quinta-feira, maio 28, 2026

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Brasil pode alcançar recorde na produção de soja


De acordo com a análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada nesta quinta-feira (27), os preços da soja no Brasil sofreram uma leve queda durante a semana de 21 a 27 de março. Com o câmbio variando entre R$ 5,70 e R$ 5,75 e prêmios positivos entre US$ 0,75 e US$ 1,15 por bushel nos portos, a pressão baixista observada em Chicago se refletiu nas negociações internas. No Rio Grande do Sul, as principais praças fecharam a semana com o preço do saco de 60 quilos da oleaginosa em R$ 125,00, enquanto a média estadual foi de R$ 127,60. Nas demais praças do país, os preços variaram entre R$ 104,00 e R$ 119,00 por saco.

A consultoria aponta que, apesar da pressão externa, os prêmios estão ajudando a manter os preços internos, principalmente devido à guerra comercial entre os EUA e a China. Esse cenário faz com que a China aumente suas compras de soja do Brasil e da Argentina. Caso os prêmios estivessem em níveis mais baixos, os preços no mercado interno estariam significativamente menores, com a média gaúcha em torno de R$ 112,00 por saco, representando uma queda de R$ 13,00 em relação ao valor atual.

Em relação à colheita da safra 2024, a Ceema informa que 74% da área foi colhida até o final da semana anterior, um avanço em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a consultoria AgRural revisou sua estimativa para a produção de soja no Brasil, reduzindo-a para 165,9 milhões de toneladas, devido à piora na safra gaúcha. A previsão é que o Estado colha entre 11 e 13,2 milhões de toneladas, uma quebra de 50% a 60% em relação ao previsto. A qualidade do grão colhido também está abaixo do esperado em muitas regiões.

Apesar da redução no Rio Grande do Sul, a produção nacional de soja deve alcançar um recorde. A produção final brasileira em 2024 deve superar o recorde de 2022/23, que foi de 155,7 milhões de toneladas, graças aos bons resultados em outros estados, como o Mato Grosso. A estimativa para o estado é de uma colheita de 49,5 milhões de toneladas, superando até mesmo a produção da Argentina, que deve atingir cerca de 48,6 milhões de toneladas.





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natureza não segura mais o aquecimento, mostra estudo


Os recordes de calor registrados no verão de 2024/2025 refletem uma tendência preocupante de aquecimento global acelerado, com impactos diretos na produção agrícola. De acordo com um estudo recente, publicado por Curran e Curran e divulgado pela Climatempo, os processos naturais que ajudavam a absorver o excesso de CO₂ na atmosfera estão se tornando menos eficientes, aumentando o impacto das emissões humanas e agravando o cenário climático.

Verões extremos e impactos na agropecuária

Mesmo com a atuação do fenômeno climático La Niña, que geralmente reduz as temperaturas, o verão passado foi o sexto mais quente no Brasil desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A temperatura média nacional ficou 0,34°C acima da média histórica, com destaque para a região Sul, que enfrentou três ondas consecutivas de calor intenso.

No cenário global, entre março de 2024 e fevereiro de 2025, a temperatura média foi 1,59°C acima da era pré-industrial, ultrapassando com frequência o limite simbólico do Acordo de Paris. O mês de fevereiro de 2025, por exemplo, foi o terceiro mais quente já registrado no planeta, conforme dados do Copernicus/ERA5.

O aquecimento excessivo impacta diretamente a produção agropecuária, aumentando a evapotranspiração, o risco de secas, o estresse térmico em lavouras e rebanhos, além de reduzir a disponibilidade hídrica para a irrigação.

Calor histórico: biosfera não compensa emissões

Os pesquisadores analisaram a Curva de Keeling, que monitora a concentração de CO₂ na atmosfera, e apontaram que a capacidade das florestas do hemisfério norte de sequestrar carbono atingiu seu pico em 2008 e vem diminuindo desde então.

Por décadas, a vegetação global ajudou a compensar parte das emissões, absorvendo CO₂ no verão e liberando apenas uma fração no inverno. Agora, esse ciclo está perdendo eficiência. Segundo o estudo, a retirada natural de carbono da atmosfera vem diminuindo 0,25% ao ano, tornando as emissões humanas ainda mais impactantes no aumento da concentração de CO₂.

