O Conselho de Administração da Petrobras decidiu, nesta segunda-feira (13), pela retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, sediada em Três Lagoas (MS).
A implantação da unidade já havia sido aprovada pelo conselho em outubro de 2024, dentro Plano de Negócios 2026-2030. Para a conclusão do projeto, é estimado investimento de cerca de US$ 1 bilhão.
A ideia é que as obras sejam retomadas ainda no primeiro semestre deste ano e que a unidade entre em operação comercial em 2029.
Paralisada desde 2015, a implantação da unidade voltou a ser avaliada a partir de 2023, quando a Petrobras decidiu retornar ao segmento de fertilizantes.
Unidade
O projeto prevê a produção de aproximadamente 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas são excedentes e disponíveis para a comercialização.
A produção será destinada majoritariamente aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, principais produtores agropecuários do país.
A amônia é matéria-prima para os setores de fertilizantes e petroquímico. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais demandado no Brasil, com consumo nacional na ordem de 8 milhões de toneladas por ano.
O agronegócio utiliza do produto nas plantações de milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de aplicação como suplemento alimentar para ruminantes.
A terça-feira (14) será marcada por contrastes climáticos no Brasil, com áreas de instabilidade concentradas principalmente no Norte, Nordeste e parte do Sul, enquanto o tempo firme predomina em boa parte do Sudeste e Centro-Oeste.
Confora como fica a previsão do tempo para todo o Brasil, de acordo com a análise da Climatempo.
Sul: temporais e ventos fortes no Rio Grande do Sul
O dia começa com chuva fraca no litoral do Paraná e de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, há instabilidade já pela manhã, especialmente no sul e na Campanha. Ao longo do dia, o cenário se intensifica.
Áreas do oeste e sudoeste gaúcho podem registrar pancadas fortes e temporais, influenciadas por sistemas como baixa pressão e transporte de umidade. As rajadas de vento podem chegar a 70 km/h no litoral gaúcho.
Nas demais áreas da região, o sol aparece entre nuvens e as temperaturas sobem.
Sudeste: calor e ar seco dominam
A chuva aparece de forma mais localizada. Há previsão de precipitação no litoral sul de São Paulo pela manhã e, ao longo do dia, no Espírito Santo e em partes de Minas Gerais.
Mesmo assim, a maior parte da região segue com tempo firme, devido à atuação de um sistema de alta pressão.
O destaque fica para o calor:
Interior de São Paulo e Minas terão temperaturas mais elevadas
A umidade do ar pode ficar abaixo de 30%, exigindo atenção
Centro-Oeste: pancadas isoladas e calor
Mato Grosso concentra as principais instabilidades do dia. Chove desde cedo em áreas do oeste e norte, com trovoadas. Durante a tarde, a chuva se espalha e pode ganhar força em parte do estado.
Já em Goiás e grande parte de Mato Grosso do Sul, o tempo firme predomina, com calor. Rajadas de vento podem atingir até 50 km/h em MS.
Nordeste: risco de temporais no litoral e no norte
A chuva se concentra no litoral e no norte da região. No litoral da Bahia, há pancadas fortes desde cedo.
Entre o Maranhão, Piauí e Ceará, o alerta é maior: há risco de temporais ao longo do dia, com aumento das instabilidades.
Outras áreas do Nordeste também registram chuva, mas de forma mais isolada. O calor predomina na maior parte da região.
Norte: chuva forte e sensação de abafamento
A instabilidade segue intensa. Estados como Amazonas, Pará, Amapá e Roraima têm previsão de chuvas fortes e temporais.
No norte do Pará, sul de Roraima e Amapá, o risco é mais elevado. Rondônia e Tocantins também registram pancadas, mas de forma mais irregular. A sensação de abafamento continua em toda a região.
No morning call desta terça-feira (14), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que, apesar da tensão no Oriente Médio, os mercados passaram a reagir mais à chance de negociação do que ao risco bruto. O petróleo ficou abaixo de US$ 100, bolsas de NY subiram e o dólar perdeu força. No Brasil, o dólar rompeu R$ 5 e o Ibovespa renovou máxima histórica aos 198 mil pontos, com fluxo estrangeiro e queda dos juros longos.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
O Emater/RS-Ascar informou, em boletim divulgado na quinta-feira (9), que a colheita do arroz no Rio Grande do Sul alcança cerca de 70% da área cultivada. Segundo o levantamento, “as operações de colheita foram intensificadas e abrangem aproximadamente 70% da área cultivada”, favorecidas por condições climáticas com períodos de tempo firme intercalados com chuvas de baixa intensidade.
