O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, neste sábado (2), dois alertas laranja de perigo para chuvas intensas em áreas do Nordeste e da Região Sul, além de um terceiro aviso para ventos costeiros no Sul e no litoral sul de São Paulo.
Os avisos abrangem estados com previsão de elevados acumulados de chuva, ventos fortes e mudança nas condições do tempo ao longo do fim de semana.
No Nordeste, o alerta vale durante todo este sábado (2) e atinge áreas do Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Segundo o Inmet, os volumes podem chegar a 100 milímetros (mm) por dia, com ventos entre 60 e 100 quilômetros por hora (km/h).
Na Região Sul, o aviso começou às 10h deste sábado (2) e tem vigência de 24 horas. As áreas sob alerta estão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Um terceiro aviso laranja, também iniciado às 10h, trata de ventos costeiros e alcança faixas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e o litoral sul paulista.
De acordo com o instituto, a instabilidade no Sul está associada à atuação de uma frente fria. No Rio Grande do Sul, há previsão de temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo até este sábado (2). No domingo (3), com o avanço do sistema, uma massa de ar seco deve ingressar no estado, derrubando as temperaturas mínimas para valores entre 0 grau Celsius (°C) e 4°C.
O Inmet informa ainda que as chuvas devem avançar para Santa Catarina, Paraná e o litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, com acumulados de 60 mm por dia e pontos acima de 100 mm no Rio Grande do Sul.
No Norte e no Nordeste, os maiores volumes previstos ficam entre Rio Grande do Norte e Pernambuco e entre Amapá e Pará, em torno de 70 mm/dia. Na Paraíba, cidades como Campina Grande, Sapé e Areia podem registrar até 80 mm/dia. O governo do estado já decretou situação de emergência nas áreas afetadas.
Para as áreas centrais do país, que incluem Centro-Oeste e parte do Sudeste, o cenário é oposto. O Inmet não prevê chuva nos próximos dias e indica umidade relativa do ar entre 30% e 40% no período da tarde, com temperaturas máximas entre 34°C e 36°C, especialmente em Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso.
Brasil e Canadá realizaram uma nova rodada de negociações do acordo comercial entre o Mercosul e o governo canadense, com reuniões técnicas presenciais e híbridas, que ocorreram entre 27 e 30 de abril.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o ciclo mais recente ampliou o debate sobre temas centrais do tratado e deixou três capítulos próximos da conclusão. Novos encontros estão previstos para maio.
Segundo nota divulgada pelo Mapa nesta sexta-feira (1º), os grupos técnicos se reuniram para discutir comércio de bens, serviços e serviços financeiros, regras de origem, propriedade intelectual, barreiras sanitárias e fitossanitárias, além de comércio e desenvolvimento sustentável.
Também houve reuniões em formato híbrido sobre compras governamentais, barreiras técnicas ao comércio e comércio e trabalho. Esse conjunto de temas é considerado estruturante em acordos comerciais porque define as condições de acesso a mercado, critérios de certificação, exigências regulatórias e parâmetros para circulação de produtos e serviços entre os países.
O ministério informou ainda que, ao fim da rodada, três capítulos do acordo comercial se encaminharam para o encerramento. No entanto, a pasta não detalhou, na nota oficial, quais capítulos avançaram nem o estágio exato de consolidação de cada um.
A retomada das tratativas ocorre em um momento de ampliação da agenda externa do bloco. Na terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que passou a valer nesta sexta-feira (1º). Na ocasião, o presidente citou o Canadá como parceiro estratégico em futuras negociações.
No caso do agronegócio, o avanço técnico tende a ser acompanhado com atenção porque capítulos sobre barreiras sanitárias e fitossanitárias, regras de origem e comércio de bens influenciam diretamente requisitos de exportação, certificações e previsibilidade regulatória.
Os impactos práticos, porém, dependem da conclusão formal do acordo e da divulgação de seus termos finais.
A próxima etapa será a rodada prevista para maio. Até lá, o ponto central será verificar se os capítulos em fase final serão efetivamente concluídos e se haverá definição sobre temas sensíveis para exportações, compras governamentais e exigências técnicas.
A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.
A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.
Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.
Comércio
A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.
“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.
Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.
A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.
Centrais sindicais
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.
“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.
Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.
A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.
“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.
Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.
A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.
Pressão por novos cortes
Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.
O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.
