O programa Giro do Boi desta segunda-feira (27) trouxe uma consultoria técnica detalhada para o produtor Vitor Antunes, de Buenópolis (MG). O engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, analisou o cenário de uma área de quatro hectares irrigados e adubados destinada à recria e engorda.
Segundo Gracco, com a chegada do outono e a redução da luminosidade, a escolha da forrageira — especialmente o protagonismo do Tifton ou dos Panicums — é o que definirá a estabilidade da produção durante todo o ano. O engenheiro afirmou que não existe um “capim milagroso”, mas sim aquele que se ajusta ao nível de manejo e ao clima da região.
Confira:
Comparativo de forrageiras
Marcius Gracco preparou um comparativo para orientar a escolha em Buenópolis. Em um sistema intensivo com água e adubo, o capim não para de crescer, o que torna o manejo de colheita (entrada e saída do gado) mais importante que a própria espécie escolhida.
Para uma área de quatro hectares, geralmente operada por aspersão setorizada, Gracco recomenda foco total na infraestrutura de divisão. Ele destacou que qualquer uma das quatro opções de forrageiras pode triplicar a produtividade se bem manejada: o Miyagi exige presença diária; o Tifton garante segurança no inverno; e o Zuri/Mombaça são pilares da produtividade zebuína.
O especialista ressaltou que a escolha da variedade deve se adaptar à rotina operacional do produtor, pois, no sistema irrigado, o manejo é fundamental. Para animais de duzentos e dez quilos em fase de crescimento, o teor de proteína no suplemento deve variar entre 20% e 50%, dependendo do consumo diário e da qualidade do pasto disponível.
O programa também abordou a importância da boa gestão e dos cuidados ambientais no uso da tecnologia no campo. Assim, o Giro do Boi busca informar e orientar produtores sobre as melhores práticas para a pecuária de corte.
Com apoio da Polícia Militar, fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará (Sefa) apreenderam, na última quinta-feira (23), mercadorias avaliadas em mais de R$ 433 mil durante operações de fiscalização em diferentes regiões do estado. As ações resultaram ainda na emissão de autos de infração que somam R$ 236,5 mil em impostos e multas.
Em Juruti, no Baixo Amazonas, a fiscalização realizada na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Tapajós apreendeu mercadorias avaliadas em R$ 262.110,12. Entre os itens retidos estavam 25 mil litros de gasolina, 15 mil litros de diesel, 38 pneus de caminhonete e 800 fardos de refrigerante de dois litros.
Segundo o coordenador da unidade, Roberto Mota, todas as cargas estavam acompanhadas de notas fiscais destinadas ao estado do Amazonas, mas ingressaram irregularmente no Pará. A operação resultou na lavratura de cinco Termos de Apreensão e Depósito (TADs), totalizando R$ 127.087,82 em cobrança de imposto e multa.
No mesmo dia, outra fiscalização no posto fiscal de São Geraldo do Araguaia, no sudeste paraense, resultou na apreensão de 377 caixas com 4.524 garrafas de bebidas alcoólicas, avaliadas em R$ 171.702,53. A carga, composta por uísque, vodca e outros destilados, saiu de Aparecida de Goiânia (GO) com destino a Abaetetuba (PA).
De acordo com o coordenador da unidade de controle de mercadorias em trânsito de Carajás, Cicinato Oliveira, foi constatado que o contribuinte não recolheu o ICMS devido na entrada da mercadoria em território paraense, conforme exigido pela legislação. Neste caso, foi lavrado um Termo de Apreensão e Depósito, com cobrança de R$ 109.463,63 em imposto e multa.
Desde janeiro de 2025, quando iniciou o trabalho de resgate de flora e fauna na região do Reservatório Miringuava, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) já registrou 123 resgates de ninhos de vespas e colmeias de abelhas. Desse total, mais de 70 colmeias são de 15 espécies diferentes de abelhas nativas sem ferrão.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, destaca que a construção de um reservatório é complexa e existe um planejamento voltado para o cuidado com a fauna e a flora locais.
