sábado, abril 4, 2026

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Hortas circulares apoiam agricultura familiar em Minas Gerais


Já imaginou uma horta em círculo? Essa técnica está sendo repassada para agricultores familiares de diferentes regiões de Minas Gerais, por meio da Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (Epamig).

O funcionamento com curvas de nível faz com que toda água que cai na horta permaneça dentro dela. Desse modo, é possível reduzir a erosão, em locais com mais declives, e aproveitar melhor a água da irrigação, em locais planos. 

A ideia é fomentar uma nova fonte de renda e incrementar a oferta de alimentos

A ação integra o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

A coordenadora dos trabalhos e pesquisadora da Epamig, Janine Guedes, explica que o projeto do arroz inclui uma linha de ação para fortalecer a agricultura familiar como um todo.

Assim, o trabalho com hortas, que já era desenvolvido pela pesquisadora Polyanna Oliveira, passou a fazer parte do projeto como uma de suas ações.

O processo envolve a implementação de hortas, a realização de treinamentos e, posteriormente, a introdução de unidades de arroz sequeiro em períodos chuvosos.

“Trabalhamos junto à Emater e às prefeituras municipais para que os produtores possam fornecer a produção das hortas e o arroz para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, acrescenta a pesquisadora.

Um novo modelo de horta

As hortas agroecológicas circulares consistem em uma estratégia para melhorar a qualidade de vida de pequenos agricultores, bem como proporcionar novas fontes de renda.

O sistema, não só é sustentável e agro ecológico, mas também é facilmente replicável em diferentes espaços e condições de solo.

Além disso, o modelo pode receber diversos tipos de hortaliças, leguminosas e frutíferas. “A escolha do que colocar na horta depende da disponibilidade de área, de água e do interesse do produtor”, enfatiza a pesquisadora Polyanna Oliveira.

Em Perdões, no Sul de Minas, serão sete unidades demonstrativas de arroz e seis hortas circulares.

“Fiquei sabendo desse projeto e fiz contato com a equipe da Epamig. A partir da parceria, conseguimos implantar três hortas e outras três já estão acertadas”, conta a secretária de Agricultura do município, Luciana Arriel.

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Foto: Epamig/Erasmo Reis

Impacto social

Uma das hortas, por exemplo, já em fase de produção, pertence ao Projeto Vida Nova, que atende 85 meninos de 8 a 18 anos em situação de vulnerabilidade social e oferece atividades como música, esportes, noções de preservação ambiental e de plantio das hortas. 

“Essa horta ajuda muito. Já estamos usando beterraba, alface, tudo. Enriqueceu muito nossa alimentação”, avalia a diretora da instituição, Cleuza Maria Augusto Oliveira.

Produtores de hortaliças há sete anos, Dulcineia Carvalho Ribeiro da Silva e Wilson Antônio Ferreira da Silva iniciaram o cultivo circular há dois meses e já notaram algumas diferenças.

“As plantas ficaram mais bonitas e é mais fácil de irrigar”, comenta Dulcineia. “Nossa ideia é ampliar o plantio circular”, completa Wilson.

Além de fornecerem alimentos para a merenda escolar, por meio do PNAE, os agricultores também vendem a produção na feirinha municipal, na associação e de forma individual. 

“Temos acompanhado de perto e visto que o pessoal está gostando do modelo. O sentido circular ajuda na questão da umidade e na prevenção dos insetos predadores de pragas”, destaca Luciana Arriel.

O plantio das Unidades Demonstrativas de Arroz em Perdões terá início no mês de novembro. “Das sete unidades previstas, teremos cultivo solteiro (apenas arroz) e outras consorciadas ao café”, detalha Janine Guedes.

Ela lembra que a palha do arroz pode auxiliar na adubação do solo: “Recomendamos ao produtor usar essa palha nas hortas, visto que ela é rica em nutrientes, em especial, nitrogênio”.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Presidente Lula, o leite virou símbolo do abandono rural


O senhor sabe o que significa ver o leite virar prejuízo? Significa assistir a milhares de famílias empobrecendo em silêncio, enquanto o governo comemora indicadores macroeconômicos que não chegam ao interior.

O litro de leite pago ao produtor familiar vale hoje menos do que custa produzir. São mais de 5 milhões de brasileiros, entre produtores e familiares, que sobrevivem dessa atividade. E, no entanto, essa crise crônica vem há um bom tempo empurrando esses produtores para o bolsa família ou para fora do campo.

Não se trata de mercado, Presidente. Trata-se de gente.

