terça-feira, março 24, 2026

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‘É um ano para apagar da memória’: produtor enfrenta perdas, dívida e colheita no limite em MT


Reprodução Canal Rural

A reta final da colheita no sudeste de Mato Grosso escancara um cenário de pressão extrema no campo. Em Planalto da Serra, produtores ainda tentam retirar a safra em meio a excesso de chuvas, solo encharcado e perdas crescentes de produtividade e qualidade. O que deveria ser apenas o encerramento do ciclo virou uma corrida contra o tempo para evitar prejuízos ainda maiores.

Para não perder toda a produção, o agricultor Jorge Diego Giacomelli precisou investir quase R$ 500 mil em uma solução improvisada: adaptar uma máquina usada em áreas de arroz para colher em terreno alagado. “Mais uma dívida, mais uma conta. No desespero você não faz nem conta”, afirma.

Segundo ele, o volume de chuva foi extremo. “Do dia 30 de janeiro até 15 de março, foram cerca de 850 milímetros. Solo extremamente encharcado. Não tem sido fácil para nós”, relata. A consequência direta é a queda na qualidade. “Tem áreas com 40% a 50% de avariado, com preço bem abaixo, só para não perder tudo”, aponta.

‘Ano complicado, com perdas e decisões’

A situação forçou decisões difíceis no campo. Talhões que deveriam ter sido colhidos semanas antes foram abandonados temporariamente para priorizar áreas menos afetadas. “Esse talhão aqui era para ter sido colhido há 15 dias. Tivemos que abandonar e voltar depois com máquina adaptada”, explica o produtor.

Mesmo com todo o esforço, os números não fecham. A produtividade, que poderia chegar entre 65 e 70 sacas por hectare, deve ficar pouco acima de 50 sacas. Com custo estimado em 61 sacas por hectare, o prejuízo já é certo. “Essa fazenda deve fechar com perda de cerca de 11 sacas por hectare”, calcula.

Além das dificuldades dentro da porteira, o escoamento da produção se tornou outro grande problema. A principal via da região, a MT-140, enfrenta condições críticas. “Não dá para dizer que isso é uma rodovia. É um fiasco”, critica. Segundo ele, um trajeto de 160 km pode levar mais de cinco horas devido a buracos, falta de sinalização e alto fluxo.

O custo também disparou com o diesel. “No começo da safra era R$ 6,15. Agora chegou a R$ 8,08. Um aumento de mais de 30%. Não tem bolso que aguente”, afirma. Além disso, há relatos de racionamento no abastecimento, o que aumenta ainda mais a incerteza sobre a continuidade das operações.

Diante de tantos desafios, clima adverso, logística precária e custos em alta, o produtor resume o sentimento no campo: “É um ano para apagar da memória”, conclui Jorge.

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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil exporta mais, mas enfrenta pressão nos preços


Os preços da soja recuaram no mercado brasileiro ao longo da semana de 13 a 19 de março, pressionados pelo câmbio, pelas cotações internacionais e pela queda nos prêmios de exportação. A avaliação consta em análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, divulgada na quinta-feira (19).

Segundo o relatório, com o dólar oscilando entre R$ 5,19 e R$ 5,24 e sob influência baixista da Bolsa de Chicago, os valores chegaram a R$ 116,00 por saca nas principais praças do Rio Grande do Sul, enquanto no restante do país variaram entre R$ 97,00 e R$ 115,50 por saca.

O movimento foi intensificado pela suspensão temporária das exportações brasileiras de soja para a China, inicialmente informada pela Cargill e seguida por outras tradings, como Olam, Amaggi, Louis Dreyfus Company e Bunge. A medida provocou forte reação negativa no mercado e levou à queda dos prêmios em até 20 centavos de dólar por bushel no Brasil.

A Ceema destaca a relevância da Cargill nas exportações brasileiras para o mercado chinês. Entre julho de 2025 e março de 2026, a empresa respondeu por cerca de 15% a 16% dos embarques ao país asiático. Até o surgimento do impasse comercial, o Brasil havia exportado 27 milhões de toneladas de soja, volume 25% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e 44% acima da média dos últimos cinco anos.

Diante da repercussão, o Ministério da Agricultura e Pecuária emitiu um novo ofício na noite de 13 de março, flexibilizando os embarques para a China. A medida contribuiu para a retomada gradual das operações comerciais. “Isso, e mais a lenta recuperação em Chicago, após o tombo da segunda-feira (16), permitiu uma melhora nos preços internos da oleaginosa mais para o final da semana, porém, ainda não recuperando os patamares de dias anteriores”, aponta a análise.

