quinta-feira, março 19, 2026

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CNA debate cenário atual e perspectivas do mercado de combustíveis


O preço e disponibilidade de diesel e o cenário atual e perspectivas do mercado de combustíveis foram discutidos, na quarta (18), durante reunião extraordinária da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O presidente Alexandre Schenkel conduziu os debates e demonstrou preocupação com o aumento dos custos de produção da cadeia de grãos, diante dos recentes conflitos geopolíticos, que têm impactado o mercado de combustíveis.

“A reunião foi convocada para alinharmos com as Federações Estaduais a situação do diesel que se tornou prioridade nas últimas semanas. A indefinição do conflito no Oriente Médio gera grande instabilidade no mercado e pode afetar nossos custos de produção por um bom tempo, disse”.

Durante a reunião, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, fez uma apresentação sobre a disponibilidade de diesel e as ações do setor privado e do governo para conter as altas nos preços. Ele citou os ofícios que a entidade encaminhou ao Ministério da Fazenda e ao Confaz solicitando redução imediata e temporária de tributos sobre o óleo diesel, como PIS/Pasep, Cofins e ICMS.

“O governo atendeu o nosso pleito por meio da MP 1340/2026, que reduz em cerca de 32 centavos o preço por litro e ainda estabelece multas de R$ 50 mil a R$ 500 milhões para elevação abusiva de preços. Já em relação ao Confaz, que trata do ICMS, ainda não tivemos sinalização positiva”, disse Bruno.

O diretor técnico pontuou que, em reunião da Frente parlamentar da Agropecuária (FPA), foram discutidas ações para mitigar os preços do diesel e dos fertilizantes, como o aumento da mistura de biodiesel no diesel de 15% para 17%; a adequação tributária para o tratamento diferenciado para biodiesel e a redução das alíquotas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para zero.

“A situação do diesel é preocupante, pois vivemos um momento de intenso uso do combustível nas atividades agrícolas, inclusive no escoamento da produção. O produtor já está endividado, não consegue tomar crédito, enfrenta uma rentabilidade ruim, tudo isso em um cenário de Selic a 15%. Por isso, precisamos estar atentos e trabalhar para reduzir esses impactos no bolso do produtor”, concluiu Lucchi.

Em seguida, o analista da StoneX Thiago Vetter apresentou o cenário atual e as perspectivas do mercado de combustíveis, destacando os efeitos das tensões geopolíticas. Segundo ele, os preços do petróleo Brent estão acima de US$ 100 por barril, assim como em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia 

Thiago explicou que os conflitos no Oriente Médio têm impactado regiões estratégicas para o escoamento do petróleo, como o estreito de Ormuz, considerada a principal passagem do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo da região.

Entre os combustíveis, o diesel foi o que registrou uma das maiores altas, chegando a US$ 4,40 por galão. De acordo com o analista, a dependência brasileira de importações do produto intensifica esse cenário, ampliando a defasagem entre os preços nacionais e internacionais. “Em uma semana, os valores do diesel subiram de R$ 6,15 para R$ 6,89, e a tendência é que continue subindo”.

Em relação ao abastecimento, Thiago Vetter informou não há risco imediato para o mês de março, uma vez que o volume estimado de diesel no país está em 1,1 bilhão de m³, suficiente para atender toda à demanda. Entretanto, abril pode ser preocupante.  “É difícil ter uma visão clara da evolução de preços. Podemos estar olhando para um evento similar ao de 2022 e o efeito dos preços seja mais prolongado”, concluiu.

Outro tema tratado na reunião foi o modelo atual de uso e acesso à biotecnologia na soja e seus impactos distintos entre as regiões produtoras.





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Soja avança na colheita no RS, mas quebra de 9,7% reduz potencial produtivo


lavoura de soja
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

A colheita da soja no Rio Grande do Sul começa a ganhar ritmo e já alcança 5% da área cultivada, segundo relatório semanal da Emater-RS divulgado nesta quinta-feira (19). A cultura se aproxima do final do ciclo, com predominância das fases de enchimento de grãos (50%) e maturação (37%).

Apesar do avanço nas lavouras, as condições climáticas seguem impactando o desempenho da safra. A irregularidade das chuvas, combinada com temperaturas elevadas, tem provocado grande variabilidade entre áreas, inclusive dentro de uma mesma região.