A produção de leite familiar precisa ser tratada como questão social e de segurança alimentar, não como um número de planilha.

Em outubro de 2025, o preço médio nacional pago ao produtor foi de R$ 2,22 por litro, contra R$ 2,66 há um ano.

Em estados como o Paraná, há produtores recebendo menos de R$ 2,00, quando o custo de produção ultrapassa R$ 2,20.

Resultado: famílias endividadas, tanques vazios e propriedades sendo vendidas, é o êxodo rural silencioso.

Por que o leite brasileiro ficou sem valor

  1. Custos em alta: ração, energia e logística dispararam.
  2. Consumo interno estagnado: a inflação apertou o bolso do consumidor urbano.
  3. Importações predatórias: leite em pó argentino e uruguaio entram no país muito acima da capacidade produtiva declarada desses países, derrubando os preços locais.

Essa triangulação dentro do Mercosul virou porta aberta para dumping disfarçado — e o Brasil continua fingindo que é livre comércio.

A omissão do governo é parte do problema

O Ministério do Desenvolvimento (MDIC) abriu investigação sobre dumping em dezembro de 2024, mas decidiu não aplicar medida provisória em agosto de 2025.

A justificativa técnica, de que leite em pó e leite in natura não concorrem diretamente, é um equívoco cruel.

Quem vive da ordenha sabe: é o leite em pó que baliza o preço do leite fresco. Quando ele entra barato, o produtor nacional afunda.

O que o governo poderia fazer agora

  • Acelerar o antidumping e aplicar tarifas de defesa comercial.
  • Fiscalizar a origem e o volume real das importações.
  • Ativar compras públicas emergenciais (via Conab e MDS) para retirar excedentes do mercado.
  • Usar o PNAE e o PAA para garantir demanda pelo leite da agricultura familiar.
  • Ajustar o ICMS dos importados e proteger o produtor local.

Nada disso exige novos impostos, apenas vontade política.

A queda no preço do leite não barateia a vida de ninguém.

Ela destrói pequenos produtores, enfraquece municípios e rompe o elo entre o campo e a cidade.

Cada fazenda que fecha representa menos emprego, menos arrecadação e mais miséria.

Presidente, o senhor precisa usar sua prerrogativa de chefe da nação para solucionar esse  problema gravíssimo.

O país precisa decidir se quer importar leite barato ou preservar sua dignidade rural.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Nota técnica aponta mais de 400 obstáculos ao estudo de cannabis



Em paralelo à repressão ao seu comércio como uma droga ilegal, a cannabis é, cada vez mais, percebida internacionalmente como uma fonte de riqueza, cobiçada por setores produtivos que vão da agricultura ao setor farmacêutico. 

Só no Brasil estima-se que 670 mil pessoas utilizem fármacos à base de cannabis para tratar problemas como esclerose múltipla, epilepsia refratária e dor crônica. Porém, a falta de regulamentação atravanca a atuação de universidades, empresas e outros interessados na pesquisa científica sobre a planta.

Nesse sentido, algumas iniciativas estão em andamento para reverter este quadro. Uma delas foi a divulgação, em setembro, de uma nota técnica elaborada por um grupo de trabalho listando 481 empecilhos burocráticos e regulatórios enfrentados por quem conduz, ou deseja conduzir, estudos com a cannabis.

A proposta de regulamentação

O chamado Grupo de Trabalho (GT) de Regulamentação Científica da Cannabis criado pela Embrapa compreende 31 instituições de ensino e pesquisa.

O relatório agrupa esses tópicos em sete eixos:

  • as autorizações para pesquisa;
  • o acesso a insumos padronizados;
  • as restrições ao cultivo para fins científicos;
  • o fluxo de materiais entre instituições;
  • as incertezas quanto ao uso de coprodutos e derivados;
  • a falta de protocolos claros para pesquisas com animais de produção. 

O documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgãos responsáveis por regulamentar a investigação e o comércio de substâncias consideradas de controle especial.

André Gonzaga dos Santos, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp em Araraquara e integrante do GT que elaborou a nota, diz que o documento evidencia o interesse de diversas instituições em desenvolver estudos sobre o tema e expressa os entraves que têm impedido esses avanços. 

Gonzaga ainda ressalta o enorme potencial do Brasil para lucrar com a planta. O Anuário da Cannabis Medicinal estima que o mercado brasileiro para fins farmacêuticos possa movimentar R$ 9,4 bilhões por ano.

