domingo, março 29, 2026

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Carmen Perez: criadora reduz a mortalidade de bezerros de 14% para 2,3%; veja o segredo


Foto: Divulgação.
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A pecuária brasileira enfrenta um desafio silencioso, mas oneroso: a taxa de mortalidade de bezerros, que oscila entre 15% e 18% em muitas fazendas. Ao programa Giro do Boi, a pecuarista e ativista Carmen Perez, da Fazenda Orvalho das Flores (MT), apresentou medidas que podem reverter esse cenário.

Adotando o bem-estar animal (BEA) como estratégia central, Carmen conseguiu reduzir a mortalidade em sua propriedade de 14% para apenas 1,6%, com uma média histórica estabilizada em torno de 2,3%. Essa redução não representa apenas uma questão humanitária, mas uma decisão financeira de alto impacto para a fase de cria.

Confira:

Impacto financeiro significativo

A média de mercado indica prejuízos de cerca de R$ 50 mil a cada 100 bezerros nascidos em decorrência de mortes evitáveis. Por outro lado, a eficiência da Fazenda Orvalho das Flores retém esse capital no fluxo de caixa. Comparada às fazendas “Top Rentáveis”, a propriedade de Carmen apresenta indicadores superiores, como fertilidade de 86% e produção de 40 kg a mais de bezerro desmamado por vaca exposta em relação à média nacional.

Esses resultados demonstram que um manejo racional não apenas reduz o descarte de carcaças no pasto, mas maximiza o aproveitamento de cada animal nascido. Para disseminar essas práticas, Carmen lançou o curso Rebanho de Valor, focado em profissionalizar a gestão de pessoas e o trato direto com os animais.

Inovações na pecuária de corte

Carmen também apresentou o conceito de pastejo em faixas para o gado de cria comercial, uma adaptação de técnicas do setor leiteiro para a pecuária de corte. Ela destacou que o sucesso na cria em 2026 exige a superação do manejo bruto, ressaltando a importância de um “olhar detalhista”, frequentemente associado à presença feminina na gestão, para identificar precocemente bezerros doentes e garantir a sobrevivência do rebanho.

“O manejo humanizado gera impactos que vão muito além dos resultados financeiros”, afirmou a pecuarista.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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AgroNewsPolítica & Agro

Produtor deve redobrar atenção com declaração de renda e evitar erros em contratos agrários


O produtor rural precisa redobrar a atenção com o prazo final para a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, referente ao ano-base 2025. O envio deve ser feito até o dia 29 de maio de 2026, evitando multas e penalidades aplicadas pela Receita Federal.

A obrigatoriedade de entrega atinge contribuintes que tiveram rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584,00, incluindo valores provenientes de arrendamentos, ou receita bruta da atividade rural acima de R$ 169.440,00 ao longo de 2025. Além disso, produtores que ultrapassarem o limite anual estabelecido devem apresentar o Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), documento essencial para o detalhamento das movimentações financeiras da atividade.

Um dos principais pontos de atenção na declaração, segundo o advogado Frederico Buss, da HBS Advogados, está relacionado aos contratos agrários, especialmente os de arrendamento e parceria rural. De acordo com o especialista, esse é um dos aspectos mais fiscalizados pela Receita Federal, inclusive por meio da operação “Declara Grãos”, que realiza cruzamentos de dados para verificar a regularidade dessas informações.

Buss explica que o contrato de arrendamento ocorre quando o proprietário transfere o uso do imóvel rural a um terceiro para exploração agrícola ou pecuária, mediante pagamento fixo. “Essa remuneração pode ser em dinheiro ou equivalente em produção, como sacas de soja por hectare, caracterizando uma espécie de locação. Nesses casos, a tributação segue regras semelhantes às de aluguel, podendo atingir alíquotas mais elevadas do Imposto de Renda”, esclarece.

Já no contrato de parceria rural, o cenário é diferente. O proprietário participa dos riscos da atividade e recebe um percentual da produção. “Assim, os ganhos variam conforme a produtividade, e a tributação costuma ser mais branda, seguindo critérios aplicáveis à atividade rural”, detalha.