De acordo com o informativo, as lavouras avançam para a fase final do ciclo, com áreas remanescentes em maturação e uma pequena parcela ainda em enchimento de grãos. “A colheita se estenderá até próximo ao final do mês de abril”, aponta o relatório. A área cultivada no estado soma 891.908 hectares, conforme dados do IRGA, com produtividade projetada em 8.744 kg por hectare.
O boletim destaca que, de modo geral, os resultados refletem condições favoráveis ao longo do ciclo, como radiação solar e manejo hídrico adequados. Ainda assim, foram registradas variações relacionadas à logística de recebimento e à qualidade final do produto, especialmente quanto à presença de impurezas e ao rendimento industrial.
Na região de Bagé, a colheita avançou mesmo com chuvas isoladas. Em Alegrete, 75% da área já foi colhida, enquanto Uruguaiana registra 70%. Em São Borja, o índice chega a 45%, com produtividade em torno de 9.000 kg por hectare. Em São Gabriel, cerca de 70% da área foi colhida. Já em Dom Pedrito, o excesso de umidade em março provocou atraso relativo e colheita com maior teor de umidade, além de aumento de impurezas.
Na região de Pelotas, a colheita atinge 64% da área, com lavouras remanescentes majoritariamente maduras. Em Santa Maria, os trabalhos superam 60% da área, com produtividades acima de 8.000 kg por hectare e picos de 9.000 kg. Em Santa Rosa, a colheita foi concluída em Garruchos, com rendimento médio próximo de 9.000 kg por hectare. Na região de Soledade, os cultivos seguem com desempenho produtivo consistente, com parte das áreas ainda em diferentes estágios de desenvolvimento.
Ele está nas mesas dos lares ou escritórios, balcões de padarias, bares, restaurantes, eventos e em muitos outros lugares. Tem gente que não vive sem. A verdade é que o café é uma bebeida democrática, apesar de estar mais cara. Além de entregar sabor e energia, o café tem sua importância e história consolidadas no agro brasileiro. Nesta terça-feira (14), Dia Mundial do Café, uma das bebidas mais queridas do Brasil coloca a Bahia em destaque na produção nacional, com uma previsão de colher 227,9 mil toneladas do grão em 2026.
De acordo com estimativa do IBGE, o estado responderá por 5,9% da produção nacional, que deve somar 3,848 milhões de toneladas. A produção baiana só deve ser menor do que as de Minas Gerais (1,944 milhão de toneladas), Espírito Santo (1,066 milhão) e São Paulo (320,2 mil toneladas).
No entanto, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e a Produção Agrícola Municipal (PAM) mostram que, em comparação com 2025, quando a Bahia produziu 261,6 mil toneladas, deve haver uma queda de 12,9% no volume colhido no estado.
Ainda assim, a cafeicultura segue como um dos principais segmentos do agronegócio baiano. Nos últimos dez anos, desde 2016, o café canephora — predominante na Bahia — cresceu em relevância e deve representar, em 2026, seis em cada dez toneladas do total colhido: 58,4% ou 133.055 toneladas.
O café arábica, por sua vez, tem estimativa de produção de 94.800 toneladas neste ano, o equivalente a 41,6% do total.
Maiores produtores do estado
Os municípios de Itamaraju (26,1 mil toneladas), Prado (22,7 mil toneladas), Barra da Estiva (15,6 mil toneladas), Porto Seguro (15,0 mil toneladas) e Barra do Choça (14,9 mil toneladas) foram, em 2024, os maiores produtores de café da Bahia. Itamaraju detém a 15ª maior produção municipal do Brasil.
Na zona rural de Ituaçu — município que faz divisa com Barra da Estiva —, o cafeicultor Humberto Caires, de 54 anos, falou com orgulho da herança de trabalho no campo que recebeu dos pais.
Ele contou que, desde criança, vive a agricultura e cultiva atualmente café arábica em cerca de 10 hectares.
“O sentimento de trabalhar com café é um prazer enorme, ainda mais sabendo que veio de minhas gerações passadas”, disse. A produção é vendida na região e, quando o clima favorece a produtividade, o produto alcança outros lugares do estado.
