quinta-feira, abril 23, 2026

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Colheita de soja avança no Paraná e se aproxima da reta final, aponta Deral


colheita soja Bahia
Colheita de soja. Foto: Agência Marca Studio Criativo

A colheita da safra de soja 2025/26 alcançou 96% da área estimada no Paraná até a última segunda-feira (7), segundo boletim divulgado nesta terça-feira (8) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado.

De forma geral, a safra apresenta resultados positivos, embora com variações importantes de produtividade entre as regiões. De acordo com o levantamento, 84% das lavouras estão em boas condições, 14% em situação considerada média e apenas 2% classificadas como ruins.

Em relação ao estágio de desenvolvimento, 97% das áreas estão em fase de maturação, enquanto 3% ainda se encontram em frutificação. Apesar do cenário favorável na maior parte do estado, o Deral destaca que, em diversas regiões, a produtividade ficou abaixo do inicialmente projetado, especialmente nas áreas mais afetadas pela estiagem.

Milho

No caso da safra de verão de milho 2025/26, a colheita já está em fase final ou concluída na maior parte das regiões paranaenses. O desempenho, segundo o órgão, é positivo, com boas produtividades registradas. Até o momento, 94% da área foi colhida, com 93% das lavouras em boas condições e 7% em situação média. Todas as áreas já atingiram a fase de maturação.

Já a segunda safra de milho teve o plantio finalizado em todo o estado. O desenvolvimento inicial das lavouras foi favorecido pelas chuvas em algumas regiões, mas há registro de irregularidade hídrica e altas temperaturas em outras áreas, o que tem provocado perdas pontuais e reduzido o potencial produtivo.

A semeadura da safrinha atingiu 100% da área prevista, com 85% das lavouras em boas condições, 11% em situação média e 4% avaliadas como ruins. Em termos de estágio de desenvolvimento, 4% das áreas estão em germinação, 69% em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração e 4% em frutificação.

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Tecnologias e diversificação de culturas melhoram produção em solos arenosos


A Embrapa fez parte, mais uma vez, da Expocanas 2026, em Nova Alvorada do Sul, MS, com estande e quatro estações demonstrativas com cana-de-açúcar, amendoim, milheto, milho safrinha e sorgo granífero nos dias 25, 26 e 27 de março com atendimento ao público. No último dia, também foi realizada a abertura da Jornada Técnica “Diversificação de Culturas em Solos Arenosos”. A abertura foi realizada pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, Auro Akio Otsubo, em nome do chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Harley Nonato de Oliveira, e pelo presidente do Sindicato Rural de Nova Alvorada do Sul, Leandro Lyrio.

A primeira palestra foi proferida por Rogério Hidalgo Barbosa, consultor da Plantec/Amendoglória, sobre o tema “Potencialidades do amendoim como cultura de verão para ambientes restritivos à soja”. Ele fez o relato do projeto piloto da instituição com amendoim na Safra 2021/2022, 21 hectares. Segundo ele, os experimentos têm sido desenvolvidos com objetivo de elucidar dúvidas entre os próprios pesquisadores da empresa. Apesar de os dados não serem resultados científicos, eles conseguiram resultados promissores no campo, que mostram que o amendoim têm resultados muito bons em locais que a soja não vai tão bem devido a limitações físicas, biológicas, químicas e/ou climáticas, em solos com baixa retenção de água e baixa fertilidade. “É melhor abrir com amendoim do que em soja. E o amendoim é uma alternativa boa para a trabalhar a rotação de cultura”, afirmou.

Barbosa ainda ressaltou que o manejo básico em solos arenosos, com correção bem feita das áreas, rotação de culturas, já contribui para o aumento do teor de matéria orgânica. O consultor disse que tem observado que a cultura do amendoim pode proporcionar mais estabilidade de produção do que a cultura da soja, com vários benefícios como a quebra do ciclo de pragas e doenças e fixação de nitrogênio.