Erros na classificação desses contratos são relativamente comuns e podem gerar problemas. Segundo Buss, muitos produtores acabam declarando contratos de arrendamento como se fossem de parceria, reduzindo indevidamente a carga tributária. “Quando a Receita Federal identifica essa inconsistência, realiza a correção do imposto devido, acrescida de juros e multas”, alerta.

O advogado ressalta que não basta apenas nomear o contrato como parceria ou arrendamento. O que realmente importa para o Fisco é a forma como a relação é executada na prática. “Caso seja constatado que um contrato rotulado como parceria funciona, na verdade, como arrendamento, ele será reclassificado e tributado de acordo com essa natureza”, destaca.

Diante disso, a orientação é que o produtor rural revise cuidadosamente seus contratos e a forma de declaração, garantindo que as informações prestadas estejam alinhadas com a realidade das operações. A atenção a esses detalhes pode evitar autuações e prejuízos financeiros no futuro.

 





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‘Terra preta da Amazônia’ pode impulsionar crescimento do ipê-roxo em até 88%, aponta estudo


TPA
Foto: Tsai Siu Mui/Cena-USP

Um estudo realizado no Amazonas com apoio da Fapesp demonstrou que pequenas quantidades da chamada “terra preta da Amazônia” (TPA), solo criado por antigas populações amazônicas, são capazes de aumentar o crescimento em até 55% na altura e 88% em diâmetro do ipê-roxo (Handroanthus avellanedae), árvore que ocorre também na Mata Atlântica.

Em uma espécie amazônica, o paricá (Schizolobium amazonicum), o aumento foi de 20% na altura e 15% no diâmetro do tronco. Os resultados são referentes aos primeiros 180 dias de vida das plantas, em comparação com outras das mesmas espécies que não receberam a terra preta. A pesquisa, publicada na revista BMC Ecology and Evolution.

“O determinante não foi a quantidade de nutrientes em si, que não muda muito, mas os microrganismos, que eram bem diferentes, especialmente os fungos. Nas plantas tratadas com terra preta há uma reorganização da microbiota em torno das raízes, com um recrutamento mais eficiente de microrganismos benéficos e uma redução de patógenos”, explica o pesquisador, Anderson Santos de Freitas.

Além de ajudar a reflorestar áreas degradadas e prover serviços ecossistêmicos, as duas árvores analisadas podem ser usadas na exploração sustentável de madeira, principalmente o ipê-roxo.

Terra ancestral

As terras pretas da Amazônia ou terras pretas de índio (TPI), como também são conhecidas, resultam da decomposição de matéria orgânica e do uso de fogo por populações pré-colombianas e continuam sendo criadas por povos atuais.

O estudo mostra que as TPAs abrigam um conjunto de bactérias, arqueas e fungos que ajudam as plantas a absorverem os nutrientes e ainda eliminam outros microrganismos oportunistas e patogênicos, tornando o ambiente muito mais favorável para seu crescimento.

“Estudamos as terras pretas há mais de 20 anos e testamos diversas formas de uso. A ideia é entender o que elas têm de melhor para as árvores crescerem mais rápido e mais fortes em áreas degradadas”, conta Tsai.

“Quando se desmata, principalmente para pastagem, a tendência é que o solo seja mal manejado, o que leva a uma perda muito rápida de microrganismos e nutrientes. O objetivo é recuperar a floresta e os serviços ecossistêmicos nessas áreas”, completa.

Protegidas por lei, as terras pretas são reguladas pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), órgão colegiado presidido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

“Usamos pequenas quantidades nos experimentos, após obter autorização do CGen. A ideia não é que as pessoas a utilizem diretamente, o que é proibido, mas entender como ela é formada, qual seu conteúdo e quais microrganismos e processos a tornam tão especial. Com isso, poderíamos reproduzi-la ou isolar seus componentes que possam ser úteis”, diz Freitas.

Experimento

No trabalho, foi medido o crescimento das mudas no campo. Para isso, sementes das duas espécies foram cultivadas no viveiro da Embrapa Amazônia Ocidental, em Itacoatiara (AM), em dois tratamentos: terra preta ou fibra de coco.

Após 15 dias, as sementes haviam germinado e se tornado mudas, que foram então transferidas para o campo experimental da mesma instituição, em Manaus. Foram plantadas no solo e não receberam nenhuma adubação ou herbicida, recebendo apenas água da chuva e tendo controle manual de plantas daninhas.

