domingo, julho 26, 2026

Autor: Redação

News

Controle populacional de javalis ganha incentivo financeiro de R$ 100 por animal abatido


javalis, javali
Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ Divulgação

O Plenário da Alesc aprovou nesta quarta-feira (15) o PL 287/2026 que oferece incentivo financeiro ao controle populacional de javalis (Sus scrofa) em Santa Catarina.

O projeto prevê o pagamento de R$ 100 por animal abatido para pessoas físicas ou jurídicas cadastradas nos órgãos ambientais competentes e devidamente autorizadas para o manejo e controle da espécie, observadas as exigências legais.

Para receber o incentivo, os interessados deverão comprovar que o abate ocorreu de forma regular e, quando realizado em propriedade privada, apresentar autorização do proprietário.

A aprovação da proposta ocorre em meio ao avanço da população de javalis em Santa Catarina. A proliferação descontrolada da espécie tornou-se uma das mais graves pragas do agronegócio.

Causa

Estima-se que mais de 200 mil javalis estejam espalhados por 236 municípios, cerca de 80% do total catarinense. Com a escassez de alimento nas matas, varas de até 50 animais avançam sobre propriedades, cidades e rodovias.

A incidência é maior na Serra, no Meio-Oeste e no Oeste, com forte presença em Lages, Campos Novos, Capão Alto, São Joaquim, Campo Belo do Sul, Água Doce, Bom Jardim da Serra e no entorno do Parque Nacional das Araucárias, entre Ponte Serrada e Passos Maia.

Danos causados

Os javalis destroem patrimônios, atingem ativos biológicos, ameaçam a fauna nativa e expõem trabalhadores a risco de morte. São frequentes os relatos de pessoas acuadas ou perseguidas e de cães mortos durante ações de controle. Machos adultos podem alcançar 200 quilos e investem com ferocidade quando ameaçados.

Os danos atingem lavouras de milho, feijão, soja, trigo, pastagens, hortaliças e criatórios de aves e suínos. A reprodução acelerada agrava o problema: as fêmeas têm, em média, duas ninhadas por ano, com cerca de oito filhotes cada.

Sem predadores naturais e com elevada capacidade de adaptação, essa espécie exótica invasora também cruza com porcos domésticos, originando os chamados javaporcos, o que dificulta ainda mais o controle.

Sanidade animal

Javalis podem disseminar peste suína africana, peste suína clássica e febre aftosa. Santa Catarina ocupa apenas 1,12% do território nacional, mas lidera a produção e a exportação brasileira de carne suína, é o segundo maior produtor de frangos e o terceiro de leite.

Desde 2007 o estado possui reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação e também é livre de peste suína clássica. Uma eventual contaminação dos plantéis comerciais causaria perdas significativas aos produtores, às agroindústrias e à economia estadual.

Desafios

Entre 2019 e 2024, mais de 120 mil javalis foram abatidos em Santa Catarina, sem redução suficiente da população estimada. O manejo é permitido por lei, mas depende de controladores registrados, equipes preparadas e regras específicas.

A escassez de profissionais, a burocracia e o risco das operações dificultam o controle. O Instituto do Meio Ambiente mantém ações nos parques estaduais Fritz Plaumann e das Araucárias, enquanto o Ibama e o Ministério da Agricultura conduzem pesquisas e monitoramentos nacionais.

Medidas necessárias

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), a desburocratização do manejo, o fortalecimento das equipes autorizadas e a integração entre poder público e setor produtivo são medidas necessárias para conter o avanço da espécie.

A entidade avalia que o problema ultrapassa o agronegócio e envolve a proteção da biodiversidade, da saúde pública, da segurança sanitária e da economia do estado.

