O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse querer fechar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia ainda este ano.
Segundo ele, a posição contrária da França não será determinante para inviabilizar a assinatura. “Se a França não quiser, eles não apitam mais nada”, afirmou o presidente em evento com líderes do setor industrial. Ele disse querer fechar o acordo ainda neste ano.
“Para superar essa pauta, que estou há 23 anos”, afirmou Lula, durante a abertura do Encontro Nacional da Indústria (Enai).
A série ‘Mato Grosso Clima e Mercado‘, promovida pela Aprosoja MT, segue com sua cobertura das realidades enfrentadas pelos produtores rurais do estado. Dessa vez, a equipe visita a região de Itiquira, onde os produtores compartilham os desafios climáticos e de logística que impactam diretamente as lavouras. A principal preocupação deste ano foi o atraso nas chuvas, que afetou o início do plantio da soja e a janela para o milho safrinha.
O clima e o impacto na soja
Segundo os produtores locais, o clima apresentou um comportamento atípico. Normalmente, as chuvas começam a cair em setembro, o que permite iniciar o plantio da soja nesse período. No entanto, em 2024, a primeira chuva significativa só ocorreu em 10 de outubro, gerando um atraso de cerca de uma semana no plantio. Esse atraso impacta a produtividade, a logística e a programação das aplicações de insumos, especialmente na última aplicação de fungicida.
Por outro lado…
Apesar do atraso, a maioria das lavouras está dentro da normalidade. No entanto, o atraso no plantio pode gerar desafios futuros, como o impacto na aplicação de fungicidas e o manejo de pragas. A região de Itiquira enfrenta uma pressão com a presença de algumas pragas, como percevejos e lagartas, mas nada fora do esperado para a época do ano. A preocupação maior, no entanto, está no efeito do atraso nas chuvas sobre a soja e, principalmente, sobre o milho safrinha.
A região de Itiquira também enfrenta um desafio de armazenagem, pois o número de armazéns na localidade é limitado. Muitos produtores da região contam com armazenagem própria, o que ajuda a aliviar a pressão logística. No entanto, os produtores sem armazém sofrem com as dificuldades de armazenar a produção, principalmente devido ao baixo número de unidades de armazenagem na região.
A armazenagem própria é vista como uma estratégia fundamental para minimizar os impactos da sazonalidade de preços, já que permite ao produtor vender sua soja de forma mais pausada, aproveitando os melhores momentos do mercado.
A Aprosoja MT segue atenta aos desafios dos produtores rurais em todo o estado, oferecendo apoio e insights para inovação no campo. O programa é uma plataforma importante para compartilhar as dificuldades do setor, ao mesmo tempo em que aponta caminhos para melhorar a produtividade e a sustentabilidade agrícola.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou para baixo suas estimativas para os embarques de soja e milho em novembro, conforme dados atualizados na terça-feira (26).
A exportação de milho foi ajustada para 5,1 milhões de toneladas, uma redução de 470 mil toneladas em relação à projeção da semana passada, de 5,57 milhões de toneladas.
O volume projetado é 27,1% inferior ao registrado em novembro de 2023, quando o Brasil exportou 6,99 milhões de toneladas do grão.
Para a soja, a nova estimativa aponta embarques de 2,46 milhões de toneladas, queda de 340 mil toneladas frente à previsão anterior de 2,80 milhões de toneladas. Esse volume é 46,5% menor do que o exportado no mesmo mês de 2023, quando os embarques somaram 4,6 milhões de toneladas.
Os embarques de farelo de soja, por outro lado, permanecem estáveis, com expectativa de 1,92 milhão de toneladas, em linha com os números registrados no mesmo período do ano passado (1,93 milhão de toneladas).
Na semana de 24 a 30 de novembro, os portos brasileiros devem embarcar 660.840 toneladas de soja, 735.468 toneladas de farelo de soja, 1.470.926 toneladas de milho e 95.000 toneladas de trigo, conforme a programação portuária.