Após seis meses, todas as plantas estavam vivas. Porém, as diferenças das tratadas com TPA foram significativas. No caso dos paricás, embora tenham apresentado um crescimento proporcionalmente menor do que o que ocorreu entre os ipês-roxos, as árvores tinham cerca de 1,5 metro de altura 180 dias depois de as mudas serem transferidas para o campo.

Os pesquisadores observaram no solo das plantas tratadas com terra preta um aumento, principalmente, da diversidade de fungos, mais acentuado no ipê-roxo. A explicação pode ser a grande adaptação do paricá a solos degradados, que faz com que a espécie não demande tantos nutrientes e microrganismos.

“Os fungos respondem mais rápido, por serem microrganismos mais complexos. Com a adição de terra preta, imediatamente há um aumento de matéria orgânica e, portanto, de fungos decompositores, que fazem uma ciclagem mais eficiente dos nutrientes, tornando-os mais disponíveis para as plantas”, detalha Freitas.

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De algodão ao aviário, a família Ferreira constrói seu legado no campo há mais de 45 anos


A história de Rubens Ferreira, do distrito de Paraíso do Sul (PR), está intrinsecamente ligada à evolução da agricultura paranaense. Há 45 anos, ele chegou à propriedade ainda menino, aos 13 anos, para ajudar o pai. O que hoje é um complexo avícola de alta performance já foi chão de algodão, pasto para o leite e, por décadas, lavoura de soja. “O produtor precisa se reinventar para não ficar para trás”, afirmou Rubens, que presenciou a diminuição do ciclo do algodão e a exigência de escala na pecuária leiteira.

O sítio Santa Cruz não é apenas um CNPJ rural; é o local onde Rubens e sua esposa, Maria, criaram a família e preservaram a herança recebida do pai. A decisão de entrar na avicultura em maio de 2023 foi estratégica, visando garantir que a terra continuasse produtiva para a próxima geração. Com dois galpões e capacidade para 85 mil aves, a família optou por um ambiente controlado e o ciclo curto do frango de corte.

Parceria e sucesso na avicultura

Um detalhe que define o sucesso da fazenda Santa Cruz é a relação de confiança com quem coloca a mão na massa. Rubens buscou no amigo de longa data, Valdecir, o conhecimento técnico necessário na avicultura. A parceria é tão estreita que Rubens é padrinho de casamento do granjeiro. Essa conexão permitiu que, logo no primeiro ano de atividade, a família alcançasse resultados de elite, reduzindo falhas e garantindo uma conversão alimentar que surpreendeu a integradora JBS em Campo Mourão.

A rotina é um esforço coletivo. Enquanto Rubens planeja os investimentos e cuida da lavoura, Maria acompanha as demandas diárias do aviário. A filha, Eduarda, mesmo formada em odontologia, faz questão de manter os pés no barro. Ela auxilia nos carregamentos, na gestão das notas e no monitoramento técnico, assegurando que o legado de honestidade e trabalho do pai tenha continuidade. “A gente quer ver isso aqui crescer”, afirmou a jovem.

O futuro da família ferreira

O reconhecimento veio rápido: em apenas dois anos de atividade, a propriedade conquistou o segundo lugar em produtividade na região. Para Rubens, o segredo está na dedicação integral e na coragem de investir em tecnologia de ponta, como aquecimento a gás e sistemas de ventilação automatizados.

Olhando para os próximos anos, o produtor não pensa em descanso, mas em expansão. Ele vê na avicultura a oportunidade de otimizar cada metro quadrado do sítio e, quem sabe, dobrar o número de galpões. Para a família Ferreira, os 45 anos de história são apenas o alicerce para um futuro onde a tradição do algodão deu lugar à modernidade do frango, mantendo sempre o mesmo propósito: produzir com excelência e manter a família unida no campo.

O Interligados – Vida no Campo já percorreu vários estados brasileiros para contar histórias de quem vive no campo. Agora, qual será a nossa próxima parada? Pode ser justamente aí, na sua propriedade!

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Com informações de: interligados.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado do boi fecha semana em alta


As cotações do mercado do boi gordo registraram alta em diferentes praças do país, com destaque para São Paulo, segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgada na sexta-feira (27) pela Scot Consultoria.