Humberto Caires, cafeicultor de Ituaçu (BA) | Foto: Arquivo pessoal
Em Itamaraju, Prado e Porto Seguro, a produção investigada foi inteiramente de café canephora. Já em Barra da Estiva e Barra do Choça, foi de café arábica;
Valor para agricultura
O café gerou o quarto maior valor da agricultura baiana em 2024, entre os 64 produtos investigados pelo IBGE no estado: R$ 4,023 bilhões. O montante representa 8,5% do valor agrícola total daquele ano, que somou R$ 47,347 bilhões.
Na Bahia, o valor da cafeicultura foi inferior apenas aos gerados pela soja (R$ 14,433 bilhões), pelo cacau (R$ 6,519 bilhões) e pelo algodão herbáceo (R$ 6,443 bilhões).
O valor gerado pelo café no estado aumentou 47,7% entre 2023 e 2024 (um acréscimo de R$ 1,3 bilhão*) e foi o maior desde o início do Plano Real, em 1994. Esta foi a quinta alta anual consecutiva do valor da cafeicultura na Bahia.
Preço e Inflação
O que também subiu em 2024 foi o preço para o consumidor. O café moído foi um dos principais “vilões” da inflação oficial na Região Metropolitana de Salvador nos últimos dois anos.
Em 2024, o item registrou aumento de 42,68%, a maior alta entre todos os cerca de 200 produtos e serviços pesquisados para o cálculo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Em 2025, o preço subiu ainda mais: 42,91%, a segunda maior alta entre todos os itens pesquisados.
Já no primeiro trimestre de 2026, de acordo com a prévia da inflação de março, medida pelo IPCA-15, o preço do café apresenta uma leve queda acumulada de -1,03% na RM Salvador.
A Embrapa, em parceria com a Unipasto, lançou a BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens. A nova forrageira chega ao mercado com foco em aumento de produtividade, adaptação ao Cerrado e melhor desempenho em sistemas integrados.
Recomendada para solos de baixa fertilidade, a cultivar se destaca pela produção de até 16 toneladas de matéria seca por hectare ao ano, além de maior proporção de folhas — parte mais nutritiva para o gado. Outro diferencial é a tolerância a solos ácidos e pobres em fósforo, característica importante para áreas extensivas.
Segundo a Embrapa, a BRS Carinás também apresenta maior capacidade de suporte animal e ganho de peso por área, superando a tradicional cultivar Basilisk, conhecida como braquiarinha. A nova opção surge como alternativa para diversificação de pastagens, especialmente em regiões com limitações de solo.
De acordo com o pesquisador Sanzio Barrios, da Embrapa Gado de Corte, a cultivar tem bom desempenho durante o período seco. “Ela pode ser vedada no fim do verão e utilizada estrategicamente na seca, garantindo oferta de forragem em um momento crítico”, explica.
Mais produção e eficiência no campo
Ensaios indicam que a BRS Carinás produz cerca de 18% mais forragem durante a estação chuvosa. Quando vedada para uso na seca, pode oferecer até 40% mais massa de forragem em comparação à Basilisk, com predominância de material vivo, o que melhora a qualidade da dieta animal.
Na prática, isso se traduz em maior produtividade: testes com bovinos de corte apontam ganho de peso por hectare cerca de 12% superior em relação à braquiarinha, mantendo o mesmo manejo.
Outro ponto positivo é o porte mais ereto e a resistência ao acamamento, mesmo em áreas vedadas, o que facilita o manejo e reduz perdas.
Destaque para integração lavoura-pecuária
A nova cultivar também se mostra promissora em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Em consórcio com milho, não houve impacto na produtividade da lavoura, enquanto a forrageira se estabeleceu de forma eficiente.
Na entressafra, a produção de forragem pode ser até 70% superior à de espécies tradicionalmente usadas nesses sistemas, garantindo mais alimento para o gado e melhor cobertura do solo. Além disso, a rápida rebrota e o alto volume de palhada favorecem o plantio direto e a conservação do solo.
Outro benefício está na ciclagem de nutrientes. Em consórcio com soja, a decomposição da palhada pode gerar economia significativa com fertilizantes, contribuindo para redução de custos na propriedade.
