
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto de lei que aumenta o número de deputados de 513 para 531.
O prazo final para a decisão do petista era justamente nesta quarta-feira (16). Entre os motivos do impedimento utilizado pelo chefe do Executivo está a manifestação do Ministério da Fazenda que avalia que o acréscimo de parlamentares vai contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O impacto anual estimado com o aumento seria de, aproximadamente, R$ 65 milhões ao ano a cada deputado, incluindo, nessa conta, salários, benefícios e estrutura física para as vagas.
Além disso, conforme apuração do jornal Folha de S. Paulo, interlocutores do presidente lembraram a Lula que o governo federal tem sido continuamente cobrado pelos próprios deputados da oposição justamente para reduzir custos e adotar uma política de austeridade fiscal.
Também de acordo com o veículo, Lula já havia se manifestado contra a medida a aliados, embora pressionado pela ala mais política do governo. O presidente defendia, em conversas, a redistribuição das cadeiras da Câmara dos Deputados conforme o aumento populacional dos estados.
Isso porque o artigo 45 da Constituição Federal determina um número mínimo de representantes para cada unidade federativa, conforme a população local, desde que o contingente não seja inferior a oito e nem superior a 70. Diante disso, surgiu a discussão — já aprovada pelo Senado — de aumento do número de deputados.
A medida é capitaneada pelo presidente da Casa, Hugo Motta, e o veto de Lula pode representar mais um capítulo de atrito entre o Executivo e o Legislativo que, nos últimos dias, tem mostrado sintonia diante do anúncio de Donald Trump de aumento de tarifa de exportação a produtos brasileiros embarcados aos Estados Unidos.
No dia 6 de maio, o comentarista do Canal Rural Miguel Daoud já havia criticado a tentativa da Câmara de aumentar o número de parlamentares. “Enquanto países com sistemas representativos mais eficientes revêem suas estruturas para torná-las mais enxutas e conectadas à realidade fiscal, o Brasil caminha na contramão, ignorando os limites de um Estado que já opera no vermelho”, disse, à época.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outras instituições chegou à conclusão que o principal prejudicado com as elevações de tarifas impostas por Donald Trump a parceiros comerciais são, justamente, os Estados Unidos.
Conforme a pesquisa, o PIB norte-americano pode cair 0,37% a partir das barreiras tarifárias impostas a Brasil, China e 14 outros países, além das taxas impostas à importação de automóveis e aço de qualquer lugar.
Quanto ao Brasil e à China, a projeção é que o tarifaço reduza o produto interno bruto de ambos em 0,16%, além de provocar uma queda de 0,12% na economia global e uma retração de 2,1% no comércio mundial (o equivalente a US$ 483 bilhões).
“Os números mostram que esta política é um perde-perde para todos, mas principalmente para os americanos. A indústria brasileira tem nos EUA seu principal mercado, por isso a situação é tão preocupante. É do interesse de todos avançar nas negociações e sensibilizar o governo americano da complementariedade das nossas relações. A racionalidade deve prevalecer”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O levantamento da Confederação mostra o peso do mercado norte-americano para o faturamento bruto da indústria brasileira (em %) em nove setores:
A CNI ressalta que o conjunto de tarifas impostas aos norte-americanos a diversos parceiros comerciais, incluindo Brasil (50%) e China (30%), terá efeitos negativos sobre a economia global e, principalmente, sobre a dos EUA:
Impactos gerais na economia brasileira:
O levantamento também mostra os setores mais prejudicados com a tarifa sobre o Brasil:
O Brasil aplica tarifa média de 2,7% às importações de produtos norte-americanos. Os estudos compilados pela CNI mostram que nos últimos dez anos (2015-2024), os Estados Unidos mantiveram superávit consistente com o Brasil: US$ 43 bilhões em bens, US$ 165 bilhões em serviços.
Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, sendo o destino de 12% das exportações brasileiras e a origem de 16% das importações.
Atualmente, os norte-americanos são os principais compradores da indústria de transformação brasileira, correspondendo a 78,2% das compras em 2024.