Os jornalistas Beatriz Gunther e João Nogueira comandam o videocast semanal do Canal Rural
O novo episódio do Radar Rural detalha os primeiros impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia, os itens que mais pressionam a inflação no Brasil e as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o próximo Plano Safra.
O videocast também mostra os bastidores da cobertura das principais feiras do agro. Confira o episísódio completo:
Pensado primeiro para o ambiente digital, o Radar Rural é publicado no Youtube do Canal Rural às sextas-feiras, a partir das 15h. Nesta semana, será exibido na programação do Canal Rural no domingo (3), às 07h30, com reprise na segunda-feira (4), a partir de 11h30.
Mercosul-UE: quem ganha no curto prazo
Após 26 anos de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor e já traz mudanças para alguns setores do agro brasileiro. No curto prazo, café solúvel e frutas aparecem entre os mais beneficiados.
No caso do café solúvel, a redução de tarifas será gradual. A alíquota atual de 9% começa a cair agora e será zerada em até quatro anos. Já para as frutas, o cenário é mais heterogêneo: produtos como a uva terão tarifa zerada imediatamente, enquanto outros seguirão cronogramas específicos.
A avaliação inicial de entidades do setor é positiva, mas há alertas. A exigência europeia de comprovação de origem livre de desmatamento deve pesar, principalmente para o café. A regra passa a valer a partir do fim de 2026 para médios e grandes produtores, e em 2027 para pequenos, o que exige adaptação e organização documental.
Inflação: alimentos e combustíveis lideram alta
Outro destaque do Radar Rural é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,89% entre meados de março e abril, puxado principalmente por alimentação, bebidas e combustíveis.
Entre os alimentos, itens como cenoura, cebola, leite longa vida e tomate registraram altas expressivas. Apesar disso, o maior impacto individual no índice veio da gasolina, com alta de 6%.
O diesel também chama atenção, com avanço de cerca de 16% no período, influenciado pelo cenário internacional e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo.
Outro destaque é o açaí, que teve forte variação de preços, especialmente no Norte do país. O produto enfrenta pressão da seca na Amazônia, aumento da demanda global e desafios logísticos, o que amplia a diferença de preços entre regiões.
Além do crédito, a entidade reforça a necessidade de ampliar o seguro rural, com solicitação de R$ 4 bilhões para subvenção. O objetivo é proteger o produtor diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Outro ponto defendido é a adoção de um planejamento plurianual, inspirado no modelo adotado pelos Estados Unidos, para dar mais previsibilidade ao setor.
Cobertura no campo: Agrishow e Expozebu
O episódio também traz relatos sobre a cobertura das principais feiras do agro. A Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), se destaca pela dimensão e volume de informações, com intensa agenda de coletivas e lançamentos tecnológicos.
Já a Expozebu, em Uberaba (MG), é referência na pecuária, com foco em genética, julgamentos de animais e leilões. Em poucos dias, o volume de negócios pode ultrapassar centenas de milhões de reais.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em baixa nesta sexta-feira (1º) após relatos de que o Irã apresentou uma nova proposta de acordo ao Paquistão, apontado como mediador de conversas com os Estados Unidos.
A leitura do mercado foi de que uma eventual retomada das negociações pode reduzir, no curto prazo, os riscos de restrição no Estreito de Ormuz, rota central para o comércio global de petróleo.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para junho caiu 2,98%, ou US$ 3,13, e encerrou o pregão a US$ 101,94 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o Brent para julho recuou 2,02%, ou US$ 2,23, para US$ 108,17 por barril.
Apesar da queda diária, o movimento da semana seguiu positivo. O WTI acumulou ganho de 7,99%, enquanto o Brent avançou 9,12%. Em abril, o Brent encerrou o mês acima de US$ 110 por barril, depois de atingir na quinta-feira (30) o maior nível desde 2022.
Segundo a CNN, uma fonte iraniana afirmou que Teerã pode retomar as negociações se os Estados Unidos suspenderem o bloqueio aos portos iranianos e houver reabertura completa do Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que o encerramento da guerra e a construção de uma paz sustentável seguem como prioridade.
Do lado americano, o presidente Donald Trump disse não estar satisfeito com o Irã após conversas recentes. De acordo com a Axios, Washington tenta recolocar a questão nuclear no centro da proposta, ponto que segue como principal impasse. Para Samer Hasn, analista sênior de mercado da XS.com, os EUA tendem a priorizar o programa nuclear iraniano antes de uma reabertura total da rota marítima.