Potencial de expansão
Até então, a Basilisk era a única cultivar da espécie disponível no Brasil, com uso limitado por sua baixa resistência a pragas como cigarrinhas. Apesar disso, ainda figura entre as mais plantadas no país.
Com a BRS Carinás, a expectativa da Embrapa é atender à demanda por sistemas mais produtivos e sustentáveis, além de ampliar o uso da espécie em novas regiões. A cultivar também tem potencial para expansão em outros biomas brasileiros e países da América Latina com sistemas baseados em braquiárias.
A nova forrageira chega como mais uma ferramenta para intensificação da pecuária, com foco em eficiência produtiva e melhor aproveitamento das áreas de pastagem.
Em contagem regressiva: falta um mês para a Wine South America 2026, que acontece de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), na Serra Gaúcha, maior polo produtor de vinhos do Brasil. Consolidada como uma plataforma de negócios do setor vitivinícola na América Latina, a feira reunirá mais de 400 marcas nacionais e internacionais, com rótulos de mais de 20 países.
Ao longo de três dias, o evento deve concentrar milhares de conexões comerciais e reforçar seu papel como hub de negócios do vinho, reunindo produtores, compradores e especialistas em um ambiente voltado à geração de oportunidades e à troca de conhecimento. Tudo isso em um destino enoturístico que permite que compradores visitem in loco vinícolas e produtores, ampliando conexões e facilitando a geração de negócios.
A presença internacional cresce nesta edição, com países como Itália, Portugal, França, Espanha, Chile e Argentina, além de estreias como Nova Zelândia e Alemanha, ampliando a diversidade de origens e reforçando o interesse global pelo mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, a feira evidencia a evolução da vitivinicultura nacional, reunindo vinícolas de diferentes regiões do país: além da Serra Gaúcha, ganham espaço novos terroirs como Santa Catarina, Bahia, Goiás, Espírito Santo e Pernambuco, refletindo a expansão e a diversidade do vinho brasileiro.
O credenciamento para a WSA 2026 está disponível no site da feira, bem como a programação completa.
O mercado brasileiro de milho atravessa um período de estabilidade relativa, com as cotações oscilando próximas de R$ 69,00 por saca de 60 kg ao longo de quase todo o mês de abril de 2026. Apesar da aparente constância, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Esalq/USP, identificaram pequenas retrações nos preços internos nos últimos dias, resultado de uma combinação de fatores que afeta tanto o lado da oferta quanto o da demanda.
Do lado dos compradores, a postura dominante foi de prudência. Muitos agentes se mantiveram à margem das negociações, declarando dispor de estoques suficientes para o curto prazo e preferindo aguardar até que as cotações apresentem recuos mais relevantes antes de retomar as compras. Essa expectativa de queda adicional reduziu o volume de negócios e contribuiu para o enfraquecimento da demanda no período, segundo dados divulgados pelo Cepea.
Vendedores, atentos à demanda enfraquecida, chegaram a reduzir os valores ofertados em alguns momentos — sinal claro de que o poder de barganha se deslocou para o lado dos compradores.
Já os vendedores, pressionados pela menor liquidez do mercado, adotaram uma postura mais ativa nas negociações. Conforme dados do Cepea, houve momentos em que esses agentes reduziram os valores ofertados na tentativa de fechar negócios, refletindo a assimetria de forças vigente. A disposição para ceder nas cotações indica que, ao menos no curto prazo, os vendedores preferem garantir o escoamento do produto a esperar por uma eventual recuperação dos preços.
Entre os fatores estruturais que explicam esse movimento, o Cepea aponta em primeiro lugar a queda do câmbio, que diminuiu a paridade de exportação do cereal. Com um real mais valorizado frente ao dólar, o milho brasileiro perde competitividade no mercado externo, o que redireciona parte da oferta para o mercado doméstico e, consequentemente, aumenta a pressão baixista sobre os preços internos.
A isso se somam o avanço da colheita da safra verão e o retorno das chuvas nas principais regiões produtoras de segunda safra. A normalização hídrica favorece o desenvolvimento das lavouras e melhora as perspectivas de produção para os próximos meses. Para os agentes de mercado, esse cenário reforça a expectativa de oferta mais abundante à frente, o que justifica a cautela nas compras e a relutância em pagar prêmios sobre os preços atuais.