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Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

Caso a vegetação global ainda sequestrasse carbono no ritmo dos anos 1960, o aumento anual de CO₂ na atmosfera seria 24% menor. Isso significa que, mesmo sem crescimento nas emissões, o planeta continuaria aquecendo, pois a natureza já não consegue equilibrar o sistema.

Crise climática e desafios para o agro

O estudo alerta que, para compensar a perda da absorção natural de carbono, as emissões globais precisam ser reduzidas em 0,3% ao ano, apenas para manter o ritmo atual de aquecimento. No entanto, as emissões continuam subindo.

Para o setor agropecuário, esse cenário reforça a necessidade de investimentos em práticas sustentáveis, como sistemas de produção integrados, recuperação de áreas degradadas e ampliação do uso de tecnologias para reduzir as emissões no campo.

Calor extremo: medidas concretas

O meteorologista Pedro Regoto enfatiza a urgência de ações concretas. “Os recordes de temperatura que estamos vivenciando não são meras oscilações naturais, mas parte de uma tendência clara de aquecimento global acelerado. O mais preocupante é que até mesmo os mecanismos naturais que antes ajudavam a equilibrar o clima estão perdendo força. Precisamos agir agora, unindo ciência, tecnologia e políticas eficazes para mitigar esses impactos.”

Com a biodiversidade ameaçada por queimadas, desmatamento, ondas de calor e secas, o futuro do agronegócio dependerá cada vez mais da adaptação climática e de estratégias para garantir produtividade em um cenário de mudanças cada vez mais intensas.



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JBS anuncia plano de investimento de US$ 100 milhões em 2 fábricas no Vietnã



A JBS acaba de anunciar o plano de investimento de US$ 100 milhões para a construção de duas fábricas no Vietnã, um movimento para expandir sua presença no Sudeste Asiático e fortalecer sua posição no mercado global. As plantas serão responsáveis pela produção de carne bovina, suína e de aves, e utilizarão, principalmente, matérias-primas importadas do Brasil, destinadas a abastecer o mercado vietnamita e de outros países da região.

O acordo foi formalizado na madrugada deste sábado (29) por meio de um Memorando de Entendimento (MOU) com o governo vietnamita, representado pela Northern Investment Promotion, Information and Support Center (NIPISC), e pelo Sao Do Group, responsável pela gestão Parque Industrial e Não Tarifário Nam Dinh Vu. A iniciativa está alinhada com as metas de desenvolvimento socioeconômico do país, que busca aumentar a produção local e expandir sua participação no comércio internacional de carne.

Para Renato Costa, presidente da Friboi, esse investimento reflete o compromisso da JBS com o crescimento sustentável e estratégico no Sudeste Asiático.

“As novas fábricas no Vietnã não serão apenas uma expansão de capacidade produtiva, mas um investimento com propósito: gerar valor para a economia local, criar empregos qualificados, contribuindo para a segurança alimentar em todo o Sudeste Asiático. Estamos investindo no futuro, com foco em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento”, disse.

O plano prevê que a primeira fase do projeto será instalada no Khu công nghiệp Nam Đình Vũ, onde será construído um centro logístico com capacidade para armazenagem, abrangendo atividades de pré-processamento, corte e embalagem.

Já para a segunda fase, localizada no sul do Vietnã, o memorando estima que será realizada dois anos após o início das operações da primeira unidade e contará com infraestrutura semelhante, incluindo novo centro logístico e planta de processamento.

Diversificação global

Com o investimento, a JBS reforça seu interesse em diversificar sua produção, ampliando as operações em regiões estratégicas.

“A parceria entre a JBS, o governo vietnamita e nossos parceiros locais representa um passo estratégico essencial para nossa diversificação geográfica. Esse movimento não só fortalece nossa capacidade de atender ao mercado local, mas também expande nossa presença global, criando uma cadeia produtiva robusta e sustentável que nos posiciona de forma ainda mais competitiva no cenário internacional”, destaca Costa.

Geração de empregos e transferência de tecnologia

Com o plano de abertura das duas fábricas, a Companhia deve gerar cerca de 500 novos postos de trabalho na região, além de promover programas de treinamento técnico e transferência de tecnologia para os trabalhadores vietnamitas, contribuindo para o fortalecimento do setor produtivo do país.