“Precisamos de uma regulamentação que garanta a autonomia das universidades para realizar pesquisa. Isso não significa que não deve ter controle, ele deve existir. Mas precisamos garantir a autonomia”, afirma o pesquisador. 

Os principais obstáculos 

Ainda que, em tese, existam caminhos legais que permitam as pesquisas, o grupo de trabalho da Embrapa identificou diversos entraves que, na prática, impedem avanços sólidos na área.

O principal deles é a burocracia para obtenção das autorizações, que, de acordo com a nota técnica, envolve prazos indefinidos, falta de transparência nas etapas de análise e ausência de critérios padronizados de avaliação.

“Eu tentei importar do Uruguai e Paraguai. Pedi seis amostras de canabinoides, com um miligrama cada. Elas demoraram mais de um ano para chegar e custaram mais de R$ 20 mil”, conta André Santos, da FCF em Araraquara.

A importação também não garante a padronização dos insumos, já que eles vêm de países com diferentes padrões de qualidade e de plantas com diferentes genomas, o que compromete a consistência e reprodutibilidade dos resultados. 

Além disso, o pesquisador afirma que um interesse importante da comunidade científica é entender como a cannabis cresce especificamente nos solos e condições climáticas do Brasil.

“Estudar produtos importados não vão contribuir em nada para desenvolver a cadeia produtiva nacional, porque a planta se comporta completamente diferente aqui”, diz.

O cenário atual

Assim, o grupo de trabalho defende a criação de normas específicas para as pesquisas com cannabis no país, que tornem os processos mais ágeis e transparentes.

“Precisamos de uma regulamentação que garanta autonomia, ainda que com controle e registro de todas as atividades. Isso traria segurança para os pesquisadores”, ressalta o pesquisador.

Essa regulamentação ajudaria a padronizar os procedimentos científicos e beneficiaria os setores farmacêutico e agrícola — além de reduzir os custos das pesquisas e, consequentemente, o preço final dos medicamentos quando eles chegam às gôndolas.

Medicamentos à base de canabinoides que custam até R$ 2 mil nas versões importadas têm equivalentes nacionais fabricados por associações canábicas que alcançam só 40% desse valor.

Além disso, o cânhamo industrial — nome que se dá a variedades de cannabis com baixo teor de THC cultivadas para obtenção de fibra — tem grande potencial econômico para a indústria têxtil e a produção de papel. 

*Com informações do Jornal da Unesp/Nathan Sampaio



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BSCA destaca diálogo entre Brasil e EUA sobre tarifas do café especial



A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) destacou a importância da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realizada neste domingo (26), na Malásia.

Em nota, a entidade afirmou que o encontro representa uma possibilidade concreta de solução para as tarifas aplicadas ao setor cafeeiro. A expectativa é que a medida crie condições para que os dois países superem barreiras ao comércio e avancem em pautas voltadas ao fortalecimento da parceria no segmento de cafés especiais.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de cafés especiais, com cerca de 2 milhões de sacas ao ano e receita superior a US$ 550 milhões.

Segundo a BSCA, a eventual retirada da tarifa de 50% sobre os cafés importados pelos EUA tende a restabelecer a normalidade do comércio mundial do produto, especialmente na relação entre o Brasil, principal fornecedor global, e os Estados Unidos, maior mercado importador e consumidor.

A associação afirmou ainda que a manutenção do diálogo é essencial para reverter a taxação e preservar empregos, renda e a parceria comercial construída entre os dois países.



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Cecafé acompanha diálogo entre Brasil e EUA sobre tarifas do café; saiba mais



O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que acompanhou o encontro realizado neste domingo (26) na Malásia entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump.

O diálogo tratou do fortalecimento das relações comerciais entre os dois países, com destaque para o tema das tarifas aplicadas ao café brasileiro.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, integra a missão nacional na Indonésia e na Malásia. Segundo a entidade, ele participou de reuniões com representantes do governo federal, apresentando informações estratégicas e destacando pontos considerados relevantes para a possível isenção das tarifas sobre o café do Brasil.

Impacto das tarifas na competitividade

De acordo com o Cecafé, os dois governos demonstraram disposição em avançar nas discussões sobre as tarifas em vigor.

A entidade destacou que essas cobranças reduzem a competitividade do café brasileiro nos Estados Unidos, gerando impacto nos preços para os consumidores norte-americanos e colocando em risco a participação do Brasil no principal mercado importador e consumidor do produto.

Atuação institucional e expectativa por avanços

O Cecafé afirmou que tem atuado no Brasil e em Washington para fortalecer a relação comercial entre os dois países e preservar a competitividade das exportações brasileiras.