Na praça paulista, os preços da vaca gorda e do chamado “boi China” avançaram em meio a uma oferta contida. De acordo com a Scot Consultoria, “as ofertas estiveram contidas, e ainda assim, havia volume suficiente para atender às escalas, porém sem folga”. Mesmo com parte da indústria frigorífica fora das compras no dia, os compradores ativos elevaram os valores pagos. A cotação da vaca subiu R$ 3,00 por arroba, enquanto o “boi China” teve alta de R$ 1,00 por arroba. Ainda segundo a análise, “há negócios acima da referência, porém com baixo volume para consolidar referência”. As escalas de abate no estado ficaram, em média, em seis dias.

No Tocantins, o mercado apresentou comportamento distinto entre o consumo interno e as exportações. Conforme o levantamento, “as vendas de carne no mercado interno perderam força com o fim do mês. Por outro lado, o escoamento para o mercado externo está firme e a oferta, curta, sustentando o mercado”. Após a valorização das fêmeas no dia anterior, apenas o boi gordo na região sul do estado registrou nova alta, de R$ 3,00 por arroba. As escalas de abate permaneceram, em média, em cinco dias.

Na região noroeste do Paraná, a combinação entre oferta reduzida e exportações firmes contribuiu para a valorização das cotações. De acordo com a Scot Consultoria, “a pouca oferta, aliada às exportações firmes, tem sustentado as cotações na região, mesmo com o mercado interno mais fraco no período”. Nesse cenário, o boi gordo teve alta de R$ 3,00 por arroba e o “boi China” avançou R$ 5,00 por arroba, enquanto os preços das fêmeas permaneceram estáveis.





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AgroNewsPolítica & Agro

UFSM lidera rede pioneira de monitoramento de CO2 em lavouras e pastagens do Sul do Brasil


Pesquisa utiliza torres de fluxo para monitorar gases de efeito estufa em sistemas agrícolas e aponta caminhos para a produção sustentável e a geração de créditos de carbono

Uma rede de medição de carbono instalada em áreas agrícolas do Rio Grande do Sul está revelando, com precisão inédita, como diferentes sistemas de produção agropecuária interagem com o clima. Coordenado pela UFSM, por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), o projeto utiliza torres de fluxo, um equipamento semelhante à estação meteorológica, porém equipado com sensores mais precisos. Essas torres são consideradas o método mais avançado do mundo para medir continuamente a emissão e a absorção de gases de efeito estufa em lavouras e pastagens.

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam a importância deste trabalho, que, ao mesmo tempo em que ressalta o papel do manejo adequado das áreas agrícolas e desmistifica a produção rural – quando bem feita – como vilã das mudanças climáticas, projeta novos mercados e fortalece a internacionalização da UFSM.

Sensores medem CO₂ em tempo real

Ao todo, nove torres de fluxo estão instaladas em diferentes sistemas produtivos do Sul do país, incluindo lavouras de soja, trigo, milho e arroz irrigado, além de pastagens naturais do bioma Pampa. Os equipamentos estão distribuídos em propriedades nos municípios gaúchos de Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

As torres de fluxo são equipadas com sensores altamente sensíveis, capazes de registrar de forma contínua as absorções e emissões de gases do efeito estufa de uma área. Os instrumentos realizam 10 medições por segundo, identificando se o dióxido de carbono (CO₂) está sendo liberado para a atmosfera ou absorvido pelas plantas. Além da medição dos gases, os equipamentos registram variáveis meteorológicas, como temperatura do ar e do solo, radiação solar e precipitação.

Com esse monitoramento contínuo, os cientistas conseguem calcular o chamado fluxo de carbono, que representa o saldo entre o carbono retirado da atmosfera pelas plantas durante a fotossíntese e aquele liberado por processos naturais. O acompanhamento permite identificar em tempo real quando um sistema produtivo atua como emissor ou absorvedor de carbono. Para garantir resultados mais robustos, o monitoramento precisa se estender por períodos maiores – no caso, três anos é o período mínimo determinado pelos pesquisadores.