O post Controle populacional de javalis ganha incentivo financeiro de R$ 100 por animal abatido apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Petróleo sobe mais de 4% com ataques no Golfo Pérsico e fechamento de Ormuz


Petróleo fecha em queda com volatilidade em meio a tensão no Oriente Médio

O petróleo encerrou esta sexta-feira (17) em forte alta nos mercados internacionais, em meio à continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico e ao fechamento do Estreito de Ormuz. A valorização também foi influenciada pela acusação do Kuwait de que Teerã atacou uma usina de energia e dessalinização de água no país.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em alta de 4,47%, com avanço de US$ 3,50, a US$ 81,78 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o Brent para setembro subiu 4,59%, ou US$ 3,87, e terminou a US$ 88,10 o barril.

No acumulado da semana, o WTI registrou ganho de 3,58%, enquanto o Brent avançou 4,59%.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

Segundo o governo do Kuwait, um bombardeio iraniano atingiu uma estação de geração de energia e dessalinização de água, provocando incêndio e danos a unidades de produção elétrica. O país classificou a ação como violação do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e de resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Em outra frente, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que destruiu a torre de vigilância do Porto de Chah Bahar Shahid Kalantari. De acordo com os militares americanos, a estrutura integrava uma rede de vigilância marítima ao longo da costa iraniana do Golfo de Omã, usada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

A consultoria Capital Economics avaliou que a escalada da guerra reforça a perspectiva de recuperação irregular dos fluxos de petróleo, com novos surtos de tensão. Para a empresa, os acontecimentos recentes elevaram de forma significativa as chances de um cenário mais adverso, com restrições prolongadas à circulação do petróleo.

A Axios informou que o governo Trump notificou Israel sobre o envio de dezenas de aviões de reabastecimento adicionais ao país, antes de uma potencial expansão das operações militares contra o Irã. Já a IRGC afirmou que, enquanto os Estados Unidos mantiverem ataques contra alvos iranianos, não haverá exportação de petróleo e gás da região e que o controle total do Estreito de Ormuz segue nas mãos de Teerã.

O mercado encerrou a sessão com os contratos do petróleo em alta, diante da intensificação do conflito no Oriente Médio, do fechamento do Estreito de Ormuz e das sinalizações de restrição aos fluxos de petróleo e gás na região.

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Petróleo sobe mais de 4% com ataques no Golfo Pérsico e fechamento de Ormuz apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

ApexBrasil apresenta estudo sobre impactos das tarifas dos EUA nas exportações brasileiras


A ApexBrasil apresentou, em Brasília, um estudo atualizado sobre os impactos da recente decisão da sessão 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos nas exportações brasileiras. O objetivo do estudo é desenvolver estratégias de diversificação para o setor produtivo e direcionar esforços para novos mercados, como a Europa.

Impactos das tarifas

O presidente da Apex Brasil, Laudemir Miller, destacou que a decisão dos Estados Unidos gerou um ambiente de incerteza para os exportadores nacionais. Ele classificou a medida como absurda do ponto de vista comercial, afirmando que nenhuma empresa americana defende tal tarifa.

Dados do comércio Brasil-EUA

  • O comércio entre Brasil e Estados Unidos movimenta R$ 8 bilhões.
  • 7,2 milhões de reais estão sendo impactados pelas novas tarifas.
  • 2.400 empresas brasileiras exportam para os EUA, das quais a Apex Brasil apoia 57.

Setores mais afetados

O estudo revelou que o impacto das tarifas varia por setor e estado. São Paulo é o estado mais afetado, seguido por Santa Catarina. O setor de mel, por exemplo, é responsável por 85% do mel orgânico importado pelos EUA.

Ações da ApexBrasil

A Apex Brasil está dialogando com empresas americanas para ampliar a isenção de tarifas e reservou R$ 130 milhões para trabalhar com as 57 entidades do setor produtivo. Um plano de diversificação será anunciado em agosto.

Reações do governo

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, contestou as alegações dos EUA, afirmando que a medida é injusta, já que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil. Ele ressaltou que a tarifa média de entrada de produtos americanos no Brasil é de apenas 3,1%.

O governo federal também anunciou uma nova fase do programa Brasil Soberano, que visa ajudar as empresas brasileiras afetadas pelo novo tarifaço.