Em experimentos em áreas de solos arenosos de soja em Nova Alvorada do Sul, MS, o plantio da soja precisa ser realizado em novembro e dezembro para ter menor risco de perda da cultura, o que inviabiliza o plantio de segunda safra. “Existe maior risco de perda de soja do que de amendoim. A soja tem plantio tardio, o que faz ser perdida a janela de segunda safra tanto do milho quanto do sorgo. Já com amendoim não se perde a janela do plantio de segunda safra”.  Segundo o consultor, a empresa ainda não teve a oportunidade de realizar experimentos em usinas em áreas de renovação do canavial. “Mas podem confiar. Conseguimos, com certeza, entrar sem prejudicar a cana”, garante Barbosa.  

A segunda apresentação foi da MS Grãos Nuts, com o sócio diretor José Antônio Cogo Junior, e o técnico agrícola Diego da Cunha Almeida, sobre “Programa de fomento e aquisição de amendoim para fins industriais”. Cogo Junior afirmou que a empresa beneficia e comercializa o amendoim em Mato Grosso do Sul e conseguem “absorver toda a cadeia do amendoim do estado”.

Em seguida, Almeida contou que trabalha há 24 anos no setor de cana e, atualmente, trabalha com amendoim na região de Rio Brilhante. De acordo com ele, a perspectiva é de realizar reforma dos canaviais e colocar 100% de amendoim no sistema. “A Embrapa contribui muito com os nossos trabalhos, interpretando os dados, para ter o máximo de informação possível pra gente fazer e falar a coisa certa. Neste ano, já colhemos praticamente 60% da safra”.

O técnico agrícola disse que a cultura exige cuidado, porém é fácil de ser manejada, desde que o manejo seja feito preventivamente. “Se esperar a doença aparecer para fazer aplicação, vai perder a cultura. O produtor tem mania de trabalhar corretivamente em tudo. Tudo tem que ser trabalhado preventivamente. E tem que haver planejamento. A ideia é ajudar o produtor a saber produzir, e a gente faz o beneficiamento”, concluiu.

Soja em solos arenosos

Para falar sobre “Sistemas de produção de soja em solos arenosos e de baixa altitude”, o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste, começou a palestra fazendo uma retrospectiva do sistema de produção soja/milho, sucessão de culturas consolidadas no Brasil. “Esse modelo não é o ideal para todos os ambientes de produção no País, como é o caso de áreas predominantemente de solos arenosos”.

Em Mato Grosso do Sul, o pesquisador disse que a soja continua com cenário de crescimento contínuo e que o milho está estabilizado. A sucessão veio diminuindo, em áreas mais fracas e áreas mais favoráveis está aumentando a diversificação.

Garcia afirmou que é possível ter um bom sistema de produção por meio de um manejo bem realizado com a construção de solo, resultando em maior capacidade de produção de raízes mais profundas, melhorando a condição de armazenamento de água no solo. “O Centro-Sul de MS possui um cenário desafiador na distribuição de chuvas, com instabilidade da precipitação, o que acarreta também a oscilação da produtividade da soja”, explicou o pesquisador.

O pesquisador lembrou que o produtor rural busca como resultado final o potencial produtivo da cultura, mas ele ressaltou também que uma planta sob estresse hídrico e/ou térmico acaba tendo redução na taxa fotossintética e a planta diminui a atividade com maior dificuldade em acumular carbono e produção de massa. “Por isso, a construção do ambiente de produção é muito importante”.

O objetivo maior é sempre potencializar a soja. A safrinha foi pensada para melhorar o sistema de produção e refletir diretamente no desempenho da cultura principal. Segundo Garcia, o aumento da matéria orgânica do solo é fundamental nesse processo, especialmente em solos arenosos, que naturalmente armazenam menos água. “Quando se eleva a matéria orgânica, é possível aumentar a retenção de água e criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das plantas, inclusive em condições de estresse climático”, destaca.

O pesquisador também ressalta a importância do manejo adequado diante de desafios como altas temperaturas e ondas de calor, comuns no período de plantio na região. A adoção de plantas de cobertura e a formação de palhada contribuem para reduzir a temperatura do solo, melhorar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e auxiliar no controle de nematoides. Resultados de campo em municípios como Naviraí e Nova Alvorada do Sul demonstram ganhos expressivos de produtividade e aumento da matéria orgânica ao longo das safras, reforçando que sistemas bem manejados são mais resilientes, produtivos e até mais eficientes na geração de créditos de carbono.