No acumulado do ano até novembro, o Brasil exportou 96,01 milhões de toneladas de soja, 34,24 milhões de toneladas de milho e 21,16 milhões de toneladas de farelo de soja. Apesar da queda em novembro, os números reforçam a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de grãos.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quarta-feira (27), que o comércio internacional é uma guerra, e que quer que o agronegócio brasileiro cause raiva em políticos franceses. Ele deu a declaração em um contexto de tensão entre os produtores de carne do Brasil e o Carrefour.
A rede francesa de supermercados disse dias atrás que deixaria de vender carne do Mercosul no país europeu. “Nossos agricultores não querem morrer e nossos pratos não são latas de lixo”, chegou a dizer o deputado francês da UDR, de direita, Vincent Trébuchet.
O caso mobilizou o agronegócio e o governo brasileiro em uma rara convergência entre Lula e o setor, majoritariamente bolsonarista. “Eu quero que o agronegócio continue crescendo e causando raiva num deputado francês que hoje achincalhou os produtos brasileiros”, afirmou o presidente da República.
Segundo ele, será fechado o acordo entre Mercosul e União Europeia mesmo se a França não quiser – o protecionismo agrícola do país é o principal entrave.
“Comércio é uma guerra”, disse Lula. Segundo ele, “nenhum país do mundo falará bem dos nossos produtos”.
Lula também defendeu encontros empresariais em países como Índia, Japão e Vietnã para diversificar os negócios brasileiros no exterior e atrair investimentos.
Utilização adequada desses insumos resulta não só em maior uniformidade
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Foto: Divulgação
O uso de adubos especiais tem se mostrado cada vez mais essencial para o cultivo de hortaliças e frutas de alta qualidade. Desenvolvidos com fórmulas balanceadas de macro e micronutrientes, esses fertilizantes atendem às exigências nutricionais específicas de cada cultura, favorecendo o desenvolvimento saudável das plantas e garantindo uma produção mais uniforme.
Produtores de hortifrúti têm observado melhorias nas suas colheitas após a aplicação de adubos especializados. A utilização adequada desses insumos resulta não só em maior uniformidade dos frutos, mas também na redução das perdas durante a produção e no aumento do valor agregado dos produtos. A nutrição correta é fundamental para garantir que os produtos atendam aos elevados padrões de qualidade exigidos pelos mercados nacional e internacional.
Em um cenário de crescente demanda por hortaliças e frutas brasileiras, a eficiência dos adubos especiais tem sido apontada como um fator importante para manter a competitividade e a rentabilidade do setor. Com o aumento das exportações de hortifrutigranjeiros, o investimento em fertilizantes de alto desempenho surge como uma estratégia importante para garantir não apenas a sustentabilidade da produção, mas também a satisfação dos consumidores em diversos mercados.
Além de promover um aumento na produtividade, os fertilizantes especiais ajudam a melhorar a resistência das plantas a doenças e pragas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental. A utilização desses insumos reduz a necessidade de tratamentos químicos, promovendo uma produção mais ecológica e segura para os consumidores.
“Me apaixonei pelo agronegócio.” Essa é a frase que resume a trajetória de Vanessa Bomm, arquiteta de formação e produtora de soja que, por escolha, decidiu se arriscar no mundo do pai e se apaixonou pelo campo. No início, a agricultora, natural de Palotina, conciliava sua rotina entre obras e lavouras, dois universos distintos, mas ainda predominantemente dominados por homens.
Após 20 anos de profissão como arquiteta, Vanessa decidiu trocar a fita métrica pelas máquinas. “Quando entrei no mundo do plantio, sabia que estava entrando em um grupo muito masculino e estava acostumada a lidar com isso, porque nas obras a maioria eram homens”, diz a produtora.
Aprendizado semeado
Foto: Vanessa Bomm
Há sete anos, Vanessa semeia a soja na propriedade de sua família, no município de Terra Roxa. Neta de italianos vindos do Rio Grande do Sul, ela sempre teve uma conexão com o campo, embora tenha iniciado sua trajetória profissional em outra área. Quando seu pai a convidou para se juntar a ele na lavoura, ela não hesitou. Ouviu o chamado do patriarca e não pensou duas vezes. Mergulhou de cabeça.