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Cremes e sorvetes de pitaia fazem parte do projeto inovador da produtora de Goiás



Neste finalzinho do mês das mulheres, nós, do Porteira Aberta Empreender, vamos compartilhar mais uma história que destaca a força e determinação feminina no agro.

É o caso da Vitória Christian, que, no auge da pandemia da Covid-19, em 2020, encontrou um novo rumo para seu futuro ao investir no cultivo de pitaia, em Rialma, Goiás. Foi nesse contexto que Vitória, funcionária pública federal formada em direito, resolveu se tornar produtora rural.

Mesmo com pouca experiência na agricultura, ela se interessou pela pitaia, uma fruta exótica que começava a aparecer no mercado pelas inúmeras propriedades benéficas à saúde. 

A fruta, com suas características únicas e atributos nutricionais, logo se encaixou na busca da Vitória, que decidiu transformar uma oportunidade de mercado em uma paixão pessoal.

Com um terreno disponível em Rialma, Goiás, próximo à BR-153, a empreendedora sabia que precisava de uma cultura que atendesse a requisitos específicos: durabilidade em prateleira, resistência a doenças, baixo uso de agrotóxicos e uso mínimo de água.

A pitaia, com sua resistência e propriedades únicas, surgiu como a opção perfeita. Após algumas pesquisas e a decisão do cultivo, o próximo passo foi pedir ajuda ao Sebrae para desenvolver sua marca, “Rainha da Pitaya”, e entender o mercado.

Mulheres no agro: desafios e conquistas

Carioca de origem e goiana de coração, Vitória Christian percebeu as diferenças culturais no campo.

“Apesar das dificuldades físicas e da resistência inicial de algumas pessoas, tenho orgulho de ter conquistado respeito e reconhecimento no setor. Não se trata de competir com os homens, mas de encontrar um equilíbrio no trabalho e nas atividades do campo. Hoje, a presença da empresa no mercado não é mais vista com resistência por eu ser mulher. O tempo é o melhor aliado para provar o valor de um trabalho”, destacou a empresária rural.

Com foco no crescimento do mercado de pitaia no Brasil, Vitória planeja expandir seus negócios e investir em subprodutos saudáveis como cremes e sorvetes de pitaia, para garantir a disponibilidade da fruta durante todo o ano. 

Para isso, ela se uniu à Dra. Vanessa Nunes Leal, bióloga e futura engenheira agrônoma, para agregar valor à fruta e explorar suas diversas possibilidades no setor alimentício e cosmético.

“O projeto de expansão e inovação está apenas começando. Estou otimista quanto ao futuro da pitaia e ao impacto que ela pode ter no agronegócio brasileiro”, afirma a empreendedora rural.

Vitória acredita que o segredo para o sucesso no mercado está na oferta e na demanda. Embora o preço da pitaia seja elevado, a busca por produtos saudáveis e nutritivos faz com que essa fruta se destaque no cenário atual. “Não se trata apenas de uma fruta, mas de um verdadeiro superalimento”, afirma a produtora rural.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

O exemplo de Vitória reflete a força da perseverança e da inovação no campo, mostrando que, mesmo diante dos desafios, é possível transformar um sonho em realidade.

Com apoio, estratégia e muito trabalho, ela está abrindo porteiras e conquistando seu espaço no mundo dos negócios.

Porteira Aberta Empreender: conectando o campo e o mundo

Se você quer conhecer mais história como a da produtora de Goiás, Vitória Christian, acompanhe diariamente as novidades no site do Canal Rural/ Empreendedorismo.

Você também pode ter a sua história contada aqui no site, então envie suas dúvidas, sugestões e compartilhe sua história de empreendedorismo no agro pelo WhatsApp.

Além disso, no programa Porteira Aberta Empreender – uma produção do Canal Rural em parceria com o Sebrae -, você, micro e pequeno produtor rural, descobre soluções, produtos, serviços e inovações para fortalecer seu empreendimento rural.



