quarta-feira, março 25, 2026

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AgroNewsPolítica & Agro

Acácia, eucalipto e pínus têm cenários distintos no RS


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quarta-feira (19), a produção de acácia-negra na região administrativa de Caxias do Sul, especialmente na região das Hortênsias, permanece como reserva financeira e complemento de renda para diversas unidades produtivas. O boletim informa que “a atividade enfrenta dificuldades devido à escassez de mão de obra”, enquanto a maior parte do mercado segue direcionada à produção de energia, com participação menor da construção civil. As condições fitossanitárias são consideradas adequadas, com tratos culturais, controle de formigas, adubação de cobertura, corte e colheita em andamento.

Na mesma região, a demanda pela matéria-prima do eucalipto permanece estável. O informativo destaca que “a espécie se destaca pelo rápido crescimento”, impulsionado pelo setor de desdobro e pelo uso diversificado. A implantação de novas áreas e o manejo da brotação estão abaixo do previsto, o que pode resultar em escassez de madeira nos próximos anos. Segundo o documento, a cultura “apresenta boas condições fitossanitárias”, com práticas de manejo como controle de formigas, corte, empilhamento e comercialização de toras e subprodutos, especialmente lenha. Os preços variam conforme localização, dificuldade de extração e diâmetro da madeira, atendendo aos mercados local, regional e estadual.

Na região administrativa de Frederico Westphalen, são realizados tratos culturais, incluindo preparo de terreno, plantio de mudas, controle de formigas e inços e adubação. Em florestas de dois a três anos ocorre a poda, enquanto áreas com seis a sete anos recebem o raleio.

Na região administrativa de Caxias do Sul, os cultivos de pínus mantêm papel relevante na cadeia florestal, com destinação para toras, chapas, compensados, aglomerados, laminados, movelaria, pallets, estaquetas para exportação, forros, assoalhos e construção civil. O setor registra apreensão diante de especulações sobre tarifas de importação pelos Estados Unidos, o que levou empresas a conceder férias coletivas e a promover demissões. A madeira fina, entre 18 e 30 centímetros, mantém mercado, embora com queda nos preços, enquanto toras acima de 30 centímetros enfrentam baixa procura. Segundo o informativo, “a demanda por parte de empresas locais, regionais e de estados vizinhos garante preços regulares aos produtores”. O boletim também aponta que apenas 15% a 20% das áreas de corte raso estão sendo replantadas, com substituição por cultivos anuais e perenes, exceto em empresas verticalizadas que mantêm os plantios. As entidades do setor alertam para o risco de déficit de madeira nos próximos anos. As condições fitossanitárias são relatadas como adequadas.

Na região administrativa de Passo Fundo, a resinagem registrou retração no último ano e tende a diminuir ainda mais devido à baixa disponibilidade de áreas aptas para coleta. A atividade permanece apenas em florestas já resinadas, sem expansão para novas áreas. Continua a colheita por corte raso, com baixo índice de replantio e migração de áreas para cultivos anuais.





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saiba como tecnologias de baixo carbono transformam lavouras



No programa 42 do Soja Brasil, a soja foi destaque na COP30, evento em Belém (PA) que reforçou o papel do Brasil na produção sustentável de alimentos. A chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Carina Rufino, explicou que a conferência reuniu delegações de todo o mundo para conhecer os sistemas de produção brasileiros, incluindo o programa Soja Baixo Carbono e outros protocolos de agricultura de baixo carbono desenvolvidos pela Embrapa.

Confira:

“A COP30 proporcionou oportunidades únicas para mostrar como os produtores brasileiros adotam tecnologias que reduzem a emissão de gases de efeito estufa, aumentam a produtividade e fortalecem a sustentabilidade do setor. É possível produzir com sustentabilidade e melhorar a qualidade do solo ao mesmo tempo, inspirando outros países a seguir o mesmo caminho”, afirmou Rufino.

Ela destacou que a semana do evento foi essencial para apresentar o que está por trás da produção de alimentos e demonstrar a liderança do Brasil no setor. “Nossas tecnologias inspiram produtores em outros países e também aqueles que ainda não adotam essas práticas a repensarem seus sistemas de produção”, acrescentou.