Sorgo e Milheto na Safrinha

O uso de sorgo e milheto graníferos tem ganhado espaço como alternativa estratégica para a segunda safra, especialmente em áreas de solos arenosos e de menor altitude. Segundo o pesquisador Cícero Beserra Menezes, da Embrapa Milho e Sorgo, em sua palestra intitulada “Sorgo e milheto graníferos como culturas de segunda safra em solos arenosos e de baixa altitude”, a expansão dessas culturas nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento da demanda de mercado e à maior segurança produtiva em condições climáticas adversas. O sorgo granífero, por exemplo, apresenta produtividade média nacional de cerca de 3.600 kg/ha, com destaque para estados como Goiás e Minas Gerais, enquanto Mato Grosso do Sul ainda apresenta variações de área plantada.

Além da adaptação a cenários de risco climático, sorgo e milheto se destacam pelo desempenho agronômico e nutricional. Ambos possuem maior teor de proteína que o milho e valor energético próximo, sendo amplamente utilizados na alimentação animal. “O milheto é campeão em resiliência, o sorgo é especialista em eficiência hídrica e o milho se destaca em produtividade em condições ideais”, resume o pesquisador. Com sistemas radiculares mais profundos, especialmente no caso do milheto, essas culturas conseguem explorar melhor água e nutrientes no solo, contribuindo também para a reciclagem de nutrientes e a melhoria do sistema produtivo.

O manejo adequado, no entanto, é fundamental para garantir bons resultados e evitar impactos na cultura seguinte, como a soja. A adubação, especialmente com nitrogênio, é indispensável, assim como o monitoramento de pragas, com destaque para o pulgão do sorgo, e a adoção de práticas preventivas no controle de doenças. “Doença e pragas são questões preventivas. Não pode esperar aparecer”, enfatizou Menezes.  Apesar de possuir efeito alelopático, o sorgo não prejudica a soja quando manejado corretamente. O pesquisador reforçou que o sorgo representa uma opção de segurança produtiva, enquanto o milheto se destaca como importante ferramenta na recuperação e construção da qualidade do solo.

Expansão do Etanol de Cereais

Na palestra “Programa de fomento de cereais para a produção de etanol”, José Fabiano, da Inpasa, falou sobre que o avanço da produção de etanol a partir de grãos tem aberto novas oportunidades para os produtores rurais, especialmente para o cultivo de sorgo na segunda safra. De acordo com ele, a empresa desenvolve um programa de fomento voltado à produção de cereais, ampliando as possibilidades de comercialização para os agricultores. “É uma oportunidade para o produtor, principalmente para o sorgo, que ainda conta com poucos armazéns de recebimento. No nosso caso, há flexibilidade nesse processo”, destacou.

Com atuação nacional, a Inpasa possui números expressivos que reforçam a demanda crescente por matéria-prima. A empresa tem capacidade de produzir cerca de 5,8 bilhões de litros de etanol por ano, volume equivalente ao abastecimento de aproximadamente 116 milhões de veículos, além de uma estrutura que movimenta milhares de caminhões diariamente e processa grandes volumes de milho e sorgo. Em Mato Grosso do Sul, a produção anual gira em torno de 4 milhões de toneladas, mas ainda há espaço para expansão: a capacidade de compra da indústria supera a atual produção estadual, “sinalizando um cenário promissor para o aumento da área cultivada, especialmente com sorgo”, garantiu Fabiano.

Demonstrações a campo

Durante os três dias de evento, a Embrapa demonstrou tecnologias para melhoria do ambiente com diversificação de culturas em solos arenosos. As pessoas que visitaram o estande puderam ver e ser atendidos pela equipe técnica da Embrapa que mostraram no campo áreas com cana-de-açúcar, milheto, milho safrinha, sorgo granífero, amendoim e explicaram a importância dessas culturas como diversificação e melhoria no ambiente de produção e da produtividade de canaviais e lavouras de soja.