Pioneirismo, Investimento e Trabalho interdisciplinar

O conjunto dos equipamentos utilizados no projeto representa um investimento de cerca de R$ 5 milhões. A interdisciplinaridade é essencial para o êxito do projeto. Pesquisadores da Física, da Agronomia e da Meteorologia trabalham juntos para o melhor entendimento dos resultados. Enquanto para as Ciências Rurais a ênfase maior é no armazenamento do carbono no solo, a Física se interessa pela contribuição dos gases para o aquecimento global, e a Economia estuda a venda e remuneração de créditos de carbono.

A referência da UFSM na área não é de hoje. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. O grupo que tem o maior protagonismo é o nosso. Inclusive, por 20 anos, fizemos em Santa Maria o Congresso Brasileiro de Micrometeorologia, evento bianual que recebia a comunidade nacional e internacional”, lembra Débora. O reconhecimento internacional só cresce. Atualmente, os dados obtidos pelas torres de monitoramento estão entrando em um banco de dados mundial, sendo utilizados por grupos de pesquisa de inúmeros países. “Somos um grupo muito internacionalizado, com inúmeras parcerias. Também recebemos muitos pesquisadores estrangeiros e enviamos alunos de doutorado e pós-doutorado para países como Portugal e Estados Unidos”, acrescenta a pesquisadora.

Importância ambiental e potencial econômico

A agricultura é frequentemente apontada como uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, mas os estudos conduzidos pela UFSM mostram que sistemas produtivos bem manejados também podem remover carbono da atmosfera. As medições permitem identificar quais práticas agrícolas aumentam essa capacidade de captura, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e manejo adequado das pastagens.

Essas práticas podem abrir oportunidades para geração de créditos de carbono na agropecuária. Estimativas indicam que, se metade das áreas de pastagens naturais do Pampa fosse utilizada para geração de créditos de carbono, seria possível produzir cerca de 3,3 milhões de créditos por ano. Considerando um valor médio de US$ 10 por crédito, o potencial de receita chegaria a US$ 33 milhões anuais.

O que mostra o monitoramento

No arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno nas lavouras reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. As lavouras que cultivam soja e trigo podem absorver até três vezes mais CO₂ por hectare se intercaladas por plantas de cobertura. A produção de bovinos em pastagens do Pampa pode absorver CO₂ pelo correto manejo da pastagem, compensando as emissões de metano pelo gado. Já a lavoura de trigo é uma grande absorvedora de CO₂, mas deixá-la parada, sem cultivo, a torna uma emissora.


Próximos passos

Assim que cada um dos sistemas produtivos completar três anos de dados gerados, outras culturas poderão ser contempladas, como a integração entre lavoura e pecuária e a fruticultura. Outro passo futuro é trabalhar em projeto piloto de crédito de carbono. “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, afirma Débora.





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Ministros das Relações Exteriores do G7 pedem fim dos ataques a civis na…


Logotipo Reuters

 

VAUX-DE-CERNAY, França, 27 Mar (Reuters) – Os ministros das Relações Exteriores do grupo de nações do G7 pediram na sexta-feira o fim imediato dos ataques contra civis e infraestrutura civil na guerra do Irã.

Em uma declaração conjunta acordada no segundo dia de uma reunião do G7 na França — o país anfitrião deste ano — os ministros disseram ter ressaltado a importância de minimizar o impacto do conflito sobre os parceiros regionais, populações civis e infraestrutura crítica.

“Nós nos concentramos no valor de diversas parcerias, coordenação e iniciativas de apoio, inclusive para mitigar choques econômicos globais, como interrupções nas cadeias de suprimentos econômicas, energéticas, de fertilizantes e comerciais, que têm impactos diretos sobre nossos cidadãos”, disseram eles na declaração vista pela Reuters.

Os ministros também reiteraram a necessidade de restaurar a liberdade de navegação segura e livre no Estreito de Ormuz.

Os membros do G7 são Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, juntamente com a União Europeia.

(Reportagem de Andrew Gray e John Irish)

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Semana Santa terá chuvas e menos calor no Sul e Sudeste


Os últimos dias de março serão marcados por temperaturas elevadas no centro-sul do Brasil, com previsão de máximas acima de 35°C e próximas de 38°C em algumas áreas entre sexta-feira (27) e segunda-feira (30). As informações são do Meteored, que aponta mudança no padrão climático a partir do início da próxima semana.