O post ApexBrasil apresenta estudo sobre impactos das tarifas dos EUA nas exportações brasileiras apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Miguel Daú defende união política do Brasil contra tarifas dos EUA


O comentarista Miguel Daú alertou sobre a necessidade de união da classe política brasileira para enfrentar a pressão comercial dos Estados Unidos, que impõe tarifas desproporcionais ao Brasil. Segundo ele, a situação atual exige uma postura coesa e firme em defesa da soberania nacional.

Crítica à falta de ação política

Daú destacou que a classe política não está se posicionando adequadamente frente às tarifas americanas, que não têm justificativa técnica. Ele afirmou que:

  • O Brasil possui uma relação comercial de 200 anos com os Estados Unidos.
  • As tarifas impostas são desproporcionais e sem fundamento.
  • A elite brasileira deveria defender a pátria, independentemente de ideologias políticas.

Consequências da divisão política

O comentarista criticou a polarização política que impede uma resposta unificada. Ele enfatizou que:

  • Os candidatos à presidência não estão defendendo o Brasil adequadamente.
  • A defesa da pátria deve ser prioridade, acima de disputas políticas.
  • É necessário um mínimo de bom senso e coerência para enfrentar essa situação.

Mensagem final

Daú concluiu sua fala com um apelo à unidade, lembrando que a defesa do Brasil é essencial para o futuro do país e de sua população. Ele reforçou que todos devem se unir em prol da nação, independentemente de suas diferenças políticas.

O post Miguel Daú defende união política do Brasil contra tarifas dos EUA apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Colheita da terceira safra de feijão altera preços e mercado


O mercado de feijão no Brasil passa por uma fase de transição significativa com o início da colheita da terceira safra. Os preços começam a reagir, apresentando novos desafios para os produtores e todo o setor.

Impacto da terceira safra

Marcelo Leaders, presidente do IBRAF, destacou que a colheita atual ocorre após um período de preços elevados, que chegaram a recordes desde abril. A escassez de feijão no mercado anterior contribuiu para essa alta.

Queda nos preços

  • Os preços do feijão caíram de R$ 400 para R$ 320 em poucos dias.
  • Há previsões de que os preços possam chegar a R$ 300 e até R$ 250 até o final do ano.
  • O mercado deve se ajustar à nova oferta, mas a demanda ainda pode superar a disponibilidade.

Desafios para os produtores

Leaders enfatizou a importância de encontrar um preço justo que beneficie tanto o consumidor quanto o produtor. Ele alertou que, com a nova safra, é crucial que os produtores reflitam sobre suas vendas, especialmente se os preços caírem abaixo de R$ 300.

Expectativas futuras

Apesar da expectativa de queda nos preços, há uma possibilidade de que eles voltem a subir antes do final do ano, dependendo da demanda e da oferta no mercado. Os produtores devem estar atentos às condições do mercado para maximizar seus lucros.

O post Colheita da terceira safra de feijão altera preços e mercado apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Investimentos ampliam infraestrutura no Cerrado



Cada R$ 1 investido em infraestrutura gera R$ 4,26 de retorno


 Cada R$ 1 investido em infraestrutura gera R$ 4,26 de retorno
Cada R$ 1 investido em infraestrutura gera R$ 4,26 de retorno – Foto: Pixabay

Os investimentos em infraestrutura avançam no Cerrado baiano com foco na melhoria da logística, na segurança viária e no fortalecimento da economia regional. A ampliação da pavimentação de estradas vicinais busca reduzir custos, facilitar o escoamento da produção e melhorar a mobilidade das comunidades rurais.

Em 2025, as informações indicam que a Aiba entregou 135 quilômetros de pavimentação asfáltica. A previsão é concluir outros 138 quilômetros até o fim de 2026. Entre as obras em andamento está a estrada de acesso à Vila Panambi, em Formosa do Rio Preto, com 54 quilômetros. A pavimentação substitui uma rotina marcada por poeira na seca, atoleiros nas chuvas, atrasos e prejuízos no transporte.