“Garantimos a segurança hídrica da população de Curitiba e Região Metropolitana com aumento de 25% de reservação de água do sistema integrado com o Reservatório Miringuava e mantemos nosso compromisso com a sustentabilidade durante todas as etapas de construção, enchimento e operação da barragem”, declara.
A bióloga e gestora ambiental da Sanepar, Ana Cristina do Rego Barros, explica que as equipes especializadas em resgate e afugentamento de fauna realizam um acompanhamento simultâneo aos trabalhos de supressão vegetal e limpeza da área.
Além das abelhas, mais de 10 mil animais silvestres já foram resgatados ou afugentados. O trabalho será mantido até a finalização do enchimento da barragem.
Espécies resgatadas
De acordo com Hélio Massao Isobe, biólogo da empresa Jardiplan, contratada da Sanepar no processo de resgate de fauna, as abelhas resgatadas são, na maioria, do grupo Meliponini (abelhas sem ferrão). Também têm sido resgatadas abelhas exóticas, do gênero Apis, além de mamangavas e vespas.
“Uma das espécies que tivemos maior número é uma espécie bastante interessante e peculiar, que é a Mirim-Guaçu. É uma abelha que poliniza, e as colmeias que encontramos apresentam uma reserva de alimento muito grande, o que para os criadores é algo diferente”, observa.
Foto: divulgação/Sanepar
Importância do resgate
Isobe destaca que é fundamental resgatar as abelhas, especialmente na fase atual de enchimento da barragem, porque elas não abandonam o local de origem.
“As abelhas vivem em colmeia, têm um grupo de castas sociais onde elas se organizam, cada uma na sua função. Mesmo que a água suba, elas não vão sair. Então, a gente precisa ir lá retirar o ninho, passar para uma caixa ou retirar em cepo (secção de tronco) e fazer a remoção do local”, afirma.
O método do resgate varia de acordo com a situação. Se a colmeia ficou exposta no momento do corte, é feita a transferência do ninho para uma caixa, que é fechada e remanejada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), localizado próximo ao reservatório. Quando a colmeia fica no interior do tronco, toda a estrutura é encaminhada para o centro de triagem.
Colmeia no interior do tronco. Foto: divulgação/Sanepar
“Nós monitoramos o desenvolvimento delas, se conseguiram se reestruturar, controlar o ataque de forídeos (pequenas moscas) e se conseguiram iniciar o depósito de mel e pólen”, esclarece Isobe.
A maioria das colmeias será destinada para áreas de preservação permanente da represa. O restante será enviado a meliponicultores da bacia do Miringuava para enriquecimento genético dos plantéis, para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a Embrapa e também para a prefeitura de São José dos Pinhais, que desenvolve um projeto educativo.
Proteção da água
Consideradas vitais para o equilíbrio dos ecossistemas, as abelhas participam significativamente na proteção de rios, nascentes e mananciais, promovendo a regeneração natural de florestas e matas ciliares por meio da polinização.
“As abelhas cumprem um serviço ecossistêmico imensurável, não tem como calcular. Então, é muito importante que a gente desempenhe esse papel, porque é um patrimônio genético que está aqui, traz uma série de informações importantes e servirá para inúmeras pesquisas e estudos”, acrescenta Isobe.
Jardins de água e mel
Outra iniciativa da Sanepar relativa à proteção de abelhas nativas é o Jardim de Água e Mel. O projeto visa a construção de jardins, preferencialmente em ambientes escolares, que abrigam colônias de abelhas nativas sem ferrão, como as espécies mandaçaia e jataí.
Nesses espaços, também é estimulado o cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), flores melíferas e é incentivada a prática de compostagem.
Desde a implantação do primeiro jardim, em 2021, a Sanepar já entregou 79 jardins compactos, três completos e 37 minimalistas, totalizando 614 colônias de abelhas sem ferrão. Ao todo, a iniciativa já impactou 89.861 pessoas em 32 municípios.