O selo Soja Baixo Carbono surge como um diferencial competitivo para produtores que comprovarem boas práticas de manejo. ”O programa prevê certificação voluntária de terceira parte, métricas adaptadas à realidade brasileira e benefícios como acesso a financiamento, seguros diferenciados e mercados que valorizam produtos sustentáveis, fortalecendo um ecossistema de apoio relacionado à mudança climática”, detalhou.

“Quanto mais tecnologias de baixo carbono o produtor adota, menor é o risco climático para ele e para toda a cadeia de valor da soja. Isso garante oferta contínua de produtos de qualidade, com menor pegada de carbono, e muda a forma como produzimos”, concluiu Rufino.



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Após 2 meses, navio com 3 mil vacas é autorizado a descarregar na Líbia



De acordo com informações da Mercy For Animals (MFA), as cerca de 3 mil vacas que estavam confinadas há dois meses no navio Spiridon II finalmente desembarcaram no porto de Benghazi, na Líbia. Apesar de o país não possuir acordo fitossanitário com o Uruguai, origem dos animais, o importador conseguiu um entendimento com as autoridades locais, que autorizaram a descarga. O desembarque encerra um impasse que se estendia desde setembro e que mobilizou organizações internacionais, governos e entidades de bem-estar animal.

Como tudo começou

O navio Spiridon II deixou Montevidéu em 20 de setembro, com destino ao porto turco de Bandırma. Ao chegar à costa da Turquia, em 22 de outubro, a embarcação teve o desembarque negado pelas autoridades sanitárias devido a inconsistências graves na documentação e falhas na identificação do gado.

Segundo o laudo turco, 146 animais estavam sem brincos de identificação ou com brincos ilegíveis, enquanto 469 apresentavam marcas que não coincidiam com as listas oficiais. A inspeção também registrou 48 mortes durante a travessia, o que elevou o alerta sobre risco sanitário e manejo inadequado.

A recusa da Turquia deu início a uma sequência de tentativas frustradas de atracação, deixando os animais confinados em alto-mar por semanas.

Condições degradantes a bordo

Relatórios de organizações que acompanharam o caso descrevem a situação dentro do navio como “degradante”. As denúncias incluíram forte odor e infestação de moscas,carcaças empilhadas no convés, resíduos putrefatos gerados pela decomposição e vazamento de fluidos orgânicos por conta da má gestão das carcaças.

A Animal Welfare Foundation (AWF) informou ainda que houve cerca de 140 nascimentos durante a viagem, muitos deles em condições precárias.

A especialista Maria Boada, da AWF, chegou a alertar que os animais não tinham alimento suficiente e que muitos não resistiriam a mais semanas no mar. A veterinária australiana Lynn Simpson, referência mundial em transporte marítimo de gado, relatou riscos sanitários e ambientais associados à presença de carcaças em decomposição e descartes irregulares.

Mudanças de rota até o desembarque final

Após ser impedido de descarregar na Turquia, o Spiridon II deixou o país em 14 de novembro, cruzou o Estreito de Çanakkale e chegou a iniciar rota de retorno ao Uruguai, com chegada estimada para 14 de dezembro, segundo dados do MarineTraffic.

No entanto, a rota mudou repentinamente e no sábado (22), o navio atracou no porto de Benghazi, na Líbia, onde finalmente recebeu autorização para o desembarque dos animais.

Desde o início do impasse, a Mercy For Animals manteve contato com instituições do Oriente Médio e da América Latina, monitorando a situação e pressionando por desfecho que evitasse a morte dos animais durante o trajeto.

Problema recorrente no transporte marítimo de gado

O caso reacende o debate sobre os chamados navios boiadeiros, frequentemente alvo de denúncias por operar com infraestrutura precária, superlotação e baixa fiscalização.
Relatórios internacionais apontam que as condições inadequadas favorecem:

  • mortes de animais,
  • contaminação cruzada,
  • proliferação de doenças,
  • riscos à saúde pública,
  • e impactos ambientais — como descarte de carcaças no mar.