Nesse contexto, o cronograma também inclui 55 quilômetros na Linha do Ouro, 14 quilômetros na Estrada Rio Grande e 15 quilômetros na Estrada da Produção. A entidade ainda prevê recuperar mais de 190 quilômetros de vias pavimentadas e reformar e duplicar a ponte sobre o Rio Arrojado.

Segundo os dados apresentados, cada R$ 1 investido em infraestrutura gera R$ 4,26 de retorno para a economia regional. Desde 2017, os investimentos do Prodeagro somam 565 quilômetros de pavimentação, com expectativa de alcançar cerca de 650 quilômetros até o fim de 2026.

“Com o auxílio das câmeras instaladas nas principais rodovias, é possível fazer o reconhecimento automático de placas, pois transmitem imagens ao vivo, direto para o Centro de Monitoramento da PM, cruzando informações em tempo real com as forças de segurança”, comenta o coordenador de TI da Aiba, Rosberg Flores.

 





Source link

News

Ministro visita unidades da Lactalis e da Masterboi em Pernambuco


Ministro visita unidades da Lactalis e da Masterboi em Pernambuco

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, cumpre agenda em Pernambuco na próxima terça-feira (21), com visitas técnicas à unidade da Lactalis, em Bom Conselho (PE), e à unidade da Masterboi, em Canhotinho (PE). A programação prevê acompanhamento de processos produtivos, controles de qualidade, procedimentos de inspeção e operações industriais nas duas empresas.

A primeira agenda será às 9h, na unidade da Lactalis em Bom Conselho (PE), localizada na Rodovia PE-218, s/nº, Km 46 (parte), Zona Rural. No local, André de Paula deve conhecer o processo produtivo, os controles de qualidade e as operações industriais da unidade.

Na sequência, às 12h30, o ministro visita a unidade da Masterboi em Canhotinho (PE), na Rodovia PE-177, nº 869, Zona Rural. A programação inclui o acompanhamento do funcionamento do frigorífico, com foco nas etapas de produção, nos procedimentos de inspeção e nos padrões adotados para garantir a segurança dos alimentos.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Segundo a agenda divulgada, ao término de cada visita técnica está prevista uma fala do ministro à imprensa.

Os profissionais de imprensa interessados na cobertura devem encaminhar para o e-mail imprensa@agro.gov.br o nome completo, o veículo de comunicação, o cargo e a agenda que pretendem acompanhar.

A agenda em Pernambuco reúne visitas a duas unidades da agroindústria de alimentos, com atividades voltadas ao acompanhamento de processos industriais, qualidade e inspeção em laticínios e frigorífico.

Fonte: gov.br

O post Ministro visita unidades da Lactalis e da Masterboi em Pernambuco apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Mais de 50 suínos e 800 kg de carne bovina estragada são apreendidos em abate clandestino


carne estragada
Foto: Divulgação

Um local de abate clandestino foi desmantelado pela Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo (PMESP) com apoio de equipes do Departamento Regional de Defesa Agropecuária de Taubaté, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).

O local funcionava no município de Jacareí, na Região Metropolitana do Vale do Paraíba. No espaço, foram apreendidos cerca de 800 quilos de carne bovina e suína clandestina, além de animais em situação de maus tratos.

Durante a operação, deflagrada através de denúncia, os policiais encontraram os produtos de origem animal distribuídos em cinco freezers. De acordo com as autoridades, os alimentos, que seriam comercializados na região, estavam armazenados em condições totalmente insalubres e exalavam um forte odor de decomposição.

Servidores da Defesa Agropecuária acompanharam a ação e também o processo de descarte dos produtos irregulares, que foram encaminhados para aterro sanitário por serem impróprios para consumo humano ou animal.

Além da grande quantidade de produtos de origem animal irregulares, a ação flagrou 52 suínos confinados, todos em situação de maus tratos, com água suja acumulada e fetos já mortos.

Ainda durante as buscas, policiais apreenderam uma espingarda calibre 28, um serrote, possivelmente usado para o corte das carcaças e um caldeirão. O proprietário foi autuado e as autoridades acompanharão o caso.