Sobre o resgate
De acordo com a Sanepar, o processo de resgate de animais faz parte de ações que a empresa precisa desenvolver em todos os grandes empreendimentos, principalmente quando envolve supressão vegetal.
“Já mostramos o resgate embarcado, feito após o início do enchimento. Temos vários materiais jornalísticos disponíveis, dentre eles vídeos e entrevistas”, destacou.
Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
O mercado físico do boi gordo abriu a semana com tentativas de compra em níveis mais baixos de preço, indicando pressão de baixa em algumas regiões produtoras. O movimento é mais evidente em Goiás e Minas Gerais, onde as pastagens sofrem com o estresse hídrico, reduzindo a capacidade de retenção dos pecuaristas e favorecendo negociações em patamares inferiores.
Por outro lado, estados como Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia apresentam um cenário mais equilibrado. A maior regularidade das chuvas ao longo de abril garantiu boas condições das pastagens, que seguem com vigor. Isso amplia a capacidade de retenção do gado e reduz a pressão imediata por vendas, limitando movimentos mais acentuados de queda nesses mercados.
A expectativa, no entanto, é de que uma pressão baixista mais ampla possa ganhar força apenas na segunda quinzena de maio. Outro fator relevante é o avanço da cota de exportação para a China, que, segundo análise de mercado, pode ser totalmente utilizada até meados de junho, influenciando o ritmo das negociações no curto prazo.
Preços no Brasil
São Paulo (SP): R$ 360,25 (na modalidade a prazo)
Goiás (GO): R$ 343,75
Minas Gerais (MG): R$ 342,35
Mato Grosso do Sul (MS): R$ 351,36
Mato Grosso (MT): R$ 358,04
Atacado
No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram acomodados ao longo da segunda-feira. O ambiente de negócios ainda indica pouco espaço para reajustes no restante do mês, refletindo a menor demanda típica da segunda quinzena. Além disso, a carne bovina perde competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango, que apresenta preços mais acessíveis ao consumidor.
Os cortes seguem estáveis. O quarto dianteiro é negociado a R$ 23,50 por quilo, o quarto traseiro a R$ 28,50 por quilo e a ponta de agulha a R$ 21,50 por quilo.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em leve queda de 0,32%, sendo cotado a R$ 4,9821 para venda e R$ 4,9801 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9642 e a máxima de R$ 4,9827.
Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural
O mercado brasileiro de soja começou a semana com maior fluidez nas negociações e avanço nas cotações. O movimento foi sustentado principalmente pela alta dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago, que registraram ganhos superiores a 1% ao longo do dia. Mesmo com a queda do dólar, os preços internos reagiram positivamente, com elevações entre R$ 1,00 e R$ 2,00 em relação à semana anterior.
Esse cenário contribuiu para um aumento no volume de negócios, especialmente nos portos, com destaque para embarques em Santos e Paranaguá. No mercado interno, também houve maior participação dos produtores, aproveitando o momento mais favorável para comercialização.
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 123,00 para R$ 124,00
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 124,00 para R$ 125,00
Cascavel (PR): subiu de R$ 119,00 para R$ 120,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
Dourados (MS): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
Rio Verde (GO): subiu de R$ 110,00 para R$ 111,00
Paranaguá (PR): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
Rio Grande (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
Soja em Chicago
No cenário internacional, a soja encerrou o dia em alta, impulsionada principalmente pela valorização do petróleo e pelas incertezas envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a previsão de chuvas no Meio-Oeste americano trouxe suporte adicional às cotações, já que pode atrasar o plantio, embora ainda não represente preocupação.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostraram que as inspeções de exportação somaram 628.826 toneladas na última semana, abaixo do volume registrado anteriormente, mas acima do mesmo período do ano passado.
