domingo, abril 26, 2026

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JBS Couros amplia tecnologia sustentável e prevê adoção total até o fim de 2026


couro da JBS VIVA
Foto: JBS/divulgação

O setor de curtimento de couro passa por uma transformação com a adoção de tecnologias mais sustentáveis, capazes de reduzir o uso de água, insumos químicos e energia sem comprometer a qualidade do produto final. A JBS Couros já implementou essa inovação em três unidades e planeja expandir a solução para todas as fábricas até o fim de 2026.

Segundo o diretor de sustentabilidade da JBS Couros, Kim Sena, o curtimento é uma etapa fundamental na produção do couro, responsável por transformar a pele bovina em um material resistente e durável. Sem esse processo, a pele se deterioraria com o tempo.

É justamente o curtimento que garante a proteção contra a ação de bactérias, permitindo que o couro seja utilizado na fabricação de produtos como sofás, calçados e acessórios.

“Até chegar nessa etapa de curtimento, essa pele é uma pele, se você deixar na terra, no tempo, ela vai apodrecer. O que ninguém quer para um material que vai revestir um sofá, fazer uma bota, um cinto. Então, tem um processo de tornar esse material (a pele), protegida a bactérias. E esse processo é chamado de curtimento” explica.

Segundo a empresa, o desenvolvimento da solução exigiu anos de pesquisa, testes laboratoriais e validações para garantir que a redução de recursos não afetasse o desempenho do material. O resultado foi um processo capaz de entregar o mesmo produto final com menor impacto ambiental.

Benefícios econômicos

Além dos ganhos ambientais, como menor pressão sobre recursos naturais e redução de resíduos, a tecnologia também traz benefícios econômicos. A diminuição no consumo de água, energia e produtos químicos contribui para a eficiência operacional e aumenta a competitividade do couro brasileiro no mercado.

Monitoramento

A empresa monitora esses avanços por meio de metodologias internacionais de avaliação de ciclo de vida, que consideram todo o impacto ambiental do produto, desde a origem até o uso final. Com base nesse acompanhamento, Sena afirma ter reduzido em cerca de 40% o impacto ambiental de seus produtos nos últimos quatro anos.

A estratégia de sustentabilidade da companhia também envolve o diálogo com fornecedores e a rastreabilidade da matéria-prima, com foco em garantir uma cadeia produtiva de menor impacto.

Com a ampliação da tecnologia até 2026, a expectativa é consolidar um modelo de produção mais eficiente e alinhado às demandas por sustentabilidade no setor de couro.

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Município em SP se prepara para virar polo de inovação em irrigação e agroindústria


centro de referência em irrigação em Avaré
Foto: reprodução

O presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, e o prefeito de Avaré, Roberto Araújo, assinaram na manhã desta sexta-feira (10) a cessão do terreno para a construção do Centro de Excelência de Agroindústria e Irrigação. A região agrega os principais irrigantes do estado de São Paulo.

Durante a cerimônia, no Paço Municipal, Tirso Meirelles recebeu o título de cidadão de Avaré, pelo trabalho que tem feito em prol do desenvolvimento econômico e social do estado.

O objetivo do novo centro é transformar Avaré em referência nacional nos dois temas, atraindo profissionais e difundindo a qualifade do Senar na transformação da realidade do campo. A agroindústria agrega valor à produção agrícola, enquanto a irrigação tem potencial para aumentar sensivelmente a produtividade.

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Colheita da safra 2025/26 de soja atinge 86% no Brasil, aponta consultoria


Soja
Foto: CNA

A colheita da safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 86% da área plantada até o dia 10 de abril, segundo levantamento da Safras & Mercado. O ritmo dos trabalhos avançou de forma em relação à semana anterior, quando o índice era de 78,9%.

Apesar do progresso, o desempenho atual ainda está abaixo do observado no mesmo período do ano passado, quando a colheita já atingia 89,5% da área.

Por outro lado, o índice está praticamente alinhado à média histórica para o período, estimada em 86,9%, indicando um ritmo considerado dentro da normalidade para esta fase da temporada.