Esse quadro mantém a volatilidade elevada. Para importadores de combustíveis e cadeias dependentes de frete marítimo, a queda desta sessão alivia parte da pressão imediata, mas a alta acumulada na semana indica que o risco geopolítico ainda segue embutido nos preços.
O comportamento dos contratos nas próximas sessões deve continuar condicionado ao avanço efetivo das negociações e a sinais concretos sobre a operação no Estreito de Ormuz. Sem definição diplomática, o mercado tende a manter prêmio de risco nas cotações, segundo a leitura de analistas internacionais e bancos que acompanham o setor.
O Banco Central do Brasil anunciou a redução da taxa básica de juros pela segunda reunião consecutiva, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária. A taxa Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual, passando a 14,5% ao ano, em um movimento já esperado pelo mercado financeiro.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas. A retomada do ciclo de cortes ocorre em um ambiente de desaceleração inflacionária, mas ainda pressionado por fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, que impacta os preços de combustíveis e alimentos.
Em nota, o Copom destacou as incertezas no cenário inflacionário. “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, informou o colegiado.
O comitê também opera com quadro incompleto. Os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti foram encerrados no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou novos nomes ao Congresso Nacional. Além disso, o diretor Rodrigo Teixeira se ausentou da reunião por motivo pessoal.
A decisão ocorre em meio à aceleração da inflação medida pelo IPCA-15, que registrou alta de 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, aproximando-se do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.
O sistema de meta contínua, em vigor desde 2025, estabelece objetivo central de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, sendo apurado com base na inflação acumulada em 12 meses.
No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou a projeção de inflação para 2026 de 3,5% para 3,6%. Já o mercado financeiro, segundo o boletim Focus, estima inflação de 4,86% no período, acima do teto da meta.
A redução da Selic tende a estimular a atividade econômica ao baratear o crédito e incentivar consumo e produção. Por outro lado, o movimento reduz a intensidade do controle inflacionário, exigindo cautela da autoridade monetária diante das incertezas externas e da trajetória dos preços.
Quatro pessoas morreram em decorrência das tempestades que atingem o estado de Pernambuco.
De acordo com o governo do estado, uma mulher e o filho, de 6 anos, foram soterrados na região metropolitana do Recife. Em Olinda, uma mãe e seu bebê também vieram a óbito em um deslizamento de barreira.
Até o momento, a Defesa Civil de Pernambuco registra um total de 422 pessoas desabrigadas e 1.068 pessoas desalojadas. Além disso, 342 vítimas foram resgatadas.
O órgão também informa que tem oferecido serviços emergenciais e já entregou materiais de ajuda humanitária: 150 colchões, 300 lençóis e 38 kits de limpeza, ao município de Goiana.
O governo federal, via Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), já reconheceu a situação de emergência e mobilizou equipes da Defesa Civil Nacional para dar suporte técnico à região atingidas pelos temporais.
A pasta informou que, além de Pernambuco, o governo vai apoiar o estado da Paraíba, que também tem sofrido com os temporais nas últimas 48 horas.
Como agir
Em períodos de chuva forte, os órgãos de defesa civil orientam a evitar áreas de risco como encostas, barreiras, margens de rios ou locais com histórico de deslizamentos. Assim como regiões alagadas, que não devem ser atravessadas a pé ou de carro.
Em situações de risco, deve-se procurar abrigo seguro fora das áreas comprometidas ou buscar abrigo indicado pela Defesa Civil do município.
Durante as tempestades com relâmpagos, áreas abertas devem ser evitadas.
A população também pode solicitar ajuda por meio dos seguintes telefones úteis:
Defesa Civil: 199
Bombeiro Militar: 193
SAMU: 192
Polícia Militar: 190
Alertas
O cidadão pode se cadastrar para receber alertas da Defesa Civil local, sobre a possibilidade de ocorrência de desastres e de eventos adversos, acompanhados de recomendações ou ações emergenciais para a população em situação de risco.
Por meio do WhatsApp (61) 2034-4611 ou pelo link, o acesso ao serviço é gratuito e ocorre imediatamente, após o cadastro do telefone. Em seguida, é preciso interagir com o chatbot (robô de atendimento), enviando um simples “Oi”. O usuário poderá compartilhar a localização atual para receber as mensagens direcionadas à região.
As informações podem ajudar tomar decisões com antecedência.
Foto: Divulgação/Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo
Em maio de 2026, o setor citrícola paulista marca um marco decisivo na defesa sanitária: completa-se um ano da vigência da Resolução SAA nº 24/2025, que proibiu em todo o estado a produção, o comércio, o plantio e o transporte da murta (Murraya paniculata).