Segundo a análise, o calor persistente deve predominar até o fim de semana, com ocorrência de pancadas isoladas associadas à combinação de calor e umidade. “A precipitação prevista até domingo (29) no centro-sul do Brasil será na forma de tempestades isoladas”, informa o Meteored.

A partir de segunda-feira (30), a atuação de um vórtice ciclônico de altos níveis deve alterar o cenário climático, favorecendo o aumento das chuvas, principalmente na faixa leste das regiões Sul e Sudeste. De acordo com o Meteored, “esta circulação em altos níveis atua como uma forçante dinâmica, favorecendo a formação de nuvens e aumento das chuvas em determinadas regiões”.

As instabilidades devem atingir inicialmente o leste da Região Sul, avançando para áreas centrais. Há previsão de tempestades entre o norte do Rio Grande do Sul, oeste e centro de Santa Catarina e centro-sul do Paraná. No Sudeste, são esperadas chuvas fracas na faixa leste entre São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na terça-feira (31), o sistema avança sobre o Rio Grande do Sul, reduzindo as chuvas no estado, enquanto favorece precipitações no Sudeste. O litoral norte do Paraná permanece em alerta para volumes mais elevados entre segunda e terça-feira.

O Meteored também indica possibilidade de tempestades em áreas do noroeste do Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com risco de rajadas de vento e granizo. Os maiores acumulados devem ocorrer entre o norte do Paraná e o sul de São Paulo, além do Espírito Santo, com volumes entre 60 mm e 70 mm.

Com o avanço das chuvas, a tendência é de redução das temperaturas na faixa leste do Sul e Sudeste. “As temperaturas máximas ficam abaixo de 30°C na faixa leste do Sul e Sudeste a partir de segunda-feira (30)”, aponta o Meteored. Na terça-feira (31), os termômetros podem marcar entre 20°C e 22°C nessas regiões, em função da maior nebulosidade e precipitação.

O modelo também indica recuo das áreas com temperaturas extremas ao longo dos próximos dias, sinalizando o início do alívio do calor no fim do mês.





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Em movimento estratégico, Agroallianz anuncia nova liderança feminina


A Agroallianz, joint venture entre a alemã DVA e a brasileira Coopercitrus, anuncia a chegada de Cristiane Gerbasi como nova Chief Financial Officer (CFO). A nomeação marca um momento estratégico na trajetória da companhia, alinhado ao fortalecimento de sua governança e à consolidação de uma visão orientada à sustentabilidade e ao crescimento estruturado. O anúncio ganha ainda mais relevância no momento em que se celebra o Mês das Mulheres, simbolizando o avanço consistente da liderança feminina em posições estratégicas, especialmente no agronegócio brasileiro.  

Com mais de 25 anos de trajetória no setor, Cristiane construiu uma carreira marcada pela consistência, formação contínua e profunda conexão com o campo. Natural de Ituverava (SP), filha de pais oriundos de Jaboticabal, iniciou sua trajetória no agronegócio ainda jovem, trilhando os mesmos caminhos de seu pai junto ao Grupo Maeda, referência histórica na cotonicultura brasileira.  “Não sou filha de produtor, mas fiz minha carreira inteira no agro. Comecei muito cedo e sempre soube onde queria chegar, mesmo sem saber exatamente quando chegaria”, afirma.  

Formada em Ciências Contábeis e, também, graduada em Administração, a executiva acumula vários MBAs e Especializações nas áreas de Governança, Compliance, Auditoria, Planejamento Tributário (Nacional e Internacional), Gestão e Estratégia Financeira, Planejamento Estratégico do Agronegócio, Economia, Economia Circular, Programa de Desenvolvimento de Dirigentes, Formação de Conselheiros (IBGC) e Marketing.  “Reconheço a importância desses estudos e gosto muito de aprender, portanto, ainda há muitos outros por vir”, afirma.  

Ao longo de sua trajetória, atuou em posições estratégicas nas áreas Comercial, Marketing, Planejamento, Negócios Internacionais e integrou o projeto de M&A da DVA no Brasil, adquirindo uma visão ampla e integrada de toda a cadeia.  

Um dos momentos mais transformadores de sua carreira foi a decisão de deixar o ambiente corporativo para assumir a gestão de uma fazenda de café no Sul de Minas Gerais. Durante uma década, liderou a profissionalização da operação, estruturando processos, implementando práticas de gestão modernas e fortalecendo a conexão entre eficiência produtiva e sustentabilidade.  