Brasil lidera exportação mundial de animais vivos

O episódio também reacende discussões no Brasil, atualmente o maior exportador de animais vivos do mundo. A MFA projeta que o país deve superar 1 milhão de bovinos embarcados em 2025, o maior volume da história.

Duas propostas avançam no Congresso em resposta à pressão crescente de entidades e especialistas: o PLP 23/2024 e o PL 786/2024, que pretendem desestimular a atividade com tributação mais alinhada aos riscos sanitários, ambientais e de bem-estar animal.



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Ciclone e chuva de 100 mm em apenas 24h marcam esta semana


Os próximos dias, entre esta segunda-feira (24) e o próximo domingo (30), reservam muita chuva em áreas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Em alguns casos, o volume excede os 100 mm em apenas 24 horas. Confira a previsão elaboraba pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet):

Sul

Há previsão de chuvas intensas no leste e litoral de Santa Catarina e do Paraná devido à atuação de um cavado em níveis médios que forçará um ciclone subtropical na região, favorecendo maiores acumulados no norte catarinense e em todo litoral paranaense.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta segunda-feira (24) é que essas áreas tenham volume superior a 115 mm (tons em vermelho e rosa no mapa abaixo.

Já entre terça (25) e sexta (28), praticamente cessam as ocorrências de chuva de grande escala, podendo ocorrer apenas de forma pontual nos litorais dos dois estados, mas com baixos acumulados. Para o Rio Grande do Sul, destaque para a temperatura, que deve alcançar os 36°C em áreas do centro-sul na sexta-feira.

Sudeste

A previsão indica chuva volumosa no início da semana devido à atuação de um transiente, em todos os estados do Sudeste, com o deslocamento de um ciclone subtropical associado a uma frente fria, que inicia a semana com chuvas volumosas (entre 40 mm e 100 mm) em São Paulo, e possibilidade de tempestades em todo o estado, com maior destaque para a faixa litorânea.

Segundo o Inmet, na terça, tais chuvas ocorrem no estado do Rio de Janeiro e na metade sul de Minas Gerais, posteriormente, na quarta, no norte mineiro e no Espírito Santo, mas com volumes menores. Em linhas gerais os maiores acumulados devem ocorrer no litoral paulista e no sul fluminense, com acumulados que podem superar 100 mm em apenas 24h (entre esta segunda e terça).

Centro-Oeste

mapa chuvamapa chuva
Foto: Reprodução

No Centro-Oeste, espera-se chuva volumosa no norte de Goiás, entre 100 mm e 150 mm, e chuvas de volumes menores, mas concentradas no norte da região (60 mm a 80 mm), e supressão das chuvas a partir de quarta (26) no sul dos estados e em todo Mato Grosso do Sul (tons em amarelo e vermelho no mapa).

O Inmet ressalta que no Distrito Federal, podem ocorrer chuvas em forma de pancadas em momentos da semana, mas de maneira localizada e rápida, com volumes entre 30 mm e 60 mm em cinco dias.

Nordeste

Em praticamente toda a Região Nordeste a previsão é sem chuvas esta semana, exceto no sul e oeste da Bahia, que deve ocorrer sob a forma de chuva recorrente a partir de quarta-feira, aumentando progressivamente os volumes até quinta-feira. O Inmet aponta que os acumulados no interior, oeste e sul da Bahia podem ficar entre 50 mm e 100 mm, com os maiores acumulados em 24h (40 mm e 60 mm) entre quarta e quinta.

Também há previsão de chuva, com volumes menores, ao longo da semana no interior de Piauí e Maranhão, com pancadas isoladas.

Norte

As áreas de instabilidade deverão se concentrar na região central do Amazonas, enquanto os demais estados encontram uma distribuição maior de chuvas, com baixos acumulados em cinco dias em torno de 20 mm a 50 mm, com exceção do Amapá, norte do Pará e leste de Roraima, onde não deve chover.