De acordo com a Emater, as lavouras semeadas no início da janela já estão em fase de maturação fisiológica ou em colheita. Já as áreas plantadas mais tardiamente ainda dependem de melhores condições hídricas para garantir o enchimento adequado dos grãos e a definição da produtividade.

O estresse térmico e hídrico ao longo do período reprodutivo também acelerou o ciclo das plantas, com antecipação da senescência foliar, o que resultou em perda de potencial produtivo em parte das áreas. A heterogeneidade entre lavouras permanece elevada, refletindo diferenças de manejo, regime de chuvas e época de plantio.

No campo fitossanitário, produtores intensificam o controle de doenças e pragas, com destaque para a ferrugem-asiática, especialmente nas áreas ainda em fase de enchimento de grãos.

A estimativa atual aponta produtividade média de 2.871 quilos por hectare, uma queda de 9,7% em relação à projeção inicial da safra. A área cultivada no estado está estimada em 6,62 milhões de hectares.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro


Orçamento, STF, Senar, desapropriação
Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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Bioinsumos ganham força como solução sustentável e colocam o Brasil em destaque global


Bioinsumos Tratado de Budapeste
Foto: Divulgação Senar-GO

Em um cenário global cada vez mais pressionado por práticas sustentáveis, os bioinsumos avançam como alternativa estratégica para aliar produtividade e responsabilidade ambiental. O Brasil já desponta como uma das principais potências nesse mercado, impulsionando modelos agrícolas mais eficientes e regenerativos.

O mercado global de bioinsumos já movimenta cerca de 15 bilhões de dólares, sustentado por uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis e pela redução no uso de químicos na produção.

“Hoje existe um apelo da sociedade por alimentos mais saudáveis e práticas agrícolas que são mais sustentáveis. Então, o bioinsumo é uma alternativa sustentável para a produção de alimentos”, destaca a diretora de operações da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), Larissa Bonotto.

Quais fatores explicam o crescimento?

A maior conscientização dos consumidores, intensificada após a pandemia, também tem ampliado a busca por rastreabilidade e práticas mais sustentáveis no campo.

Nesse cenário, o Brasil ocupa posição de destaque e já figura entre os três maiores mercados globais. Um dos principais diferenciais é o uso em larga escala, especialmente em culturas como soja e milho.

“O bioinsumo em outros locais do mundo, ele tende a ser utilizado em culturas de menor escala, então é utilizado em tomate, frutas e verduras. Então, por isso que o Brasil acaba tendo esse número tão grande e expressivo”, explica Larissa Bonotto.

Novas oportunidades

Segundo Larissa Bonotto, o uso vem se expandindo para outras culturas, como cana-de-açúcar, citros, trigo e sorgo. A expectativa é de crescimento acelerado, com projeção de aumento de 66% na área tratada com bioinsumos até 2030.

Foto: reprodução/Planeta Campo

Além de elevar a produtividade, os bioinsumos também avançam em diferentes frentes tecnológicas. De acordo com Larissa Bonotto, produtos como inoculantes já são considerados essenciais em sistemas de alta produtividade como a soja, enquanto soluções de controle biológico têm ganhado espaço rapidamente no mercado.

“Está aumentando muito a utilização do bioinsumo como controle biológico. Por exemplo, bionematicidas representam 30% desse mercado, mas está crescendo também muito biofungicida e bioinseticida. Tem vários trabalhos com bioherbicida que ainda não estão sendo utilizados, mas já tem trabalhos para termos bioherbicidas”, destaca.

Regulamentação

Mesmo antes de uma regulamentação mais ampla, o Brasil já conta com mais de 1.500 bioinsumos registrados. Para Larissa Bonotto, o ambiente regulatório atual é considerado positivo e reflete a maturidade da pesquisa nacional em biotecnologia, que já se desenvolve há décadas e agora ganha escala comercial.

Desafios

Apesar do cenário promissor, o setor enfrenta desafios importantes, o principal deles é o acesso ao crédito. Com juros elevados e preços mais baixos das commodities agrícolas, produtores, distribuidores e indústrias sentem pressão financeira, o que pode limitar o ritmo de expansão.

“Estamos tendo um cenário aonde as commodities agrícolas elas estão com preço menor. Então eu tenho um produto que teoricamente produz um lucro líquido menor com uma taxa de financiamento maior. A conta não fecha”, explica Larissa Bonotto.

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O agro na era das canetas emagrecedoras 


Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde.
Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde.