A entidade disse aguardar resultados concretos que possam levar à isenção das tarifas aplicadas ao café, medida que, segundo o conselho, pode contribuir para reduzir a pressão inflacionária nos Estados Unidos e fortalecer a sustentabilidade da cadeia produtiva do setor no Brasil.



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Suplementação na seca é essencial para a nutrição do gado; entenda



Para que o pasto na seca continue sendo a base da alimentação do rebanho, o planejamento antecipado e a suplementação estratégica são essenciais.

Em entrevista recente ao programa Giro do Boi, o zootecnista Iorrano Cidrini afirmou que, mesmo quando o produtor utiliza o diferimento (vedação) para ter massa disponível, a qualidade da forragem cai com o avanço da estiagem, exigindo um aporte de nutrientes.

Segundo ele, o principal objetivo da suplementação na seca é fornecer proteína para dar combustível às bactérias do rúmen. Esse “combustível” é o que permite ao animal processar a fibra de baixa qualidade do pasto diferido. Ao suplementar, o produtor garante que o gado utilize o pasto com mais eficiência e, principalmente, tenha um maior consumo.

Confira:

Benefícios da suplementação

O pasto na seca sem suplemento é subutilizado. Quando o animal recebe o proteinado, as bactérias do rúmen se multiplicam mais rapidamente, degradando o material fibroso e acelerando a passagem do alimento pelo trato gastrointestinal. Na prática, a suplementação gera um efeito aditivo.

Por exemplo: o fornecimento de apenas 300 gramas de proteinado para um bezerro de trezentos quilos faz com que o consumo total de matéria seca do animal aumente muito mais do que os 300 gramas do suplemento, resultando em um maior ganho de peso.

A máxima da nutrição é que, na seca, pasto + suplemento é maior que 3, pois a combinação potencializa a utilização da forragem. A escolha da tecnologia de suplementação deve ser direcionada para a categoria animal e a meta de ganho de peso.

O planejamento antecipado da compra dos suplementos é crucial para evitar as altas de preço durante a seca e o temido “efeito sanfona” do gado. O produtor deve ter um plano definido para o seu rebanho, sabendo que animais de maior exigência precisam de maior desembolso em tecnologia.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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veterinárias impulsionam pecuária no Rio Grande do Sul


A atuação de um médico-veterinário pode ir além do cuidado com animais, bem-estar, vacinação ou tratamento de doenças. Um profissional da área pode estar também à frente de temas que impulsionam o agronegócio, como o desenvolvimento da genética de raças e toda a esfera que envolve o assunto, desde a colaboração no aprimoramento de animais de linhagens superiores até a promoção desses animais em feiras, eventos e para diversos mercados e segmentos da pecuária.

No Rio Grande do Sul, estado referência em pecuária de corte, leite e ovinocultura, a atuação de médicos veterinários tem feito a diferença. Conforme o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RS), os profissionais têm campo amplo e papel fundamental em alguns segmentos do agronegócio.

Mais mulheres na profissão

Na última década, o número de profissionais do sexo feminino formadas em Medicina Veterinária no estado foi o dobro do sexo masculino: 7.490 mulheres contra 3.381 homens. Conforme a conselheira do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Lilian Müller, a presença da mulher no agronegócio está cada vez maior. A própria sucessão rural tem levado à necessidade da mulher se inserir no trabalho pecuário, tanto na gestão quanto na rotina com os animais.

“A mulher recebeu essa abertura dentro da família. O mercado acolheu por precisar muito da atuação e ela provou que é muito capaz. Mesmo mulheres sem vínculo familiar com o meio rural estão trabalhando nas atividades agropecuárias. E no campo de genética e desenvolvimento de raças não é diferente. A atuação do profissional de veterinária vem fazendo a diferença desde nutrição, reprodução, sanidade, bem-estar, uso de tecnologias para buscar eficiência e mais produtividade. Não é só quantidade, mas também qualidade que é zelada pelos profissionais para entregar isso ao consumidor”, destaca.

Ana Doralina Menezes

Profissão: pecuária brasileira

Ana Doralina Menezes é médica-veterinária formada pelo Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) e atualmente preside a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável. Atuou por mais de duas décadas junto à Associação Brasileira de Angus e também como criadora, representando a quinta geração de uma família de pecuaristas na região da Campanha gaúcha.