Em linhas gerais, o Inmet destaca que chove especialmente no Amazonas ao longo da semana. Apenas no Amapá e no norte do Pará a unidade relativa do ar fique em níveis baixos, inferiores a 30% ao longo da semana.



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Arrecadação federal chega a R$ 261,9 milhões em outubro e bate recorde



A arrecadação total de tributos federais somou R$ 261,9 milhões em outubro, o maior valor já registrado para o mês. O resultado representa expansão real (acima da inflação do período) de 0,92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já no acumulado dos dez primeiros meses do ano, as receitas federais chegam a R$ 2,4 trilhões, representando acréscimo real de 3,2% na comparação com igual período de 2024.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pela Receita Federal, em Brasília.

“Importante observar que se trata do melhor desempenho arrecadatório, tanto para outubro quanto para o período acumulado”, frisou a instituição.

Os valores se referem a tributos federais, como Imposto de Renda de pessoas físicas e empresas, receita previdenciária, Imposto sobre Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), PIS/Cofins, entre outros. Arrecadação com royalties e depósitos judiciais, que não são apurados pela Receita Federal, também entram na conta.

Destaques

Ao detalhar a evolução dos tributos, a Receita Federal destacou o IOF, que somou R$ 8,1 milhões em outubro de 2025, alta de 38,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

“Esse desempenho pode ser justificado pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira e pelas operações de crédito destinadas a pessoas jurídicas, ambas decorrentes de recentes alterações na legislação”, cita a Receita.

Em junho deste ano, o governo aumentou a cobrança em algumas operações de crédito, por meio do Decreto 12.499/2025. A medida foi derrubada posteriormente.

Outro destaque apontado pela Receita foi o IRRF-Capital (cobrança de imposto em cima de lucro com aplicações financeiras). A arrecadação chegou a quase R$ 11,6 milhões, representando acréscimo real de 28,01% ante outubro de 2024.

A Receita explica que o desempenho está relacionado ao lucro que investidores tiveram em aplicações de renda fixa e Juros sobre Capital Próprio (JCP) ─ forma de uma empresa dividir parte do lucro com os acionistas.

Desaceleração

Apesar do recorde nos dez primeiros meses do ano, que representou salto de 3,2% na comparação com o mesmo período de 2024, o desempenho mostra desaceleração, ou seja, o crescimento da arrecadação tem perdido força.

Em julho de 2025, a evolução chegou a ser de 4,41%, mas a diferença positiva foi se reduzindo mês a mês.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, reconhece que esse comportamento arrecadatório é um reflexo da desaceleração econômica no país.

“A gente continua crescendo, porém a taxas decrescentes, a taxas menores”.

Ele acrescenta que o resultado não é surpresa, pois acompanha projeções do próprio Ministério da Fazenda e de agentes do mercado financeiro.

“Já se previa uma certa contração na atividade econômica”, afirma Malaquias, que chama atenção para a resiliência de alguns fatores, como o setor de serviços e a massa salarial dos trabalhadores.

Freio dos juros

A perda de fôlego citada é um efeito direto da política monetária (controle da taxa de juros) exercida pelo Banco Central (BC). A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006 (15,25%).

O BC mantém o juro alto como forma de esfriar a economia e puxar para baixo a inflação, que está há 13 meses acima da meta do governo, de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, podendo ir até 4,5%.

Em outubro, a inflação oficial acumulava 4,68% em 12 meses, porém em trajetória de desaceleração.

“A arrecadação tributária é um dos termômetros da atividade econômica. Quando a arrecadação vai bem, a gente costuma dizer que a atividade econômica, responsável pela maior parte do resultado da arrecadação, também está indo bem”, conclui Malaquias.

A arrecadação das atividades de exploração de jogos de azar e apostas subiu quase 10.000% em outubro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024. A explicação está na regulamentação da atividade das casas de apostas virtuais, as chamadas bets, que passou a valer apenas em 2025.

A comparação ficou extremamente alta pois essas plataformas pagavam bem menos impostos. Em outubro de 2024, a arrecadação proveniente dessas atividades foi de R$ 11 milhões, valor que saltou para R$ 1 bilhão em outubro de 2025.