As inspeções de exportação norte-americanas de soja chegaram a 628.826 toneladas na semana encerrada no dia 23 de abril, conforme relatório semanal divulgado pelo USDA. Na semana anterior, as inspeções haviam atingido 756.713 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado foi de 459.265 toneladas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 13,50 centavos de dólar, ou 1,16%, a US$ 11,77 1/4 por bushel. A posição julho teve cotação de US$ 11,92 por bushel, com elevação de 13,50 centavos de dólar ou 1,14%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 8,70 ou 2,92% a US$ 327,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 71,67 centavos de dólar, com ganho de 0,34 centavo ou 0,47%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,32%, sendo negociado a R$ 4,9821 para venda e a R$ 4,9801 para compra.
Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9642 e a máxima de R$ 4,9827.
Suplementação de bovinos a pasto. Foto: Divulgação
O Giro do Boi desta segunda-feira (27) trouxe orientações estratégicas para o pecuarista Avair Andrade, de Arraias (TO). O zootecnista Luis Kodel respondeu à dúvida sobre como suplementar corretamente um lote de bezerros com média de 210 kg. Segundo Kodel, como esses animais acabaram de sair do desmame, eles atravessam a fase de maior exigência para crescimento ósseo e muscular.
O especialista alerta que o teor de proteína no cocho é o “pulo do gato” para garantir que o animal não estacione no desenvolvimento e se torne um precocão no futuro. O teor de proteína deve ser ajustado conforme a qualidade da forragem disponível. Em Arraias, com a transição para a seca, a carência proteica do pasto torna-se severa, exigindo suplementos mais concentrados.
Luis Kodel explica uma regra fundamental: quanto menor a quantidade que o bezerro consome do produto no cocho, mais concentrada em proteína a mistura precisa ser para atingir a exigência biológica do animal. A fase pós-desmama é a “Fase de Ouro” do bezerro. Cada real investido em proteína agora retorna em quilos de carcaça e precocidade sexual lá na frente.
Não economize no nutriente básico nesta etapa; se faltar proteína, o animal “encurva”, perde estrutura e o prejuízo pelo atraso no ciclo será inevitável.
A previsão do tempo para os próximos dias indica um contraste importante nas condições climáticas em diferentes regiões do Brasil. Entre 28 de abril e 2 de maio, o tempo firme se estabelece sobre o Brasil central, abrangendo desde o centro-norte de São Paulo até o sul do Maranhão. Essa condição é caracterizada pela ausência de chuvas, favorecendo dias mais abertos e secos.
Por outro lado, os maiores volumes de chuva se concentram no Norte do país e avançam até áreas do Norte do Nordeste. Estados como Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte e regiões do Maranhão devem registrar precipitações mais intensas ao longo desse período. Nessas localidades, a presença de instabilidades mantém o tempo carregado, com pancadas frequentes e acumulados elevados.
Sambaíba (MA)
No Maranhão, o cenário apresenta variações importantes. Em Sambaíba, por exemplo, onde ainda há áreas de soja em fase de colheita, a previsão indica ausência de chuvas não apenas nos próximos cinco dias, mas também ao longo dos próximos 30 dias. Essa condição favorece diretamente os trabalhos no campo, permitindo o avanço das operações de colheita sem interrupções. Em contrapartida, o solo mais seco pode prejudicar o desenvolvimento de culturas que ainda dependem de umidade.
3 a 7 de maio
Já no período entre 3 e 7 de maio, o padrão se mantém semelhante, com destaque para chuvas ainda mais intensas na região Norte. O norte do Amazonas pode registrar acumulados superiores a 200 mm, indicando um cenário de precipitações volumosas. O Pará e o norte do Maranhão também seguem com previsão de chuvas.
Enquanto isso, a região Centro-Oeste permanece com chuvas mais irregulares e volumes reduzidos, reforçando a tendência de tempo mais seco.