Magali Moura é formada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e hoje é superintendente de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), em Bagé (RS). Vinda de família urbana, atua de forma estratégica na ovinocultura brasileira, coordenando eventos, registros genealógicos e ações de incentivo ao crescimento do setor.

Desiree Hastenpflug Möller se formou pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e atualmente é presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu), vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e vice-presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac). Também vinda de família urbana, tornou-se referência na criação de búfalos em Viamão (RS).

Débora Dienstmann vai se formar em Medicina Veterinária no fim do ano pela Universidade de Caxias do Sul. Filha de produtores de leite, cresceu acompanhando a rotina da família, que enfrentou três enchentes em Estrela, no Vale do Taquari, mantendo desde cedo contato com a pecuária leiteira.

A história dessas quatro profissionais pode não ter se cruzado, mas elas têm em comum o amor pela Medicina Veterinária e pela pecuária, que guiam suas vidas e carreiras. A prática da atividade, que inclui inseminação, partos e manejo, também se estende para diálogo, negociação e debate, com o objetivo de mostrar o que a pecuária faz de melhor — desde animais campeões em genética até alimento de qualidade para os consumidores.

Débora Dienstmann

Da infância à referência

A vocação pela Medicina Veterinária veio da infância das quatro profissionais. Ana destaca que sempre teve certeza da profissão. Interessada na área de produção e manejo mais do que na clínica, fez estágios na universidade que abriram horizontes, como na unidade da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), conhecendo tecnologias que deram suporte à profissão.

“Acredito que consegui desenhar minha jornada profissional em cima do que para mim faz sentido. Falar de produção e estar ligada ao campo faz parte do meu íntimo. Hoje atuo muito na representatividade, falando da pecuária brasileira para o mundo”, relata.

Para Ana, a Medicina Veterinária vem alinhada com a atividade porque ajuda a entender desafios e demandas, fornecendo suporte para difundir a carne brasileira pelo mundo.

“A profissão está diretamente ligada a tudo que já fazemos e faremos para impulsionar as raças. O veterinário traz visão ampla sobre desempenho, adaptação, características, dados, números, indústria, padronização de produtor, qualidade, diferenciais e posicionamento disso para o mercado. Ajuda a comunicar esse trabalho e o que diferencia o produto brasileiro, que alia alta produtividade e sustentabilidade. A profissão transita nesses elos”, completa.

Desiree Hastenpflug Möller

Histórias de paixão e dedicação

Na trajetória de Magali, a paixão por animais surgiu ainda na infância. Depois de formada, morou fora do país e retornou com duas filhas pequenas, decidida a voltar ao mercado de trabalho.

“Comecei trabalhando com registro genealógico de bovinos de corte e em 2014 vim para a Arco”, conta.

Ela enfrentou desafios e aprendeu sobre a ovinocultura brasileira, conhecendo raças, potencialidades, lã, carne e leite. Hoje coordena o registro genealógico de 32 raças em todo o Brasil, trabalhando com mais de 100 técnicos e estudando linhagens familiares e comprovação da pureza racial.

Desiree, nascida na capital gaúcha, desde pequena queria ser veterinária. Após se formar, foi morar em um sítio na região metropolitana de Porto Alegre, atuando como única veterinária da região com clínica e cirurgia. Em 2014, herdou um rebanho bovino, depois substituído por búfalos, onde descobriu sua verdadeira vocação: a produção de alimentos com genética e bem-estar animal.

Magali Moura

Já Débora segue os primeiros passos da profissão. Filha de produtores de leite, acompanhou de perto as dificuldades das enchentes e da perda da propriedade familiar, mas manteve firme a escolha pela Medicina Veterinária. Durante os estágios, descobriu interesse por reprodução de bovinos e qualidade de leite, mantendo contato direto com os animais.

“Acredito que, independentemente da área em que atuarei, serei uma ótima profissional, porque tenho orgulho dessa profissão”, conclui emocionada.



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Semana terá chuva no Sul e Sudeste, mas tempo seco e calor extremo ainda predominam no Centro-Norte



O avanço de uma frente fria mantém a chuva sobre o Sul e parte do Sudeste do Brasil nesta última semana de outubro.

De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros em áreas do norte do Paraná e de Santa Catarina, enquanto o tempo seco e as altas temperaturas continuam predominando no Centro-Norte do país.

Confira a previsão por região:

Sul

As áreas de instabilidade persistem entre a Serra e o Planalto, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde as chuvas podem ser mais intensas. Com o avanço da frente fria, as pancadas se espalham pelo Paraná, ocorrendo de forma moderada a forte, com possibilidade de temporais localizados.