No acumulado dos dez primeiros meses de 2025 ante o mesmo período de 2024, a evolução foi de mais de 16.000%, indo de R$ 49 milhões para R$ 8 bilhões.



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Agronegócio reage a mudanças tributárias às portas das eleições


A semana começa com a expectativa de sanção do projeto de lei que propõe mudanças no Imposto de Renda, representando uma vitória para o governo federal no Congresso Nacional. A aprovação dessa matéria ainda em 2025 era crucial para sua implementação já em 2026. Na mesma linha, o PL 458/2021, que institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp) e apresenta medidas compensatórias para a perda de arrecadação do IOF, foi aprovado pelo Senado Federal em 18 de novembro e, também, aguarda sanção.

Um aspecto comum entre os dois projetos a serem sancionados é que eles proporcionaram ao governo oportunidades de recuperar partes do texto da MP 1303/2025 – ainda que a tática só tenha logrado êxito no bojo do Rearp. É importante lembrar que essa medida provisória previa a tributação de diversas aplicações financeiras, incluindo a imposição de uma alíquota de Imposto de Renda sobre as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e sobre fundos como o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

Ciente da necessidade de arrecadação para equilibrar as contas públicas, o Ministério da Fazenda não abandonou a proposta de tributar títulos relevantes para o fomento da atividade agropecuária, uma questão que exige atenção constante da bancada do agronegócio no Congresso Nacional. Em um cenário de recursos limitados para financiar as atividades do setor, e com um Plano Safra oferecendo valores abaixo do que é solicitado pelas entidades representativas do agro brasileiro, a imposição de tributos sobre esses investimentos poderia reduzir sua atratividade, resultando em menos recursos disponíveis para a atividade agropecuária.

Enquanto a oposição, que majoritariamente defende os interesses do setor produtivo, precisou se empenhar para proteger suas prioridades, o presidente Lula terá o desafio de restabelecer um ambiente favorável às suas pautas. Isso ocorre em meio à indicação de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal, decorrente da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Além disso, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, que apoiava abertamente o senador Rodrigo Pacheco para a mesma vaga, sinaliza que pautas sensíveis ao governo serão apreciadas, incluindo os vetos ao licenciamento ambiental.

É importante destacar que para a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), composta por mais de 300 parlamentares, alguns pontos vetados do licenciamento são considerados inegociáveis. Dentre eles estão a falta de autonomia dos estados e municípios em questões ambientais e a exigência de um Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado para licenças simplificadas. Tais pontos tendem a ser restabelecidos com a consequente derrubada dos vetos.

Às vésperas de eleições gerais, e diante de altas taxas de juros, potencial encarecimento do crédito e aumento da tributação sobre as cadeias produtivas, qualquer sinalização que não demonstre um compromisso claro com os setores produtivos é preocupante, especialmente para aquele setor que responde por quase um quarto do PIB nacional e que, juntamente com o setor de serviços, trouxe resultados positivos para economia refletindo diretamente nas pesquisas.

Em um cenário de incertezas fiscais e tensões políticas, o país deverá definir se prioriza a expansão do agronegócio ou a volatilidade tributária que reduz investimentos e enfraquece quem produz e sustenta a economia brasileira. O que realmente estará em jogo em 2026 é a capacidade do Brasil de manter o agro forte, financiado e competitivo ou de deixar que a incerteza sufoque seu maior motor econômico.

Karina Tiezzi - BMJ Consultores

*Karina Tiezzi é gerente de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e consultora em relações governamentais. Atuou como assessora legislativa na Câmara dos Deputados, participou da tramitação de proposições de destaque para o agronegócio, como a chamada MP do Agro e a Lei Geral do Licenciamento Ambiental


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Impactos do embargo chinês nas exportações da carne de frango brasileira



Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, mesmo com o embargo imposto pela China após a confirmação de um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na avicultura comercial, as exportações brasileiras de carne de frango para o país continuaram ocorrendo nos últimos cinco meses.