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Propriedade intelectual e produtividade: a base da inovação no campo


Sementes de soja
Foto: Aprosmat/divulgação

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Nos últimos anos, a discussão sobre propriedade intelectual no agronegócio voltou ao centro do debate, especialmente quando o tema são os royalties pagos pela biotecnologia inserida nas sementes. Não é raro ouvir críticas que tratam essa cobrança como um custo adicional ao produtor ou entrave aos negócios.

Porém, é importante destacar que essa leitura parte de uma premissa equivocada, pois sem remuneração adequada, não há incentivo à inovação. E, sem inovação, não há ganho de produtividade, que é fundamental para seguir exportando alimentos para diversos países.

É fato que a agricultura moderna deixou de ser apenas uma atividade baseada em terra e clima. Hoje, ela é intensiva em tecnologia. As sementes que chegam ao campo são resultado de décadas de pesquisa e investimentos significativos. Melhoramento genético, biotecnologia, resistência a pragas e adaptação às mudanças climáticas não surgem por acaso. São fruto de ciência aplicada, sustentada por um modelo que depende diretamente da proteção à propriedade intelectual.

Quando esse sistema falha, os efeitos aparecem rapidamente, como é o caso da Argentina. Temos no nosso vizinho um exemplo emblemático. Por anos, o país adotou uma postura permissiva em relação à proteção de tecnologias agrícolas, especialmente na cobrança de royalties sobre sementes biotecnológicas. Até hoje, está em vigor no país uma lei de 1970 que protege agricultores do pagamento de taxas anuais às empresas de sementes.

O resultado foi um ambiente de baixa previsibilidade jurídica e pouco estímulo ao investimento em pesquisa e desenvolvimento. Com isso, diversas empresas deixaram o país para apostar em mercados mais promissores. Os números deixam isso claro. Segundo dados da Céleres e Agroconsult, enquanto o Brasil consolidou um ambiente mais seguro para inovação, com cerca de 39 milhões de hectares de soja geneticamente modificada e produção estimada em 147 milhões de toneladas, a Argentina ficou significativamente atrás, com aproximadamente 16,5 milhões de hectares e produção de 48,6 milhões de toneladas.

A produtividade Argentina é 17% inferior à do Brasil e dos Estados Unidos, consequência direta da disponibilidade de sementes obsoletas, que não acompanharam a modernização dos mercados e que contribuíram para a crise no setor agrícola argentino, com perdas de safra e baixa resistência às pragas.

Mais do que a diferença de escala, chama atenção a trajetória. Nos últimos anos, a produtividade brasileira seguiu em crescimento consistente, enquanto a Argentina apresentou estagnação e, em alguns momentos, retração. Esse reflexo está ligado diretamente à economia de ambos os países. Isso fica nítido, inclusive, na evolução do IDH de diversos municípios brasileiros ao longo das últimas décadas, agregando ao PIB, aumentando a arrecadação de impostos e gerando milhares de postos de trabalho com salários cada vez mais atrativos.

Se a Argentina decidisse hoje acelerar sua produção em 5% ao ano, levaria mais de duas décadas para alcançar o atual patamar brasileiro. E esse não é apenas um dado técnico, é um alerta sobre qual caminho não devemos seguir. Inclusive, vale destacar que o presidente Javier Milei tenta reverter esse cenário e busca modernizar a indústria de sementes no país.

Com isso, devemos ter cautela quando surgem discursos inflamados sobre a propriedade intelectual como um entrave à produção. Muito pelo contrário, ela é um dos principais motores da sua evolução. Os royalties pagos pelos produtores são o mecanismo que sustenta o ciclo de inovação, permitindo que novas tecnologias continuem sendo desenvolvidas e cheguem ao campo.

E os benefícios são concretos. Maior produtividade por hectare, redução de perdas, redução da emissão de carbono, uso mais eficiente da água, redução do uso de insumos, como defensivos agrícolas e mais previsibilidade diante de um cenário climático cada vez mais desafiador. Negar esse modelo é, na prática, optar por um sistema que desestimula a inovação e compromete o futuro do agronegócio.

É legítimo, e necessário, discutir formas de cobrança, transparência e equilíbrio na relação entre empresas e produtores. Mas tratar a propriedade intelectual como um problema em si é um erro estratégico, e basta olhar para o nosso vizinho para ver essa experiência na prática.