Desde então, Vanessa tem vivido e aprendido o ritmo e os desafios do agro e as coisas têm caminhado de forma promissora. Com muito trabalho e dedicação, ela ajudou a consolidar o sucesso da propriedade. “Estamos passando por anos com desafios. Nem sempre conseguimos demonstrar uma grande produção, mas sabemos que não perderemos tudo se adotarmos práticas sustentáveis e outras estratégias.”
Para ela, o segredo está em adaptar-se às dificuldades do clima e do solo, sem deixar de lado uma abordagem responsável e inovadora para garantir a produtividade e a longevidade da lavoura.
Sustentabilidade adotada pela produtora de soja
Vanessa diz que mesmo com muitos desafios, como o clima e as condições do solo, a adoção de práticas mais sustentáveis tem mostrado resultados positivos na lavoura de soja+. “Hoje, técnicas como o plantio de cobertura e a diversificação de raízes têm contribuído para reduzir os impactos no ambiente e criar um sistema produtivo mais resiliente.” Segundo a produtora, as práticas melhoram a qualidade do solo e ajudam a manter a água no solo e a reduzir a erosão, tornando o sistema agrícola mais robusto. Descarbonizacao de carbono, sequestro de carbono.
A produtora faz parte do Programa PRO Carbono, iniciativa da Bayer, voltada à inovação para uma agricultura sustentável. Algumas ferramentas, desenvolvidas em parceria com a Embrapa, se destacam pela criação de técnicas de baixa emissão e sequestro de carbono, além de quantificar os benefícios ambientais.
E o controle de pragas não fica de fora! O plantio de cobertura, com plantas como aveia, nabo, trigo mourisco, sorgo, milheto e capins braquiária e crotalária, além de controlar pragas de maneira ecológica, protege o solo contra a erosão, melhora a retenção de água e cria um ambiente mais saudável para o crescimento das culturas.
Quando Vanessa entrou para o universo do agro, pôde perceber a dimensão do setor e sua importância para o Brasi. A produtora também destacou a transformação tecnológica que a agricultura está vivendo, com o uso crescente de agricultura digital e tecnologias como o feed view para monitoramento das lavouras.
“No ano em que entrei na fazenda, pude visualizar o impacto dessas inovações no campo. Com o auxílio dessas ferramentas, consegui perceber o desempenho de cada talhão, facilitando o manejo e a tomada de decisões mais assertivas”, detalha Vanessa.
No pódio do agro
Em outubro deste ano, a produtora de soja conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mulheres do Agro 2024, na categoria Grande Propriedade. Essa é uma premiação que reconhece as contribuições das mulheres no setor agropecuário. O reconhecimento, que celebra o impacto feminino no agro, marca um dos maiores feitos na trajetória de Vanessa que, ao longo dos anos, tem se dedicado a transformar o campo por meio de práticas sustentáveis, inovação tecnológica e um trabalho que integra tradição e modernidade no agronegócio.
As exportações brasileiras de soja em grão devem somar 2,456 milhões de toneladas em novembro, segundo o levantamento semanal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). No mesmo mês de 2023, as exportações de soja atingiram um volume expressivo de 4,599 milhões de toneladas. Segundo a Safras & Mercado, em comparação, em outubro de 2024, o Brasil embarcou 4,443 milhões de toneladas, evidenciando uma leve redução, mas ainda mantendo um ritmo forte de exportações.
Na semana encerrada em 23 de novembro, o Brasil exportou cerca de 480 mil toneladas de soja. Para o período de 24 a 30 de novembro, a ANEC estima um aumento nos embarques, com a previsão de exportação de mais de 660 mil toneladas, o que indica uma aceleração no ritmo de embarques até o final do mês.
Quanto ao farelo de soja, as exportações devem registrar um volume semelhante ao do ano passado, com uma leve queda em relação ao mês anterior. Em novembro, a expectativa é de embarques próximos a 1,9 milhão de toneladas, um valor inferior ao exportado em 2023, mas consideravelmente abaixo do total de outubro de 2024. Na última semana, as exportações de farelo de soja somaram pouco mais de 370 mil toneladas, com uma previsão de aumento nos embarques para o final deste mês.