Estavam presentes, da Embrapa Agropecuária Oeste, os pesquisadores Cesar José da Silva, Rodrigo Arroyo Garcia, Carlos Hissao Kurihara, Adriana Marlene Moreno Pires e o analista Gessí Ceccon; e da Embrapa Algodão o pesquisador Jair Heuert.

Instituições

Otsubo falou sobre a importância de se utilizar tecnologias apropriadas para a regiões, principalmente em áreas de solos arenosos. Ele destacou a presença dos pesquisadores da Embrapa Algodão, inclusive do chefe-adjunto de TT Daniel Ferreira, responsáveis em nível nacional no desenvolvimento de trabalhos com amendoim e gergelim como culturas para integrar sistemas de produção sustentáveis. “A sustentabilidade e o sucesso de cultivos em áreas em solos arenosos ocorrem e se consolidam a partir de dados da ciência e com a utilização das tecnologias e das informações geradas por parte de técnicos e produtores rurais”, disse.

O presidente do Sindicato Rural Lyrio também agradeceu por mais um ano de parceria. “É sempre muito importante para o município e produtores a parceria de peso com as instituições, como a Embrapa. Temos que aproveitar a oportunidade de conhecimento”, afirmou. 

Realização – A realização do evento foi da Embrapa, Biosul, Sulcanas, Sindicato Rural de Nova Alvorada do Sul, Prefeitura Municipal de Nova Alvorada do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) do governo de MS.





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Trigo no Brasil: quando a entressafra deixa de ser confortável e passa a ser estratégica


trigo
Foto: Embrapa

A entressafra de trigo no Brasil se configura, neste momento, como um período particularmente desafiador — não pela ausência absoluta de produto, mas pela combinação de fatores que restringem a disponibilidade efetiva, sobretudo de trigo com padrão de qualidade superior.

O primeiro vetor é a oferta curta no Mercosul. A disponibilidade remanescente no Brasil e nos países vizinhos é limitada, com volumes pontuais ainda circulando — como fluxos recentes do Paraguai em direção ao Paraná —, mas insuficientes para alterar de forma relevante o equilíbrio do mercado. Trata-se, portanto, de um ambiente em que a oferta existe, porém é escassa, fragmentada e altamente seletiva.

Há, contudo, um contraponto relevante. A Argentina ainda dispõe de volume considerável de trigo, o que, em uma leitura superficial, poderia sugerir maior conforto na oferta regional. Na prática, esse volume não se converte integralmente em disponibilidade útil para a indústria brasileira. A limitação reside na qualidade, com escassez de trigo com teor de proteína mais elevado. Assim, embora haja oferta em termos quantitativos, a restrição qualitativa reduz significativamente sua aplicabilidade, sobretudo para moinhos que operam com blends mais
exigentes, reforçando a percepção de um mercado efetivamente apertado.

No plano logístico, o momento também impõe limitações importantes. A priorização do escoamento da safra de verão reduz a eficiência operacional para o trigo, tanto na movimentação interna quanto na capacidade de armazenagem e segregação nos portos. Soma-se a isso a elevação dos custos de frete rodoviário, o que encarece a arbitragem entre regiões e reduz a fluidez dos negócios.

Esse quadro se torna ainda mais complexo quando inserido no contexto internacional. As tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel vêm ampliando a volatilidade no mercado de energia, com reflexos diretos sobre os custos de frete marítimo. Em um momento
em que o Brasil passa a depender mais de origens fora do Mercosul para suprir lacunas de qualidade, esse encarecimento logístico ganha peso na formação de preços e nas decisões de originação.

Nesse ambiente, cresce a necessidade de diversificação de origens. O trigo russo se destaca pela competitividade no FOB, embora parte dessa vantagem seja absorvida pelo frete mais elevado. Já o trigo norte-americano (HRW), tradicionalmente mais caro, torna-se ainda menos competitivo em termos de custo final, mas segue sendo uma alternativa estratégica para moinhos que demandam qualidade consistente. Essa recomposição do mix de origens ocorre, portanto, sob uma estrutura de custos mais pressionada, exigindo maior precisão nas decisões de compra.