Garantir segurança jurídica e respeito à propriedade intelectual é garantir que o campo continue avançando, com mais tecnologia, mais produtividade e maior competitividade global.

No fim, a pergunta não é se devemos pagar por inovação. A pergunta correta é: quanto custa não pagar por ela?

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Câmbio vira o jogo e mexe com preços da soja



Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados


Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados
Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados – Foto: Divulgação

O mercado da soja apresentou leve recuperação nas negociações internacionais, em um cenário marcado por oscilações cambiais e ajustes nas expectativas de oferta e demanda. De acordo com a TF Agroeconômica , o movimento foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduziu a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados. O vencimento de maio subiu 0,32%, enquanto julho avançou 0,30%. O farelo acompanhou a tendência positiva, mas o óleo de soja recuou mais de 3%, pressionado pela queda do petróleo, apesar de ainda acumular valorização expressiva no ano. O mercado também ajusta posições diante da expectativa de leve aumento nos estoques finais dos Estados Unidos.

No Brasil, o avanço da colheita no Rio Grande do Sul ganhou ritmo no início de abril, passando de 10% para 23% da área. Ainda assim, a produtividade média segue abaixo do esperado, impactada pela falta de chuvas em regiões importantes. Mesmo com relatos de doenças, os efeitos sobre a produção são limitados nesta fase final das lavouras. A menor oferta regional tem sustentado os preços no estado.

Em Santa Catarina, o mercado físico opera com estabilidade, refletindo a ausência de novos dados oficiais e um ambiente de cautela entre os agentes. Já no Paraná, a pressão da oferta e a queda do dólar influenciam negativamente as cotações no interior, ampliando as diferenças regionais.

No Centro-Oeste, o destaque é o avanço da colheita em Mato Grosso do Sul, que já supera 86%, enquanto cresce a preocupação com a forte queda na importação de fertilizantes. Em Mato Grosso, a safra recorde consolida a liderança nacional, com boa transição para o milho safrinha e preços variando conforme a logística e a demanda.





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Desembolso de crédito rural avança, mas linhas tradicionais perdem espaço


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Foto: Canal Rural

O crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% na comparação com igual período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura com base no Banco Central.

Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente liberados aos produtores, crescimento de 5% em relação ao ciclo passado.

O principal destaque foi a expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que avançaram 38% e somaram R$ 183,1 bilhões. Considerando esse instrumento junto ao crédito tradicional de custeio, o volume destinado à produção chegou a R$ 303,1 bilhões, alta de 13%.

Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o resultado reflete a resiliência do financiamento agropecuário, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte de produtores e instituições financeiras.

Industrialização avança, mas linhas tradicionais recuam

A análise por finalidade mostra comportamento desigual entre as linhas de crédito.

A industrialização liderou o crescimento, com alta de 74% nas contratações, totalizando R$ 28,1 bilhões, e avanço de 64% nas concessões, que chegaram a R$ 26,4 bilhões.

Por outro lado, as linhas tradicionais registraram retração:

  • Custeio: queda de 11% nas contratações e 15% nas concessões
  • Investimento: recuo de 16% nas contratações e 30% nas concessões
  • Comercialização: baixa de 10% nas contratações e 16% nas concessões

O boletim aponta que a redução no investimento está ligada à cautela do produtor diante das taxas de juros elevadas, em um cenário de expectativa de queda da Selic até o fim de 2026.

Entre os programas, apenas o Prodecoop apresentou crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. O número total de contratos caiu 24%, passando de 534 mil para 408 mil operações.

Na distribuição regional, o Sul segue com o maior número de contratos, enquanto o Sudeste concentra os maiores volumes financeiros.

Fontes de recursos: avanço da LCA

Nas fontes controladas, o crédito somou R$ 106,5 bilhões, queda de 7%. Os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, atingindo R$ 42,8 bilhões.

O destaque foi a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada, que saltou 3.564% e alcançou R$ 26,9 bilhões.

Entre as fontes não controladas, o volume chegou a R$ 97,3 bilhões. A LCA livre somou R$ 47,8 bilhões, enquanto a poupança rural livre atingiu R$ 44,4 bilhões, com alta de 39%.