Registro de abatedouros

Na tentativa de impulsionar a prática legal de abate, a SAA promulgou no mês de abril deste ano a Resolução SAA 24/26, que facilita o registro de abatedouros de pequena escala no estado de São Paulo.

A medida busca incentivar a regularização de abates de todas as espécies domésticas destinadas ao consumo, trazendo segurança do alimento para a população e o fomento da economia.

A Defesa Agropecuária destaca que o abate clandestino de animais para consumo é uma atividade temerária do ponto de vista de segurança dos alimentos. “A destinação dos produtos oriundos desta prática colocam em risco a saúde da população, pois podem transmitir doenças ao serem consumidos”, informa o órgão.

Para fazer denúncias referentes a maus tratos animais, acesse a ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública. Para relatar a presença de abates clandestinos ou demais atividades agropecuárias ilegais, acesse o Portal Fala SP.

O post Mais de 50 suínos e 800 kg de carne bovina estragada são apreendidos em abate clandestino apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Geopolítica tributária: quando a tarifa chega ao campo


Imagem mostra tabuleiro de xadrez que ilustra os desafios da geopolítica atual e a imposição de tarifas
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Os efeitos de uma tarifa percorrem toda a cadeia produtiva. Alcançam fornecedores, indústrias, distribuidores e consumidores, alterando preços, contratos e decisões de investimento. É nesse ponto que a tributação deixa de ser apenas um instrumento comercial e passa a integrar o tabuleiro da geopolítica.

As audiências públicas realizadas nos dias 6 e 7 de julho, em Washington, sobre a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), evidenciaram essa dinâmica.

O processo aberto com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana analisa práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços eletrônicos de pagamento, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Após concluir sua investigação, o USTR propôs uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, preservando, inicialmente, grande parte dos produtos agropecuários. A audiência abriu espaço para que empresas e entidades demonstrassem argumentos para que seus produtos fossem excluídos da medida.

Quem esperava uma discussão política encontrou um ambiente mais técnico, orientado por perguntas concretas. O produto brasileiro é essencial para a economia norte-americana? Existe produção local suficiente? Há fornecedores capazes de substituí-lo? Qual seria o impacto sobre o abastecimento e os preços pagos pelo consumidor?

A mudança de abordagem é relevante para o agronegócio. Diferentemente de uma barreira sanitária, que normalmente questiona as condições de produção ou a qualidade de determinado alimento, a discussão desta audiência esteve concentrada na competitividade, na estabilidade das cadeias e na agregação de valor dentro dos Estados Unidos.

Nós participamos das audiências e atuamos na defesa de 11 setores produtivos brasileiros, entre eles café solúvel, móveis, papel e celulose. A presença em Washington permitiu apresentar argumentos específicos para cada cadeia, buscando ampliar as exclusões e reduzir os impactos da aplicação da tarifa.

Essa defesa exigiu entendimentos sobre estratégia comercial e negociação. Ir além da afirmação de que a tarifa prejudicará o Brasil não é uma sutileza. Foi preciso mostrar como o produto brasileiro está inserido na economia norte-americana, quais empresas dependem dele, quanto tempo seria necessário para encontrar outro fornecedor e qual parcela do custo poderá chegar ao consumidor norte-americano.

O café é um dos exemplos mais claros e que afeta a rotina matinal dos cidadãos estadunidenses. Os Estados Unidos não produzem o volume necessário para atender ao próprio mercado e dependem das importações. O café brasileiro também não chega ao país apenas como produto destinado diretamente às prateleiras. Ele abastece indústrias que realizam etapas de processamento, mistura, embalagem e distribuição em território norte-americano.

A mesma lógica apareceu na manifestação do setor de arroz. Representantes brasileiros argumentaram que o produto atende a mercados específicos nos Estados Unidos, especialmente empresas voltadas à comunidade latina.

Esses casos mostram por que o comércio agrícola não pode ser analisado apenas como uma disputa entre produtores brasileiros e norte-americanos. Entre a fazenda e o consumidor existem importadores, transportadoras, armazéns, indústrias de alimentos, restaurantes e redes varejistas. Dependendo da cadeia, o produto importado pode complementar a produção local, atender a preferências específicas ou suprir uma demanda que os Estados Unidos não conseguem atender internamente.