A mudança que estamos vendo no consumo global não nasceu de campanhas de conscientização, mas da medicina. Nos Estados Unidos e na Europa, o uso em massa de remédios como Ozempic e Mounjaro está criando um impacto que vai muito além das farmácias, atingindo em cheio o varejo alimentar.

Esses medicamentos agem diretamente na saciedade. Na prática, eles “desligam” o consumo por impulso, aquele chocolate no caixa ou o salgadinho extra no carrinho. O resultado aparece rápido nos números: dados de grandes redes mostram que famílias que usam essas medicações reduziram seus gastos em supermercados entre 6% e 9%. Para um setor que vive de volume e repetição, esse recuo é um alerta vermelho.

O cenário deve acelerar com a entrada dos governos na jogada. Já existem movimentos para transformar esses remédios em política de saúde pública, barateando o custo ou oferecendo doações. Nos EUA, maior mercado do mundo, Donald Trump já sinalizou que pretende derrubar os preços para massificar o acesso. Se o remédio ficar barato, a mudança deixa de ser um nicho e vira regra.

Para o setor de proteína animal, o impacto é direto e traz oportunidades. Como esses medicamentos causam perda de peso rápida, os usuários precisam aumentar o consumo de proteínas magras para evitar a perda de massa muscular. O Agro sai ganhando se focar em cortes premium e funcionais. O consumidor passa a comprar menos volume de comida, mas exige mais qualidade e densidade nutricional no que coloca no prato.

Gigantes como Nestlé, PepsiCo e outras já entenderam o momento e estão reformulando portfólios, focando em porções menores e produtos com mais nutrientes. O desafio agora não é vender mais, mas vender de um jeito diferente. Quando a fome deixa de ser o motor principal das compras, o mercado precisa se reinventar. A relação entre biologia e economia entrou em uma nova fase, e quem não se adaptar ao “consumidor sem fome” vai ficar para trás.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Agro mineiro avança com alta de 15,7% nas exportações de ovos


classificação de ovos
Foto: Divulgação Anffa Sindical

As exportações de ovos de Minas Gerais registraram crescimento de 15,7% no volume embarcado nos dois primeiros meses de 2026, totalizando 1,1 mil toneladas. No mesmo período, a receita avançou 4,4%, somando US$ 1,5 milhão, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

O desempenho foi impulsionado principalmente pela demanda do Chile, responsável por cerca de 70% das compras. A abertura do mercado chileno em 2023, por meio do modelo de pre-listing, contribuiu para facilitar o acesso dos exportadores brasileiros e fortalecer a posição do país como principal destino dos ovos mineiros.

Além do Chile, os embarques também alcançaram mercados como Mauritânia, Serra Leoa, Gâmbia, Cuba, Colômbia, Itália e Japão, reforçando a diversificação geográfica da produção.

De forma geral, Minas Gerais exportou US$ 2,4 bilhões no acumulado de janeiro a fevereiro, com embarque de 1,5 milhão de toneladas. Apesar da queda de 5,2% no valor, houve leve alta de 0,3% no volume, indicando que a retração esteve mais relacionada à queda de preços e mudanças no mix exportador do que à redução física dos embarques.

Outros produtos

No recorte por produtos, o café segue como principal item da pauta, com US$ 1,6 bilhão exportados (-8,8%) e 3,6 milhões de sacas (-28,1%). O setor de carnes (bovina, suína e frango) apresentou desempenho positivo, com receita de US$ 274,7 milhões (+11,4%) e 76,2 mil toneladas (+3%), desempenhando papel relevante na sustentação das exportações.

O segmento sucroalcooleiro somou 535,6 mil toneladas exportadas e US$ 191 milhões em receita, com queda de 3,3% no valor, mas crescimento de 27% no volume. Já o complexo soja (grãos, óleo e farelo) registrou US$ 130,3 milhões e 289,5 mil toneladas embarcadas, com altas de 41,7% em valor e 31,2% em volume, acompanhadas pela valorização do preço médio.

Ao todo, 397 produtos agropecuários mineiros foram exportados para 148 países, com destaque para mercados como China, Estados Unidos, Alemanha e Itália, consolidando a diversidade e a capilaridade internacional da pauta exportadora do estado.