No campo, a colheita da soja avançava para 57,4% da área no início da semana, abaixo dos 66% registrados no mesmo período do ano passado e próxima da média histórica de 57,9%. Em Mato Grosso, principal estado produtor, os trabalhos estavam praticamente concluídos, alcançando 97% da área semeada.





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Apesar das incertezas do mercado, preço do etanol se mantém


Alíquota única de ICMS para gasolina e etanol passa a valer a partir de hoje, combustíveis
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O mercado do etanol brasileiro nos últimos dias se manteve estável. Próximo do fim da safra 2025/26 da cana-de-açúcar, usinas estão apenas repondo o estoque ou aguardando a chegada de compras fechadas previamente. Situação que motiva a baixa oferta do combustível.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), compradores já vivem a expectativa da safra 2026/27 da mercadoria, de olho no desdobramento dos preços. A previsão é que, se o planejamento se cumprir nas próximas semanas, a tendência é de uma crescente na oferta do etanol em abril. Apesar disso, em alguns estados já existem registros do início da moagem.

De acordo com o Cepea, existe ainda uma preocupação nos agentes em relação ao clima dos próximos meses nas regiões de produção, e ainda sobre o mercado petrolífero. Tensões que podem mudar os rumos do biocombustível.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Dólar forte e acordo entre Brasil e China derrubam preço da soja na Bolsa de Chicago


grãos - soja
Foto: R.R. Rufino/Embrapa

Os contratos da soja em grão operam em queda na reabertura da sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado segue pressionado pela valorização do dólar frente a outras moedas, fator que reduz a competitividade das exportações norte-americanas.

Além disso, o acordo entre China e Brasil para destravar o fluxo da oleaginosa reforça a concorrência no cenário global de exportações. Por outro lado, as oscilações do petróleo, em meio ao conflito no Oriente Médio, limitam perdas mais acentuadas.

Os contratos com entrega em maio são cotados a US$ 11,57 por bushel, com recuo de 6,50 centavos de dólar, ou 0,55%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos para julho operam a US$ 11,72 3/4 por bushel, com queda de 6,00 centavos de dólar, ou 0,50%.

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Após Trump falar em ‘conversas produtivas’, Irã endurece negociações com os EUA


Donald Trump em coletiva de imprensa sobre ação militar na Venezuela
Foto: Reprodução/Youtube

O Irã endureceu significativamente sua posição nas negociações desde o início da guerra, segundo três fontes ouvidas pela agência Reuters. A Guarda Revolucionária tem exercido crescente influência sobre as decisões estratégicas do país.

De acordo com as fontes, o governo iraniano deve exigir concessões amplas dos Estados Unidos em eventuais negociações formais. Entre os pontos estão garantias contra novos ataques militares, compensações por perdas sofridas durante o conflito e o controle formal sobre o Estreito de Ormuz.

Além disso, Teerã rejeita qualquer limitação ao seu programa de mísseis balísticos, considerado uma linha vermelha inegociável.

Há versões divergentes sobre o andamento das negociações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que já ocorreram “conversas muito, muito fortes” com o Irã. No entanto, autoridades iranianas negam publicamente qualquer contato direto.

Segundo as fontes, até o momento houve apenas discussões preliminares com países intermediários, como Paquistão, Turquia e Egito.

Caso as negociações avancem, o Irã pode enviar representantes de alto escalão, como o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o chanceler Abbas Araqchi. Ainda assim, as decisões finais permaneceriam sob controle da ala mais dura do regime, liderada pela Guarda Revolucionária.

Autoridades israelenses avaliam que um acordo é improvável. Isso porque as exigências dos Estados Unidos incluem o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã — condição considerada inaceitável por Teerã.

O controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, segue como um dos principais pontos de tensão nas negociações.

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Seguro rural recua 8,8% em 2025 e acende alerta sobre proteção financeira do agro


lavoura trator seguro rural
Foto: Divulgação

O mercado de seguro rural registrou retração em 2025, interrompendo uma sequência de crescimento observada nos últimos anos e acendendo um alerta no agronegócio brasileiro.

Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apontam que a arrecadação do segmento caiu 8,8% no último ano. O volume passou de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025.

A queda ocorre em um cenário de redução dos recursos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural, além de maior cautela por parte dos produtores diante do aumento no custo das apólices.