Também não há uma posição única dentro do mercado norte-americano. Importadores e empresas que utilizam produtos brasileiros como insumos alertaram para os riscos de aumento dos custos. Por outro lado, produtores locais de segmentos como pecuária e etanol defenderam maior proteção contra as exportações brasileiras.

A geopolítica tributária se manifesta justamente nesse conflito. Uma tarifa apresentada como proteção à produção nacional pode beneficiar determinados grupos, mas pressionar outras cadeias que dependem das importações. Se não houver oferta doméstica suficiente, a medida poderá elevar custos ou deslocar as compras para fornecedores de outros países, sem necessariamente fortalecer a produção local.

Para o agronegócio brasileiro, a principal lição é que a competitividade internacional já não depende apenas de produtividade, qualidade e preço. Na geopolítica das tarifas, é necessário demonstrar quanto o próprio país que aplica a medida poderá pagar. Para o agro, essa é a diferença entre reagir a uma barreira e participar, de maneira estratégica, da construção do resultado.

Ana Paula Abritta, colubista da BMJ

*Ana Paula Abritta é diretora de Estratégia e Inovação da BMJ Consultores Associados, onde atua desde 2016 liderando equipes de Relações Governamentais, Inovação e Comércio Internacional. É mestra em Poder Legislativo (Câmara dos Deputados), com MBA em Comércio Internacional (FGV) e graduação em Relações Internacionais (UCB). É cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT).


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Geopolítica tributária: quando a tarifa chega ao campo apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Durigan diz que subsídios aos combustíveis serão retirados após recuo do petróleo


Lula critica taxa de 20% dos EUA no Estreito de Ormuz e cita efeito nos alimentos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17) que a intenção é retirar os subsídios dos combustíveis assim que os preços do petróleo se normalizarem. Segundo ele, as subvenções em vigor seguem sob revisão constante, enquanto o governo acompanha a evolução da guerra envolvendo o Irã e seus efeitos sobre a economia brasileira.

Durigan disse que o cenário ainda é de elevada incerteza e pode produzir efeitos contraditórios sobre a economia do país. De um lado, a alta volatilidade do conflito pode elevar a arrecadação, com maior entrada de receitas ligadas ao petróleo, como royalties e tributos.

Sob a ótica fiscal, o ministro afirmou que a equipe econômica poderia se limitar a absorver essa receita adicional, sem adotar medidas de compensação. Ainda assim, ressaltou que a atuação do governo não deve ficar restrita ao resultado das contas públicas, diante dos efeitos econômicos do aumento dos preços.

Receba no seu e-mail as notícias mais importantes do dia, análises de mercado e os principais fatos que movimentam o agronegócio: assine a newsletter do Canal Rural

Entre os riscos citados por Durigan estão a possibilidade de greve de caminhoneiros, prejuízos ao escoamento da safra e impactos sobre o transporte público em grandes metrópoles. A avaliação apresentada por ele é de que esses efeitos podem atingir diretamente a atividade econômica e a sociedade.

O ministro também afirmou que a estratégia será manter o compromisso fiscal e buscar melhora das contas públicas até o fim do ano, sem deixar de promover ações de mitigação associadas ao conflito. Ao mesmo tempo, reiterou que o objetivo da equipe econômica é encerrar os subsídios e retomar a situação anterior assim que houver espaço para isso.

Ao tratar das subvenções em vigor, Durigan afirmou que elas estão sendo mantidas neste momento enquanto o governo aguarda a evolução do conflito. Em declaração, disse que a intenção é encerrar a subvenção assim que o preço do petróleo recuar.

A sinalização do Ministério da Fazenda é de manutenção das medidas no curto prazo, com revisão contínua das subvenções e retirada dos subsídios quando houver normalização dos preços do petróleo.

Fonte: Estadão Conteúdo

O post Durigan diz que subsídios aos combustíveis serão retirados após recuo do petróleo apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link