A medida, que completa seu primeiro aniversário legislativo este mês, é a ponta de lança da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) para tentar frear o avanço do greening (HLB), a doença mais devastadora da citricultura mundial.
A murta, embora popular no paisagismo urbano por seu aroma e resistência, é a “casa favorita” do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor da bactéria causadora do greening.
Como a planta não costuma receber os tratamentos químicos feitos nos pomares comerciais, ela acaba funcionando como um reservatório e centro de disseminação da praga para as laranjeiras de todo o cinturão citrícola.
Fiscalização e rigor sanitário
A Defesa Agropecuária de São Paulo tem reforçado, por meio de seus canais digitais, que a proibição não é apenas para novos plantios. A normativa determina a eliminação obrigatória das murtas existentes em áreas urbanas e rurais.
O descumprimento das normas acarreta penalidades previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.
Segundo o órgão, o foco da fiscalização tem sido viveiros e o comércio de mudas, mas a colaboração da população é considerada vital. “A conscientização do morador de cidade é tão importante quanto o rigor do produtor no campo”, afirma a pasta em comunicado.
O desafio do greening
Dados recentes do Fundecitrus apontam que a incidência da doença no cinturão citrícola (SP e Triângulo Mineiro) atingiu níveis recordes nos últimos anos, beirando os 48% em 2025.
Sem cura, a única forma de controle é a prevenção: a erradicação de plantas doentes e, crucialmente, a eliminação de hospedeiras como a murta.
A recomendação para quem possui a planta em jardins ou calçadas é a substituição por espécies nativas ou ornamentais que não ofereçam risco à agricultura, garantindo que o estado de São Paulo mantenha sua liderança global na produção de suco de laranja.
Estive na Agrishow com o Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), uma das organizadoras do evento. Perguntei a ele sobre a visão e as perspectivas da feira para este ano.
Segundo Plöger, a Agrishow mantém uma visitação dentro do esperado, com quase 200 mil visitantes e todos os expositores confirmados, apresentando produtos inovadores. No entanto, ele pondera que a perspectiva de vendas deve ser menor do que a do ano passado.
Ele explica que o primeiro trimestre vem sendo marcado por forte pressão nos preços de insumos, o que gera incerteza. Ainda assim, destaca que há mobilização dos empresários para manter os negócios ativos. “Implementos menores estão rodando, mas os maiores dependem de financiamento”, afirma. Nesse cenário, segundo ele, os próprios bancos dos fornecedores têm buscado alternativas, inclusive com juros abaixo da Selic.
Plöger também critica o nível atual dos juros. Para ele, o Banco Central ainda não percebeu o impacto real desse cenário. “Esses juros exorbitantes estão prejudicando muito mais do que eles imaginam”, diz, ao fazer um apelo por maior razoabilidade na política monetária.
Ele ressalta que o Brasil continua avançando, mesmo diante das dificuldades, lembrando que muitos equipamentos têm ciclo de uso entre cinco e dez anos. Destaca ainda a resiliência dos empresários, que seguem investindo mesmo com prejuízo, mas reforça que o setor precisa de uma motivação forte e real. Nesse contexto, avalia que não é o momento para aumento de impostos nem para restrição de crédito. “Nós empresários estamos fazendo de tudo para manter essa confiança acesa”, completa.
Perguntei então se a oferta de R$ 10 bilhões anunciada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a Agrishow ajuda o setor.
Plöger afirma que recebeu o anúncio com entusiasmo, mas demonstra cautela quanto à execução. Ele lembra que, no Brasil, muitas vezes grandes anúncios não se traduzem em acesso efetivo aos recursos. “Quando você chega lá, a dificuldade de colocar esse dinheiro dentro da empresa muda a história”, observa.
Para ele, o ponto central é a agilidade. Caso haja senso de urgência e praticidade por parte do governo, permitindo que os recursos cheguem a quem precisa, a medida será positiva. Caso contrário, o ceticismo permanece. Ele recorda que anúncios anteriores demoraram a se concretizar. “Ótimo que isso tenha sido anunciado, mas que chegue rápido”, conclui.
Muito bem, Ingo, presidente da Abag, sucesso — e vice-presidente Alckmin, acelera aí a liberação dos R$ 10 bilhões. O setor aprovou, mas precisa ver o dinheiro chegar.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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A indústria de seguros já faz as contas para mais um ano desafiador no segmento rural, em meio aos drásticos cortes da subvenção federal à contratação de cobertura securitária de áreas plantadas.