Do ponto de vista regional, os impactos são heterogêneos. Moinhos localizados no Sul, especialmente aqueles que se anteciparam à originação, operam com maior previsibilidade. Em contrapartida, nas regiões a partir do Sudeste em direção ao Norte, a dependência de
importações — combinada à menor disponibilidade de trigo de qualidade — torna o cenário mais restritivo, com maior exposição a custos logísticos e variações cambiais.

Outro elemento que merece atenção é o comportamento da demanda. Em um ambiente de custos mais elevados e margens pressionadas, a indústria tende a adotar postura mais cautelosa, ajustando blends, postergando compras sempre que possível e buscando maior eficiência no uso da matéria-prima. Ainda assim, a necessidade de manutenção da qualidade final dos produtos impõe limites a essa flexibilização.

Farelo de trigo

Para que a conta industrial se equilibre, um movimento de alta nos preços da farinha torna-se cada vez mais provável. Essa necessidade se evidencia com maior clareza diante da forte queda nos preços do farelo observada nas últimas quinzenas.

Ao se analisar a composição da receita da moagem ao longo dos últimos cinco anos, observa-se que o farelo — embora frequentemente tratado como subproduto — representa, em média, um adicional superior a 10% sobre a receita gerada pela farinha. À primeira vista, trata-se de
uma participação relativamente modesta; contudo, em diversos momentos de mercado, esse componente é determinante para a sustentação das margens operacionais dos moinhos.

Por fim, a entressafra atual também antecipa sinais importantes para a próxima temporada. A expectativa de redução de área plantada, somada aos riscos climáticos associados ao El Niño — especialmente na Região Sul —, reforça a percepção de uma transição potencialmente apertada entre safras. Nesse contexto, produtores com estoques remanescentes tendem a encontrar melhores oportunidades de comercialização, embora ainda enfrentem pressão de custos e seletividade por qualidade.

Em síntese, a entressafra de trigo no Brasil em 2026 não se define apenas pela escassez, mas pela complexidade. Trata-se de um período em que qualidade, logística, câmbio e estratégia de originação assumem papel central — e em que decisões antecipadas tendem a
diferenciar aqueles que gerenciam risco daqueles que simplesmente reagem a ele.

Quando a logística se torna restritiva e a qualidade escasseia, o mercado deixa de ser confortável — e passa, inevitavelmente, a ser estratégico.

Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado

*Élcio Bento é especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Colheita de soja alcança 82,1%, aponta boletim da Conab


grãos colheita soja
Foto: Agência de Notícias do Paraná

A colheita de soja no Brasil alcançou 82,1% da área, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana passada, o índice era de 74,3%, o que representa um avanço de 10,5% no período.

Em relação à média dos últimos cinco anos, de 78%, o desempenho atual está 5,3% acima, indicando um ritmo mais acelerado neste ciclo. Por outro lado, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a colheita estava em 85,3%, há uma queda de 3,8%, mostrando que os trabalhos ainda seguem um pouco mais lentos que em 2025.

Colheita de soja por região do Brasil

Regionalmente, os dados mostram que os estados com maior avanço na colheita são Mato Grosso (99%), Mato Grosso do Sul (96%), São Paulo (95%) e Goiás (94%), onde os trabalhos estão praticamente concluídos. Em seguida, aparecem Paraná (91%), Minas Gerais (86%) e Tocantins (85%), também com bom ritmo.

Por outro lado, Bahia (70%) e Piauí (66%) apresentam um andamento intermediário, enquanto Maranhão (45%), Santa Catarina (41%) e Rio Grande do Sul (40%) registram os menores percentuais, indicando maior atraso na retirada da safra.

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AgroNewsPolítica & Agro

Manejo inicial define potencial produtivo agrícola


A adoção de práticas de manejo no início do plantio é apontada como um fator determinante para o desempenho produtivo das lavouras. Nessa etapa inicial do cultivo, condições como disponibilidade de água, temperatura, qualidade do solo e pressão de pragas podem influenciar diretamente o estabelecimento das plantas e o aproveitamento do potencial produtivo ao longo do ciclo.