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Produção de peixes cresce, ganha tecnologia e gera mais renda no Espírito Santo


tilápia é destaque na criação de peixes no Espírito Santo
Foto: Incaper/divulgação

A aquicultura do Espírito Santo vem consolidando um movimento de retomada e expansão, com a produção de peixes cultivados, alcançando cerca de 7,1 mil toneladas. O volume representa um crescimento de 73% em relação ao menor patamar registrado pelo setor, quando a atividade somou 3,73 mil toneladas, e mostra uma recuperação importante da piscicultura capixaba nos últimos anos.

O avanço também aparece no valor gerado pela atividade. A produção estadual chegou a R$ 68,4 milhões, mais que o dobro do registrado em 2020, quando o setor movimentou R$ 26,3 milhões. Os números reforçam o peso crescente da aquicultura na diversificação do agronegócio capixaba e sinalizam um ambiente mais favorável para a expansão da atividade.

A tilápia segue como protagonista absoluta desse cenário. A espécie responde por 99,46% de toda a piscicultura estadual, com produção de 7,03 mil toneladas, o que evidencia a forte especialização dos sistemas produtivos no Espírito Santo. Os demais peixes cultivados, somados, representam menos de 1% da produção, confirmando a centralidade da tilapicultura no desempenho do setor.

A liderança da produção está concentrada em municípios que já possuem tradição e estrutura técnica. Linhares ocupa a primeira posição, com 3,2 mil toneladas, equivalente a 45,5% do total estadual. Em seguida aparecem Domingos Martins, com 1,4 mil toneladas e participação de 20,05%, e Marechal Floriano, com 550 toneladas, o que corresponde a 7,82% da produção. Também ganham destaque municípios como Guarapari, Muniz Freire e Alegre, que vêm ampliando seus sistemas produtivos com tecnologias adaptadas às condições locais.

A recuperação recente da atividade está associada à modernização dos sistemas de cultivo, com adoção de boas práticas de manejo, melhoria genética, uso de aeradores, alimentação balanceada e maior controle sanitário. Ao mesmo tempo, a tilápia mantém forte alinhamento com o mercado por oferecer um produto regular, competitivo e com ampla aceitação no varejo e na indústria.

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‘Vai chegar ao consumidor’, diz produtor de café sobre alta do diesel e dos fertilizantes


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

Os produtores de café de Minas Gerais já começam a sentir os efeitos da guerra no Oriente Médio. O aumento nos preços de fertilizantes, diesel e frete tem pressionado os custos de produção e pode, em breve, chegar ao consumidor final.

Segundo Fernando Barbosa, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, o impacto ocorre em cadeia e já é percebido mesmo antes do início da colheita.

De acordo com o produtor, a alta nos insumos já atinge diretamente o manejo do cafezal, especialmente na fase de adubação.

Parte dos fertilizantes utilizados na cultura, como a ureia, depende de importações ligadas a regiões afetadas pelo conflito, o que tem elevado os preços.

“Já adquirimos insumos com aumento. A questão do conflito e das rotas logísticas impacta diretamente o custo da nutrição do café”, explica.

Diesel e frete ampliam pressão sobre o produtor

Além dos fertilizantes, o aumento do petróleo também tem reflexo direto no diesel, essencial para todas as etapas da produção.

O encarecimento do combustível impacta desde o transporte de insumos até a operação de máquinas e a colheita.

Segundo Barbosa, o frete já apresenta alta, o que agrava ainda mais o cenário. “A logística encarece tanto para levar os insumos quanto para escoar a produção. Isso já está acontecendo agora, antes mesmo da colheita”, afirma.

Ainda de acordo com Barbosa , a projeção no campo é de um aumento significativo nos custos ao longo da safra 2025/26. Ele projeta uma alta entre 20% e 30%, impulsionada principalmente pelo encarecimento dos insumos e da logística.

Colheita se aproxima em meio a cenário de incerteza

No sudoeste de Minas Gerais, algumas áreas devem iniciar a colheita entre o fim de abril e o começo de maio, enquanto o pico ocorre entre junho e setembro.

Mesmo com uma safra promissora, favorecida por boas condições climáticas e enchimento de grãos, o cenário de custos elevados preocupa. “Era um ano para aliviar o custo de produção, mas estamos vendo o contrário”, destaca o produtor.

Impacto deve chegar ao consumidor

Com a elevação dos custos no campo e na logística, a tendência é de repasse ao longo da cadeia. Segundo Barbosa, o aumento inevitavelmente deve impactar o preço final do café.

“Tudo isso vai chegar ao bolso do consumidor. Não tem como absorver esse custo sozinho”, afirma.