“Ali eu tive certeza de que era o agro. Quando você sai do escritório e coloca o pé na terra, você entende a realidade do produtor. Vivi geadas, incertezas e decisões difíceis. Isso muda completamente sua visão, com o olhar do produtor e com a experiência da indústria.”, relata.  

Sob sua liderança, a propriedade tornou-se referência em gestão, inovação e sustentabilidade, com iniciativas de economia circular, compostagem e reconhecimento como produtora de café Carbono Negativo, além de premiações pela qualidade e abertura ao mercado internacional.  

Paralelamente, Cristiane manteve forte atuação social, contribuindo com programas de orientação vocacional e capacitação de produtores.  “Compartilhar conhecimento sempre fez parte da minha caminhada. Quando o produtor cresce, toda a cadeia evolui junto”, destaca.  

Desafios  

Ao assumir a área financeira da Agroallianz, a executiva passa a integrar um momento decisivo para a companhia e para o setor, marcado,  pela necessidade de adaptação, disciplina financeira e visão estratégica de longo prazo.  

“Estamos vivendo um período de reorganização do crédito e de ajustes importantes no mercado. É fundamental mantermos uma visão equilibrada, responsável e conectada à realidade do agricultor, que é o centro de toda a cadeia”, afirma.  

Sua chegada também reforça um movimento cada vez mais presente no agronegócio: a ampliação da participação feminina em posições de liderança e tomada de decisão.  

“Durante muito tempo disseram que fazenda não era lugar de mulher. Aos 32 anos, fui para dentro dela provar para mim mesma que competência não tem gênero. Liderança é sobre preparo, visão, resiliência, adaptabilidade, estudo e capacidade de construir junto”, ressalta.  

Cristiane assume o novo desafio com o propósito de contribuir para o fortalecimento institucional da Agroallianz e apoiar sua próxima fase de evolução.  “Este é um momento de consolidar aprendizados e contribuir para construir uma estrutura sólida, sustentável e preparada para o futuro”, conclui.





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AgroNewsPolítica & Agro

Abitrigo alerta para impactos da crise global no setor de trigo brasileiro



Quadro negativo se soma a fatores internos que agravam o ambiente de negócios


Foto: Pixabay

A Associação Brasileira da Indústria do trigo (Abitrigo) alerta para o rápido agravamento das condições econômicas que afetam os custos do setor de moagem de trigo em função das consequências do conflito no Irã sobre a economia brasileira. A combinação entre alta do petróleo, aumento expressivo do diesel e dos fretes internos e externos, elevação das cotações do trigo no Brasil e no exterior e encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais pressiona diretamente os custos da indústria moageira e cria um ambiente de forte risco para toda a cadeia do trigo, com potencial de impactos relevantes sobre o preço da farinha e da cadeia produtiva. 

Esse quadro negativo se soma a fatores internos que agravam o ambiente de negócios. A criação de alíquotas de PIS/COFINS incidentes sobre o trigo importado e ao reduzir benefícios fiscais, elevou a carga tributária de itens essenciais, como a farinha de trigo. Essa mudança tributária restringe ainda mais a capacidade da indústria de amortecer os impactos e aumenta o risco de que parte desses reajustes acabem sendo repassados à cadeia e ao consumidor. 

Mesmo diante desse contexto adverso, a Abitrigo enfatiza que as empresas do setor têm atuado de forma responsável para mitigar efeitos mais severos sobre o consumidor brasileiro. Os moinhos vêm adotando estratégias de otimização de estoques, diversificação de origens de trigo e fornecedores de insumos, revisão de rotas logísticas, busca por ganhos de eficiência operacional e utilização de instrumentos de gestão de risco de preços sempre que possível. Paralelamente, a entidade mantém diálogo permanente com autoridades e formuladores de políticas públicas, compartilhando dados e cenários e defendendo medidas que contribuam para preservar a competitividade da cadeia e a segurança do abastecimento de farinha de trigo e derivados. 

“Nosso compromisso é garantir a estabilidade do abastecimento de farinha de trigo, produto essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de forte instabilidade global”, afirma o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.  





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