Os volumes podem ultrapassar 100 milímetros no norte paranaense, planalto norte e sudeste catarinense, prejudicando os trabalhos de colheita. Já nas demais áreas, os acumulados ficam entre 20 e 30 milímetros, suficientes para manter a umidade do solo.

Após a passagem da frente fria, uma massa de ar polar avança sobre a região, derrubando as temperaturas. As mínimas devem ficar abaixo de 10°C nas áreas de baixada dos três estados até sexta-feira, sem risco de geada nas lavouras.

Sudeste

Há chance de chuva moderada a forte na Zona da Mata mineira e no Rio de Janeiro. No sul de São Paulo, novas áreas de instabilidade devem provocar pancadas isoladas.

A combinação de calor e a presença de um cavado em níveis médios da atmosfera favorecem o aumento das chuvas, especialmente no centro-sul de Minas, Rio e São Paulo, onde os acumulados variam de 30 a 40 milímetros, mantendo boa umidade do solo sem comprometer o plantio.

A chuva avança para o Espírito Santo e centro-norte de Minas a partir de quinta-feira à noite, com volumes próximos de 30 milímetros.

O frio predomina em São Paulo, com mínimas abaixo de 15°C, chegando a 10°C no sul do estado. Já o centro-norte mineiro ainda deve registrar máximas de 36°C a 37°C até a metade da semana.

Centro-Oeste

As chuvas seguem irregulares na região. No Mato Grosso do Sul, as pancadas continuam no sul e sudoeste, enquanto no Mato Grosso a precipitação se concentra no oeste e sul do estado.

Em Goiás, as instabilidades aparecem de forma isolada, com acumulados variando entre 30 e 40 milímetros.

O alerta vai para o nordeste de Mato Grosso, onde as temperaturas devem alcançar os 40°C, aumentando o risco de focos de incêndio e estresse térmico em lavouras e rebanhos.

Nordeste

A semana será de tempo quente e seco na maior parte do interior da região. As máximas podem chegar a 39°C, elevando o risco de incêndios.

Na faixa litorânea, especialmente entre Alagoas e Pernambuco, as chuvas continuam e podem ter maior intensidade. Entre Salvador e Porto Seguro, há previsão de pancadas fracas a moderadas, com volumes entre 10 e 15 milímetros.

A tendência é de retorno das chuvas mais volumosas nas áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) a partir da segunda semana de novembro.

Norte

As chuvas ganham força em Rondônia, Acre e Amazonas, com acumulados de até 100 milímetros, o que deve favorecer a recuperação das pastagens e dos níveis do rio Madeira, em Porto Velho.

Em Roraima, sudoeste do Pará e partes do Amazonas, os volumes ficam entre 30 e 40 milímetros, mantendo a umidade do solo.

Por outro lado, o Tocantins e o norte do Pará seguem com tempo quente e seco, com máximas próximas dos 40°C e pouca chuva, o que exige cautela no avanço do plantio da safra 2025/26.

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Preços de frete para grãos registram queda em setembro


Os preços do transporte de grãos apresentaram redução em importantes rotas do país em setembro, acompanhando o encerramento do escoamento das principais safras. A tendência foi observada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal e Minas Gerais. As informações constam no Boletim Logístico de outubro, divulgado nesta sexta-feira (24).

Em Goiás, a Conab destacou que “a queda nos valores acompanha o comportamento sazonal histórico do estado”, já que o período é marcado por menor demanda de transporte. No Distrito Federal, além da desaceleração da movimentação de grãos após o término da colheita da segunda safra de milho, fatores como custos operacionais e preços de combustíveis também influenciaram a redução das tarifas.

No Mato Grosso do Sul, a estatal apontou “arrefecimento gradual da demanda por caminhões de curta distância”, mesmo com o mercado interno ainda ativo. Segundo o boletim, o escoamento do milho de segunda safra, encerrado na segunda quinzena do mês, contribuiu para o recuo dos preços.

Em contrapartida, as rotas de escoamento da Bahia e do Mato Grosso apresentaram variações conforme a região produtora. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), os preços permaneceram estáveis devido ao equilíbrio entre oferta e demanda de transporte de grãos e fibras. Já em Paripiranga, houve alta motivada pelo aumento na demanda de milho destinado a Vitória (ES), Recife (PE) e Feira de Santana (BA). Na região de Irecê, a Conab registrou queda nas cotações com o fim da safra e a consequente redução da procura pelo serviço.

