terça-feira, abril 7, 2026
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Minas Gerais compra tilápia pela primeira vez e acende alerta no setor produtivo


Tilápia
Foto: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Minas Gerais registrou, pela primeira vez desde 1997, a importação de tilápia, mesmo em meio ao avanço da piscicultura no estado. Em fevereiro de 2026, foram adquiridas 122 toneladas do Vietnã, segundo dados do ComexStat — o primeiro registro da série histórica.

O movimento acompanha uma tendência nacional. No mesmo período, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas de filé de tilápia do país asiático, volume equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Pela primeira vez, as importações superaram as exportações e passaram a representar 6,5% da produção mensal brasileira.

Segundo a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, o dado chama atenção porque Minas vem se consolidando como um dos principais polos da piscicultura no país, com expansão acima da média nacional, especialmente em regiões como Morada Nova de Minas.

De acordo com a analista, a importação não está ligada à falta de oferta interna, mas a fatores econômicos. O filé importado chega ao mercado com preços mais competitivos, resultado da produção em larga escala e de custos mais baixos no Vietnã. A avaliação é de que o cenário exige atenção, já que a entrada do produto pode afetar a competitividade da cadeia produtiva estadual.

Produção cresce, mas importação avança

Apesar do avanço das importações, a produção de tilápia segue em alta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Brasil produziu 442 mil toneladas em 2023 e avançou para 499 mil toneladas em 2024, alta de 12,8%.

Em Minas Gerais, o crescimento foi mais intenso. A produção passou de 45,5 mil toneladas para 58,4 mil toneladas no mesmo período, aumento de 28%. Com isso, o estado responde por cerca de 11,7% da produção nacional e ocupa a terceira posição no ranking, atrás de Paraná e São Paulo.

Além do aumento de volume, o estado vem ampliando investimentos em tecnologia, genética, nutrição e processamento, fortalecendo a estrutura da cadeia produtiva.

Mesmo assim, produtores apontam impactos diretos da concorrência externa. Segundo o produtor Carlos Junior de Faria Ribeiro, a importação já afeta o setor e exige resposta rápida. Outros estados produtores, como Paraná, Santa Catarina e São Paulo, já adotaram medidas de proteção.

“O produtor e a indústria mineira pagam ICMS, enquanto o filé importado do Vietnã entra no estado sem essa mesma carga. Na prática, Minas Gerais acaba subsidiando o produtor estrangeiro, quando deveria fortalecer e proteger quem produz aqui”, disse.

Risco sanitário e regulatório

A sanidade também preocupa. A entrada de produto importado pode elevar o risco de doenças exóticas, como o vírus da tilápia do lago (TiLV). O Brasil é considerado livre da enfermidade, e uma eventual introdução poderia gerar prejuízos relevantes à piscicultura.

Outro ponto de atenção é a possível classificação da tilápia como espécie exótica invasora no país. Em 2025, a discussão avançou na Comissão Nacional de Biodiversidade, mas a revisão da lista foi suspensa para reavaliação dos critérios.

Segundo o analista de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Guilherme Oliveira, uma eventual mudança pode aumentar custos, ampliar a burocracia ambiental e gerar insegurança jurídica.

A avaliação é de que o cenário pode frear investimentos na cadeia e afetar diretamente produtores, principalmente os de menor porte, além de comprometer a competitividade no mercado internacional.

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