lógica da preparação para pandemia, houve mudança de rota, devido ao avanço dos casos de gripe A (H5N1).

Risco de pandemia preocupa

A transmissão da gripe aviária em humanos, considerada esporádica, ocorre após contato próximo com uma ave infectada e/ou suas fezes. A forma de transmissão mais plausível é o contato com as penas, pele, mucosas e aerossóis, isto é, pela manipulação do animal infectado vivo ou morto – este último na manipulação em frigoríficos, por exemplo – e depois de encostar a mão contaminada nos olhos, nariz ou boca, segundo a OMS.

Não há, até o momento, comprovação da transmissão do vírus de humano para humano, embora um artigo da revista Science relata a possibilidade cada vez mais próxima de isso ocorrer devido às mutações do vírus – se antes ele só atingia aves, agora já infecta vacas e humanos que têm contato com os bovinos.

A possível disseminação entre pessoas preocupa cientistas pela alta mortalidade do vírus em humanos (próxima de 50%), e pela gravidade dos sintomas, que podem variar de uma conjuntivite com sintomas leves de gripe a uma doença respiratória aguda grave, levando à morte.

“O vírus de influenza A(H5N1) está sendo transmitido de aves para aves, de aves para mamíferos, de mamíferos para mamíferos, de aves para humanos e mamíferos para humanos. Só não vimos ainda a transmissão de pessoa para pessoa, mas existe um potencial do vírus adquirir essa capacidade, o que é muito perigoso porque aumenta o risco de uma pandemia”, afirma o pesquisador científico e gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan, Paulo Lee Ho.

No Brasil não há casos registrados da doença em pessoas, embora este ano tenha sido notificado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a infecção em aves comerciais de uma granja no município de Montenegro (RS) e de outros estados do país, que estão sob investigação. A pasta esclarece que está rastreando as granjas com atuais focos e adotando medidas sanitárias nos locais, nas proximidades e entre pessoas que trabalham nas granjas.

O país já havia notificado um foco de infecção em aves silvestres em 2023. “Ter uma vacina pronta, com uma plataforma já testada, que mostra que produz anticorpos contra o vírus, é o objetivo do Butantan. Não é para já comercializar, mas para propor um estoque estratégico”, afirma o diretor do Butantan, Esper Kallás.

*Informações da Agência SP



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Vazio sanitário de soja entra em vigor no RS a partir de quinta-feira



Começa nesta quinta-feira (3) o período de vazio sanitário da soja no Rio Grande do Sul. A medida, que se estende até 30 de setembro, proíbe a manutenção de plantas vivas de soja em qualquer fase de desenvolvimento nas lavouras do estado ao longo desses 90 dias.

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A ação foi estabelecida pela Portaria nº 1217/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que também define o calendário de semeadura para o ciclo 2025/26: de 1º de outubro de 2025 até 28 de janeiro de 2026. A normativa tem como principal objetivo o controle da ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais severas da sojicultura.

“O período de vazio sanitário e o calendário de semeadura adotado para a soja no Rio Grande do Sul se consolidam como uma importante estratégia de enfrentamento da ferrugem asiática. São medidas fundamentais para garantir o manejo eficiente da praga, preservar a eficácia das ferramentas químicas disponíveis e assegurar a produtividade da cultura em nosso estado ao longo das próximas safras”, afirmou Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças mais severas que atingem a sojicultura brasileira, com potencial para causar prejuízos à produção. Altamente agressiva, a doença se espalha com rapidez e exige ações coordenadas para evitar perdas econômicas.

No Rio Grande do Sul, o monitoramento da ferrugem é realizado por meio do programa Monitora Ferrugem RS, que atua em diversas regiões produtoras. A iniciativa utiliza uma metodologia baseada na detecção da presença de esporos do fungo, associada a dados meteorológicos, como temperatura e umidade. Com base nessas informações, são gerados mapas indicativos da predisposição para a ocorrência da doença.



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Chá agroflorestal e cultura japonesa integram roteiro turístico em SP


O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo (SP), se destaca por suas belezas naturais. Além disso, guarda uma rica história e cultura trazidas pelos imigrantes japoneses. Famílias como os Yamamaru são protagonistas dessa transformação. Nesse cenário, a agricultura — especialmente o cultivo do chá — se alia ao turismo rural, gerando novas oportunidades de trabalho e renda.

Miriam Mikiko Yamamaru Oka, bióloga e agricultora conta que sua família chegou ao Brasil em 1954, fugindo das dificuldades no Japão. Seu pai, imigrante japonês, iniciou o plantio de chá no bairro da Raposa, em Sete Barras, próximo a Registro (SP).

Com o tempo, a plantação prosperou. Na década de 1980, por exemplo, a produção chegou a três toneladas diárias. No entanto, foi apenas em 2011 que um novo capítulo começou. Naquele ano, o irmão de Miriam, Kazutoshi Yamamaru — ou Kazu — adotou o Sistema Agroflorestal (SAF) na propriedade da família.

A ideia do SAF, que integra diferentes culturas agrícolas e respeita o meio ambiente. “Percebi que não precisávamos derrubar árvores. Então, fui plantando no lugar certo e fui gostando”, explica Kazu.

Para Miriam, a volta do cultivo da erva foi uma forma de preservar o legado da família, que possui plantas com mais de 70 anos. “O chá voltou, e com ele, a possibilidade de gerar renda novamente”, explica.

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Roteiro Turístico da Imigração Japonesa

Duas pessoas sentadas em frente a uma mesa de madeira com o fundo de plantação de chá
Kazu e a irmã Miriam Yamamaru no sítio onde cultivam o chá agroflorestal. Foto: Divulgação | Canal Rural

A recuperação do chá e a adoção do SAF na propriedade Yamamaru abriram portas para a inserção da família na roteiro da imigração japonesa, uma iniciativa que visa valorizar a história dos imigrantes no Vale do Ribeira.

Esse projeto, desenvolvido com o apoio do Sebrae e de outras entidades como o Senar, oferece uma experiência única aos turistas, que podem conhecer a cultura japonesa de perto, saborear o chá produzido na região e vivenciar práticas agrícolas sustentáveis.

“Quando o turista visita uma propriedade como a dos Yamamaru, ele contribui diretamente para a economia local, desde a compra do chá até o apoio aos comércios da região”, afirma Regiane Macedo, consultora do Sebrae/SP.

A criação do roteiro possibilitou o surgimento de várias outras iniciativas, como a parceria com restaurantes que oferecem pratos típicos da imigração japonesa e a visitação a templos budistas e pontos históricos da cidade de Registro. Acesse aqui e confira o roteiro completo.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre a Roteiro da Imigração Japonesa no Vale do Ribeira? Então assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta quinta-feira (3), às 17h45.

Arte com os horários do programa Porteira Aberta Empreender
Às quintas-feiras, às 17h45, no Canal Rural. Foto: Arte Divulgação | Canal Rural



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