A colheita do feijão da primeira safra está praticamente concluída no Rio Grande do Sul, alcançando 97% da área cultivada, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (9). As áreas restantes concentram-se em regiões de maior altitude, onde o plantio ocorreu de forma mais tardia.
De acordo com o levantamento, nessas localidades o desempenho produtivo foi impactado por condições climáticas menos favoráveis registradas entre janeiro e fevereiro, período que coincidiu com a fase reprodutiva da cultura. Nas demais regiões, onde o plantio foi realizado mais cedo, as lavouras mantiveram o potencial produtivo inicialmente esperado. A projeção indica uma área de 23.029 hectares, com produtividade média estimada em 1.781 kg/ha.
Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a colheita atinge 70% da área e deve ser finalizada na primeira quinzena de abril. Nessa área, a produtividade média está em torno de 1.200 kg/ha, abaixo da expectativa inicial de 2.400 kg/ha.
Em relação à segunda safra, o avanço da cultura ocorre dentro do esperado, com 13% da área colhida e 18% em fase de maturação. A maior parte das lavouras encontra-se em estádios reprodutivos, enquanto áreas mais tardias ainda estão em desenvolvimento vegetativo. As condições de umidade do solo, mesmo com chuvas irregulares, têm sustentado o desenvolvimento das plantas e favorecido a formação de vagens e o enchimento de grãos.
O informativo aponta que o estado fitossanitário das lavouras é considerado adequado, com aplicações em andamento para o controle de pragas e doenças. Na região de Ijuí, as lavouras apresentam bom desenvolvimento e baixa incidência de problemas fitossanitários, enquanto em Santa Maria cerca de 25% da área já foi colhida, com rendimentos próximos às estimativas iniciais.
Na região de Soledade, o desempenho das lavouras é sustentado pela combinação de temperaturas elevadas e disponibilidade hídrica no solo, com a maior parte das áreas concentrada nas fases de florescimento e enchimento de grãos.
O agronegócio paulista registrou superávit de US$ 4,49 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O resultado foi impulsionado por exportações de US$ 6,03 bilhões, frente a importações de US$ 1,54 bilhão. No período, o setor respondeu por 38,5% das exportações totais do estado, enquanto as importações representaram 7,4%. O desempenho ocorre em um contexto de déficit na balança comercial geral paulista, que apresentou saldo negativo de US$ 5,24 bilhões no mesmo intervalo.
De acordo com a análise, as exportações para o Oriente Médio recuaram em março, com queda de 17,5% na comparação anual, enquanto as vendas ao Irã diminuíram 8,5% no acumulado do trimestre. A retração está associada às tensões geopolíticas na região. Ainda assim, o relatório aponta que os impactos foram pontuais e não comprometeram o resultado geral do setor.
Entre os principais segmentos exportadores, o complexo sucroalcooleiro liderou com 25,6% das vendas externas, somando US$ 1,5 bilhão. Na sequência aparecem carnes, produtos florestais, sucos e o complexo soja, que juntos concentraram a maior parte da pauta exportadora. O café ocupou a sexta posição, com participação de 6,9% e receitas de US$ 418 milhões.
As variações em relação ao mesmo período do ano anterior indicaram aumento nas exportações de produtos florestais e carnes, enquanto setores como sucos, soja, sucroalcooleiro e café registraram queda. Segundo o levantamento, essas oscilações refletem mudanças nos preços e nos volumes embarcados.
A China manteve-se como principal destino das exportações do agronegócio paulista, com 23,6% de participação, seguida pela União Europeia, com 15,8%, e pelos Estados Unidos, com 9,4%.
O diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Carlos Nabil Ghobril, destacou mudanças no destino das exportações de açúcar. “No ano passado, a China liderava como principal importadora. Já neste primeiro trimestre, o país não aparece nem entre os cinco maiores destinos. Em contraste, a Índia, que também é uma grande produtora e, em alguns momentos, rivaliza com o Brasil, assumiu a liderança como principal importadora. Assim, o principal destino das nossas exportações de açúcar alcooleiro passou a ser a Índia. Esse movimento evidencia uma mudança relevante nos mercados compradores desse que é um dos nossos principais produtos”.
No cenário nacional, São Paulo ocupa a segunda posição no ranking de exportações do agronegócio, com 15,8% de participação, atrás de Mato Grosso, que lidera com 20,9%. A análise da balança comercial é elaborada por pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à secretaria estadual.