Execução do Plano Safra ainda tem espaço

Até março, 38% dos recursos equalizáveis do Plano Safra 2025/2026 haviam sido concedidos — R$ 43,4 bilhões de um total programado de R$ 113,4 bilhões.

Por finalidade:

  • Custeio: 39% executado
  • Investimento: 37%
  • Comercialização: 36%

O Banco do Brasil lidera a execução, enquanto cooperativas financeiras como Sicoob e Cresol apresentam níveis elevados de cumprimento das metas, especialmente no custeio.

Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito já contratado, mas não liberado.

Perspectiva: seletividade e espaço para avançar

O boletim indica que, apesar do crescimento no volume total, o crédito rural passa por um momento de maior seletividade, influenciado pelo ambiente de juros elevados.

Ao mesmo tempo, com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis, há espaço para avanço das contratações até o fim do Plano Safra.

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Milho despenca e dólar acende alerta no mercado


O mercado de milho apresentou recuo nas cotações, influenciado por fatores cambiais, externos e pelo avanço da safra em diferentes regiões produtoras. A análise foi divulgada pela TF Agroeconômica.

Na B3, os contratos futuros fecharam em baixa, pressionados pela queda em Chicago e, principalmente, pela desvalorização do dólar, que atingiu R$ 5,10, o menor patamar desde maio de 2024. O cenário reduz a competitividade das exportações brasileiras. Além disso, o encerramento da colheita de verão e o avanço do plantio da safrinha, com melhora climática em parte das áreas, contribuíram para o movimento de queda.

Os contratos com vencimento em maio, julho e setembro de 2026 registraram perdas tanto no dia quanto na semana, refletindo o ambiente de maior oferta e menor sustentação externa.

No mercado físico, o comportamento segue heterogêneo entre os estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com compradores priorizando estoques próprios. Os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com estabilidade na média estadual. A produção apresenta variações importantes devido à irregularidade das chuvas.

Em Santa Catarina, o mercado também segue travado, com diferença entre pedidas e ofertas limitando os negócios. Enquanto vendedores indicam valores próximos de R$ 75,00, a demanda gira ao redor de R$ 65,00 por saca, mantendo negociações pontuais.

No Paraná, o cenário é semelhante, com baixa fluidez e incertezas relacionadas à segunda safra. O clima irregular, com calor e chuvas mal distribuídas, impacta o potencial produtivo e dificulta o manejo das lavouras, embora ainda haja sustentação parcial nos preços.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca, com negociações pontuais. O setor de bioenergia segue como importante fator de suporte, embora o mercado continue competitivo e com atuação cautelosa dos agentes.

 





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‘Não dá para contar com alta nos preços da soja. É preciso estar sempre atento ao timing de venda’, alerta analista


O mercado de soja vive um momento de contraste. Enquanto a produção brasileira avança para mais um recorde, o ambiente de preços segue desafiador para o produtor. No mais recente episódio do podcast Soja Brasil, o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, traçou um panorama detalhado da safra, do mercado internacional e das perspectivas para comercialização.

Segundo ele, o Brasil caminha para uma produção robusta, mesmo diante de adversidades climáticas em algumas regiões. A estimativa atual gira em torno de 177,7 milhões de toneladas. “Temos uma safra maior do que a de 2025”, afirmou. O desempenho positivo no Centro-Oeste e no Nordeste compensa perdas pontuais, como no Rio Grande do Sul.

No cenário internacional, o principal fator de volatilidade tem sido a geopolítica. As tensões no Oriente Médio impactaram diretamente o petróleo, o que, por consequência, impulsionou os contratos de óleo de soja e trouxe reflexos positivos para a Bolsa de Chicago. Ainda assim, esse movimento não se traduz automaticamente em melhores preços no mercado físico brasileiro.

Isso porque outros fatores entram na conta, como prêmios negativos e excesso de oferta. O Brasil vive um pico de colheita, com grande volume disponível, o que pressiona as cotações internas mesmo diante de momentos de alta na bolsa. “Não apenas o preço em Chicago vai refletir no físico aqui”, destacou.

Rafael chama atenção para um ponto crucial: o produtor precisa avaliar com cautela o custo de segurar a soja. Com juros elevados, armazenar o produto significa abrir mão de rentabilidade e assumir custos adicionais. “É um ano de abundância de oferta. Nesse contexto, esperar por altas expressivas pode ser uma aposta arriscada”, disse.