Nada, porém, se compara aos volumes embarcados antes do problema sanitário registrado em meados de maio. Em abril, por exemplo, o país havia alcançado seu maior resultado do ano, com quase 52 mil toneladas exportadas. Cinco meses depois, o volume enviado à China correspondeu a praticamente um milésimo desse total.

Como já destacou o AviSite na semana passada, nos 10 primeiros meses de 2025 a China importou menos da metade das quase 231 mil toneladas registradas no mesmo período do ano anterior, queda de 50,86%. O principal impacto, porém, concentrou-se a partir de junho.

Ao comparar dois períodos equivalentes (janeiro a maio x junho a outubro), observa-se que, mesmo antes do embargo oficializado em maio, houve leve retração nas exportações, uma queda de 1,87% em relação ao ano passado. Já no período seguinte, de junho a outubro, o recuo foi extremamente acentuado, atingindo 99,78%.

Chama atenção também que, apesar da redução anual de 1,87% no volume embarcado nos cinco primeiros meses, a receita cambial registrou alta superior a 5%. Nos cinco meses subsequentes, entretanto, a queda anual na receita chegou a 99,79%.



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Brasil firma novos acordos com Moçambique e retoma agenda de cooperação na África



O Brasil assinou nove novos atos de cooperação com Moçambique nesta segunda-feira (24), durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Maputo. Os acordos abrangem áreas como desenvolvimento institucional, saúde, educação, diplomacia, empreendedorismo, aviação civil, assistência jurídica e serviços agroflorestais.

Lula também afirmou que busca recuperar a capacidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar empresas brasileiras no exterior. Segundo ele, a medida pode apoiar projetos em países parceiros, como obras de infraestrutura demandadas pelo governo moçambicano.

Cooperação ampliada entre os países

Durante a declaração conjunta com o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, Lula destacou que o país africano ainda enfrenta desafios de infraestrutura e pode se beneficiar de serviços já oferecidos por empresas brasileiras. Ele afirmou que a exportação desses serviços depende da oferta de crédito, algo anteriormente operado pelo BNDES e que, segundo o presidente, precisa ser retomado.

A agenda em Maputo ocorre logo após a participação da comitiva brasileira na Cúpula do G20, em Joanesburgo. A viagem integra as ações que marcam os 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique, parceria também fortalecida no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) lembra que, desde 2023, o governo brasileiro recolocou o continente africano como prioridade da política externa. Moçambique é o principal beneficiário de projetos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) na África, com iniciativas em saúde, agricultura e educação. Desde 2015, 67 ações foram formalizadas.

Comércio e novas iniciativas no agro

Brasil e Moçambique também querem ampliar o fluxo de comércio e investimentos. Para isso, um fórum empresarial reúne representantes dos dois países em Maputo, com painéis dedicados ao agronegócio, indústria e inovação. Em 2024, o intercâmbio comercial somou US$ 40,5 milhões, com predominância de exportações brasileiras de carne de aves e produtos industrializados.

O governo brasileiro anunciou ainda novas ações voltadas à formação profissional. A partir de 2026, o Ministério da Educação e a ABC devem ofertar até 80 vagas em cursos de ciências agrárias e 400 vagas para capacitação técnica em agropecuária. A Embrapa reforçará o programa com treinamento de técnicos moçambicanos.

Lula afirmou que a cooperação pode contribuir para o avanço da produção agrícola local, especialmente em áreas de savana, com uso de tecnologias desenvolvidas no Brasil. O presidente também citou possíveis parcerias em florestas, transição energética, audiovisual e combate ao crime organizado. Segundo ele, a Polícia Federal está pronta para ampliar o compartilhamento de métodos de investigação e rastreamento de ativos ilícitos.



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EUA seguem como principal destino do mel nacional


Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado na quarta-feira (19) pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os dados da Agrostat Brasil mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil exportou 30.651 toneladas de mel in natura, volume “1,5% maior do que aquele obtido em igual período de 2024”. A receita alcançou US$ 102,948 milhões, avanço de 31,2% sobre o período anterior. O preço médio nacional do mel foi de US$ 3.358,71 por tonelada, “29,2% menor que o valor médio de igual período de 2024”.

