quarta-feira, abril 22, 2026

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Desembolso de crédito rural avança, mas linhas tradicionais perdem espaço


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Foto: Canal Rural

O crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% na comparação com igual período da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura com base no Banco Central.

Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente liberados aos produtores, crescimento de 5% em relação ao ciclo passado.

O principal destaque foi a expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que avançaram 38% e somaram R$ 183,1 bilhões. Considerando esse instrumento junto ao crédito tradicional de custeio, o volume destinado à produção chegou a R$ 303,1 bilhões, alta de 13%.

Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o resultado reflete a resiliência do financiamento agropecuário, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte de produtores e instituições financeiras.

Industrialização avança, mas linhas tradicionais recuam

A análise por finalidade mostra comportamento desigual entre as linhas de crédito.

A industrialização liderou o crescimento, com alta de 74% nas contratações, totalizando R$ 28,1 bilhões, e avanço de 64% nas concessões, que chegaram a R$ 26,4 bilhões.

Por outro lado, as linhas tradicionais registraram retração:

  • Custeio: queda de 11% nas contratações e 15% nas concessões
  • Investimento: recuo de 16% nas contratações e 30% nas concessões
  • Comercialização: baixa de 10% nas contratações e 16% nas concessões

O boletim aponta que a redução no investimento está ligada à cautela do produtor diante das taxas de juros elevadas, em um cenário de expectativa de queda da Selic até o fim de 2026.

Entre os programas, apenas o Prodecoop apresentou crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. O número total de contratos caiu 24%, passando de 534 mil para 408 mil operações.

Na distribuição regional, o Sul segue com o maior número de contratos, enquanto o Sudeste concentra os maiores volumes financeiros.

Fontes de recursos: avanço da LCA

Nas fontes controladas, o crédito somou R$ 106,5 bilhões, queda de 7%. Os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, atingindo R$ 42,8 bilhões.

O destaque foi a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada, que saltou 3.564% e alcançou R$ 26,9 bilhões.

Entre as fontes não controladas, o volume chegou a R$ 97,3 bilhões. A LCA livre somou R$ 47,8 bilhões, enquanto a poupança rural livre atingiu R$ 44,4 bilhões, com alta de 39%.

Execução do Plano Safra ainda tem espaço

Até março, 38% dos recursos equalizáveis do Plano Safra 2025/2026 haviam sido concedidos — R$ 43,4 bilhões de um total programado de R$ 113,4 bilhões.

Por finalidade:

  • Custeio: 39% executado
  • Investimento: 37%
  • Comercialização: 36%

O Banco do Brasil lidera a execução, enquanto cooperativas financeiras como Sicoob e Cresol apresentam níveis elevados de cumprimento das metas, especialmente no custeio.

Ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito já contratado, mas não liberado.

Perspectiva: seletividade e espaço para avançar

O boletim indica que, apesar do crescimento no volume total, o crédito rural passa por um momento de maior seletividade, influenciado pelo ambiente de juros elevados.

Ao mesmo tempo, com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis, há espaço para avanço das contratações até o fim do Plano Safra.

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AgroNewsPolítica & Agro

Milho despenca e dólar acende alerta no mercado


O mercado de milho apresentou recuo nas cotações, influenciado por fatores cambiais, externos e pelo avanço da safra em diferentes regiões produtoras. A análise foi divulgada pela TF Agroeconômica.

Na B3, os contratos futuros fecharam em baixa, pressionados pela queda em Chicago e, principalmente, pela desvalorização do dólar, que atingiu R$ 5,10, o menor patamar desde maio de 2024. O cenário reduz a competitividade das exportações brasileiras. Além disso, o encerramento da colheita de verão e o avanço do plantio da safrinha, com melhora climática em parte das áreas, contribuíram para o movimento de queda.

Os contratos com vencimento em maio, julho e setembro de 2026 registraram perdas tanto no dia quanto na semana, refletindo o ambiente de maior oferta e menor sustentação externa.

No mercado físico, o comportamento segue heterogêneo entre os estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com compradores priorizando estoques próprios. Os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com estabilidade na média estadual. A produção apresenta variações importantes devido à irregularidade das chuvas.

Em Santa Catarina, o mercado também segue travado, com diferença entre pedidas e ofertas limitando os negócios. Enquanto vendedores indicam valores próximos de R$ 75,00, a demanda gira ao redor de R$ 65,00 por saca, mantendo negociações pontuais.

No Paraná, o cenário é semelhante, com baixa fluidez e incertezas relacionadas à segunda safra. O clima irregular, com calor e chuvas mal distribuídas, impacta o potencial produtivo e dificulta o manejo das lavouras, embora ainda haja sustentação parcial nos preços.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca, com negociações pontuais. O setor de bioenergia segue como importante fator de suporte, embora o mercado continue competitivo e com atuação cautelosa dos agentes.