No Mato Grosso, o mercado de fretes rodoviários manteve comportamento lateral, sem tendência clara de alta ou baixa. “Algumas rotas apresentaram aumento moderado, enquanto outras tiveram declínio”, informou o boletim. No Piauí, os valores ficaram próximos da estabilidade, com movimentações regulares de grãos, embora com menor aquecimento em comparação aos meses anteriores.

Já nos estados do Maranhão, Paraná e São Paulo, os preços de frete agrícola subiram em setembro. No Maranhão, o aumento médio foi de 5%, impulsionado pela demanda de transporte de milho para uma biorrefinaria de etanol em Balsas, além de granjas e indústrias do Nordeste. No Paraná, a procura por fretes foi superior à de agosto, o que elevou os preços em quase todas as praças, exceto em Ponta Grossa. Em São Paulo, a alta foi atribuída à maior demanda internacional por produtos brasileiros, influenciada por tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que alteraram fluxos logísticos globais.

O boletim indica que as exportações de milho somaram 23,3 milhões de toneladas em setembro, levemente abaixo das 24,3 milhões registradas no mesmo período de 2024. Os portos do Arco Norte responderam por 42,5% do volume escoado, seguidos por Santos (30,7%), Paranaguá (11,7%) e São Francisco do Sul (9,5%).

Já as exportações de soja em grãos entre janeiro e setembro de 2025 alcançaram 89,5 milhões de toneladas, ante 93,8 milhões no mesmo período do ano anterior. Pelos portos do Arco Norte passaram 37,5% das exportações nacionais, enquanto Santos respondeu por 34,2%, Paranaguá por 12,9% e São Francisco do Sul por 5,2%.





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Em época de seca, bagaço de cana pode garantir energia elétrica



Uma das principais alternativas que vem se consolidando como uma forma para diversificar a matriz elétrica brasileira é a bioeletricidade gerada a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Isso ajuda a reduzir a dependência das hidrelétricas, altamente vulneráveis às variações climáticas.

Durante a estação seca, quando os reservatórios atingem níveis críticos e a produção hidrelétrica diminui, o bagaço entra em ação. A energia da cana supre o sistema elétrico nacional, assegurando fornecimento estável e seguro. Outro diferencial é a possibilidade de priorizar sua geração no período noturno. Assim ela age de forma complementar a energia solar fotovoltaica, cujo pico ocorre durante o dia.

Um estudo publicado na revista Renewable Energy mostra que a bioeletricidade proveniente do bagaço apresenta uma pegada de carbono de cerca de 0,227 kg de CO₂ equivalente por kWh. Esse valor é significativamente menor do que o de termelétricas a diesel, que pode chegar a 1,06 kg de CO₂ equivalente por kWh.

É importante destacar que, mesmo mensuráveis, essas emissões da bioeletricidade do bagaço da cana não adicionam carbono novo à atmosfera. O ciclo começa com a cana, que atua como um “filtro natural” ao absorver CO₂ durante a fotossíntese e transformá-lo em biomassa. Após a colheita e o processamento, parte desse carbono se concentra no bagaço, que, ao ser queimado nas caldeiras para geração de energia, libera de volta apenas uma pequena fração do CO₂ previamente capturado. Enquanto isso, novas plantações de cana já estão em crescimento, reiniciando o processo de absorção.

Dessa forma, a bioeletricidade do bagaço se mostra uma fonte renovável de baixíssimo impacto em emissões, ao mesmo tempo em que fortalece a diversificação e a resiliência da matriz elétrica brasileira. Além disso, ela tem como base um resíduo já disponível da produção de alimento (açúcar) e de biocombustível renovável (etanol). “Tudo isso lhe dá um seu papel estratégico para a segurança energética e para a transição rumo a um sistema mais sustentável e equilibrado”, afirma Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP).

No entanto, estudo internacional liderado pela Embrapa, em parceria com instituições como a Universidade das Nações Unidas e a Universidade de Bonn, na Alemanha, alerta que essa fonte estratégica também enfrenta riscos importantes. A pesquisa analisa como as secas severas afetam a geração de bioeletricidade no Brasil, revelando que a produção depende da interação complexa entre fatores agrícolas, industriais e climáticos.

Riscos de “apagões hídricos-energéticos”

O estudo demonstra que, embora a bioeletricidade da cana seja uma alternativa renovável de grande potencial, ela é vulnerável a gargalos estruturais e pode ser comprometida em períodos críticos.