O Paraná ocupou a terceira posição no ranking nacional das exportações de mel no acumulado dos dez meses de 2025. O boletim aponta que o Estado registrou receita de US$ 18,639 milhões, volume de 5.571 toneladas e preço médio de US$ 3,35 por quilo. Em 2024, no mesmo período, o Paraná havia exportado 2.962 toneladas, faturando US$ 7,532 milhões, a um preço médio de US$ 2,54 por quilo. Minas Gerais liderou o ranking, seguido por Piauí, enquanto Santa Catarina e Ceará completaram as cinco primeiras posições. O documento também destaca a participação de São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia entre os principais exportadores.

Os Estados Unidos foram o principal destino do mel brasileiro entre janeiro e outubro, absorvendo 85,4% do total exportado. O país importou 26.137 toneladas, gerando receita de US$ 87,646 milhões, com preço médio de US$ 3,35 por quilo. No ano anterior, os EUA haviam comprado 23.767 toneladas, ao custo de US$ 61,090 milhões. Outros mercados citados incluem Canadá, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Austrália, Bélgica, Áustria, Suíça, Itália, China, Libéria, Ilhas Marshall e Japão.

O boletim recorda que, em 9 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou “a imposição de uma tarifa de 50% sobre inúmeros produtos provenientes do Brasil”, medida aplicada a partir de 6 de agosto e que afetou diretamente a apicultura brasileira. Em agosto, os EUA importaram 2.941 toneladas e gastaram US$ 10,675 milhões, valores 25% e 76,1% superiores aos registrados em agosto de 2024, indicando antecipação de compras. Em setembro, o impacto se tornou evidente: foram importadas 2.338 toneladas, 19% a menos que no ano anterior, embora o gasto tenha sido 11,4% maior. O boletim observa que a diferença ocorreu devido ao aumento de 37,4% no preço médio da tonelada do mel brasileiro.

Em outubro, o efeito da tarifa persistiu, mas de forma mais branda. Os EUA importaram 1.643 toneladas, volume 1,1% menor que em 2024, enquanto os gastos foram 20,3% superiores. O documento registra que “o aumento de 21,6% no preço médio da tonelada do mel brasileiro” elevou a receita cambial, apesar da redução no volume. A análise conclui que a tarifa norte-americana reduziu o volume exportado, mas que “a simultânea e intensa valorização do preço do mel brasileiro exportado tem, pelo menos até outubro de 2025, conseguido mitigar a perda de receita”.





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Cenário da semeadura de soja no Piauí é preocupante, aponta presidente da Aprosoja



O plantio da safra 2025/26 de soja no estado do Piauí atingiu aproximadamente 29% da área estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa 1,148 milhão de hectares, segundo informações da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja Piauí). A expectativa é de que a área cultivada avance 4,6% em relação à temporada anterior.

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De acordo com o presidente da Aprosoja Piauí, Janailton Fritzen, o cenário preocupa, já que as chuvas no estado estão muito irregulares, em contraste com a boa regularidade registrada na safra passada. A instabilidade climática tem deixado o ritmo de plantio bastante lento, e ainda não é possível afirmar se a produtividade poderá repetir a média de 4.200 quilos por hectare alcançada no ciclo anterior. Há, no entanto, previsão de chuvas no curto prazo, o que traz algum alívio ao setor.

Atraso

O diretor executivo da entidade, Rafael Maschio, reforça que o estado já contabiliza um atraso de pelo menos 20 dias na semeadura, o que pode comprometer entre 10% e 20% da área projetada para o milho safrinha. Ele acrescenta que parte das lavouras já implantadas deverá passar por replantio em função do clima irregular.

Plantio de soja no estado

Segundo estimativas da Conab, a produção de soja no Piauí pode alcançar 4,081 milhões de toneladas na safra 2025/26, aumento de 8% sobre o ciclo anterior. A produtividade média também deve subir 3,3%, chegando a 3.554 quilos por hectare.



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