Menor adesão pode ampliar riscos no campo

A retração contrasta com o avanço registrado entre 2021 e 2024. Nesse período, a arrecadação saltou de R$ 9,6 bilhões para R$ 14,2 bilhões, indicando expansão da cobertura no campo.

Agora, a combinação entre queda na arrecadação e estabilidade das indenizações reforça um sinal de alerta: parte dos produtores pode estar reduzindo a contratação de seguros.

Segundo especialistas, esse movimento pode aumentar a exposição do setor a perdas causadas por eventos climáticos e oscilações de produtividade, riscos que vêm se intensificando nos últimos anos.

Mudanças no modelo

Para reverter o quadro atual, Congresso e governo têm discutido mudanças no modelo de seguro rural brasileiro. Tramita no Legislativo um projeto de lei que moderniza o seguro rural no Brasil.

O texto prevê maior integração entre crédito agrícola e seguro, criação de mecanismos de gestão de risco para instituições financeiras e a estruturação de um fundo de estabilização para o setor.

A proposta também busca dar mais previsibilidade ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado essencial para ampliar a adesão dos produtores.

Já o Ministério da Agricultura e Pecuária vem sinalizando nos últimos meses que pretende avançar com a implementação do seguro rural paramétrico no país. O modelo já vem sendo adotado em diferentes países como uma alternativa para ampliar a cobertura securitária no campo.

Em mercados como Estados Unidos, Índia, França e México, o seguro paramétrico tem sido utilizado para proteger produtores contra riscos climáticos, com indenizações baseadas em indicadores como volume de chuva, temperatura ou velocidade do vento.

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Estudo da Embrapa detecta salmonella em peixes nativos do Centro-Oeste


Foto: Yuri Porto

Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa identificou a presença da bactéria salmonella em pisciculturas de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro. O patógeno foi detectado em 88% das propriedades analisadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no país.

Os resultados acendem um alerta para a necessidade de reforço na vigilância sanitária e nas medidas de biossegurança nos ambientes de criação aquícola. A pesquisa foi coordenada pela cientista Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, com participação de especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso.

Segundo os pesquisadores, a identificação precoce dos pontos críticos de contaminação permite a adoção de medidas preventivas capazes de reduzir riscos, aumentar a segurança do alimento e garantir a sustentabilidade da produção.

Contaminação foi avaliada em diferentes biomas

O levantamento analisou pisciculturas localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado. Ao todo, foram examinadas 184 amostras de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais domésticos e silvestres presentes nas áreas de cultivo.

As análises detectaram dez sorotipos diferentes da bactéria, com predominância de Salmonella saintpaul e Salmonella newport. Também foram observados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, mas sem registro de cepas multirresistentes.

As vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção, e a contaminação foi mais elevada no período seco, indicando influência de fatores ambientais e de manejo.

Outro estudo associado avaliou 55 cepas isoladas de tambatinga, híbrido do tambaqui, e não encontrou sorotipos clássicos ligados a surtos humanos graves. Todas as amostras foram sensíveis aos antibióticos testados, sugerindo baixo risco de resistência nas condições analisadas.

Presença da bactéria não significa peixe contaminado na mesa

Os pesquisadores ressaltam que o estudo se concentrou na fase de produção, não em toda a cadeia até o consumidor final. Processamento industrial, inspeção sanitária e cozimento adequado podem eliminar o risco.

A contaminação pode ocorrer nas pisciculturas devido ao acesso de aves, animais silvestres. como jacarés e capivaras, animais de criação e domésticos, que podem contaminar solo e água dos viveiros.

Especialistas também apontam que mudanças no processamento podem reduzir riscos. Uma das sugestões é retirar vísceras e guelras antes da lavagem hiperclorada, e não depois, como ocorre atualmente em muitos frigoríficos.

Cuidados simples reduzem risco praticamente a zero

Mesmo com possível exposição a microrganismos, medidas básicas na cozinha são eficazes para prevenir intoxicações alimentares:

Armazenamento

  • Manter refrigerado (até 4 °C) ou congelado
  • Evitar deixar fora da geladeira por longos períodos

Evitar contaminação cruzada

  • Separar peixe cru de alimentos prontos
  • Usar utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos
  • Lavar mãos e superfícies após o manuseio

Cozimento seguro

  • Cozinhar completamente (acima de 70 °C)
  • Evitar consumo cru sem inspeção sanitária

Higiene na cozinha

  • Descartar líquidos da embalagem
  • Higienizar a pia após o preparo
  • Priorizar produtos inspecionados

Monitoramento deve avançar para outras regiões

Os cientistas defendem programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considera a relação entre saúde animal, humana e ambiental.

Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras e desenvolver protocolos de boas práticas diretamente aplicáveis às pisciculturas. O objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas que aumentem a segurança dos alimentos e a competitividade da aquicultura brasileira.

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JBS abre mais de 500 vagas de emprego com início imediato


vagas na JBS
Foto: JBS/divulgação

A JBS anunciou a abertura de mais de 500 vagas de emprego em unidades das marcas Friboi e Seara no interior de São Paulo. As oportunidades são para início imediato e contemplam diferentes perfis, incluindo candidatos com e sem experiência.

As vagas estão distribuídas entre cinco cidades paulistas e fazem parte de um movimento da companhia para reforçar a operação industrial, ampliando a produção e gerando emprego na região.

Mais de 500 vagas em cinco cidades

As oportunidades estão divididas da seguinte forma:

  • Nuporanga: 150 vagas
  • Lins: 137 vagas
  • Amparo: 104 vagas
  • Osasco: 70 vagas
  • Itapetininga: 40 vagas

As vagas são para diversas funções dentro da indústria de alimentos, inclusive com processos seletivos para o programa Evoluir, direcionado a jovens aprendizes, e incluem cargos para candidatos com ou sem experiência, além de oportunidades exclusivas para pessoas com deficiência (PCDs).

Em Nuporanga, na unidade da Seara, estão abertas 150 vagas para operador de produção. Os interessados podem entregar currículo na unidade, localizada na Rodovia Waldyr Canevari, km 6, toda quinta-feira, às 9h, ou enviar o currículo pelo WhatsApp (16) 99792-4706.

Na unidade da Friboi, em Lins, são 137 oportunidades de trabalho, sendo para operador de produção (54), refilador (4), desossador (2), operador de caldeira (1), além de 76 vagas para jovem aprendiz, com idade entre 18 e 23 anos. Os interessados devem entregar currículo presencialmente na unidade, das 7h às 9h, localizada na Via de Acesso Lins-Getulina, s/nº – Parque Industrial, ou enviar para o e-mail: recrutamentofriboilins@friboi.com.br.

Em Amparo, são 104 vagas de emprego abertas na unidade da Seara, destinadas ao cargo de operador de produção. Os interessados em participar do processo seletivo devem comparecer presencialmente à unidade, localizada na Rodovia João Beira, km 48,2. As entrevistas são realizadas a partir das 8h para candidatos às vagas do turno da manhã e a partir das 16h para os interessados nas funções do turno da tarde.

Na unidade da Seara, em Osasco, são 70 vagas de emprego abertas para operador de produção, em diferentes atividades na linha de produção, processamento e embalagem de produtos. Os interessados em participar do processo seletivo devem enviar currículo para o WhatsApp (11) 93766-1433. Também é possível se candidatar presencialmente na unidade, localizada na Avenida das Comunicações, 333. Basta levar os documentos pessoais.

Em Itapetininga, a unidade da Seara está com 40 vagas de emprego abertas para operador de produção, em diferentes atividades na linha de produção. Os interessados devem enviar currículo para os WhatsApps: (15) 99618-9011 ou (15) 99694-2954. Também é possível se candidatar presencialmente na unidade, localizada na Rodovia Raposo Tavares, Km 176,8, Bairro Do Pinhal. Basta levar os documentos pessoais.

Para participar do processo seletivo, em todas as vagas, é necessário ter idade mínima de 18 anos e apresentar documentos pessoais (RG, CPF e comprovante de residência). As oportunidades são oferecidas sob o regime de contratação CLT, com benefícios previstos pela categoria.

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AgroNewsPolítica & Agro

O lado oculto do comércio com a China


O papel do Brasil no comércio global de soja vai além da simples exportação de commodities e envolve uma dinâmica mais complexa de organização da cadeia produtiva. A avaliação é de Carlos Alberto Tavares Ferreira, estrategista e fundador da Carbon Zero, que aponta uma leitura equivocada sobre a relação entre Brasil e China nesse mercado.

Segundo a análise, a China absorve entre 70% e 80% das exportações brasileiras de soja, enquanto empresas ligadas ao país asiático ampliam presença em diferentes etapas do setor. A COFCO Corporation já movimenta de 10% a 15% das exportações de grãos do Brasil, consolidando posição entre as principais tradings em operação no país. Ao mesmo tempo, a China Merchants Port mantém participações relevantes em terminais portuários na América Latina, incluindo ativos estratégicos em território brasileiro.