Segundo especialistas do setor agrícola, o manejo inadequado pode gerar impactos significativos, especialmente na segunda safra, quando o ciclo das culturas é mais curto. Nesse contexto, a adoção de estratégias voltadas ao desenvolvimento uniforme das plantas é considerada uma medida para melhorar o desempenho das lavouras.

Entre as tecnologias utilizadas nesse processo, os bioestimulantes têm ganhado espaço por estimular processos fisiológicos das plantas e reduzir efeitos de estresses bióticos e abióticos. Essas soluções favorecem o equilíbrio fisiológico das culturas, ampliando a capacidade de absorção de nutrientes e contribuindo para o desenvolvimento das plantas.

No mercado de biossoluções, a Rainbow Agro desenvolveu tecnologias voltadas ao manejo inicial dos cultivos, como os fertilizantes organominerais Besular e Searoot. O Besular possui alta concentração de potássio (K2O), nutriente associado ao equilíbrio hídrico e ao fortalecimento das plantas em períodos de estresse. Já o Searoot apresenta elevada concentração de carbono e potássio, contribuindo para o estímulo do sistema radicular e para o desenvolvimento inicial das culturas.

“Soluções como Besular e Searoot atuam justamente em momentos críticos de floração e estruturação da lavoura, para maior adaptabilidade em condições diversas, promovendo produtividade ao final do ciclo”, explica Luiz Henrique Marcandalli.

De acordo com o executivo, o estímulo fisiológico proporcionado pelos bioestimulantes também contribui para a uniformidade das lavouras ao favorecer processos como crescimento celular e formação de novas raízes e brotos. Essa condição pode tornar o manejo mais eficiente e contribuir para a organização das etapas de colheita.

Marcandalli acrescenta que “a adoção dessas tecnologias impacta diretamente os resultados no campo ao favorecer o desenvolvimento inicial mais consistente das plantas e sua resiliência ao longo de todo o ciclo. “Com um sistema radicular bem desenvolvido e maior equilíbrio fisiológico desde o começo, a cultura tende a reagir melhor às variações do ambiente e a manter um desempenho mais estável ao longo do ciclo produtivo”, conclui.





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Safra 2025/26 de açúcar fecha com recuo nos preços, aponta Cepea


colher mexendo açúcar
Foto: Pixabay

A safra de açúcar 2025/26 chegou ao fim no mês de março. O período foi marcado pela média de preços menor que a registrada em 2024/25, que na época foi considerada acima do usual.

Segundo o indicador CEPEA/ESALQ, em São Paulo, as cotações fecharam a temporada em torno de R$ 116,90/sc, cerca de 20% abaixo do ano anterior, que teve média de R$ 145,28/sc. O principal motivo para o recuo decorre da maior oferta do produto.

Pesquisadores do Cepea explicam que os preços oscilaram muito durante o período, motivados por diversos elementos, mas com destaque para a geopolítica e o ambiente macroeconômico conturbados.

Safra 2026/27

De acordo com o centro de estudos, a expectativa para a nova safra é boa. O cenário é de manutenção do mercado externo com preços mais estáveis, ou até abaixo do comum. O esperado é que a disponibilidade alta de cana-de-açúcar favoreça a produção do adoçante e aumente a oferta do produto.

*Sob supervisão de Beatriz Gunther

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A barbárie da retórica: o erro de ameaçar uma civilização


Imagem de Daniel por Pixabay

A história da humanidade é feita de ciclos, mas algumas raízes são tão profundas que nenhuma força militar, por mais potente que seja, deveria se sentir no direito de ameaçar extirpá-las. Recentemente, o mundo assistiu com perplexidade à fala do presidente dos Estados Unidos sugerindo a destruição de uma “civilização inteira” ao se referir ao Irã. Tal afirmação não é apenas um erro estratégico; é uma declaração de falência moral e um flerte com o crime de guerra.