O mercado brasileiro de soja teve um dia de preços firmes nesta quarta-feira, com suporte vindo da valorização na Bolsa de Chicago e da leve alta do dólar. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o cenário favoreceu a realização de bons volumes de negócios, principalmente nos portos, com alguns ajustes no interior.
Os prêmios tiveram variações pontuais e, segundo Silveira, os preços no interior já operam acima da paridade, o que estimula o produtor a vender.
Confira as cotações de soja no Brasil:
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o dia em alta, impulsionados por uma cobertura de posições vendidas e pela expectativa de aumento da demanda externa, após anúncio de acordo comercial entre Estados Unidos e Indonésia. O presidente Donald Trump anunciou tarifa de 19% para produtos importados da Indonésia, enquanto os produtos norte-americanos ficariam isentos, favorecendo o escoamento da soja dos EUA.
Além disso, exportadores privados informaram ao USDA a venda de 120 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega prevista para 2025/26. O relatório de esmagamento de junho veio levemente acima das expectativas, reforçando o sentimento positivo.
O contrato agosto da soja em grão fechou a US$ 10,13 1/2 por bushel, alta de 18,50 centavos (1,87%). A posição novembro subiu 18,75 centavos (1,87%), encerrando a US$ 10,20 1/2 por bushel. No farelo, agosto fechou com valorização de US$ 3,10 (1,16%), a US$ 268,40 por tonelada. O óleo de soja para agosto subiu 0,26 centavo (0,47%), a 54,82 centavos de dólar por libra-peso.
O dólar comercial fechou com leve alta de 0,04%, cotado a R$ 5,5609 para venda e R$ 5,5589 para compra. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre R$ 5,5408 e R$ 5,5943.
A pecuária brasileira está diante de uma oportunidade histórica: liderar a agenda climática global com base na recuperação de pastagens degradadas. Quer saber como a pecuária brasileira pode se tornar protagonista na agenda climática? Assista à entrevista abaixo e entenda o potencial da recuperação de pastagens.
Essa prática não só melhora a produtividade do solo, como contribui diretamente para a redução das emissões de carbono e o aumento da sustentabilidade no agronegócio.
O alerta vem em um momento estratégico. Com a COP 30 marcada para 2025, em Belém (PA), é hora de o agro nacional mostrar sua força e compromisso ambiental. Quem reforçou essa visão foi Gustavo Spadotti, chefe geral da Embrapa Territorial, em entrevista ao programa Giro do Boi nesta quarta-feira, 16 de julho.
Segundo ele, o Brasil tem dados concretos e tecnologia para provar que é possível produzir mais, com menos impacto ambiental, valorizando o que já foi desmatado e combatendo o avanço em áreas sensíveis.

A Embrapa Territorial mapeou 44 milhões de hectares de pastagens com algum grau de degradação. Esse levantamento, feito com imagens de satélite e dados oficiais, permite identificar onde é possível intervir para reformar, recuperar ou até transformar essas áreas.
As opções são variadas:
Esse mapeamento serve como base para que políticas públicas e programas de financiamento sejam mais eficientes, atingindo quem realmente precisa e deseja investir em sustentabilidade.

O solo das pastagens tem papel estratégico na captura de carbono. Quando bem manejadas, essas áreas funcionam como um verdadeiro “sumidouro de carbono”, ajudando o Brasil a alcançar metas ambientais com produtividade.
Por outro lado, quando degradadas, elas emitem carbono para a atmosfera, comprometendo tanto a sustentabilidade quanto a rentabilidade das fazendas. A recuperação dessas áreas, segundo Spadotti, é uma medida urgente e eficaz para:

O Brasil tem números que muitos países gostariam de exibir: 66% do território está preservado, enquanto a produção agropecuária ocupa apenas 30% da área nacional. Mesmo assim, somos líderes mundiais na exportação de alimentos.
Esses dados fazem parte do chamado “gráfico de atribuição, ocupação e uso das terras”, apontado por Spadotti como o “green card do agro brasileiro” — ou seja, a prova de que é possível produzir e preservar ao mesmo tempo.
Na visão do especialista, é fundamental comunicar essa realidade de forma clara na COP 30 e em fóruns internacionais, mostrando que o Código Florestal brasileiro e o papel dos produtores rurais na preservação fazem do Brasil uma referência única no mundo.
A recuperação de pastagens degradadas é uma das principais ferramentas para consolidar o Brasil como líder climático no agro. Além disso, representa uma estratégia rentável, que melhora a fertilidade do solo, reduz custos com insumos e garante mais segurança para os rebanhos.
Combater o desmatamento ilegal é importante, mas é preciso reconhecer o que já vem sendo feito de forma correta. O produtor rural brasileiro é parte da solução e deve ocupar com orgulho esse protagonismo na construção de um modelo agroambiental exportável.

O mercado físico do boi gordo volta a apresentar queda nos preços. O adicional tarifário de 50% imposto pelos Estados Unidos a todos os produtos brasileiros acentuou o movimento de queda que já estava presente há algumas semanas.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a expectativa de curto prazo remete a continuidade deste movimento no curto prazo, com quedas contundentes evidenciadas em Rondônia, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso no decorrer da semana.
“A grande presença de animais confinados no mercado reduz a capacidade de retenção do pecuarista. Os frigoríficos ainda contam com relativo conforto em suas escalas de abate, posicionadas entre oito e nove dias úteis na média nacional”, ressalta.
O mercado atacadista ainda se depara com manutenção do padrão dos negócios no decorrer, mas a conjuntura continua apontando para retração dos preços, considerando um período de menor apelo ao consumo (segunda quinzena do mês).
“Além disso, a carne de frango ainda dispõe de maior competitividade na comparação com as demais proteínas de origem animal”, pontuou Iglesias.
O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 22,50 por quilo, o dianteiro segue cotado a R$ 18,75 por quilo; e a ponta de agulha permanece a R$ 18,50, por quilo.
O dólar comercial encerrou em alta de 0,04%, sendo negociado a R$ 5,5609 para venda e a R$ 5,5589 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5408 e a máxima de R$ 5,5943.
Senado aprovou criação de uma comissão temporária

Foto: Pixabay
O Senado aprovou nesta terça-feira (15) a criação de uma comissão temporária externa para atuar diplomaticamente junto ao Congresso norte-americano. O objetivo é estabelecer canais de diálogo para buscar uma solução para a decisão do presidente Donald Trump de adotar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
O grupo, formado por quatro senadores, viajará para Washington entre os dias 29 e 31 de julho e funcionará por 60 dias.
O requerimento para a criação da comissão (RQS 556/2025) foi apresentado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Segundo Nelsinho, a ideia é construir uma “ponte de diálogo” com os Estados Unidos num momento em que os canais diplomáticos tradicionais enfrentam dificuldades.
Ele destacou que frigoríficos brasileiros estão avaliando se vão manter as exportações de carne bovina para os Estados Unidos. E apontou que outros setores também estão preocupados com a taxação, que está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
— Empresário precisa de previsibilidade. A gente precisa equacionar esta situação. Vamos buscar esse entendimento, abrir esse diálogo e saber exatamente o que está acontecendo — disse o senador.
Mais cedo, a CRE debateu a crise tarifária com representantes do governo federal e do setor produtivo.