O movimento segue uma lógica de integração vertical iniciada na última década. A aquisição da Nidera e da Noble Group Agri, concluída em 2017, e a compra da Syngenta por US$ 43 bilhões pela ChemChina são exemplos dessa estratégia, que conecta trading, logística, infraestrutura e tecnologia agrícola.

Na prática, o produtor brasileiro permanece responsável pelo cultivo e parte do financiamento da produção, mas depende de estruturas que envolvem capital estrangeiro para comercialização e escoamento. O resultado é uma participação ativa na produção, mas sem controle sobre o sistema como um todo.

Os investimentos chineses em infraestrutura, que superam US$ 20 bilhões em portos ao redor do mundo, além do avanço sobre corredores logísticos e projetos como a ferrovia bioceânica entre Brasil e Peru, reforçam essa integração. Embora contribuam para reduzir custos, esses projetos também ampliam a influência externa sobre a cadeia.

Esse cenário impacta a formação de preços, já que a concentração de funções em um único agente tende a estruturar o mercado, reduzindo sua dinâmica plenamente competitiva. Para o estrategista, o principal desafio do Brasil está no diagnóstico dessa relação, ainda vista como simples exportação, quando na realidade representa a inserção em uma cadeia global controlada por outro Estado.

 





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SP adota medidas sanitárias para proteger produção de tilápia contra vírus com alta mortalidade


Tilápia
Foto: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

O Governo de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia diante do risco de introdução do Tilapia Lake Virus (TiLV), considerado uma das principais ameaças emergentes à aquicultura mundial.

A norma define protocolos obrigatórios de controle sobre o ingresso, trânsito, comercialização e processamento de tilápia e seus derivados oriundos de países com ocorrência confirmada da doença ou de outros patógenos exóticos.

A medida tem caráter preventivo e busca preservar o status sanitário da aquicultura paulista, em um momento em que ainda há incertezas sobre a importação de tilápia no país, tema em avaliação pelo Ministério da Agricultura.

“A cadeia da tilápia tem ganhado relevância no agro paulista, com crescimento da produção e geração de empregos. Esse avanço exige uma atenção sanitária cada vez maior”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

Controle sanitário e rastreabilidade passam a ser obrigatórios

A resolução determina que todos os produtos de tilápia, frescos ou congelados, inteiros ou processados, provenientes de países com registro da doença estejam sujeitos a controle sanitário rigoroso em todo o território paulista.

Entre as exigências estão a identificação e rastreabilidade dos lotes, a segregação por origem e a manutenção de registros sanitários e fiscais por pelo menos 12 meses.

Os produtos também deverão estar disponíveis para fiscalização e inspeção pelos órgãos competentes.

As regras se aplicam tanto a itens destinados ao consumo humano quanto à alimentação animal, processamento industrial e subprodutos.

Fiscalização será ampliada em toda a cadeia

A execução das medidas ficará sob responsabilidade da Defesa Agropecuária do Estado, que poderá realizar inspeções em cargas, estabelecimentos e documentos.

Entre as ações previstas estão a apreensão e interdição de produtos, aplicação de sanções administrativas e determinação de medidas corretivas em caso de risco sanitário.

A fiscalização contará ainda com atuação integrada de vigilâncias sanitárias municipais, Procon-SP e outros órgãos, ampliando o alcance do controle em toda a cadeia produtiva.

Vírus pode causar perdas de até 90% na produção

O Tilapia Lake Virus (TiLV) já foi registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio e é considerado altamente agressivo.

Segundo a médica-veterinária Ieda Blanco, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos, o vírus pode causar mortalidade de até 90% nos plantéis infectados, além de apresentar rápida disseminação.

“A prevenção contra a introdução do agente é fundamental, pois os impactos econômicos podem ser imensos para a cadeia produtiva”, afirma.

Medida busca preservar crescimento do setor

A resolução adota o princípio da precaução ao estabelecer barreiras sanitárias antes mesmo da ocorrência da doença no Brasil.

São Paulo é uma das principais regiões produtoras de tilápia do país, com estrutura industrial consolidada e produção em larga escala, o que aumenta a importância de medidas de proteção.

“A prevenção sanitária é decisiva para garantir a continuidade da produção, proteger empregos e sustentar o crescimento da cadeia”, destaca o presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado, Martinho Colpani.

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