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Muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas – Foto: Arquivo Agrolink
A produção de cana-de-açúcar no Brasil pode encolher até 20% até 2050, segundo estudo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). O aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas já impactam negativamente o setor, como observado na safra 2023/2024, marcada por secas e queimadas na região Centro-Sul. Esses eventos não apenas afetam o desenvolvimento das plantas, mas também agravam o desequilíbrio de pragas e doenças, comprometendo a produtividade dos canaviais.
Além disso, muitos produtores enfrentam a perda de viveiros de mudas, essenciais para a renovação das lavouras. Michel Fernandes, consultor agrícola, alerta que a falta de mudas sadias pode gerar perdas produtivas significativas e elevar os custos no longo prazo. Nesse cenário, o manejo eficiente e o planejamento adequado são imprescindíveis para mitigar os impactos climáticos.
Para auxiliar na recuperação dos canaviais, soluções tecnológicas como o Muneo® Biokit, da BASF, vêm ganhando destaque. Combinando ação inseticida, fungicida e biológica, o produto promove o crescimento das plantas e melhora a absorção de nutrientes e água, mesmo em condições climáticas adversas. Experimentos realizados no Triângulo Mineiro comprovaram sua eficácia em diferentes tipos de solo e condições de manejo.
“Os canaviais estão cada vez mais expostos a condições extremas, e nossa missão é oferecer soluções que ajudem os produtores a enfrentar essas mudanças com mais segurança. Com o manejo adequado, é possível maximizar o uso de recursos hídricos e do solo, com um ciclo de produção mais sustentável e eficiente”, afirma Maria Leticia Guindalini, Desenvolvimento de Mercado da BASF Soluções para Agricultura.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, manifestou apoio ao projeto de lei 1406/2024, o chamado PL da Reciprocidade, em declaração realizada nesta terça-feira (26). A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, busca impedir que exportações brasileiras sofram prejuízos devido a regras ambientais consideradas rigorosas e desiguais impostas por outros países.
O projeto prevê a não aceitação de acordos internacionais que possam restringir de forma discriminatória o comércio de produtos brasileiros. Segundo Fávaro, o Brasil já adota normas sanitárias e ambientais rígidas, garantindo uma produção de alimentos sustentável e respeitosa ao meio ambiente.
“É muito cabível que a gente possa cobrar a reciprocidade”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que o Brasil está preparado para discutir boas práticas ambientais, rastreabilidade e transparência em seus processos com qualquer país ou bloco comercial. O objetivo é assegurar aos consumidores a qualidade e a sustentabilidade dos produtos brasileiros.
O que diz o PL 1406/2024?
O PL propõe alterações na Lei nº 12.187/2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Entre as mudanças, está a criação do Programa Nacional de Monitoramento da Isonomia Internacional de Políticas Ambientais.
O programa terá como função acompanhar as políticas ambientais de países que mantêm relações comerciais com o Brasil, garantindo isonomia e cobrando a aplicação de práticas sustentáveis globalmente.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (26), um projeto de lei que autoriza o governo federal a conceder crédito para produtores rurais de municípios gaúchos em situação de emergência ou calamidade decretada até 31 de julho.
A matéria vai ao Senado. De autoria do líder do governo, José Guimarães (PT-CE), e do deputado Bohn Gass (PT-RS), o texto teve a relatoria do deputado Luciano Zucco (PL-RS).
A subvenção econômica é oferecida sob a forma de desconto para liquidação ou renegociação de operações de crédito rural de custeio, investimento e industrialização.
A medida é destinada a mutuários cujos empreendimentos tenham sofrido perdas iguais ou superiores a 30%, em decorrência de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.
Está previsto que o Poder Executivo vai instituir uma comissão para analisar os pedidos de desconto das operações contratadas por cooperativas de produção agropecuária ou de mutuários que tenham tido perda igual ou superior a 60%.
O projeto também cria um programa de renegociação de pequenas dívidas de trabalhadores da agricultura familiar, chamado por Bohn Gass de “Desenrola Rural”.
A concessão do desconto para as operações de crédito em situação de inadimplência fica condicionada à liquidação ou à regularização de parcelas vencidas e não pagas relativas ao período anterior a 1º de maio deste ano.