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Preço do trigo recua em Chicago; exportações caem nos EUA



Previsões de safra de trigo mostram variações na Rússia e na União Européia




Foto: Canva

O preço do trigo em Chicago apresentou recuo nesta semana. De acordo com os dados da análise semanal da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), o bushel do cereal foi cotado a US$ 5,32 na quinta-feira (27), uma queda em relação aos US$ 5,57 registrados uma semana antes.

Nos Estados Unidos, as exportações de trigo na semana encerrada em 20 de março somaram 428.700 toneladas, marcando uma redução de 9% em comparação com o volume exportado na semana anterior. O mercado agora aguarda os relatórios de intenção de plantio e estoques trimestrais, que serão divulgados no próximo dia 31 de março.

Enquanto isso, na Rússia, a previsão para a safra de trigo de 2025 foi revista para 82,5 milhões de toneladas, um aumento de 1,5 milhão em relação à estimativa anterior de 81 milhões. A melhora na previsão é atribuída ao bom desempenho das lavouras de trigo de inverno em algumas regiões produtoras. Em um cenário pessimista, a safra poderia totalizar 78,5 milhões de toneladas, enquanto no cenário otimista a expectativa é de 86,5 milhões.

Na União Europeia, as safras de trigo de inverno começaram bem, embora algumas regiões enfrentem a falta de chuvas. As primeiras projeções indicam um rendimento de 6.000 quilos por hectare, o que representa um aumento de 8% em relação a 2024 e 4% em comparação com a média dos últimos cinco anos. O ano passado foi marcado por chuvas torrenciais que danificaram as lavouras e resultaram na menor safra de trigo da França desde a década de 1980. Na União Europeia, o trigo macio é o cereal mais produzido, enquanto a canola lidera entre as culturas oleaginosas.





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‘potencial para US$ 20 bi’



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (29) que o Brasil tem o potencial de triplicar seu fluxo na balança comercial com o Vietnã dos atuais US$ 7,7 bilhões ao ano para até US$ 20 bilhões. Segundo um plano de ação assinado por Lula com autoridades vietnamitas, a meta, a princípio, é dobrar o fluxo, chegando a US$ 15 bilhões até 2030.

Em discurso de encerramento do Fórum Econômico Brasil-Vietnã, Lula disse acreditar no aumento do fluxo porque, desde 2008, quando visitou o país asiático pela primeira vez, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu mais de doze vezes.

“Quando estive aqui pela primeira vez, nosso intercâmbio era modesto, de pouco mais de US$ 500 milhões. Naquele momento, estabelecemos a meta ambiciosa de triplicar o comércio bilateral em três anos. Atingimos esse objetivo e continuamos expandindo nossas trocas”, disse Lula em discurso em Hanói, capital do Vietnã.

Lula celebrou a abertura do mercado vietnamita à carne bovina brasileira, acordada nesta sexta-feira (28). O acordo, segundo o presidente brasileiro, “é o primeiro passo dado” na direção de aumentar o fluxo comercial entre os dois países.

Ele afirmou que o Brasil será “a porta de entrada do Vietnã para a América Latina” e prometeu que, na próxima vez que o país assumir o comando do Mercosul, iniciará as negociações para a assinatura de um acordo entre o Vietnã e o bloco econômico da América do Sul. A presidência do Mercosul é rotativa.

Lula também fez uma crítica velada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar o nome do americano, o presidente brasileiro criticou o efeito do protecionismo no comércio global. “Quando o protecionismo ameaça desorganizar as cadeias globais de valor, somos aliados na luta por um comércio internacional mais justo e baseado em regras multilateralmente acordadas”, disse.

Durante seu discurso, Lula ainda mencionou o ex-presidente Ho Chi Minh, que foi uma figura central do exército vietnamita durante a Guerra do Vietnã contra os Estados Unidos. “O camarada Ho Chi Minh dizia que as raízes das nações são as pessoas. Promover o comércio e os investimentos é a melhor forma de gerar emprego, renda e dignidade para nossas sociedades”, afirmou o brasileiro.



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Cessar-fogo no Mar Negro pode trazer impactos significativos para o agro



Na última terça-feira (25), o governo dos Estados Unidos confirmou o acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, com foco no Mar Negro. Mas quais os impactos para o mercado e para o agronegócio? Além de intermediar as negociações, a administração de Donald Trump prometeu ajudar os russos a retomarem as exportações de grãos e fertilizantes.