Nesta segunda-feira (27), o programa Giro do Boi promoveu um debate sobre a eficiência no uso das gramíneas tropicais, um tema crucial para a rentabilidade da pecuária intensiva. O mestre em tecnologia de alimentos Ivan Júnior, gerente executivo de marcas da Friboi, destacou a vocação brasileira para o “boi verde” como um diferencial competitivo no mercado global.
Ivan Júnior alertou que o manejo inadequado do pasto, sem a devida atenção a altura e adubação, pode gerar custos de produção invisíveis que ultrapassam os gastos de um confinamento eficiente. A frase central do dia, “pasto mal manejado custa mais caro que um confinamento eficiente”, reflete a mudança de mentalidade necessária entre os produtores.
Confira:
Importância do manejo adequado
Segundo o especialista, ao ignorar as alturas de entrada e saída do gado, o produtor compromete a rebrota e a qualidade nutricional do pasto, o que atrasa o ciclo do animal e aumenta o custo fixo por arroba produzida. A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) é apresentada como uma solução que combina a economia do capim com a velocidade do grão, possibilitando uma produção de arroba mais barata e com melhores margens, desde que a forragem seja tratada com rigor.
O uso estratégico de suplementos, como o DDG, permite que o Brasil ofereça carcaças com acabamento de grão, mantendo a sustentabilidade e os benefícios nutricionais das pastagens. O manejo correto das pastagens tropicais não apenas melhora a rentabilidade do produtor, mas também a qualidade da proteína final, criando o denominado “terroir” brasileiro.
Estudos indicam que o gado criado a pasto apresenta maior concentração de antioxidantes e um equilíbrio mais adequado entre Ômega-3 e Ômega-6 para o consumo humano. A gordura amarelada da carne brasileira, resultante do acúmulo de betacarotenos presentes no capim verde, torna-se um selo visual da criação natural do animal.
Enquanto mercados como o americano buscam maturações artificiais, a carne de pasto brasileira já possui um sabor naturalmente mais intenso. O Brasil, antes conhecido como exportador de “carne ingrediente”, agora compete no mercado gourmet com marcas premium que exigem constância e padronização.
Estratégia para a produção
A pecuária intensiva a pasto é vista como um grande avanço na produção brasileira. Ivan Júnior resumiu que o lucro está na associação estratégica entre recria a campo e terminação suplementada. O manejo eficaz das gramíneas tropicais permite ao produtor entregar o “boi verde” que o mercado mundial deseja, com a maciez requerida pelo setor gourmet.
A colheita de arroz irrigado no Rio Grande do Sul atingiu 88% da área cultivada. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (23), o avanço das operações foi condicionado pelas precipitações recorrentes no período, que mantiveram elevados os níveis de umidade dos grãos e restringiram o ritmo dos trabalhos no campo.
Mesmo com volumes moderados de chuva, a combinação com alta umidade relativa e ocorrência de garoa exigiu maior seletividade nas janelas operacionais. As áreas remanescentes estão, em sua maioria, em estádios finais do ciclo, prontas para colheita.
De forma geral, o desempenho produtivo é considerado satisfatório, sustentado por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo. Há variações localizadas associadas a fatores operacionais e de manejo, mas a qualidade dos grãos é considerada adequada, com bom rendimento industrial.
A área cultivada no estado é de 891.908 hectares, conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz, e a produtividade média está projetada em 8.744 kg por hectare pela Emater/RS-Ascar.
Na região administrativa de Bagé, a colheita foi impactada pelas chuvas e pela elevada umidade dos grãos. Na Fronteira Oeste, em São Gabriel, os trabalhos alcançam 92% dos 25.800 hectares cultivados, com produtividades superiores a 8.000 kg por hectare, embora haja descontos por impurezas. Em Manoel Viana, falhas no fornecimento de energia elétrica comprometeram a irrigação e reduziram a produtividade em áreas do assentamento Santa Maria. Já em Dom Pedrito, na Campanha, 70% dos 36.000 hectares foram colhidos, com resultados dentro do esperado.