O câmbio também entra na equação, mas com impacto limitado no cenário atual. Mesmo com oscilações recentes do dólar, o efeito positivo tem sido neutralizado por ajustes nos prêmios e pela grande oferta disponível. “O mercado acaba se ajustando em outras variáveis”, explicou.

No campo da demanda, o crescimento dos biocombustíveis surge como tendência relevante, podendo ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos. Ainda assim, a China segue como principal destino da soja brasileira e deve continuar liderando a demanda global.

Para a próxima safra, o maior desafio apontado é o crédito. O custo de produção segue elevado, e o acesso a financiamento se torna cada vez mais complexo. Isso pode influenciar decisões sobre área plantada e investimentos, além de exigir ainda mais precisão no momento de comercialização. “O produtor não pode errar o timing de venda”, concluiu.

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Trigo emperra e custo do frete dispara alerta



No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais


No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais
No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com movimentações limitadas e preços sustentados por fatores logísticos e sazonais. De acordo com a TF Agroeconômica, o ritmo de negociações permanece lento, refletindo o foco dos produtores em outras culturas e o impacto dos custos de frete.

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, em meio à colheita da soja e à baixa disposição de venda. Moinhos evitam aquisições neste momento, pressionados por fretes elevados, que variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 no interior, conforme qualidade e local de armazenagem. Há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para maio, com pagamento antecipado em abril, enquanto vendedores pedem até R$ 1.350 no interior. O volume segue reduzido. No mercado externo, o trigo argentino deixou de ser ofertado recentemente, embora haja previsão de chegada de carga uruguaia em Porto Alegre. Já o preço ao produtor teve alta de 3,51% em Panambi, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da oferta local, ambos na faixa de R$ 1.300 CIF, ainda que com menor disponibilidade. Os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis na maior parte das praças, com variações pontuais e leve alta em algumas regiões.

No Paraná, as cotações se mantêm firmes, com negócios ao redor de R$ 1.350 CIF moinho. Compradores relatam dificuldade em repassar custos, enquanto vendedores elevam as pedidas para R$ 1.400, sem negócios confirmados nesse patamar. A colheita de soja e milho segue como prioridade dos produtores. A presença de trigo gaúcho e paraguaio, este último com preços ligeiramente inferiores, contribui para limitar avanços mais expressivos. Nesta semana, não houve oferta de trigo argentino, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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Ceagesp: Preços dos alimentos sobem 5,16% em março


Ceagesp
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O índice de preços Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) subiu 5,16% em março em comparação com uma queda de 2,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de 3,95%.

O indicador acumula alta de 0,43% no primeiro trimestre de 2026 e de 3,80% nos últimos 12 meses, considerando a cotação de Frutas, Legumes, Verduras, Pescado e Diversos no atacado do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP).

O destaque, conforme a Ceagesp, ficou com o setor de Legumes, que subiu 22,87% ante uma queda de 1,75% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 16,36% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 51,13% no ano e de 5,35% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 66% apresentaram alta de preço.

Em contrapartida, o setor de Pescados, pelo segundo mês consecutivo, apresentou variação negativa de preços.

“O fim do período de defeso para várias espécies nas mais diferentes regiões do País favoreceu o aumento no volume mensal de oferta dos produtos, causando impacto direto no resultado obtido pelo setor nos meses de fevereiro e março”, disse a companhia em comunicado.

O setor de Frutas subiu 3,07% em março ante uma queda de 3,05% no mês anterior. No mesmo mês do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,49% no ano e de -3,84% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 51% apresentaram alta de preço.

O segmento de Verduras subiu 4,29% ante uma alta de 11,09% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,03% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 37,38% no ano e de menos 6,25% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 74% apresentaram alta de preço.

Já o setor de Diversos subiu 12,77% ante uma alta de 5,98% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,93% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +14,48% no ano e de -12,65% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.

Por outro lado, o setor de Pescados caiu 0,97% em março ante uma queda de 8,60% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 1,90% e, com o resultado, encerrou o mês com um acumulado de +1,50% no ano e de -0,29% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.

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