Entre os principais desafios identificados estão a escassez de barragens para armazenamento de água da chuva, resultado da falta de linhas de crédito e das dificuldades de licenciamento ambiental, o que limita a capacidade de enfrentar longas estiagens. O baixo investimento em irrigação nos canaviais, o que aumenta a dependência das chuvas em regiões cada vez mais sujeitas a variações climáticas. A fragilidade dos seguros agrícolas contra a seca, que não refletem os riscos reais enfrentados pelos produtores, deixando-os expostos a prejuízos severos. A ausência de sistemas robustos de alerta precoce, que poderiam antecipar cenários de risco e permitir respostas mais rápidas e eficazes.

Essas vulnerabilidades reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas e ampliar investimentos que integrem de forma articulada as dimensões social, ecológica e tecnológica do setor, segundo explica Bufon. “A bioeletricidade da cana tem um papel único porque a sua produção coincide exatamente com o período de estiagem, quando a geração hidrelétrica cai. Mas, para mantermos essa contribuição estável, precisamos enfrentar as fragilidades estruturais e institucionais que ainda limitam o setor”, defende o especialista.

A pesquisa também aponta soluções para reduzir os riscos e aumentar a resiliência do setor sucroenergético, como expandir a irrigação em áreas estratégicas; modernizar e digitalizar os sistemas de irrigação existentes, minimizando perdas; aprimorar estratégias de manejo hídrico integradas e fomentar políticas públicas de incentivo, garantindo instrumentos de apoio a produtores e indústrias na adoção dessas medidas, além de estimular a inovação e difusão tecnológica no setor.

Bufon ressalta que muitas dessas soluções já estão em desenvolvimento ou aplicação em pesquisas conduzidas pela Embrapa. “Nosso foco é contribuir para uma agricultura climaticamente inteligente, que não apenas aumente a produtividade, mas também fortaleça a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e contribua para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, conta.

Um dos pontos centrais da análise é mostrar como a bioeletricidade da cana se integra de forma sinérgica e complementar a outras fontes renováveis, fortalecendo a matriz energética. Enquanto a geração solar fotovoltaica é mais limitada durante o inverno e nos meses secos do Centro-Sul, além de só poder ser produzida durante o dia, e a geração hidrelétrica sofre com a redução dos reservatórios na estiagem, a bioeletricidade da cana pode ser gerada também à noite e atinge o seu auge justamente no período da seca, quando ocorre a colheita da safra.

Com isso, os pesquisadores consideram o setor sucroenergético um aliado fundamental na busca por maior segurança energética. “Quando as hidrelétricas reduzem a sua geração, as termelétricas a biomassa de cana (bagaço e palha) assumem papel decisivo para garantir a estabilidade do sistema elétrico. É um recurso firme, capaz de oferecer suporte confiável justamente nos períodos mais críticos do ano”, reforça Bufon.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Environmental Advances. O artigo destaca que, em países altamente dependentes da hidreletricidade, como o Brasil, é fundamental investir em fontes complementares capazes de reduzir a vulnerabilidade climática e operacional do sistema.

Para os pesquisadores, a bioeletricidade da cana é um dos caminhos mais promissores, desde que sejam superados os gargalos que hoje limitam a sua expansão e estabilidade.

Agricultura climaticamente inteligente

As medidas propostas se alinham ao conceito de Agricultura Climaticamente Inteligente, que busca conciliar três objetivos principais: elevar de forma sustentável a produtividade agrícola, fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Nesse contexto, a bioeletricidade da cana se apresenta como uma solução que vai além do setor energético, conectando-se a uma agenda mais ampla de sustentabilidade e segurança alimentar. Ao utilizar resíduos agrícolas para gerar energia, o setor contribui para a economia circular e fortalece a bioeconomia, reduzindo a dependência de fontes fósseis e otimizando o aproveitamento dos subprodutos da lavoura.

A pesquisa mostra que, embora os desafios sejam significativos, as oportunidades são ainda maiores. O Brasil, por ser um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo, possui vantagens comparativas únicas para consolidar a bioeletricidade como parte central da matriz elétrica. O avanço dependerá, no entanto, de investimentos contínuos em infraestrutura, inovação tecnológica e políticas públicas integradas de longo prazo.

Para Bufon, o setor sucroenergético pode desempenhar papel decisivo não apenas no fornecimento de energia, mas também na transição para uma economia de baixo carbono. “Se conseguirmos fortalecer a resiliência da bioeletricidade, estaremos dando um passo importante para garantir a segurança energética do país e para cumprir os compromissos internacionais de mitigação climática”, conclui o pesquisador.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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