Na região de Pelotas, a colheita atingiu 86% da área e avançou até ser interrompida por chuvas registradas em 16 de abril. As áreas restantes estão maduras e prontas para colheita, com previsão de continuidade dos trabalhos ao longo do mês.
Na região de Santa Maria, a colheita alcança cerca de 75% da área. Em Cacequi, as operações estão em fase final, com produtividades consideradas adequadas. A região apresenta desempenho produtivo positivo, com variações entre municípios e propriedades.
Na região de Soledade, 75% da área foi colhida, com desaceleração no período devido ao tempo úmido. As lavouras apresentam padrão produtivo elevado e qualidade de grão que favorece o rendimento industrial. As áreas remanescentes estão distribuídas entre fases de enchimento, maturação e prontas para colheita, indicando a proximidade do encerramento do ciclo.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 83,96 milhões em financiamentos para três projetos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), voltados ao desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar e de uma variedade resistente ao bicudo da cana.
Os recursos serão liberados por meio da linha BNDES Mais Inovação e integram investimentos totais de R$ 165,54 milhões, que também incluem R$ 72,9 milhões da Finep e R$ 8,68 milhões em recursos do CTC.
Segundo o banco, os recursos poderão ser destinados a obras civis, aquisição de máquinas, serviços técnicos e atividades de pesquisa e desenvolvimento.
“O BNDES está empenhado em fortalecer a produção agrícola brasileira e a inovação no campo. O conjunto de projetos que o CTC vem conduzindo, com a ambiciosa meta de fazer a produtividade da cana-de-açúcar no Brasil dobrar até 2040, se alinham aos compromissos do governo do presidente Lula com o desenvolvimento e a descarbonização”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Sementes sintéticas entram no foco
Dois dos projetos financiados estão ligados ao avanço das sementes sintéticas de cana, tecnologia em desenvolvimento pelo CTC desde 2013. A proposta é substituir o plantio convencional, que utiliza colmos, por um modelo mecanizado baseado em sementes.
No sistema atual, cada hectare pode demandar mais de 16 toneladas de colmos para plantio. Pela tecnologia em desenvolvimento, esse volume poderia ser substituído por cerca de 400 quilos de sementes sintéticas por hectare.
Segundo o CTC, a mudança pode reduzir uso de combustível, compactação do solo e consumo de insumos, além de ampliar áreas disponíveis para plantio.
A semente sintética é produzida in vitro a partir de material biológico com capacidade de regenerar a planta e recebe estrutura protetiva para armazenamento, transporte e plantio mecanizado.
Parte dos recursos será destinada à implantação da primeira planta industrial de demonstração para produção de sementes sintéticas, na Fazenda Santo Antônio, sede do CTC em Piracicaba (SP).
A unidade ocupará área de 10 mil metros quadrados e terá capacidade para produzir sementes para o plantio de até 500 hectares por ano. A operação prevê a contratação de 72 profissionais.
“Estamos dando um passo fundamental para colher os resultados dessa tecnologia. O uso da semente sintética de cana-de-açúcar será uma disrupção na forma como plantamos a cana”, afirmou César Barros, CEO do CTC.
Outro projeto apoiado prevê pesquisas para ampliar germinação, seletividade do material biológico e prazo de armazenamento das sementes.
Projeto busca resistência ao bicudo da cana
O terceiro financiamento aprovado será direcionado ao desenvolvimento de uma variedade resistente ao Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana-de-açúcar.
A praga afeta áreas produtoras em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e pode comprometer o desenvolvimento das plantas.
Segundo o CTC, o projeto será conduzido em parceria com instituições de ciência e tecnologia.
Meta é ampliar produtividade até 2040
Os projetos integram a estratégia do CTC para elevar a produtividade da cana até 2040, com foco em biotecnologia, melhoramento genético e eficiência produtiva.
Hoje, variedades desenvolvidas pela empresa respondem por parte da produção nacional de cana, segundo o centro de pesquisa.