O berço da tolerância e da ciência

Falar do Irã sem reconhecer sua origem persa é ignorar um dos pilares das civilizações ocidental e oriental. Foi sob o comando de Ciro, o Grande, que nasceu o primeiro império a codificar a tolerância religiosa e a liberdade de culto. Enquanto potências modernas debatem direitos humanos, o “Cilindro de Ciro”, de 539 a.C., já registrava o direito dos povos de viverem conforme suas tradições.

Não se apaga uma nação que deu ao mundo a álgebra de Al-Khwarizmi, a medicina de Avicena e a poesia de Rumi. Tentar destruir o que o presidente chama de “regime” através da aniquilação de sua base civilizatória seria, na prática, um atentado contra a memória da própria espécie humana.

A ilegalidade da ameaça

Do ponto de vista do Direito Internacional, a ameaça de destruição de locais culturais e de uma população civil é um crime de guerra. As Forças Armadas de qualquer nação democrática, inclusive as americanas, têm o dever ético e legal de desobedecer a ordens que visem o extermínio de um povo ou de seu patrimônio histórico. Um soldado jura defender a Constituição e as leis, não cumprir caprichos de aniquilação que violam abertamente as Convenções de Genebra.

Conclusão

Afirmar que o “regime acabou” e que a destruição total é uma opção viável é uma postura indigna para o líder da maior potência do planeta. Regimes políticos são transitórios e sujeitos a críticas, mas a identidade de um povo é sagrada. Quando um líder ameaça uma civilização, ele não demonstra força; demonstra uma ignorância histórica perigosa que coloca em risco a paz global. A barbárie não pode ser a resposta para os conflitos do século XXI.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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Minas Gerais compra tilápia pela primeira vez e acende alerta no setor produtivo


Tilápia
Foto: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Minas Gerais registrou, pela primeira vez desde 1997, a importação de tilápia, mesmo em meio ao avanço da piscicultura no estado. Em fevereiro de 2026, foram adquiridas 122 toneladas do Vietnã, segundo dados do ComexStat — o primeiro registro da série histórica.

O movimento acompanha uma tendência nacional. No mesmo período, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas de filé de tilápia do país asiático, volume equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Pela primeira vez, as importações superaram as exportações e passaram a representar 6,5% da produção mensal brasileira.

Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, o dado chama atenção porque Minas vem se consolidando como um dos principais polos da piscicultura no país, com expansão acima da média nacional, especialmente em regiões como Morada Nova de Minas.

De acordo com a analista, a importação não está ligada à falta de oferta interna, mas a fatores econômicos. O filé importado chega ao mercado com preços mais competitivos, resultado da produção em larga escala e de custos mais baixos no Vietnã. A avaliação é de que o cenário exige atenção, já que a entrada do produto pode afetar a competitividade da cadeia produtiva estadual.

Produção cresce, mas importação avança

Apesar do avanço das importações, a produção de tilápia segue em alta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil produziu 442 mil toneladas em 2023 e avançou para 499 mil toneladas em 2024, alta de 12,8%.

Em Minas Gerais, o crescimento foi mais intenso. A produção passou de 45,5 mil toneladas para 58,4 mil toneladas no mesmo período, aumento de 28%. Com isso, o estado responde por cerca de 11,7% da produção nacional e ocupa a terceira posição no ranking, atrás de Paraná e São Paulo.

Além do aumento de volume, o estado vem ampliando investimentos em tecnologia, genética, nutrição e processamento, fortalecendo a estrutura da cadeia produtiva.

Mesmo assim, produtores apontam impactos diretos da concorrência externa. Segundo o produtor Carlos Junior de Faria Ribeiro, a importação já afeta o setor e exige resposta rápida. Outros estados produtores, como Paraná, Santa Catarina e São Paulo, já adotaram medidas de proteção.

“O produtor e a indústria mineira pagam ICMS, enquanto o filé importado do Vietnã entra no estado sem essa mesma carga. Na prática, Minas Gerais acaba subsidiando o produtor estrangeiro, quando deveria fortalecer e proteger quem produz aqui”, disse.

Risco sanitário e regulatório

A sanidade também preocupa. A entrada de produto importado pode elevar o risco de doenças exóticas, como o vírus da tilápia do lago (TiLV). O Brasil é considerado livre da enfermidade, e uma eventual introdução poderia gerar prejuízos relevantes à piscicultura.