Em 2025, o governo bloqueou R$ 445,1 milhões do programa de subsídios, de R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento original. A tesourada agravou os efeitos da escalada da Selic ao pico de 15% e de eventos climáticos extremos, que desenharam uma espécie de “tempestade perfeita” para o agronegócio.
Para tentar aplacar o baque, o mercado intensificou a pressão pela retomada do apoio público, mas ainda enfrenta incertezas sobre a reconstituição dos recursos. Como resultado, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) agora prevê uma queda de 3,9% na arrecadação do setor com o seguro rural em 2026, após o tombo de 8,8% no ano passado, quando somou R$ 12,9 bilhões.
O desempenho esperado representa uma piora significativa em relação à expectativa anterior, de crescimento nominal de 2,3%. Também contrasta com a projeção de expansão de 5,7% nas receitas gerais com todas as linhas, o que sugere que os problemas estão concentrados no agro.
Além dos juros restritivos, a guerra no Irã imprime volatilidade aos preços das commodities e reduz as margens do produtor.
“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, explica o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gláucio Nogueira Toyama, em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
“Isso leva o mercado a adotar uma postura mais seletiva”, complementa.
Queda de braço com o governo
O cenário colocou o setor segurador em uma espécie de “queda de braços” com o governo. De um lado, as empresas ainda aguardam o pagamento de mais de R$ 300 milhões da subvenção prometida para 2025, que representa cerca de 70% do total, segundo Toyama.
As seguradoras também cobram previsibilidade para as dotações de 2026 e pressionam pela reversão dos cortes. De acordo com o executivo, ainda não houve uma reunião com o Comitê Gestor Interministerial para o Seguro Rural que definiria os parâmetros usados neste ano. “Estamos no escuro”, reclama.
Do outro lado do balcão, a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega restrições fiscais para justificar os bloqueios. No começo do ano, o petista vetou um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que blindava os recursos ao seguro rural contra o contingenciamento e o tornava uma despesa obrigatória. O governo afirma que a medida reduziria a flexibilidade na execução do orçamento. Procurado, o ministério da Agricultura não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Enquanto persiste a incerteza, o Brasil continua a registrar forte retração na proporção de cultivos cobertos por seguro. Segundo a CNSeg, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões de hectares no começo desta década para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa apenas 3,3% no total.
Para efeito de comparação, nos EUA, em torno de 227 milhões de hectares estão protegidos, conforme dados da National Crop Insurance Services Serviços Nacionais (NCIS, associação americana que representa o setor).
Ciclo vicioso
O principal risco gerado pela falta de acesso ao seguro rural é o de que se deflagre um “ciclo vicioso” no agronegócio, alerta o vice-presidente-executivo de Riscos e Operações na seguradora Newe Seguros, Rodrigo Motroni. Sem a cobertura, o produtor que enfrenta perdas não consegue renegociar dívidas, reduz investimentos e fica mais exposto na safra seguinte.
“O produtor que já tem custos muito alta precisa de ajuda estatal para fazer a contratação do seguro”, afirma o executivo. Para Motroni, o seguro rural precisa ser tratado como uma política de estado, que traga mais previsibilidade aos subsídios.
Ele também cita casos no exterior que comprovam a necessidade de um apoio público. “O programa de subvenção chinês investe algo da ordem de US$ 10 bilhões [no seguro rural] e a gente não consegue chegar nem a R$ 1 bilhão”, compara.
Nos últimos meses, o setor vem articulando em Brasília a criação de mecanismos para tornar a subvenção mais perene. A CNSeg propõe, em particular, a estruturação de fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.
Congresso discute projeto de lei
O tema está em discussão no Congresso. Em dezembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) aprovou um projeto de lei, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa.
O texto propõe alterar a natureza da despesa com os subsídios, de discricionária para obrigatória. Também permite ao governo promover incentivos para a contratação do seguro, como juros mais baixos. “Esse projeto de lei vem para ajudar a criar mais previsibilidade”, comenta Motroni.
Toyama, da FenSeg, também considera a aprovação do projeto de lei importante para pavimentar a recuperação do seguro rural. Segundo ele, representantes do setor estão trabalhando diretamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso, para evitar novos cortes na subvenção.
“Com isso, em 2027. possivelmente teremos uma melhora nas condições para os produtores”, destacou.