 





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‘Não dá para contar com alta nos preços da soja. É preciso estar sempre atento ao timing de venda’, alerta analista


O mercado de soja vive um momento de contraste. Enquanto a produção brasileira avança para mais um recorde, o ambiente de preços segue desafiador para o produtor. No mais recente episódio do podcast Soja Brasil, o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, traçou um panorama detalhado da safra, do mercado internacional e das perspectivas para comercialização.

Segundo ele, o Brasil caminha para uma produção robusta, mesmo diante de adversidades climáticas em algumas regiões. A estimativa atual gira em torno de 177,7 milhões de toneladas. “Temos uma safra maior do que a de 2025”, afirmou. O desempenho positivo no Centro-Oeste e no Nordeste compensa perdas pontuais, como no Rio Grande do Sul.

No cenário internacional, o principal fator de volatilidade tem sido a geopolítica. As tensões no Oriente Médio impactaram diretamente o petróleo, o que, por consequência, impulsionou os contratos de óleo de soja e trouxe reflexos positivos para a Bolsa de Chicago. Ainda assim, esse movimento não se traduz automaticamente em melhores preços no mercado físico brasileiro.

Isso porque outros fatores entram na conta, como prêmios negativos e excesso de oferta. O Brasil vive um pico de colheita, com grande volume disponível, o que pressiona as cotações internas mesmo diante de momentos de alta na bolsa. “Não apenas o preço em Chicago vai refletir no físico aqui”, destacou.

Rafael chama atenção para um ponto crucial: o produtor precisa avaliar com cautela o custo de segurar a soja. Com juros elevados, armazenar o produto significa abrir mão de rentabilidade e assumir custos adicionais. “É um ano de abundância de oferta. Nesse contexto, esperar por altas expressivas pode ser uma aposta arriscada”, disse.

O câmbio também entra na equação, mas com impacto limitado no cenário atual. Mesmo com oscilações recentes do dólar, o efeito positivo tem sido neutralizado por ajustes nos prêmios e pela grande oferta disponível. “O mercado acaba se ajustando em outras variáveis”, explicou.

No campo da demanda, o crescimento dos biocombustíveis surge como tendência relevante, podendo ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos. Ainda assim, a China segue como principal destino da soja brasileira e deve continuar liderando a demanda global.

Para a próxima safra, o maior desafio apontado é o crédito. O custo de produção segue elevado, e o acesso a financiamento se torna cada vez mais complexo. Isso pode influenciar decisões sobre área plantada e investimentos, além de exigir ainda mais precisão no momento de comercialização. “O produtor não pode errar o timing de venda”, concluiu.

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Trigo emperra e custo do frete dispara alerta



No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais


No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais
No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com movimentações limitadas e preços sustentados por fatores logísticos e sazonais. De acordo com a TF Agroeconômica, o ritmo de negociações permanece lento, refletindo o foco dos produtores em outras culturas e o impacto dos custos de frete.

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, em meio à colheita da soja e à baixa disposição de venda. Moinhos evitam aquisições neste momento, pressionados por fretes elevados, que variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 no interior, conforme qualidade e local de armazenagem. Há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para maio, com pagamento antecipado em abril, enquanto vendedores pedem até R$ 1.350 no interior. O volume segue reduzido. No mercado externo, o trigo argentino deixou de ser ofertado recentemente, embora haja previsão de chegada de carga uruguaia em Porto Alegre. Já o preço ao produtor teve alta de 3,51% em Panambi, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da oferta local, ambos na faixa de R$ 1.300 CIF, ainda que com menor disponibilidade. Os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis na maior parte das praças, com variações pontuais e leve alta em algumas regiões.

No Paraná, as cotações se mantêm firmes, com negócios ao redor de R$ 1.350 CIF moinho. Compradores relatam dificuldade em repassar custos, enquanto vendedores elevam as pedidas para R$ 1.400, sem negócios confirmados nesse patamar. A colheita de soja e milho segue como prioridade dos produtores. A presença de trigo gaúcho e paraguaio, este último com preços ligeiramente inferiores, contribui para limitar avanços mais expressivos. Nesta semana, não houve oferta de trigo argentino, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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Ceagesp: Preços dos alimentos sobem 5,16% em março


Ceagesp
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O índice de preços Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) subiu 5,16% em março em comparação com uma queda de 2,97% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado alta de 3,95%.

O indicador acumula alta de 0,43% no primeiro trimestre de 2026 e de 3,80% nos últimos 12 meses, considerando a cotação de Frutas, Legumes, Verduras, Pescado e Diversos no atacado do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP).

O destaque, conforme a Ceagesp, ficou com o setor de Legumes, que subiu 22,87% ante uma queda de 1,75% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 16,36% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 51,13% no ano e de 5,35% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 66% apresentaram alta de preço.