Outro ponto de atenção é a possível classificação da tilápia como espécie exótica invasora no país. Em 2025, a discussão avançou na Comissão Nacional de Biodiversidade, mas a revisão da lista foi suspensa para reavaliação dos critérios.

Segundo o analista de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Guilherme Oliveira, uma eventual mudança pode aumentar custos, ampliar a burocracia ambiental e gerar insegurança jurídica.

A avaliação é de que o cenário pode frear investimentos na cadeia e afetar diretamente produtores, principalmente os de menor porte, além de comprometer a competitividade no mercado internacional.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado global de soja observa cenário climático



Mercado aguarda novo relatório do USDA



Foto: Canva

Segundo a análise “Direto do Campo”, elaborada pela Grainsights e divulgada pela Grão Direto nesta segunda-feira (6), o mercado da soja acompanha uma série de fatores que podem influenciar as cotações nas próximas semanas.

O principal destaque será a divulgação do novo relatório de Oferta e Demanda Mundial (WASDE) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, prevista para 9 de abril. O mercado aguarda a atualização para verificar se a agência americana revisará a estimativa da safra brasileira, mantida em 180 milhões de toneladas no relatório anterior, apesar das perdas registradas no Rio Grande do Sul. Investidores também acompanham possíveis mudanças nos estoques finais globais e na projeção de importações da China, estimadas em 112 milhões de toneladas no levantamento mais recente.

Com as intenções de plantio já divulgadas pelo USDA, o mercado internacional passa a direcionar atenção às condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. O mês de abril marca o início das atividades de campo na região, e previsões de chuvas excessivas ou frio tardio podem afetar o ritmo de plantio, adicionando prêmios de risco às cotações negociadas na Bolsa de Chicago.

No Brasil, as condições climáticas de abril também devem influenciar o encerramento da safra. De acordo com projeção do Instituto Nacional de Meteorologia, há previsão de chuvas abaixo da média histórica na Região Sul e em partes do Centro-Oeste. O cenário tende a favorecer o avanço das colheitadeiras, mas pode afetar lavouras tardias que ainda dependem de umidade no solo para a fase de enchimento de grãos.

O ambiente geopolítico também permanece no radar de empresas do setor e produtores. O mercado acompanha a possibilidade de encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que pode indicar mudanças no fluxo de compras chinesas de soja dos Estados Unidos ou a manutenção da dependência em relação ao Brasil diante de incertezas tarifárias. Ao mesmo tempo, tensões no Oriente Médio envolvendo o Estreito de Ormuz elevaram o preço do petróleo em cerca de 30%, pressionando custos de frete e mantendo os prêmios de exportação brasileiros sob viés negativo ao longo da semana.





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USDA deve ajustar projeções e mercado brasileiro de soja volta atenções ao relatório


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Importações de soja da China serão recorde, diz USDA. Foto: Nájia Furlan/Portos do Parana

O mercado brasileiro de soja inicia o dia com atenção voltada ao relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado nesta quinta-feira (9). A expectativa de ajustes nas projeções globais mantém produtores e agentes cautelosos, especialmente diante dos possíveis reflexos nos preços e na comercialização no país.

Projeção para o Brasil

No Brasil, o cenário é de atenção redobrada. A possível revisão para baixo na safra pode influenciar diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda global, fator que costuma impactar as cotações no mercado interno. Com isso, sojicultores adotam postura mais estratégica, avaliando o melhor momento para negociar.

Estados Unidos

Para os Estados Unidos, a expectativa é de corte nos estoques de passagem da safra 2025/26, passando de 350 milhões para 348 milhões de bushels. A redução, ainda que leve, sinaliza um possível aperto na oferta americana, o que tende a sustentar os preços internacionais.

Cenário global

No cenário global, o mercado projeta leve aumento nos estoques finais de soja, passando de 125,3 milhões para 125,5 milhões de toneladas. Já na América do Sul, a safra brasileira deve sofrer pequeno ajuste negativo, enquanto a produção argentina pode ter leve alta.

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