De acordo com Ana Paula Abritta, diretora de relações governamentais da BMJ Consultores Associados, o cessar-fogo traz benefícios para o mercado como um todo, além de abrir oportunidades para as exportações brasileiras que passam pelo mar negro.

“A segurança da navegação no Mar Negro é um tema de grande relevância, pois o acordo assegura que o transporte de grãos e produtos agrícolas seja garantido, beneficiando a exportação brasileira”, afirma.

A especialista avalia também que a diversificação do mercado é outro ganho que o Brasil pode ter com a reabertura dessa rota comercial.

Possíveis efeitos no mercado global

Outro ponto destacado por Abritta é a estabilização dos preços dos grãos no mercado internacional. “A redução dos conflitos e das interrupções nas rotas de transporte pode trazer mais previsibilidade para os produtores brasileiros, garantindo maior competitividade no mercado global”, afirma. 

Além disso, um ambiente mais estável tende a aumentar a confiança dos investidores, impulsionando investimentos em tecnologia e infraestrutura no Brasil. A diretora da BMJ também ressalta a importância estratégica do porto de Mariupol, que sempre foi um ponto relevante na região. 

“Ter esse porto novamente como opção é benéfico para a logística e o escoamento da produção brasileira”, destaca. Na visão de Abritta, a diversificação das rotas comerciais pode ampliar as oportunidades de exportação para mercados como a Europa.

Desenrolar da guerra ainda é incerto

No entanto, a implementação do acordo e o fim por completo do conflito ainda são incertos. Abritta chama a atenção para o trânsito na região leste do Mar Negro, que a Ucrânia considera prioritariamente sua zona de navegação, e pode gerar tensão.

“Se a Rússia tentar usar essa parte da rota, a Ucrânia pode interpretar como uma afronta ao acordo”, conta.

Apesar das incertezas, a possibilidade de novas parcerias comerciais entre Brasil, Ucrânia e Rússia no setor agrícola é um dos pontos positivos do acordo. “A troca de tecnologias e conhecimentos pode ser mutuamente benéfica e contribuir para o fortalecimento do setor”, diz a diretora. 



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Onda de recuperações judiciais no agro acende alerta


A recuperação judicial tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum no agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas alertam para o uso indevido desse mecanismo, que deveria garantir a continuidade de empresas viáveis, mas vem sendo empregado como estratégia para postergar falências e esvaziar patrimônios.

Segundo o advogado Bruno Finotti, a recente escalada de pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário está diretamente ligada à volatilidade do mercado. “Nos últimos anos, houve um aumento expressivo nos preços dos grãos, inflacionando custos de arrendamento e insumos. Com a estabilização dos preços, muitas empresas, que se endividaram durante a alta, foram surpreendidas e buscaram a recuperação judicial como uma forma de ganhar tempo”, explica.

O problema, segundo Finotti, é que muitas dessas empresas já estão em situação irreversível. “A recuperação judicial deveria ser usada para reestruturar negócios viáveis, mas vemos casos em que o pedido serve apenas para suspender cobranças e permitir que gestores reorganizem interesses, esvaziem ativos e se preparem para uma falência inevitável”, alerta o advogado.

Essa prática prejudica credores, reduz a confiança no mercado e pode levar o judiciário a adotar um controle mais rigoroso sobre os pedidos de recuperação. “A tendência é que os tribunais passem a exigir planos mais sólidos, coibindo abusos e garantindo que a recuperação judicial cumpra seu papel original”, destaca Finotti.

Outro ponto polêmico envolve o mecanismo de “cram down”, que permite ao juiz aprovar um plano de recuperação mesmo sem a concordância dos credores. “Muitas vezes, essa ferramenta é usada para viabilizar planos insustentáveis, o que apenas adia o problema”, explica o advogado.

Para evitar distorções no uso da recuperação judicial, especialistas defendem critérios mais rígidos para a concessão do benefício. “É essencial garantir que produtores rurais com potencial de reestruturação tenham acesso ao mecanismo, evitando que ele se torne apenas um paliativo para empresas sem viabilidade financeira”, conclui Finotti.