Em contrapartida, o setor de Pescados, pelo segundo mês consecutivo, apresentou variação negativa de preços.

“O fim do período de defeso para várias espécies nas mais diferentes regiões do País favoreceu o aumento no volume mensal de oferta dos produtos, causando impacto direto no resultado obtido pelo setor nos meses de fevereiro e março”, disse a companhia em comunicado.

O setor de Frutas subiu 3,07% em março ante uma queda de 3,05% no mês anterior. No mesmo mês do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,50% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de -8,49% no ano e de -3,84% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 51% apresentaram alta de preço.

O segmento de Verduras subiu 4,29% ante uma alta de 11,09% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,03% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 37,38% no ano e de menos 6,25% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 74% apresentaram alta de preço.

Já o setor de Diversos subiu 12,77% ante uma alta de 5,98% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 2,93% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de +14,48% no ano e de -12,65% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 82% apresentaram alta de preço.

Por outro lado, o setor de Pescados caiu 0,97% em março ante uma queda de 8,60% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 1,90% e, com o resultado, encerrou o mês com um acumulado de +1,50% no ano e de -0,29% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.

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Sem estratégia de comunicação, agro brasileiro fica vulnerável


Foto mostra o agro brasileiro na mira
Foto gerada por IA para o Canal Rural

Estamos sob investigação dos Estados Unidos por meio do USTR, agência de representação comercial americana, com acusações de práticas comerciais consideradas prejudiciais ao país.

Itens como o “Pix” estão na mira, incluindo comércio digital, entre outros. Porém, dois deles envolvem diretamente o agro brasileiro: o etanol e, de forma mais grave, o tema do “desmatamento ilegal”, que pode ser usado para prejudicar a imagem da agropecuária nacional.

A investigação do governo Trump, se utilizada de forma manipulada em favor da competitividade do agro dos Estados Unidos frente ao brasileiro, pode gerar a percepção de que os produtos nacionais são produzidos à custa da devastação irresponsável das florestas.

Isso levaria ao entendimento de que, ao comprar grãos, carne, frutas, algodão, biocombustíveis, celulose ou café do Brasil, outros países estariam incentivando o desmatamento e contribuindo para danos ambientais e mudanças climáticas globais.

Sabemos que isso não é verdade. O agro brasileiro atende aos mais exigentes padrões internacionais, como demonstram estudos com dados da Serasa Agro, apresentados ao lado de exportadores brasileiros em fóruns globais.

O crime ambiental, no entanto, existe. E, sendo o Brasil hoje o maior concorrente mundial dos Estados Unidos no agro — e vice-versa —, essa investigação ocorre em um momento sensível. Agricultores norte-americanos reclamam dos custos de produção e da preferência da China, principal cliente global, pelos produtos brasileiros. Soma-se a isso o acordo entre União Europeia e Mercosul.

Diante desse cenário, há grande risco de que o tema “desmatamento”, associado à Amazônia — um termo de forte impacto nas discussões ambientais globais —, seja utilizado de forma estratégica para atingir a imagem do agro tropical brasileiro.

A ausência de um planejamento estratégico de comunicação do Brasil com outras nações — que vá além da diplomacia e das tradings, ultrapassando o ambiente business to business — nos deixa vulneráveis. É preciso comunicar diretamente com as sociedades e os consumidores finais, que muitas vezes consomem produtos brasileiros já processados por indústrias locais.

Sem isso, ficamos expostos à desinformação, à má informação e às fake news.

O agro brasileiro é líder global em diversas categorias, tendo os Estados Unidos como principal concorrente. E podemos, sim, ser alvo de ataques. Hoje, esse concorrente é comandado por um perfil agressivo de vendas, que domina como poucos o uso das mídias — inclusive para defender seus próprios interesses.

Sem uma estratégia global, apoiada por mídias sérias e de reputação sólida, permanecemos vulneráveis. O desmatamento ilegal deve ser combatido com tolerância zero. Mas a comunicação do agro legal brasileiro precisa ser feita com urgência, em escala global.

Ao ilegal, a lei. Ao legal, comunicação urgente.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Diesel e gasolina puxam alta da inflação em março


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,88%. Resultado foi 0,18 ponto percentual (p.p) mais alto que em fevereiro, quando foi registrado 0,70%. O avanço foi puxado pelos preços dos grupos transportes e alimentação e bebidas. Juntos responderam por 76% do IPCA do mês.

No ano, o IPCA acumula avanço de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%. O percentual está acima dos 3,81% atingidos nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março do ano passado, o IPCA registrou 0,56%.

Os dados do indicador foram divulgados nesta sexta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento de 4,59% na gasolina foi o fator mais relevante para o desempenho dos preços dos transportes, o que provocou impacto de 0,23 p.p. na inflação do mês. A passagem aérea (6,08%) e o diesel (13,90%), também pesaram apesar de menor influência no índice geral.