Nesta terça-feira (15), Peru, Jordânia e Hong Kong retiraram as restrições à exportação de carne de frango brasileira, após a conclusão do foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), a gripe aviária, registrado no município de Montenegro (RS).
Além disso, o Kuwait reduziu as restrições do estado do Rio Grande do Sul ao município de Montenegro (RS).
Dessa forma os três que retiraram as restrições passam a integrar a lista dos agora 30 países que não apresentam restrições de exportação. A lista inclui importantes parceiros comerciais do Brasil como os Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Reino Unido e Argentina.
Outro importante parceiro comercial do Brasil no mercado de carne de frango, o Japão, ainda aplica restrições, mas apenas voltadas aos municípios de Montenegro (RS), Campinápolis (MT) e Santo Antônio da Barra (GO).
A China segue na lista de países que ainda aplicam a restrição total aos embarques da carne de frango brasileira. No ano passado, o país foi o principal destino da proteína, importando um volume de 562 mil toneladas.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
Pecuaristas de todo o Brasil enfrentam um desafio constante no manejo sanitário: o controle eficaz das verminoses. Quer otimizar seu programa de vermifugação e proteger seu rebanho? Assista ao vídeo e veja as dicas do especialista!
E, segundo especialistas, um erro comum nas fazendas pode comprometer a saúde dos animais e causar prejuízos silenciosos: o uso repetido de vermífugos com o mesmo princípio ativo.
No programa Giro do Boi desta quarta-feira, 16 de julho, o médico-veterinário Lucas Borgmann, consultor da Vetoquinol Saúde Animal no Rio Grande do Sul, respondeu à dúvida do pecuarista Fábio Spegiorin, de Mirandópolis (SP).
Ele explicou que a rotação de princípios ativos é essencial para evitar que os parasitas se tornem resistentes aos medicamentos usados no rebanho.


De acordo com Borgmann, os vermífugos disponíveis no mercado brasileiro estão divididos em três grandes grupos de anti-helmínticos:
Alternar os produtos dentro do mesmo grupo não resolve. Por exemplo, usar Ivermectina e depois Doramectina não impede a resistência, pois ambos pertencem ao grupo das lactonas macrocíclicas. É preciso trocar de grupo para que o organismo do parasita não se adapte ao tratamento.


A fase de recria é a mais crítica no controle de vermes, pois os animais estão mais susceptíveis a infestações. Por isso, o especialista recomenda pelo menos quatro vermifugações por ano nessa categoria.
Uma das estratégias sugeridas por Borgmann é o modelo “três para um”:
Essa rotação inteligente diminui a pressão de seleção sobre os parasitas, evitando a perda de eficácia dos medicamentos com o passar do tempo.


Um bom planejamento de vermifugação é peça-chave para manter a saúde e o desempenho do rebanho.
O uso incorreto de vermífugos pode até parecer eficiente no início, mas a longo prazo abre espaço para falhas no controle sanitário e impacto na produtividade.
Manter o rebanho saudável exige mais que aplicar medicamentos. É preciso inteligência no manejo, observação de sintomas, apoio técnico e, acima de tudo, estratégia.
Alternar os princípios ativos de vermífugos é uma prática simples, mas que pode evitar grandes prejuízos lá na frente.
A saúde do rebanho começa no manejo consciente. Evite a resistência, preserve a eficácia dos produtos e colha os resultados no campo.

Onze instituições e entidades beneficentes de Alegrete, Cruz Alta e São Gabriel, todas no Rio Grande do Sul, receberam 3,26 toneladas de carne bovina desossada nesta quarta-feira (16).
A doação foi feita por servidores agropecuários do estado em ação oriunda de abate sanitário com inspeção de 44 animais sem origem comprovada apreendidos durante atividade de fiscalização.
Seis entidades de Alegrete foram beneficiadas com 1.900 quilos de carne: três instituições de longa permanência para idosos, o Hospital da Santa Casa, a APAE e uma moradia transitória.
Em São Gabriel, três entidades receberam a doação de 960 quilos: a Santa Casa e duas instituições de longa permanência para idosos. O Hospital de Cruz Alta e uma instituição de longa permanência para idosos do município foram beneficiados com 400 quilos.
A apreensão dos animais foi realizada no dia 24 de junho, em propriedade rural do município de Quaraí. Esta etapa da ação e o carregamento dos bovinos teve apoio da Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) de Alegrete.
A fiscal estadual agropecuária Camila Mario Brites, de Alegrete, ressalta a importância desta ação como medida de defesa sanitária que minimiza riscos e preserva a rastreabilidade e biosseguridade do rebanho.
“A apreensão e o abate sanitário destes animais, além de garantirem a sanidade do rebanho gaúcho, geram doações para entidades assistenciais e promovem a segurança alimentar de pessoas em situação de vulnerabilidade”, comenta o vice-presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (Afagro), Giuliano Suzin.