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Empresa abre 900 vagas para auditores agrícolas em quatro estados



A empresa Bureau Veritas anunciou a abertura de 900 vagas temporárias para a função de auditor agrícola no Projeto Harvest, que visa garantir a rastreabilidade e a conformidade da produção de soja nas principais regiões produtoras do país.

As oportunidades são voltadas para os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, mas pessoas de todo o Brasil podem se candidatar. A iniciativa é conduzida em parceria com a Kuhlmann Monitoramento Agrícola, empresa do grupo Bureau Veritas.

O projeto ampliou o número de vagas disponíveis. No ano anterior, foram contratados 700 profissionais temporários. Segundo Guilherme Cauduro, diretor de Agronegócios, Food e Commodities do Bureau Veritas, o crescimento da demanda no setor agrícola motivou a ampliação do quadro.

“Este é um trabalho muito importante para o fortalecimento do setor, pois garante que as práticas agrícolas atendam aos mais altos padrões de sustentabilidade e conformidade”, declarou.

Exigências para as vagas

As vagas exigem ensino médio completo, idade mínima de 18 anos e carteira de habilitação permanente na categoria B. Candidatos selecionados que residem fora das regiões de atuação terão os custos de deslocamento e alimentação custeados pela empresa. Os profissionais também terão direito a vale-alimentação e opção de transporte.

O processo seletivo ocorre de forma online e as contratações seguem até abril de 2025. Não é exigida experiência prévia, pois os aprovados participarão de treinamentos sobre o projeto, atividades e sistemas de inspeção. Após essa etapa, será realizada uma imersão presencial nos escritórios-base ou nas regiões de atuação.

Os contratos têm duração até maio. A rotina dos auditores inclui o monitoramento da entrada de grãos nos pontos de recebimento de soja. Entre as atividades, estão o acompanhamento da amostragem dos caminhões, a realização de testes de biotecnologia, a conferência de documentos e o registro de informações no sistema do Bureau Veritas. A atuação será em locais estratégicos de recebimento e armazenamento nas regiões produtoras.

A empresa afirma que há possibilidade de crescimento dentro do projeto. Em 2024, por exemplo, 33% dos auditores do Paraná foram promovidos a líderes, sendo que 55% deles atuaram em edições anteriores do Projeto Harvest.

O histórico de recontratação é destacado pela organização como um indicativo do compromisso com o desenvolvimento profissional.

As inscrições podem ser feitas pelo site oficial da empresa.



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Brasil e Japão fortalecem parceria em biocombustíveis



O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina



O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina
O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina – Foto: Divulgação

A União da Indústria de cana-de-açúcar e Bioenergia (UNICA) e o Instituto de Economia da Energia do Japão (IEEJ) assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) para fortalecer a cooperação entre Brasil e Japão no setor de biocombustíveis. O acordo foi formalizado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tóquio e visa consolidar o etanol brasileiro como peça-chave na transição para uma economia de baixo carbono. A parceria busca ampliar o intercâmbio tecnológico e criar um ambiente favorável para investimentos e avanços regulatórios no setor de energia renovável.  

O Japão tem uma estratégia de aumentar a mistura de etanol na gasolina para 10% até 2030, o que impulsiona a demanda por biocombustíveis sustentáveis. O Brasil, maior produtor mundial de etanol, se posiciona como fornecedor estratégico devido à confiabilidade do suprimento e à baixa intensidade de carbono do produto. 

“O Japão quer descarbonizar e o etanol brasileiro é a melhor solução para isso. Este contrato reforça a cooperação entre Brasil e Japão e ajuda a estabelecer um ambiente propício para novas parcerias, além de incentivar investimentos e avanços regulatórios que consolidam os biocombustíveis como um dos pilares da transição energética global”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.

O mercado japonês já consome 1,5 bilhão de litros de etanol por ano, mas com a meta de aumentar a mistura para 20% até 2040 e garantir que 10% do combustível usado em voos internacionais seja SAF até 2030, a demanda crescerá significativamente. Para atender esse volume, seriam necessários aproximadamente 2,38 bilhões de litros de etanol por ano, utilizando a tecnologia Alcohol to Jet (ATJ). Esse cenário fortalece a parceria entre Brasil e Japão no fornecimento de biocombustíveis e impulsiona o comércio bilateral.  





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