As maiores altas em alimentação e bebidas, ficaram com os subitens Leite longa vida (11,74%) e Tomate (20,31%), que representam respectivamente impactos de 0,07 e 0,05 p.p. sobre o IPCA do mês. Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais do IPCA de março (0,88%).

Conforme o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços do IPCA apresentaram elevações em março. O mais significativo (1,64%) foi o de transportes, tendo na sequência o de alimentação e bebidas (1,56%). Os outros avanços “oscilaram entre 0,02%, em educação e 0,65%, em despesas pessoais”.

Para o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível verificar o efeito das incertezas no cenário internacional em alguns subitens, principalmente nos combustíveis. O gerente destacou ainda que “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”

O IPCA aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos.

INPC
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) alcançou 0,91% em março. Com isso, ficou 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%. O percentual ultrapassa os 3,36% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC havia chegado a 0,51%.

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Exportações de ovos despencam em março e atingem menor volume desde 2024


Exportações de ovos crescem 39,7% em setembro e acumulam mais de 34 mil toneladas no ano, diz ABPA. Foto: Pixabay.
Exportações de ovos crescem 39,7% em setembro e acumulam mais de 34 mil toneladas no ano, diz ABPA. Foto: Pixabay.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, pressionadas pela menor demanda dos principais parceiros comerciais.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, o Brasil embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês. O volume é o menor desde dezembro de 2024.

Na comparação mensal, houve queda de 36% em relação a fevereiro. Já frente a março do ano passado, o recuo é ainda mais expressivo, com o volume atual representando cerca da metade das 3,77 mil toneladas exportadas naquele período.

O enfraquecimento das vendas externas também impactou a receita. Em março, o faturamento somou US$ 4,53 milhões, queda de 27% na comparação com fevereiro e de 48% frente ao mesmo mês de 2025.

Segundo o Cepea, a redução da demanda internacional tem sido o principal fator por trás do desempenho mais fraco das exportações, limitando o ritmo dos embarques brasileiros.

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Apesar de exportações recordes, preços do frango caem no mercado interno


carne de frango
Foto: Motion Array

As exportações brasileiras de carne de frango atingiram nível recorde no primeiro trimestre de 2026, mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas.

Entre janeiro e março, o Brasil embarcou 1,45 milhão de toneladas da proteína, maior volume já registrado para o período. O resultado supera em 0,7% o recorde anterior, de 1,44 milhão de toneladas, alcançado no mesmo intervalo de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Cepea.

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O desempenho chama atenção do setor, já que o início do ano costuma apresentar demanda internacional mais fraca. Tradicionalmente, as exportações ganham ritmo principalmente no segundo semestre.

Em março, o mercado também operou sob cautela, com agentes atentos aos possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre o comércio global. Ainda assim, os embarques se mantiveram elevados.

Apesar do avanço nas exportações, os preços da carne de frango no mercado interno recuaram ao longo de março. De acordo com o Cepea, o bom desempenho das vendas externas não foi suficiente para sustentar as cotações no período.

Em abril, no entanto, o cenário começou a mudar. O Cepea já identifica aumento nos preços de negociação, impulsionado principalmente pelo reajuste dos fretes, influenciado pela alta dos combustíveis, e pelo aquecimento típico da demanda no início do mês.

Com isso, os valores voltaram a se aproximar dos níveis observados em fevereiro, indicando recuperação no mercado interno.

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AgroNewsPolítica & Agro

O que está por trás da virada nos preços do açúcar



O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio


O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio
O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio – Foto: Pixabay

A evolução recente das vendas no setor açucareiro indica uma mudança no equilíbrio de mercado e pode influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses. O avanço nas fixações contribui para reduzir pressões que vinham limitando movimentos mais consistentes de valorização.

No Centro-Sul, os produtores entraram na safra 2026/27 em condição mais ajustada após intensificarem as fixações ao longo de março. Segundo a StoneX, o percentual vendido saltou de 41,8% para 59,5%, diminuindo a diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando o índice estava em 68,7%. A defasagem, que já chegou a 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.

O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio, que levaram à redução de posições vendidas por agentes especulativos. Ao mesmo tempo, produtores aproveitaram a janela de liquidez para avançar nas vendas, o que ajudou a conter uma alta mais acentuada das cotações.

Esse movimento, embora tenha limitado ganhos no curto prazo, altera a dinâmica do mercado. A recomposição das fixações reduz a pressão vendedora que atuava como barreira informal às altas, criando um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda.

“O mercado passa a operar em uma condição mais equilibrada, com menor resistência do lado produtor a movimentos de alta”, avalia a consultora em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Nathalia Bruni. “Se os fundamentos encontrarem um novo gatilho de alta, a resistência do lado produtor tende a ser menor do que foi observado anteriormente”, completa.

 





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