Dependência do petróleo

O produtor também chama atenção para a dependência do setor em relação aos combustíveis fósseis. Mesmo com avanços tecnológicos, grande parte das operações agrícolas ainda depende de diesel e gasolina.

“Não temos máquinas totalmente elétricas no campo. Toda a operação depende do petróleo, desde o transporte até a colheita”, ressalta.

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Brasil pode ter mais de 100 mm de chuva até o fim do verão


O Meteored informou que os últimos dias do verão no Brasil serão marcados por chuvas irregulares no centro-sul, enquanto a porção norte do país deve concentrar os maiores volumes de precipitação, com acumulados pontuais próximos de 100 milímetros.

Segundo a previsão, “nos últimos dias do verão astronômico no Brasil, teremos um padrão irregular de chuvas pelo centro-sul do país, enquanto na porção mais ao norte as chuvas acontecem de forma mais abrangente e homogênea”. O levantamento aponta que áreas do leste do Nordeste do Brasil terão tempo seco, enquanto no Sul os volumes devem ser reduzidos, entre 10 e 20 mm. Já na Região Norte, os acumulados devem superar 60 mm em grande parte da área, podendo alcançar 100 mm entre Amazonas e Pará.

De acordo com o Meteored, a quarta-feira (18) começa com tempo estável e nebulosidade em áreas do Sudeste do Brasil, Nordeste do Brasil e em grande parte da Região Sul do Brasil. Há previsão de pancadas isoladas no Centro-Oeste do Brasil, especialmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de áreas da Região Norte e do Rio Grande do Sul.

Ainda conforme o boletim, “à tarde, poucas nuvens e baixo potencial para chuvas no leste do Nordeste e na Bahia, e no leste da Região Sudeste”. Nas demais áreas, as instabilidades aumentam, com previsão de pancadas de chuva e trovoadas isoladas, embora de forma irregular no centro-sul.

Durante a noite, a previsão indica ocorrência de pancadas isoladas em diferentes pontos do país. “À noite, ainda podem ocorrer pancadas de chuva isoladas no Acre, sul do Amazonas, norte do Pará, em Rondônia, Mato Grosso, norte do Maranhão e do Piauí, centro-oeste de São Paulo, sul de Minas Gerais e leste do Paraná e de Santa Catarina”, informa o Meteored.

Na quinta-feira, o padrão se mantém, com tempo estável em grande parte do território nacional e aumento das instabilidades ao longo do dia. “A partir da tarde, as instabilidades aumentam em boa parte do Brasil, enquanto as condições para chuvas significativas diminuem no Sul e no leste do Nordeste”, aponta o relatório.

O Meteored indica ainda que há previsão de variação de nebulosidade e chuva fraca no Rio Grande do Sul, além de pancadas e temporais isolados no leste do Paraná e de Santa Catarina. Já as regiões Sudeste do Brasil, Centro-Oeste do Brasil, Região Norte do Brasil e interior do Nordeste devem registrar chuvas localmente intensas entre a tarde e o início da noite.

Para sexta-feira (20), início do outono astronômico, o cenário segue semelhante. “As condições do tempo serão semelhantes às dos dias anteriores”, com registros de chuvas moderadas e mal distribuídas em áreas centrais e do Sudeste.

Entre a tarde e a noite, as precipitações mais intensas devem se concentrar no sul da Região Norte, no Centro-Oeste, no Sudeste e no interior do Nordeste. Já o norte da Região Norte, o leste do Nordeste, incluindo a Bahia, além do centro-oeste de São Paulo e a Região Sul, devem apresentar tempo mais estável.

O Meteored ressalta que “as chuvas ao longo dessa semana serão mais irregulares e sem acumulados expressivos em boa parte do Brasil”. Ainda assim, os maiores volumes podem ocorrer entre Amazonas e Pará, com acumulados entre 90 e 100 mm.

Nas demais áreas da Região Norte, além do Centro-Oeste, Sudeste do Brasil e parte do Rio Grande do Sul, os acumulados devem ficar entre 30 e 50 mm até sexta-feira (20). Já no leste do Nordeste e na Bahia, os volumes não devem ultrapassar 10 mm, enquanto Santa Catarina, Paraná e grande parte de São Paulo devem registrar até 30 mm.





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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário


Foto: Reprodução

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes. 

Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.

O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM. 

Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.

“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.

No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.

“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.

Alíquota

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.

“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.

Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.

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